segunda-feira, 23 de outubro de 2023

A Ásia emergente e a América Latina submergente

Os países da Ásia emergente e, em especial, do Leste Asiático possuem maiores taxas de poupança e de investimento e maior competitividade nas exportações

“Eu sou apenas um rapaz latino-americano Sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior” – Belchior (1976).

A Ásia já foi palco de grandes civilizações, como a Mesopotâmia, a Babilônia, os Persas, a China, a Índia, a Rússia, os Mongóis, etc.

Mas, nos últimos séculos, a Ásia ficou para trás em relação ao mundo Ocidental, especialmente depois da colonização das Américas e da Revolução Industrial e Energética. A Ásia sempre foi o continente mais populoso do Planeta. Mas com o retrocesso econômico, a região ficou pobre e com muitos problemas sociais.

Contudo, essa situação começou a mudar depois da Segunda Guerra Mundial e do processo de descolonização do continente. Por exemplo, a Índia fez a independência em 1947 e a China fez sua revolução em 1949. Singapura conseguiu a independência em 1959, o Irã fez a revolução islâmica em 1979, assim como diversas repúblicas soviéticas da Ásia conseguiram a independência a partir de 1991. Ao longo da segunda metade do século XX, as taxas de crescimento econômico se aceleraram na Ásia.

O contraste com a América Latina é gritante. O gráfico abaixo mostra a participação da economia latino-americana e da Ásia emergente no PIB global entre 1980 e 2028. Em 1980, a economia da América Latina e Caribe (ALC) era maior do que a economia da Ásia emergente, tendo uma participação no PIB global de 12%, contra 8,9% da Ásia emergente. Em 2022, a participação da economia da Ásia emergente no PIB global já tinha passado para 32,8%, contra 7,2% da ALC. Para 2028, o FMI estima 36,3% contra 6,9%. Isto é, a economia da Ásia emergente já é cerca de 5 vezes maior do que a economia da ALC. Portanto, a Ásia emergente avança e a ALC submerge e se apequena em termos relativos.

Os dados do FMI mostram que os asiáticos têm um desempenho econômico muito acima dos latino-americanos. O gráfico abaixo mostra as taxas anuais de crescimento do PIB em quase 5 décadas. Apenas em 1980 houve empate entre as duas taxas, em todos os demais anos a Ásia emergente cresceu muito mais do que a ALC. A única variação negativa da Ásia emergente ocorreu em 2020, em função da pandemia da covid-19 e foi uma recessão pequena. Já a ALC teve 5 recessões no período.

Em 1980, a ALC tinha uma renda per capita de US$ 11,3 mil e a Ásia emergente uma renda de US$ 1,3 mil (uma diferença de 9 vezes), conforme mostra o gráfico abaixo com dados do FMI de 1980 a 2028, em preços constantes em poder de paridade de compra (ppp). No início da década de 1990, a diferença tinha caído para 5 vezes. Em 2023, a renda latino-americana foi estimada em US$ 15,8 mil e a asiática em US$ 12,7 mil. A previsão é que a Ásia emergente ultrapasse a renda per capita da ALC em 2030.

O aumento da renda per capita da Ásia viabilizou o processo de redução da pobreza extrema. O gráfico abaixo, do site Our World in Data, mostra que em 1990 a percentagem da população vivendo em condição de miséria era de 65,8% no Leste Asiático e Pacífico (região que inclui a China), de 49,8% no Sul da Ásia (região que inclui a Índia) e de 16,7% na América Latina e Caribe. Porém, em 2019, enquanto a pobreza extrema caiu para 4,3% na ALC, o Leste Asiático e Pacífico conseguiu reduzir para 1,1% e o Sul da Ásia reduziu para 8,5%. Proporcionalmente, a redução da pobreza foi muito maior e mais rápida na Ásia.

Os países da Ásia emergente e, em especial, do Leste Asiático possuem maiores taxas de poupança e de investimento e maior competitividade nas exportações. Portanto, estão mais capacitados para aproveitar o 1º e o 2º bônus demográfico. Manter uma política macroeconômica sustentada e equilibrada é fundamental para garantir a geração de emprego e um futuro de bem-estar e de maior qualidade de vida.

Os países da Ásia emergente estão conseguindo sucesso na redução da pobreza e no aumento da renda, enquanto a ALC está presa nas armadilhas da renda média e do baixo crescimento. (ecodebate)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...