segunda-feira, 25 de março de 2024

Mapa revela vulnerabilidade de áreas críticas na Amazônia Legal

Pan-Amazônia já perdeu 17% de sua cobertura nativa

Análise revela áreas críticas para a proteção da biodiversidade na Amazônia Legal que ainda estão desprotegidas.

Mapa desenvolvido por pesquisadores do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) com o apoio da Embaixada do Reino dos Países Baixos aponta que áreas críticas para a proteção da biodiversidade na Amazônia Legal ainda estão fora de Unidades de Conservação, deixando-as vulneráveis ao desmatamento ilegal. Os ecossistemas identificados concentram grande quantidade de espécies de fauna e flora, mas não contam com legislação ambiental específica para sua proteção.

O objetivo do mapa produzido é auxiliar na proteção dessas áreas, assim como servir de base para a criação de políticas públicas de desenvolvimento sustentável e criação de unidades de conservação que incluam esses hotspots de biodiversidade.

Além disso, espera-se chamar a atenção para a importância de conectar áreas preservadas, garantindo um ambiente estável e equilibrado para a fauna e a flora.

“Esse mapa mostra áreas que têm um grande potencial de criação de unidades de conservação e áreas que têm extrema relevância para a conservação porque possuem uma alta biodiversidade. Apresentamos esse mapa para mostrar a importância que essas áreas têm, embora elas ainda não estejam protegidas. Boa parte dessas áreas está ameaçada pelo desmatamento e pela expansão da infraestrutura, então é crucial que a fiscalização nessas áreas seja rigorosa”, alerta João Paulo Ribeiro, pesquisador do IPAM e autor do mapa.

Mesmo fora da proteção tradicional dos parques e estações ecológicas, a preservação desses locais é fundamental para garantir a conectividade entre áreas de mata nativa. Áreas de reserva legal, por exemplo, preservam a biodiversidade dentro de propriedades privadas e têm papel fundamental na criação de mosaicos de preservação, unindo áreas de vegetação nativa em diferentes propriedades.

“De acordo com o Código Florestal, propriedades rurais na Amazônia devem preservar 80% da sua área. Isso é um ativo tremendo que devemos olhar de perto. Temos que visualizar essas áreas privadas como uma forma de criar corredores de preservação, mesmo que seja necessário recuperar áreas. A implementação do Código Florestal deve ser vista como aliada à proteção da biodiversidade e precisa fazer parte de qualquer estratégia de proteção na Amazônia e no Cerrado”, destacou André Guimarães, diretor executivo do IPAM.

O mapa também destaca a diversidade biológica em formações não-florestais na Amazônia, como os lavrados de Rondônia, que muitas vezes são preteridos nos esforços de preservação. Segundo dados da rede MapBiomas, mais de 4% da Amazônia é composta por vegetações não-florestais, totalizando 18,5 milhões de hectares.

Os mapas foram apresentados para representantes das embaixadas dos Países Baixos, França, Noruega e Espanha, assim como servidores do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e Ministério da Ciência e Tecnologia e ambientalistas. O evento foi realizado na residência oficial do embaixador dos Países Baixos, em Brasília.

Lentidão na demarcação

De acordo com dados coletados pelo newsletter Um Grau e Meio, produzida pelo IPAM, a criação de unidades de conservação na Amazônia aumentou 3,7% nos últimos 5 anos e já cobre 28,4% do bioma. A destinação é fundamental para a proteção do bioma, visto que 50% do desmatamento da Amazônia brasileira ocorre em terras públicas.

No Cerrado a demarcação encontra mais desafios: um aumento de apenas 0,7% nas Unidades de Conservação nos últimos cinco anos. Ao todo, metade do Cerrado já se encontra antropizado – alterado pelo uso humano para a criação de pastagens e lavouras, por exemplo – e 8% desse remanescente se encontra dentro de parques, estações e outras unidades de conservação. Em 2023, essas áreas concentram apenas 2,5% do desmatamento do bioma, cerca de 26,5 mil hectares, segundo dados do SAD Cerrado. (ecodebate)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...