domingo, 3 de novembro de 2024

Venezuela é primeiro país das Américas a perder geleiras

Mudanças do clima: Venezuela é primeiro país das Américas a perder geleiras.
País das américas se torna o primeiro a perder todas as suas geleiras

Há um pouco mais de 100 anos a Venezuela possuía cerca de 1000 m2 de cobertura de gelo, mas agora não resta quase nada.

Venezuela é o primeiro país das Américas a perder todas as suas geleiras na era moderna:

No início do século passado, a Venezuela tinha seis geleiras que cobriam uma área de mil quilômetros quadrados.

A La Corona, um dos destinos turísticos mais procurados entre as décadas de 1950 e 1980, foi reclassificada como um campo de gelo.

Em 2024, o que restou da La Corona foi um "um pedaço de gelo com 0,4% do seu tamanho original".

O derretimento das geleiras tem consequências como:

Extinção de espécies, pois são o habitat natural de vários animais terrestres e aquáticos.

Aumento do nível do mar, ameaçando comunidades litorâneas e insulares.

Comprometimento do habitat de espécies como os ursos-polares, morsas e focas.

Contribuição para o aquecimento global.

A Venezuela se tornou o primeiro país a perder todas as suas geleiras

A Venezuela acabou de se tornar o primeiro país a perder suas geleiras. Há pouco mais de 100 anos, o país ostentava uma área de cerca de 1000 km2 de cobertura de gelo e agora atingiu esse marco sombrio na luta contra as mudanças climáticas.

Para quem tem pressa:

• A Venezuela já chegou a possuir uma grande área de cobertura de gelo há cerca de 100 anos;

• No entanto, em pouco mais de 60 anos o país perdeu sua cobertura de gelo em cerca de 98%;

• Desde 2011, o que restava era um último glaciar, mas agora ele foi rebaixado apenas para um campo de gelo.

Em 1910, a Venezuela possuía 6 glaciares, 5 deles desapareceram já em 2011, deixando para trás apenas a geleira de La Corona, localizada no Parque Nacional Sierra Nevada. Durante seu auge, a cobertura de gelo cobriu uma área de 4,5 km2, mas agora, ela encolheu tanto que foi reclassificada como um campo de gelo.

O glaciar La Corona foi rebaixado para cobertura de gelo

Atualmente o La Corona ocupa uma área de 0,02 km2, representando 0,4% do seu tamanho original. Para ser considerado uma geleira é preciso que a cobertura de gelo se estenda por pelo menos 0,1 km2.

Perda dos glaciares na Venezuela

Uma investigação realizada nos últimos 5 anos revelou que entre 1953 e 2019 a Venezuela havia perdido cerca de 98% da sua cobertura de gelo, tendo a perda se acelerado depois de 1998. A partir de 2016, o derretimento foi de cerca de 17% ao ano.

A La Corona, em 1998, possuía apenas 0,6 km2 e encolheu tanto depois disso que esteve quase perdendo sua condição de glaciar em 2015. Apesar disso não ter acontecido naquela época, ocorreu agora. Em resposta ao The Guardian, o pesquisador Luis Daniel Llambi, da Universidade dos Andes (ULA), relatou que esteve presente na última expedição à geleira e que ela havia perdido metade da área desde a última visita, em 2019.

A nossa última expedição à área foi em dezembro/23 e observamos que o glaciar tinha perdido cerca de 0,02 km² desde a visita anterior em 2019, [de 0,04 km²] para menos da metade agora.

Como medida de tentar salvar o pouco que resta dos glaciares do pais, o governo venezuelano tomou medidas emergenciais em dezembro de 2023. Para proteger a geleira Humboldt, foi usada uma manta geotêxtil na esperança de isolar o gelo. A medida não resolveu o problema e acabou recebendo críticas quanto ao uso do material que pode contaminar a região com microplásticos à medida que se decompõe ao longo do tempo.

Cobertura de gelo Humboldt

É bastante trágico que a Venezuela tenha perdido seu último glaciar, mas ainda é possível fazer algo pelas geleiras que restam pelo mundo. (olhardigital)

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