sexta-feira, 27 de junho de 2025

Resíduos de Serviços de Saúde em Hospitais no Mundo

A Geração de Resíduos de Serviços de Saúde em Hospitais do Mundo (2000 – 2019).
Resíduos dos serviços de saúde: responsabilidade cível e criminal

Culpabilidade jurídica (cível e criminal) quanto ao gerenciamento e descarte dos resíduos produzidos pelos serviços de saúde.

O gerenciamento inadequado de resíduos de saúde no Brasil apresenta riscos de contaminação e impactos socioambientais, exigindo ações de planejamento e controle mais efetivas.

A legislação brasileira, incluindo a Resolução CONAMA nº 358/2005, estabelece classificações e diretrizes para o manejo dos resíduos de saúde, mas ainda enfrenta desafios na implementação e fiscalização.

O descarte incorreto dos resíduos de saúde pode levar a responsabilizações jurídicas tanto no âmbito cível, com base na responsabilidade objetiva, quanto no âmbito penal, incluindo pessoas físicas e jurídicas.

Os resíduos de serviços de saúde (RSS), como os gerados em hospitais, são um desafio global para a saúde pública e o meio ambiente. A pandemia de COVID-19, por exemplo, levou a um aumento significativo na geração e manejo desses resíduos em todo o mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a pandemia gerou milhares de toneladas extras de RSS, incluindo equipamentos de proteção individual (EPIs).

O que são Resíduos de Serviços de Saúde (RSS)?

Os RSS são todos os materiais descartados por estabelecimentos de saúde, como hospitais, clínicas, laboratórios e centros de pesquisa. Esses resíduos incluem materiais que podem ser perigosos, como agulhas, seringas, materiais cirúrgicos contaminados, e também materiais comuns, como embalagens e papéis.

Principais Grupos de RSS:

Os RSS são classificados em diferentes grupos com base nos riscos que representam:

Grupo A (Infectantes):

Materiais com possível presença de agentes biológicos que podem causar infecções, como algodão contaminado, gaze, espátula, entre outros.

Grupo B (Químicos):

Materiais que contêm substâncias químicas perigosas, como medicamentos vencidos e resíduos de produtos químicos.

Grupo C (Radioativos):

Materiais que contêm substâncias radioativas, como resíduos de radioterapia.

Grupo D (Comuns):

Resíduos que não são considerados perigosos, mas que ainda precisam ser gerenciados adequadamente.

Grupo E (Perfurocortantes):

Materiais que podem causar lesões, como agulhas, lâminas e outros objetos perfurocortantes.

Gerenciamento de RSS:

O gerenciamento adequado de RSS é crucial para proteger a saúde humana e o meio ambiente. Isso envolve:

Segregação na fonte:

Separação dos resíduos em diferentes recipientes, de acordo com sua classificação.

Acondicionamento:

Armazenamento dos resíduos em embalagens adequadas para evitar vazamentos e contaminações.

Transporte:

Transporte dos resíduos de forma segura, utilizando veículos e equipamentos apropriados.

Tratamento:

Utilização de métodos de tratamento, como incineração, esterilização ou tratamento físico-químico, para eliminar ou reduzir os riscos.

Disposição final:

Descarte dos resíduos em locais adequados, que possam receber e tratar os resíduos de forma segura.

Desafios no Gerenciamento de RSS:

Aumento da geração:

A pandemia de COVID-19 e o crescimento da população geram um aumento na quantidade de RSS.

Inadequada gestão em muitos países:

Em muitos países, a infraestrutura e a capacidade de gerenciamento de RSS são insuficientes, o que leva a problemas de saúde e ambientais.

Necessidade de investimentos em RSS:

É necessário investir em tecnologia, infraestrutura e treinamento para garantir um gerenciamento adequado de RSS.

Impactos do Gerenciamento Inadequado:

Saúde humana: O contato com RSS não gerenciados pode levar a infecções e doenças.

Saúde ambiental: O descarte inadequado de RSS pode contaminar o solo, as águas e o ar.

Desequilíbrio ambiental: O excesso de resíduos pode gerar problemas de saúde e desequilíbrio ambiental.

Em suma, o gerenciamento adequado de RSS é fundamental para proteger a saúde humana, o meio ambiente e garantir a sustentabilidade dos sistemas de saúde em todo o mundo. A pandemia de COVID-19 evidenciou a importância de investir em infraestrutura e treinamento para garantir que os RSS sejam gerados e gerenciados de forma segura e responsável.

De acordo com a OMS (2024), 85% do total de resíduos gerados por atividades de saúde se enquadram como resíduos gerais e não perigosos, enquanto 15% são considerados perigosos, podendo ser infecciosos, químicos ou radioativos – desde que a segregação na fonte seja feita de forma correta e extremamente rigorosa.

A geração de Resíduos de Serviços de Saúde – RSS tem aumentado em todo o mundo devido ao crescimento populacional e ao envelhecimento da população, que tem elevado a demanda por atendimento médico.

Com isso, embora os RSS representem uma pequena porcentagem dos resíduos gerados nos ambientes urbanos, os questionamentos sobre qual a melhor forma de se fazer a gestão e gerenciamento desses resíduos, de modo a garantir a saúde da população e preservação do meio ambiente, surgem com mais força devido à parcela destes resíduos que apresenta características químicas, biológicas e/ou físicas que podem representar riscos significativos.

Também é possível perceber o crescente uso de descartáveis nos estabelecimentos de saúde. De modo geral, essa escolha faz sentido por garantir que os materiais que requerem esterilização estejam livres de contaminantes, diminuindo os riscos à saúde do paciente.

Há outras vantagens vinculadas a essa escolha, como por exemplo, não ser necessário um profissional ou setor para realizar as esterilizações dos equipamentos utilizados nos procedimentos. Com isso, evita-se o gasto com a mão de obra voltada para a atividade, agiliza processos e é possível recorrer, seja direto com o distribuidor/fabricante ou com o órgão responsável pela fiscalização, nos casos em que o produto descartável adquirido esteja com alguma inconformidade. Por outro lado, a opção pelos descartáveis impacta diretamente na geração de RSS, aumentando o volume de resíduos descartados.

Mesmo o tema sendo importante e global, os estudos sobre a geração dos RSS em estabelecimentos de saúde só estão ganhando força nos últimos anos, como mostrado no artigo Healthcare waste generation in hospitals per continent: a systematic review, disponível pelo link: https://doi.org/10.1007/s11356-022-19995-1 (Mol et al., 2022), que avaliou a geração de RSS em hospitais cujas informações estavam reportadas em artigos científicos.

Estudos como este, sobre o gerenciamento dos RSS, têm indicado que países com menor desenvolvimento e maior vulnerabilidade tendem a ter menos acesso ao conhecimento sobre a importância de um bom gerenciamento de RSS, que é essencial para garantir a segurança da população e do meio ambiente.

De acordo com a OMS (2024), 85% do total de resíduos gerados por atividades de saúde se enquadram como resíduos gerais e não perigosos, enquanto 15% são considerados perigosos, podendo ser infecciosos, químicos ou radioativos – desde que a segregação na fonte seja feita de forma correta e extremamente rigorosa.

Essa informação disponibilizada pela OMS (2024) foi utilizada como referência para se comparar com a porcentagem dos resíduos perigosos em relação ao total dos resíduos de saúde gerados nos hospitais do mundo, conforme estudo de Mol et al. (2022), indicando um valor de 34%, ou seja, valor significativamente maior do que os dados relatados pela OMS, embora haja um intervalo de duas décadas entre os estudos, como ressaltado no artigo.

Apenas a América do Norte, com taxa de 11%, teve resultados parecidos com os dados relatados pela OMS. No entanto, nas demais regiões avaliadas, a porcentagem foi consideravelmente mais alta, sendo: Ásia (37%), África (37%), América Latina (25%), Europa (28%) e Oceania (33%).

Cabe destacar que os autores, durante a pesquisa, se depararam com limitações, como o fato do assunto ser pouco discutido, os dados apresentarem variações quantitativas ao longo do tempo, por se tratarem de diferentes estudos que consideram instituições diferentes, além das diferenças culturais e legislativas sobre práticas em relação aos RSS, interferindo nos resultados (Mol et al., 2022).

O estudo de Mol et al. (2022) também mostra a importância de se ter controle sobre os dados quantitativos e qualitativos da geração dos RSS, para que seja possível estabelecer medidas de gestão e gerenciamento eficientes.

Além disso, por mais que a classificação dos RSS siga, em sua maioria, um padrão de perigosos e não perigosos em âmbito internacional, o estudo mostra que ter uma classificação padrão e global possibilitará que nos próximos estudos seja possível avaliar a real situação em relação aos RSS em âmbito mundial e entender como ocorre o gerenciamento e a gestão dentro e fora dos estabelecimentos de saúde.

Finalmente, apesar da importância e relevância do tema, ainda há um número pequeno de estudos que abordam a geração e o gerenciamento dos RSS, tanto em escalas menores quanto em escala global.

Destinação final correta dos RSS

Essa limitação dificulta o alcance de resultados precisos e na formulação de estratégias eficazes. Por isso, ressalta-se a importância do investimento em pesquisas mais amplas e padronizadas para aprimorar as práticas de gestão e garantir a saúde da população e do meio ambiente. (ecodebate)

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