terça-feira, 15 de julho de 2025

Gelo derrete 17 vezes mais rápido que a média na Groenlândia

Icebergs flutuam nas águas de Nuuk, na Groenlândia, onde temperaturas foram até 3,9°C mais quentes que o normal.

O estudo do World Weather Attribution aponta que a onda de calor recorde em maio na Groenlândia foi 3°C mais quente devido às mudanças climáticas.

O derretimento do gelo na Groenlândia foi 17 vezes mais rápido que a média, com impactos sérios nas comunidades inuit e riscos para o equilíbrio climático.

Cientistas alertam sobre a possível irreversibilidade do colapso das geleiras, o risco às nações insulares e a necessidade urgente de abandonar combustíveis fósseis.

Um estudo divulgado hoje pelo grupo científico World Weather Attribution concluiu que a onda de calor recorde registrada em maio na Islândia e na Groenlândia foi, em média, 3°C mais quente por causa das mudanças climáticas provocadas pela queima de combustíveis fósseis. A pesquisa mostra que o aquecimento global já impõe riscos imediatos até a países de clima frio, com impactos diretos na saúde das populações locais e no equilíbrio climático global.

O que aconteceu?

- Onda de calor recorde na Islândia e na Groenlândia. No dia 15 de maio, a estação do aeroporto de Egilsstaðir, na Islândia, registrou 26,6°C — novo recorde nacional para o mês. Em 19/05/25, Ittoqqortoormiit, no leste da Groenlândia, marcou 14,3°C, muito acima da média histórica de 0,8°C para o período.

- Perda massiva de gelo. Segundo os cientistas, o aquecimento global tornou a onda de calor cerca de 3°C mais quente na Islândia e até 3,9°C mais quente na Groenlândia, em comparação com o clima pré-industrial. Na Groenlândia, o derretimento da camada de gelo durante os 7 dias de calor foi 17 vezes superior à média para o mês.

- Impactos imediatos e futuros. Além do derretimento acelerado, o calor precoce traz riscos para populações vulneráveis. Na Islândia, o aumento súbito de temperatura pode afetar especialmente pessoas com problemas de saúde, antes que o corpo se acostume às mudanças. Na Groenlândia, o gelo marinho mais fino dificulta o acesso das comunidades indígenas inuit aos territórios de caça tradicionais e ameaça modos de vida milenares — inclusive provocando uma redução drástica no número de cães de trenó, usados há séculos na região.

- Derretimento pode ser irreversível. A pesquisa reforça o alerta sobre o ponto de não retorno do manto de gelo da Groenlândia. Cientistas estimam que até mesmo 1,5°C de aquecimento pode desencadear um colapso irreversível das geleiras, elevando o nível do mar em vários metros nos próximos séculos. Isso colocaria em risco a sobrevivência de nações insulares, como Vanuatu, Kiribati e Tuvalu.

- Derretimento afeta a circulação oceânica global. A Corrente de Revolvimento Meridional do Atlântico (AMOC), que regula o clima em várias partes do mundo, pode enfraquecer ou colapsar com o avanço do aquecimento, provocando mudanças climáticas severas e generalizadas.

- Cientistas reforçam alerta sobre combustíveis fósseis. Se o aquecimento global atingir 2,6°C até 2100 — como previsto caso as emissões sigam no ritmo atual — ondas de calor como a registrada em maio poderão ser ainda 2°C mais intensas, advertem os pesquisadores.

“O que acontece no Ártico não fica no Ártico. Sabemos exatamente o que está causando o aquecimento e o derretimento — a queima de petróleo, gás e carvão. A boa notícia é que podemos impedir que o calor extremo piore ainda mais, o que exige abandonar os combustíveis fósseis. Isso não requer mágica. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários — mas é preciso reconhecer que os direitos humanos são para todos, não apenas para os ricos e poderosos” - Friederike Otto, climatologista do Imperial College London.

- Ártico aquece mais do que o dobro da média global. O fenômeno do "amplificação ártica" — no qual o Ártico aquece mais rápido do que o restante do planeta — está diretamente ligado à perda do gelo, que é substituído por oceano escuro, capaz de absorver muito mais calor solar.

- Estudo envolveu especialistas de 6 países. O estudo contou com a participação de 18 cientistas de universidades e institutos meteorológicos da Islândia, Dinamarca, Suécia, Reino Unido, Estados Unidos e Países Baixos. Halldór Björnsson, do Escritório Meteorológico da Islândia, afirma que os eventos recentes representam uma ruptura nas estatísticas históricas. "Estamos vendo algo além de um evento isolado. É uma mudança no padrão do clima".
Estudo recente revelou que o manto de gelo da Groenlândia está a diminuir a um ritmo alarmante.

O manto de gelo da Groenlândia perde uma Torre Eiffel de gelo a cada hora, o perturbador paralelismo de um cientista.

A um ritmo vertiginoso e alarmante, a camada de gelo da Groenlândia está a perder uma quantidade de gelo equivalente à altura da icônica Torre Eiffel a cada hora. (uol)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...