sábado, 29 de novembro de 2025

Crise climática sobrecarrega a saúde pública

A crise climática sobrecarrega a saúde pública ao agravar doenças respiratórias e cardiovasculares, aumentar a incidência de doenças transmitidas por vetores e vetores, causar problemas de saúde mental e afetar a segurança alimentar. Aumento de ondas de calor, eventos climáticos extremos como enchentes e secas, e a poluição do ar exacerbam essas questões, levando a mais internações, estresse psicológico e desnutrição, o que pressiona os sistemas de saúde.

Impactos diretos e indiretos

Doenças respiratórias e cardiovasculares: Ondas de calor extremo e poluição do ar, especialmente de queimadas, pioram asma, bronquite e aumentam o risco de AVC e infarto.

Doenças transmitidas por vetores: Temperaturas mais altas e chuvas intensas ampliam o habitat de mosquitos, aumentando casos de dengue, zika e chikungunya em novas áreas.

Saúde mental: Eventos extremos como enchentes, secas e furacões causam estresse pós-traumático, ansiedade e depressão, especialmente em sobreviventes e populações deslocadas.

Segurança alimentar e hídrica: Secas e inundações afetam a agricultura, diminuindo a disponibilidade e a qualidade dos alimentos, levando à desnutrição e insegurança alimentar.

Doenças infecciosas: O desmatamento e outras alterações ecológicas aumentam o risco de novas pandemias e a transmissão de doenças zoonóticas.

Vulnerabilidade e sobrecarga do sistema de saúde

Grupos vulneráveis: Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas são particularmente vulneráveis aos efeitos da crise climática.

Sobrecarga dos sistemas de saúde: Aumento da demanda por atendimento médico, internações e serviços de urgência sobrecarrega hospitais e a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS).

Dificuldade de acesso: Eventos climáticos extremos, como secas severas na Amazônia, podem dificultar o acesso de populações a medicamentos e consultas, como observado na Amazônia.

Ações e adaptação

Planos de adaptação: O governo brasileiro, por exemplo, lançou o Plano de Ação em Saúde do Belém (AdaptaSUS) para fortalecer a resiliência do setor de saúde diante das mudanças climáticas, focado em prevenção, cuidado e vigilância.

Necessidade de adaptação: Especialistas reforçam a necessidade de adaptar os sistemas de saúde já existentes para lidar com as consequências da crise climática e salvar vidas no presente.

Pesquisa mostra como eventos extremos e mudanças ambientais estão aumentando doenças, lotando emergências e pressionando sistemas de saúde em colapso.

A crise climática já deixou de ser uma ameaça distante para se tornar um problema urgente nos corredores dos hospitais e nos prontos-socorros do mundo todo.

O estudo “Understanding the health impacts of the climate crisis”, publicado no Future Healthcare Journal, revela como as mudanças climáticas estão transformando a saúde pública e sobrecarregando sistemas médicos que já operam no limite.

A pesquisa, que analisa dados globais, aponta que desastres naturais, ondas de calor, poluição do ar e surtos de doenças infecciosas estão se tornando mais frequentes e intensos, levando a um aumento drástico na demanda por atendimento médico – muitas vezes em regiões já fragilizadas pela falta de recursos.

Saúde e justiça climática: a vida acima do lucro!

Impactos na saúde pública: doenças em ascensão e grupos vulneráveis

1. Avanço de doenças infecciosas

• Mosquitos e patógenos em expansão: Temperaturas mais altas e chuvas intensas estão ampliando o habitat de vetores como o Aedes aegypti, aumentando casos de dengue, zika e chikungunya em áreas antes consideradas seguras.

• Zoonoses em alta: Desmatamento e alterações ecológicas elevam o risco de novas pandemias, como visto com a COVID-19 e a febre amarela.

2. Doenças respiratórias e cardiovasculares

• Poluição do ar e queimadas: Partículas finas de incêndios florestais (como os da Amazônia e do Pantanal) agravam asma, bronquite e aumentam o risco de AVC e infarto.

• Ondas de calor extremo: Temperaturas recordes levam a desidratação, insolação e pioram condições crônicas, como diabetes e hipertensão.

3. Transtornos mentais e deslocamentos forçados

• Trauma pós-desastres: Enchentes, furacões e secas prolongadas causam estresse pós-traumático, ansiedade e depressão em sobreviventes.

• Migrações climáticas: Populações desabrigadas por eventos extremos enfrentam condições precárias, aumentando surtos de doenças em abrigos temporários.

Colapso nos hospitais e sistemas de emergência

1. Sobrecarga nos prontos-socorros

• Após eventos como enchentes ou ondas de calor, os hospitais registram picos de até 40% a mais em atendimentos de emergência, segundo o estudo.

• Exemplo recente: No Rio Grande do Sul, as enchentes de 2024 não só causaram mortes, mas também interromperam o funcionamento de hospitais, com UTIs inundadas e falta de medicamentos.

2. Falta de infraestrutura adaptada

• Muitos hospitais não têm resfriamento adequado para suportar temperaturas extremas, colocando pacientes (especialmente idosos e bebês) em risco.

• Falhas no abastecimento: Secas afetam o acesso à água potável, essencial para higiene hospitalar, enquanto tempestades interrompem energia e redes de transporte de insumos.

3. Profissionais de saúde sob pressão

• Médicos e enfermeiros enfrentam jornadas exaustivas durante crises climáticas, com aumento de casos complexos (ex.: insuficiência renal por desidratação em idosos).

• Falta de treinamento: Poucos sistemas de saúde incluem protocolos para doenças climático-sensíveis, como hipertermia ou intoxicação por fumaça de queimadas.

O que pode ser feito?

O estudo propõe medidas imediatas:

Hospitais resilientes: Construir unidades com energia solar, sistemas de refrigeração eficientes e estoques estratégicos para emergências.

Monitoramento climático em tempo real: Usar dados meteorológicos para prever surtos de doenças e alocar recursos com antecedência.

Treinamento médico: Capacitar equipes para lidar com doenças emergentes e crises em massa (ex.: golpe de calor em multidões).

Políticas integradas: Combater desmatamento, reduzir emissões e investir em saneamento básico para prevenir epidemias.
A crise climática exige ação imediata

“O clima está reescrevendo a história da saúde pública”, alertam os autores. Se nada for feito, os sistemas de saúde entrarão em colapso antes mesmo de 2050. A solução exige não apenas cortes de emissões, mas uma revolução na medicina – transformando hospitais em estruturas adaptáveis e priorizando a prevenção. (ecodebate)

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