terça-feira, 19 de maio de 2026

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia.
Super El Niño com mais de 80% de chance pode devastar lavouras em todas as regiões do Brasil na segunda metade de 2026 e especialistas avisam que quem não se preparar agora vai sofrer perdas enormes.

A consolidação do El Niño no segundo semestre de 2026 deve aumentar a influência da região Sul na formação dos preços de energia no Brasil, relata a Tempo OK. Com previsão de maior volume de chuvas no Sul, o subsistema ganha peso na redução da pressão sobre os custos, enquanto outras regiões podem enfrentar escassez.

Impactos do El Niño 2026 no Setor Elétrico:

Protagonismo do Sul: O aumento das chuvas na região Sul tende a aumentar o armazenamento hídrico, tornando-o um fator determinante para os preços (PLD - Preço de Liquidação das Diferenças).

Volatilidade e Contraste: Enquanto o Sul pode ter chuvas acima da média, o fenômeno pode gerar seca no Norte/Nordeste, exigindo maior despacho termelétrico e gerando volatilidade.

Formação de Preços: A definição dos preços ainda dependerá do nível dos reservatórios no Sudeste e do comportamento da carga, mas o Sul assume papel central no monitoramento.

Alternativas Renováveis: A incerteza climática impulsiona a busca por diversificação, com destaque para a energia solar como alternativa para mitigar riscos de preços elevados.

Apesar do alívio hídrico no Sul, a Aneel projeta desafios nos custos gerais de energia para 2026 devido a encargos setoriais.

El Niño deve impactar a distribuição de chuvas e a dinâmica de preços do setor elétrico brasileiro em 2026, ampliando diferenças regionais e reforçando o papel do Sul na formação de preços.

O subsistema elétrico Sul pode ganhar maior relevância na dinâmica de preços da energia, especialmente em cenários de maior contraste hidrológico regional nos próximos meses com a tendência de consolidação do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026, segundo análise da consultoria meteorológica Tempo OK.

“O aumento das chuvas na região pode contribuir para aliviar parte da pressão sobre os preços da energia. No entanto, a formação de preços ainda depende de outros fatores estruturais, como os níveis de armazenamento no Sudeste, o despacho de termelétricas, o comportamento da carga e eventuais restrições operativas do sistema”, afirma o meteorologista Mateus Nunes, da Tempo OK.

O El Niño deve alterar o regime de chuvas no país, com concentração de precipitações no Sul e maior frequência de episódios intensos, enquanto o Norte das regiões Norte e Nordeste tende a registrar redução de chuvas. O fenômeno também está associado a temperaturas acima da média em grande parte do país, especialmente no centro-leste e interior, o que pode elevar a demanda por energia.

No sistema elétrico, a dinâmica do Sul é influenciada pelas características de seu parque hidrelétrico, composto majoritariamente por usinas a fio d’água, com baixa capacidade de armazenamento e resposta rápida às variações de vazão. Esse perfil permite recuperação mais acelerada em períodos chuvosos.

Inflação em 2026: El Niño pode levar bandeira vermelha, subir conta de luz e pressionar alimentos.

Além da guerra com o Irã, El Niño forte pode apertar a inflação no Brasil em 2026: energia mais cara, risco para alimentos e alerta sobre bandeiras vermelhas colocam o governo em atenção máxima já.

Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a energia armazenada (EAR) no subsistema Sul estava em 29,35% em 23/04/2026. “Mesmo após um março menos favorável, a recuperação pode ocorrer em poucas semanas com a consolidação do El Niño”, diz o meteorologista.

Esse comportamento tende a ampliar a volatilidade e gerar diferenças mais marcadas entre os submercados. “Devemos observar um descolamento de preços do Sul em relação às demais regiões, refletindo as diferenças hidrológicas ao longo do período”, afirma o meteorologista.

Com isso, o intercâmbio energético entre submercados pode ganhar relevância, condicionado à disponibilidade de transmissão e à otimização operativa do sistema. O Sul pode assumir papel mais ativo no atendimento da demanda do Sudeste em momentos de maior pressão sobre a carga. Ainda assim, a resposta rápida dos reservatórios também pode intensificar oscilações de curto prazo. “Dependendo da evolução das chuvas, o Sul pode contribuir pontualmente para moderação de preços, mas seus efeitos dependem da integração operativa com o restante do SIN, especialmente das condições estruturais do Sudeste/CO.”, acrescenta.

Economia brasileira sente El Niño entre exportações, trigo e turismo, com reflexos no campo, nos preços e na atividade regional.

Pouca gente sabe, mas El Niño, chuvas intensas e extremos climáticos podem mexer diretamente com a economia brasileira em 2026, influenciando safras de commodities como soja, milho e trigo, afetando exportações, preços dos alimentos e até o ritmo de setores como turismo.

Apesar de o oceano ainda se encontrar em condição de neutralidade, já há sinais consistentes de formação do El Niño, com o aquecimento das águas do Pacífico equatorial, especialmente em sua porção leste, próximo à América do Sul. De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), a probabilidade do fenômeno é de 61% entre maio e julho.

A Tempo OK projeta que o evento ganhe força ao longo do segundo semestre, atingindo intensidade forte a muito forte, com pico previsto para novembro.

O meteorologista destaca eventos recentes têm ocorrido em intervalos relativamente menores, embora sua recorrência continue sujeita à variabilidade climática natural. “Tivemos El Niños em 1982/83, 1997/98, 2015/16 e 2023/24. Agora, há expectativa de um novo evento em 2026/27, indicando um intervalo mais curto entre ocorrências recentes”, afirma.

O cenário ainda é incerto e depende da forma como o El Niño se consolidará nos próximos meses, além da interação com outros sistemas climáticos, como o comportamento do Oceano Atlântico. “Por isso, o acompanhamento contínuo das atualizações meteorológicas é essencial para reduzir incertezas e apoiar a avaliação de possíveis impactos no setor elétrico”, completa o meteorologista.

Entre junho e agosto/2026, o Oceano Pacífico Equatorial deve entrar em processo de aquecimento, abrindo espaço para a possibilidade de atuação do El Niño. A chance de ocorrência do fenômeno aumenta gradualmente e pode superar 60% entre agosto e outubro/2026.

Ao mesmo tempo, a expectativa para o Brasil é de um inverno menos rigoroso, mais quente do que o de anos anteriores e com aumento na frequência de chuvas. Esse conjunto já basta para colocar o setor produtivo em alerta. (pv-magazine-brasil)

Futuro do Pantanal depende da restauração de áreas degradadas

O Mercado de Carbono e a Recuperação de Áreas Degradadas em Projetos de Mineração no Brasil.

A restauração de áreas degradadas é vital para a sobrevivência do Pantanal, focando na recuperação de nascentes, controle de incêndios e manejo sustentável para conter a savanização e a perda de biodiversidade. Ações nas cabeceiras e a conservação do ciclo hídrico são essenciais para manter o maior bioma úmido do mundo.

Prioridades de Restauração: O foco principal está nas cabeceiras do Pantanal para aumentar a disponibilidade hídrica, evitar o assoreamento de rios como o Taquari e proteger o solo.

Ameaças e Impactos: Com 46% da área antropizada e baixo potencial de regeneração natural em certas regiões, o bioma enfrenta ameaças críticas de queimadas e secas severas, tornando a intervenção técnica necessária.

Projetos Ativos: Iniciativas como o "[Restaura Pantanal]" realizam plantio de espécies nativas e conservação na Estação Ecológica de Taiamã e em nascentes.

Soluções Baseadas em Ciência: Estudos da Embrapa e parcerias com a Mupan/Wetlands International Brasil fornecem guias para a restauração ecológica, aliando o conhecimento técnico às práticas tradicionais de pecuária sustentável.

A recuperação do Pantanal exige esforços conjuntos de governos, produtores e ONGs para reverter o colapso ambiental e assegurar o futuro da região.
Estudos mostram que restaurar áreas degradadas nas Cabeceiras do Pantanal é o caminho para termos mais água, menos perda de solo e segurança produtiva.

Com as chuvas cada vez mais irregulares nas Cabeceiras do Pantanal, devido aos impactos das mudanças e variabilidades climáticas, garantir a disponibilidade e a qualidade de água depende de ações imediatas.

3 estudos realizados pelo WWF-Brasil em parceria com a Aegea, lançados em junho/2025, evidenciam que ações de restauração, além de recuperarem áreas degradadas, melhoram a infiltração de água no solo, reduzem o assoreamento de rios e garantem mais água de qualidade para a população da paisagem, além de evitarem prejuízos econômicos.

O diagnóstico é importante e urgente. Até 2023, 59% da paisagem já foi modificada pelas atividades humanas e 67% das pastagens estavam degradadas.

O objetivo dos estudos é mostrar que ter vegetação no solo não representa perda da área produtiva, mas sim um investimento com retorno econômico — especialmente quando se consideram custos com adubação, tratamento de água e perda de produtividade em áreas degradadas.

Recuperação do Pantanal “demandará esforços e custos elevados”

Restauração é chave para resiliência hídrica e sustentabilidade no Pantanal.

Áreas com vegetação nativa, assim como pastagem com boa cobertura de gramíneas e arborizadas, geram muitos benefícios para a paisagem, especialmente na proteção e manutenção dos recursos hídricos das Cabeceiras, que têm influência direta na resiliência hídrica do Pantanal.

“Os estudos mostram o que já víamos no campo. Que ter vegetação no solo é essencial para garantir água, produtividade e viabilidade para agropecuária. Os dados deixam evidente que investir em restauração custa menos do que remediar os danos depois”, explica Veronica Maioli, especialista em Conservação no WWF-Brasil.

Os resultados obtidos pelos estudos oferecem subsídios valiosos para orientar ações práticas no campo e apoiar estratégias de atuação de diferentes atores na paisagem, como proprietários rurais, empresas e a população em geral. Entre as evidências levantadas, destaca-se que a restauração da vegetação nativa reduz significativamente os riscos de erosão e enchentes, melhora a qualidade da água e gera retornos financeiros positivos, além de preservar a saúde dos corpos hídricos.

Pastagens bem manejadas e arborizadas podem reduzir em até 40% a perda de água e em até 59% a perda de solo, em comparação com áreas degradadas, como solo exposto. Além disso, o investimento em restauração e em boas práticas agropecuárias que conservem o solo mostra-se economicamente vantajoso: cada R$ 1 aplicado pode gerar até R$ 8 em retorno, tornando essa uma estratégia eficaz tanto para a resiliência ambiental quanto para o desenvolvimento sustentável da região.

A realização dos estudos contou com o apoio da Aegea, e foi fundamental para viabilizar a produção de conhecimento técnico e científico sobre a região. A iniciativa reforça o quanto é essencial que o setor privado apoie ações que geram evidências e orientam decisões mais estratégicas, sustentáveis e eficazes.

“O apoio ao WWF-Brasil reforça o compromisso da Aegea com soluções para o enfrentamento dos desafios impostos ao saneamento nas regiões onde atuamos. O restauro da paisagem na área das Cabeceiras do Pantanal é muito valioso para nós como uma empresa de saneamento, garantindo maior resiliência hídrica num cenário onde o regime de chuvas é cada vez mais incerto.

Prezar pela qualidade da água, reduzindo custos no tratamento e na distribuição, e protegendo um dos maiores patrimônios naturais do país, é como gostamos de encarar a sustentabilidade nos negócios”, comenta Édison Carlos, Presidente do Instituto Aegea.

“As chuvas são influenciadas por diferentes fatores e eventos climáticos. Os estudos mostram que, frente às variações do clima e à crescente transformação da paisagem, a tendência é de diminuição das chuvas e, consequentemente, das vazões dos rios.

Recuperação do Pantanal “demandará esforços e custos elevados”

Nesse cenário, as Soluções Baseadas na Natureza, como a restauração da vegetação nativa e a conservação do solo, desempenham um papel fundamental para amortecer e minimizar os impactos de eventos extremos, promovendo a infiltração da água, a redução da erosão e a manutenção (ou aumento) da recarga de água subterrânea, que mantêm o fluxo dos rios na época de estiagem, comenta Maria Eduarda Coelho, analista de Conservação no WWF-Brasil. (ecodebate)

domingo, 17 de maio de 2026

Demanda global por carne bovina impulsiona o desmatamento da Amazônia

A crescente demanda global por carne bovina é o principal motor do desmatamento na Amazônia, com a pecuária ocupando cerca de 63% a 90% das áreas desmatadas. A conversão de florestas em pastagens, impulsionada pela exportação e consumo interno, alimenta cadeias de suprimentos complexas e muitas vezes ilegais, resultando em perda de biodiversidade e emissões de carbono.

Principais Impactos e Causas:

Pecuária Extensiva: É o principal vetor de destruição, transformando floresta nativa em pasto.

Destino da Produção: Uma parte significativa da carne produzida em áreas desmatadas atende ao mercado interno, enquanto o Brasil é um dos maiores exportadores mundiais.

Ilegalidade: Estima-se que 75% do desmatamento em terras públicas na Amazônia esteja relacionado à criação de gado.

Cadeia de Suprimentos: As cadeias produtivas são complexas, tornando difícil a rastreabilidade e facilitando a entrada de carne proveniente de áreas desmatadas ilegalmente no mercado.

Impactos Ambientais: A pecuária na região causa emissão de metano, degradação do solo, poluição da água e perda de biodiversidade.

Dinâmica do Desmatamento:

O desmatamento e o aumento do rebanho na Amazônia crescem de forma quase paralela, com o Pará destacando-se como um dos maiores produtores de carne. O manejo das pastagens muitas vezes é ineficiente, levando ao abandono das áreas após poucos anos e à busca por novas áreas de floresta, perpetuando o ciclo. Estudos indicam que o desmatamento para pasto é 5 vezes maior que o de outros produtos.

Desafios e Contexto:

Apesar da importância do bioma para o clima global, a fiscalização enfrenta dificuldades. A pressão internacional por produtos sustentáveis tem crescido, mas a carne bovina brasileira ainda enfrenta o desafio de garantir uma cadeia totalmente livre de desmatamento.
Estudo internacional confirma que a crescente demanda global por carne bovina é um dos principais fatores por trás do desmatamento na Amazônia.

A pesquisa demonstra como a demanda do consumidor em diversos países está diretamente ligada ao desmatamento no Brasil, frequentemente por meio de cadeias de suprimentos complexas e de difícil regulamentação. Combinando análises econômicas e ambientais, o estudo revela por que os esforços atuais para conter o desmatamento não conseguem acompanhar a demanda global.

As conclusões foram publicadas na revista Competition & Change.

O que o estudo descobriu?

A pesquisa concentra-se na Amazônia brasileira, onde a pecuária é uma das principais causas do desmatamento. Ela demonstra que as decisões tomadas pelos agricultores são influenciadas por uma forte combinação de demanda do mercado global, preços da terra e políticas governamentais.

Em muitos casos, o desmatamento na verdade aumenta o valor da terra, criando um ciclo em que o desmatamento leva ao lucro e a mais desmatamento. Ao mesmo tempo, as normas ambientais e as iniciativas de sustentabilidade muitas vezes não chegam plenamente às pessoas que tomam as decisões sobre o uso da terra no terreno.

Por que isso é importante para as pessoas?

Embora a Amazônia possa parecer distante, o estudo destaca como o consumo cotidiano está ligado às mudanças ambientais. A carne bovina vendida em supermercados e restaurantes ao redor do mundo pode ser relacionada a decisões de uso da terra na floresta tropical.

As consequências são globais. A Amazônia desempenha um papel vital no armazenamento de carbono e na regulação do clima. O desmatamento contribui para as mudanças climáticas, a perda de biodiversidade e padrões climáticos mais extremos em todo o mundo.

O que torna este estudo diferente?

A maioria das pesquisas analisa sistemas econômicos ou sistemas ambientais isoladamente, mas raramente ambos em conjunto. Este estudo apresenta uma nova abordagem que conecta cadeias de suprimentos globais com ecossistemas locais, mostrando como eles se influenciam mutuamente em tempo real. Ele revela que os danos ambientais não são apenas um efeito colateral não intencional — eles estão intrínsecos ao funcionamento dos sistemas de produção globais.

Desmatamento na Amazônia é pressionado por soja e carne

Quais são os maiores desafios?

Uma questão fundamental é a fragmentação dos sistemas de governança. Governos, empresas e organizações ambientais frequentemente atuam de forma separada, com pouca coordenação.

Por exemplo, grandes empresas de carne podem impor regras de sustentabilidade aos fornecedores diretos, mas os fornecedores indiretos — onde ocorre grande parte do desmatamento — podem ficar de fora.

Ao mesmo tempo, os pequenos agricultores muitas vezes não têm acesso a crédito ou apoio técnico, o que torna mais difícil para eles adotarem práticas mais sustentáveis.

Quais são as soluções?

O estudo destaca diversas oportunidades importantes para reduzir o desmatamento:

Fortalecimento da aplicação das leis ambientais

Melhorar a rastreabilidade em toda a cadeia de suprimentos.

Apoio aos agricultores com financiamento e formação.

Recompensar a conservação por meio de incentivos como pagamentos por serviços ecossistêmicos.

É importante destacar que a pesquisa demonstra que nenhuma solução isolada funcionará por si só — o progresso depende de uma melhor coordenação entre os sistemas globais e locais.

Por que esta pesquisa é importante agora?

Com o aumento da demanda global por carne bovina, a pressão sobre a Amazônia também deverá crescer. Os pesquisadores afirmam que suas descobertas oferecem um roteiro mais claro para formuladores de políticas, empresas e organizações que buscam equilibrar o crescimento econômico com a proteção ambiental, além de apresentar uma nova maneira de enfrentar um dos desafios ambientais mais urgentes do mundo.

“Nosso estudo mostra que o desmatamento não é apenas um problema local — ele é impulsionado pela interação entre as cadeias de suprimentos globais e os sistemas ambientais locais. Ao reunir governança econômica e feedback ecológico, podemos identificar melhor onde a ação terá o maior impacto para tornar a produção global mais sustentável”, disse o autor principal, John Loomis. (ecodebate)

Jardins de chuva e telhados frios protegem as cidades do calor e das enchentes

Jardim de chuva é solução natural para drenar a água das enchentes.

Jardins de chuva e telhados frios/verdes são Soluções Baseadas na Natureza (SbN) que combatem o calor e enchentes, atuando como "cidades-esponja". Eles absorvem e filtram a água da chuva, reduzindo alagamentos, e diminuem ilhas de calor ao aumentar a umidade e sombreamento, melhorando o microclima urbano.

Benefícios Principais:

Gestão de Enchentes: Jardins de chuva absorvem até 30% mais água que gramados comuns, aliviando o sistema de drenagem.

Redução de Calor: Telhados verdes e frios diminuem a reflexão solar e a temperatura do ar, mitigando ilhas de calor.

Qualidade Ambiental: Filtram até 90% dos nutrientes e poluentes da água da chuva, além de promoverem a biodiversidade.

Conceito Cidade-Esponja: Cidades como as da China e a Holanda utilizam essas infraestruturas para reter e reutilizar a água.

Essas soluções, como jardins de infiltração e telhados verdes, mimetizam o meio ambiente para tornar áreas urbanas mais resilientes.

Em um país marcado pelo calor extremo e pelas chuvas intensas, duas tecnologias simples e acessíveis podem mudar a forma como nossas cidades lidam com o clima: os jardins de chuva e os telhados frios

Você já parou para observar como nossas cidades parecem “sufocadas” pelo asfalto e pelo concreto? Em dias de chuva forte, o medo das enchentes; nos dias de sol, o mormaço insuportável das ilhas de calor. Recentemente, mergulhei no conceito de resiliência urbana e descobri que a solução para esses problemas pode ser mais verde e simples do que imaginamos.

Estou falando dos jardins de chuva e dos telhados frios, tecnologias que, embora pareçam novidade, buscam resgatar processos naturais que perdemos no meio das selvas de pedra.

O que são, afinal, os jardins de chuva?

Sabe aquela água que costuma se acumular perigosamente no asfalto? Os jardins de chuva são projetados justamente para lidar com ela. Eles funcionam como “oásis de drenagem”: uma rede subterrânea que atua como um reservatório, permitindo que a água permeie o solo de forma controlada.

Mas o que mais me encanta não é apenas a engenharia, e sim a vida que eles trazem de volta. Esses jardins são compostos por camadas específicas que garantem sua eficiência. Além de gerenciarem o volume hídrico, as plantas filtram os poluentes da chuva, entregando uma água muito mais limpa para nossos rios e córregos. É a natureza trabalhando a nosso favor para promover o retorno da fauna e o enriquecimento da biodiversidade local.

Por que precisamos de telhados frios?

Se o jardim de chuva cuida do que acontece no chão, o telhado frio é a nossa defesa contra o céu. No Brasil, temos a tradição das telhas cerâmicas vermelhas, que absorvem um calor solar imenso. Ao optarmos por superfícies reflexivas ou brancas, criamos uma oportunidade única de resfriamento externo.

Essa mudança simples reduz drasticamente as ilhas de calor e melhora a qualidade do ar ao nosso redor. É uma solução que une o útil ao agradável: traz vantagens econômicas (menos gasto com ar-condicionado!) e um impacto ambiental positivo imediato para o clima tropical.

Paisagismo transforma cidades e vidas

Mais do que infraestrutura, um compromisso com a vida.

Investir nessas áreas verdes não é apenas uma questão de paisagismo; é uma estratégia crucial para a sobrevivência das cidades frente às mudanças climáticas. Ao adotarmos essas práticas, reduzimos a necessidade de obras emergenciais e minimizamos o risco de desastres naturais.

Mudar a cor de um telhado ou plantar um jardim estratégico na calçada pode parecer pouco, mas é assim que restauramos os processos ecológicos e hídricos do nosso lar. Afinal, todos merecemos viver em cidades que não apenas nos abriguem, mas que também respirem e nos ofereçam qualidade de vida. (ecodebate)

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Dia da Terra e o aquecimento dos oceanos

Aquecimento global altera rotação da Terra, derrete calotas polares, eleva nível do mar e intensifica mudanças climáticas que já começam a alongar os dias no planeta.

Pesquisadores alertam que o aquecimento global está alterando a rotação do planeta: com o derretimento das calotas polares e a redistribuição da água nos oceanos, os dias estão ficando mais longos em um ritmo inédito desde pelo menos 3,6 milhões de anos.

O Dia da Terra em 22/04/2026 destaca a crise climática com ênfase no aquecimento recorde dos oceanos, que absorvem 90% do excesso de calor. As temperaturas da superfície do mar superaram 21°C no início de 2026, indicando uma mudança estrutural. Isso causa branqueamento de corais, aumento do nível do mar e eventos extremos.

Pontos-chave do aquecimento oceânico no Dia da Terra 2026:

Recordes Contínuos: O período 2023-2026 marca um aquecimento sem precedentes, não apenas recordes isolados.

Mudança Estrutural: O "piso térmico" do planeta subiu. Oceanos mais quentes intensificam furacões, secas e chuvas.

Impacto no Ecossistema: A acidificação dos oceanos, devido à absorção de CO2, ameaça a vida marinha, especialmente corais, crustáceos e moluscos.

Urgência: O aquecimento de 1,5°C ameaça destruir entre 70% a 90% dos recifes de coral, e 2°C pode significar a perda de quase 100%.

A data, criada em 1970, reforça a necessidade de reduzir emissões e proteger o solo e a água, com o tema de 2026 focado em "Nosso Poder, Nosso Planeta".

“Em meio a toda essa vastidão do Universo, não há indício de que alguém virá de algum lugar para nos salvar de nós mesmos” – Carl Sagan (1934-1966)
Recordes sucessivos de temperatura, o derretimento acelerado de geleiras, a elevação do nível do mar e a intensificação de eventos extremos reforçam o diagnóstico de uma crise climática

O Dia da Terra, celebrado em 22 de abril e criado em 1970, surgiu em um contexto de crescente preocupação com a crise ecológica global. A iniciativa partiu do senador norte-americano Gaylord Nelson, com o objetivo de promover uma consciência coletiva sobre problemas como a poluição, a conservação da biodiversidade e outras questões ambientais fundamentais para a proteção do planeta.

As primeiras mobilizações, naquele mesmo ano, reuniram cerca de duas mil universidades, 10 mil escolas de ensino básico e centenas de comunidades. Esse amplo engajamento gerou forte pressão social, contribuindo para que o governo dos Estados Unidos criasse a Agência de Proteção Ambiental (EPA) e aprovasse uma série de leis voltadas à preservação ambiental.

No entanto, em vez de atender plenamente aos alertas sobre a degradação ambiental, governos e setores desenvolvimentistas frequentemente optaram por priorizar o crescimento populacional e econômico, em nome da grandeza nacional e da projeção internacional. Esse caminho tem sido associado à busca por uma prosperidade material muitas vezes insustentável e pouco racional do ponto de vista ecológico.

Ao longo dos 56 anos desde a criação do Dia da Terra, em 1970, a preocupação com o aquecimento global passou de um tema periférico no debate ambiental para o eixo central das discussões sobre o futuro da humanidade.

Nas décadas de 1970 e 1980, o foco inicial do movimento ambientalista — impulsionado pelo primeiro Dia da Terra — estava mais concentrado em problemas visíveis e imediatos, como a poluição do ar e da água, a contaminação por produtos químicos e a perda de biodiversidade. Ainda que a base científica do aquecimento global já estivesse sendo construída, especialmente a partir dos estudos sobre o efeito estufa, o tema permanecia restrito a círculos acadêmicos.

A virada começa no fim dos anos 1980, quando o aquecimento global ganha projeção internacional com a criação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, em 1988. A partir daí sucessivos relatórios científicos passaram a consolidar evidências de que o aumento das temperaturas médias do planeta estava ligado às emissões de gases de efeito estufa decorrentes das atividades humanas.

Nos anos 1990, o tema entra definitivamente na agenda política global, com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, e a adoção da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. O aquecimento global passa a ser reconhecido como um desafio coletivo, ainda que as respostas políticas tenham sido inicialmente tímidas.
Planeta Terra está flutuando sobre o Oceano.

Na década de 2000, a preocupação se intensifica com a ampliação das evidências científicas e a crescente cobertura midiática. O Protocolo de Kyoto, que entrou em vigor em 2005, representou a primeira tentativa concreta de estabelecer metas obrigatórias de redução de emissões para países desenvolvidos. Paralelamente, eventos climáticos extremos — como ondas de calor, secas e tempestades mais intensas — começaram a ser associados ao aquecimento global no debate público.

A partir de 2010, o tema ganha ainda mais urgência. O Acordo de Paris marca um ponto de inflexão ao estabelecer o compromisso global de limitar o aquecimento a bem abaixo de 2ºC, com esforços para restringi-lo a 1,5ºC. Ao mesmo tempo, cresce a mobilização da sociedade civil, especialmente entre os jovens, com movimentos como o Fridays for Future, liderado por Greta Thunberg.

Nos anos mais recentes, o aquecimento global deixou de ser uma preocupação futura para se tornar uma realidade presente. Recordes sucessivos de temperatura, o derretimento acelerado de geleiras, a elevação do nível do mar e a intensificação de eventos extremos reforçam o diagnóstico de uma crise climática em curso. Instituições como o Copernicus Climate Change Service têm documentado esse avanço com dados cada vez mais precisos.

Os dados mais recentes vêm mostrando um salto sem precedentes na temperatura da superfície dos oceanos a partir de 2023, que se manteve em 2024 e continuou muito elevada em 2025 — e tudo indica que 2026 pode voltar a bater recordes, conforme mostra o gráfico abaixo do Climate Reanalyzer.

Estudos mostram que houve um “salto” abrupto nas temperaturas da superfície do mar em 2023 e 2024, algo estatisticamente muito raro sem o aquecimento global em curso. Além disso, praticamente todo o oceano foi afetado por ondas de calor marinhas extremas em 2023.

Em 2023 e 2024 foram observados recordes sucessivos de temperatura da superfície do mar, incluindo valores acima de 21ºC em médias globais diárias. Esse patamar representa um nível muito elevado em comparação com a climatologia recente (anos 1990–2010).

Mesmo com a transição para condições de La Niña (que tendem a resfriar as águas marinhas), as temperaturas permaneceram extremamente altas. 2025 foi um dos 3 anos mais quentes dos oceanos já registrados. As temperaturas da superfície do mar ficaram “próximas de recordes” ao longo do ano.
No início de 2026, a média global da superfície do mar já voltou a ultrapassar 21ºC. E está próxima dos picos recordes de 2024 e pode bater todos os patamares anteriores com a volta do fenômeno El Niño no 2º semestre de 2026.

Esse encadeamento de anos (2023–2026) não é apenas uma série de recordes isolados — ele revela uma mudança estrutural: a) Os oceanos absorvem cerca de 90% do excesso de calor do sistema climático; b) Estão acumulando energia continuamente, o que eleva o “piso térmico” do planeta; e c) Mesmo quando há variabilidade natural (El Niño/La Niña), o patamar geral segue subindo. Em outras palavras: os recordes estão deixando de ser exceção e se tornando o novo normal.

O que os dados do Climate Reanalyzer captam — essa sequência de temperaturas acima de 21ºC — é um sinal muito claro de aceleração do aquecimento oceânico. E isso é crucial, porque oceanos mais quentes:

- Intensificam eventos extremos (chuvas, furacões, secas)

- Aceleram o derretimento das calotas de gelo e elevam o nível dos oceanos

- Pressionam ecossistemas (como recifes de coral) e reduzem a biodiversidade marinha

- Reduzem a capacidade do planeta de estabilizar o clima

Assim, ao longo dessas mais de 5 décadas, o aquecimento global passou de hipótese científica a evidência incontestável e, finalmente, a uma emergência global. O mundo precisa abandonar as guerras e a dependência dos combustíveis fósseis. A transição energética é um imperativo.

O Dia da Terra, que começou como um movimento voltado à conscientização ambiental, tornou-se hoje também um marco simbólico da luta contra a crise climática e da busca por um novo modelo de desenvolvimento compatível com os limites do planeta. (ecodebate)

Eventos climáticos extremos aumentam o risco de doenças cardíacas

Eventos climáticos extremos aumentam o risco de doenças cardíacas, revela novo estudo.
Mais intensos e frequentes, eventos climáticos são ameaça à saúde global

Eventos climáticos extremos, como ondas de calor, frio intenso e inundações, aumentam significativamente o risco de doenças cardiovasculares, incluindo infarto e AVC. O calor extremo (acima de 38°C) eleva o risco individual em cerca de 3% por dia, enquanto o frio extremo pode aumentar o risco de infarto em até 30% devido à vasoconstrição.

Impactos dos Extremos Climáticos na Saúde Cardiovascular:

Calor Extremo: Causa desidratação, aumenta a viscosidade sanguínea e provoca vasodilatação, o que eleva a frequência cardíaca e sobrecarrega o coração. Também associado ao aumento de arritmias.

Frio Extremo: Causa vasoconstrição (contração dos vasos sanguíneos), dificultando a circulação e aumentando a pressão arterial, o que eleva o esforço cardíaco.

Eventos de Chuva/Inundação: Tempestades e inundações aumentam o risco por estressores agudos (medo, deslocamento) e interrupção de serviços de saúde, essenciais para pacientes crônicos.

Populações Vulneráveis: Idosos e pessoas com doenças cardíacas pré-existentes são os mais afetados.

Proteger o Coração:

Hidratação: Manter-se bem hidratado com água, água de coco ou isotônicos é a principal defesa contra o calor.

Evitar Exposição: Evitar o sol e esforço físico nos horários mais quentes.

Ajustes de Medicação: Pacientes hipertensos que usam diuréticos devem consultar um médico, pois a desidratação pode exigir ajustes.

Ambiente: Permanecer em locais frescos, arejados ou climatizados durante ondas de calor.

Estudos mostram que, além dos efeitos diretos, eventos climáticos extremos também podem agravar condições cardiovasculares pré-existentes, como hipertensão e arritmias.
Calor e frio extremos trazem risco silencioso ao coração

Análise mostra como ondas de calor, frio extremo e chuvas intensas impactam a incidência de doenças cardíacas em populações idosas.

Um novo estudo revelou uma ligação entre condições climáticas extremas e o risco de doenças cardiovasculares em adultos de meia-idade e idosos em 157 cidades chinesas. Dependendo do clima e da localização da cidade, a exposição ao calor, frio e precipitação extremos aumenta o risco de doenças cardíacas.

As conclusões do estudo, publicado no American Journal of Preventive Medicine, pela Elsevier, fornecem evidências para que formuladores de políticas em diferentes regiões desenvolvam estratégias direcionadas à proteção de populações vulneráveis durante eventos climáticos extremos.

Eventos climáticos extremos (ECEs) têm se intensificado globalmente com a aceleração das mudanças climáticas, representando ameaças sem precedentes à saúde pública. O rápido envelhecimento da população chinesa, com a projeção de 400 milhões de pessoas com mais de 60 anos até 2035, reflete uma população crescente com maior vulnerabilidade. Doenças cardiovasculares (DCVs), principais causas de morte na China, são particularmente prevalentes entre os idosos. Estudos anteriores já haviam associado DCVs a temperaturas extremas.

Pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade de Xiamen, na China, empregaram métodos econométricos espaciais para examinar o impacto de eventos climáticos extremos na prevalência de doenças cardiovasculares em nível municipal entre adultos de meia-idade e idosos na China, utilizando dados longitudinais (2015–2020) do Estudo Longitudinal de Saúde e Aposentadoria da China (CHARLS) e da Pesquisa Social Longitudinal sobre Envelhecimento da China (CLASS).

Eles validaram a ligação entre a exposição individual à ECE e o risco de DCV usando uma abordagem de aprendizado de máquina dupla.
Altas temperaturas desafiam a capacidade do organismo de se resfriar, aumentando o risco de desidratação, sobrecarga cardiovascular e complicações respiratórias.

Os principais resultados incluem:

• O calor extremo (acima de 38ºC) aumentou a prevalência de doenças cardiovasculares (DCV) em nível urbano, com um gradiente de impacto Leste-Oeste atenuado; cada dia adicional de calor extremo foi associado a 1.128 casos adicionais de DCV por 100.000 pessoas.

• O frio extremo (abaixo de -10ºC) aumentou a prevalência de doenças cardiovasculares (DCV) em nível municipal, com um gradiente de impacto oeste-leste atenuado; cada dia adicional de frio extremo foi associado a 391 casos adicionais de DCV por 100.000 pessoas.

• A análise de inferência causal revelou que cada dia de calor extremo aumentou o risco individual de doenças cardiovasculares em 3,044%, os dias de frio extremo em 0,110% e os dias de precipitação extremo em 1,620%.

A análise de heterogeneidade identificou subgrupos de alto risco:

• Os efeitos nocivos do calor afetaram pré-aposentados, fumantes e residentes em áreas com altos níveis de ozônio (O3) (com um IMC mais elevado mitigando o risco).

• Os eventos climáticos extremos (ECEs) com frio afetaram pessoas próximas da aposentadoria, indivíduos com IMC elevado e populações com altos níveis de O3.

• Os eventos climáticos extremos relacionados à precipitação afetaram principalmente idosos, moradores de áreas rurais, pessoas próximas da aposentadoria e solteiros.
Os pesquisadores explicam que o risco relacionado com o IMC depende da intensidade da temperatura. Acima de 38°C, a física da troca de calor inverte-se: o calor flui do ambiente para o corpo em vez de escapar. Neste cenário, a gordura corporal atua como uma barreira física protetora, bloqueando o calor externo e reduzindo o esforço cardiovascular.

Em contrapartida, abaixo de -10°C, o leve isolamento da gordura corporal é sobrepujado pelos riscos cardiovasculares associados ao maior peso corporal. Para pessoas com IMC mais elevado, o stress induzido pelo frio — que aumenta a pressão arterial e a viscosidade do sangue — é significativamente amplificado, elevando o risco cardiovascular apesar de qualquer efeito isolante.

Os pesquisadores ficaram surpresos com o impacto da precipitação extrema — uma área pouco estudada. Ao contrário das temperaturas extremas, a precipitação extrema não apresentou um padrão espacial contínuo e regular em nível regional, mas demonstrou efeitos adversos significativos sobre as doenças cardiovasculares em nível individual.

Os investigadores enfatizam que são necessárias mais pesquisas sobre eventos de precipitação extrema para elucidar o seu impacto na saúde cardíaca.

O estudo destaca as seguintes estratégias para que os formuladores de políticas protejam as populações vulneráveis durante eventos climáticos extremos:

1. Priorizar regiões vulneráveis às mudanças climáticas, conectando alertas meteorológicos a redes de saúde, alertando grupos de alto risco e pré-posicionando recursos.

2. Oferecemos gerenciamento de peso, suporte para purificação do ar e educação em saúde simplificada para subgrupos de alto risco.

3. Estabelecer alianças para compartilhar recursos entre áreas de alta capacidade e pontos críticos, e priorizar o financiamento da prevenção de doenças cardiovasculares em regiões de rápida urbanização.

4. Ampliação das áreas verdes e modernização da infraestrutura de aquecimento/refrigeração.

5. Monitoramento de dados climáticos e de doenças cardiovasculares para ajustar políticas de forma dinâmica.
Mudanças Climáticas e seus efeitos nocivos à Saúde Humana. (ecodebate)

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Síntese do relatório State of the Global Climate da OMM 2025

O relatório State of the Global Climate 2025 da OMM confirma que o período 2015-2025 é o mais quente já registrado, com 2025 classificado como o 2º ou 3º ano mais quente da história. A temperatura média global atingiu cerca de 1,43°C acima dos níveis pré-industriais (1850-1900), impulsionada por concentrações recordes de gases de efeito estufa.

Principais Destaques do Relatório 2025:

Calor e Recordes: A temperatura média global de 2025 superou os níveis pré-industriais em aproximadamente 1,43°C, mantendo uma sequência de calor sem precedentes na última década.

Aquecimento Oceânico: Os oceanos continuam a absorver calor e dióxido de carbono, com taxas de absorção equivalentes a quase 18 vezes o consumo anual de energia humana nas últimas duas décadas.

Eventos Extremos: O ano foi marcado por calor intenso, chuvas torrenciais e ciclones tropicais, intensificando a vulnerabilidade socioeconômica global.

Gelo Marinho: A extensão do gelo marinho no Ártico atingiu ou aproximou-se de mínimos históricos.

Alerta de Emergência: A ONU classifica o momento atual como uma "emergência climática" devido ao aquecimento contínuo da atmosfera e dos oceanos.

Este relatório sublinha o "desequilíbrio crítico" no sistema climático, com impactos severos e aumento da insegurança alimentar, evidenciando a urgência de ações para limitar o aquecimento global.

O relatório State of the Global Climate da OMM 2025 confirma que 2015-2025 são os 11 anos mais quentes já registrados, e que 2025 foi o 2º ou 3º ano mais quente já registrado, em cerca de 1,43°C acima da média de 1850-1900.

Eventos extremos em todo o mundo, incluindo calor intenso, chuvas fortes e ciclones tropicais, causaram perturbação e devastação e destacaram a vulnerabilidade de nossas economias e sociedades interconectadas.

O oceano continua a aquecer e a absorver dióxido de carbono. Tem absorvido o equivalente a cerca de 18 vezes o uso anual de energia humana a cada ano nas últimas duas décadas. A extensão anual do gelo marinho no Ártico estava em ou perto de uma baixa recorde, a extensão do gelo marinho da Antártida foi a 3ª mais baixa já registrada, e o derretimento da geleira continuou inabalável, de acordo com o relatório.

Gases de efeito estufa 

Dados de estações de monitoramento individuais mostram que os níveis de 3 dos principais gases de efeito estufa – dióxido de carbono, metano e óxido nitroso – continuaram a aumentar em 2025.

Em 2024 – o último ano para o qual consolidamos observações globais – a concentração atmosférica de dióxido de carbono atingiu seu nível mais alto nos últimos 2 milhões de anos, e a de metano e óxido nitroso, pelo menos nos últimos 800 mil anos.

O aumento na concentração anual de dióxido de carbono (CO2) em 2024 foi o maior aumento anual desde o início das medições modernas em 1957. Isso foi impulsionado pelas contínuas emissões de CO2 provenientes de combustíveis fósseis e pela redução da eficácia dos sumidouros de carbono terrestres e oceânicos.

Temperatura média global próxima à superfície 

Os últimos 11 anos, de 2015 a 2025, foram os 11 anos mais quentes já registrados.

2025 foi o segundo ou terceiro ano mais quente (dependendo do conjunto de dados) no registro observacional de 176 anos, refletindo a transição para condições de La Niña que resfriam temporariamente o planeta. A temperatura média global anual próxima à superfície foi de cerca de 1,43 ± 0,13°C acima da média pré-industrial de 1850–1900.

O ano de 2024 – que começou com um forte El Niño – continua sendo o ano mais quente, com cerca de 1,55°C acima da média de 1850–1900.

Conteúdo de calor oceânico 

Em 2025, o conteúdo de calor do oceano (até uma profundidade de 2.000 metros) atingiu o nível mais alto desde o início dos registros em 1960, superando o recorde anterior estabelecido em 2024.

Nos últimos nove anos, cada ano estabeleceu um novo recorde de conteúdo de calor oceânico.

A taxa de aquecimento dos oceanos nas últimas 2 décadas, de 2005 a 2025, é mais que o dobro da observada no período de 1960 a 2005 – e é de cerca de 11,0 a 12,2 zetajoules por ano – cerca de 18 vezes o consumo anual de energia humana.

Apesar das condições de La Niña, cerca de 90% da superfície oceânica registrou pelo menos uma onda de calor marinha em 2025.

O aquecimento dos oceanos tem consequências de longo alcance, como a degradação dos ecossistemas marinhos, a perda de biodiversidade e a redução do sumidouro de carbono oceânico. Ele alimenta tempestades tropicais e subtropicais e exacerba a perda contínua de gelo marinho nas regiões polares.

Gráfico de linhas mostrando o aumento do conteúdo de calor oceânico de 1960 a 2025 na profundidade de 0 a 2000 m, com quatro estudos representados por linhas codificadas por cores e áreas de incerteza sombreadas.

Nível médio global do mar 

Em 2025, o nível médio global do mar foi comparável aos níveis recordes observados em 2024.

Era cerca de 11 cm mais alta do que no início do registro de altimetria por satélite em 1993.

O aumento anual de 2024 para 2025 foi menor do que o de 2023 para 2024, o que está de acordo com a variabilidade de curto prazo associada às condições de La Niña.

A taxa de elevação do nível médio global do mar desde 2012 é maior do que a taxa de elevação do nível médio global do mar no início do período de registro por satélite, de 1993 a 2011. 

A elevação do nível do mar prejudica os ecossistemas costeiros e resulta na salinização das águas subterrâneas e em inundações.

PH do oceano

Cerca de 29% do CO₂ proveniente de atividades humanas entre 2015 e 2024 foi absorvido pelo oceano, levando à contínua diminuição do pH da superfície oceânica. O pH médio global da superfície oceânica diminuiu nos últimos 41 anos. 

Segundo o IPCC, existe um elevado grau de confiança de que os valores atuais do pH da superfície não têm precedentes há pelo menos 26.000 anos.

As alterações no pH oceânico apresentam diferenças regionais. As maiores reduções no pH da superfície regional são observadas no Oceano Índico, no Oceano Antártico, no Pacífico equatorial oriental, no Pacífico tropical setentrional e em algumas regiões do Oceano Atlântico.

A acidificação dos oceanos prejudica a biodiversidade, os ecossistemas e a produção de alimentos provenientes da aquicultura de moluscos e da pesca.
Balanço de massa das geleiras

No ano hidrológico de 2024/2025, a perda de massa glacial das geleiras de referência esteve entre as 5 piores já registradas. Isso dá continuidade a uma tendência de aceleração da perda de massa glacial desde o início dos registros em 1950, com 8 dos 10 anos com maior perda de gelo glacial ocorrendo desde 2016.

Em 2025, ocorreram níveis excepcionais de perda de massa glacial na Islândia e ao longo da costa do Pacífico da América do Norte. 

Extensão do gelo marinho 

A extensão média anual do gelo marinho no Ártico em 2025 foi a mais baixa ou a 2ª mais baixa já registrada na era dos satélites (1979), e a extensão média do gelo marinho na Antártida em 2025 foi a 3ª mais baixa, depois de 2023 e 2024.

A extensão máxima diária do gelo marinho no Ártico (após o congelamento de inverno) em 2025 foi a menor máxima anual já registrada (desde 1979), com cerca de 14,19 milhões de km². 

A extensão mínima diária anual do gelo marinho antártico (após o derretimento do verão) empatou como a 2ª menor já registrada. Os últimos 4 anos registraram as 4 menores extensões mínimas de gelo marinho antártico da história.

Eventos e impactos extremos

Um suplemento ao relatório fornece um panorama de eventos extremos, com base em informações de membros da OMM (Organização Meteorológica Mundial), da Organização Internacional para as Migrações (OIM), do Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno (IDMC), do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), do Programa Mundial de Alimentos (PMA) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), com foco nos aspectos meteorológicos e nos impactos relacionados ao deslocamento e à segurança alimentar.

Eventos climáticos extremos têm impactos em cascata na produção agrícola. A insegurança alimentar impulsionada pelo clima é agora vista como um risco, com efeitos em cascata na estabilidade social, migração e biossegurança, através da disseminação de pragas em plantas e doenças em animais.

Além disso, continua a impulsionar novos deslocamentos populacionais, tanto contínuos quanto prolongados, em todo o mundo, com consequências particularmente graves em regiões frágeis e afetadas por conflitos. Os impactos em cascata e cumulativos de múltiplos desastres limitam severamente a capacidade das comunidades vulneráveis de se prepararem, se recuperarem e se adaptarem aos choques.

Impactos do clima e do calor na saúde

As mudanças climáticas têm impactos abrangentes na mortalidade, nos meios de subsistência, nos ecossistemas e nos sistemas de saúde, e amplificam riscos como doenças transmitidas por vetores e pela água, além de fatores de estresse relacionados à saúde mental, especialmente entre as populações vulneráveis.

A dengue se destaca como a doença transmitida por mosquitos que mais cresce no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de metade da população mundial está em risco e o número de casos notificados é atualmente o mais alto já registrado.

O estresse térmico é um problema crescente. Mais de da força de trabalho global (1,2 bilhão de pessoas) enfrenta riscos relacionados ao calor no local de trabalho em algum momento do ano, especialmente aqueles que atuam na agricultura e na construção civil. Além dos impactos na saúde, isso leva a perdas de produtividade e de meios de subsistência.
Em 2023, apenas cerca de metade dos países fornecia serviços de alerta precoce de calor adaptados às necessidades do setor da saúde, e ainda menos haviam integrado totalmente as informações climáticas nos processos de tomada de decisão em saúde.

Existe uma necessidade urgente de integrar dados meteorológicos e climáticos com sistemas de informação em saúde para permitir que os tomadores de decisão passem de uma resposta reativa para uma prevenção proativa, o que salva vidas. (ecodebate)

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