terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Mudanças Climáticas e o Povo Guarani

Cartilha trata de Mudanças Climáticas sob a ótica do Povo Guarani
O tema das Mudanças Climáticas tem ganhado cada vez mais espaço nos debates da sociedade. Com os povos indígenas isso não ocorre de forma diferente, já que eles discutem sobre as diferenças na natureza que afetam seu modo de vida. Para aproximar este diálogo a Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP) elaborou a Cartilha “Mudanças Climáticas e o Povo Guarani” em conjunto com professores Guarani da Aldeia Tenondé-Porã, em Parelheiros, local onde ocorrerá o lançamento da publicação hoje, dia 15/12, às 9 horas. A elaboração da cartilha foi viabilizada pelo apoio financeiro de DKA-Áustria, Programa DTAT/ICCOe CAFOD.
No bioma da Mata Atlântica, onde está localizada grande parte dos territórios Guarani, estudos indicam que pode ocorrer uma redução de 65% da área hoje ocupada pela floresta e um aumento de até 4ºC na temperatura da região, aponta a Cartilha. Os cerca de 11 mil índios Guarani que vivem nessa região terão seu sustento e seu modo de vida duramente afetados por tais mudanças. Mesmo assim, os Guarani não estão inseridos nos processos de definição, execução ou monitoramento das políticas de mudanças climáticas.
O objetivo da Comissão Pró-Índio é promover uma reflexão sobre as mudanças climáticas e mobilizar os índios para demandarem políticas que irão ajudá-los a lidar com as consequências do aquecimento global. “Esperamos que esse caderno contribua para fomentar a reflexão dos Guarani sobre as mudanças climáticas e também para chamar a atenção da Sociedade para os impactos do aquecimento global para os povos indígenas” diz Lúcia Andrade, coordenadora executiva da CPI-SP.
A Política Estadual de Mudanças Climáticas (Lei nº 13.798, regulamentada em junho de 2010 por meio do Decreto Nº 55.947) de Estado de São Paulo, não contemplam as populações indígenas com ações específicas. “Agora podemos cobrar mais os governantes porque sabemos mais”, conta Adriano Veríssimo Lima, coordenador educacional do centro de Educação e Cultural Indígena (Ceci).
Produção
Nos encontros realizados pela Comissão Pró-Índio, as lideranças Guarani colocaram a importância de se levar a discussão sobre mudanças climáticas até as aldeias e promover uma reflexão que considerasse tanto a concepção dos Guarani como a dos “juruá” (não índios). “A princípio a gente só ouvia falar, mas não conhecia a fundo o problema. Mas ao elaborar a cartilha, vimos que o assunto é mais sério do que imaginávamos”, disse o professor Adriano.
Entre julho e setembro de 2011 foram realizados cinco encontros de trabalho na aldeia para a elaboração do material, que conta com ilustrações dos professores que participaram de todo o processo. A Comissão Pró-Índio considera que um passo inicial é levar o debate até as aldeias, ampliar o conhecimento sobre o tema e engajar homens e mulheres Guarani nessa reflexão. O outro passo importante é junto com os Guaranis abrir espaços de diálogo com as diversas instâncias do Poder Público responsáveis pelas políticas de mitigação e adaptação. O professor Adriano se empolgado com a possibilidade de a Cartilha circular por diversas aldeias entre crianças e adultos. (EcoDebate)

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