sexta-feira, 31 de maio de 2013

A população da Turquia em 2100

A Turquia está exatamente no meio do caminho entre o Ocidente e o Oriente. Istambul ocupa os dois lados do estreito de Bósforo e é uma cidade que se espraia por dois continentes.
A maior cidade da Turquia foi fundada em 667 a. C. pelos gregos (o colonizador Bizas) e era conhecida por Bizâncio. Mas estando na confluência da Europa com a Ásia, a cidade foi conquistada e governada pelos Lídios, Persas, Atenienses e Macedônios. Alexandre o Grande passou por Bizâncio. A cidade de Tróia fica ao lado. Depois Bizâncio foi conquistada pelos Romanos. Três séculos depois do início da Era Cristã, o imperador Constantino (324-337) transformou a antiga Bizâncio em capital do Império Romano, rebatizando a cidade de “Nova Roma”. Mas ela ficou conhecida mesmo como Constantinopla. Um marco da arquitetura foi a construção da igreja Hagia Sophia, construída entre 532 e 537, no Império Bizantino, para ser a catedral de Constantinopla.
Mais de mil anos depois de uma rica e conturbada história, Constantinopla foi conquistada pelos Otomanos em 1453 e passou a se chamar Istambul. A conquista de Constantinopla pelos Otomanos é o fato considerado o início da época Moderna. Na verdade, a perda de Constantinopla pelos Europeus rompeu com o fluxo de comércio com a Ásia. Isto forçou à busca de um novo caminho para as Índias. Daí veio as grandes navegações e o descobrimento da América. Enfim, pela cidade histórica de Istambul passaram grandes líderes mundiais, grandes imperadores, grandes religiosos, grandes cientistas e marcos históricos únicos, etc.
A Turquia é um Estado laico desde a revolução promovida por Mustafá Kemal Attatürk, logo após o fim da I Guerra Mundial. Quando o carismático primeiro-ministro Erdogan chegou ao poder, em 2002, fez do ingresso da Turquia na União Europeia, inicialmente, sua meta principal. O Partido Justiça e Desenvolvimento, de inspiração muçulmana, tem enfrentado dificuldades para melhorar os direitos das minorias e reduzir as restrições à liberdade de expressão. Existem resistências para colocar a Turquia mais perto dos usos e costumes do Ocidente.
Uma questão chave seria a entrada da Turquia na União Europeia. Seria um teste decisivo na integração do continente, pois a Turquia é um país muçulmano com mais de 73 milhões de habitantes, em 2010, e deve chegar até 90 milhões, em 2040. Seria, portanto, o país mais populoso na União. Diversos líderes europeus, principalmente de origem católica, se manifestaram contra a entrada da Turquia. Porém, a entrada da Turquia na União Europeia seria o teste decisivo, pois se considerava que a economia turca poderia ganhar muito participando de um mercado muito maior.
Porém tudo mudou com a crise europeia de 2008 e que se agravou a partir de 2011. A União Europeia está em frangalhos, com possibilidade de implosão e com um possível fim da moeda comum, o Euro. Concomitantemente, a Turquia chegou a apresentar taxas de crescimento elevadas, em torno de 8% em 2010 e 2011. Segundo pesquisas de opinião, em 2004, 73% dos turcos achavam que o ingresso na União Europeia seria uma boa opção, contra apenas 38%, em 2010.
Ou seja, com a crise europeia a Turquia se volta para a Ásia, que é a região do mundo de maior crescimento econômico. Como a Turquia tem grande influência no Oriente Médio isto pode ser um fator de interesse para a China e a Índia. Ou seja, a tomada de Constantinopla, em 1453, foi o início de um novo caminho para as Índias. A perda da Turquia pelos europeus pode ser um ganho para os asiáticos (especialmente China) e mais um passo para a mudança na hegemonia econômica do novo mapa do mundo.
A população da Turquia era de 21,2 milhões de habitantes em 1950 e passou para 72,7 milhões de habitantes em 2010. Para 2050, a estimativa é de 91,6 milhões na projeção média, devendo cair para 79 milhões de habitantes em 2100. No final do século XXI pode chegar a 130 milhões na hipótese alta ou 44 milhões na hipótese baixa. A densidade demográfica era de 27 habitantes por quilômetro quadrado em 1950 e passou para 73 hab/km2 em 2010.
A taxa de fecundidade total (TFT) da Turquia era de 6,3 filhos por mulher em 1950, muito alta para os padrões europeus, mas passou para o nível de reposição (2,1 filhos) em 2010. As estimativas médias indicam TFT de 1,7 filhos em 2050 e 1,9 filho por mulher em 2100. O número médio de nascimentos estava em 1,1 milhão no quinquênio 1950-55 e chegou a 1,3 milhão de nascimentos em 2005-10. A razão de dependência demográfica era de 74 pessoas dependentes para cada 100 pessoas em idade ativa e caiu para 48 em 2010. Isto quer dizer que a Turquia está em plena fase do bônus demográfico.
A mortalidade infantil e a esperança de vida estavam, em 1950-55, em 167 mortes para cada mil nascimentos e 48 anos, respectivamente. A mortalidade infantil caiu para 24 por mil e a esperança de vida subiu para 73 anos, no quinquênio 2005-10. Para 2100, estima-se uma mortalidade infantil e 5,3 por mil e uma esperança de vida de 84,5 anos.
Em termos ambientais, a Turquia possui déficit ambiental, pois segundo o relatório Planeta Vivo, da WWF, a pegada ecológica per capita dos turcos era de 2,55 hectares globais (gha), em 2008, mas possuía uma biocapacidade de apenas 1,31 gha. O avanço na transição demográfica e na transição para uma economia de baixo carbono pode ajudar a Turquia a minorar seus problemas ambientais. Problemas que precisam ser equacionados tanto na Europa, quanto na Ásia. (EcoDebate)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...