quinta-feira, 13 de junho de 2013

Aquecimento global expande campos de gelo

Aquecimento global expande campos de gelo antárticos
O aquecimento dos oceanos talvez seja a principal causa da expansão dos campos de gelo da Antártica, segundo relatam pesquisadores na revista Nature Geoscience. À medida que os campos de gelo do Polo Norte diminuíam consideravelmente nas últimas três décadas, cientistas se empenhavam em fornecer explicações para o aumento dos campos de gelo próximos do Polo Sul durante o mesmo período.
'O paradoxo é que o aquecimento global leva a um resfriamento maior e ao aumento dos campos de gelo da Antártica', afirma Richard Bintanja, climatologista do Instituto Real de Meteorologia da Holanda, em Utrecht. Bintanja e seus colegas mostram que o derretimento mais intenso dos campos de gelo da Antártica – que perde massa a uma velocidade de 250 gigatoneladas anuais – foi provavelmente o principal fator por detrás dessa expansão pequena, mas significativa do ponto de vista estatístico.
As águas resultantes do derretimento dos campos de gelo podem formar uma camada de água fria e doce na superfície que os protegem das águas quentes inferiores, fato conhecido dos cientistas há anos. Mas os cientistas não estão certos de que esse fenômeno esteja contribuindo com a expansão dos campos de gelo antárticos, conforme sugere o novo estudo.
Os autores analisaram observações da temperatura e da salinidade oceânicas feitas a partir de satélites e de boias de 1985 a 2010. Em seguida, eles compararam as alterações observadas com dados de um modelo climático global que simulou a perda anual de 250 gigatoneladas de águas de degelo de capas de gelo antárticas, para observar como isso afetaria as condições oceânicas. Nesse modelo, a água de degelo formou uma cobertura de água doce e fria que promoveu a expansão dos campos de gelo e isso fez com os pesquisadores reconhecessem o fenômeno como a causa mais provável dessa tendência atual.
Existem, contudo, outras explicações plausíveis para a expansão dos campos de gelo da Antártica. 'Esse processo pode ser totalmente verdadeiro, mas esse estudo não demonstra que a intensificação do derretimento tenha contribuído de forma significativa com o aumento da cobertura de campos de gelo', afirma Paul Holland, criador de modelos oceânicos do Serviço Antártico Britânico, de Cambridge, Reino Unido, e coautor do estudo que demonstrou, no ano passado, que a expansão dos campos de gelo se deve, principalmente, a padrões de ventos locais.
O vento altera o tamanho dos campos de gelo de duas maneiras: deslocando o gelo e por meio do aquecimento e resfriamento da superfície gelada. Usando dados de satélite sobre os movimentos dos campos de gelo de 1992 a 2010, Holland e o colega Ron Kwok, pesquisador climático do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, Califórnia demonstraram que em certas regiões da Antártica, como no Mar de Weddell, as mudanças dos campos de gelo se devem quase que unicamente à força dos ventos. Em outras regiões, como no Mar do Rei Haakon, elas são o resultado da combinação dos efeitos da força dos ventos e da temperatura.
Bintanja afirma que a ação dos ventos é importante em determinados locais, mas que as águas de degelo têm efeitos sobre a expansão dos campos de gelo em determinadas regiões. Holland calcula que o derretimento do gelo não seja uniforme ao longo da costa da Antártica, como supunham os autores do último estudo, mas esteja concentrado em certos locais. O cientista afirma que o padrão dos ventos e as águas de degelo talvez estejam aumentando os campos de gelo próximos do Polo Sul, mas isso ainda precisa ser observado. (msn)

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