quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Redução da pobreza na Índia e na África

Para reduzir a pobreza na Índia e na África: transformar a bolha em bônus demográfico
A extrema pobreza no mundo foi reduzida de 1,938 bilhão de pessoas (43% da população mundial), em 1981, para 1,212 bilhão de pessoas (18% da população total) em 2010, segundo o Banco Mundial. A pobreza extrema foi praticamente eliminada nos países desenvolvidos, reduzida bastante na China, nos Estados Árabes e na América Latina e Caribe. As altas taxas de crescimento econômico e a ampla disponibilidade de recursos naturais possibilitaram que a pobreza fosse reduzida nos últimos 30 anos.
Na dinâmica da globalização, o que mais contribuiu para a redução da pobreza, nos países desenvolvidos e na China, foi o aproveitamento do bônus demográfico, que é um fenômeno que acontece quando há um crescimento da PIA (população em idade ativa) em relação à população total. Tal fato decorre de uma grande queda das taxas de fecundidade e da consequente mudança da estrutura etária da população.
Quando os países aproveitam este momento favorável – investindo na educação, saúde e geração de emprego decente – então toda a sociedade sai ganhando, devido ao aumento da produtividade econômica e à redução das razões de dependência demográficas. A entrada da mulher no mercado de trabalho e a redução das desigualdades de gênero é outra condição fundamental para a redução da pobreza.
Porém, se o crescimento da PIA ocorrer sem o processo de investimento em educação, saúde e emprego decente (para ambos os sexos) então o bônus demográfico pode se transformar em uma bolha de pessoas sem oportunidades sociais e, em vez de gerar progresso, pode gerar conflitos e violência. Isto acontece especialmente com os jovens que, geralmente, são os mais afetados pelo desemprego. A “bolha de jovens” (youth bulge) pode se tornar um grande drama social.
Países como Coreia do Sul, Singapura, Taiwan e China souberam aproveitar o crescimento da PIA para acelerar o crescimento econômico, avançar com as políticas de educação, saúde e emprego, reduzindo as taxas de pobreza. Porém, estes países e as economias avançadas vão passar nos próximos anos por um forte processo de envelhecimento populacional. Isto vai fazer com que a economia internacional reduza o ritmo de crescimento econômico.
Neste quadro, o rápido crescimento populacional na Índia e na África Subsariana pode não encontrar condições econômicas favoráveis nas próximas décadas. Ou seja, a promessa do bônus demográfico pode se transformar em pesadelo, inflando a “bolha de jovens” que pode ter muitas consequências indesejadas.
O desafio é grande. Na Índia a PIA (população de 15-64 anos) vai passar de 790 milhões de indivíduos em 2010 para 1,034 bilhão em 2030 e para 1,143 bilhão de pessoas em 2050. Isto significa que entre 2010 e 2030 a Índia vai precisar criar pouco mais de um milhão de emprego por mês (12,2 milhões de empregos por ano) só para absorver o crescimento da PIA. Entre 2030 e 2050 a necessidade será de 453 mil empregos por mês (ou 5,5 milhões por ano). Se consideramos que a taxa de atividade feminina está caindo nos últimos anos, a Índia vai precisar criar ainda mais postos de trabalho para absorver o grande número de mulheres que querem ter uma carreira própria e autônoma.
Já na África Subsariana a PIA (população de 15-64 anos) vai passar de 441 milhões de indivíduos em 2010 para 752 milhões em 2030 e para 1,166 bilhão de pessoas em 2050. Isto significa que entre 2010 e 2030 a África ao sul do Saara vai precisar criar 1,3 milhão de emprego por mês (15,5 milhões de empregos por ano) só para absorver o crescimento da PIA. Entre 2030 e 2050 a necessidade de empregos na África Subsariana será de 1,7 milhão de empregos por mês (ou 20,7 milhões de postos de trabalho por ano). Além disto, será preciso reduzir o desemprego e o subemprego que reduzem a produtividade geral da economia.
Evidentemente, não vai ser fácil criar tantas oportunidades de emprego, especialmente com vínculos formais e com proteção social. Incorporar as mulheres na força de trabalho de maneira ampla e sem segregações é outro grande desafio. Além disto, pode haver uma disjunção entre as necessidades de criação de empregos na Índia e na África Subsariana e uma situação de estagnação econômica ou decrescimento da economia do resto do mundo. O dividendo demográfico pode se tornar desastre demográfico.
Portanto, para reduzir ou acabar com a pobreza será preciso saber aproveitar o bônus demográfico, desinflando uma possível bolha de jovens por meio da geração de oportunidades sociais e do avanço da cidadania.
Porém, o crescimento do emprego e da economia vai aumentar o impacto das atividades antrópicas sobre o meio ambiente. O crescimento deveria ser acompanhado pela transição para uma economia de baixo carbono, a proteção dos ecossistemas e a defesa da biodiversidade.
Administrar toda esta situação será o grande desafio destas duas regiões com crescente volume populacional. (EcoDebate)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...