domingo, 1 de dezembro de 2013

Concentrações de gases tem maior nível em 800 mil anos

Concentrações de CO2 tem nível mais alto em 800 mil anos
Ainda há como evitar o desastre?
Estados Unidos e China, os dois maiores poluidores do mundo, anunciaram em meados deste mês um acordo importante na luta contra a mudança do clima. Os dois países disseram que iriam acelerar ações neste sentido com cooperação em tecnologia, pesquisa, conservação e energia alternativa e renovável.
Em uma declaração conjunta, as duas nações afirmaram que “consideram o consenso científico esmagador em relação à mudança do clima uma convocação obrigatória à ação.” Ela reconhece que “a necessidade urgente de intensificar os esforços de redução das emissões de gases estufa é mais crucial que nunca.”
A mudança do clima provocada pelo homem, segundo os países, está tendo efeitos “que pioram, como o notável aumento de temperaturas globais médias no último século, a alarmante acidificação de nossos oceanos, a rápida perda do gelo do Ártico e a chocante incidência de eventos extremos do tempo ocorrendo em todo o mundo.”
Os detalhes do acordo serão trabalhados em um encontro estratégico e econômico dos dois países em julho. Tanto a China quanto os EUA já colhem frutos de políticas de contenção de emissões, e as conversações poderão impactar projetos controvertidos, como a construção do oleoduto Keystone XL, que levaria petróleo de areias betuminosas do Canadá até refinarias no Texas, com enormes riscos ambientais – e que triplicariam as emissões canadenses até 2020.
Existe outro acordo em andamento entre EUA e Japão. O negociador do clima dos EUA, Todd Stern, pretende criar uma espécie de mesa redonda dos maiores poluidores regionais para mapear ações, evitando a enrolada geopolítica da Convenção-Quadro Sobre a Mudança do Clima. Este grupo essencialmente imporia um acordo global ao resto do mundo, e ele incluiria, além de EUA, Japão e China, Brasil, Índia e África do Sul.
Até aí, tudo bem. De resto, como o mundo está se virando para evitar um desastre? “Pelos indicadores físicos mais brutos, não estamos fazendo nosso dever, como planeta” diz Alden Meyer, diretor da Union of Concerned Scientists, sobre o aumento constante dos níveis atmosféricos de CO2. “Mas há boas notícias no fato de que alguns países estão avançando com estratégias domésticas para o corte de emissões. Está sendo rápido o bastante? não. Mas está melhor que os ‘negócios de costume’?  Sim.”
As concentrações de CO2 atingiram seu nível mais alto em pelo menos 800 mil anos, chegando a 395 moléculas de CO2 para cada milhão de moléculas de todos os gases na atmosfera  (395 partes por milhão, ou ppm), ou 45% a 50% mais altas que nos níveis pré-industriais.
Durante grande parte da última década, pesquisadores e negociadores do clima focaram em 450 ppm como meta de estabilização. Chegar a isto, acreditavam eles, significaria uma chance de 50% de segurar o aquecimento global em menos de 2Cº até o final do século, uma elevação considerada como um limiar de segurança.
Mas há cinco anos, o cientista do clima James Hansen e colegas publicaram um estudo sobre as alterações que o aquecimento global já estava trazendo e apontaram para 300 a 350 ppm como meta mais provável para evitar os piores efeitos da mudança do clima, lembra o Christian Science Monitor. Se eles estiverem certos, o controle da temperatura vai ser muito mais difícil. E, recentemente, o Global Carbon Project relatou que as emissões de CO2 estão crescendo quase na taxa mais alta projetada pelo Painel Intergovernamental Sobre a Mudança do Clima, da ONU. O tempo, diz Meyer, está acabando. (abril)

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