quinta-feira, 27 de março de 2014

Banco prevê reservatórios em 13,3% em dezembro

Previsões do JP Morgan consideram que entre maio e dezembro chova 80% da média histórica e o consumo cresça 3,5% a partir de abril.
Os reservatórios do sistema Sudeste/Centro-Oeste, responsáveis por 70% do armazenamento do País, podem chegar ao fim de 2014 próximo do limite de operação. No pior cenário, o nível das represas cairia para 13,3% em dezembro, segundo relatório do banco americano JP Morgan - o que poderia trazer problemas para o ano que vem.
Para fazer os cálculos, os analistas da instituição consideraram que entre maio de dezembro choveria 80% da média histórica (hoje, em pleno período chuvoso, o volume de chuvas está em 63% da média) e haveria crescimento de 3,5% do consumo entre abril e dezembro. "Embora esse seja o cenário mais crítico, temos de considerar que tem chovido menos de 80% da média histórica e o consumo tem ficado acima de 3,5%. Ou seja, a situação pode piorar", destacam os analistas Marcos Severine e Henrique Peretti, no relatório.
No melhor cenário, considerando as mesmas premissas de consumo, mas com chuvas mais abundantes, os reservatórios alcançariam 22,5%. Na sexta-feira, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) publicou mais uma revisão nas previsões de armazenamento para a região. Agora, a expectativa é terminar o mês de março com 37,3% da capacidade total. Inicialmente, a previsão era 41,3%. Ontem, estava em 35,85%.
Apesar das previsões negativas e do nível crítico dos reservatórios, o banco não acredita que o governo vá decretar um racionamento antes das eleições presidenciais. "Nessa situação, blecautes poderão começar a ser mais frequentes", afirmam os analistas. Com base nos dados dos reservatórios, eles também calcularam o custo das térmicas até o fim do ano no sistema. No pior cenário, com baixa hidrologia, o custo das usinas seria de R$ 39 bilhões. Desse total, sem considerar os subsídios do governo, R$ 18 bilhões teriam de ser repassados para o consumidor - alta de 18,1% na tarifa.
Somando aos gastos com a falta de contratos das distribuidoras para atender 100% do mercado, o reajuste subiria para 28,6%, calcula o JP Morgan. Mas, como o governo vai subsidiar parte desse rombo e também usar o dinheiro da energia de reserva, a conta de luz subiria apenas 5,9% - impacto de 0,2% na inflação.
Corte
Na avaliação do professor da UFRJ, Nivalde Castro, o setor vive hoje dois grandes problemas. Um é a falta de chuva para encher os reservatórios. O outro é financeiro, com o buraco provocado caixa das distribuidoras por causa da descontratação e da geração termoelétrica. "A dúvida é saber até que ponto o governo consegue bancar esse rombo." Ele não acredita num racionamento "à la FHC". Mas, no limite, se precisar reduzir consumo, a saída seriam cortes seletivos, avalia ele.
Na semana passada, o governo reuniu as associações do setor para explicar a situação dos reservatórios. Apesar da falta de chuva, o governo tentou convencer os representantes de que tudo está sob controle. "A reunião tentou tranquilizar o setor, mas o mais importante foi restabelecer o contato com governo", afirmou o presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), Paulo Pedrosa. Segundo ele, pelas premissas apresentadas, o cenário não é alarmista. Mas a geração térmica continuará intensa durante todo o ano.
Nível da represa de Furnas está em 28,25%
Pouca chuva
“Embora esse o cenário mais crítico, temos de considerar que tem chovido menos de 80% da média histórica no sistema Sudeste Centro-Oeste) e o consumo de energia tem ficado acima de 3,5%. Ou seja, a situação pode piorar” (OESP)

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