Mesmo com
precipitação perto da média, Cantareira e Alto Tietê tem recebido menos da
metade da água esperada; agosto foi crítico.
O
calor intenso, a vegetação seca e o efeito esponja provocado pelo solo sem
umidade são hoje os principais “rivais” naturais da recuperação dos Sistemas
Cantareira e Alto Tietê, que estão à beira do colapso. Mesmo com um volume de
chuvas próximo da média neste ano, os dois maiores mananciais que abastecem a
Grande São Paulo têm recebido menos da metade da água esperada nas represas,
quebrando recordes históricos.
Levantamento
feito pelo Estado, com base em dados fornecidos pela Companhia de Saneamento
Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), mostra que choveu no Cantareira entre
janeiro e agosto uma média de 113,9 milímetros por mês, apenas 5% a menos do
que o esperado: 119,9 milímetros mensais. Mas a vazão que de fato enche os
reservatórios, seja pela chuva, pelo rio ou pela recarga do lençol freático,
ficou 59% abaixo da média no período.
No
caso do Alto Tietê, que está em situação mais crítica porque só tem 13,3% da
capacidade – marca da sexta-feira – e não possui volume morto disponível como o
Cantareira, as chuvas só ficaram 1,7% aquém da média, enquanto a entrada de água
nas cinco represas que formam o sistema foi 42% menor do que o previsto. Os
números mostram, por exemplo, que neste ano já choveu na região 44% mais do que
no mesmo período de 2014, quando a crise hídrica foi deflagrada, mas a vazão
dos rios que alimentam os reservatórios caiu 14% agora.
O
geólogo Pedro Côrtes, professor de gestão ambiental da Universidade de São
Paulo (USP), explica que a falta de chuvas no passado e a superexploração dos
mananciais durante a estiagem secaram não apenas os reservatórios, mas também o
lençol freático, o subsolo de rios e represas. Por causa disso, hoje, parte da
água que caiu da chuva é absorvida pela terra, o chamado efeito esponja.
“A
partir do momento em que o solo está exposto há muito tempo, totalmente
ressecado, a recuperação dos mananciais fica ainda mais lenta. Primeiramente, é
preciso recompor o nível do lençol freático, até que a água aflore e comece a
se armazenar na superfície da represa. Para que isso aconteça, o ideal é que
sejam chuvas mais fracas e constantes, que deixam o tempo mais frio e úmido,
favorecendo a penetração da água no solo e acelerando a recarga.” (OESP)
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