O conceito de sustentabilidade associado à dimensão
tecnologia pode ter diversas abordagens, muitas vezes antagônicas. Duas delas
são particularmente relevantes: o sistema de produção industrial linear e o circular.
Por muito tempo a tecnologia foi vista como inimiga
do meio ambiente, não só pela exploração maciça de seus recursos, mas como
destinação dos resíduos dos produtos tecnológicos. Esta perspectiva, no seu
limite, provocou o surgimento de movimentos neoluditas, anti-tecnologia, com
vários adeptos em todo mundo e que passam a ser avessos à utilização de
produtos de alta tecnologia visando adotar posturas mais amigáveis com a
natureza e tendência à demonização da indústria como a responsável pela crise
ambiental atual.
No entanto, numa nova abordagem conceitual, a
tecnologia e constitui numa ferramenta para o crescimento e o desenvolvimento
de países como o Brasil, que almejam alcançar metas sustentáveis de
crescimento. Nesta perspectiva a tecnologia deve contribuir, principalmente,
através da inovação e alcançar maior eficiência nos processos produtivos sem
prejuízos ao meio ambiente. Os avanços tecnológicos devem buscar o baixo custo
e altas taxas de retorno na produção.
O sistema de produção atual e vigente na maioria dos
países, está fundamentado na extração, fabricação, utilização e eliminação. É
um sistema linear que permite converter em descartáveis a maioria dos produtos
e incrementar a produção de resíduos. Este sistema linear nada prevê em relação
à produção de lixo e, como vemos em nosso país, cada dia são maiores as
dificuldades encontradas pelos municípios para sua disposição. Os produtos
atuais têm uma vida útil curta, a possibilidade de repará-los é baixa ou pouco
rentável para quem executa esse tipo de serviço, o que aumenta, ainda mais, os
resíduos sem controle. Também as tendências da moda incentivam a eliminação de
artigos de consumo, como resultado desse modelo.
No entanto, isso está mudando. As futuras empresas
competitivas serão as que têm ciclos de produção com externalidades negativas
mínimas, que em vez de gerar resíduos, os utiliza para devolvê-los ao ciclo e
produzir mais e melhor. Isto implica uma mudança de cultura, modo de pensar e
de esforços conjuntos entre universidades, indústria, tomadores de decisão
políticos, autoridades e dos consumidores, para dar um novo alcance para a
sustentabilidade.
Esta nova tendência é um componente importante da
“nova revolução industrial” e pode ser vista como uma resposta ao desperdício
de grandes somas de dinheiro ao impactar negativamente o meio ambiente. Neste
aspecto, os empresários são levados a um outro nível de compreensão de seus
processos, basicamente, entendendo melhor o que e como fazem evitando ou
diminuindo seus efeitos negativos ao meio ambiente.
Para os empresários é essencial assumir mudanças
significativas no uso eficiente dos recursos e promover a aplicação de boas
práticas e de conhecimentos já existentes para minimizar os impactos
ambientais. Além disso, devem compreender que não é necessário deixar de lado o
conceito de “negócio”, para ser responsável com o meio ambiente.
Esta revolução significa que os sistemas de produção
devem mudar alcançar maior eficiência e progredir na aprendizagem, porque
alguns podem fazer algumas coisas melhor do que outros, compartilhar, e
colaborar com os demais, não produzirem resíduos ou lixo, e entender o que
realmente significa valor. As empresas inteligentes começarão a partir de agora
a acomodar-se nesse novo modelo de produção circular, que resultará na geração
zero de resíduos ou perto de zero, porque tudo vai voltar ao sistema produtivo.
Mudará a lógica da produção em escala, e serão feitos bons produtos para os
consumidores, sem desperdiçar recursos gerando resíduos e lixo prejudiciais ao
meio ambiente.
Como país devemos melhorar a compreensão dos
impactos da indústria, delinear um amplo programa de pesquisa e educação para a
solução de problemas e explorar novos modelos para que o Brasil atinja melhores
padrões de sustentabilidade na sua produção industrial. Passar do sistema de
produção linear ao circular não é um modismo passageiro, é o inevitável caminho
a ser percorrido pelas indústrias para melhorar sua competitividade e
sobrevivência no mercado global. (ecodebate)
Nenhum comentário:
Postar um comentário