sábado, 15 de julho de 2023

‘Dívida de carbono’ de países ricos gera bilhões de toneladas de CO2

‘Dívida de carbono’ dos países ricos é 250 bilhões de toneladas de CO2.
Um novo estudo da Universidade de Leeds, no Reino Unido, calculou que os países do Norte Global (os mais ricos e industrializados), em termos de custo social do carbono, devem até 170 trilhões de dólares aos países do Sul Global (os mais pobres e em desenvolvimento) por terem emitido mais do que sua cota justa de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera desde 1990.

O estudo, publicado na revista Nature Climate Change, usou um modelo baseado no conceito de “orçamento de carbono“, que é a quantidade máxima de CO2 que pode ser emitida para limitar o aquecimento global a 1,5°C ou 2°C, conforme acordado no Acordo de Paris.

Os pesquisadores dividiram o orçamento de carbono entre os países com base em critérios como população, renda e responsabilidade histórica pelas emissões. Eles então compararam a cota de cada país com as emissões reais desde 1990 até 2015, e projetaram as emissões futuras até 2030.

Eles descobriram que os países do Norte Global usaram ou reservaram cerca de 16% a mais do orçamento de carbono do que sua cota justa, enquanto os países do Sul Global usaram ou reservaram cerca de 14% a menos. Essa diferença equivale a uma dívida de carbono de 250 bilhões de toneladas de CO2.

Os 5 maiores responsáveis por emissões excessivas – e quanto terão de pagar de compensação até 2050. A tabela também mostra os cinco principais países que produziram baixas emissões e receberão indenizações.

Para quantificar o valor dessa dívida, os pesquisadores usaram o conceito de “custo social do carbono“, que é uma estimativa do dano econômico causado por cada tonelada de CO2 emitida. Eles consideraram três cenários diferentes: um otimista, um intermediário e um pessimista.

No cenário otimista, o custo social do carbono é de US$ 68 por tonelada de CO2, e a dívida de carbono é de US$ 17 trilhões. No cenário intermediário, o custo é de US$ 271 por tonelada, e a dívida é de 68 trilhões. No cenário pessimista, o custo é de US$ 684 por tonelada, e a dívida é de 170 trilhões.

Os autores do estudo argumentam que esses números mostram a urgência e a importância de aumentar o financiamento climático dos países ricos para os países pobres, para ajudá-los a se adaptar aos impactos das mudanças climáticas e a reduzir suas emissões.

Eles também defendem que os países do Norte Global devem reduzir suas emissões mais rapidamente e mais profundamente do que estão fazendo atualmente, para evitar que a dívida de carbono aumente ainda mais.

O estudo conclui que “a justiça climática global requer não apenas uma transição rápida para uma economia global com zero de emissões líquidas, mas também uma redistribuição significativa dos recursos financeiros e tecnológicos entre os países”. (ecodebate)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...