quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Organização Meteorológica Mundial alerta para La Niña no final de 2024

O cenário climático global pode sofrer uma importante mudança nos próximos meses. Segundo previsões da Organização Meteorológica Mundial (WMO), há 55% de chance de transição para condições de La Niña entre setembro e novembro de 2024.

Probabilidade do fenômeno entre setembro e novembro de 2024 é de 55%, podendo chegar a 60% até fevereiro de 2025.
O cenário climático global pode sofrer uma importante mudança nos próximos meses. Segundo previsões da Organização Meteorológica Mundial (WMO), há 55% de chance de transição para condições de La Niña entre setembro e novembro de 2024. Essa probabilidade aumenta para 60% no período entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025. O retorno de um evento El Niño durante este intervalo é considerado improvável.

La Niña é caracterizada pelo resfriamento das temperaturas da superfície do oceano no Pacífico equatorial central e oriental. Isso gera mudanças na circulação atmosférica tropical, afetando ventos, pressão e padrões de chuvas. Em geral, seus impactos climáticos são opostos aos do fenômeno El Niño, com efeitos que variam conforme a intensidade, duração e a época do ano.

No entanto, esses fenômenos climáticos naturais ocorrem em um contexto de mudanças climáticas induzidas pelo ser humano. O aumento das temperaturas globais e a intensificação de eventos climáticos extremos são influenciados pelo acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera. A secretária-geral da WMO, Celeste Saulo, afirmou que, mesmo com a possível ocorrência de uma La Niña de curto prazo, o aquecimento global continuará sua trajetória ascendente.

Nos últimos nove anos, os recordes de temperatura global foram quebrados, apesar da influência de uma La Niña prolongada de 2020 a 2023. O evento El Niño de 2023-2024 começou a se formar em junho de 2023 e atingiu seu pico entre novembro de 2023 e janeiro de 2024, sendo classificado como um dos cinco mais intensos já registrados. Mesmo após o enfraquecimento do El Niño, seus efeitos ainda foram sentidos em diversas regiões.

Brasil tem nova onda de calor em setembro/24 com possíveis recordes e temperatura para além de 40ºC

Durante os últimos três meses, o mundo experimentou condições climáticas neutras, sem a presença de El Niño ou La Niña. No entanto, o planeta foi impactado por extremos climáticos, como calor intenso e chuvas devastadoras. Esse cenário ressalta a importância de iniciativas como o programa "Early Warnings for All", da WMO, que busca fornecer alertas climáticos antecipados para evitar tragédias.

Além do El Niño e da La Niña, outros fatores influenciam o sistema climático global, como a Oscilação do Atlântico Norte, a Oscilação Ártica e o Dipolo do Oceano Índico. Esses elementos são levados em conta nas atualizações climáticas sazonais globais emitidas pela WMO, que oferecem previsões mais abrangentes sobre as condições futuras.

De acordo com a última atualização, espera-se que temperaturas acima da média prevaleçam em quase todas as áreas terrestres, devido ao aquecimento dos oceanos, exceto na região equatorial oriental do Pacífico, onde a La Niña pode se desenvolver. Em termos de precipitação, é previsto aumento nas chuvas em partes da América do Sul, América Central, Caribe, Chifre da África e partes do sudeste da Ásia.

As atualizações da WMO são baseadas em previsões de Centros Globais de Previsão de Longo Prazo e visam fornecer subsídios a governos, tomadores de decisão e organizações em setores sensíveis ao clima, protegendo vidas e meios de subsistência. A organização também destaca que os Centros Regionais de Clima e os Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais continuarão monitorando as mudanças nas condições do ENSO nos próximos meses.

(revistacultivar)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...