segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Antártida mais verde acelera o derretimento

Antártica está ficando cada vez mais verde, e rápido

Estudo aponta aceleração no processo de "esverdeamento" da Antártica, graças ao aquecimento global; consequências afetarão o clima do planeta.

Um novo estudo revelou que minúsculos organismos chamados algas da neve estão contribuindo significativamente para o derretimento da superfície das plataformas de gelo da Antártida.

A descoberta pode ter implicações de longo alcance para a elevação global do nível do mar.

O estudo publicado na Scientific Reports, usa dados de satélite Sentinel-1 e Sentinel-2 de alta resolução e análises avançadas para explorar como o crescimento de algas da neve, a temperatura e o derretimento da neve interagem nas plataformas de gelo Brunt e Riiser-Larsen de 2019 a 2022.

As algas da neve são plantas microscópicas que crescem na neve e no gelo, muitas vezes conferindo-lhes uma tonalidade verde ou avermelhada. Essas florações escurecem a superfície da neve, reduzem suas refletividades e fazem com que ela absorva mais luz solar e calor, levando ao derretimento mais rápido do gelo.

Antártica “verde”: Cientistas alertam sobre aceleração do aquecimento global

Uma descoberta fundamental é que a proliferação de algas surge no início da estação de degelo, antes dos picos de temperatura. Utilizando a correlação de Pearson ajustada por defasagem temporal e a análise de causalidade de Granger, o estudo encontrou uma forte ligação entre algas da neve, aumento das temperaturas e degelo da superfície.

Esses fatores formam um ciclo de retroalimentação: o crescimento de algas leva a mais degelo, e cada elemento reforça os outros em um ciclo autossustentável.

Além disso, o estudo constatou que o crescimento de algas diminui no final da estação, apesar dos aumentos contínuos de temperatura. Isso sugere uma relação mais complexa entre algas e derretimento, que depende de um delicado equilíbrio de condições ambientais.

O estudo destaca como processos biológicos — como o crescimento de algas — contribuem para a dinâmica do clima polar.

Os resultados sugerem que modelos climáticos futuros devem incorporar fatores biológicos para prever melhor a elevação do nível do mar, observaram os pesquisadores.

Mapa de distribuição de algas da área de estudo (de 2019-10 a 2022-03). (ecodebate)

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