Nível de CO2 é menor em 20 anos nos EUA
Emissões caíram porque baixos preços tornaram
gás natural mais atraente que o carvão para gerar energia; avanço é visto com
cautela.
Os Estados Unidos, maiores emissores históricos de gases-estufa,
liberaram no primeiro trimestre deste ano para a atmosfera o menor nível de gás
carbônico dos últimos 20 anos.
O nível de emissões provenientes do consumo de energia entre janeiro e
março - 1.340 milhões de toneladas - foi 8% menor que o do mesmo período do ano
passado e o mais baixo desde 1992, segundo dados divulgados pela Agência de
Informações sobre Energia dos EUA.
O governo diz que uma das causas pode ser o inverno mais brando deste
ano, mas que o principal motivo foram os baixos preços do gás natural, que
levaram muitas usinas a preferi-lo em vez do poluidor carvão. O consumo do
minério sozinho caiu 18% no primeiro trimestre, em relação ao mesmo período de
2011, e foi o mais baixo desde 1983.
Em 2005, carvão era usado para produzir metade de toda a eletricidade
gerada nos EUA, segundo a agência, fatia que diminuiu para 34% em março, o mais
baixo desde que o índice começou a ser medido, há quase 40 anos.
A redução foi recebida com "otimismo cauteloso" por
pesquisadores que acompanham as emissões, visto que ela ocorreu mais por força
de mercado que por ações do governo por uma economia de baixo carbono. "Há
uma lição clara aqui. Se uma fonte de energia mais limpa for mais barata, ela
vai substituir as fontes sujas", afirmou Roger Pielke, da Universidade do
Colorado.
A situação levanta vários questionamentos. Para começar, se essa mudança
realmente é algo isolado ou tem potencial para se espalhar. E se é algo
permanente ou pode variar em uma situação em que, por exemplo, o preço do
carvão caia e o do gás suba.
Além disso, apesar de o gás natural emitir menos, ele também libera CO2. E a própria exploração traz consequências
para o ambiente que ainda não foram bem compreendidas. Há vazamento de metano,
por exemplo, que também causa o efeito estufa. "O gás natural não é uma
solução de longo prazo para o problema do CO2", diz Pielke. (OESP)
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