domingo, 3 de setembro de 2017

Em 2 anos cerrado perdeu o equivalente a 3 vezes a área do DF

Desmatamento e queimadas são apontados como principais causas. Segundo pesquisa, DF ocupa quarto lugar no ranking de 'áreas relativas devastadas'; dados são do Ministério do Meio Ambiente.

Vegetação queimando em área do DF.
Entre julho de 2013 e agosto de 2015, o cerrado perdeu 18,9 mil km2 de vegetação nativa. São mais de três vezes o tamanho do Distrito Federal devastado em um período de dois anos, segundo os dados divulgados na última semana pelo Ministério do Meio Ambiente.
De acordo com o levantamento, neste mesmo período, a taxa média de desmatamento anual foi de 9,4 mil km2. Esta proporção representa um aumento de 33% quando comparado com a análise dos anos anteriores, 2009 a 2011, quando a média anual era de 7,1 mil km2.
O Distrito Federal ocupa o quarto lugar no ranking de unidades da federação que mais perderam seus remanescentes de vegetação natural do cerrado. Segundo a pesquisa, o DF devastou 58% da vegetação nativa, atrás apenas dos estados de São Paulo (81%), Mato Grosso do Sul (68%) e Goiás (57%).
Gráfico do desmatamento acumulado em remanescentes da vegetação do cerrado.
Ainda segundo o estudo, entre os biomas brasileiros, o Cerrado é o que registra o maior ritmo de desmatamento.
“ [O diagnóstico de uso e ocupação do bioma Cerrado] indica que o desmatamento teria atingido 46% do bioma, restando ainda 54% de sua vegetação nativa.”
Como desmatamento, as instituições responsáveis pelo levantamento definem a “conversão de áreas naturais (campestres, savânicas e florestais) para outros usos”. Sendo assim, a área de campo nativa convertida para outro uso, como por exemplo, a agropecuária, também faria parte da área considerado como área “desmatada” no bioma.
Para o diretor executivo da organização não governamental de proteção à natureza WWF, Maurício Voivodic, “o desmatamento no Cerrado está fora do controle”.
“Não podemos seguir destruindo este bioma que é tão importante para o Brasil, seja em termos de biodiversidade, água e equilíbrio climático.”

Estudo de causas

Para complementar o monitoramento do desmatamento no Cerrado, o documento divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente apresenta ainda um levantamento sobre a utilização do solo, por estado, neste bioma.
Apesar de não traçar uma relação clara entre o desmatamento e algumas atividades agrícolas, o estudo aponta que os estados da região conhecida como “MATOPIBA” - Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia -, com ampla atividade no setor, também “figuram entre aqueles que merecem atenção”.
Queimada em vegetação do cerrado.

Queimadas

Além do monitoramento do desmatamento, o estudo traça como desafio, o monitoramento da degradação no Cerrado, intensificada pela ação das queimadas.
Sobre o tema, o documento diferencia os incêndios causados pelo homem, considerados como “danosos”, daquelas queimadas que fazem parte da ecologia do cerrado.
“No Cerrado, a maior parte dos incêndios é de origem antrópica, ocorrendo mais frequentemente durante a estação seca."
Estudos recentes apontam que o fogo ocorre no Cerrado há pelo menos 25 milhões de anos e é considerado um dos principais agentes evolutivos para as adaptações morfológicas e da fisiologia da vegetação.
No entanto, o regime de fogo gerado de forma não-espontânea tornaria a “vegetação mais rala, com menos espécies de árvores” e, os ecossistemas, “mais suscetíveis ao fogo”, pois reduziriam a resistência do meio ambiente. (g1)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...