segunda-feira, 5 de junho de 2023

Densidade demográfica da África

A densidade demográfica da África.
A população do continente africano é a que mais cresce no mundo e, consequentemente, tem uma densidade demográfica em aumento contínuo.

A população mundial era de 2,5 bilhões de habitantes em 1950, sendo 228 milhões na África (com 9,1% do total global) e 177,5 milhões na África Subsaariana (com 7,1% do total global).

Em 2022, a população mundial passou para 8 bilhões de habitantes, sendo 1,43 bilhão na África (17,9% do total) e 1,67 bilhão na África Subsaariana (14,6% do total). Em 2100, as projeções da Divisão de População da ONU indicam uma população mundial de 10,3 bilhões de habitantes, sendo 3,9 bilhões na África (37,9% do total) e 3,44 bilhões na África Subsaariana (33,3% do total).

O gráfico abaixo mostra que a densidade demográfica global era de 19,2 habitantes por km2 em 1950, passou para 61,2 hab/km2 em 2022 e deve atingir 80 hab/km2 em 2100. A África tinha uma densidade demográfica de 9,1 hab/km2 em 1950, vai ultrapassar a média mundial em 2040, com 71 hab/km2 e deve chegar a 133 hab/km2, bem acima da média mundial.

O gráfico abaixo mostra a densidade demográfica em 3 continentes. Em 1950, a densidade era de 44 hab/km2 na Ásia, de 25 hab/km2 na Europa e de 8,1 hab/km2 na África Subsaariana. Em 2022, a densidade da Ásia passou para 151 hab/km2, para 34 hab/km2 na Europa e para 53,4 hab/km2 na África Subsaariana.

As projeções indicam, em 2100, uma densidade 149 hab/km2 na Ásia, de 27 hab/km2 na Europa e de 157,4 hab/km2 na África Subsaariana. Portanto, a África Subsaariana que tinha uma baixa densidade demográfica em meados do século passado, ultrapassou a densidade europeia em 2004 e vai ultrapassar a densidade da Ásia no final do atual século.

O crescimento populacional e da densidade demográfica aumentam a Pegada Ecológica da África e diminui a Biocapacidade. Na falta de uma política adequada de proteção, inúmeras espécies estão desaparecendo, há cada vez maior degradação dos ecossistemas e aumento do déficit ambiental.

Evidentemente, não se pode culpar simplesmente as populações pobres pelo desastre ecológico global. A concentração de renda e o consumo conspícuo tem papel central na degradação do meio ambiente. Mas não se deve ignorar que o crescimento populacional serve de estímulo para a crescente produção de bens e serviços e tem ocorrido em detrimento da biodiversidade. Crescimento muito rápido da população e da densidade demográfica em países com baixo IDH, em geral, dificulta o processo de redução da pobreza e de melhoria das condições de vida.

Segundo Costa Azariadis, no artigo “The theory of poverty traps: What have we learned?” (2004), um país encontra-se em círculo vicioso quando a situação de pobreza convive com baixos níveis de investimento em educação e saúde pública, quando existem altas taxas de mortalidade infantil, grande insegurança pública, baixa esperança de vida, reduzido tempo de vida dedicado ao trabalho produtivo, baixo investimento em infraestrutura e baixos investimentos em setores produtivos, ciência e tecnologia, etc.

A armadilha da pobreza seria uma situação em que o alto crescimento do número de pessoas pobres e uma crescente densidade demográfica dificultariam a redução da percentagem da população pobre do país.

Azariadis considera que para sair da armadilha da pobreza é preciso garantir uma boa governança, manter a estabilidade institucional, combater os governos cleptomaníacos, aumentar os investimentos em políticas públicas de educação, saúde e habitação, reduzir as taxas de mortalidade infantil e de fecundidade, aumentar o percentual da população em idade ativa, aumentar a esperança de vida, aumentar as taxas de poupança e investimentos, aprofundar a base técnica para a produção de bens e serviços e para a maior geração de empregos e proteção social, etc.

Somente com mudanças sociais, econômicas, políticas e culturais se podem passar do círculo vicioso para o círculo virtuoso do desenvolvimento humano e ambientalmente sustentável. (ecodebate)

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