quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Frente de Consumidores pede metas mais ambiciosas de redução de emissões

Em carta aberta a ministros, a entidade de consumidores alerta para riscos de crises no sistema energético nos próximos 10 anos.

Em carta aberta endereçada a alguns dos principais ministros do governo, a Frente Nacional de Consumidores de Energia alertou para a necessidade de metas mais ambiciosas de redução das emissões de gases de efeito estufa, afirmando que este é um fator crítico para a sustentabilidade do setor elétrico.
A revisão das metas estabelecidas no Acordo de Paris está prevista para o início de 2025.

A Frente Nacional dos Consumidores de Energia pediu metas ambientais muito mais ambiciosas.

O Brasil deve atualizar suas Contribuições Determinadas Nacionalmente até novembro.

Luiz Eduardo Barata alerta sobre riscos ao sistema energético sem redução de emissões.

Mudanças climáticas afetam a geração hidrelétrica, aumentando custos e insegurança.

A carta destaca a necessidade de responsabilização de setores emissores no Brasil.

Incêndio no cerrado próximo a torres de transmissão de energia de alta tensão, em Brasília.

Em meio às discussões no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre as metas ambientais que o Brasil deve apresentar à comunidade internacional no próximo mês, a Frente Nacional dos Consumidores de Energia enviou uma carta a sete ministros solicitando que os novos objetivos sejam mais ambiciosos do que os atuais. A organização alerta que, caso isso não ocorra, o país poderá enfrentar uma escalada incontrolável de custos e insegurança no setor energético. As metas, conhecidas como Contribuições Determinadas Nacionalmente (NDCs, na sigla em inglês), devem ser atualizadas até 2025, mas o Brasil pretende anunciar novos objetivos durante a 29ª Cúpula das Nações Unidas sobre o Clima (COP 29), que ocorrerá em novembro em Baku, no Azerbaijão.

Luiz Eduardo Barata, presidente da frente dos consumidores, expressou preocupação com o futuro do sistema energético brasileiro, afirmando que as emissões de gás carbônico precisam ser reduzidas significativamente nos próximos dez anos. Ele enfatizou que o Brasil deve se comprometer com metas elevadas de redução, destacando a importância de o país se posicionar como líder na defesa ambiental. Barata ressaltou que a questão climática é uma preocupação central no setor elétrico, e que o Brasil precisa demonstrar um compromisso sério com a melhoria das metas NDC.

O documento entregue ao governo aponta que a geração hidrelétrica do Brasil está em risco devido a períodos prolongados de estiagem, que se intensificam com o aumento da temperatura. Apesar de o país ter uma matriz energética renovável, a dependência do clima torna a produção hidrelétrica vulnerável. Barata citou eventos de seca que afetaram os reservatórios entre 2012 e 2015, em 2021 e neste ano, ressaltando que a falta de chuvas compromete a geração de energia. Além disso, a carta menciona que a maior dependência de usinas térmicas acarretaria custos adicionais e aumentaria as emissões de gases de efeito estufa.

Redução da emissão de poluentes pode trazer competitividade internacional

Nação que investe em economia limpa tem a chance de aumentar seu produto interno bruto e reduzir o desemprego.

A Frente Nacional dos Consumidores de Energia também alertou sobre o risco de interrupções no fornecimento de energia devido a eventos climáticos extremos, que têm se tornado mais frequentes e intensos. Barata destacou que chuvas torrenciais e ventos fortes podem causar danos significativos às redes de transmissão e distribuição. Ele mencionou a complexidade da discussão interna sobre a necessidade de metas mais rigorosas, afirmando que a posição do setor elétrico deve ser considerada, uma vez que é uma das principais vítimas das mudanças climáticas.

A carta foi endereçada ao vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin, além de outros ministros, incluindo Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda), Marina Silva (Meio Ambiente), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Carlos Fávaro (Agricultura) e Mauro Vieira (Relações Exteriores). O texto argumenta que a atual NDC do Brasil está desatualizada em relação aos desafios climáticos contemporâneos e que a revisão deve ser mais ambiciosa, responsabilizando todos os setores envolvidos. A entidade enfatizou que a falta de novas metas significativas implica que o governo federal assumiria a responsabilidade por não agir em prol da mitigação dos riscos climáticos que ameaçam o país.

A Frente Nacional dos Consumidores de Energia concluiu que, sem a redução necessária de emissões, o equilíbrio do sistema elétrico estará em risco, resultando em uma escalada incontrolável de custos, escassez hídrica e insegurança energética nas grandes cidades. A carta reflete a urgência de uma ação coordenada e eficaz para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas, destacando a necessidade de um compromisso mais forte do Brasil em relação às suas metas ambientais. (portaltela)

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