Estudo revela impactos das
mudanças climáticas na energia solar e no sistema elétrico brasileiro.
A pesquisa foi liderada pelo
Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (IMar/Unifesp) – Campus
Baixada Santista, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(Inpe), e apresenta uma análise inédita sobre os impactos das mudanças
climáticas na geração de energia solar no Brasil. Publicado na revista Nature
Scientific Reports, o estudo revela como a incidência solar pode variar nas
próximas décadas e quais os reflexos para a transição energética e o sistema
elétrico nacional.
Um dos destaques da pesquisa
é o aumento da energia solar nos meses mais secos do ano, o que pode reduzir a
vulnerabilidade do sistema elétrico brasileiro, dependente das hidrelétricas,
que frequentemente sofrem com baixos volumes de água nos reservatórios durante
períodos de seca prolongada.
“Nosso estudo aponta que a energia solar pode ser uma aliada na manutenção do sistema elétrico, especialmente em áreas remotas da Amazônia, onde a rede de transmissão não chega e as comunidades dependem de geradores a combustível fóssil”, destaca o docente do IMar/Unifesp, Fernando Martins.
As regiões Centro-Oeste e Sudeste devem apresentar um aumento significativo na produtividade de geração solar. Minas Gerais, por exemplo, pode registrar um crescimento de até 5% na incidência solar durante a primavera. Ao mesmo tempo, no Rio Grande do Sul e na costa equatorial do Nordeste, as projeções apontam para uma redução de até 4% na média anual de energia solar.
Essas variações regionais são
consistentes com outros estudos sobre mudanças climáticas, como o aumento da
precipitação no Sul e a redução no Norte. Isso afeta diretamente a
produtividade solar e a resiliência do sistema elétrico”, explica Rodrigo
Costa, do Inpe.
O estudo também sugere que o
Brasil deve considerar a geração híbrida – combinando energia solar e eólica –
em regiões com queda na produtividade solar, como o litoral nordestino e o Sul
do país.
A energia solar já responde
por 97% da capacidade instalada de Micro e Mini Geração Distribuída (MMGD) no
Brasil, com sistemas instalados principalmente em áreas urbanas e locais fora
do Sistema Interligado Nacional (SIN). Com o aumento da produtividade solar em
grande parte do país, a energia solar pode desempenhar um papel estratégico na
transição energética, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e
aumentando a resiliência do sistema elétrico.
O estudo alerta que o impacto econômico das variações na incidência solar precisa ser avaliado cuidadosamente. “A incidência solar afeta setores como a agricultura e a saúde pública, mas sua relação com a economia é complexa e depende de fatores regionais específicos, como os custos de eletricidade e as culturas agrícolas locais”, explica Martins.
A pesquisa é parte do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-Mudanças Climáticas) e contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A publicação na Nature reforça a relevância internacional da pesquisa brasileira e o papel da Unifesp na produção de conhecimento científico de impacto global.
Os resultados fornecem subsídios importantes para a formulação de políticas públicas que promovam o uso sustentável da energia solar e aumentem a resiliência do sistema elétrico brasileiro às mudanças climáticas. “À medida que enfrentamos eventos climáticos extremos e buscamos limitar o aumento da temperatura global, o aproveitamento eficiente da energia solar será essencial para garantir a sustentabilidade e segurança do nosso sistema energético”, conclui o docente.
Dia ensolarado é excelente para gerar energia solar. (pv-magazine-brasil)
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