sábado, 23 de março de 2013

Ciclo hidrológico

Esquema do Ciclo Hidrológico (ou ciclo da água).
O ciclo da água, conhecido cientificamente como o ciclo hidrológico, refere-se à troca contínua de água na hidrosfera, entre a atmosfera, a água do solo, águas superficiais, subterrâneas e das plantas. A ciência que estuda o ciclo hidrológico é a Hidrologia.
A água se move perpetuamente através de cada uma destas regiões no ciclo da água constituindo os seguintes processos principais de transferência:
Evaporação dos oceanos e outros corpos d'água (rios, lagos e lagunas) no ar e a evapotranspiração das plantas terrestres e animais para o ar.
Precipitação, pela condensação do vapor de água do ar e caindo diretamente na terra ou no mar.
Escoamento superficial sobre a terra, geralmente atingem o mar.
A maior parte do vapor de água sobre os oceanos retorna aos oceanos, mas os ventos transportam o vapor de água para a terra com a mesma taxa de escoamento para o mar, a cerca de 36 Tt por ano. Sobre a terra, evaporação e transpiração contribuem com outros 71 Tt de água por ano. A chuva, com uma taxa de 107 Tt por ano sobre a terra, tem várias formas: mais comumente chuva, neve e granizo, com alguma contribuição em nevoeiros e orvalho. A água condensada no ar também podem refratar a luz solar para produzir um arco-íris.
A água é a única substância que existe, em circunstâncias normais, em todos os três estados da matéria (estados da matéria (sólido, líquido e gasoso) na natureza. A coexistência destes três estados implica que existam transferências contínuas de água de um estado para outro; esta sequência fechada de fenômenos pelos quais a água passa do globo terrestre para a atmosfera é designado por ciclo hidrológico.
A água da evapotranspiração (nome cientifico dado ao vapor de água obtido da transpiração e da evaporação) atinge um certo nível da atmosfera em que ele se condensa, formando nuvens. Nas nuvens, o vapor de água condensa-se formando gotículas, que permanecem em suspensão na atmosfera. Estas gotículas, sob certas condições, agregam-se formando gotas maiores que precipitam-se, ou seja, chove. A chuva pode seguir dois caminhos, ela pode infiltrar-se e formar um aquífero ou um lençol freático ou pode simplesmente escoar superficialmente até chegar a um rio, lago ou oceano, onde o ciclo continua.
Da superfície para a atmosfera
O ciclo da água inicia-se com a energia solar que incide na Terra. A transferência da água da superfície terrestre para a atmosfera, passando do estado líquido ao estado gasoso, processa-se através da evaporação direta, por transpiração das plantas e dos animais e por sublimação (passagem direta da água da fase sólida para a de vapor). A vegetação tem um papel importante neste ciclo, pois uma parte da água que cai é absorvida pelas raízes e acaba por voltar à atmosfera pela transpiração ou pela simples e direta evaporação. Durante esta alteração do seu estado físico absorve calor, armazenando energia solar na molécula de vapor de água à medida que sobe à atmosfera.
Dado a influência da energia solar no processo de evaporação, a água evapora-se em particular durante os períodos mais quentes do dia e em particular nas zonas mais quentes da Terra.
A evaporação é elevada nos oceanos que estão sob a influência das altas subtropicais. Nos oceanos equatoriais, onde a precipitação é abundante, a evaporação é menos intensa. Nos continentes, os locais onde a precipitação é mais elevada existem florestas e onde a precipitação é mais baixa, existem desertos.
Em terra, em algumas partes dos continentes, a precipitação é maior que a evaporação e em outras regiões ocorre o contrário, contudo predomina a precipitação, sendo que os oceanos cobrem o terreno evaporando mais água que recebem pela precipitação.
Da atmosfera de volta à superfície
O vapor de água é transportado pela circulação atmosférica e condensa-se após percursos muito variáveis, que podem ultrapassar 1000 km. Poderá regressar à superfície terrestre numa das formas de precipitação (por exemplo, chuva, granizo ou neve), como voltar à atmosfera mesmo antes de alcançar a superfície terrestre (através de chuva miúda quente). Em situações menos vulgares, poderá ainda transformar-se em neve e cair em cima de uma montanha e permanecer lá 1000 anos. Toda esta movimentação é influenciada pelo movimento de rotação da Terra e das correntes atmosféricas.
A água que atinge o solo tem diferentes destinos. Parte é devolvida à atmosfera através da evaporação, parte infiltra-se no interior do solo, alimentando os lençóis freáticos. O restante, escorre sobre a superfície em direcção às áreas de altitudes mais baixas, alimentando diretamente os lagos, riachos, rios, mares e oceanos. A infiltração é assim importante, para regular a vazão dos rios, distribuindo-a ao longo de todo o ano, evitando, assim, os fluxos repentinos, que provocam inundações. Caindo sobre uma superfície coberta com vegetação, parte da chuva fica retida nas folhas A água interceptada evapora, voltando à atmosfera na forma de vapor.
O ciclo hidrológico atua como um agente modelador da crosta terrestre devido à erosão e ao transporte e deposição de sedimentos por via hidráulica, condicionando a cobertura vegetal e, de modo mais genérico, toda a vida na terra.
O ciclo hidrológico é, pois, um dos pilares fundamentais do ambiente, assemelhando-se, no seu funcionamento, a um sistema de destilação global. O aquecimento das regiões tropicais devido à radiação solar provoca a evaporação contínua da água dos oceanos, que é transportada sob a forma de vapor pela circulação geral da atmosfera, para outras regiões. Durante a transferência, parte do vapor de água condensa-se devido ao arrefecimento formando nuvens que originam a precipitação. O retorno às regiões de origem resulta da acção conjunta da infiltração e escoamento superficial e subterrâneo proveniente dos rios e das correntes marítimas.
Processos
Precipitação consiste no vapor de água condensado que cai sobre a superfície terrestre. (Chuva)
Infiltração consiste no fluxo de água da superfície que se infiltra no solo.
Escoamento superficial é o movimento das águas na superfície terrestre, nomeadamente do solo para os mares.
Evaporação é a transformação da água no seu estado líquido para o estado gasoso à medida que se desloca da superfície para a atmosfera.
Transpiração é a forma como a água existente nos organismos passa para a atmosfera.
Evapotranspiração é o processo conjunto pelo qual a água que cai é absorvida pelas plantas, voltando à atmosfera através da transpiração ou evaporação directa (quando não absorvida).
Condensação é a transformação do vapor de água em água líquida, com a criação de nuvens e nevoeiro.
Composiçaõ química
A água pura (H2O) é um líquido cujas moléculas são formadas por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio. Quando na atmosfera, pode reagir com determinados gases - como dióxido de enxofre (SO2), óxidos de nitrogênio (NO, NO2, N2O5) e dióxido de carbono (CO2) – ocasionando chuvas ácidas.
Serviços ambientais prestados pela água
Os serviços ambientais são a ligação entre os ecossistemas, o bem estar humano e a economia. Na verdade, são os serviços prestados pelo meio ambiente para sustentar e garantir a vida humana.
Entre outros, a água presta os seguintes serviços ambientais:
regulação do clima; regulação dos fluxos hidrológicos; reciclagem de nutrientes; diluição de efluentes (emissários submarinos e subfluviais; produção de energia (usina hidrelétrica); recreação.
A tabela seguinte apresenta a correspondência entre alguns serviços ambientais prestados pela água substituíveis por capital humano:
Serviços ambientais prestados pela água – Infiltração, escoamento, reciclagem de nutrientes; Infiltração; Reciclagem de nutrientes; Reciclagem de nutrientes, precipitação
Serviços ambientais prestados pelo capital humano - Sistemas de abastecimento de água e de saneamento; Sistemas de drenagem; Sistemas de tratamento de águas residuais; Sistemas de rega
O volume total da água na Terra mantém-se constante, variando ao longo do tempo a sua distribuição por fases.
Se fôssemos dividir a água do planeta - incluindo a congelada, salgada e potável - daria 7 piscinas olímpicas para cada pessoa da Terra por toda a vida, mas se dividirmos só a potável daria somente 2 litros para cada habitante do planeta por toda a vida.
Os oceanos constituem cerca de 96,4% de toda a água do planeta. Dos 3,6% restantes, aproximadamente 2,25% estão localizados nas calotas polares e nas geleiras, enquanto apenas 0,75% é encontrado na forma de água subterrânea, em lagos, rios e também na atmosfera, como vapor d'água.
84% da água que evapora para a atmosfera tem origem nos oceanos, enquanto que apenas 16% são oriundos dos continentes.
A água que usamos para beber - que está nos rios, lagos e águas subterrâneas - é menos de 0,01% da água existente no planeta.
A quantidade total de vapor de água na atmosfera é equivalente a cerca de uma semana de precipitação em todo o globo.
Num ano, a atmosfera produz uma quantidade de precipitação na Terra 32 vezes maior em volume do que a sua capacidade total de armazenamento de água. Em média, cada molécula de água evaporada fica aproximadamente 10 dias em suspensão na atmosfera antes de voltar a cair no solo.
De acordo com a Organização das Nações Unidas, no último meio século, a disponibilidade de água por ser humano diminuiu 60%, enquanto que a população aumentou 50%.
Devido às forças tectônicas, que agem no sentido de criar montanhas, a Terra não é hoje um planeta uniformemente coberto por uma camada de 3 km de água salgada.
A água é o mais importante dos constituintes dos organismos vivos, pois cerca de 50 a 90 % da biomassa é constituída por água. O seu papel nas funções biológicas é extremamente importante e diversificado, sendo necessária, por exemplo, para o transporte de nutrientes e dos produtos da respiração celular e para a decomposição da matéria orgânica, que libera a energia necessária para o metabolismo.
A chuva é um purificador atmosférico.
A água da chuva é carregada de bactérias. (wikipedia)

10 Dicas para economizar Água

A água é essencial para a vida no planeta, por isso valem seguir estas 10 dicas para evitar desperdícios e poupar este elemento tão valioso!
1 - Tome banhos rápidos... e aproveite para fazer xixi no chuveiro também!
2 - Beba água para se hidratar. Mas coloque no copo somente a água que você vai beber, para não ter que jogar fora o que sobrar!
3 - Exagerar na descarga do banheiro é jogar água no lixo! Não faça isso!
4 - Vazamentos? Chame um encanador rapidinho! Além de desperdício de água é prejuízo na certa!
5 - Antes de comer, lave as mãos! Mas feche a torneira enquanto ensaboar-se!

6 - Ao sair do seu quarto, da sala, etc economize a água das hidrelétricas: apague a luz!

7 - Uma boa tubulação evita o desperdício de água e mantém sua casa livre do mofo!

8 - Lembre-se de fechar a torneira quando estiver escovando os dentes! E avise o papai para fazer o mesmo na hora de fazer a barba!

9 - Para lavar o carro ou o quintal, é melhor usar um balde! O uso da mangueira gasta muita água!

10 - Jogue água nas plantinhas, mas não exagere: elas podem se afogar!
Seguindo estas dicas você estará ajudando nosso planeta a ser um lugar bem melhor para se viver! Parabéns! (ciclodaagua)

Brasil conhece pouco sua principal reserva

Geólogos que estudam Aquífero Alter do Chão se queixam da falta de interesse do governo e até do Banco Mundial.
O Brasil pouco sabe sobre a principal reserva estratégica de água do seu território. Descoberto no fim dos anos 1950, o Aquífero Alter do Chão, na Região Norte, ganhou notoriedade na década passada com a descoberta de que faz parte de um sistema mais amplo, conhecido como Grande Amazônia.
Esse sistema teria quatro vezes o volume do Aquífero Guarani - localizado nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e considerado um dos maiores do mundo. Pioneiros nos estudos, pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) reclamam da falta de investimentos do governo, que recentemente iniciou trabalhos na região.
Ainda preliminares, os dados mais recentes, considerados conservadores pelos geólogos do Instituto de Geociências da UFPA, indicam que o chamado Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga) teria potencial para comportar uma reserva de mais de 160 mil quilômetros cúbicos - bastante superior aos 37 mil existentes no Aquífero Guarani.
Francisco Matos, que coordena as pesquisas, diz que os números exorbitantes não têm sido suficientes para atrair investimentos em estudos acadêmicos. Após buscar financiamento até no Banco Mundial, a UFPA tenta criar um mestrado em Recurso Hídricos para poder avançar.
"Apesar de ficar 500 metros abaixo do solo, o aquífero pode até sofrer contaminação por conta da falta de coleta de esgotos nas grandes cidades do Norte", diz Matos. "Além disso, envolve segurança nacional. A Saga, mesmo tendo a maior parte no Brasil, é transfronteiriça, e é preciso discutir sua exploração com os países vizinhos."
Cautela. A Agência Nacional de Água (ANA), que em 2011 iniciou estudos nas bacias sedimentares amazônicas, é cautelosa sobre a questão. "Ainda estamos estudando para dizer se é mesmo um sistema só, pois inicialmente se falava em unidades distintas dos aquíferos Alter do Chão, Solimões e Içá", afirma o gerente de águas subterrâneas da ANA, Fernando de Oliveira.
Segundo ele, a agência analisa uma área de 1,2 milhão de quilômetros quadrados com ajuda de informações geológicas obtidas na Agência Nacional do Petróleo (ANP), que perfurou centenas de poços petrolíferos na região. "O Brasil tem demanda de todos os tipos e este estudo não era prioridade do governo", admite Oliveira. "O estudo de águas subterrâneas é o 'primo mais novo', ainda estamos começando."
Um sistema de grande porte como esse exige cuidados. "Os aquíferos podem abastecer uns aos outros e gerar água de muita qualidade, mas há algumas precauções", diz Ruddi de Souza, diretor da empresa de serviços hídricos Veolia Water Brasil. "A rocha que guarda a água é do tipo porosa, absorvendo substâncias nocivas com facilidade. E, por estar interligado, a contaminação pode se espalhar pelo sistema." (OESP)

Controle de água renderá R$ 100 milhões

Na tentativa de melhorar a gestão da água no País e evitar conflitos no futuro, o governo federal mudou de estratégia e reservou R$ 100 milhões para distribuir aos Estados que aumentarem o controle do uso de recursos hídricos nos próximos cinco anos. O programa de incentivo, que integra o Ano Internacional de Cooperação pela Água, foi anunciado ontem, véspera do Dia Mundial da Água, celebrado em 22/03/13.
"A gestão de recursos hídricos no Brasil é muito desigual. Alguns Estados avançaram bastante, como Ceará, Minas, Rio e São Paulo, mas a grande maioria tem uma precariedade técnica muito grande. Então, pensamos em um mecanismo para incentivar os Estados. Mas não é apoio puro e simples: eles vão precisar se comprometer com metas e atingir resultados para receber o pagamento", disse o presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu.
A adesão ao Programa de Consolidação do Pacto Nacional pela Gestão das Águas será voluntária. Cada unidade da federação poderá receber até R$ 750 mil por ano, caso atinja as metas. Serão levados em conta, por exemplo, instrumentos previstos em lei como cadastro de usuários, monitoramento dos recursos hídricos e outorgas (concessões de uso da água), além do funcionamento de comitês e a existência de conselhos estaduais.
"Temos Estados sem nada estruturado, que nunca emitiram outorga, com pessoas usando a água sem o menor controle. Isso compromete o futuro", disse Andreu. A adesão dos Estados deverá ocorrer por meio de decreto dos governadores, e as metas precisarão ser aprovadas pelos conselhos estaduais. "Supondo que todos vão aderir e as metas serão atingidas, em cinco anos serão R$ 100 milhões para investimento em gestão."
O presidente da ANA disse que a situação é mais crítica nas Regiões Norte e Centro-Oeste. "No Nordeste, até por trabalharem com restrição e escassez, há Estados que avançaram bastante." Segundo ele, a ideia é "fugir da condição tradicional da penalidade, em que o Estado é obrigado a fazer, não faz e nada acontece, porque a penalidade nunca é aplicada". "Queremos fazer com que Estados sejam estimulados a atingir resultados que, em essência, deveriam cumprir."
O que falta, principalmente, é uma equipe técnica capaz de implementar cadastro, monitoramento, sistemas de informação e outorga para se ter algum controle sobre o uso da água, disse Andreu. "Sem isso, é cheque em branco para o futuro. Não se sabe o que pode acontecer. Podemos enfrentar conflitos seriíssimos entre usuários ou entre unidades da federação."
Nova agenda. Especialista sênior em Água e Saneamento do Banco Mundial, Marcos Thadeu Abicalil cita a discussão sobre uma nova fonte de água para a Grande São Paulo. "Há hoje um conflito entre Rio e São Paulo envolvendo o uso do Rio Paraíba do Sul, que é federal. Isso está gerando falta de entendimento. Cai-se na questão da cooperação." Abicalil avalia que, sem cooperação, não será possível dar conta dos desafios do século 20, como garantir acesso à água e ao saneamento e, ao mesmo tempo, enfrentar a nova agenda do século 21, relacionada às mudanças climáticas. "A agenda velha ainda custa caro. Seriam necessários R$ 330 bilhões até 2030 para o saneamento. Isso significaria um volume de R$ 17 bilhões por ano e o País investe metade disso." Para o engenheiro Benedito Braga, que assumiu há quatro meses a presidência do Conselho Mundial da Água (WWC, na sigla em inglês), a cooperação internacional tem a perspectiva de trazer os países para uma discussão sobre os problemas, com o objetivo de atenuar questões de natureza política.
Soberania. O presidente da ANA diz que a cooperação internacional "é sempre delicada, porque trata de questões de soberania". Segundo ele, o Brasil dará prioridade ao "aprimoramento das relações com países sul-americanos e de língua portuguesa". "Houve o problema recente entre a Argentina e o Uruguai por conta do compartilhamento de recursos hídricos. A gente quer se antecipar e prevenir esses conflitos fortalecendo a gestão."
No Rio
O Dia Mundial da Água, criado há duas décadas pelas Nações Unidas e celebrado hoje, foi mais uma vez precedido por uma tragédia provocada pela chuva e pelo descaso na região serrana do Rio. Paralelamente à questão do acesso à água potável e ao saneamento, o tema da adaptação aos impactos provocados por mudanças climáticas precisa entrar de vez na agenda dos governos, diz 0 engenheiro Benedito Braga, um dos maiores especialistas do País em recursos hídricos, que assumiu há quatro meses a presidência do Conselho Mundial da Água. "É preciso coragem para intervir quando necessário. Sem a providência de realocar a população que vive em área de risco, ela será impactada no ano seguinte."
Cerca de 90% dos desastres naturais ocorridos no País têm relação com falta ou excesso de água, afirma o pesquisador Carlos Machado, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz.
Instagram
Cliquem a água! O Estado lançou na internet uma missão para os seus leitores neste Dia Mundial da Água: Fotografem a água! Foi a única instrução que passamos. A partir daí, era com os internautas.Pedimos a eles que usassem a imaginação para homenagear o nosso líquido mais precioso da forma como eles achassem mais interessante. E nos locais mais criativos que viessem a suas cabeças.
O pedido foi feito na segunda-feira. Em apenas dois dias, foram mais de 1,5 mil fotografias enviadas por e-mail e pelo Instagram, a rede social de fotos mais famosa atualmente na internet e disponível para iPhone e iPad, além de smartphones e tablets que rodam Android.
Participaram leitores de todo o Brasil e até de outros países.
Há fotos de São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Paraná, Espírito Santo, França, África do Sul e EUA, entre outros. Os editores do Estado fizeram a seleção de acordo com a originalidade das imagens, além da beleza estética e o respeito ao tema principal do ensaio, a água.
Dentre todas as imagens recebidas, foram escolhidas as 40 melhores. Elas serão publicadas hoje em forma de galeria no site estadão.com.br. Ou seja, estes 11 cliques que estão aí do lado são apenas um aperitivo! As melhores fotografias também serão postadas ao longo do dia na conta do Estado no Instagram.
Cerca de 90% dos desastres naturais ocorridos no País têm relação com a falta ou excesso de água, afirma o pesquisador Carlos Machado, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz. (canaldoprodutor)

Controle de água renderá R$ 100 mi

Governo distribuirá dinheiro aos Estados que fiscalizarem uso de recursos hídricos nos próximos cinco anos.
Na tentativa de melhorar a gestão da água no País e evitar conflitos no futuro, o governo federal mudou de estratégia e reservou R$ 100 milhões para distribuir aos Estados que aumentarem o controle do uso de recursos hídricos nos próximos cinco anos. O programa de incentivo, que integra o Ano Internacional de Cooperação pela Água, foi anunciado ontem, véspera do Dia Mundial da Água, celebrado hoje.
"A gestão de recursos hídricos no Brasil é muito desigual. Alguns Estados avançaram bastante, como Ceará, Minas, Rio e São Paulo, mas a grande maioria tem uma precariedade técnica muito grande. Então, pensamos em um mecanismo para incentivar os Estados. Mas não é apoio puro e simples: eles vão precisar se comprometer com metas e atingir resultados para receber o pagamento", disse o presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu.
A adesão ao Programa de Consolidação do Pacto Nacional pela Gestão das Águas será voluntária. Cada unidade da federação poderá receber até R$ 750 mil por ano, caso atinja as metas. Serão levados em conta, por exemplo, instrumentos previstos em lei como cadastro de usuários, monitoramento dos recursos hídricos e outorgas (concessões de uso da água), além do funcionamento de comitês e a existência de conselhos estaduais.
"Temos Estados sem nada estruturado, que nunca emitiram outorga, com pessoas usando a água sem o menor controle. Isso compromete o futuro", disse Andreu. A adesão dos Estados deverá ocorrer por meio de decreto dos governadores, e as metas precisarão ser aprovadas pelos conselhos estaduais. "Supondo que todos vão aderir e as metas serão atingidas, em cinco anos serão R$ 100 milhões para investimento em gestão."
O presidente da ANA disse que a situação é mais crítica nas Regiões Norte e Centro-Oeste. "No Nordeste, até por trabalharem com restrição e escassez, há Estados que avançaram bastante." Segundo ele, a ideia é "fugir da condição tradicional da penalidade, em que o Estado é obrigado a fazer, não faz e nada acontece, porque a penalidade nunca é aplicada". "Queremos fazer com que Estados sejam estimulados a atingir resultados que, em essência, deveriam cumprir."
O que falta, principalmente, é uma equipe técnica capaz de implementar cadastro, monitoramento, sistemas de informação e outorga para se ter algum controle sobre o uso da água, disse Andreu. "Sem isso, é cheque em branco para o futuro. Não se sabe o que pode acontecer. Podemos enfrentar conflitos seriíssimos entre usuários ou entre unidades da federação."
Nova agenda. Especialista sênior em Água e Saneamento do Banco Mundial, Marcos Thadeu Abicalil cita a discussão sobre uma nova fonte de água para a Grande São Paulo. "Há hoje um conflito entre Rio e São Paulo envolvendo o uso do Rio Paraíba do Sul, que é federal. Isso está gerando falta de entendimento. Cai-se na questão da cooperação."
Abicalil avalia que, sem cooperação, não será possível dar conta dos desafios do século 20, como garantir acesso à água e ao saneamento e, ao mesmo tempo, enfrentar a nova agenda do século 21, relacionada às mudanças climáticas. "A agenda velha ainda custa caro. Seriam necessários R$ 330 bilhões até 2030 para o saneamento. Isso significaria um volume de R$ 17 bilhões por ano e o País investe metade disso."
Para o engenheiro Benedito Braga, que assumiu há quatro meses a presidência do Conselho Mundial da Água (WWC, na sigla em inglês), a cooperação internacional tem a perspectiva de trazer os países para uma discussão sobre os problemas, com o objetivo de atenuar questões de natureza política.
Soberania. O presidente da ANA diz que a cooperação internacional "é sempre delicada, porque trata de questões de soberania". Segundo ele, o Brasil dará prioridade ao "aprimoramento das relações com países sul-americanos e de língua portuguesa". "Houve o problema recente entre a Argentina e o Uruguai por conta do compartilhamento de recursos hídricos. A gente quer se antecipar e prevenir esses conflitos fortalecendo a gestão." (OESP)

‘Reservatórios são úteis, mas agridem ambiente’

Especialista em direito ambiental, o advogado Carlos Maurício Ribeiro, do escritório Vieira Rezende, defende que a proliferação de reservatórios não é a melhor política a ser adotada pelo governo para dar segurança hídrica e energética ao País.
Qual a sua opinião sobre a construção dos reservatórios?
Existem argumentos técnicos para um lado e para o outro. Militando na área ambiental, o que acho é que os grandes reservatórios foram construídos no passado, estão operando e têm sua função, mas o que temos de tomar cuidado é em ver que o mundo mudou neste período. Além do aumento populacional, houve redução brutal de áreas virgens. Por isso, quando se pensa na ideia de construir grandes reservatórios na região amazônica, acho que não deve ser feito. Há necessidade de explorar, mas o potencial hídrico é tão grande que usinas a fio d'água (que operam sem reservatório) são suficientes para a região, pois a vazão é muito grande e o potencial ecológico da biodiversidade local tem que ser protegido.
Como o sr. vê a construção do reservatório em Belo Monte?
A gente sabe que inundação traz grandes impactos ambientais. Em Belo Monte, há discussão sobre mudança de vazão, há argumentos contra a construção da usina pelo fato de haver uma grande variação da vazão ao longo do ano. Se for assim, é até o caso de pensar se deveria mesmo colocar uma usina ali ou não, pois isso criaria grandes problemas ambientais. Em um país com potencial hídrico que é indiscutível, não é possível que não se possa dividir ao longo do território usinas fio d'água de forma eficiente, que possam gerar energia para diferentes áreas, sem a necessidade de construir obras faraônicas. As grandes barragens são eficientes, mas causam grandes problemas ambientais e têm impacto na qualidade de vida das populações.
Isso vale para todas as regiões? Em alguns lugares faz sentido, mas não serve como solução única. O que é bom para a usina de Três Marias (MG) pode não fazer sentido na Amazônia ou no Pantanal, que têm ecossistemas muito ricos e importantes. Não é simplesmente ser contra ou a favor dos reservatórios. Há de haver consenso e pensar o que é mais adequado e menos agressivo para cada região. Tudo isso deve ser objeto de um grande trabalho de levantamento de dados e convencimento.
Como solucionar a necessidade do uso de usinas térmicas, que poluem o ambiente?
Temos de usar o potencial eólico do Nordeste, por exemplo. A insolação no Nordeste, no Sudeste e no Centro-Oeste também, pois a energia solar está barateando. Mas vejo mais potencial no setor de gás, cujo gargalo é o sistema de escoamento. É uma fonte de energia para ser usada nas térmicas, muito menos agressiva do que a queima de óleo e carvão. Enfim, é preciso haver equilíbrio entre diferentes fontes de energia.
Como atingir o equilíbrio entre a necessidade de investimentos em infraestrutura e a questão ambiental?
Onde houver dúvida se a construção vai causar um mal maior que o benefício, aí é como cada um olha a questão da ecologia. Nesses casos, acho que deve partir para outra solução. Não se pode pensar apenas no que é mais eficiente para ter segurança energética. Também é preciso evitar políticas que causem, de forma desnecessária, o alagamento de grandes áreas de floresta ou a realocação de populações inteiras. (OESP)

Reservatórios no Sudeste chegarão a 66,4%

Reservatórios no Sudeste devem chegar a 66,4% em abril, diz ONS
O nível de armazenamento de água dos reservatórios das hidrelétricas da região Sudeste/Centro-Oeste deverá atingir 66,4% no fim de abril, quando termina o período úmido, quase 10 pontos percentuais abaixo do nível verificado um ano antes.
O dado faz parte da expectativa mais recente divulgada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e leva em conta a manutenção do uso de toda a geração térmica.
Atualmente, o nível dos reservatórios do Sudeste está em 47,27%.
O ONS espera ainda, segundo ata da reunião de 6 de fevereiro do Comitê do Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que o nível das represas da região Nordeste esteja em 64,9% no encerramento do mês que vem. Essas represas estão com 41,76% de armazenamento agora, segundo dados do ONS referentes à domingo.
O ONS pondera que para um cenário conservador, com fluxo de água para as represas "um pouco abaixo do esperado", os percentuais de armazenamento atingiriam 58% para o Sudeste/Centro-Oeste e 56% para o Nordeste no fim de abril.
O armazenamento esperado para os reservatórios ao fim deste período úmido é bem abaixo dos níveis verificados em abril do ano passado, que foram de 76,09% para o Sudeste/Centro-Oeste e de 78,49% no Nordeste.
Em 6 de fevereiro, a expectativa do ONS era atingir, em fevereiro, um armazenamento de 52,1% no Sudeste/Centro-Oeste, de 40,7% no Nordeste, de 43,6% no Sul e de 86,2% no Norte.
No geral, porém, o realizado ficou abaixo das expectativas: o Sudeste fechou o mês passado com 45,48%, o Nordeste com 41,79%, o Sul com 41,79% e o Norte com 75,43%.
Já o crescimento da carga de energia no Brasil em fevereiro ficou acima do esperado pelo ONS. O operador esperava um aumento de 1,3% ante fevereiro de 2012, mas houve alta de 2,8%, para 64.497 megawatts (MW) médios, conforme divulgado na semana passada.
O diretor da consultoria Enecel, Raimundo de Paula Batista Neto, considera que em uma previsão otimista os reservatórios possam chegar a entre 55% e 58% de armazenamento no Sudeste-Centro/Oeste ao fim de abril. Apesar de os níveis ainda estarem baixos, o especialista não considera que haja perigo de fornecimento de energia.
"O crescimento do Brasil como um todo está muito baixo. Se o mercado não crescer muito, a gente passa 2014 sem perigo de racionamento", disse ele.
Expectativa para novembro
Para o fim de novembro, o ONS espera que o armazenamento no Sudeste/Centro-Oeste fique em 58,5% e no Nordeste seja de 46,6%, considerando a geração térmica plena ao longo do ano.
Se a geração térmica só continuar totalmente acionada até abril, a expectativa para o armazenamento em novembro no Sudeste é de 50% e no Nordeste é de 35,6%.
O ONS enfatizou que a entrada da linha de transmissão que ligará as usinas do rio Madeira aos centros de carga no Sudeste "é um reforço fundamental" para o Sistema Interligado Nacional (SIN), "devendo ser envidados todos os esforços para que seja viabilizada sua operação com a maior brevidade possível". (uol)

Reciclagem de módulos solares no fim da vida é inviável

Reciclagem de módulos solares no fim da vida é inviável se a diversidade de materiais não for considerada. Pesquisadores da Austrália e da...