Reciclagem de módulos solares
no fim da vida é inviável se a diversidade de materiais não for considerada.
Os cientistas Olivia Bowen,
Anna Kuczynska-Lazewska, Rong Deng e Jacek Kluska examinaram as diferenças na
composição dos painéis solares entre diferentes modelos e fabricantes para
avaliar inicialmente a capacidade dos módulos de serem reciclados.
“Painéis solares de silício
desativados foram coletados de toda a Austrália. Alguns dos módulos foram retirados
do campo devido a falhas técnicas ou atualizações do sistema, enquanto os
painéis restantes eram novos painéis doados ao estudo por fabricantes de
energia solar”, disseram os cientistas.
Os doze módulos fabricados
por fabricantes alemães, chineses, sul-coreanos e americanos foram desmontados
para coletar amostras da estrutura de alumínio, vidro e célula solar da análise
composicional.
Os resultados do estudo,
publicados em um artigo intitulado “Beyond assumptions: Experimental
characterisation of end-of-life photovoltaic panels composition for recycling
in Australia“, revelam que, apesar da variabilidade na composição dos materiais
entre os diferentes painéis, os componentes-chave são todos recicláveis, embora
com considerações importantes.
Eles descobriram que as
estruturas de alumínio são adequadas para reciclagem, potencialmente
economizando custos significativos de energia primária, porém, revestimentos
superficiais contendo grandes quantidades de enxofre diminuem a pureza e o
valor econômico.
Os componentes de vidro
atendem aos critérios de matéria-prima na nova fabricação de vidro, apesar da
presença de traços de antimônio, chumbo, cromo e ferro.
“O antimônio, adicionado ao
vidro dos painéis solares para melhorar a transmissão de luz, é classificada
como uma substância perigosa sujeita a limites regulatórios. O estudo constatou
que os níveis de antimônio nos módulos fotovoltaicos podem exceder os limites
estabelecidos e, consequentemente, as empresas de reciclagem podem precisar de
licenças específicas e processos de monitoramento para manusear com segurança o
vidro que contém esse elemento”, conclui o estudo.
A análise do laminado também
revelou um elevado grau de reticulação do etileno-acetato de vinila (EVA), com
baixos níveis de cristalinidade (inferiores a 17%), indicando que o material
mantém sua função de proteção mesmo em módulos fotovoltaicos em fim de vida
útil.
“Compreender a estrutura do
EVA e seu grau de reticulação também é fundamental para otimizar os métodos de
deslaminação em pesquisas futuras. A realização da análise do EVA previamente
permitiria definir a abordagem de deslaminação mais adequada”, afirmaram os
pesquisadores.
Por fim, a composição das
células solares apresentou variações significativas entre os fabricantes,
refletindo uma tendência da indústria de reduzir o teor de prata nos módulos
mais recentes.
“O teor de cobre também
variou de acordo com a tecnologia da célula utilizada no módulo. Essa tendência
alerta as empresas de reciclagem para uma possível redução das receitas
futuras, já que a prata pode representar até 47% do valor recuperável de um
módulo”, disseram.
O estudo concluiu que a
variabilidade entre módulos produzidos por diferentes fabricantes pode
representar um obstáculo para o desenvolvimento de processos comerciais de
reciclagem eficientes.
“A reciclabilidade de cada um
dos componentes depende fortemente de sua composição, sendo que tanto o
alumínio quanto o vidro perdem valor devido à contaminação por diversas
impurezas”, afirmaram os pesquisadores. “A tendência observada de redução do
teor de prata nos módulos mais novos afetará a receita obtida com a reciclagem.
Por isso, as empresas do setor precisam estar atentas à mudança no potencial
econômico desse processo à medida que aumenta o volume de módulos com baixo
teor de prata”.
Os pesquisadores também
observaram que a reciclagem do vidro depende fortemente de que o material não
seja contaminado por outros metais. Eles alertam que processos como trituração
ou moagem dos módulos tendem a contaminar o vidro com prata e cobre, reduzindo
seu valor e podendo tornar não reciclável o principal componente do módulo.
Segundo os pesquisadores,
essas informações podem contribuir para otimizar estratégias de reciclagem e
avaliar a viabilidade econômica dos processos destinados ao crescente volume de
resíduos fotovoltaicos na Austrália e em outros mercados com características
semelhantes. (pv-magazine-brasil)







