segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Sustentabilidade e o legado da copa I

Mascote da Copa do mundo de 2014
A conceituação do desenvolvimento sustentável tem como marco o ano de 1987, quando a então presidente da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, Gros Harlem Brundtland, apresentou para a Assembleia Geral da ONU, o documento “Nosso Futuro Comum”, que ficou conhecido como Relatório Brundtland (VEIGA, Desenvolvimento sustentável, o desafio do século XXI, 2005, p. 191).
Nesse Relatório o desenvolvimento sustentável foi conceituado como sendo “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades” (COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO, 1991, p. 46).
O processo de desenvolvimento sustentável é contínuo e muito complexo, e dessa forma várias são as abordagens para se explicar o conceito de sustentabilidade. O termo desenvolvimento sustentável é claramente carregado de valores, nos quais existe uma forte relação entre os princípios, a ética, as crenças e os valores que fundamentam uma sociedade ou comunidade e sua concepção de sustentabilidade.
A diferença nas definições é decorrente das diferentes abordagens que se tem sobre o conceito. Portanto, o grau de sustentabilidade é relativo, dependendo do ponto de vista considerado, em função do campo ideológico ambiental ou dimensão em que cada ator se coloca (LAFER, 1996).
O relatório de Brundtland( 1987) World Commission on Enviorenment and Development (WCED), trás a definição mais conhecida: o desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades.
Barbieri (2007) define que desenvolvimento sustentável são os modelos de desenvolvimento centrados nas pessoas, com a preocupação primordial de incorporar novas tecnologias seguras sob o ponto de vista ambiental, de planejar inversões e procurar formas de refletir o valor da escassez dos recursos ambientais nos futuros processos de adoção de decisões.
O IBAMA concebe o desenvolvimento sustentável como o processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam, reforçando o potencial presente e futuro do meio ambiente, dando suporte para as atividades econômicas destas populações, a fim de melhor atender as suas necessidades e aspirações, respeitando a livre determinação sobre a evolução de seus perfis culturais.
Para Naime (2005) o conceito de desenvolvimento sustentável deve ser interpretado como uma alternativa ao conceito de crescimento econômico absoluto que está associado a crescimento material simples ou quantitativo da economia. Mas isso não quer dizer que como resultado do desenvolvimento sustentável, o crescimento econômico deva estar totalmente abandonado.
Leff (2006) coloca que o desenvolvimento sustentável é um projeto social e político que aponta para o ordenamento ecológico e a descentralização territorial da produção, assim como para a diversificação dos tipos de desenvolvimento e dos modos de vida das populações que habitam o planeta. O princípio da sustentabilidade surge no contexto da globalização com a marca de um limite e um sinal que reorienta o processo civilizatório da humanidade.
Stern (2010) descreve que o desenvolvimento sustentável significa atender as necessidades da geração atual sem comprometer o direito das futuras gerações atenderem as suas próprias necessidades, enfocando o modelo de crescimento numa evolução com parâmetros de menor geração de gases de efeito estufa que considera um dos maiores perigos para a humanidade, juntamente com a pobreza.
A crise ambiental veio questionar a racionalidade e as teorias que impulsionaram e legitimaram o crescimento econômico, negando a natureza. A sustentabilidade ecológica aparece como um critério normativo para a reconstrução da ordem econômica, como uma condição para a sobrevivência humana e um suporte para chegar a um desenvolvimento duradouro, questionando as próprias bases de produção.
Para Kinlaw (1997), o desenvolvimento sustentável é a macrodescrição de como todas as nações devem proceder em plena compatibilização com os recursos naturais e ecossistemas da Terra para manter e melhorar as condições econômicas gerais. O que se conclui é que o modelo econômico deve caminhar em sintonia e consonância com as condições naturais para atingir um estágio de sustentabilidade.
Almeida (2002) descreve que a sustentabilidade exige uma postura preventiva, que identifique tudo que um empreendimento pode determinar, para que os impactos positivos sejam maximizados e os negativos minimizados. Os avanços tecnológicos que o homem é capaz de obter tornaram cada vez mais curto o tempo para que um impacto sobre o meio ambiente e sobre a sociedade sejam plenamente absorvidos.
Vieira (2001) lembra que a destruição da natureza ou da base material da produção caracteriza a crise ecológica como uma crise da civilização. As teorias de desenvolvimento econômico do século XX, assim como as políticas econômicas decorrentes, sempre ignoraram a condicionalidade ambiental, considerando apenas esta variável fundamental como uma externalidade. (EcoDebate)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...