Um Modelo de
Desenvolvimento Sustentável para a Amazônia

“Um
livro eivado de teorias é como um objeto com etiqueta de preço.” Proust, O
Tempo Redescoberto.
A
discussão sobre o conteúdo do desenvolvimento sustentável (DS) permite
identificar ações voltadas ao desenvolvimento amazônico. Igualmente importante
é elaborar modelos de DS para uma determinada realidade, que pode ser uma
empresa, uma cidade, um bioma ou um país, etc.
Enquanto
a discussão teórica busca compreender o DS, um modelo de desenvolvimento busca
aplicações práticas para a ideia. Despida de um modelo, a ideia inspira,
orienta, provoca a reflexão, mas produz mudança social insuficiente. A falta de
um modelo reduz a aplicação potencial de uma ideia. Então, o modelo pode ser
visto como a etiqueta de preço de uma teoria.
Na
discussão teórica sobre DS, haverá divergências argumentativas sobre o peso de
cada componente da expressão desenvolvimento sustentável (o econômico, o
ambiental e o social). Um intérprete pode valorar um componente com um peso
maior que o outro, possibilitando a divergência entre os intérpretes. Porém, o
consenso é ainda mais improvável num modelo, em que a ideia se transformará em
propostas.
Acentuam
o dissenso o fato de um modelo de DS organizar e reorganizar atividades
econômicas, conflitando com interesses econômicos ou mesmo ambientais e
sociais. Além disso, as propostas podem não atender as expectativas dos
destinatários do modelo, gerando frustrações e resistência.
Por
tudo isso, um modelo proposto pode ser criticado, estimulando propostas
alternativas de modelos de desenvolvimento (sustentáveis ou não) para uma mesma
realidade. Importante: mesmo quando não sustentáveis, os modelos tenderão a se
justificar com discursos de sustentabilidade.
Na
análise que precede à construção de um modelo de DS amazônico, deve-se analisar
a realidade amazônica, suas principais atividades econômicas e suas
características ambientais e sociais. Os diversos grupos amazônicos também
devem ser considerados, incluindo grupos excluídos de qualquer estratégia
desenvolvimentista, explicitando suas características básicas, relação com a
natureza, etc.
Um
modelo amazônico deve, também, reconhecer a diversidade amazônica, seja pelos
23 milhões de pessoas espalhadas em 9 estados brasileiros, e agrupados em
diferentes grupos sociais, seja pelas variadas características econômicas
existentes.
Claro,
um modelo precisa ter propostas que desafiem práticas consolidadas. Exemplos
disso são a proposta de compras públicas a partir de critérios sustentáveis, e
a proposta de um selo ambiental de mudanças climáticas para incentivar o
consumo consciente de produtos amazônicos.
Em
vez de forma, conteúdo, em vez de demora, celeridade, em vez de burocracia,
foco no resultado. Um modelo proposto pode ser efetivo pelo conteúdo empregado,
pela celeridade visada e pelo resultado previsto.
Por
que os desafios se alteram, alterando os desafios e estratégias
desenvolvimentistas, por que algumas medidas serão pouco efetivas, devendo ser
redefinidas, o modelo precisa se reinventar com o tempo. Ter humildade para
avaliar a efetividade do modelo não implica desconsiderar todo o modelo, porém.
Implica apenas na reformulação das medidas não exitosas.
Independente
do modelo proposto – não teríamos como apresentar nossa proposta completamente
aqui –, fundamental é que o debate sobre a Amazônia evolua da mera crítica e
diagnóstico para a análise propositiva. Isso conduzirá a Amazônia para a
sustentabilidade. (ecodebate)
Nenhum comentário:
Postar um comentário