terça-feira, 23 de junho de 2026

Mata Atlântica concentra 64% de toda a restauração no país

Mata Atlântica atinge menor desmatamento em 40 anos e mira nova economia da restauração.

A Mata Atlântica concentra 64% de toda a área em recuperação monitorada no Brasil, o equivalente a cerca de 131 mil hectares. Paradoxalmente, por ser o bioma mais devastado do país — restando apenas 24% de sua cobertura original —, ele apresenta o maior potencial e necessidade urgente de restauração ecológica.

O cenário atual da recuperação deste bioma envolve detalhes importantes:

Dados do Observatório: Os 131,2 mil hectares em restauração representam o maior esforço de recuperação mapeado no país, superando inclusive a Amazônia.

Reversão de Perdas: Embora a região recupere cerca de 155 mil hectares de florestas jovens por ano, um estudo recente do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica aponta que 30% dessa regeneração natural desaparece novamente.

Impacto Positivo: A restauração é vital para reconectar fragmentos florestais e garantir a segurança hídrica e climática das áreas mais populosas do país.

Para explorar os números e descobrir iniciativas de conservação, você pode acompanhar os dados completos do Observatório da Restauração ou verificar as ações de plantio da SOS Mata Atlântica.
Mata Atlântica.

No ano em que registra o menor desmatamento em quatro décadas, a Mata Atlântica chega ao seu dia nacional, celebrado em 27 de maio, como uma potencial vitrine de uma nova agenda econômica: a restauração produtiva. Antes vista sobretudo como uma ação ambiental, a recuperação da vegetação nativa vem se tornando uma alternativa estratégica para explorar atividades produtivas sustentáveis, com potencial de geração de renda e novas oportunidades para produtores rurais e comunidades.

Em 2025, o desmatamento na Mata Atlântica atingiu o menor nível registrado em toda a série histórica do monitoramento da SOS Mata Atlântica e Inpe, iniciado em 1985. Ao longo desse período, houve redução de 40% na área desmatada, que passou de 14.366 para 8.658 hectares. Esse marco reforça os avanços na conservação e políticas públicas do bioma. Em paralelo, a relevância da Mata Atlântica na agenda global de restauração se destaca, projetando-a como um laboratório de modelos capazes de integrar conservação, produção e desenvolvimento econômico.

O bioma é reconhecido desde 2022 pela ONU e pela FAO como uma das 10 Iniciativas de Referência Mundial da Década da Restauração de Ecossistemas (2021-2030). Para Cézar Borges, membro do Grupo Gestor do Observatório da Restauração, trata-se de um mérito relacionado à governança construída no território, que integra setor público, empresas, academia e sociedade civil: “Todos esses atores comprometeram-se com metas comuns para implementar e escalar a restauração no bioma, o que garante integridade às iniciativas”.

O potencial econômico da Mata Atlântica

Os benefícios econômicos da restauração se materializam em diversas iniciativas. Recentemente, ocorreu no sul da Bahia a primeira comercialização de créditos de carbono provenientes de restauração da vegetação nativa, realizada por uma empresa privada. Borges destaca que essa agenda vem se estruturando nos últimos anos e pode ser uma das alternativas no mercado de Soluções baseadas na Natureza (SbN), mas que ainda está em processo de regulamentação e aprimoramento técnico.

“A governança já estabelecida na Mata Atlântica, aliada ao histórico científico e institucional, oferece condições para que os créditos tenham maior segurança, integridade ecológica e de inclusão social, desde que as iniciativas de carbono atuem de forma integrada e com uma governança de paisagem compartilhada com os atores locais”, afirma o especialista. “Um dos desafios é garantir monitoramento e transparência, e é justamente aí que plataformas como o Observatório da Restauração desempenham papel essencial, assegurando clareza sobre quem realiza a restauração, onde e de que forma, fortalecendo a credibilidade das iniciativas”.

A restauração produtiva também abre caminhos para a bioeconomia. Modelos como os Sistemas Agroflorestais (SAFs) e Silvipastoris, que integram espécies nativas a produção agrícola – a exemplo de consórcios de café e cacau com espécies nativas -, são um dos caminhos produtivos sustentáveis em paisagens fragmentadas da Mata Atlântica. Essa prática permite que produtores rurais se beneficiem de serviços ecossistêmicos como polinização e controle natural de pragas, aumentando a qualidade dos produtos e reduzindo custos. 

Paralelamente, a silvicultura de espécies nativas ganha destaque com a identificação de 15 espécies de árvores de alto potencial econômico, capazes de gerar renda e emprego enquanto recuperam o ecossistema. “O lançamento do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Silvicultura de Espécies Nativas (PP&D-SEN) mostra como a agenda de silvicultura de nativas tem potencial, condições técnicas e está sendo vista de modo estratégico pelo país, com o BNDES investindo R$ 24,9 milhões para pesquisa e parcerias nessa área nos próximos cinco anos”, explica Borges. “Isso é uma sinalização de como o plantio e comércio de árvores nativas pode ser um ativo de mercado. O desafio, agora, é o ajuste em algumas normas de rastreabilidade e conexão com potenciais compradores no mercado nacional e internacional”.

Apesar dos avanços, a conservação das áreas em regeneração natural ainda é um desafio. Anualmente, a Mata Atlântica ganha, em média, 155 mil hectares de florestas jovens, de acordo com dados do MapBiomas. Nos últimos 10 anos (2011-2021), por exemplo, mais de 2 milhões de hectares foram regenerados — no entanto, 30% desse ganho foram perdidos no mesmo período, segundo a publicação científica “A long road to resilience: Large-scale forest recovery but limited persistence in the Atlantic Forest” (“Um longo caminho para a resiliência: recuperação florestal em larga escala, mas com persistência limitada na Mata Atlântica”, em tradução livre), conduzida pelo Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, em colaboração com a Coalizão Brasil.

“Uma das soluções para a garantia da permanência das florestas secundárias é o incentivo e criação de mecanismos financeiros que valorizem estas áreas, como Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e condições diferenciadas de acesso a crédito e financiamentos”, ressalta Borges.
A restauração florestal e seus efeitos na biodiversidade da Mata Atlântica

Mata Atlântica concentra 64% de toda a restauração no país, segundo plataforma.

Os números reforçam o esforço nacional de recuperação: 131,2 mil hectares da Mata Atlântica passam atualmente por esse processo, de acordo com o Observatório da Restauração (OR). Este índice equivale a 64% dos 204,2 mil hectares monitorados pela plataforma em todo o Brasil. Os dados estão disponíveis no site observatoriodarestauracao.org.br. (ecodebate)

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