terça-feira, 23 de junho de 2026

Data centers aceleram o aquecimento global

Os data centers aceleram o aquecimento global devido ao seu enorme consumo de energia — frequentemente gerada por combustíveis fósseis — e ao uso intensivo de água para refrigeração. Essa infraestrutura, essencial para a expansão da internet e da inteligência artificial, gera impactos ambientais diretos, incluindo:

• Emissões de Gases de Efeito Estufa: Para manter milhares de servidores funcionando e processando dados continuamente, um único data center pode consumir tanta energia quanto uma cidade de 80.000 habitantes. Muitas redes elétricas ainda dependem de fontes não renováveis, o que eleva a pegada de carbono.

• Uso Extremo de Água: O resfriamento dos superchips e servidores é feito por sistemas de ar-condicionado e circulação de água. Esse processo consome milhões de litros, podendo causar escassez hídrica nas comunidades no entorno das instalações.

• Formação de Ilhas de Calor: Estudos revelam que o calor liberado na atmosfera pelos sistemas de refrigeração eleva a temperatura da superfície do ar, criando "ilhas de calor" em um raio de até dez quilômetros no entorno dessas grandes estruturas.

Para aprofundar nos dados e conhecer as medidas que as empresas estão tomando para reduzir esses impactos, acesse a análise detalhada da Revista Fapesp sobre os impactos ambientais da computação e o debate sobre energia e clima abordado pelo portal Exame.

Pesquisadores constataram aumento de temperatura de cerca de 2°C em áreas situadas até meio quilômetro a partir do perímetro dos data centers

À medida que data centers se multiplicam, cientistas buscam medir seus impactos nas comunidades vizinhas.

Estudos já mostraram que essas instalações impactam os sistemas locais de energia e água, elevam os custos de serviços públicos e liberam poluentes nocivos. Agora, nova pesquisa indica que o calor gerado por esses complexos pode aumentar a temperatura na vizinhança.

A pesquisa, publicada em 18/05/26 no Journal of Engineering for Sustainable Buildings and Cities, analisou a poluição térmica gerada por um data center de 36 megawatts em Mesa, Arizona, e por outro de 169 megawatts na cidade vizinha de Chandler. Os pesquisadores constataram aumento de temperatura de cerca de 2°C em áreas situadas até meio quilômetro a partir do perímetro dessas instalações.

Superaquecimento vira ameaça global para data centers na era da IA

As conclusões sugerem que os data centers podem intensificar o fenômeno da “ilha de calor urbana”, em que cidades apresentam temperaturas significativamente mais elevadas do que áreas rurais próximas. “Mesmo que esses data centers contribuam apenas com 1°C ou 2°C adicionais, isso pode ter um impacto muito significativo em nossas vidas”, afirmou David Sailor, principal autor do estudo e diretor da Escola de Ciências Geográficas e Planejamento Urbano da Universidade Estadual do Arizona.

Segundo Sailor, um único data center pode gerar mais calor do que 40 mil residências. Muitas dessas instalações utilizam condensadores resfriados a ar para dissipar o calor produzido por seus servidores, criando “plumas de ar” entre 8°C e 14°C mais quentes que o ambiente. O vento, então, espalha esse ar além dos limites da instalação, ampliando o impacto.

Embora esse aumento possa parecer pequeno, é suficiente para elevar o uso de ar-condicionado em bairros inteiros, gerando ainda mais calor e criando um ciclo de retroalimentação.

Sailor ressalta que os resultados obtidos até agora podem ser conservadores: “À medida que realizarmos mais medições em diferentes condições atmosféricas, acredito que veremos impactos ainda mais significativos”. Pesquisas paralelas, ainda não publicadas, sugerem que data centers podem criar ilhas de calor com alcance de até 10 quilômetros.

Com a construção de novos data centers próximos a cidades vulneráveis ao calor extremo, compreender e mitigar seus efeitos sobre as temperaturas locais será muito importante, lembrando que problemas similares devem ocorrer no Brasil: na grande São Paulo está se instalando um dos 10 maiores data centers do mundo. (ecodebate)

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