A sucessão de ondas de calor
extrema na Europa em 2026 — após os meses de junho e julho mais quentes já
documentados pelo observatório Copernicus — ameaça custar cerca de €$ 180 bilhões à economia regional, o equivalente a 1% do
PIB, forçando governos e indústrias a adotarem restrições severas de consumo e
de infraestrutura.
Impactos Setoriais e
Econômicos
• Produtividade e Indústria:
Queda acentuada no rendimento do trabalho ao ar livre e em fábricas sem
refrigeração adequada.
• Energia e Logística: Níveis
críticos em rios importantes, como o Reno, dificultam o transporte de
matérias-primas e comprometem a refrigeração de usinas nucleares.
• Turismo e Agricultura:
Cancelamentos de viagens e perdas drásticas em lavouras devido à seca severa
que assola o sul e o centro do continente.
Medidas de Adaptação
• Emergência Energética:
Estados de alerta declarados e pedidos de redução voluntária ou obrigatória de
eletricidade e gás.
• Infraestrutura Urbana:
Fechamento temporário de escolas, restrições de velocidade em ferrovias devido
à dilatação dos trilhos e alertas vermelhos em grandes cidades.
Já tensionada por tarifas dos EUA e guerra no Oriente Médio, temperaturas escaldantes podem custar à economia €$ 180 bilhões.
Pessoas se refrescam perto da fonte da Trafalgar Square
As temperaturas escaldantes
estão forçando medidas drásticas na Europa, onde ondas de calor sucessivas
pressionam uma economia já sob pressão das tarifas dos EUA, da concorrência
chinesa e dos preços mais altos de energia em razão da guerra no Irã.
A Nuclearelectrica, produtora
nuclear estatal da Romênia, começou a desconectar seu único reator operacional
da rede elétrica devido aos níveis recordes de baixa das águas do Danúbio,
essenciais para o resfriamento de seus equipamentos, confirmou a empresa à CNN.
O país declarou estado de
emergência energética durante todo o mês de agosto e pediu a empresas e
residências que reduzissem voluntariamente o consumo, informou a Reuters.
Em outros países, França e
Hungria tiveram de reduzir a produção nuclear devido aos baixos níveis dos rios
e às altas temperaturas. As condições de seca também estão alimentando
incêndios florestais devastadores e custosos, além de reduzir a produtividade
das colheitas, ameaçando elevar os preços dos alimentos.
O verão escaldante da Europa
pode custar à economia €$180 bilhões (US$208
bilhões) neste ano, ou 1% do PIB (Produto Interno Bruto, aproximadamente o
crescimento econômico total esperado para a União Europeia, segundo estimativa
do Triodos Bank, com sede nos Países Baixos.
"A queda na
produtividade do trabalho provavelmente terá o maior impacto econômico, ao lado
das perturbações na agricultura, energia e transporte", afirmou o banco em
relatório divulgado.
Grandes extensões da Europa
enfrentam sua 5ª onda de calor do ano nesta semana, com partes da Grã-Bretanha,
França, Espanha e Itália sob alertas de calor extremo.
A mais recente onda de calor
ocorre após a Europa Ocidental registrar o junho e julho mais quentes já
documentados, de acordo com o Copernicus, o monitor climático da União
Europeia. Em Paris, o calor extremo levou a Torre Eiffel e o Louvre a fecharem
mais cedo em alguns dias.
Embora alguns analistas
duvidem que o calor terá um impacto significativo no crescimento econômico
neste ano, apontando para a melhora na confiança empresarial em julho e o aumento
do PIB no primeiro semestre, o clima quente não é a única ameaça econômica.
Os europeus também enfrentam
a perspectiva de aumento nas contas de energia neste inverno, à medida que os
preços do gás natural O preço dos contratos futuros de referência de gás
natural foi negociado próximo aos níveis mais altos desde o início da guerra no
Irã nesta semana, e quase o dobro do registrado no mesmo período do ano
passado.
A guerra no Oriente Médio
tornou as cargas mais escassas e, consequentemente, mais caras, aumentando as
perspectivas de uma nova crise energética.
O calor intenso também elevou
a demanda por ar-condicionado, impulsionando o consumo de gás natural em um
momento em que os estoques precisam ser reabastecidos antes do inverno.
O Danúbio não é a única
hidrovia europeia crítica que está secando em consequência de uma seca
prolongada.
Na Alemanha, maior economia
da Europa, os níveis recordes de baixa do Rio Reno — uma importante rota de
transporte para produtos industriais como aço e produtos químicos — podem
reduzir em 0,3 ponto percentual o crescimento do PIB do país neste ano, segundo
economistas do banco pan-europeu ING.
Isso seria um golpe pesado
para uma economia que cresce menos de 1% ao ano.
A BASF, gigante alemã do
setor químico, afirmou que pode ser incapaz de cumprir pedidos de alguns
compostos químicos porque os baixos níveis de água do Reno restringiram o
fornecimento de certas matérias-primas essenciais.
"Estamos… transferindo
volumes para modais alternativos de transporte, como caminhões e
ferrovias", disse a empresa à CNN, observando que também está utilizando
um número maior de embarcações especificamente projetadas para navegar em águas
rasas.
Vários estados alemães
suspenderam temporariamente as proibições de circulação de caminhões aos
domingos em um esforço emergencial para mitigar a perturbação na cadeia de
suprimentos.
A Comissão Europeia afirmou no início deste ano que os estados-membros da UE deveriam investir cerca de €$ 70 bilhões (US$ 81 bilhões) por ano até 2050 em adaptação climática — gastos que poderiam impulsionar as economias, mas que também exerceriam pressão sobre os orçamentos governamentais já sobrecarregados.
Algumas empresas já começaram
a se adaptar de maneiras inovadoras. Na Inglaterra, uma região notoriamente
chuvosa, a Rookery Farm, de propriedade familiar, está colhendo sua safra às 3hs para garantir que ela tenha teor de umidade suficiente.
"A colheita não é mais apenas uma questão de escapar da chuva — agora estamos nos adaptando a culturas que podem ficar secas demais, o que significa mais colheitas noturnas para atender aos padrões de qualidade exigidos pelos nossos clientes", disse a agricultora Eleanor Gilbert em um vídeo publicado no Instagram.
Altos preços de energia à frente
Enquanto a Europa enfrenta
sucessivas ondas de calor, ela também se depara com a perspectiva de uma crise
energética no inverno.
Os níveis de armazenamento de gás em toda a UE estavam 59% cheios, de acordo com dados do Gas Infrastructure Europe — bem abaixo da média para esta época do ano e em linha com os níveis observados durante o verão de 2021, quando a Rússia havia começado a restringir as exportações para o continente.
"Estou muito preocupada", disse Anne-Sophie Corbeau, pesquisadora do Center on Global Energy Policy da Columbia University, sobre a capacidade da UE de repor os estoques reduzidos.
"Houve muito poucos
carregamentos… saindo pelo Estreito de Hormuz. Todos eles estão indo para a
Ásia", ela disse à CNN.
O verão é a época de pico na Europa para o abastecimento de gás antes dos meses mais frios do inverno, quando os preços costumam ser consideravelmente mais altos. No entanto, o Estreito de Hormuz ainda está efetivamente fechado, bloqueando ⅕ do fornecimento mundial de gás natural liquefeito — uma forma líquida do combustível transportada por navios-tanque.
Os carregamentos restantes,
como os provenientes dos Estados Unidos, também têm maior probabilidade de se
dirigir à Ásia do que à Europa, dizem analistas, porque a demanda lá é
particularmente forte e os compradores estão pagando mais.
Mas isso "não é uma
crise de '22'", disse Christoph Halser, analista sênior de pesquisa de gás
e GNL da Rystad Energy, referindo-se aos históricos picos de preços naquele ano
na Europa após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia.
Desde então, o continente
reduziu significativamente suas importações do gás de Moscou — a maior parte
das quais chegava por gasodutos — além de ter reduzido seu consumo geral.
"A demanda de gás na
Europa hoje é aproximadamente 20% menor do que, digamos, em 2021", disse
Halser à CNN.
Massimo Di Odoardo,
vice-presidente de pesquisa de gás e GNL da Wood Mackenzie, também está
confiante de que a Europa evitará um cenário grave de escassez de energia e
apagões.
O preço do contrato de
referência de gás natural da Europa fechou a €$61 ($70) por megawatt-hora, bem acima dos €$32 ($37) registrados no mesmo dia em 2025, de acordo
com dados da Intercontinental Exchange.
Durante o inverno, "a
Europa deveria estar realmente preocupada com uma situação em que o Estreito de
Hormuz não seja aberto, pois isso certamente poderia resultar em preços extremamente
altos", disse Di Odoardo. (cnnbrasil)





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