sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

País mais populoso do mundo e sem água potável

Futuro da Índia: o país mais populoso do mundo e sem água potável.
“Precisamos nos preocupar com a explosão populacional” - Narendra Modi, 15/08/2019.
A população indiana era de 376 milhões de habitantes em 1950, representando 14,8% da população mundial de 2,5 bilhões de habitantes, ficando atrás apenas da população chinesa que era de 554 milhões de habitantes. No ano 2000, a China chegou a 1,29 bilhão de habitantes, e a Índia chegou a 1,1 bilhão, representando 17,2% da população mundial de 6,1 bilhões de habitantes. Na segunda metade do século XX, a população da Índia cresceu em ritmo superior ao ritmo de crescimento da população da China e da média mundial.
Atualmente, a Índia está perto de se tornar o país mais populoso do mundo. Segundo as projeções médias da Divisão de População da ONU, a Índia deve ultrapassar a China em 2027, quando a primeira deve estar com 1,47 bilhão e a segunda com 1,46 bilhão de habitantes. A população da Índia representará 17,6% da população mundial de 8,3 bilhões de habitantes em 2027. No restante do século a população indiana continuará acima da população chinesa, mas deve crescer menos do que a média mundial. O pico da população indiana ocorrerá no ano de 2059, com 1,65 bilhão de habitantes. Em 2100, a China terá uma população de 1,06 bilhão e a Índia 1,45 bilhão de habitantes, representando 13,3% da população global de 10,9 bilhões de habitantes.
Portanto, a Índia será o país mais populoso do mundo a partir de 2027 e, mesmo apresentando um decrescimento a partir de 2059, se manterá no topo da lista dos países com maior volume demográfico, devendo manter um montante populacional mais do que o dobro da população da América Latina e Caribe (ALC), na segunda metade do século XXI.
A economia da Índia é também uma das que mais crescem no mundo. Em 1980, o PIB indiano (em poder de paridade de compra) representava apenas 2,9% do PIB global. Mas em 2019 já representava 8,1% do PIB global. Apesar de ser um país de renda média baixa, a Índia tem conseguido reduzir a pobreza e a mortalidade infantil e tem aumentado a renda per capita e a esperança de vida.
Contudo, o crescimento demoeconômico tem ocorrido às custas do empobrecimento do meio ambiente. A Índia tem as cidades mais poluídas do mundo e os agricultores indianos sofrem com a degradação ecológica. A crise ambiental pode comprometer o futuro do país.
Um dos problemas mais sérios é a falta d’água e o estresse hídrico. Artigo de Saikat Datta, no site Asia Times (02/07/2019), mostra que a Índia está caminhando para um “apocalipse da água” e vislumbra um futuro sombrio. O autor mostra que a combinação de mudanças climáticas, más políticas e falta de governança está levando a Índia a uma crise catastrófica da água que ameaça a estabilidade no sul da Ásia.
Estudos recentes documentam que as geleiras que alimentam os rios do subcontinente indiano recuam rapidamente, enquanto o rápido esgotamento das águas subterrâneas representa um desafio existencial para a agricultura. As monções do sudoeste continuam sendo a maior fonte de água na região. As monções levam a uma combinação de fontes de água que sustentam a economia, incluindo geleiras, irrigação de superfície e água subterrânea. Mas a redundância e o excedente tem desaparecido deste sistema, outrora abundante. Em seu lugar, há escassez galopante.
Estudos científicos indicam que se a temperatura global subir 2,7º C, metade das geleiras do Himalaia desaparecerá. E se a atual taxa de aquecimento global continuar e as temperaturas subirem 6 graus centígrados, dois terços das geleiras derreterão. Isso tem implicações dramáticas para a Índia, China, Paquistão, Nepal e Bangladesh.
O artigo também mostra que se o derretimento das geleiras é uma má notícia, a perspectiva é pior quando se trata de águas subterrâneas que é a maior fonte de água no Sul da Ásia. No entanto, a maioria dos governos se recusa a aceitar isso como uma realidade. Como resultado, há uma sucessão de políticas ruins que pioraram as coisas. Estudos indicam que 21 grandes cidades indianas ficarão sem água nos próximos anos.
De fato, o estresse hídrico já está presente na realidade indiana. A Índia testemunhou inúmeras secas e dificuldades socioeconômicas nas últimas décadas, mas agora são agravadas pelas mudanças climáticas.
Matéria de Vinayak Bhat, no site The Print (06/07/2019) mostra que diversas cidades são vítimas da escassez de água, especialmente água potável. Os exemplos abaixo são realmente alarmantes:
Chennai, a capital de Tamil Nadu, a sexta maior cidade da Índia, vive momentos dramáticos. Imagens de satélite do mesmo dia com um ano de intervalo – 15 de junho de 2018 e 2019 – são a prova do problema. O nível da água no lago Puzhal, um reservatório alimentado pela chuva que contribui para o fornecimento de água potável à cidade, apresenta um forte contraste entre dois momentos no tempo.
A cidade de Bhopal, no centro da Índia, situada no cinturão de ondas de calor, tem seus níveis de água se esgotando extraordinariamente rápido, agravado devido ao gerenciamento inadequado da água. O lago Bhojtal, conhecido como Upper Lake, é uma das principais fontes de água da cidade. O lago está espalhado por 2.400 hectares e pode armazenar mais de 360 bilhões de litros de água a uma profundidade média aproximada de 15m. Mas as imagens de satélite tiradas em maio de 2017 e junho de 2019 mostram a diferença alarmante nos níveis de água do lago que, agora, mal cobre 700 hectares.
A cidade de Latur, que fica na região de Marathwada, em Maharashtra, está uma das regiões mais secas da Índia. As imagens do lago Kava (que é alimentado pela chuva), de junho de 2018 e 2019, mostram o quão ruim a situação ficou com a crise hídrica. O lago, com 80 hectares, secou completamente, e a única opção para os cidadãos é a água fornecida pelos trens.
O maior lago de Bengaluru, Bellandur, faz parte do sistema de drenagem da cidade. Imagens de satélite a partir de 2001 indicam como a invasão reduziu o tamanho do lago Bellandur. Ele costumava cobrir mais de 1.000 hectares, mas agora está reduzido para cerca de 40 hectares.
Os climatologistas preveem um cenário mais dramático no futuro. No verão de 2019, a Índia foi atingida por uma onda de calor e as temperaturas ultrapassaram 50ºC no norte do país. Pelo menos 100 pessoas morreram devido às temperaturas excessivas. Neste ritmo, várias partes do país podem ficar inabitáveis e sem água, pois está cada vez mais difícil conciliar o crescimento demoeconômico com a preservação do meio ambiente.
A Índia já é o terceiro maio emissor de gases de efeito estufa (GEE), atrás da China e dos Estados Unidos. Na próxima década emitirá mais do que todos os países juntos da União Europeia e pode ultrapassar os EUA. Na Cúpula da Ação Climática da ONU, ocorrida entre 21 e 23 de setembro de 2019, o país não se comprometeu com a emissão líquida zero de GEE até 2050, pois embora esteja investindo muito em energias renováveis, também continua investindo nas indústrias altamente poluidoras de carvão.
A Índia já teve uma das civilizações mais importantes da história. O país tenta voltar a ser protagonista no cenário internacional e tenta dar um salto no desenvolvimento, melhorando a qualidade de vida para os seus habitantes. Mas a crise hídrica e a degradação ambiental já estão impactando as taxas de crescimento econômico e podem inviabilizar o sonho de uma Índia prospera e sem pobreza no futuro. (ecodebate)

62% dos esgotos e resíduos humanos são gerenciados de maneira insegura

Estudo do WRI aponta que, em média, 62% dos esgotos e resíduos humanos são gerenciados de maneira insegura.
Saneamento seguro e acessível, ainda um sonho para muitos lares no Sul global.
Nova pesquisa constata que quase dois terços do esgoto e dos resíduos humanos de 15 grandes cidades do mundo são administrados de maneira insegura, agravando a crise do saneamento urbano.
A população urbana que carece de serviços de saneamento gerenciados com segurança em todo o mundo aumentou de 1,9 bilhão em 2000 para 2,3 bilhões em 2015, gerando um custo de US $ 223 bilhões por ano em despesas com saúde e perda de produtividade e salários. De acordo com uma nova pesquisa do WRI Ross Center for Sustainable Cities, o problema é ainda mais grave do que se imagina, principalmente para famílias de baixa renda em áreas urbanas densas, cujas necessidades são frequentemente negligenciadas.
O novo estudo do WRI Ross Center, Untreated and Unsafe: Solving the Urban Sanitation Crisis in the Global South, constata que, em média, 62% dos esgotos e resíduos humanos são gerenciados de maneira insegura em vários pontos da cadeia de serviços de saneamento em 15 cidades no hemisfério sul. O acesso ao saneamento é geralmente mais baixo no sul da Ásia e na África subsaariana. Em três cidades – Colombo, Sri Lanka; Caracas, Venezuela; e Karachi, Paquistão – os pesquisadores descobriram que 0% do lixo humano era gerenciado com segurança. Para resíduos humanos especificamente, 5 das 15 cidades não possuíam regulamentos de gestão em vigor.
Os resíduos que não são adequadamente contidos, transportados, tratados, reutilizados ou descartados afetam toda a cidade, pois a contaminação pode se espalhar através da água poluída, alimentos e moscas. Nas 15 cidades estudadas, as famílias que não tinham condições de se conectar a um sistema de esgoto, ou onde não havia sistema de esgoto disponível, construíram soluções de saneamento no local (fossas sépticas e latrinas) ou contavam com métodos inseguros. Muitos usavam drenos auto fornecidos para despejar resíduos humanos não tratados ou parcialmente tratados em drenos pluviais e cursos de água. Em alguns casos, os residentes recorriam à defecação a céu aberto. As cidades incluem Bengaluru, Índia; Caracas, Venezuela; Cochabamba, Bolívia; Colombo, Sri Lanka; Daca, Bangladesh; Kampala, Uganda; Karachi, Paquistão; Lagos, Nigéria; Maputo, Moçambique; Mumbai, índia; Mzuzu, Malawi; Nairobi, Quênia; Rio de Janeiro, Brasil; Santiago de Cali, Colômbia; e São Paulo, Brasil.
“Nenhuma cidade pode ser saudável ou ter sucesso em longo prazo sem fornecer a seus habitantes acesso universal a serviços de saneamento seguros e acessíveis”, disse David Satterthwaite, principal autor e pesquisador sênior do Instituto Internacional para Meio Ambiente e Desenvolvimento. “Mas a questão recebeu muito pouca atenção da maioria dos governos e agências de ajuda, especialmente para as áreas urbanas mal atendidas”.
A análise do WRI também descobriu que, ao contrário da percepção popular, as alternativas locais de acesso ao esgoto – fossas sépticas e latrinas – não são necessariamente menos caras para as famílias do que as conexões de esgoto, especialmente quando se considera toda a cadeia de serviços. Por exemplo, as latrinas exigem esvaziamento regular, um serviço inacessível para famílias de baixa renda. Para evitar isso, os moradores deixam os poços “inundarem”, contaminando a água potável ou contratam trabalhadores manuais mais baratos que jogam lixo humano não tratado em cursos d’água próximos, em terras agrícolas ou em outros lugares. Às vezes, o custo inicial de instalação das instalações no local está fora do alcance dos moradores de baixa renda. Para um assentamento informal em Lagos, os pesquisadores descobriram que a construção de uma latrina ventilada custa mais de 600% da renda média mensal de uma família.
Assim como no acesso à água, os indicadores globais comumente usados ​​subestimaram a falta de acesso ao saneamento em áreas urbanas densas, particularmente o aspecto da acessibilidade das famílias. Os métodos considerados como “saneamento melhorado”, como latrinas privadas, não são apenas menos econômicos para as famílias do que se pensava inicialmente, mas também não são apropriados para assentamentos densamente povoados. Em Dhaka, Bangladesh, a cidade mais densamente povoada da amostra deste estudo, 75% das famílias dependem de fossas sépticas, muitas das quais vazam e não são construídas de acordo com os padrões de segurança.
Embora os indicadores não tenham sido projetados especificamente para áreas urbanas, não existem muitas alternativas melhores. Isso resultou em uma ênfase excessiva nas soluções de saneamento que nem sempre se encaixam nas cidades do sul global – incluindo as soluções de alta tecnologia e baseadas no mercado que muitos investidores depositaram suas esperanças. A pesquisa do WRI constata que, em áreas urbanas densas, são necessários investimentos e regulamentação do setor público para resolver a crise de saneamento.
Por muito tempo, os formuladores de políticas urbanas e os governos fecharam os olhos para o problema do lixo humano não tratado nas cidades e fingiram, por ser tratado pelas famílias e fora da vista, que o problema foi resolvido”, disse Victoria A. Beard, co-autor, pesquisador do WRI Ross Center for Sustainable Cities e professor de planejamento urbano e regional da Universidade de Cornell. “Mas o fato é que isso representa um enorme risco à saúde pública, além de um empecilho para a economia”.
O que as cidades podem fazer? As evidências sugerem quatro ações específicas que podem ser empreendidas em cidades emergentes e em dificuldades na América Latina, Ásia e África Subsaariana para melhorar o acesso seguro ao saneamento para os sub-atendidos urbanos:
Ampliar a rede de esgotos para banheiros domésticos, comunitários e públicos. Os sistemas de esgoto exigem grandes investimentos de capital e suprimentos diários de água para funcionar adequadamente, mas reduzem a responsabilidade e o custo dos serviços de saneamento sob a perspectiva de indivíduos e famílias.
Na ausência de sistemas de esgoto, apoiar e regular as opções de saneamento no local, como fossas sépticas e latrinas. As cidades devem considerar essas opções como abordagens de curto e médio prazo para o fornecimento de saneamento, enquanto estabelecem as bases para soluções externas, como conexões de esgoto.
Apoiar a melhoria participativa em toda a cidade de assentamentos informais que atendam à necessidade de serviços de saneamento. O governo de Mumbai, por exemplo, apoiou o trabalho de Mahila Milan (a federação de grupos de poupança de moradoras de favelas) para estabelecer o gerenciamento comunitário de banheiros públicos, fornecendo instalações aprimoradas para meio milhão de residentes.
Tornar uma variedade de serviços de saneamento mais acessíveis para famílias de baixa renda. Isso inclui subsidiar o custo de uma conexão de esgoto para banheiros domésticos, comunitários e públicos e subsidiar os custos de um gerenciamento seguro de saneamento no local.
Para tornar essas ações em realidade, as cidades e as autoridades sanitárias precisam de dados sanitários desagregados e acessíveis para galvanizar e informar as ações. Eles também precisam aprimorar a capacidade regulatória e financeira e estabelecer incentivos para incentivar e reforçar a contenção, transporte, tratamento e reutilização ou descarte seguro de resíduos humanos.
A falta generalizada de acesso a saneamento urbano seguro é um risco para a saúde pública, o meio ambiente e a economia global, custando US $ 223 bilhões anualmente e crescendo. As soluções abrangentes são estimadas em menos de US $ 300 bilhões. Este é um problema solucionável, mas precisamos agir agora”, disse Ani Dasgupta, diretora global do WRI Ross Center for Sustainable Cities.
O documento de trabalho faz parte do Relatório de Recursos Mundiais: Towards a More Equal City, uma série de documentos de pesquisa e estudos de caso que examinam se o acesso equitativo aos principais serviços e infraestrutura urbana, como moradia, água, energia e transporte, leva a cidades economicamente mais produtivas e ambientalmente sustentáveis. (ecodebate)

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Estudo aponta impactos das mudanças climáticas em DF, GO e MG

Estudo técnico aponta impactos das mudanças climáticas em DF, Goiás e Minas Gerais.
A partir de modelagens brasileiras e internacionais, estudo apontou diferentes cenários impostos pelas mudanças climáticas até 2100, como tendência de elevação da temperatura, umidade relativa do ar mais baixa, menor quantidade de chuvas, entre outros.
De acordo com Chou Sin Chan, coordenadora técnica do estudo, a baixa umidade no Distrito Federal deve ser agravada nas próximas décadas. “A tendência é de redução da umidade relativa do ar dos atuais 35% a 55% para 20% a 45% no final do século”.
O documento é parte de projeto coordenado por Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações em Parceria com Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
Vista aérea de Brasília.
A Secretaria do Meio Ambiente do Distrito Federal apresentou dia 06/12/19 em Brasília estudo técnico com projeções climáticas para o Distrito Federal, 29 municípios de Goiás e quatro de Minas Gerais. A análise foi apresentada a representantes da academia, de órgãos do Governo do Distrito Federal (GDF) e da sociedade civil.
A partir de modelagens brasileiras e internacionais, o estudo apontou diferentes cenários impostos pelas mudanças climáticas até 2100, como tendência de elevação da temperatura, umidade relativa do ar mais baixa, menor quantidade de chuva concentrada em períodos mais curtos, mais tempestades e estação seca mais prolongada. A pesquisa também considerou nove bacias hidrográficas inseridas na região.
Realizado pelo Centro de Gestão de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (CGPDI), com supervisão da SEMA-GDF, o estudo integra o projeto CITinova, coordenado nacionalmente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
“É uma das entregas muito importante do CITinova, que tem essa intenção de promover estudos e inovações que auxiliem gestores na tomada de decisões na perspectiva de cidades sustentáveis”, afirmou Alexandra Reschke, coordenadora técnica do projeto.
Acompanhado da atualização do inventário de emissões de gases de efeito estufa no DF, esse trabalho irá subsidiar a elaboração da estratégia de “Enfrentamento às Mudanças do Clima do Distrito Federal”, inserida nos Planos de Adaptação e de Mitigação, em desenvolvimento pela SEMA.
Presente no evento, o secretário do Meio Ambiente, Sarney Filho, destacou que o prognóstico vai possibilitar a adoção de políticas públicas voltadas para a mitigação e adaptação aos efeitos das mudanças do clima.
Ao relembrar a crise no abastecimento de água enfrentado pelo DF em 2017, o secretário afirmou que a consequência mais grave será a insegurança hídrica. “Daí a importância de sabermos os cenários que nos esperam para buscar, desde já, soluções”.
Para Rodrigo Braga, da Coordenação Geral do Clima do MCTIC, o diagnóstico é um primeiro passo para que iniciativas sejam tomadas. Esse diagnóstico irá permitir que “gestores públicos, o setor privado e a sociedade civil tenham elementos para um planejamento de longo prazo”, complementou Nazaré Soares, coordenadora técnica do projeto no âmbito da SEMA-GDF.
As projeções climáticas auxiliarão também análises como o impacto das mudanças do clima nas bacias hidrográficas, nos usos múltiplos da água, na energia, nas atividades agropecuárias e no uso do solo, dando suporte à atuação do Governo do Distrito Federal.

De acordo com Chou Sin Chan, coordenadora técnica do estudo apresentado, a baixa umidade no DF deve ser agravada nas próximas décadas. “A tendência é de redução da umidade relativa do ar dos atuais 35% a 55% para 20% a 45% no final do século”.
Para a coordenadora geral da pesquisa, Iracema Cavalcanti, uma das recomendações possíveis a partir dos resultados é a necessidade do aumento da vegetação. “Nas imagens dos mapas vemos grandes extensões com cobertura de arbustos e gramíneas, e poucas árvores”, disse.

Em relação às chuvas, os índices de precipitação mostram, com confiabilidade média a alta, uma redução na precipitação anual acumulada, um aumento do número consecutivo de dias de estiagem e uma redução do número de dias consecutivos chuvosos, comparado ao período histórico, em todas as áreas pesquisadas.
Os índices de temperatura indicam, com alta confiabilidade, uma redução no número de noites frias, aumento no número de noites quentes, redução no número de dias frios e aumento dos dias quentes. No final do século, as temperaturas poderão subir 3 graus Celsius em relação ao período histórico, entre 2 e 5°C no cenário mais otimista e entre 6 e 8°C no pior cenário.
Metodologia
A pesquisa regionalizou os resultados de quatro modelos climáticos globais (MIROC5, HadGEM2-ES, CanESM2 e BESM) por meio do modelo Eta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Foram também utilizados dois cenários de emissão de gases de efeito estufa, propostos pelo IPCC no seu Quinto Relatório: RCP4.5 e RCP8.5, com análises para três períodos futuros: 2011 a 2040, 2041 a 2070 e, 2071 a 2099.
Como referência, foi utilizada a climatologia oficial do Brasil, considerando-se o período entre 1961 e 1990 e as variáveis meteorológicas de temperatura do ar, precipitação, vento, umidade relativa e radiação solar à superfície terrestre. A resolução espacial utilizada variou de 20 a 5 km para toda a região o que, em termos de estudos de clima, representa altíssima resolução.
CITinova é um projeto multilateral realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), com apoio do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), implementação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), e executado em parceria com Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES) e Porto Digital, em Recife; Secretaria do Meio Ambiente (SEMA/GDF), em Brasília; Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e Programa Cidades Sustentáveis (PCS). (ecodebate)

11 mil cientistas alertam para “sofrimento incalculável”

Emergência climática. 11 mil cientistas alertam para “sofrimento incalculável”.
Numa carta aberta, publicada na revista “BioScience”, os especialistas afirmam que “as alterações climáticas estão a evoluir mais depressa do que muitos cientistas esperavam”.
Onze mil cientistas de 153 países juntaram-se para declarar emergência climática no planeta Terra e para alertar para o “sofrimento humano incalculável” que nos espera se as pessoas não mudarem o seu estilo de vida.
Ativistas pelo clima continuam a fazer-se ouvir em todo o mundo.
Na carta, publicada esta terça-feira na revista “BioScience”, os cientistas afirmam que “as alterações climáticas já chegaram e estão a evoluir mais depressa do que muitos cientistas esperavam”.
“A crise climática é mais grave do que se antecipava e ameaça ecossistemas naturais e o futuro da humanidade. Para assegurar um futuro sustentável, temos de mudar a forma como vivemos e isso envolve grandes mudanças na forma como a sociedade global funciona e interage com os ecossistemas naturais”, lê-se na missiva.
A carta tem por base os dados científicos que foram estabelecidos pela primeira vez na Conferência Mundial do Clima em Genebra, 1979.
“Não obstante 40 anos de negociações globais ao mais alto nível, continuamos a viver como se nada fosse e não estamos a resolver esta crise”, diz William Ripple, professor de ecologia na Universidade de Oregon, que encabeça a carta.
Os especialistas dizem ter a obrigação moral de “avisar a humanidade para a ameaça catastrófica” que as alterações climáticas representam e “dizer as verdades”, afirmando “clara e inequivocamente que o planeta Terra está a enfrentar uma emergência climática”.
Na missiva, os cientistas lamentam ainda que as emissões de dióxido de carbono continuem a aumentar em todo o mundo e avisam que serão necessárias mudanças radicais nos estilos de vida para poder contrariar esta tendência. (envolverde)

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Emissões de CO2 nos 3 países mais poluidores do mundo

Emissões de CO2, por área territorial, nos 3 países mais poluidores do mundo.
“A estabilidade e a resiliência do nosso planeta estão em perigo” - Timothy Lenton (27/11/2019).
O mundo vive uma emergência planetária em decorrência do caos climático e das mudanças ambientais descontroladas. A temperatura da Terra já subiu mais de 1º C desde o início da Revolução Industrial e o ritmo do aquecimento global tem se acelerado, prenunciando um grande desastre ecossocial nas próximas décadas.
O que provoca o aumento do aquecimento global é a elevação da concentração de gases de efeito estufa. A concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera aumentou de aproximadamente 277 partes por milhão (ppm) em 1750, no início da era industrial, para cerca de 410 ppm em 2019. As emissões globais de CO2 estavam em 2 bilhões de toneladas em 1900, passaram para 6 bilhões de toneladas em 1950, chegaram a 25 bilhões de toneladas no ano 2000 e atingiram 36 bilhões de toneladas em 2017.
Os 3 países que mais emitem dióxido de carbono são também os 3 países mais populosos do mundo: China, Índia e Estados Unidos da América (EUA). Historicamente, os EUA lideram a lista dos países que mais poluíram ao longo do tempo, a China assumiu a ponta das emissões anuais totais a partir de 2006 e a Índia passou a ter as maiores taxas de crescimento das emissões na atual década.
Durante todo o século XX, os EUA emitiam mais CO2 em quantidade total, em termos per capita e em termos de área. Porém, o quadro mudou no século XXI. Em 2017, a China emitiu 9,7 bilhões de toneladas de CO2, os EUA emitiram 5,3 bilhões e a Índia 2,4 bilhões de toneladas. Em termos per capita, em 2017, os EUA emitiam cerca de 16 toneladas por habitante, a China 7 toneladas e a Índia 2 toneladas por habitante. Em termos de emissões por área, a China emitiu 1.011 toneladas de CO2 por km2, a Índia 723 toneladas por km2 e os EUA emitiram 567 toneladas de CO2 por km2, conforme mostra o gráfico abaixo. Ou seja, a Índia ultrapassou os EUA nas emissões de CO2 por unidade territorial.
Segundo relatório da BP Statistical Review of World Energy (2019), China, EUA e Índia são os três maiores produtores de carvão mineral, com produção, em 2018, respectivamente de 1829, 365 e 308 milhões de toneladas. Em termos de produção de carvão por área, a China (área de 9,6 milhões de km2) produz 191 toneladas por km2, a Índia (área de 3,3 milhões de km2) produz 94 toneladas por km2 e os EUA (área de 9,4 milhões de km2) produzem 39 toneladas por km2.
Matéria da BBC (4/11/2019) mostra que a qualidade do ar em Nova Delhi é tão ruim que inviabiliza várias atividades. Além das doenças respiratórias, diversos voos são desviados nos momentos mais críticos, as escolas cancelam as aulas, os moradores são aconselhados a evitar atividades físicas ao ar livre, os habitantes são incentivados a usar máscaras, etc. Os níveis de poluição da Índia – que possui grandes megacidades com alta densidade demográfica – são altamente prejudiciais à saúde.
Portanto, a Índia – que deve ultrapassar a China como o país mais populoso do mundo na próxima década – está se tornando uma grande fonte de poluição nacional e global. A Índia sempre teve uma emissão de CO2 per capita muito baixa, mas na medida em que a economia e a população crescem o nível total de poluição fica volumoso e altamente danoso, agravando sobremaneira o quadro geral das mudanças climáticas.
O fato é que a estabilidade e a resiliência do nosso planeta estão em perigo como mostra artigo publicado na revista Nature (Lenton et. al. 27/11/2019). Os autores consideram que os seres humanos estão ignorando o risco crescente de pontos de inflexão que, se ultrapassados, poderiam levar o sistema climático a um novo estado, potencialmente tornando a Terra tão quente que seria progressivamente inabitável. Há um risco maior de que as “mudanças bruscas e irreversíveis” no sistema climático possam ser desencadeadas com aumentos de temperatura global menores do que se pensava há alguns anos. O estudo considera que não se trata apenas de um pouco mais de calor, mas sim um processo em cascata que já está, ou pode ficar, fora de controle.
Pouco antes da realização da 25ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (COP25), um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) afirmou que as emissões globais de gases de efeito estufa avançaram em média 1,5% por ano na atual década e precisam cair 7,6% ao ano entre 2020 e 2030, ou o mundo perderá a oportunidade de entrar na trajetória rumo à meta do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura em até 1,5°C.
Uma notícia auspiciosa, anunciada durante a COP25, é que a União Europeia (UE) pretende realizar uma ampla iniciativa ambiental voltada para a criação do primeiro continente do mundo neutro em carbono até 2050. O plano aborda tudo que vai de regras de ajuda estatal, política industrial ecológica e um imposto de carbono para importações. Mas a COP25 foi um fracasso e procrastinou as soluções para a COP26 que acontecerá em Glasgow, em 2020.
O mundo precisa ter emissões líquidas zero e, principalmente, os 3 maiores poluidores (China, EUA e Índia) precisam fazer um esforço especial. Todos os países precisam reduzir as suas emissões, assim como todas as nações precisam contribuir com o esforço de mitigação do aquecimento global.
Atualmente, são os países pobres (como a Índia) ou países de renda média (como a China) que possuem as maiores taxas de emissão de CO2, pois precisam crescer para reduzir a pobreza.
Contudo, não dá para manter o ritmo insustentável do atual modelo de produção e consumo do mundo e nem ficar sufocado pelo crescimento desregrado. Para reduzir a pobreza é preciso focar mais na desigualdade e em meios de produção mais amigáveis com a natureza. O decrescimento demoeconômico global é fundamental para reduzir as emissões de CO2 e para reduzir a pegada ecológica mundial.
Os 3 países mais populosos e mais poluidores precisam fazer sua parte e dar exemplo para o resto do mundo. Infelizmente, eles fizeram pouco para que a COP25 tomasse medidas concretas para reduzir as emissões globais. Todavia, garantir a resiliência do Planeta é uma questão de vida ou morte! (ecodebate)

Florestas secundárias estão mais fragmentadas e isoladas das florestas primárias

Amazônia: As florestas secundárias estão cada vez mais fragmentadas e isoladas das florestas primárias restantes.
O crescimento da floresta secundária na Amazônia é muito mais lento do que se pensava.
O novo crescimento das florestas amazônicas após o desmatamento pode acontecer muito mais lentamente do que se pensava anteriormente, mostra um novo estudo.
As descobertas podem ter impactos significativos nas previsões de mudanças climáticas, já que a capacidade das florestas secundárias de absorver carbono da atmosfera pode ter sido superestimada.
O estudo, que monitorou o crescimento da floresta ao longo de duas décadas, mostra que as mudanças climáticas e a perda maior de florestas podem estar prejudicando o crescimento da Amazônia.
Ao retirar grandes quantidades de carbono da atmosfera, as florestas que cresceram após o desmatamento – comumente chamadas florestas secundárias – foram consideradas uma ferramenta importante no combate às mudanças climáticas causadas pelo homem.
No entanto, o estudo de um grupo de pesquisadores brasileiros e britânicos mostra que, mesmo após 60 anos de rebrota, as florestas secundárias estudadas retinham apenas 40% do carbono em florestas que não haviam sido perturbadas por seres humanos. Se as tendências atuais continuarem, levará mais de um século para que as florestas se recuperem completamente, o que significa que sua capacidade de ajudar a combater as mudanças climáticas pode ter sido superestimada.
O estudo, publicado na revista Ecology, também mostra que as florestas secundárias retiram menos carbono da atmosfera durante as secas. No entanto, as mudanças climáticas estão aumentando o número de anos de seca na Amazônia.
O primeiro autor Fernando Elias, da Universidade Federal do Pará, explicou: “A região que estudamos na Amazônia registrou um aumento na temperatura de 0,1°C por década e o crescimento das árvores foi menor durante os períodos de seca. Com previsões de mais secas no futuro, devemos ser cautelosos quanto à capacidade das florestas secundárias de mitigar as mudanças climáticas. Nossos resultados destacam a necessidade de acordos internacionais que minimizem os impactos das mudanças climáticas”.
Além de ajudar a combater as mudanças climáticas, as florestas secundárias também podem fornecer um habitat importante para as espécies ameaçadas. No entanto, os pesquisadores descobriram que os níveis de biodiversidade nas florestas secundárias eram apenas 56% daqueles observados nas florestas locais não perturbadas, sem aumento na diversidade de espécies durante os 20 anos de monitoramento.
Muitos países fizeram grandes promessas de reflorestamento nos últimos anos, e o Brasil se comprometeu a restaurar 12 milhões de ha de floresta sob o acordo climático de Paris. Tomados em conjunto, esses resultados sugerem que essas grandes promessas de restauração florestal precisam ser acompanhadas por ações mais firmes contra o desmatamento de florestas primárias e uma consideração cuidadosa sobre onde e como reflorestar.
A pesquisa foi realizada em Bragança, Brasil, a mais antiga região de fronteira de desmatamento da Amazônia que perdeu quase toda a sua cobertura florestal original.
A bióloga Joice Ferreira, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, disse: “Nosso estudo mostra que em áreas fortemente desmatadas, a recuperação florestal precisa de apoio e investimento adicionais para superar a falta de fontes de sementes e de animais dispersadores de sementes. Isso é diferente de outras áreas que estudamos, nas quais o desmatamento histórico é muito menor e as florestas secundárias se recuperam muito mais rapidamente sem nenhuma intervenção humana”.
Jos Barlow, professor de ciências da conservação no Lancaster Environment Center, destaca a necessidade de mais estudos de longo prazo. Ele disse: “As florestas secundárias são cada vez mais difundidas na Amazônia, e seu potencial de mitigação das mudanças climáticas as torna de importância global. São necessários mais estudos de longo prazo como o nosso para entender melhor a resiliência florestal secundária e direcionar a restauração às áreas que mais farão para combater as mudanças climáticas e preservar a biodiversidade”. (ecodebate)

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Arborização urbana levam em conta desenvolvimento sustentável

Arborização urbana: variáveis a levar em conta para um desenvolvimento sustentável.
A arborização urbana gera benefícios ambientais e sociais e contribui para uma melhoria da qualidade de vida da população dos centros urbanos. Por falta de um planejamento, o plantio de árvores em vias públicas tem gerado problemas a moradores, tais como o confronto com equipamentos urbanos, como rede elétrica, de esgoto, de água, dentre outros. A partir de tal fato o objetivo desta discussão é analisar variáveis a partir de pesquisas em artigos com relação ao tema “Arborização Urbana”. Após a elaboração da pesquisa foi possível observar que inúmeros são os benefícios trazidos pela arborização urbana, porém, é fundamental que a mesma seja feita com base em planejamentos, pois não são todos os tipos de árvores que devem ser destinados ao espaço urbano, pois assim, evitam-se problemas e é possível construir um desenvolvimento sustentável.
Introdução
A arborização exerce função importante nos centros urbanos, sendo responsável por uma série de benefícios ambientais e sociais que melhoram a qualidade de vida nas cidades e a saúde física e mental da população. Arborizar uma cidade não significa apenas plantar árvores em ruas, jardins e praças, criar áreas verdes de recreação pública e proteger áreas verdes particulares. A arborização urbana passa a ser vista nas cidades como importante elemento natural reestruturador do espaço urbano, pois aproxima as condições ambientais normais da relação com o meio urbano (RIBEIRO, 2009).
Dentro de um percurso de tempo não muito distante o homem vem permutando o meio rural pelo meio urbano. As cidades foram crescendo, na maioria das vezes de forma muito rápida e desordenada, sem um planejamento prévio adequado, ocasionando, com isso, uma série de problemas que interferem significativamente na vida dos seus habitantes (PIVETTA; SILVA FILHO, 2002). Essa realidade demanda ao meio urbano necessidades de criar condições que venham melhorar a convivência dentro de um ambiente cada vez mais adverso e insalubre, com uma variedade de atividades que nesses lugares se desenvolvem. O regime de chuva e a temperatura podem sofrer alterações, devido à atividade humana desenvolvida que tem causado profundas mudanças no clima local (GONÇALVES et al., 2012).
A qualidade de vida dos habitantes de uma cidade é interferida com o processo de mudanças ocorrido com a sua urbanização (MODNA; VECCHIA, 2003). Tais mudanças têm relação principalmente com a qualidade do ar, nas quais têm provocado alterações de sua umidade relativa, temperatura e movimento, como também a dispersão de poluentes (ROCHA; SOUZA, 2009).
É preciso considerar que a arborização de uma cidade promove que suas temperaturas sejam mais amenas se comparado com as que não possuem muitas árvores e tem muito concreto ao longo de suas ruas. (BONAMETTI (2000). Muitos benefícios são descritos pelos moradores de locais bem arborizados, principalmente em relação ao ar mais puro, a menor quantidade de poeira e ainda a presença das sombras, tanto para descanso das pessoas, como ainda para a proteção dos carros. Mesmo com esses atributos positivos em uma cidade bem arborizada, tem aqueles que vêem com mais ênfase os problemas, entre outros que as árvores fazem muita sujeira nas ruas e calçadas, reduz a iluminação pública, podem provocar problemas nas calçadas devido suas raízes, e pode também causar problemas com a rede elétrica e telefônica (CABRAL, 2013).
Schuch (2006) salienta que para a arborização urbana propiciar benefícios à população, exige um planejamento criterioso e um manejo adequado. Para tanto, torna-se necessário o conhecimento do patrimônio arbóreo, que pode ser obtido por meio de inventário, recurso que se constitui em uma ferramenta fundamental para a obtenção de informações precisas acerca da população arbórea.
Diante destas problemáticas acima citadas, o trabalho tem o objetivo de levantar variáveis para que se construa um desenvolvimento sustentável, permitindo compreender como a arborização pode ser benéfica para a qualidade de vida das pessoas, desde que seja feita levando-se em consideração as características urbanas.
Metodologia
O presente artigo baseia-se na revisão bibliográfica de artigos que abordam o tema da pesquisa “Arborização Urbana e Município verde”, para melhor elaboração do projeto. Avaliando o conhecimento em pesquisas precedentes, analisando e identificando problemas relacionados aos assuntos, conceitos, benefícios sobre os temas, será possível desenvolver este artigo.
Importância da arborização
É necessário lembrar que a paisagem urbana é composta por casas comerciais, indústrias, residências, arborização e paisagismo, sistema viário, estruturas e equipamentos das empresas de energia elétrica, de água, saneamento e de telecomunicação.
De acordo com a EMBRAPA (2000), a arborização é um componente de grande importância urbana. Além da função paisagística, ela proporciona outros benefícios à população tais como: purificação do ar pela fixação de poeiras e gases tóxicos e pela reciclagem de gases através dos mecanismos fotossintéticos; melhoria do microclima da cidade, pela retenção de umidade do solo e do ar e pela geração de sombra, evitando que os raios solares incidam diretamente sobre as pessoas; redução na velocidade do vento, influência no balanço hídrico, favorecendo a infiltração da água no solo e provocando evapotranspiração mais lenta; abrigo à fauna, propiciando uma variedade maior de espécies, e o que influencia positivamente ao ambiente, pois propicia maior equilíbrio das cadeias alimentares e diminuição de pragas e agentes vetores de doenças e amortecimento de ruídos.
A arborização urbana no Brasil é de competência das administrações municipais (BONONI, 2006). Embora haja uma crescente disposição, tanto dos órgãos governamentais envolvidos, como de grande parcela da população, muitos são os problemas enfrentados, como a falta de técnicos capacitados que orientem sobre um plantio correto, escolha da espécie, poda de formação, utilização de tutores, grade de proteção, irrigação em período de estiagem e adubação.
Assim, para alcançar a qualidade do ambiente urbano é necessário realizar um planejamento prévio, para que não surjam problemas decorrentes do plantio. Análise da vegetação e do local e desenvolvimento da população são componentes a serem observados para que haja esse planejamento (CEMIG, 1996). Dessa forma é possível afirmar que a arborização deve ser a mais diversificada possível, por motivos estéticos, pela preservação da fauna e da própria biodiversidade vegetal e da cultura regional. Além disso, podem ser utilizadas espécies exóticas, mas a prioridade são as plantas nativas.
Arborização e seus benefícios
Arborização é algo muito importante para se ter uma boa qualidade de vida, ela propícia um bem-estar tanto mental como social nas cidades, esta faz parte do cenário urbano, tornando a paisagem mais bonita. De acordo com o Manuel de Arborização de Minas Gerais (2011), as árvores são a maior forma de vida existente no planeta, presentes em praticamente todos os continentes. Apresentam alto grau de complexidade e de adaptações às condições do meio, permitindo sua convivência em diversos ambientes, incluindo as cidades.
A arborização colabora de forma significativa para a melhoria do conforto urbano. É elemento de contemplação, fornecedora de flores e frutos atrativos, e centro de configuração paisagística, como ponto de referência para orientação e identificação, possibilitando a proximidade e convivência do homem com a natureza no espaço construído (PORTO; BRASIL, 2013).
As arvores proporcionam sombra, abrigo para os animais pequenos, além de fornecer seus alimentos. Retém o calor causado pelas zonas urbanas, ajuda na diminuição da poeira, ameniza a poluição sonora e contribui para redução de microrganismos patogênicos, ajudando a conservar a limpeza da cidade e a saúde da população. A complexidade da construção de uma cidade arborizada, dificulta no interesse dos serviços públicos, deixando muito a desejar, por isso, muitas cidades ainda não possuem um plano propriamente dito para o plantio e os cuidados complementares de se ter uma árvore.
A arborização constitui elemento de suma importância para a obtenção de níveis satisfatórios de qualidade de vida. No entanto, poucas cidades brasileiras possuem planejamento efetivo para arborização de suas vias públicas (FARIA; MONTEIRO; FISCH 2007).
Principais problemas da arborização
O crescimento desordenado dos centros urbanos gerou uma condição de artificialidade em relação às áreas verdes naturais e com isso vários prejuízos à qualidade de vida dos habitantes. Porém, parte desses prejuízos pode ser evitada pela legislação e controle das atividades urbanas e outra parte amenizada pelo planejamento urbano, ampliando-se qualitativa e quantitativamente a arborização de ruas e as áreas verdes (MILANO, 1987).
Como já citado anteriormente, a maioria dos problemas de arborização urbana são causados pelo confronto de árvores inadequadas com equipamentos urbanos, como fiações elétricas, encanamentos, calhas, calçamentos, muros e postes de iluminação.
Outras causas que acarretam problemas são queda de folhas, flores, frutos e galhos. Também facilitam a ação de bandidos quando atrapalham a iluminação pública e quando são plantadas perto dos muros ou cresce torta, facilitando os assaltantes subirem nas árvores para pularem para dentro das casas. Outra causa é a dificuldade no trânsito de veículos e pedestres ao obstruírem placas de orientação. Os galhos muito baixos dificultam o estacionamento de veículos e passagem dos pedestres. Estragos na calçada por raízes é outro problema em que uma muda mal plantada acarreta a população (RIBEIRO, 2009).
Arborização e a utilização das espécies nativas
A manutenção das espécies nativas é de suma importância para a preservação das mesmas e contribuem com o sucesso do funcionamento dos projetos de arborização. Segundo Ceccheto (2014), ao se utilizarem as espécies nativas regionais na arborização urbana, a coexistência e sobrevivência dessas espécies em escala local poderiam ser garantidas.
As espécies nativas possuem diversas predominâncias favoráveis em relação às exóticas, sendo algumas delas: adaptabilidade garantida ao clima e solo; melhor desenvolvimento metabólico; maiores possibilidades de produção de flores e frutos saudáveis; propicia a alimentação para animais também nativos, conservando a fauna local; promulga a proliferação da espécie, evitando a sua extinção; evita o aumento de espécies invasoras exóticas e as doenças e pragas ocasionadas pelas mesmas; além de oferecer os benefícios comuns a todos os gêneros arbóreos (CECCHETTO; CHRISTMANN; OLIVEIRA; 2014).
Além de trazer uma singularidade para a região, valorizando a paisagem construída, tornando-se atrativa para turistas. Pois com espécies nativas é mais fácil a identificação a localidade observada.
Planejamento da arborização urbana
É comum constatar-se a diminuição de vegetação natural à medida que se acelera o processo de urbanização, em face dos reflexos das políticas públicas estabelecidas pelas três esferas governamentais (Federal, Estadual e Municipal), afetando o equilíbrio ecológico urbano e contrariando os interesses de bem-estar da população (SCHUCH, 2006).
Primeiro passo para desenvolver um projeto de arborização dentro de um município, é conhecer área em questão, para que assim possa-se cogitar o tipo de espécie (tamanho, comprimento, largura) que podem ser plantadas no local, dando preferência as espécies nativas da região. Para isso, são necessários que contratem profissionais especializados, caso contrário, o que seria um lugar de tranquilidade, beleza, sombra e ventania nos períodos quentes pode vir a se tornar um lugar perigoso, devido a redes elétricas e durante período chuvoso.
A arborização deve ser incorporada à prática de planejamento urbano, levando-se em consideração os benefícios que esta proporciona à cidade e à população que nela habita, considerando, porém, o aspecto vegetativo e físico da árvore, de modo a obter o convívio harmonioso entre está e o meio urbano (PORTO; BRASIL, 2013).
Uma cidade arborizada não é tarefa fácil, exige minuciosamente um bom planejamento urbano. É indispensável uma organização de forma coerente, para que as árvores não se tornem prejudiciais as vias públicas e privadas como em: avenidas, ruas, casas, redes de esgotos, distribuição de água, redes elétricas, prédios, ambientes de lazer e principalmente uma atenção especial para o tipo de espécie da região onde está sendo localizada a cidade em questão. Para que futuramente, não se torne necessário sua remoção. Plantar apenas não soluciona o problema, plantios em locais indevidos podem trazer grandes danos.
A arborização bem planejada é muito importante independentemente do porte da cidade, pois, é muito mais fácil implantar quando se tem um planejamento, caso contrário, passa a ter um caráter de remediação, à medida que tenta se encaixar dentro das condições já existentes e solucionar problemas de toda ordem (PIVETTA; SILVA, 2002).
Desse modo, faz-se necessário levar em consideração alguns eventos que são importantes como: a definição do espaçamento entre as mudas, pois ao serem plantadas elas dependem, entre outros fatores, da largura das ruas e das calçadas.
Resultado e discussão
Ainda existem muitos desafios a serem superados para que a arborização urbana no Brasil seja considerada satisfatória, no sentido de proporcionar maior qualidade ambiental à população urbana. Dentre estes desafios, podem-se apontar maiores investimentos em infraestrutura e planejamento urbano voltado ao incremento da arborização urbana, maior valorização da arborização urbana como elementos essenciais à paisagem urbana, investimentos em capacitação de profissionais junto às secretarias municipais de meio ambiente e distribuição mais igualitária da flora urbana e de seus serviços ecossistêmicos entre bairros de diferentes classes sociais nas cidades brasileiras.
A arborização urbana é um tema que está sempre em discussão quando se trata de meio ambiente, qualidade de vida nas cidades e melhoria no ar que respiramos. Todos os seres vivos necessitam de um ambiente equilibrado ecologicamente para sobreviver. Muitas vantagens podem ser apontadas com a arborização, como melhoria na qualidade do ar, beleza nas ruas, redução da poluição sonora, redução de calor, sombreamento, além da produção de flores e frutos, o que embeleza ainda mais as ruas arborizadas adequadamente.
A falta de planejamento da urbanização introduz elementos hostilizadores à prática da arborização urbana, como calçadas estreitas, vias não projetadas ao plantio de árvores, rede elétrica, fachadas de empreendimentos comerciais, cercas elétricas, dentre outros. Portanto, as ações voltadas ao incremento da arborização urbana no Brasil para melhoria da qualidade ambiental urbana devem priorizar o investimento em infraestrutura urbana anteriormente planejada para sua introdução.
Mas se as pessoas ao plantar árvores em frente às suas casas seguirem alguns critérios sugeridos por órgãos competentes, muitos dos conflitos poderiam ser evitados. Se for obedecido algumas recomendações como o porte das árvores plantadas, estas provavelmente não causarão danos físicos às calçadas e nem alcançarão as redes elétricas.
Conclusão
Com base nos levantamentos de dados obtidos através de pesquisas bibliográficas, verificasse como é importante a arborização e seus benefícios junto a um planejamento arbóreo no município, pois fica comprovada a necessidade de uma seleção de árvores adequadas para cada localidade, além da escolha correta do local da mesma, pois nem toda planta tem a estrutura correta para ser plantada em qualquer área, por isso, é necessário o envolvimento com arquitetos, engenheiros, paisagistas, órgãos públicos, privados e toda a comunidade em geral, para que dessa forma, o projeto tenha êxodo.
É importante destacar o envolvimento da comunidade em geral, destacando projetos que venham a desenvolver o senso crítico e que desperte a comunidade, principalmente as crianças, a preocupação e a importância de espaços arborização dentro do município, formando assim, uma comunidade integrada, preocupada e conscientizada sobre os problemas ocasionados devido à ausência ou a pequena quantidade de árvores na cidade.
Além disso, concluímos que a população deve observar técnicas de espaçamento entre espécies, a distância da árvore em relação ao poste de iluminação, a garagens e outros locais que possam desencadear problemas. O tipo de espécie a ser plantada é relevante, pois vale lembrar que uma muda cresce e que a população deve respeitar o tamanho da copa e a estrutura de raízes das árvores para evitar problemas futuros. É necessário que se realize podas de formação, pois algumas espécies consideradas de médio porte podem crescer e causar confrontos. (ecodebate)

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