domingo, 27 de março de 2022

Estudos revelam as perdas de água em municípios paulistas

A escassez e o racionamento de água não acontecem apenas por falta de chuvas, mas, também, estão relacionados às perdas de água no processo de distribuição.

Muita gente, no Brasil todo, sofre com a falta de água nas torneiras e com o esgoto a céu aberto. E diferente do que normalmente é divulgado à população, a escassez e o racionamento de água não acontecem apenas e necessariamente devido à falta ou pouca incidência de chuvas, mas estão relacionados também a outros fatores, dentre os quais, as perdas de água que ocorrem no processo de distribuição.

Diante disso, é insustentável que no país todo ainda persistam as perdas de água tratada que são da ordem de 51% em média (segundo o SNIS 2020 – água tratada x água consumida), chegando a superar 70% em algumas regiões. Inconformado com essa situação, Enéas Ripoli, sócio fundador das empresas Gestágua Consultoria em Perdas de Água e da SmartAcqua Soluções Tecnológicas, da qual é CTO, está realizando estudos que mostram as perdas de água em vários municípios e os ganhos que poderiam ser obtidos pelas empresas responsáveis pelo saneamento e para a população local se esse problema fosse minimizado.

Até o momento, foram concluídos os estudos sobre várias cidades do estado paulista e enviados aos respectivos prefeitos. “E, caso seja necessário, esses estudos serão enviados também para as câmaras de vereadores, para o ministério público e para entidades de classe que se preocupam com o sofrimento das populações que não têm água para suprir suas necessidades básicas”, destaca Ripoli. O objetivo é, além de conscientizar, também propor soluções sobre essa questão, dentre as quais, o emprego de tecnologias que utilizam Inteligência Artificial.

“A tecnologia é uma aliada importante no combate às perdas de água e pode, em curto prazo, contribuir para que as empresas públicas e privadas de saneamento consigam cumprir o que estipula o novo marco regulatório, ou seja, que as perdas sejam de no máximo 25% até 2033. Para alcançar esse objetivo, as companhias terão que modernizar suas estruturas de forma sistemática, como também fazer uma gestão contínua, porque as perdas de água acontecem todos os dias, o que requer monitoramento constante para identificar vazamentos, obsolescência e fraudes”, justifica.

O que falta, segundo Ripoli, é maior comprometimento das empresas de saneamento, públicas e/ou privadas, e fiscalização por parte das agências reguladoras sob a ótica do Novo Marco, como também vontade política dos governantes para tomar ações concretas e rápidas para reduzir substancialmente as perdas de água que, no curto prazo, poderiam ajudar no abastecimento de água à população, especialmente em regiões de escassez hídrica.  “Digo isso com conhecimento de causa, pois em minha trajetória profissional trabalhei em duas grandes empresas de saneamento – uma delas, hoje a maior do país, e a outra, a maior do mundo -, e tenho mais de 40 anos de atuação com foco na otimização de processos e 20 anos como consultor na busca da eficiência operacional”, justifica.


Como exemplo, Ripoli destaca a situação da cidade de Itu que, de acordo com o SNIS 2019, perdia 51% de água (indicador IN049) e no SNIS 2020 essa perda foi para 54%. “Isso prova que quando são feitos projetos sem sistematização não é possível obter e/ou manter ao longo do tempo os resultados esperados”, salienta.
As principais consequências das 54% de perdas de água na cidade de Itu são:

• Falta de água para a população, o que afeta a saúde pública;

• Rodízio do abastecimento de água, impedindo o dia a dia normal das pessoas para higiene pessoal e da casa; e das empresas;

• Retirada de 54% a mais de água dos mananciais, secando as reservas mínimas necessárias para a sobrevivência da população;

• Retirada excessiva de água das reservas hídricas, inviabilizando o plantio de alimentos imprescindíveis à sobrevivência;

• Geração de custos operacionais desnecessários, especialmente de energia elétrica (cara e escassa também), sendo que esses recursos poderiam ser alocados na saúde, educação, em tarifas justas etc.

“Se a cidade de Itu diminuísse suas perdas de água de 54% para 25% (meta do novo marco regulatório) teria como benefícios: água para abastecer mais 109 mil pessoas (70% da população hoje); e teria recursos financeiros otimizados na ordem de R$ 18 milhões por ano para investimentos”, explica Ripoli.

Na tabela abaixo constam as perdas atuais de água (segundo SNIS 2020 – IN049) em alguns municípios paulistas, quantas pessoas poderiam ser atendidas se as perdas fossem reduzidas e chegassem a 25%, e quais os ganhos potenciais totais que as empresas de saneamento dessas cidades poderiam obter para investir e inclusive para autofinanciar as próprias perdas. Os números são impressionantes.

Vazamento da emenda de tubulação em São José dos Campos.

Desperdício de água da Sabesp e 'gatos' poderiam abastecer toda São Paulo.

Cidades

Perdas atuais

Redução

Pessoas atendidas/dia

Ganho potencial total por empresa/ano

Americana

48%

25%

140 mil

R$ 18 milhões

Araraquara

46%

25%

155 mil

R$ 20 milhões

Bauru

49%

25%

220 mil

R$ 33 milhões

Bebedouro

38%

25%

13 mil

R$ 5 milhões

Birigui

45%

25%

97 mil

R$ 5 milhões

Cruzeiro

59%

25%

92 mil

R$ 4 milhões

Itu

54%

25%

109 mil

R$ 18 milhões

Jacareí

38%

25%

45 mil

R$ 12 milhões

Jaraguá do Sul

37%

25%

46 mil

R$ 5 milhões

Leme

47%

25%

53 mil

R$ 8 milhões

Marília

48%

25%

150 mil

R$ 16 milhões

Mauá

45%

25%

135 mil

R$ 36 milhões

Mogi das Cruzes

48%

25%

115 mil

R$ 44 milhões

Mogi Guaçu

46%

25%

86 mil

R$ 7 milhões

Mogi Mirim

43%

25%

43 mil

R$ 5 milhões

Ourinhos

54%

25%

95 mil

R$ 15 milhões

Pirassununga

40%

25%

30 mil

R$ 3 milhões

Ribeirão Preto

49%

25%

610 mil

R$ 70 milhões

Sta Bárbara D’Oeste

56%

25%

150 mil

R$ 23 milhões

São Carlos

44%

25%

140 mil

R$ 24 milhões

Sorocaba

36%

25%

135 mil

R$ 26 milhões

Valinhos

36%

25%

30 mil

R$ 4milhões

(ecodebate)

sexta-feira, 25 de março de 2022

Deter/INPE registra o pior fevereiro da série histórica

Desmatamento na Amazônia – Deter/INPE registra o pior fevereiro da série histórica.

Dados do sistema Deter, do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), divulgados em 11/03/22, reafirmam que o desmatamento na maior floresta tropical do planeta segue fora de controle. Entre os dias 1º e 28 de fevereiro/22, os alertas apontaram para um total de 199 km² desmatados.

Isso representa um aumento de 62% em relação ao mesmo mês de 2021. É a maior área com alertas para o mês desde 2016, quando foram iniciadas as medições do Deter-B. Os alertas de desmatamento se concentram principalmente nos estados de Mato Grosso, Pará e Amazonas.
“Os dois primeiros meses deste ano tiveram áreas recordes da série histórica, no acumulado já são 629 km² mais do que o triplo do que foi observado no ano passado, 206 km² desmatados. Isso tudo em um período no qual o desmatamento costuma ser mais baixo por conta do período chuvoso na região. Este aumento absurdo demonstra os resultados da falta de uma política de combate ao desmatamento e dos crimes ambientais na Amazônia, impulsionados pelo atual governo. A destruição não para”, afirma o porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil, Rômulo Batista.

Publicado em 07/03/22 um estudo da Universidade de Exeter revelou que a floresta amazônica está perdendo sua capacidade de manutenção, chegando num “ponto de não retorno”. De acordo com o estudo, ¾ da floresta estão apresentando uma resiliência cada vez menor contra secas e outros eventos climáticos adversos e, portanto, estão menos capazes de se recuperar. Assim, a previsão é de que grandes áreas irão começar a se transformar em um bioma mais parecido com uma área de floresta degradada e mais seca, gerando riscos para a biodiversidade e para o clima em escala global e intensificando a ocorrência de eventos climáticos extremos.

Deter 2022 registra o pior fevereiro da série histórica.

“Na mesma semana em que milhares de pessoas se reuniram em Brasília, no Ato pela Terra, para exigir que o governo e o Congresso parem com o Pacote da Destruição, esse estudo publicado, a aprovação de urgência do PL da mineração em terras indígenas e os recordes dos alertas de desmatamento nos levam a refletir sobre o destino da Amazônia e seus povos. Além disso, quanto mais desmatamento, maior é a contribuição do país com a emissão de gases do efeito estufa, agravando ainda mais a crise climática e acelerando os eventos extremos como as chuvas torrenciais que vimos esse ano no Brasil. Os dados de fevereiro apontaram para mais um ano em que o Brasil caminha na contramão do combate à destruição ambiental e dos direitos dos povos indígenas”, complementa Batista.

Monitoramento de Queimadas na Amazônia em setembro de 2021.

Alerta de desmatamento na Amazônia bateu recorde em fevereiro/22.

Com 199 km² desmatados, Deter 2022 registrou o pior fevereiro da série histórica. (ecodebate)

El Niño leva aquecimento dos oceanos a território desconhecido

El Niño excepcionalmente forte impulsiona aquecimento global dos oceanos e leva temperatura média da superfície do mar ao maior valor já reg...