O
El Niño 2026 tem alta probabilidade (cerca de 80-90% no segundo semestre) de se
desenvolver como um evento intenso, possivelmente um "Super El Niño",
com auge na primavera. A ciência alerta para aquecimento recorde do Pacífico,
causando secas no Norte/Nordeste e chuvas extremas no Sul. O poder público deve
focar em monitoramento contínuo, infraestrutura resiliente e planos de
contingência.
O
que a Ciência Sabe (Previsões 2026)
•
Formação Rápida: O fenômeno deve transicionar de um cenário de neutralidade/La
Niña para El Niño entre maio e julho, persistindo até o final do ano.
•
Intensidade ("Super El Niño"): Modelos indicam aquecimento da região
Niño 3.4 com anomalias superiores a 1,5°C, podendo superar eventos históricos
como 1983 e 2015.
•
Impactos por Região:
-
Sul: Alto risco de chuvas volumosas, enchentes, granizo e tornados a partir de
agosto/setembro, especialmente no Rio Grande do Sul.
-
Norte/Nordeste: Secas severas e redução de chuvas.
-
Sudeste/Centro-Oeste: Calor intenso, ondas de calor longas e risco de secas
(fogo/queimadas), com impactos no abastecimento de água e energia.
•
Clima Global: 2026 tende a estar entre os anos mais quentes já registrados.
O
que o Poder Público Precisa Fazer
•
Preparação no Sul: Reforçar sistemas de alerta antecipado para enchentes e
cheias de rios, além de revisar infraestruturas de drenagem.
•
Gestão Hídrica e Energética: Monitorar reservatórios de hidrelétricas no
Sudeste e Norte, preparando contingências para o aumento do consumo de energia
devido ao calor e possível redução de geração.
•
Segurança Alimentar: Monitorar os impactos na agricultura (safra de verão) para
evitar inflação nos alimentos, devido à seca no Norte/Nordeste e excesso de
chuva no Sul.
•
Gestão de Riscos de Desastres: Aumentar a prontidão da Defesa Civil para
incêndios florestais (Pantanal/Amazônia) e eventos de chuva intensa (Sul).
Reinaldo Dias: Articulista do
EcoDebate, é Doutor em Ciências Sociais – Unicamp; Especialista em Ciências
Ambientais – USF; Pesquisador associado do CPDI do IBRACHINA/IBRAWORK; http://lattes.cnpq.br/5937396816014363;
reinaldias@gmail.com.
O provável retorno do El Niño
em 2026 coloca o Brasil diante de um desafio que ultrapassa a meteorologia.
Seus efeitos podem alcançar lavouras, reservatórios, cidades, moradias
vulneráveis, sistemas de saúde e políticas de assistência social. A intensidade
do fenômeno ainda depende da evolução das condições climáticas nos próximos
meses, mas os alertas de instituições científicas reconhecidas já oferecem
elementos suficientes para que o poder público atue com responsabilidade.
A questão central não é anunciar uma tragédia inevitável, mas compreender que eventos climáticos extremos produzem impactos muito diferentes conforme o grau de prevenção, infraestrutura e proteção social existente em cada território. Em um país que ainda convive com secas prolongadas, enchentes recentes, calor extremo e desigualdades profundas, levar a ciência a sério pode significar salvar vidas, reduzir deslocamentos, proteger lavouras e evitar que riscos conhecidos se transformem em crises sociais de grande alcance.
Um alerta científico que não pode ser tratado como rotina
O ano de 2026 caminha para se
tornar um marco climático. Os principais centros de monitoramento meteorológico
do planeta têm alertado, com crescente precisão, para a provável formação de um
episódio de El Niño na segunda metade do ano. O fenômeno, bem conhecido da
ciência atmosférica, é desta vez anunciado sobre um pano de fundo particularmente
preocupante, uma atmosfera e oceanos que jamais estiveram tão quentes desde que
se têm registros instrumentais. A pergunta que se coloca, portanto, não é se o
El Niño virá, mas se os poderes públicos e as sociedades estarão preparados
para recebê-lo.
O El Niño é um fenômeno
climático caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do
Oceano Pacífico equatorial, com temperaturas ao menos 0,5°C acima da média
histórica por período prolongado. Faz parte do sistema mais amplo conhecido
como ENOS — El Niño-Oscilação Sul —, que alterna entre três fases: o próprio El
Niño (fase quente), a La Niña (fase fria) e a neutralidade. A fase atual, que
encerrou recentemente um ciclo de La Niña, caminha para a neutralidade e,
segundo as projeções mais atualizadas, para a formação de um novo episódio de
El Niño no segundo semestre.
Os dados são precisos.
Segundo o Centro de Previsão Climática (CPC) da Administração Nacional Oceânica
e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o boletim de 20 de abril de 2026
indica 79% de probabilidade de estabelecimento do El Niño no trimestre
junho-julho-agosto, superando 80% no trimestre seguinte e atingindo ou
ultrapassando 90% a partir de agosto-setembro-outubro, com tendência de
persistência até 2027. O Instituto Nacional de Meteorologia do Brasil (INMET),
que acompanha de perto as projeções internacionais, confirmou esse quadro em
nota técnica publicada no mesmo período.
Alguns especialistas, como o
professor Paul Roundy, da Universidade Estadual de Nova York, chegam a
mencionar o risco de formação do mais intenso El Niño em mais de um século, com
anomalias de temperatura na superfície do mar superiores a 2°C — o limiar que
caracteriza os chamados “super El Niños”. Não há consenso científico nesse
ponto, e os próprios pesquisadores insistem na cautela: nenhum evento é igual
ao outro, e a incerteza sobre a intensidade final permanece. O que não é
incerto, porém, é a chegada do fenômeno.
As previsões climáticas mais
recentes indicam que o mundo pode estar diante de um novo episódio de El Niño
ainda em 2026, com possibilidade de intensificação ao longo do segundo
semestre. A informação deve ser tratada com cuidado. Não se trata de afirmar,
desde já, que haverá inevitavelmente um “super El Niño”, nem de transformar projeções
científicas em alarmismo. O ponto central é outro. Os principais centros de
monitoramento climático do mundo indicam aumento consistente da probabilidade
de formação do fenômeno, e alguns modelos apontam a possibilidade de um evento
forte. Diante disso, governos, sistemas de defesa civil, órgãos ambientais,
setor agrícola, gestores urbanos e políticas de assistência social precisam se
preparar com antecedência.
A Organização Meteorológica
Mundial (OMM) informou, em abril de 2026, que o sistema El Niño-Oscilação Sul
ainda se encontrava em fase neutra no início do mês, após o fim da La Niña
2025/2026, mas que havia sinais relevantes de aquecimento subsuperficial no
Pacífico equatorial. Segundo a instituição, a maior parte dos modelos dinâmicos
e estatísticos indicava a possibilidade de transição para El Niño durante o
verão ou outono do hemisfério norte, com alguns cenários apontando limiares de
El Niño já entre maio e julho de 2026.
A leitura da NOAA, por meio
do Climate Prediction Center, reforça essa cautela. Em 9 de abril de 2026, o
órgão indicou condições neutras no Pacífico e probabilidade de 80% de
manutenção da neutralidade no trimestre abril-junho. No entanto, apontou que o
El Niño provavelmente emergiria entre maio e julho, com 61% de chance, podendo
persistir até o fim de 2026. O mesmo comunicado afirma que os cenários
possíveis variam de neutralidade a um El Niño muito forte, mas ressalta que a
possibilidade de um evento muito intenso, estimada em uma chance em quatro,
depende da continuidade de ventos de oeste no Pacífico equatorial, algo ainda
não garantido.
No Brasil, o El Niño costuma
produzir efeitos regionais distintos. Em termos gerais, aumenta o risco de seca
na faixa norte das regiões Norte e Nordeste, enquanto favorece chuvas mais
volumosas no Sul. O INMET destaca que o fenômeno pode comprometer sistemas de
cultivo agrícola onde as plantas dependem exclusivamente da água das chuvas
para o seu desenvolvimento, sem o uso de irrigação artificial (lavouras de
sequeiro) nas regiões Norte, Nordeste e em partes do Centro-Oeste e Sudeste, ao
mesmo tempo em que, no Sul, o excesso de precipitação pode provocar encharcamento
do solo, dificuldades no plantio e na colheita, além de maior incidência de
doenças fúngicas em culturas agrícolas.
O Centro Nacional de
Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) também chama atenção
para uma combinação de riscos. Segundo nota técnica divulgada em abril de 2026,
o El Niño 2026/2027 tende a elevar a possibilidade de chuvas extremas,
enchentes e deslizamentos na Região Sul, enquanto Norte e Nordeste podem
enfrentar agravamento da seca e maior risco de incêndios. A área central do
país, por sua vez, pode registrar ondas de calor mais frequentes e baixa
umidade.
Esses impactos não ocorrem em
um território neutro. O Brasil já chega a esse possível novo El Niño com marcas
recentes de eventos extremos. Entre 2023 e 2024, segundo o Cemaden, cerca de
60% do território brasileiro foi afetado por seca extensa e intensa. Mesmo após
alguma recuperação das chuvas entre novembro de 2024 e março de 2025, várias
áreas do Norte e do Centro-Oeste ainda registravam persistência da seca, e a
bacia do rio Paraguai permanecia em condição hídrica extremamente crítica.
A agricultura é uma das áreas
mais sensíveis aos efeitos do El Niño. Em regiões onde o fenômeno reduz as
chuvas, a principal ameaça recai sobre culturas dependentes do regime natural
de precipitação. Pequenos produtores, agricultores familiares e comunidades
rurais com menor acesso a irrigação, assistência técnica, crédito e seguro
agrícola tendem a ser mais afetados. A perda de produtividade não se traduz
apenas em prejuízo econômico privado. Ela pode comprometer a segurança
alimentar, pressionar preços e reduzir a renda em municípios altamente dependentes
da produção agropecuária.
No Sul, o problema pode
ocorrer pelo excesso de água. Chuvas persistentes podem atrasar o plantio,
dificultar a colheita, favorecer doenças nas lavouras, prejudicar a qualidade
dos grãos e danificar estradas rurais. O episódio das enchentes no Rio Grande
do Sul em 2024 deixou uma lição evidente. A destruição de casas, estradas,
pontes, plantações e estruturas produtivas mostrou que eventos extremos não são
apenas tragédias ambientais. Eles atingem cadeias de abastecimento, logística,
produção de alimentos, renda familiar, arrecadação municipal e capacidade de
recuperação econômica.
O caso gaúcho é especialmente
relevante porque expõe a articulação entre clima extremo, vulnerabilidade
territorial e escolhas de planejamento. A análise publicada pelo World Weather
Attribution(WWA), repercutida internacionalmente, indicou que as enchentes de
2024 no Sul do Brasil foram agravadas pela mudança climática e por alterações
no uso da terra. O evento deixou 169 mortos, destruiu moradias e colheitas,
deslocou dezenas de milhares de pessoas e afetou serviços essenciais. O Rio
Grande do Sul responde por cerca de 70% da produção brasileira de arroz, razão
pela qual os impactos no estado repercutiram sobre preços e abastecimento.
Em escala global, o Banco Mundial mostra que os preços internacionais de cereais continuavam sensíveis em 2026. Em março, o índice de cereais estava 7% acima do registrado na atualização anterior, com alta de trigo, milho e arroz em diferentes proporções. Esse dado não significa que o El Niño, sozinho, determinará uma crise alimentar. Significa que choques climáticos podem atuar sobre mercados já sujeitos a pressões de custo, logística e instabilidade geopolítica.
Calor extremo, saúde e trabalho
O provável El Niño também
deve ser analisado em relação ao calor extremo. O aquecimento adicional
associado ao fenômeno pode elevar temperaturas médias globais e intensificar
ondas de calor regionais. No Brasil, isso preocupa especialmente cidades
densas, bairros periféricos, escolas públicas sem infraestrutura adequada,
trabalhadores expostos ao sol, idosos, crianças, pessoas com doenças crônicas e
populações com acesso limitado à água, energia e atendimento de saúde.
O calor extremo não é apenas
desconforto térmico. Ele reduz a produtividade do trabalho, aumenta riscos à
saúde, amplia a demanda por energia, prejudica o aprendizado em escolas sem
climatização e agrava desigualdades urbanas. O trabalhador informal, o
entregador, o agricultor, o operário da construção civil, o vendedor ambulante
e o morador de habitação precária não enfrentam o calor nas mesmas condições de
quem dispõe de moradia adequada, ar-condicionado, transporte confortável e
assistência médica.
Relatório recente da
Organização das Nações Unidas para a Agricultura (FAO) e da OMM, alerta que o
calor extremo se tornou uma das ameaças mais graves aos sistemas agrícolas,
afetando lavouras, pecuária, pesca, florestas e trabalhadores rurais. A
reportagem registra que a produtividade de muitas culturas começa a cair quando
as temperaturas atingem 30°C, que o estresse térmico afeta animais de criação e
que, no setor agrícola, o risco de morte por exposição ocupacional ao calor é
muito superior ao de outros setores. O mesmo relatório cita o Brasil como exemplo
de perdas associadas a ondas de calor intensas entre o fim de 2023 e 2024.
Esse ponto é decisivo para políticas públicas. A prevenção não pode se limitar a alertas meteorológicos. Ela deve envolver planos de saúde pública, adaptação das jornadas de trabalho, proteção de trabalhadores rurais e urbanos, ampliação de pontos de hidratação, protocolos para escolas, assistência a idosos, reforço da atenção básica e comunicação direta com populações vulneráveis.
Deslocamentos, moradia e desigualdade
Os efeitos do El Niño não se
distribuem democraticamente. Recaem, com peso desproporcional, sobre as
populações mais vulneráveis — comunidades ribeirinhas da Amazônia, agricultores
familiares do semiárido, moradores de encostas urbanas no Sul, populações
periféricas de grandes cidades que dependem de serviços públicos já
fragilizados. A análise científica dos efeitos sociais do fenômeno é clara
nesse ponto: catástrofes climáticas aprofundam desigualdades preexistentes.
Eventos climáticos extremos
deslocam pessoas antes mesmo de produzir estatísticas definitivas. Famílias
deixam suas casas por enchentes, deslizamentos, estiagens prolongadas, perda de
renda, destruição de lavouras, interrupção de serviços públicos ou risco de
colapso em áreas vulneráveis. No Brasil, esses deslocamentos raramente são
tratados com a profundidade necessária. Muitos aparecem como “desabrigados” ou
“desalojados” em registros de defesa civil, mas seus efeitos se prolongam por
meses ou anos.
O provável El Niño de 2026
deve ser considerado, portanto, como fator de risco para deslocamentos
internos. No Sul, enchentes e deslizamentos podem obrigar famílias a abandonar
moradias em áreas ribeirinhas, encostas e a maioria das regiões urbanas mal
drenadas. No Norte e Nordeste, secas prolongadas podem agravar insegurança
hídrica, perda de renda rural e pressões migratórias locais. Em áreas urbanas,
a baixa qualidade das habitações e a ocupação de áreas ambientalmente frágeis
ampliam a exposição a desastres.
A desigualdade social
transforma fenômenos climáticos em tragédias seletivas. A chuva intensa não
atinge todos da mesma forma. A seca não pesa igualmente sobre quem tem
irrigação, seguro, crédito e reservas financeiras e sobre quem depende de uma
pequena lavoura ou de trabalho diário. A onda de calor não produz os mesmos
efeitos em bairros arborizados e em periferias densas, com pouca sombra,
moradias precárias e transporte coletivo lotado.
As implicações econômicas do
El Niño também merecem atenção. Secas podem reduzir vazões em bacias
hidrográficas, afetar reservatórios, pressionar a geração hidrelétrica,
encarecer energia e dificultar a navegação fluvial. Chuvas extremas podem
destruir estradas, pontes, redes de energia, sistemas de abastecimento,
escolas, unidades de saúde e moradias. O resultado aparece em gastos
emergenciais, interrupção de atividades econômicas, aumento de seguros, perda
de arrecadação e endividamento de famílias, empresas e municípios.
No campo, a combinação entre
calor, seca e chuvas irregulares pode provocar perdas em lavouras, aumento de
custos de produção, maior uso de irrigação, necessidade de replantio e
dificuldade de cumprimento de contratos. Nas cidades, enchentes e deslizamentos
afetam comércio, transporte, serviços públicos e saúde. Em regiões pobres, a
reconstrução é mais lenta, porque famílias e prefeituras têm menor capacidade
financeira.
A prevenção é economicamente mais racional do que a reconstrução. Sistemas de alerta, limpeza de drenagens, recuperação de áreas de várzea, mapeamento de encostas, proteção de nascentes, fortalecimento da defesa civil, assistência técnica agrícola e planos municipais de adaptação custam menos do que reconstruir pontes, indenizar perdas, remover famílias em emergência e recuperar sistemas colapsados.
O papel da ciência e a responsabilidade pública
O provável El Niño de 2026
coloca novamente em evidência a necessidade de reconhecer a validade da
informação científica. Alertas de instituições como WMO, NOAA, IRI, INMET e
Cemaden não devem ser tratados como previsões abstratas, distantes da vida
cotidiana. São instrumentos de gestão pública. Quando cientistas apontam
aumento de probabilidade de um fenômeno climático relevante, a resposta
adequada não é esperar a confirmação plena para agir, mas preparar cenários,
definir protocolos e reduzir vulnerabilidades.
Isso não significa paralisar
o país diante de uma ameaça climática. Significa ajustar políticas públicas a
um risco conhecido. Municípios podem atualizar mapas de áreas vulneráveis,
preparar abrigos temporários, revisar rotas de evacuação, reforçar equipes de
saúde e defesa civil, orientar agricultores, proteger populações ribeirinhas, monitorar
reservatórios e melhorar a comunicação com a população. Estados podem coordenar
respostas regionais, apoiar municípios menores e integrar informações
climáticas, agrícolas, sanitárias e sociais. O governo federal pode articular
financiamento, assistência técnica, monitoramento e ações preventivas em escala
nacional.
A prevenção também exige transparência. A população precisa compreender que “probabilidade” não é invenção nem exagero. Quando um órgão informa que há 60%, 80% ou 90% de chance de determinado cenário, está oferecendo uma base racional para decisões. O negacionismo climático, a improvisação administrativa e o desprezo por alertas científicos ampliam danos que poderiam ser reduzidos.
Preparar-se não é alarmismo
O é um fenômeno natural, mas
seus impactos atuais ocorrem em um planeta aquecido e em sociedades marcadas
por desigualdades profundas. Essa combinação torna seus efeitos potencialmente
mais graves. O que antes poderia ser absorvido como variação climática
periódica hoje encontra cidades impermeabilizadas, encostas ocupadas, rios
canalizados, biomas degradados, populações empobrecidas e sistemas públicos
muitas vezes insuficientes.
O alerta para 2026 deve ser
entendido como oportunidade de antecipação. Não se trata de anunciar uma
catástrofe inevitável, mas de afirmar que os sinais disponíveis justificam
planejamento imediato. Se o El Niño se confirmar com intensidade moderada, a
preparação terá sido útil. Se vier forte, poderá salvar vidas, reduzir
deslocamentos, proteger lavouras, preservar infraestrutura e diminuir prejuízos
econômicos. Se os cenários mais severos não se concretizarem, o investimento em
prevenção ainda terá fortalecido a capacidade pública de enfrentar extremos
climáticos que já fazem parte da realidade brasileira.
A principal lição é simples. A ciência climática não elimina a incerteza, mas reduz a ignorância. Quando seus alertas são reconhecidos e transformados em ação pública, a sociedade ganha tempo para se proteger. Em um país vulnerável a secas, enchentes, deslizamentos, ondas de calor e insegurança alimentar, ganhar tempo pode significar salvar vidas, evitar deslocamentos e impedir que fenômenos climáticos previsíveis se convertam em tragédias sociais anunciadas.
El Niño 2026: a tempestade perfeita está se formando. (ecodebate)











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