terça-feira, 19 de abril de 2022

6 cidades que podem ser engolidas pelo oceano nas próximas décadas

Destinos paradisíacos muito famosos e cobiçados fazem parte da lista de locais que já estão sofrendo as consequências das mudanças climáticas. E atenção: tem brasileiro na lista!
Sem dúvidas, o aquecimento global é um dos assuntos mais discutidos atualmente no mundo todo. Desde a Ásia, passando pela Europa e pela América Latina, milhares de pessoas são e serão afetadas pelas mudanças climáticas se medidas urgentes não forem tomadas.

Além dos desastres naturais causados [como tempestades e ciclones], a falta de cuidado com o meio ambiente contribui para o derretimento das geleiras que acarreta no aumento do nível do mar e no avanço das águas nas regiões costeiras. Ou seja, o aquecimento global tem forte impacto na inundação de cidades próximas aos oceanos.

De acordo com o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), realizado em 2022, o aumento da temperatura global afeta as regiões de maneiras diferentes, mas as projeções são alarmantes. Estima-se que até o final do século, a temperatura global da Terra deva subir cerca de 2°C, o que resultaria em cerca de meio metro de elevação dos oceanos. Alguns países, principalmente os mais pobres, já sofrem com problemas de inundação e, caso a justiça climática não seja levada a sério, muitos deles possivelmente nem existirão no futuro.

Abaixo, confira seis locais que, de acordo com o estudo, serão engolidos pelo oceano nas próximas décadas:

1. Ilhas Maldivas

Uma das ilhas que compõe Maldivas.

Com cerca de 80% de toda sua extensão a menos de um metro acima do nível do mar, um dos terrenos mais baixos do mundo, todo o território das ilhas Maldivas corre perigo de submergir. Os dados do IPCC alertam para a possibilidade do paraíso se tornar inabitável já em 2050.

2. O território de Seychelles

Uma das 115 ilhas do arquipélago de Seychelles, no Oceano Índico.

Mais um país composto por ilhas que também já sofre com as consequências do aquecimento global. Prova disso são os muros de contenção já instalados em meio a paisagem paradisíaca do local. Assim como a famosa Balneário Camburiú, no Brasil, as praias de Seychelles estão cada vez mais perdendo suas faixas de areia e espremendo seus centros comerciais diante do avanço da água.

3. Veneza, Itália

Um dos canais de Veneza, na Itália.

Desde 2019, Veneza, na Itália, voltou a sofrer com frequentes inundações. Comuns durante o outono e o inverno, agora o problema não tem mais estação definida, o que é alarmante. Estima-se que o nível do mar na cidade costeira tenha avançado cerca de 20 centímetros apenas no último século.

4. Península de Yucatán, México

O templo de Kukulkán em Chichen Itzá, a zona arqueológica localizada na Península de Yucatán, no México.

De acordo com uma projeção feita pelo Climate Central, em menos de 80 anos, a Península de Yucatán corre o risco de estar completamente embaixo d'água. Destinos como Cancún, Tulum e até Cozumel podem ficar inabitáveis por conta do aquecimento global.

5. As ilhas de Tuvalu

Ilhota superestreita em Tuvalu.

Tuvalu é um pequeno país localizado na Oceania, que possui nove ilhas no Pacífico e chamou atenção na COP26 pelo fato do ministro de relações exteriores do país gravar um vídeo que clama por justiça climática dentro d'água, um apelo diante do avanço do nível do mar na região.

6. Santa Catarina, Brasil

Baía da Babitonga, um dos lugares com maior risco de inundação em Joinville.

O avanço das águas diante da costa brasileira não é só evidente como também comprovado. Um estudo realizado pela revista científica Nature Communications mostrou que até 2050, o litoral da cidade de Joinville, em Santa Catarina, pode desaparecer. (umsoplaneta)

Aumento de temperatura e de secas prejudicam as árvores tropicais

A Floresta Nacional de Caxiuanã – um dos locais de coleta de anéis de árvores do estudo – ao nascer do sol. A foto foi tirada no topo de uma torre alta para medir o clima e o fluxo de dióxido de carbono que atravessa a floresta.

O crescimento do tronco das árvores tropicais é reduzido nos anos em que a estação seca é mais longa e mais quente do que o normal.

Por muito tempo, os ecologistas presumiram que os anéis das árvores estavam ausentes nas árvores tropicais devido à temperatura e às flutuações de chuva no ambiente das árvores. Mas nas últimas décadas, a formação de anéis de crescimento foi comprovada para centenas de espécies de árvores tropicais, que são sensíveis à seca e geralmente experimentam pelo menos um mês ou dois de chuvas ligeiramente reduzidas a cada ano.

Quando os cientistas entenderem melhor como as árvores tropicais respondem a condições excepcionalmente secas e quentes, eles poderão prever melhor como essas árvores serão afetadas pelas mudanças climáticas.

Um novo estudo, de coautoria de pesquisadores da Universidade do Arizona e publicado na Nature Geoscience, descobriu que o crescimento do tronco das árvores tropicais é reduzido nos anos em que a estação seca é mais longa e mais quente do que o normal. O estudo define os trópicos de uma forma que também inclui os subtrópicos – ou qualquer coisa entre 30° de latitude norte e 30° de latitude sul.

Os pesquisadores também descobriram que o efeito de anos mais secos e quentes é mais dramático em regiões mais áridas ou quentes nos trópicos. Isso sugere que as mudanças climáticas podem aumentar a sensibilidade das árvores tropicais às flutuações climáticas. Espera-se que as temperaturas nos locais de estudo aumentem em meio grau Celsius por década no futuro.

Os resultados do estudo ajudam a explicar as grandes flutuações na absorção de carbono pela vegetação tropical globalmente. Simulações de modelos mostram que durante os anos mais quentes ou mais secos, a vegetação tropical cresce menos e, portanto, absorve menos dióxido de carbono da atmosfera. Mas as medições reais do crescimento da vegetação estão faltando até agora.

Pesquisas mostram que o crescimento mais lento aumenta o risco de morte de árvores tópicas, de modo que a vegetação tropical pode se tornar mais frequentemente uma fonte de dióxido de carbono em vez de absorver esse gás de efeito estufa que causa as mudanças climáticas.

“Esses anéis de árvores (tropicais) contêm uma riqueza de informações sobre o histórico de crescimento das árvores”, disse o principal autor do estudo, Pieter Zuidema, da Wageningen University & Research, na Holanda. “Neste estudo, exploramos esse potencial. Pela primeira vez, obtemos uma imagem pantropical de como o crescimento das árvores tropicais reage às flutuações climáticas.”

O estudo foi um esforço colaborativo internacional que incluiu a dendrocronologia da Universidade do Arizona Valerie Trouet, professora do Laboratório de Pesquisa em Anel de Árvore, e Flurin Babst, professora assistente de pesquisa na Escola de Recursos Naturais e Meio Ambiente do UArizona. As descobertas são baseadas em uma nova rede global, criada pelos colaboradores, de mais de 14.000 séries de dados de anéis de árvores de 350 locais em 30 países tropicais e subtropicais.

Os autores ficaram surpresos ao descobrir que durante a estação seca, o clima teve um efeito mais forte no crescimento das árvores do que durante a estação chuvosa.

“Sabemos que a fotossíntese e a produção de madeira de árvores tropicais geralmente atingem o pico durante a estação chuvosa”, disse Trouet. “Então, por que as flutuações ano a ano no crescimento do tronco dependem da estação seca, a estação de crescimento é mais longa. Isso leva a um maior crescimento do tronco”.

O estudo também preenche uma lacuna importante nos dados de anéis de árvores.

“Mapas mundiais que mostram os locais dos estudos de anéis de árvores normalmente têm um buraco no meio, nos trópicos”, disse Zuidema. “Nossa rede preenche essa lacuna de dados tropicais.”

Os dados de anéis de árvores de mais de 100 locais de estudo foram carregados no International Tree-ring Databank, o banco de dados global para dados de anéis de árvores.

“Dessa forma, os dados de anéis de árvores que reunimos estarão disponíveis gratuitamente para todos”, disse Zuidema. (ecodebate)

Reduzir emissões de carbono não prejudicará o crescimento econômico

Estudo conclui que reduzir as emissões de carbono não prejudicará o crescimento econômico.
Estudo conclui que reduzir as emissões de carbono não prejudicará o crescimento econômico

Novo estudo indica que os países podem chegar a zero emissões líquidas de carbono até 2050, mantendo o crescimento econômico.

Emissões líquidas zero até 2050 são a meta para a política climática agora perseguida por muitos países, em linha com o objetivo do Acordo de Paris de 2015 de “manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2°C acima dos níveis pré-industriais e buscar esforços limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais”.

Este artigo relata um estudo que usou sistemas de energia e modelos macroeconômicos para explorar como esses objetivos podem ser alcançados e se é possível alcançá-los com o crescimento econômico contínuo até 2100.

Enquanto alguns estudiosos argumentam que a resolução da crise climática não é consistente com o crescimento econômico contínuo nos países ricos, entre 1990 e 2016 a economia da União Europeia cresceu mais de 50%, enquanto as emissões de CO2 caíram 25%. No Reino Unido e na Finlândia, por exemplo, as emissões baseadas no consumo caíram de 2007 a 2016, enquanto suas economias cresceram de 2010 a 2016.

Os pesquisadores aqui modelaram vários cenários para desacelerar o crescimento da demanda global de energia primária, de modo que em 2100 a demanda de energia primária estivesse apenas 30% acima do nível de 2020. Os pesquisadores também modelaram a implantação de tecnologias renováveis necessárias para descarbonizar quase completamente a geração de eletricidade até 2100 e produzir sete vezes mais energia do que o mundo usava em 2010, para substituir os combustíveis fósseis no transporte, aquecimento e em alguns processos industriais. Finalmente, eles modelaram a redução gradual do carvão globalmente tão rápido quanto os Estados Unidos reduziram seu uso nos últimos anos.

Os resultados do estudo foram consistentes com os muitos cenários de 1,5°C no banco de dados dos pesquisadores, todos os quais mostraram um crescimento contínuo da economia mundial, enquanto cumpriam a meta climática de 1,5°C. Em geral, a redução do crescimento econômico até 2100 a partir de uma linha de base sem descarbonização e que ignora os danos climáticos foi pequena. Nenhum dos cenários chegou perto de declínios na produção econômica em relação ao nível de 2020.

No cenário central, o crescimento econômico após 2020 cai de 3,5% para pouco mais de 1% em 2100. Esse declínio se deve principalmente à estabilização da população humana nesse período. O crescimento per capita quase cai pela metade nesses 80 anos, à medida que o crescimento do investimento (que é essencial para a descarbonização) diminui, principalmente após 2040. A taxa média de crescimento anual no período 2020-2100 é consistente com um sistema de energia que atinge 1,5°C em 2100 (após o pico de 1,87°C entre 2050 e 2060) é de 1,76%. Em 2100, a economia global será 5 vezes maior do que era em 2015.

Com uma redução gradual do carvão, ainda seria possível atingir a meta de 1,5°C até 2100, mas apenas fazendo uso significativamente maior de captura e armazenamento de carbono e tecnologias de emissão negativa. A temperatura de pico neste cenário aumenta de 1,87°C para 1,89°C. Se a captura de carbono não estiver disponível, mesmo com a rápida redução gradual do carvão, as emissões cumulativas de CO2 dobram em relação ao cenário central, e não seria mais possível manter o aumento da temperatura em 1,5°C até 2100 – sobe para 1,74°C.

Os resultados da modelagem deste estudo sugerem que, com políticas públicas rigorosas, a meta de Paris de limitar o aquecimento a 1,5°C em 2100 é viável e que isso pode ser alcançado com um crescimento econômico robusto. Para conseguir isso, as políticas dos países precisariam estimular aumentos significativos na eficiência energética e de recursos e a rápida implantação de tecnologias de baixo carbono, com cooperação global, política ambiental forte e baixo crescimento populacional.

“A continuidade do crescimento econômico global é claramente compatível com o cumprimento da meta de temperatura no Acordo de Paris”, disse Paul Ekins, que liderou o estudo. “Os governos agora precisam se intensificar para colocar em prática as políticas para estimular os investimentos necessários para transformar essas projeções em realidade”. (ecodebate)

domingo, 17 de abril de 2022

Soluções climáticas baseadas na natureza podem mitigar o aquecimento global

Investir na proteção e restauração da natureza oferece benefícios sociais e ambientais para comunidades locais e indígenas, além de armazenar carbono para mitigar as mudanças climáticas.

Um novo estudo descobriu que a remoção temporária de carbono baseada na natureza pode diminuir os níveis de aquecimento global, mas somente se complementada por ambiciosas reduções de emissões de combustíveis fósseis.

As soluções climáticas baseadas na natureza visam preservar e melhorar o armazenamento de carbono em ecossistemas terrestres ou aquáticos e podem ser um potencial contribuinte para a estratégia de mitigação das mudanças climáticas. “No entanto, o risco é que o carbono armazenado nos ecossistemas possa ser perdido de volta para a atmosfera como resultado de incêndios florestais, surtos de insetos, desmatamento ou outras atividades humanas”, diz Kirsten Zickfeld, professor de ciência climática no Departamento de Ciências da Universidade Simon Fraser.

Os pesquisadores usaram um modelo climático global para simular a mudança de temperatura por meio de dois cenários que variam de reduções de emissões de gases de efeito estufa fraco a ambiciosas. No cenário de redução de emissões relativamente fraco, as emissões de carbono continuam até 2100. No cenário ambicioso, as emissões de carbono atingem zero líquido até 2050.

Para cumprir as metas climáticas do Acordo de Paris, o mundo precisará atingir emissões líquidas zero de CO2 por volta ou antes de meados do século, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas.

Em ambos os cenários, assume-se que o armazenamento de carbono por meio de soluções climáticas baseadas na natureza é temporário, pois as florestas são vulneráveis a distúrbios naturais e humanos. Portanto, espera-se que as soluções climáticas baseadas na natureza retirem carbono da atmosfera nos próximos 30 anos e depois liberem lentamente o carbono durante a 2ª metade do século.

A equipe descobriu que, em um cenário com emissões de carbono diminuindo rapidamente para zero líquido, o armazenamento temporário de carbono baseado na natureza pode diminuir o nível de pico de aquecimento. No entanto, num cenário com emissões contínuas de carbono, o armazenamento temporário de carbono baseado na natureza serviria apenas para retardar o aumento da temperatura.

“Nosso estudo mostra que o armazenamento de carbono baseado na natureza, mesmo que temporário, pode ter benefícios climáticos tangíveis, mas somente se implementado juntamente com uma rápida transição para zero emissões de combustíveis fósseis”, diz Zickfeld.

Os resultados foram publicados na Communications Earth & Environment .

Zickfeld também é o principal autor da recente contribuição do Grupo de Trabalho I do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas para o Sexto Relatório de Avaliação lançado no verão de 2021 e do relatório especial de 2018 do IPCC sobre o aquecimento global de 1,5°C.

Os pesquisadores também observam que investir na proteção e restauração da natureza oferece benefícios sociais e ambientais para comunidades locais e indígenas, além de armazenar carbono para mitigar as mudanças climáticas.

Eles acrescentam que a biodiversidade, a qualidade da água e do ar são inerentemente valiosas e que os esforços para melhorá-las também podem ajudar a aumentar a resiliência da comunidade às mudanças climáticas.

Padrão espacial da resposta climática ao sequestro de carbono e mudanças no albedo da superfície resultantes de cenários de reflorestamento temporário. In ‘Temporary nature-based carbon removal can lower peak warming in a well-below 2 °C scenario’. (ecodebate)

Estudo brasileiro inédito associa poluição do ar a maior letalidade por covid-19

Cidades com altos níveis de poluentes, como Guarulhos e Osasco, apresentaram as maiores taxas de letalidade por covid-19, segundo pesquisa da Unifesp.

A exposição à poluição do ar ao longo dos anos compromete o sistema respiratório, deixando-o mais vulnerável a diversas doenças. Como o vírus causador da covid-19, o Sars-CoV-2, afeta principalmente esse sistema, estudos ao redor do mundo vêm indicando relação positiva entre a exposição prolongada à concentração de poluentes na atmosfera e a letalidade da doença.

Com essa premissa, uma pesquisa pioneira no Brasil, realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), utilizou dados da pandemia e de monitoramento da qualidade do ar de municípios do estado de São Paulo e concluiu que a exposição a poluentes atmosféricos nos cinco anos anteriores à pandemia, principalmente ao material particulado fino, aumentou a letalidade da covid-19. O trabalho foi publicado no periódico Environmental Monitoring and Assessment.

Para chegar a esse resultado, pesquisadoras do Laboratório de Economia, Saúde e Poluição Ambiental do Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas/ICAQF/Unifesp, Campus Diadema analisaram dados da qualidade do ar, entre 2015 e 2019, de 64 estações de monitoramento localizadas em 36 municípios paulistas. Taxa de letalidade da covid-19 foi calculada considerando casos e óbitos a partir dos dados oficiais do governo e a taxa de mortalidade foi calculada considerando a população brasileira de 2020.

As cidades com os elevados níveis de poluentes atmosféricos, como Guarulhos e Osasco, situadas na região metropolitana de São Paulo, foram aquelas que apresentaram a maior letalidade da covid-19 dentre as investigadas: taxas de 6,1% e 5,12%, respectivamente. Considerando somente o índice de Guarulhos, ele foi mais que o dobro do registrado pelos municípios paulistas na média (2,9%).

Poluição do ar provoca 7 milhões de mortes prematuras todos os anos, alerta ONU

“Esse estudo enriquece a discussão ao apresentar uma correlação significativa entre a letalidade da covid-19 e a exposição prolongada a poluentes atmosféricos, e também por ter considerado um país com uma das maiores incidências da doença no mundo. Assim, ele reforça que medidas para reduzir a concentração de poluentes atmosféricos são essenciais para a saúde pública, aumentando a chance de sobrevivência em futuras epidemias de doenças respiratórias”, explica Luciana Leirião, primeira autora do artigo e idealizadora do trabalho. (ecodebate)

Regeneração natural assistida é uma forma de recuperar a vegetação nativa

Regeneração natural assistida é uma forma de recuperar a vegetação nativa com bom custo-benefício.
Técnicas de restauração de baixo custo ajudam produtores a se adequar ao Código Florestal, mostra estudo.

A Regeneração Natural Assistida (RNA) – um meio termo entre a recuperação natural e o plantio ativo de árvores – está chamando cada vez mais a atenção de cientistas e produtores por sua alta eficácia e flexibilidade de aplicação em várias paisagens. Um novo estudo publicado em 29/03/22 mostra como essa técnica simples e de baixo custo pode ser crucial para recuperar florestas nos diferentes biomas brasileiros, ajudar o produtor rural a se adequar ao Código Florestal e mitigar as mudanças climáticas.

O estudo, desenvolvido pelo WRI Brasil, em parceria com ICV, Imazon e a empresa Suzano, apresenta casos de produtores rurais, empresas e organizações que utilizaram a estratégia, contribuindo com a recuperação de milhares de hectares no Brasil e no mundo.

“Analisamos o uso da terra, causas da degradação, perfil fundiário, fontes de financiamento e atores envolvidos para identificar os fatores-chave para o sucesso da regeneração natural assistida em cada caso particular”, explica Mariana Oliveira, coordenadora de projetos do WRI Brasil e uma das autoras do estudo. “A pesquisa revela que arranjos institucionais robustos e que contam com envolvimento de comunidades são uma condição importante para garantir a permanência da vegetação nativa em áreas regeneradas”.

O estudo “O papel da regeneração natural assistida para acelerar a restauração de florestas e paisagens” levantou e sistematizou 24 experiências práticas de projetos, organizações e empresas que adotaram a regeneração natural assistida como parte da sua abordagem, sendo 15 no Brasil, distribuídas em oito estados (BA, ES, MT, PB, PA, PR, SC e SP).

Além disso, o trabalho reúne e apresenta algumas das técnicas para promover a condução da regeneração natural. São intervenções em geral de baixo custo, que têm como objetivo remover barreiras para que a natureza cresça novamente. Entre as intervenções há, por exemplo, o manejo do gado, para evitar o pisoteio da vegetação que está rebrotando; a instalação de cercas; o controle de espécies invasoras e, assim como em qualquer jardim ou lavoura, também o controle das formigas e insetos.

Segundo Andréia Pinto, pesquisadora do Imazon e uma das autoras do estudo, já há na Amazônia uma grande quantidade de áreas em regeneração. Aplicar técnicas de regeneração natural assistida pode garantir que essas áreas se tornem florestas novamente. “Há na Amazônia 7,2 milhões de hectares de áreas com vegetação em regeneração há mais de cinco anos. Conduzir essa regeneração com intervenções para que a floresta permaneça e se desenvolva pode ser uma grande oportunidade para proteger a biodiversidade e gerar renda a partir do uso econômico de produtos florestais não-madeireiros ou por meio de mercados de carbono”, diz.

Área de Mata Atlântica em regeneração.

Oportunidades para pequenos produtores e grandes empresas

O estudo aponta que a regeneração natural assistida é uma técnica de grande potencial para produtores que precisam recuperar Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reserva Legal, para se adequarem ao Código Florestal.

“Para a agricultura familiar, é uma estratégia muito eficiente. Um dos entraves para recuperar o passivo ambiental é o limite econômico. Por ser de baixo custo de implantação, a regeneração natural assistida se torna uma técnica importante para o pequeno produtor se adequar ao Código Florestal e acessar recursos e mercados”, diz Eduardo Darvin, coordenador do Programa de Negócios Sociais do ICV, que atua com produtores rurais no norte do Mato Grosso.

A técnica também se mostra uma oportunidade promissora para a restauração em escala, com a participação de grandes atores do setor privado. A Suzano, referência global na fabricação de bioprodutos desenvolvidos a partir do cultivo de eucalipto, usou a condução da regeneração natural para recuperar 7 mil hectares no Parque das Neblinas, em Bertioga-SP.

“A participação do setor privado na recuperação do meio ambiente é crucial para aumentar a escala do processo de restauração, auxiliar na conexão de remanescentes naturais, formar redes de parceiros, envolver comunidades e apoiar uma economia mais sustentável”, diz Marcelo Gomes, gerente de Sustentabilidade da Suzano.

A Década da Restauração

As Nações Unidas declararam a Década da Restauração de Ecossistemas até 2030, e o Brasil tem a meta de restaurar 12 milhões de hectares de florestas no âmbito do compromisso do Acordo de Paris. O estudo mostra que a regeneração natural assistida é uma técnica eficiente para acelerar e dar escala à restauração, cumprindo os compromissos internacionais e reduzindo as emissões de gases que contribuem com o aquecimento global.

Sobre o ICV

Fundado no Mato Grosso em 14/04/1991, o Instituto Centro de Vida (ICV) é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) apartidária, sem fins lucrativos, e reconhecida como de utilidade pública pela lei estadual n° 6.752/96.

Nossas ações atingem tanto níveis internacionais, nacionais e estaduais nos temas da transparência, da governança ambiental e das políticas públicas, quanto o nível municipal por meio de experiências práticas. Buscamos disseminar essas inovações para dar amplitude e influenciar outros atores para além dos territórios em que atuamos. Fazemos isso com base em estudos e análises, bem como em experiências de campo, sempre buscando a participação efetiva dos atores nesse processo.

Para isso, construímos parcerias com diversos setores com os quais nos relacionamos, como governos, organizações, redes, coletivos, empresas e mídias.

Sobre o IMAZON

O Imazon é uma instituição brasileira de pesquisa, sem fins lucrativos, fundada em 1990 e sediada em Belém-PA.  O Instituto é um centro de pensamento e ação estratégica, cuja missão é promover conservação e desenvolvimento sustentável na Amazônia.  As ações do Imazon são realizadas dentro de cinco grandes programas: Direito & Sustentabilidade, Monitoramento da Amazônia, Mudanças Climáticas, Municípios Sustentáveis e Política & Economia. Para mais informações, acesse: https://imazon.org.br/.

Sobre a SUZANO

A Suzano é referência global no desenvolvimento de soluções sustentáveis e inovadoras, de origem renovável, e tem como propósito renovar a vida a partir da árvore. Maior fabricante de celulose de eucalipto do mundo e uma das maiores produtoras de papéis da América Latina, atende mais de 2 bilhões de pessoas a partir de 11 fábricas em operação no Brasil, além da joint operation Veracel. Com 98 anos de história e uma capacidade instalada de 10,9 milhões de toneladas de celulose de mercado e 1,4 milhão de toneladas de papéis por ano, exporta para mais de 100 países. Tem sua atuação pautada na Inovabilidade – Inovação a serviço da Sustentabilidade – e nos mais elevados níveis de práticas socioambientais e de Governança Corporativa, com ações negociadas nas bolsas do Brasil e dos Estados Unidos. Para mais informações, acesse: www.suzano.com.br.

Sobre o WRI Brasil

O WRI Brasil é um instituto de pesquisa que transforma grandes ideias em ações para promover a proteção do meio ambiente, oportunidades econômicas e bem-estar humano. Atua no desenvolvimento de estudos e implementação de soluções sustentáveis em clima, florestas e cidades. Alia excelência técnica à articulação política e trabalha em parceria com governos, empresas, academia e sociedade civil.

O WRI Brasil faz parte do World Resources Institute (WRI), instituição global de pesquisa com atuação em mais de 60 países. O WRI conta com o conhecimento de aproximadamente 1000 profissionais em escritórios no Brasil, China, Estados Unidos, Europa, México, Índia, Indonésia e África. (ecodebate)

sexta-feira, 15 de abril de 2022

Microplástico presente em 16 praias estuarinas do litoral paranaense

 Estudo que investigou 19 praias alerta para os impactos que os microplásticos podem causar a diversas espécies marinhas, pondendo também ser consumido indiretamente pelo ser humano.

Formados por microesferas, os microplásticos – partículas de plástico com tamanho entre 0,001 e 5 mm – estão presentes em fios de roupas sintéticas, cosméticos e até nas pastas dentais. Dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente apontam que pelo menos 51 trilhões de partículas de microplásticos estão espalhadas pelos oceanos.

Um estudo publicado na revista científica Marine Pollution Bulletin identificou microplásticos em praias estuarinas do litoral paranaense. Os pesquisadores do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná investigaram praias localizadas às margens das Baias de Antonina, Paranaguá e Laranjeiras, incluindo as localizadas dentro da Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba (APA de Guaraqueçaba).

Os microplásticos foram encontrados em 16 das 19 praias estudadas. No total foram registrados 389 itens – 63% eram espumas, como o isopor, por exemplo, e 14% fragmentos de produtos feitos de plástico.

As coletas foram realizadas ao longo de duas semanas no final de 2020 e todas as análises laboratoriais ocorreram no primeiro semestre de 2021. De acordo com o grupo, a presença e caracterização de microplásticos é inédita nas praias do Complexo Estuarino de Paranaguá (PR), uma das mais importantes baías do Brasil.

“Nós selecionamos as praias visando a obtenção de um panorama espacial da presença dos microplásticos ao longo do sistema estuarino”, explica Mateus Farias Mengatto, Mestre em Sistemas Costeiros e Oceânicos pela UFPR e primeiro autor do trabalho. As partículas foram observadas em todas as praias da área de proteção de Guaraqueçaba. Mengatto também destaca que o grupo ainda encontrou pellets – plásticos primários utilizados como matéria prima por indústrias que fabricam produtos de plástico.

Mapa de localização do Complexo Estuarino de Paranaguá; Pontos vermelhos – praias onde foram encontrados microplásticos; pontos verdes – praias onde não foram encontrados; polígono com textura de linha (brancas) área da APA de Guaraqueçaba. Imagens: Mateus Farias Mengatto.

O trabalho faz parte do projeto de pesquisa “Panorama Histórico e Perspectivas Futuras Frente a Ocorrência de Estressores Químicos Presentes no Complexo Estuarino de Paranaguá (EQCEP)”, um de oito selecionados pela Chamada Pública do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações/Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – Nº 21/2017 – Pesquisa e Desenvolvimento em Ações Integradas e Sustentáveis nas Baías do Brasil.

Renata Hanae Nagai, orientadora e coautora do trabalho, ressalta que o projeto busca ampliar o conhecimento sobre os impactos das ações humanas no litoral do Paraná.

“Nós queremos fornecer informações sobre a qualidade ambiental da região para a sociedade e tomadores de decisão, visando a conservação e uso sustentável do ambiente costeiro”, afirma Nagai.

No âmbito de regiões que abrigam unidades de conservação, como o litoral do Paraná, entender a presença, quantidade e características de poluentes como microplásticos é fundamental. “Apesar deste trabalho ter considerado apenas as praias do Complexo Estuarino de Paranaguá, destacamos que o nosso litoral possui ecossistemas essenciais para a manutenção da biodiversidade marinha e para manutenção de recursos naturais consumidos pela sociedade, como por exemplo os manguezais. É importante que esses ambientes sejam investigados em trabalhos futuros.”, comenta Mateus.

Por que isso importa?

O plástico tornou-se popular no Brasil na década de 1950, mas a produção em larga escala trouxe graves impactos ambientais. O Brasil é um dos maiores produtores de lixo plástico do mundo, com aproximadamente 11,3 milhões de toneladas descartadas por ano, de acordo com a World Wildlife Fund (WWF). O destino incorreto gera poluição em oceanos, rios e solos, com impacto direto para a fauna e a flora.

Os grandes vilões são os produtos plásticos de uso único, como embalagens descartáveis e sacolinhas plásticas, que podem permanecer no ambiente por séculos. “Uma vez no oceano esses plásticos podem ser ingeridos por organismos marinhos maiores, como peixes, tartarugas, aves e mamíferos marinhos, e podem sofrer degradação, fragmentando-se em pedaços menores, gerando o que chamamos de microplásticos”, explica a docente Renata.

Microplásticos observados a partir de um estereomicroscópio. Escala de tamanho em vermelho.

O pequeno tamanho dos microplásticos – varia entre 0,001 e 5 mm – traz preocupações para a comunidade científica. “Isso dificulta a retirada do meio ambiente e também favorece sua interação com uma gama muito maior de organismos marinhos, o que tem um efeito cascata na fauna marinha, via processos de bioacumulação e biomagnificação. Por isso, a investigação de microplásticos cresceu exponencialmente na última década”, aponta Mateus.

“Hoje, a poluição por microplásticos é tema de diferentes pesquisas conduzidas por nossos discentes de pós-graduação do Centro de Estudos do Mar. A expectativa é que em um futuro próximo nosso entendimento do status da poluição por microplásticos no litoral do Paraná seja ampliado. Assim, será possível vislumbramos caminhos e soluções para os riscos e problemas gerados por este poluente emergente”, complementa Nagai. (ecodebate)

El Niño leva aquecimento dos oceanos a território desconhecido

El Niño excepcionalmente forte impulsiona aquecimento global dos oceanos e leva temperatura média da superfície do mar ao maior valor já reg...