sábado, 23 de março de 2013

‘Argumento contra barragens é falho’

Ex-ministro de Minas e Energia diz que política de construir usinas de menor impacto ambiental terá custo nos próximos anos.
Ministro de Minas e Energia no governo Fernando Henrique Cardoso, o engenheiro e economista Francisco Gomide apresentou um relatório à Agência Nacional de Águas (ANA) e ao Ministério do Meio Ambiente no qual alerta para um déficit de grandes reservatórios no País. Para ele, se for mantida a política de optar por usinas do tipo fio d'água - que opera sem reservatório-, problemas de abastecimento e falta de controle de cheias, entre outros, serão sentidos nas próximas décadas.
Como o sr. vê a política de evitar os grandes reservatórios?
Há uma campanha equivocada contra barragens e reservatórios feita por entidades que promovem a consciência ambiental, o que é muito positivo, mas que investe contra alguns alvos errados. O Brasil está abrindo mão de riquezas naturais importantes, na forma de seus recursos hídricos. A questão de dimensionamento do número de reservatórios é científica.
Mais reservatórios deixariam o País menos vulnerável?
Sim, este dimensionamento pode ser projetado com a segurança que você quiser. O problema é que se você constrói como no Brasil, com a tradição de usinas novas a fio d'água e com o volume de armazenamento dos reservatórios existentes, fica cada vez mais difícil atender ao mercado crescente. É uma política equivocada que só vai ficar aparente daqui a 20 ou 30 anos.
De quantos reservatórios o País precisa para evitar riscos?
Não falamos em número de reservatórios, o certo seria em volume. O trabalho que fiz traz uma série de comparações, mas, em particular no setor elétrico, eu diria que os reservatórios estão ficando pequenos demais, pois são equivalentes a apenas quatro meses de fluxo normal. É muito pouco, deveriam equivaler a muito mais.
Existem exemplos em outros países que se possa aplicar aqui?
Os reservatórios americanos, por exemplo, equivalem a 165 dias da vazão média. Foram construídos há mais de 30 anos e não há evidências de que foi um erro. Se, por exemplo, todos os rios secassem de uma hora para outra por lá, os reservatórios aguentariam por 165 dias. Comparativamente, no Brasil, nós temos só 47 dias. E temos isso porque na década de 1950 alguns dirigentes iluminados fizeram a opção por hidreletricidade com grandes reservatórios. Desses 47 dias, 42 vêm do setor elétrico. Se não tivessem feito essa opção lá atrás, o armazenamento brasileiro seria de apenas 5 dias. Há 10 anos, paramos de projetar. O governo jogou a toalha e desistiu de enfrentar organizações ambientais equivocadas.
Em que outros fatores os reservatórios podem ser úteis?
Há milhares de anos os reservatórios servem para administrar os chamados eventos hidrológicos extremos. Mas moramos em um país que acha que não precisamos de obras de infraestrutura. O reservatório guarda água em um momento em que há excesso para ajudar na estiagem. Com o uso para irrigação, também pode aumentar a capacidade agrícola, que sobe exponencialmente.
O principal argumento contra os grandes reservatórios é o impacto social e ambiental causado pelos alagamentos.
Como o sr. vê este aspecto?
O problema é que os movimentos ambientais vão contra todas as obras. O equívoco que se comete, na minha opinião, é a ideia de que obras de infraestrutura causam impactos ambientais intoleráveis. Toda e qualquer obra causa impacto, mas não se pode abrir mão delas. A natureza se ajusta. As pessoas não aceitam a tese de que esse ajustamento é possível, de que se pode realocar a população que está na área do reservatório, de que o interesse público é maior que o particular.
O sr. acha que o custo ambiental é menor com os reservatórios?
O que estamos dizendo é: 'Segurem as hidroelétricas, mas, como o consumo segue crescendo, vamos usar as térmicas'. A térmica pega um naco do volume de energia e opera na base, opera sempre. Não sou contra, mas deve ser usada com bom senso. Como complementar é uma beleza, pois o caro é apenas o combustível, não a instalação.
Como o sr. vê a polêmica em torno da construção de Belo Monte, cuja principal crítica recai sobre o reservatório?
É uma obra lógica, mas que é obrigada a ser cortada até que as entidades ambientais aceitem. Aí já não é uma obra defensável, pois foi castrada, e não se pode mais dar uma opinião.  (OESP)

Reservatórios estão 40% abaixo da média

Reservatórios estão 40% abaixo da média de março
Com metade do nível máximo, represas do Sudeste e Centro-Oeste não atingiram a reserva média dos últimos três anos das hidrelétricas das Regiões Sudeste e Centro-Oeste estão 40% abaixo da média de março dos três anos anteriores. No dia 17 deste mês, eles atingiram cerca de metade da capacidade máxima. Já a média para março de 2010 a 2012 foi de pouco mais de 80%. As duas regiões são responsáveis por 70% da capacidade de produção de energia com base em hidrelétricas do País.
Se as chuvas não foram suficientes para recuperar os níveis dos últimos anos, elas ajudaram a encher os reservatórios que estavam em situação crítica em dezembro. A represa de Furnas em Minas Gerais, uma das maiores do Brasil, subiu de 12% para 57% da sua capacidade máxima entre dezembro de 2012 e março deste ano. Em março dos três anos anteriores, contudo, Furnas já estava praticamente cheia - a média para o mês foi de 95% de 2010 a 2012.
A previsão do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), responsável pela geração e transmissão de energia elétrica, é que os reservatórios continuem enchendo com as chuvas que estão previstas para ocorrer até o final de abril. "A expectativa é de que as chuvas sejam maiores no fim do mês de março e em abril", diz o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp. Já a partir de maio é esperado o início de um período de estiagem. 
Na média dos últimos três anos, os reservatórios da região atingiram capacidade máxima em abril - acima de 80%. Nos meses seguintes, marcados por períodos de estiagem, os níveis caíram progressivamente. O ponto mínimo foi em novembro, quando a capacidade registrada marcou pouco mais da metade do valor de abril.
Meta
Para garantir o abastecimento de energia em 2014, ano da Copa do Mundo, o ONS deve defender a meta de que o nível dos reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste atinja, em novembro de 2013, 47% do valor total, no mínimo. De acordo com Chipp, a proposta de meta vai ser apresentada pelo ONS na próxima reunião do Comitê de Monitoramento do Sistema Elétrico, que deve ocorrer nas próximas semanas.
O valor é equivalente ao registrado hoje - metade da capacidade máxima. Mas ainda há pela frente um curto período de chuvas e outro longo de estiagem, que podem mudar o panorama. O ONS não informou o nível mínimo que os reservatórios precisam atingir até o final das chuvas de abril para que possam atravessar a estiagem dos meses seguintes e fechar novembro com 47% da capacidade máxima.
A operação das usinas térmicas, que são mais poluentes, deve ser mantida durante todo o ano para aliviar as hidrelétricas e ajudar na busca pelo cumprimento da meta. "A expectativa é de continuar com um volume de uso das térmicas, para que seja possível atingir um nível-meta até o final de novembro", afirma Chipp.
Segundo o diretor-geral do ONS, a situação atual dos reservatórios "não é motivo de preocupação" e não há "nenhum risco de racionamento de energia", já que o abastecimento está sendo garantido com o apoio das usinas térmicas. "Hoje temos um volume de térmicas bastante razoável, que não tínhamos em 2001", afirma, em referência ao racionamento ocorrido durante o governo FHC.
Se o nível-meta a ser proposto para novembro não for atingido, as térmicas podem continuar em operação em 2014 para garantir o abastecimento. Além de mais poluentes, elas são mais caras e parte do custo adicional pode ser repassado para o consumidor final.
A situação atual dos reservatórios é pior no sistema do Nordeste, que está com 42% da capacidade atual. Na região, o nível que deve ser proposto pelo ONS como meta para novembro é de no mínimo 35%. Já a Região Norte é a que está em melhor situação, com 85% da capacidade preenchida. No Sul, o nível é de 49%.
Itumbiara e Nova Ponte, ambas no Rio Parnaíba, em Minas Gerais, são as represas em pior situação, com cerca de dois quintos do nível máximo. Ainda assim, Itumbiara é, ao lado de Furnas, o reservatório que mais melhorou desde dezembro. (OESP)

População desconhece fórum de gestão das águas

População desconhece fórum de gestão das águas, diz o ambientalista Glauco Kimura, do WWF-Brasil
Comissão de Meio Ambiente realizou audiência pública em comemoração ao Dia Mundial da Água.
Dezesseis anos após a entrada em vigor da Lei das Águas (Lei Nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997), uma das principais inovações da legislação continua desconhecida da maioria da população. De acordo com o coordenador do Programa Água para a Vida do WWF-Brasil, Glauco Kimura, 84% dos brasileiros nunca ouviram falar dos comitês de bacia. Kimura participou em 21/03/13 de audiência pública na Comissão de Meio Ambiente, em comemoração ao Dia Mundial da Água, 22 de março.
O ambientalista explica que os comitês são fóruns de debates e de decisão, onde governo, sociedade civil organizada e usuários das águas de uma bacia hidrográfica têm assento. São os locais adequados, por exemplo, para se buscar a limpeza de um córrego que vem sendo afetado pelo lançamento de esgoto não tratado ou a ação de uma indústria.
“Cria-se uma associação e busca-se um assento no comitê de bacia para discutir o tema. Ao conseguir espaço, isso vira uma pauta do comitê. Ao virar uma pauta, o comitê vai deliberar e pode ser implementada através da agência de bacia, inclusive com recursos da cobrança pelo uso da água”, explicou.
Dificuldades
Existem no país cerca de 190 comitês de bacia, sendo 11 deles em rios de domínio da União, de acordo com o diretor de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, Júlio Thadeu Kettelhut. O técnico reconhece a dificuldade de se ampliar a participação da sociedade nos comitês, mas analisa que mudanças de paradigma como a trazida pela Lei das Águas tendem a ser lentas.
“Às vezes, ficamos ansiosos que este processo ande rápido – e é bom que seja assim- , mas é um processo que quebra paradigmas e que necessita muita negociação”, afirmou.
A dificuldade de articulação entre governos e sociedade civil na gestão das águas tem reflexos na vida das cidades, onde, segundo a coordenadora da Rede de Águas da Fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, a poluição dos rios e os problemas de saneamento continuam impactando a saúde de adultos e crianças. Malu destaca que 70% das doenças na cidade de São Paulo têm origem no contato com água poluída.
“Regiões metropolitanas muito urbanizadas, onde a gente tem grandes cargas de poluição, como São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro, elas sofrem com falta de água por indisponibilidade, ou seja, porque águas estão poluídas e também por eventos climáticos drásticos.”
Hora do Planeta
A necessidade de um olhar mais atento para as águas fez o WWF-Brasil associar ao tema, neste ano, a campanha da Hora do Planeta. Organizada para 23 de março, em seguida ao Dia Mundial da Água, o evento convida os cidadãos a apagar as luzes por uma hora entre oito e meia e nove e meia da noite, num ato simbólico pelo uso mais racional dos recursos da Terra.
Pelo quinto ano consecutivo, a Câmara dos Deputados participa da campanha, desligando as luzes por uma hora e, no restante da noite, mantendo seu prédio iluminado de azul. A iluminação em azul já será ligada em 22/03/13.
Para o coordenador do GT Água da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado Dr. Paulo César (PSD-RJ), a campanha da Hora do Planeta deste ano é mais um instrumento de conscientização da população sobre a importância de um uso mais racional da água.
“Acho que este fato de comemorarmos também é uma forma de estarmos conscientizando a sociedade brasileira sobre como nós estamos tratando, como nós estamos exagerando no consumo e como nós estamos desperdiçando nossa água”. (EcoDebate)

Na semana mundial da água, livro infanto-juvenil

Na semana mundial da água, livro infanto-juvenil resgata mitos e lendas sobre a água
Na lua crescente, fechando a semana que marca o dia Mundial da Água, as Editoras Mãe Terra e Legere vão lançar o livro infanto-juvenil “Era uma vez um rio”, da escritora Anne Raquel Sampaio, ilustrado por Júlio Shimamoto. Vai ser na livraria Argumento do Leblon (rua Dias Ferreira, 417), no dia 24 de março (domingo), a partir das 17 horas.
A publicação resgata mitos e lendas indígenas sobre a água, que fazem parte da cultura brasileira e contêm uma sabedoria própria. Segundo a autora, essa sabedoria pode influenciar as gerações futuras a criarem uma relação de mais respeito e amor para com as águas do planeta. “Era uma vez um rio” marca uma parceria que une duas editoras: a Mãe Terra e a Legere, além do GreenNation – um ambiente colaborativo “on line”, que interage com pessoas para convergir cultura, informação e proteção ambiental, a partir de questões que envolvem o futuro do planeta.
O Comitê da Bacia Hidrográfica do rio Guandu apoia o lançamento da publicação na medida em que ela se utiliza da literatura para defender a preservação da Mata Atlântica responsável pelo abastecimento de água de 80% da população brasileira.
Riqueza de mitos
Na história, a escritora Anne Raquel Sampaio nos fala de uma Mata Atlântica protagonista de todas as ações realizadas em seu território e chama a atenção sobre o cuidado e o carinho que devemos ter para com o bioma e suas águas. No livro, a Iara, o Saci-Pererê, a Curupira, além de animais da fauna da floresta atlântica vão invadir a imaginação das crianças em uma aventura, que envolve a solidariedade de toda a mata em prol da defesa das águas do rio.
Segundo Marcos Didonet, diretor do GreenNation, por suas características, além de representar uma literatura indispensável para nossas crianças pela emoção que provoca, a publicação pode ser utilizada em projetos de Educação Ambiental: “É uma ferramenta também para projetos sociais e ambientais que se preocupem em conscientizar as gerações futuras sobre a importância da água” – , afirma Didonet.
Curriculum: Anne Raquel Sampaio
Anne escreve desde criança sempre focada nas questões ambientais, que para ela se confundem com as existenciais. “Era uma vez um rio” é o nono livro da escritora e roteirista, que publicou seu primeiro livro de poesias, “Nois Nua”, em 1981. Mais tarde, publicou o livro “Santa Mãe Terra”, Poesia Verde. A publicação foi impressa em algodão e encadernada com corda de algodão cru. O livro foi considerado como ecologicamente correto pelo Itamaraty, e foi enviado a bibliotecas de embaixadas brasileiras no exterior.
Em 2001, a escritora escreveu a história infantojuvenil “Enigma dos Portais”, ilustrado pela artista plástica Lúcia Caldas – na qual pela primeira vez a Mata Atlântica, seus mitos e lendas, se tornaram protagonistas da história. O Enigma dos Portais gerou a coleção “Quatro Elementos”, no qual crianças viajam através de portais do tempo para pedir aos deuses guardiões da Terra que voltem a cantar a criação e impeçam os desastres ambientais, que tantos traumas têm trazido ao território da floresta onde construímos nossas cidades. Baseada em mitos e lendas indígenas, o primeiro livro da coleção “Yakacy, o mistério da Senhora das Águas”, ilustrado por Nilton Ramalho, foi lançado em 2004, após mais de três anos de pesquisa sobre o mito da Terra Sem Males, mundo paralelo no qual humanidade e natureza vivem em equilíbrio.
Quatro anos depois, após vivências e pesquisas em tribos indígenas, Anne publicou “O segredo da Mãe Terra”, ilustrado por Benício. Em 2009, publicou livro “Jakairá, Ru Ete – o Caminho do Guerreiro” – que nos fala que o ar é nosso espírito, assim como a água é nosso sangue e a terra é nosso corpo (carne, ossos e músculos). O último livro da coleção Quatro Elementos que se chama “Coaracymirim, o pequeno Sol do Ser” é sobre o elemento Fogo e está ainda em fase de pesquisa.
No ano passado, Anne lançou o livro “Gigantes de Pedra” – que narra a versão dos índios tupinambás sobre o território no qual se localiza a cidade do Rio de Janeiro.
Para os índios, esse território é sagrado, pois sobre ele um grande gigante de pedra se deitou sobre o Oceano Atlântico e se deixou cair sobre a Baia de Guanabara, formando as montanhas do Rio de Janeiro.
Além de literatura, Anne faz roteiros para cinema, escreve para teatro, além de material técnico sobre o tema ambiental, em particular, os recursos hídricos. Tem ainda trabalhos publicados na área de Educação Ambiental, como a história em quadrinhos “Guerreiros da Água”.
Sinopse do livro infanto-juvenil “Era uma vez um rio”, de Anne Raquel Sampaio
“Era uma vez um rio” narra a história de um pequeno rio que nasce em um trecho da Mata Atlântica. Com o passar do tempo, esse manancial cresce e se torna grande, contribuindo para a vida e o equilíbrio da floresta. A Iara, a Curupira e o Saci Pererê são felizes e transmitem alegria a todas as criaturas que vivem na mata. Passa-se o tempo, os homens chegam e devastam as matas ciliares, que protegem o manancial, além do que poluem suas águas. Diante de tamanha destruição, a Curupira e o Saci Pererê abandonam a mata. Para se proteger, a Iara se recolhe à sua nascente.
Mas, em determinada tarde, a Mãe d´Água assume para si própria que está com dificuldades de abrir os olhos, pois seus cílios estão rareando, desaparecendo. Preocupada, a Iara conversa com o amigo Colibri. Ela lhe confidencia que a falta de seus cílios está dificultando que olhe para o sol e talvez precise procurar refúgio nas águas subterrâneas ou mesmo nas grandes águas salgadas, até que a mata (que protege seus cílios) se recupere.
Empoleirada em um jequitibá à beira do rio, a coruja Jucurutu ouve a conversa e se assusta com a possibilidade de que o rio e a mata venham a morrer, se a Mãe d´Água for embora. No dia seguinte, ao relatar a todos o acontecido, a coruja consegue que os animais da floresta se unam em solidariedade na tentativa de reflorestar a mata ciliar, evitando que a Iara abandone o rio, o que poderia trazer a morte daquele trecho da floresta. E assim, formigas, abelhas, minhocas, urubus reis e outros animais da mata iniciam ações para acelerar o plantio de sementes que vão formar uma nova mata ciliar que há de proteger as águas do rio e sua Iara.
As feiticeiras aranhas sugerem que se traga a magia de volta à Mata. Logo, a Curupira e o Saci Pererê são trazidos de volta. A Iara, por sua vez, pede ajuda da chuva e da lua para chegar às grandes águas salgadas. Isso quando sente a ameaça que atinge suas águas, invadidas por uma força má que tem poder para destruí-la. Emoção e aventura fazem parte da história.
Características da publicação:
Livro infanto-juvenil
Autora: Anne Raquel Sampaio
Ilustrações: Júlio Shimamoto
Formato: 21 X 28 cm
Papel reciclado 90 gramas (miolo)
Capa: Papel Cartão Supremo laminação foca
Custo do exemplar: R$ 24,00 (EcoDebate)

Mais um dia mundial da água

A ONU – Organização das Nações Unidas – proclamou 2013 como o Ano Internacional da Cooperação da Água.
O nome é pomposo e bonito. Mas oco. Vazio. Não sei ainda o que isso significa. Cooperar com a água? Seja lá o que for, é pouco. Afinal, essa ONU, em 2010, divulgou que “Água poluída mata mais que violência no mundo, incluindo guerras”. E que: “Falta de água potável mata 1,8 milhão de crianças com menos de 5 anos de idade por ano”.
Estamos em 2013. Desde 2010, eu pergunto: já que a ONU descobriu tudo isso, vai fazer o quê? Continuar conivente com essas mortes? Ou vai criar regras claras e duras para punir os assassinos das nossas crianças? Porque, até agora, ela só criou resoluções, declarações, princípios, pactos e outros blablablás…
Não precisa ser muito esperto, antenado, pra saber que tais números recrudescem a cada ano. Até a Mídia Marrom fala a respeito. E uma das principais causas da poluição é a destinação ilegal de resíduos: mais de dois milhões de toneladas são lançadas nas águas por dia: esgoto, poluição industrial, pesticidas agrícolas e resíduos animais…
Basta um olhar (ou uma cheirada) nos rios da sua cidade pra perceber isso. Moro em Florianópolis-SC, terra de pescadores, de turista apreciador de peixe e outros frutos do mar. E aqui não tem um rio (nem mar) saudável. Todos morrendo, agonizando, as cidades do interior catarinense também padecem do mesmo mal.
Ou seja: estão destruindo a água – líquido vital cuja falta leva o ser humano à morte em 3 dias.
Quem são os culpados por essa destruição? Não sei se alguém está interessado na resposta. Ainda mais num Brasil onde a impunidade é corriqueira. Onde o crime ambiental é perdoado com a assinatura de um TAC – Termo de Ajustamento de Conduta. Não é assim? A mortandade dos peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas (RJ) – um dos cartões postais brasileiros – é uma das provas mais recentes disso.
Nos próximos cinco meses, a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), na Baixada Fluminense, vai diminuir em até 60%, até agosto, o despejo de resíduos poluentes na Baía de Guanabara, disse em 13/03/13 o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc. A Reduc assinou, em 2011, o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o governo do estado se comprometendo a investir cerca de R$ 1,08 bilhão em melhorias ambientais até 2017. O TAC da Reduc é o termo de maior valor assinado até agora no Brasil”.
Quando ouço minha neta pedir “vó, fecha a torneira porque a água vai acabar”, penso nas meias verdades hipócritas que levamos ao cérebro da futura geração. Eu fecho a torneira e economizo no pagamento de 30 litros de água tratada. Uma bagana de cigarro jogada na praia polui até 500 litros. Uma empresa lança esgoto no rio e destrói milhares de litros (e os bichinhos e vegetais que ali habitam).
A geração atual precisa salvar a água. Para sobrevivência própria e das gerações futuras. E acordar para a triste realidade que experimentamos. Acho que ainda há tempo pra isso!
Lembrei agora que um dos Objetivos do Milênio (compromisso firmado entre 189 nações, em setembro de 2010) – inserto no PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – é “Reduzir pela metade, até 2015, a proporção da população sem acesso permanente e sustentável a água potável segura e esgotamento sanitário”.
Quem sabe isso vira realidade? Vamos pensar positivo!
E, no Dia da Água, pare alguns minutos e reflita sobre a relação direta da água com a sua sobrevivência (e dos que você ama)!
O grande escritor uruguaio Eduardo Galeano já brincou – de forma muito séria – com o tema: pra que água se podemos beber Coca Cola??? (EcoDebate)

Pegada hídrica: medindo o consumo de água

A pegada hídrica (PH) de um indivíduo, comunidade ou empresa é o volume total de água doce que é utilizado para produzir os bens e serviços consumidos por estes, portanto, é um indicador do consumo de água doce. Ela é baseada no mesmo raciocínio da pegada ecológica, mas ao invés de usa área (em hectares), utiliza o volume de água, geralmente em medido em metros cúbicos.
A pegada hídrica de um indivíduo ou comunidade pode ser estimada multiplicando-se todos os bens e serviços consumidos por seus respectivos conteúdos de água virtual. A PH de uma nação consiste de partes interna e externa, sendo a interna referente ao consumo dos recursos hídricos dentro do país, enquanto a externa se refere à apropriação dos recursos hídricos de outros países. O entendimento da PH de uma nação é altamente relevante para o desenvolvimento de políticas nacionais mais adequadas.
Na média anual, os norte-americanos têm uma PH de 2.482 m3. Já a média global é de 1.243 m3 e a do Brasil é de 1.381 m3. Cerca de 38% da PH global refere-se à três países: China, Índia e Estados Unidos. O próximo país no ranking é o Brasil, com uma PH total de 482 Gm3/Ano (Hoekstra e Mekonnen, 2012). A maioria dos usos de água ocorre na produção agrícola destacando também um número significativo de volume de água consumida e poluída nos setores industriais e domésticos.
A PH permite que as iniciativas públicas e privadas, assim como a população em geral, entendam o quanto de água é necessário para a fabricação de produtos ao longo de toda a cadeia produtiva, ou seja, como indicador de sustentabilidade, a pegada hídrica é capaz de monitorar o impacto humano sobre o meio ambiente. Desta forma, os segmentos da sociedade podem quantificar a sua contribuição para os conflitos de uso da água e degradação ambiental nas bacias hidrográficas em todo o mundo.
Um aspecto interesse da PH é seu uso de atividades de educação ambiental, já que está enraizado no reconhecimento de que os impactos humanos nos sistemas de água doce podem estar ligados ao nosso consumo, e que questões como a escassez de água e a poluição podem ser melhores compreendidas e tratadas, considerando a produção e cadeias de suprimento como um todo (Lamim-Guedes, 2012). (EcoDebate)

Agricultura é quem mais gasta água

Agricultura é quem mais gasta água no Brasil e no mundo
Setor imprescindível para o abastecimento mundial de alimentos, a irrigação é o insumo que mais desperdiça outro recurso essencial à vida: a água. A Organização das Nações Unidas (ONU) revela que aproximadamente 70% de toda a água disponível no mundo – que já não é muita – é utilizada para irrigação. No Brasil, esse índice chega a 72%.
Pelas análises dos últimos relatórios divulgados pela ONU, o uso da água tem crescido a uma taxa duas vezes maior do que o crescimento da população ao longo no último século. A tendência é que o gasto seja elevado em até 50% até 2025 nos países em desenvolvimento; e em 18% nos países desenvolvidos.
“Hoje, 780 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso a água potável para beber e muitas outras sem saneamento básico. Por isso trabalhamos com o tema de segurança hídrica; para garantir que a água esteja disponível para produção de alimentos, geração de energia, transporte e preservação de ecossistemas vitais”, disse o presidente do Conselho Mundial da Água, Ben Braga, em entrevista relativa ao Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de março.
Na semana em que a ONU divulga alertas pela preservação desse recurso natural, outro dado sobre desperdício de água ressalta a necessidade de economia. Até 2025, cerca de 2 milhões de pessoas viverão em regiões com absoluta escassez.
A agricultura é vista pelo organismo internacional como alvo prioritário para as políticas de controle racional de água. De acordo com a Organização as Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), cerca de 60% da água utilizada em projetos de irrigação são perdidas por fenômenos como a evaporação. Ainda segundo o órgão, uma redução de 10% no desperdício poderia abastecer o dobro da população mundial dos dias atuais.
A Agência Nacional de Águas (ANA) informa que a irrigação é em disparado a maior usuária de água no Brasil, com uma área irrigável de aproximadamente 29,6 milhões de hectares. “Apesar da agricultura irrigada ser o principal uso no país e por isso requerer maior atenção dos órgão gestores, visando ao uso racional da água, ela resulta em aumento da oferta de alimentos e preços menores em relação àqueles produzidos em áreas não irrigadas devido ao aumento substancial da produtividade”, pondera o Relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil.
O tema tem sido debatido na Subcomissão de Segurança Alimentar da Câmara dos Deputados. Em recente reunião, a presidenta do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Conseas), Maria Emília Pacheco, ressaltou que o Brasil precisa de uma agricultura que tenha harmonia com o meio ambiente. “A chamada revolução verde não é baseada na especificidade de uma agricultura tropical. Ela usa água em quantidade demasiada, desperdiça água.”, comentou.
Em 20 de agosto de 2012, a presidenta Dilma Rousseff publicou o decreto nº 7.794, que instituiu a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica e tem o objetivo de “contribuir para o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida da população, por meio do uso sustentável dos recursos naturais e da oferta e consumo de alimentos saudáveis”. (EcoDebate)

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Reciclagem de módulos solares no fim da vida é inviável se a diversidade de materiais não for considerada. Pesquisadores da Austrália e da...