quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Privatização da água mineral, diga não!

CODEMIG lança consulta pública para privatizar as águas minerais, diga não!


“Vocês estão sentados em cima de uma bela nascente de água e o mundo tem sede”, essa foi uma das frases que Maude Barlow, Presidente do Conselho dos Canadenses e conselheira da ONU disse em sua passagem por Cambuquira (MG) em 2014, para o Fórum das Águas. Na ocasião, Cambuquira recebeu o título de Cidade Azul, comprometendo-se em proteger as águas, como um direito humano e não um bem comercial.
A CODEMIG (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais) lançou uma consulta pública sobre a licitação para o projeto de exploração das águas minerais. Isso significa que se a licitação for aprovada, uma empresa privada deterá os direitos comercializar as águas mineiras de Minas Gerais, com o objetivo de gerar lucro através da exploração das águas minerais de todo o território mineiro.
Atualmente a água mineral faz parte do código de mineração, o que significa que pode ser explorada até o seu esgotamento, assim como aconteceu com o ouro. “O planeta está com sua água se esgotando. A crise de água é a maior hoje em dia. Tudo que aprendemos nas escolas sobre a água está errado. Colocamos a água onde queremos e não onde deve ser colocada. Minam a água como já fizeram com o ouro (…). Nossa água é explorada e exportada”, afirmou Maude durante a palestra.


ONG Nova Cambuquira lançou petição que será entregue à CODEMIG até 23/02/17.
Acesse e assine:
https://secure.avaaz.org/po/petition/CODEMIG_VAMOS_SALVAR_AS_AGUAS_MILAGROSAS_DE_CAMBUQUIRA_CAXAMBU_E_LAMBARI/?cOXnydb
Também disponível para acesso no Facebook “ONG Nova Cambuquira”. Água não é mercadoria, é um direito humano! Diga não à privatização! (ecodebate)

Verão e chuvas reacendem discussão sobre qualidade da água no litoral

Chuvas de verão reacendem discussão sobre qualidade da água no litoral.
Especialista alerta para cuidados permanentes com a qualidade da água e não apenas durante a temporada.
De acordo com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que acompanha constantemente a balneabilidade do litoral, na cidade do Rio de Janeiro, a maioria das praias estão impróprias para banho. Na região da Ilha do Governador e Sepetiba, todas as praias estão com qualidade abaixo do aceitável para banho. Apenas as regiões da Zona Oeste e Zona Sul apresentam praias próprias para banhistas.
De acordo com Ariel Scheffer, biólogo e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, a preocupação com a qualidade da água deve ser constante e não apenas durante a temporada. “Embora o aporte de esgoto diminua fora da temporada de verão, para os moradores fixos do litoral o problema de comprometimento da balneabilidade persiste fora dessa época e deveria receber atenção constante ao longo do ano”, reforça.
Um estudo da SOS Mata Atlântica, de 2015, sobre a qualidade das águas de 183 rios de 11 estados revelou que 36,3% dos pontos de coleta analisados apresentam qualidade ruim ou péssima, 59,2% estão em situação regular e, em 13 pontos foram encontradas águas com qualidade boa, representando apenas 4,5% do total. “Levando-se em conta que a qualidade das águas costeiras brasileiras é bastante influenciada pelas condições de saneamento básico existente nas cidades litorâneas, sendo que a média nacional de esgoto coletado é de apenas 24%, pode-se dizer que a situação é grave”, aponta Scheffer.
Praias e rios limpos são sinônimo de alegria no verão, mas também são sinais de saúde para todas as espécies. Para os humanos, as consequências de se banhar em um ambiente contaminado podem envolver infecções (garganta, ouvido e olhos), diarreia, doenças de pele, gastroenterite e, em casos mais graves, hepatite A, cólera e febre tifoide. Para a fauna marinha os riscos também existem.
“Temos que considerar que a qualidade de água não é dada somente pelos parâmetros da balneabilidade, mas envolvem tipos de contaminantes mais persistentes, como produtos ou substâncias químicas, que podem ser mais perigosos que a contaminação fecal trazida pelos esgotos. Ainda temos a poluição por resíduos sólidos, sedimentos e até poluição biológica por espécies invasoras, que podem prejudicar nossa saúde, a biodiversidade e a economia da região”, defende Scheffer.
O especialista alerta ainda para outros fatores que são determinantes na manutenção da qualidade das águas durante períodos mais longos. “É preciso estar atento ao papel dos ecossistemas costeiros, incluindo as florestas, matas ciliares, manguezais, restingas, dunas, praias e costões e, também, os benefícios tangíveis e intangíveis de sua preservação. Além da necessidade de cobrar dos governos estaduais e locais os investimentos para saneamento”, afirma.
Scheffer dá um exemplo de intervenção para a manutenção dos serviços relacionados à água, como a criação de unidades de conservação – que são áreas naturais legalmente protegidas –, públicas e privadas. Alguns exemplos na região litorânea do Paraná são o Parques Estadual do Pico Marumbi e a Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba. “Se mantivermos os ecossistemas naturais bem conservados, eventuais cargas difusas de contaminação não resultam na perda expressiva da qualidade da água no litoral. Esta manutenção ecossistêmica da qualidade ambiental ajuda a promover o ‘marketing’ positivo da região, potencializa a economia local e mantém a boa qualidade de vida para os moradores e turistas”, conclui. (ecodebate)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Não há nível de desmatamento seguro para o clima na Amazônia

Estudo internacional indica que não há nível de desmatamento seguro para o clima na Amazônia.
Destruição da floresta interfere no transporte da umidade entre o oceano e o continente, alterando chuvas.
A interação entre a biosfera e a atmosfera na Amazônia é muito complexa para permitir uma estimativa segura de um nível de desmatamento que não interfira no clima da América do Sul. A conclusão é de um estudo internacional com a participação do Instituto de Física (IF) da USP. Os pesquisadores comprovaram, por meio de fórmulas matemáticas, que a destruição da floresta nativa tem efeito negativo no transporte da umidade entre o oceano e o continente, alterando a quantidade de chuvas na região destruída e em áreas distantes dos desmatamentos. Os resultados do estudo são descritos em artigo da revista Nature Scientific Reports.
A América do Sul apresenta o clima de monções, no qual a alternância entre a estação seca e a chuvosa é influenciada pelos ventos que trazem umidade do Oceano Atlântico. “Nos meses de inverno, entre junho e agosto, os ventos vão em direção à Colômbia, Venezuela e norte do Peru, até o Oceano Pacífico, e as chuvas ocorrem nessas regiões”, explica o professor Henrique Barbosa, do IF, um dos autores do artigo. “Entre dezembro e abril, em especial no verão, a Cordilheira dos Andes faz os ventos desviarem na direção do Sul do Peru, Bolívia, Paraguai, Argentina e Sul e Sudeste do Brasil, aumentando as chuvas nessas regiões e na Amazônia brasileira.”
Barbosa aponta que diversos pesquisadores já alertaram para o risco de “savanização” da região, em referência à formação vegetal africana de clima seco. “Isso pode acontecer por meio de um processo denominado die back, ou ‘morte espontânea da floresta”, afirma. “O desmatamento altera o regime de temperatura e precipitação. Isso faz com que a vegetação de maior porte não sobreviva, dando lugar a espécies menores, como as do cerrado brasileiro, mesmo nas regiões que não foram desmatadas. O mesmo processo pode ocorrer devido às mudanças climáticas”.
A pesquisa utilizou o método das redes complexas, uma ferramenta para análise de dados usada por físicos para o estudo de sistemas dinâmicos. “A rede é representada por um conjunto de pontos ligados por linhas. Combinados, eles formam uma rede que pode ser estudada através de métodos matemáticos”, diz o professor do IF. “Na pesquisa sobre o clima da Amazônia, os pontos são a latitude e a longitude de cada área; as linhas, a quantidade de umidade transportada pelos ventos. Assim, é possível identificar pontos muito importantes na rede, como regiões que fazem a intermediação no transporte de umidade, como o Arco do Desmatamento, no Acre e em Rondônia.”

Efeito negativo

O trabalho enfatizou que o desmatamento gera um efeito negativo no mecanismo de retroalimentação das chuvas. “Normalmente, o vapor de água é trazido dos oceanos pelos ventos. Então no continente ele se condensa e chega à superfície na forma líquida, com as chuvas”, relata o professor do IF. “Essa água é absorvida pelas grandes árvores da Amazônia, e parte volta à atmosfera por meio da evapotranspiração. Isso ajuda a manter o ar úmido, e esta umidade é carregada por milhares de quilômetros pelos ventos, levando as chuvas para toda a região.”
Equação aponta efeito do desmatamento na retroalimentação das chuvas, explica professor Henrique Barbosa.
O desmatamento, segundo a pesquisa, diminui a evapotranspiração, faz com que o ar fique mais seco e diminua a quantidade de chuvas. “Isto também reduz a velocidade dos ventos e o transporte de umidade sobre a floresta, fazendo com que venha menos vapor de água do oceano, diminuindo ainda mais as chuvas”, ressalta Barbosa. Os pesquisadores criaram uma equação para representar o mecanismo de retroalimentação, entre a precipitação e o transporte de umidade, e variaram as dimensões do desmatamento para estudar os seus efeitos. “Quando incluímos esta retroalimentação, a resposta do sistema (redução das chuvas em função do desmatamento) passou a ser fortemente não linear, caótica, imprevisível.”
Este resultado demonstrou que não é possível estabelecer um nível de desmatamento seguro, ou seja, que não vá mudar o comportamento do sistema. “Pesquisadores apontam que haveria dois estados de equilíbrio para a Amazônia, um com a floresta nas dimensões atuais e outro com menos chuvas e evapotranspiração, e vegetação similar à do cerrado”, diz o físico. “A transição do sistema para o outro estado de equilíbrio seria catastrófica. Com a redução do porte da vegetação, que armazena o carbono, a quantidade de gás carbônico liberado na atmosfera seria enorme, e consequentemente contribuiria fortemente com as mudanças climáticas em todo o planeta.”
A pesquisa faz parte de um projeto temático da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em parceria com a Deutsche Forschungsgemeinschaft (DFG), fundação de pesquisa da Alemanha. A coordenação do projeto é dos pesquisadores Elbert Macau, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e Jürgen Kurths, do Potsdam Institute for Climate Impact Research (PIK), na Alemanha. O artigo A deforestation-induced tipping point for the South American monsoon system, publicado pela revista Nature Scientific Reports, é assinado por físicos do IF, do PIK e da École Normale Supérieure (França). (ecodebate)

Recuperação de 23 mil hectares de Mata Atlântica em 30 anos

SP: Estudo mostra recuperação de 23 mil hectares de Mata Atlântica em 30 anos.
No período de 30 anos (1985 a 2015), 23.021 hectares (ha) de Mata Atlântica foram recuperados nos 645 municípios paulistas, área superior à extensão das cidades de Santo André e São Caetano do Sul. A parte recuperada ainda está abaixo do total devastado no período (183,1 mil ha), mas desde 2013, o desmatamento no estado é considerado zero (inferior a 100 ha). Entre 2014 e 2015, foram registrados apenas 45 ha de desflorestamento.
Os dados fazem parte do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, estudo elaborado em conjunto pela Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Entre as cidades que mais combateram o desmatamento destacam-se Valparaíso, com a maior área de recuperação (754 ha), seguida pela cidade de Castilho (735 ha), Quatá (676 ha), Catanduva (671 ha), Teodoro Sampaio (601 ha), Itapirapuâ (534 ha), Presidente Bernardes (490 ha), Novo Horizonte (451 ha), Lutécia (436 ha) e Iperó (413 ha).
A regeneração refere-se tanto ao ressurgimento de floresta por meios naturais quanto ao plantio de mudas de árvores nativas em locais anteriormente ocupados por pastagens. Ainda segundo o levantamento, a Mata Atlântica estava presente em 69% da área territorial de São Paulo, o equivalente a 17,07 milhões de ha, e, atualmente, ocupa uma faixa de apenas 13,7% ou 2,3 milhões de ha.
O estudo aponta que existem seis cidades paulistas na lista dos cem municípios do país que mais desmataram, totalizando a destruição de 33,7 mil ha em 30 anos. Porém, há quatro anos, o comportamento de recuperação melhorou.
Por meio de nota, a diretora-executiva da SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota, afirmou que “além de permanecer no nível zero de desmatamento, o desafio do estado é ampliar o processo de regeneração florestal. Por conta disso, é extremamente importante uma ação conjunta envolvendo Poder Público, iniciativa privada e sociedade”.
Mudas de árvores plantadas em fazenda de Campinas/SP.
Ela destacou que as ações de desmatamento reduziram em 83% no país e que sete dos 17 estados com a presença de Mata Atlântica já ocupam o nível de desmatamento zero. “Embora o levantamento atual não assinale as causas da regeneração, ou seja, se ocorreu de forma natural ou se decorre de iniciativas de restauração florestal, é um bom indicativo de que estamos no caminho certo”, destacou. (ecodebate)

sábado, 11 de fevereiro de 2017

O nível do mar pode subir 2,5 metros até 2100



Um novo relatório divulgado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), dia 19/01/2017 (último dia da presidência de Barack Obama), apresenta uma série de estimativas atualizadas para o futuro aumento do nível do mar, tanto nos Estados Unidos como em todo o mundo. Sugere que, sob extrema mudança climática futura, os níveis globais do mar poderiam aumentar mais de 2,5 metros (8,2 pés) até o final do século, conforme mostra o gráfico acima. Isto representa uma das maiores estimativas já apresentadas em um relatório federal dos EUA.
Relatório anterior da NOAA, de 2012, sobre a elevação global do nível do mar incluía quatro possíveis cenários climáticos, cada um envolvendo diferentes graus de aquecimento do oceano e derretimento dos glaciares ao redor do mundo. No cenário mais extremo, a elevação poderia resultar em 2,0 metros (6,6 pés) de elevação do nível médio do mar global até o ano 2100. No mínimo, sugeriu 21 cm (0,7 pés) de aumento do nível do mar o final do século.
O novo relatório inclui seis possíveis cenários climáticos e atualiza tanto as estimativas mais elevadas quanto as menores do nível do mar. Sugere que, no cenário mais extremo, os níveis médios do mar possam subir 2,5 metros (8,2 pés) até o ano 2100. E no cenário mais baixo, o nível do mar pode subir cerca de 30 cm (um pé) até o final do século. As probabilidades estão apresentadas na tabela abaixo (p. 22 do relatório).


É importante notar que a estimativa mais alta representa o pior cenário, que tem uma baixa probabilidade de ocorrer mesmo sob uma trajetória climática normal. A probabilidade de um aumento de 50 cm até 2100 é de 96% (RCP8,5). Apenas este aumento já vai provocar grandes prejuízos em áreas urbanas e rurais.
As estimativas destinam-se a ajudar os tomadores de decisão a formular políticas sobre como proteger as comunidades no caso improvável de que tal cenário ocorra no futuro. O novo relatório também inclui uma série de projeções regionais, que os autores desenvolveram usando um modelo informado por suas estimativas globais de aumento do nível do mar. O modelo foi capaz de explicar uma ampla variedade de processos conhecidos por afetar o nível do mar regional.
Em muitos lugares, o movimento da terra desempenha um grande papel no aumento dos níveis de água. Em partes da Louisiana, por exemplo, o solo está realmente afundando – este é um processo chamado “subsidência”, que pode ser exacerbado por uma variedade de atividades humanas, incluindo a extração de água subterrânea. Mudanças nas correntes oceânicas ao longo do tempo também podem afetar a forma como a água é distribuída em todo o mundo. E pesquisas recentes sugerem que o derretimento de geleiras também pode afetar o campo gravitacional da Terra – e até mesmo sua rotação – de formas que podem influenciar a distribuição de água ao redor do globo.
O fato é que tem crescido a concentração de CO2 e outros gases de efeito estufa na atmosfera. Isto faz aumentar o aquecimento global. Os anos de 2014, 2015 e 2016 foram os mais quentes já registrados. A temperatura global está aumentando cerca de 0,19º C por década. Neste ritmo, a temperatura do Planeta pode ultrapassar os 2,5º C até o final do século, tornando mais provável a elevação do nível do mar ao patamar de 2,5 metros.
O degelo do Ártico e da Antártica atingiu níveis recordes em 2016 e já há indicações de que em 2017 será ainda pior. O gráfico abaixo (a atualização diária pode ser acompanhada no link abaixo do site ArctischePinguin) mostra o declínio da área do gelo marinho global (soma do Ártico e Antártica) e não deixa dúvidas de que o degelo está aumentando. O mês de janeiro de 2017 já bateu todos os recordes de colapso da área de gelo nos dois hemisférios. O ritmo de degradação é extremamente inédito e preocupante.


O gráfico abaixo mostra claramente a redução do volume de gelo nos dois hemisférios. Existe uma tendência de longo prazo do degelo que pode ser vista pelas curvas anuais cada vez mais baixas. Mas a queda observada a partir de setembro de 2016 é um fato sem precedentes e mostra que o processo de deglaciação está se acelerando perigosamente. No passado, foi o Ártico e a Groenlândia (hemisfério Norte) que lideraram o derretimento, a partir do segundo semestre do ano passado a Antártica passou a ser o grande destaque para a elevação do nível dos oceanos.

O avanço do mar já tem provocado muitos prejuízos nas áreas litorâneas de todo o mundo. Muitas praias brasileiras foram afetadas. Em 2016, houve várias inundações nas praias da cidade de Santos, em São Paulo. A travessia de balsas entre Santos e Guarujá ficou paralisada e a orla da Ponta da Praia ficou cheia d’água diversas vezes. No dia 29 de outubro, uma ressaca destruiu trechos do calçadão do Leblon e invadiu a avenida Delfim Moreira, levando areia e entulho até a calçada dos prédios, interrompendo o trânsito e gerando prejuízos nas garagens dos edifícios de um dos bairros mais ricos da cidade do Rio de Janeiro.
No longo prazo, o degelo do Ártico, da Antártica, da Groenlândia e dos glaciares vai provocar o aumento do nível do mar, que pode chegar a mais de 2 metros até 2100 e até algo entre 6 e 9 metros nos próximos dois séculos. Isto seria terrível para as cidades e as áreas baixas de produção agropecuária, provocando fome e refugiados do clima.
Com a posse de Donald Trump o quadro climático global deve piorar muito nos próximos anos. Pode ser o sinal de colapso, que sempre acompanha aquelas civilizações que não conseguem respeitar os limites ecológicos do Planeta. (ecodebate)

Se temperatura do mar aumentar e as calotas polares derreterem




O que acontecerá se a temperatura do mar aumentar e as calotas polares derreterem?

Aquecimento global: o que acontece se a temperatura do mar esquentar e as calotas polares derreterem?
Você já deve ter visto fotografias de ursos polares acuados em um iceberg que parece estar se desmanchando. Essas imagens refletem um dos problemas das mudanças climáticas, o derretimento das camadas polares. O aquecimento global está esquentando a Terra e a temperatura tende a subir ainda mais nos próximos anos. Cientistas do IPCC registram um crescimento de 0,6°C na temperatura dos últimos 100 anos.
O efeito estufa é resultante, entre outros fatores, do lançamento de gases poluentes na atmosfera, como o gás carbônico e o metano, liberados principalmente pela ação humana em atividades como transporte, geração de energia e desmatamento, que cresceram significativamente desde a Revolução Industrial.
Uma das consequências mais drásticas do aquecimento global é o derretimento pouco a pouco das calotas polares, camadas de gelo que cobrem os polos Sul e Norte (pontos extremos da superfície terrestre). O fenômeno também é observado em cadeias de montanhas como os Alpes, os Andes e o Himalaia.
O Ártico está se aquecendo duas vezes mais rápido que a média de aquecimento do planeta. No passado, a cada inverno, o gelo marinho preenchia quase toda a bacia ártica, e uma parte dele se derretia durante o verão. Agora a maioria dos cientistas acredita que o Ártico ficará totalmente livre de gelo durante o verão até 2020. O declínio sem volta dessas camadas é inevitável.
Já a Antártica está esquentando cinco vezes mais do que em outras partes do mundo. Dados indicam que de 1992 a 2011, as calotas polares da região perderam 1.320 bilhões de toneladas de massa de gelo por ano. A NASA aponta que na região do Mar de Amunden, placas de gelo começaram a derreter num ritmo acelerado e irão desaparecer por completo em algumas centenas de anos.
As geleiras polares têm mais de mil metros de espessura e desmoronam porque a água quente do oceano entra por baixo dos blocos de gelo, fundindo as ligações com a rocha. A neve derretida expõe o gelo que estava nas profundezas, que absorve os raios do sol e aumenta o derretimento. Um fenômeno puxa outro. O mar absorve mais calor do sol quando aberto que quando refletido numa superfície coberta de gelo, o que agrava o fenômeno do aquecimento. A água quente fica com um volume maior do que a água fria, ajudando a aumentar o volume do mar.
Um dos maiores perigos do derretimento seria a liberação dos imensos depósitos de gás metano que se encontram embaixo do Oceano Ártico. Esse gás foi gerado pela decomposição de matéria orgânica há milhões de anos (em períodos em que a Terra esteve mais quente) e esteve aprisionado sob a camada no fundo do mar durante todo esse tempo, como se o gelo fosse uma “tampa”.
O metano é um gás de efeito estufa de efeito vinte vezes maior do que o gás carbônico (CO2). Gigantescos depósitos de metano localizados embaixo da camada de gelo já começaram a vazar na costa da Sibéria. Cientistas acreditam que a liberação do gás metano, no passado, possa ter sido o responsável por dramáticas mudanças no clima que levaram a extinção em massa de espécies. Lançado na atmosfera, todo esse metano pode incrementar de forma exponencial o aquecimento global.
Com o derretimento das calotas, haveria uma elevação do nível do mar. No século 20, o nível já subiu 25 centímetros. Segundo a NASA, o nível do mar está aumentando em uma média de três milímetros por ano. Cientistas estimam que ao longo dos próximos 100 anos, se acontecer um aumento de 3°C na temperatura, o mar terá subido de 1 metro a 10 metros. Caso as calotas derretam completamente nos próximos séculos, o nível da água subirá em inacreditáveis 67 metros, o equivalente à altura de um prédio de 23 andares.
Essa variação traria a erosão e o alagamento de áreas de terra firme. Isso significa que ilhas e cidades litorâneas seriam totalmente inundadas. A população mundial que vive junto ao mar é estimada hoje em um bilhão de pessoas. Comunidades costeiras ficariam debaixo d´agua, criando fortes prejuízos financeiros e forçando a população a se deslocar para outras áreas.
Outro problema do derretimento do gelo seria um afluxo de água doce muito grande nos oceanos, podendo gerar desequilíbrios na salinidade desses sistemas, afetando a fauna e flora marinha. No Brasil, ecossistemas como restingas, lagunas e manguezais poderão ser drasticamente alterados. Manguezais, por exemplo, são berçários de vida marinha e funcionam como barreira natural para ondas e ressacas.
A dessalinização vai tornar as águas mais doces e menos densas. Uma das consequências é o desequilíbrio do ciclo hidrológico da Terra, como a alteração do sentido de algumas correntes oceânicas importantes como, por exemplo, a corrente do Golfo, que leva calor para o Hemisfério Norte.
No golfo do Alasca, a temperatura da superfície aumentou e mais água doce das geleiras derretidas está desaguando no mar. Essa camada mais leve e mais quente de água doce reduziu os componentes químicos no golfo, uma mistura que agora tem menos nutrientes para alimentar os pequenos organismos dos quais os peixes dependem.
As águas mais quentes também estão afetando a saúde dos corais, que abrigam uma enorme diversidade de peixes. Em diversos pontos do planeta corais estão passando por um fenômeno de “branqueamento”, resultado da perda da bactéria simbiôntica que vive nos tecidos dos corais e que são fundamentais para sua saúde, já que liberam compostos orgânicos nutritivos. Esses microrganismos seriam muito sensíveis à poluição e altas temperaturas.
Sobrevivência das espécies
A mudança climática é uma das maiores ameaças para a sobrevivência de espécies de plantas e animais. As espécies que vivem nas camadas polares já estão enfrentando uma batalha pela sobrevivência.
Animais de grande porte como ursos, pinguins, morsas e focas já estão perdendo o seu território com o derretimento de geleiras. Sem o gelo para caçar, descansar e se reproduzir, a existência de muitos mamíferos está em risco. E nos mares do Hemisfério Norte, o aumento da temperatura da água resultou no declínio do número de cardumes de peixes de águas frias, como o bacalhau, o peixe branco, o salmão e a truta, fundamentais para a economia pesqueira de muitos países.
Cada espécie de peixe tem uma temperatura na qual melhor se adapta. O bacalhau, por exemplo, morre quando as temperaturas sobem apenas alguns graus acima de zero. Em água fria, o metabolismo de um peixe fica mais lento. Em água mais quente, o metabolismo se torna mais rápido, o que exige mais comida. Em muitos casos, peixes de grande porte (mais comuns em águas geladas) podem morrer de fome.
Se a água esquentar, os peixes também correm o risco de não ter oxigênio suficiente dissolvido na água. Isso porque a quantidade de oxigênio dissolvida na água diminui quando a temperatura aumenta. Para piorar, a reprodução de muitos peixes é menor numa temperatura em elevação, e alguns podem ficar impedidos de procriar.
Para sobreviver e evitar a extinção, os animais poderiam migrar para outros locais ou se adaptar. Porém, com a mudança climática em um ritmo acelerado, não existe tempo suficiente para a espécie se adaptar, o que poderia levar milhares de anos. Além disso, o processo de migração é difícil, já que existem cada vez menos áreas naturais e morar em um lugar novo pode implicar em competição com outros predadores, o que afetaria todo o ecossistema.
Mudanças nas chuvas
Cientistas avaliam que quanto mais elevada é a temperatura global, maior será a evaporação da água do mar. Esta progressiva evaporação aumentará por sua vez as precipitações pluviais, porque a atmosfera não tem capacidade para sustentar tanta água. Ou seja, aumenta a quantidade de vapor presente na atmosfera.
A mudança de maior impacto será uma alteração nos padrões de chuvas. Pesquisas mostram que recentes ondas de eventos extremos já estão ligadas às transformações do clima, como chuvas torrenciais, nevascas e secas intermináveis.
No Brasil, cientistas avaliam que as chuvas se tornarão mais fortes e frequentes na região Sul e Sudeste. O aumento da quantidade de vapor na atmosfera pode aumentar a incidência de raios. Já no Nordeste e no Centro-Oeste, a tendência é que o cerrado e o semiárido fiquem ainda mais quentes e as secas mais intensas.
Novas áreas habitáveis
Se por um lado alguns países perderiam território em inundações, lugares de países nórdicos ficariam mais habitáveis.
No hemisfério Norte, a Groenlândia derreteu num ritmo acelerado, perdendo 152 bilhões de toneladas.
Num cenário de aumento de temperatura, a Groenlândia se tornaria uma ilha com clima temperado, o que permite a ampliação das áreas agricultáveis onde antes era inviável plantar devido ao gelo.
Pensando nisso, alguns países já encaram a situação sob a perspectiva de novas oportunidades econômicas. No Ártico, a aposta é que o degelo torne mais fácil o acesso a ricas reservas de gás, petróleo e minérios que estavam estocados debaixo das camadas, criando novas rotas comerciais para a indústria da energia. Esses recursos farão com que o Ártico, antes visto como uma região estéril e inóspita se torne uma nova fronteira na política externa de países.
Como combater o aquecimento global?
Como se adaptar a um mundo mais quente? Em mudanças climáticas, as ações de “adaptação” têm foco nas consequências do processo, como criar projetos de geração de renda para populações afetadas por desastres ambientais. Já as ações de “mitigação” procuram minimizar as causas do processo, como reduzir as emissões de gases poluentes.

A primeira medida é que os países industrializados precisam reduzir suas emissões de CO2. Cada país terá de reduzir a sua dependência dos combustíveis fósseis e caminhar para um modelo de energias renováveis limpas, como eólica e solar.
Em dezembro de 2015, durante a Conferência do Clima da ONU (COP 21), foi aprovado o primeiro documento internacional em clima com compromissos de redução de emissões para todos os países.
O acordo do clima produzido em Paris define como a humanidade combaterá o aquecimento global nas próximas décadas.  Sua entrada em vigor está prevista para 2020, sucedendo o Protocolo de Quioto, aprovado pela ONU em 1997 com metas de redução para os países ricos, mas que nunca conseguiu ser eficiente.
Os países deverão se mobilizar para conter o aumento da temperatura média do planeta neste século bem abaixo dos 2°C com relação aos níveis pré-Revolução Industrial, além de fazerem o possível para reduzir ainda mais esse limite, para 1,5°C. (uol)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Uma seca de 6 anos

Nesses quase 40 anos de sertão é a primeira vez que ficou um ano sem cair chuva no telhado de casa. A última chuva foi em Janeiro de 2016. No entorno da cidade, Juazeiro da Bahia, já choveu.
O problema básico não é que fica sem chover, mas chover muito menos. Os cientistas estão perplexos, porque a cada ano se fala que teremos chuvas normais, até acima da média, mas elas não vêm. Atribui-se sempre a razão ao fenômeno El Niño, que aquece as águas do Pacífico, elas caem abundantes no sul e sudeste do Brasil, mas não chegam ao coração do Semiárido.
Nós, que acompanhamos as mudanças climáticas, suspeitamos que elas já chegaram, para ficar, e a prevista diminuição das chuvas de 20 a 40% no Semiárido já está acontecendo.
Numa situação climática como essa, 20 anos atrás, o Nordeste já seria uma tragédia social e humanitária de proporções gigantescas, com centenas de milhares de mortos, sem falar nos migrantes e tantas outras mazelas sociais e humanitárias.
Entretanto, numa reportagem feita pela Globo no Jornal Hoje, a única tragédia social que acharam foi a mortandade de 20% do rebanho bovino do Pernambuco. A matéria teve que mostrar, de forma constrangida, o gado gordo de um criador, só que sustentado à base de ração comprada. Mas, ele pode comprar a ração. Além do mais, criar gado de raça nesse sertão é considerada uma atividade de risco devido ao clima.
O que mudou essa realidade foi o intenso trabalho da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), com seu paradigma de convivência com o Semiárido, captando a água de chuva de forma distribuída, com uma agroecologia adaptada ao ambiente, com a criação de pequenos animais mais resistentes ao clima, com a agroindústria de produtos naturais e com as políticas sociais dos últimos governos. O governo atual voltou à lógica do combate à seca.
É uma vergonha para Pernambuco sofrer com a seca. O estado é banhado em quase 400 km pelo rio São Francisco. Onde foram feitas as adutoras transversais que abastecem Pernambuco, não há problema para humanos e animais. Falo da adutora que sai de Cabrobó e vai cortado o Estado até acima de Ouricuri. A outra que sai de Floresta e vai na direção de Serra Talhada e Flores. Essa deveria ter chegado a Paraíba faz tempos. Porém, a insistência na grande obra da Transposição bloqueou as adutoras simples. Por isso, a que deveria abastecer o agreste pernambucano está até hoje esperando pelo Eixo Leste da transposição. Uma perda para o povo e para os animais.
Quanto à Transposição, agora já se fala na sua gestão privada. Sabíamos dessa intenção desde o começo. Resgatei um texto que fiz nem sei mais que ano, mas que estava arquivado digitalmente no site de João Suassuna. Cito um trecho só para lembrar o que tanto denunciamos:
É preciso observar que a Transposição, alicerçada na filosofia que a sustenta, insere-se na lógica mercantil da água, hoje globalizada. É o que chamamos de hidronegócio. Por isso, repetimos que a Transposição é “a última obra da indústria da seca e a primeira do hidronegócio”. Agora a própria CHESF já fala em criar “leilões de água”, isto é, já não se visa sequer a água para irrigar e criar camarão, mas para vendê-la como uma mercadoria qualquer, como se no Brasil alguém fosse proprietário de nossas águas” (http://www.suassuna.net.br/2016/10/transposicao-x-direitohumano-agua-por.html).
A única novidade é que esse mercado de águas terá gestão privada, portanto, não caberá mais à CHESF essa tarefa. (ecodebate)

O Oceano Ártico passou de um ponto sem volta

O Oceano Ártico atingiu o 'ponto sem retorno' A ciência indica que o Oceano Ártico ultrapassou um ponto crítico irreversível de es...