quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Em defesa das áreas verdes da capital

A preservação das áreas verdes é fundamental para a cidade, especialmente, em regiões de mananciais e em época de crise hídrica. Para a população ter direito à água, é preciso defender as poucas reservas ainda não poluídas desse líquido tão precioso. É vital manter as matas ciliares que ainda resistem e recuperar as já destruídas.
São Paulo é, em grande parte, impermeabilizada, o que causa efeitos como ilhas de calor e tempestades mais fortes que provocam enchentes. São as áreas verdes que absorvem a água da chuva e preservam os mananciais. Além disso, é visível a todos a carência de parques, praças e arborização - das 32 subprefeituras, 23 delas têm áreas verdes abaixo do mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 12 m2 por habitante.
Mesmo diante dessa situação, a Prefeitura comete o enorme equívoco de pretender usar as áreas verdes públicas para outros fins, prevendo, até mesmo, a possibilidade de desmatamento. Esse risco está embutido no Projeto de Lei do Zoneamento (PL 272/2015), que o prefeito Fernando Haddad (PT) enviou à Câmara Municipal. Artigos 27 a 34 do projeto abrem a possibilidade do uso das áreas verdes para a instalação de equipamentos públicos.
No lugar dessa perigosa e inaceitável brecha na legislação municipal, a população necessita da defesa incondicional do pouco que resta de áreas verdes na cidade, considerando-as inalienáveis, assim como necessita de propostas e planos para que elas sejam ampliadas e devidamente protegidas.
As áreas verdes são fundamentais nos espaços urbanos e prestam inúmeros serviços ambientais e à saúde humana. Entre 2005 e 2013, a quantidade de morte em decorrência de doenças do aparelho respiratório pulou de 7.540 para 9.696, um aumento de quase 30%.
Organizações da sociedade civil convidam o Executivo a modificar esses artigos, tornando as áreas verdes do Município protegidas do risco de desmatamento ou de qualquer outro fim que não seja o de sua preservação incondicional. E convidam os vereadores a atuarem no mesmo sentido, rejeitando qualquer risco às áreas verdes do Município. (OESP)

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Expanção áreas florestadas para atenuar crise hídrica

Comitê Guandu expande áreas florestadas para atenuar crise hídrica
O combate às queimadas e aos incêndios florestais juntamente com a expansão de áreas florestadas são alternativas viáveis ao enfrentamento da maior crise hídrica dos últimos 80 anos verificada no Estado do Rio de Janeiro.
Esta é a opinião do Diretor Geral do Comitê Guandu, Engenheiro Julio Cesar Oliveira Antunes, ao mencionar que os municípios Engenheiro Paulo de Frontin, Japeri, Mendes, Paracambi, Piraí e Vassouras estão participando do edital PRO PSA para poderem integrar o Programa Produtores de Água e Floresta (PAF) de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) de proteção e recuperação de recursos naturais, especialmente mananciais e matas ciliares protetoras das margens de rios.
O PAF/PSA, apoiado pelo Comitê Guandu com recursos oriundos da cobrança da água e, inicialmente, implementado através de projeto piloto no município de Rio Claro (RJ), na bacia hidrográfica do rio das Pedras, no Distrito de Lídice, contabiliza a adesão de 62 produtores rurais, responsáveis até agora pela restauração de 430 hectares e recuperação de outros 3.350 hectares de cobertura florestal.
As atividades de desenvolvimento do PAF/PSA ocorreram com a parceria da Prefeitura de Rio Claro, do Instituto Terra de Proteção Ambiental (ITPA), da The Nature Conservation (TNC) e do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), culminando com o amadurecimento e a criação da Unidade Gestora do Projeto (UGP), essencial à sua continuidade e ao seu fortalecimento.
Detalhes desse programa, entre outros como o Plano Associativo de Combate a Queimadas e Incêndios Florestais, serão apresentados aos participantes do Terceiro Encontro de Comitês de Bacias Hidrográficas Fluminenses, o III ECOB/RJ, nos dias 26, 27 e 28 de agosto/15 na cidade de Nova Friburgo (RJ), no Teatro Municipal Laercio Rangel Ventura.
Estará participando também do encontro coordenado pelo Fórum Fluminense de Comitês de Bacias Hidrográficas, o Diretor Executivo do Comitê Guandu, Geólogo Decio Tubbs, mediador da Mesa de Diálogo focada nas Águas Subterrâneas no Estado do Rio de Janeiro, de que é um dos maiores conhecedores e especialistas.
Criado há 13 anos, o Comitê Guandu desenvolve cerca de 20 importantes projetos destinados à proteção dos recursos hídricos das bacias dos rios Guandu, da Guarda e Guandu-Mirim. Por exemplo, no âmbito da educação ambiental, o Comitê documenta-se para lançar em breve o concurso O Fantástico Mundo da Água, destinado às escolas nos 15 municípios integrantes da bacia hidrográfica com 1.921 km² e perto de 2 milhões de habitantes.
Toda programação do Comitê segue o Plano Estratégico de Recursos Hídricos, ou Plano do Bacia – já em fase de atualização e ampliação -, é aferida pelo Plenário do Comitê Guandu, verdadeiro “Parlamento das Águas” de que participam 12 usuários da água, 9 representantes de governos (federal, estadual e municipal) e igual numero de representantes da sociedade civil organizada. Constituem ainda instâncias do Comitê, além do Plenário, duas Câmaras Técnicas e Diretoria Colegiada, esta com representação tripartite: usuário, sociedade civil e governos.
Dados do Comitê podem ser acessados no endereço: www.comiteguandu.org.br (ecodebate)

Cedae reduz captação de água no Paraíba do Sul

RJ: Cedae reduz captação de água no Paraíba do Sul
Estiagem afeta o rio Paraíba do Sul na cidade de Barra do Piraí, no Rio de Janeiro
A partir de 27/08 a captação de água do Rio Paraíba do Sul para o sistema Guandu, que abastece a cidade do Rio de Janeiro, vai cair de 80m³/s para 75m³/s. A medida foi autorizada em março pela Agência Nacional de Águas (ANA) e está sendo implantada gradativamente pelo Grupo de Acompanhamento da Operação Hidráulica do Paraíba do Sul, que conta com representantes da agência, do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), dos comitês de bacia e de usuários.
Com isso, a vazão em Santa Cecília, onde é feita a transposição do Paraíba do Sul para o sistema Guandu, chegou ao limite mínimo autorizado, de 110m³/s. Os 35m³/s restantes seguem para a foz do rio, em São João da Barra. As reduções na vazão estão sendo implantadas desde maio de 2014, quando o limite mínimo passou de 190 para 173m³/s.
De acordo com o diretor-geral do Comitê Guandu, Julio Cesar Antunes, que participa do grupo técnico, os ajustes na vazão são feitos para que não seja atingido o volume morto dos quatro reservatórios do Paraíba do Sul: Santa Branca, Paraibuna, Jaguari e Funil. Segundo ele, com essa gestão, não vai faltar água para o abastecimento até o próximo período chuvoso.
“Tivemos uma chuva em janeiro e fevereiro, então os reservatórios recuperaram um pouco. O que estamos fazendo é ser o mais conservador possível, de forma a evitar entrar no volume morto. Mas ainda temos o volume morto. Então, ainda tem um reservatório [de água]. Em São Paulo já estão utilizando o volume morto, nós estamos acima disso. Estamos gerenciando para não atingir esse volume morto até o próximo verão. Se isso [falta de chuva] continuar, aí, realmente, vai aumentando a possibilidade de entrar na mesma situação em que está São Paulo”.
Hoje, segundo os dados da agência de águas, o volume equivalente desses reservatórios está em 7,7%. Em agosto do ano passado, esteve em 19,2% do volume útil e chegou a 0,66% em janeiro deste ano. É chamado de volume morto, o nível de água abaixo da capacidade de geração elétrica pelas usinas.
Em evento de lançamento de programas sociais com recursos da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), ocorre em 26/08, o governador Luiz Fernando Pezão comentou a redução da captação de água. Ele disse que a possibilidade de falta d´água preocupa muito, mas que o estado está fazendo o possível para contornar o problema. Segundo ele, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) já economizou 1,5 trilhões m³ de água desde o começo da crise do ano passado.
“Claro que a gente está bem atento, fizemos uma grande reunião, tomando outras medidas para nos preparar e garantir o abastecimento de água para 2016. Em 2015, estamos indo bem e agora é torcer para chover. Nós nos reunimos semanalmente com a ANA, falo com a ministra Izabela [Teixeira, do Meio Ambiente] toda semana, estamos com um grande acompanhamento do nível dos reservatórios, temos um bom entendimento com o governador Geraldo Alckimin, com o governador Fernando Pimentel, nos precavendo, mudando capitação de algumas cidades, melhorando para sofrer menos e economizando água, o que é o mais importante”.
Por meio de nota, a Cedae informou que “permanecerá produzindo a quantidade de água necessária ao atendimento da população do Grande Rio dentro de todos os parâmetros determinados pela portaria 2914 do Ministério da Saúde”. (ecodebate)

27/08 com possibilidade de chuvas no Sul, Sudeste e Centro-Oeste

Quinta-feira ainda com possibilidade para chuvas em grande parte do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Áreas de instabilidade provocaram chuvas boas, com volumes superiores a 20 mm em vários pontos dos Estados do Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Essas chuvas atingiram lavouras de algodão do Mato Grosso e de milho de todos esses Estados. Não houve perdas até o momento. Além dessas áreas de instabilidade associada à frente fria, uma nova frente fria avançou pelo Rio Grande do Sul onde também causou muito estrago em várias regiões do Estado. Houve ventos fortes e registros de temporais, associados a queda de granizo. E essa quinta-feira não será diferente, apesar dos mapas abaixo só mostrarem muita nebulosidade sobre o Sudeste e Centro-oeste, o aumento da temperatura ao longo do dia, irá favorecer novamente a ocorrência de pancadas de chuvas isoladas no Sudeste e Centro-oeste, ainda mais porque a frente que causou fortes chuvas ontem no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, avança pelo Paraná e São Paulo ao longo do dia.
Mais um dia, portanto, onde irão ocorrer paralisações nos trabalhos de colheita do café, cana de açúcar, milho e em alguns locais do algodão. Só não há riscos para chuvas no MAPITOBA. E amanhã, sexta-feira esse mesmo padrão atmosférico deverá se manter. Ou seja, com possibilidade para pancadas de chuvas em várias localidades do Sudeste e Centro-oeste. Contudo, para quem pensa que as chuvas já retornaram, pois o clima está sob influência do El Niño, muita calma nessa hora! O mês de setembro, que começa daqui a alguns dias ainda será com chuvas muito irregulares, sendo que somente em setembro é que mesmo irregulares terão uma maior frequência.
Apesar do tempo aberto no Rio Grande do Sul, os rizicultores continuam encontrando dificuldades para realizar o preparo do solo, já que as chuvas mantem os solos muito encharcados impossibilitando a entrada das maquinas. Mais, o bom é que as chuvas só deverão retornar as regiões produtoras do Rio Grande do Sul no final da próxima semana. Já no Sudeste e Centro-oeste chuvas agora também do meio para o fim da semana que vem.
Para finalizar, as chuvas continuam irregulares em todas as regiões produtoras do meio-oeste americano. Para essa quinta-feira há previsões apenas de pancadas de chuvas isoladas, sendo que em vários localidades o tempo permanecerá aberto e muito quente, onde já há perdas regionalizadas por déficit hídrico. E esse deverá ser o padrão para a próxima semana, sendo que somente a partir da segunda semana de setembro é que as chuvas retornarão com maior intensidade e maior frequência e abrangência para as principais regiões produtoras dos Estados Unidos, onde poderá atrapalhar o pleno andamento da colheita da soja e do milho. (noticiasagricolas)

Ações integradas para atenuar a crise hídrica

Estudo sugere ações integradas para atenuar a crise hídrica
Medidas para atenuar a crise hídrica devem ir além da ampliação da oferta, com reuso e redução de perdas.
Em 15/03/14 o nível dos reservatórios do Sistema Cantareira, que abastecem 8,8 milhões de pessoas no Estado de São Paulo, atingiu 8,2% de sua capacidade utilizável, o pior índice já registrado desde a sua criação, em 1974. De lá para cá, as principais medidas propostas pelo governo centraram na ampliação da oferta de abastecimento de água: o aproveitamento dos volumes mortos do Cantareira; a utilização da água da represa Billings; e, mesmo, a possibilidade de transposição das águas do Rio Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira.
Ao pesquisar as ações que podem contribuir para o aumento da disponibilidade de água da Região Metropolitana de São Paulo, o engenheiro ambiental Ricardo da Silva Manca propõe uma nova diretriz sobre a situação. Ao invés de apenas centrar esforços e recursos na ampliação da oferta de água, o pesquisador da Unicamp aponta que o gerenciamento da demanda é fundamental; e num modelo que contemple ações de modo integrado.
Para Ricardo Manca, que acaba de concluir doutorado sobre o tema, as principais ações neste sentido são a redução de perdas e o reuso de água. Ele avalia ainda que as ações governamentais no que se refere ao gerenciamento dos recursos hídricos vêm sendo realizadas muito mais como “gerenciamento de crise” do que como “gerenciamento de risco”, modelo considerado o ideal.
“Se os setores de redução de perdas e de reuso de água tivessem avançado nas últimas décadas, os problemas relacionados à escassez de água seriam menores na atualidade. Estima-se que as perdas na Região Metropolitana de São Paulo girem entre 35% e 40% do volume ofertado à população. Reduzir perdas significa aumentar a quantidade de água que já é uma água tratada. No caso do reuso também, porque não depende de chuva. Hoje, há tratamentos que podem elevar a água numa qualidade muito boa”, defende.
O pesquisador pondera, no entanto, que estas duas medidas isoladas não seriam capazes de solucionar uma possível falta de água para a sociedade neste momento. “O nosso conceito de gerenciamento integrado para a água é de que seja dada atenção para as oportunidades possíveis, tanto na demanda quanto na oferta, mas nós temos dado pouca prioridade para a demanda. Por isso insistimos na defesa deste tipo de gerenciamento. Devo parar obras de captação, obras exclusivamente na oferta de água? De maneira alguma! Seria um erro excluir qualquer benefício para a melhoria da gestão do recurso, porém, o que o estudo propõe é que a gestão seja feita de forma abrangente, visando todas as opções possíveis e disponíveis”, explica.
Ricardo Manca defendeu doutorado junto à Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC). A tese foi orientada pelo docente José Gilberto Dalfré Filho, que atua no Departamento de Recursos Hídricos, Energéticos e Ambientais da Unidade. Houve a coorientação do professor Antonio Carlos Zuffo, que atua no mesmo Departamento; e financiamento, na forma de bolsa ao pesquisador, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
“A pesquisa do Ricardo chegou a um benchmark, que é o gerenciamento integrado da demanda de água. Essa proposta trabalharia para além da ampliação da oferta de água, ou seja, na redução de perdas, no reuso e também na utilização da água da chuva, na redução do consumo e conscientização da população”, explica o orientador do trabalho. Ainda conforme José Gilberto Dalfré Filho, o estudo é relevante, pois pode municiar o corpo técnico do governo ou mesmo o governante na tomada de decisões que não vêm sendo estabelecidas como prioritárias.
“O gerenciamento da oferta apresenta, muitas vezes, um resultado mais rápido e mais aparente. Porém, o gerenciamento integrado da demanda é um trabalho árduo e que nem sempre aparenta resultados impactantes em curto prazo. Mas trabalhar a demanda é extremamente necessário. Se não fizer isso, é como se eu administrasse uma companhia em que os gastos vão aumentando de uma forma descontrolada e, para suprir isso, o foco seja somente em ganhar mais capital. Isso é uma maneira pouco eficiente de buscar solução. No caso da água, há o agravante de que é um recurso esgotável”, compara o docente da Unicamp.
Como parte dos resultados da pesquisa, o engenheiro ambiental desenvolveu uma ferramenta de análise de sensibilidade que permite avaliar o gerenciamento da demanda de água com enfoque em medidas prioritárias do ponto de vista do gestor do sistema de abastecimento. Essa ferramenta aponta, na forma de um acelerador, para diversos tipos de situações possíveis, a partir das medidas que seriam tomadas pelo gestor: situação ruim, regular, boa e a considerada ideal, que é o gerenciamento integrado da demanda de água.
“Hoje se busca muito ampliar a oferta. Na tentativa de atender a oferta, o governo ‘esquece’ a demanda. Perdas chegam a 40%. Desse modo, reduzir as perdas pela metade equivaleria à economia de praticamente um Cantareira. Só que o resultado não é rápido: é preciso investir muito em substituição de redes, isso leva tempo e custo. Ao diminuir a demanda, passa-se para uma situação de eficiência, na direção da sustentabilidade. Portanto, esse gerenciamento integrado, proposto pela pesquisa do Ricardo, vai neste caminho”, avalia o coorientador, Antonio Carlos Zuffo.
O estudo da FEC, baseado nos dados do Setor Nacional de Saneamento (SNIS), aponta que no Brasil as perdas totais (reais e aparentes) variam entre 45% e 50% do volume ofertado à população. Em algumas cidades, o índice pode chegar a 70%. “Isso representa 4,68 bilhões de metros cúbicos de água produzidos por ano. Os volumes perdidos levam a conclusão de que metade da água produzida é perdida. Cidades com índices de perdas nesses valores poderiam aumentar o volume disponibilizado para a população adiando a necessidade de obtenção de novos pontos de captação e água importada de outras bacias. A melhoria nos sistemas de abastecimento público é uma tarefa emergente, necessária e com vantagens econômicas e ambientais”, considera o autor da pesquisa.
Métodos de tomada de decisão e multicritérios
Para identificar e hierarquizar as principais ações de atuação na demanda hídrica, Ricardo Manca utilizou dois recursos metodológicos. “Primeiro, nós precisávamos obter informações por meio de um conjunto de especialistas da área. Para isso, recorremos a entrevistas e envio de questionários. Tendo como meta ‘Aumentar a disponibilidade de água’, questionamos, por exemplo: ‘Que nota você daria para a redução de perdas? E para reuso?’ Este método, conforme o engenheiro ambiental, ocupa-se com médias e permite definir as prioridades com base no consenso dos especialistas. Trata-se do Método de Auxílio à Tomada de Decisão Delphi.
O outro recurso metodológico, denominado como Multicriteriais, avalia as opções dadas pelos especialistas em multicritérios: econômicos, ambientais, sociais, estruturais e governamentais. “Uma opção pode não ser viável do ponto de vista econômico, mas, do ponto de vista ambiental, ela pode ser muito importante. Portanto, nós podemos criar vários critérios e cruzar esses critérios atribuindo pesos e valores a eles, dando prioridades às diferentes opções. Isso nós fizemos com três métodos multicriteriais: Analytic Hierarchy Process (AHP), Compromise Programming (CP) e Cooperative Game Theory (CGT)”, acrescenta.
Após a aplicação dos métodos multicriteriais foi possível a criação da ferramenta de análise de sensibilidade, que avaliou se uma das alternativas escolhidas pelos especialistas cumpriria as prioridades definidas nestes multicritérios. “O que isso significa? Por exemplo: os especialistas concordam que redução de perdas e reuso de água são duas medidas prioritárias. A partir disso, nós inserimos estas medidas na ferramenta. Se o meu resultado não é positivo, significa que eu estou caminhando no sentido contrário às melhores alternativas para o aumento da disponibilidade de água na Região Metropolitana de São Paulo”, ilustra. (ecodebate)

domingo, 23 de agosto de 2015

Governo de SP reconhece crise hídrica no estado

Em portaria, governo de São Paulo reconhece crise hídrica no estado
A crise hídrica na Grande São Paulo começou em janeiro do ano passado, mas somente em 18/08/15 ela foi reconhecida oficialmente como crítica pelo governo paulista, por meio de uma portaria publicada no Diário Oficial do estado.
Na portaria, o superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), Ricardo Borsari, declara “em situação de criticidade hídrica a região da bacia hidrográfica do Alto Tietê”, que serve a diversos sistemas que abastecem a Grande São Paulo. Entre esses sistemas está o Alto Tietê, que em 19/08 operava com 15,4% de sua capacidade, segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
O reconhecimento da crise hídrica já vinha sendo cobrado há tempos pelo Ministério Público. Em março deste ano, por exemplo, o Ministério Público instaurou um inquérito civil para apurar irregularidades e degradação ambiental em obras no Sistema Alto Tietê para o enfrentamento da crise hídrica. No inquérito, o promotor Ricardo Manuel Castro disse que iria apurar as obras emergenciais no sistema que estavam sendo feitas sem que o governo estadual tivesse decretado situação de emergência para o abastecimento de água.
Por meio da portaria publicada no Diário Oficial e que, portanto, já está em vigor, o DAEE determinou que a utilização de recursos hídricos em desacordo com a Lei 7.663, de 1991, ou sem a sua autorização é uma infração. Com isso, o estado de São Paulo poderá, por exemplo, suspender as licenças de captação particulares de águas superficiais e subterrâneas, priorizando o abastecimento público em vez da agricultura e da indústria.
A medida, segundo a portaria, foi tomada por causa “das baixas magnitudes das precipitações nas bacias de contribuição e o nível atual de armazenamento nos reservatórios que abastecem a região metropolitana”; pela continuidade, este ano, da “pior estiagem nessa região” e pelo potencial negativo dessa “situação anômala sobre as populações servidas” pelo sistema Alto Tietê. (ecodebate)

Fontes alternativas de água para uso residencial

Fontes alternativas de água para uso residencial: possibilidades e riscos
A escassez de chuvas que ocorre em boa parte do país afetou milhões de pessoas de diversas formas. Grandes cidades, como São Paulo, adotaram alterações no fornecimento, a fim de manter os reservatórios em níveis capazes de atender, ainda que com limitações, suas populações no longo prazo. Embora bastante negativo, esse quadro acabou por gerar uma conscientização de que o uso da água precisa ser revisto. Cresceu significativamente a busca por fontes alternativas, como sistemas de captação de água das chuvas e a utilização de um tratamento suplementar aos efluentes de Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs) capazes de melhorar a qualidade da água a ponto torná-la adequada para alguns tipos de reuso. São iniciativas que, se por um lado reduzem o desperdício e acabam por promover um uso mais racional desse recurso, se não forem planejadas por especialistas e habilitadas pelos órgãos competentes, podem resultar em graves consequências. É o caso da grande maioria dos poços artesianos que são perfurados atualmente.
O DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) é o órgão que controla a perfuração de poços no Estado de São Paulo. Além de expedir as outorgas, realiza estudos que revelam a presença de água subterrânea, a viabilidade de seu uso e para quais fins são indicados. Apesar de sua fiscalização, a maioria absoluta desses poços é clandestina e opera de forma inadequada. Entre outros problemas, pode contaminar aquíferos, particularmente quando são desativados. É o que ocorre atualmente em Ribeirão Preto. Conforme o Plano de Saneamento Básico do município, há 82 poços nessas condições que afetam o Aquífero Guarani, reservatório subterrâneo com capacidade de 37 milhões de quilômetros cúbicos de água que ocupa 1,2 milhão de km², abrangendo áreas de Uruguai, Argentina Paraguai e, principalmente, Brasil.
Outro fator é a exploração excessiva, que compromete os níveis dos aquíferos. Ainda no caso Aquífero Guarani, o Programa Estratégico elaborado por pesquisadores dos quatro países em 2009, elencou a perda de capacidade do reservatório como consequência da extração em níveis superiores à recarga. Como uma das soluções, propõe a restrição da perfuração de poços.
O nível dos impactos depende da capacidade do aquífero e do quanto dele é retirado. A popularização dessa alternativa entre condomínios em grandes cidades resulta em grandes perdas. Boa parte da capital paulista situa-se sobre o Aquífero São Paulo, que ocupa cerca de 1.000 km² que abrangem ainda Guarulhos, São Bernardo do Campo, Mogi das Cruzes e outras cidades. A vazão recomendada para o reservatório é de 2,8 litros por segundo, podendo chegar a 11 litros por segundo. É difícil dimensionar, por exemplo, o impacto de condomínios que optaram por essa solução na cidade. No caso de um que possua 100 apartamentos, cada habitado por cinco pessoas, o consumo giraria por volta de 100 mil litros diários (200 litros por morador).
Além dos danos ambientais, a abertura de poços sem a autorização dos órgãos responsáveis expõe a população a graves problemas de saúde. Sem uma prévia análise técnica, corre-se o risco do uso de água proveniente de aquíferos situados em solos contaminados. Esse tipo de comprometimento, muito comum em grandes cidades, inviabiliza o uso da água de poços tanto para fins comerciais quanto residenciais. Resulta da atividade de postos de combustíveis, empresas ligadas à estocagem e comércio de materiais químicos, indústrias petrolíferas, de agrotóxicos e metalúrgicas. Hoje, no Estado de São Paulo, esses passivos ambientais são os principais limitadores de empreendimento imobiliários. A descontaminação é trabalhosa, demorada e inviável economicamente.
A água de reuso pode atender a fins menos exigentes quanto à qualidade e, dessa forma, reduzir o consumo da água tratada, que deve ter como destino usos mais nobres. Entende-se por reuso o reaproveitamento de águas utilizadas após tratamento adequado à atividade a que se destina. Um projeto nesse sentido deve priorizar o tratamento de água que já foi utilizada. Esse processo exigirá investimentos cuja compensação dependerá principalmente da qualidade exigida para o fim desejado. Equipamentos disponíveis no mercado brasileiro afirmam apresentar um payback (tempo de retorno do investimento) num período de três a seis anos. No caso de águas cinza (sem esgoto urbano ou industrial), o payback pode chegar a um ano e meio. É comum também comum se considerar como reuso o aproveitamento de águas de chuva que são captadas em telhados, coberturas e pisos e acumuladas nas chamadas cisternas.
Já o reuso de água proveniente de chuveiros e lavagem de roupa é bastante viável economicamente, principalmente para se regar plantas, lavar o chão ou mesmo em descargas, atividades em que o uso de água tratada configura desperdício que não exigem que a água seja tratada. Na maioria das residências, exigirá adaptações no encanamento. O retorno do investimento dependerá tanto do projeto quanto do consumo. Um projeto de reuso de água deve considerar, primeiramente, a qualidade da água a ser reusada e a qualidade exigida pelo futuro aproveitamento. Esta questão deverá definir a metodologia (processos de tratamento) a ser aplicada no tratamento e o seu custo. (ecodebate)

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