Pesquisa avalia impactos dos incêndios na condição
da água do Pantanal.
RPPN SESC Pantanal.
Parte da pesquisa é realizada na maior Reserva
Particular do Patrimônio Natural do país, a RPPN SESC Pantanal.
Avaliar como os recentes incêndios, ocorridos em
2020, irão afetar as condições físicas, químicas e biológicas do ecossistema
pantaneiro é o objetivo da pesquisa realizada pela Universidade Federal de Mato
Grosso (UFMT), com o apoio do Polo Socioambiental SESC Pantanal, ao longo do
rio Cuiabá. Na semana em que se comemora o Dia Mundial das Áreas Úmidas (02/01),
instituições atuantes no Pantanal destacam a importância do estudo na maior
planície inundável do mundo para a proposição de ações de prevenção e manejo do
fogo.
O projeto de pesquisa realizado em um dos limites da
maior Reserva Particular do Patrimônio Natural do país, a RPPN SESC Pantanal, é
coordenado pelo Instituto de Biociências da UFMT. Conforme o pesquisador Ibraim
Fantin da Cruz, doutor em Recursos Hídricos da UFMT, serão avaliadas as
possíveis consequências dos incêndios sobre a estrutura e composição dos
micro-organismos aquáticos, base da cadeia alimentar dos peixes e, com isso,
contribuir para a gestão dos recursos hídricos e pesqueiros no Pantanal, bem
como para a proposição de ações de prevenção e manejo do fogo e para as
mudanças climáticas na região.
De acordo com Ibraim, a porção baixa da bacia do rio
Cuiabá, localizada no Pantanal, entre os municípios de Poconé e Barão de
Melgaço, foi uma das mais afetadas e é justamente onde vivem muitas comunidades
tradicionais que dependem da pesca para a sua sobrevivência, além de ser uma
região ecoturística.
Apesar da escassez de estudos, algumas pesquisas
científicas têm apontado que a presença das cinzas dos incêndios altera a
composição química do solo e, quando ocorre o escoamento superficial, após as
primeiras chuvas, substâncias presentes nelas atingem as águas dos rios,
contaminando-as.
Compostos nitrogenados e potássio, especialmente, ao
atingir a água em altas concentrações, se tornam tóxicos às espécies aquáticas
e aos organismos do solo e também afetam a qualidade da água, podendo causar mortandade
ou redução da população de peixes e, possivelmente, alterar a comunidade de
micro-organismos aquáticos, fundamentais para a alimentação dos peixes.
Também estão sendo investigados os impactos do fogo
sobre a fauna e flora terrestres, como forma de conhecer e quantificar os
prejuízos dos incêndios florestais ao Pantanal, bem como responder aos anseios
e demandas da sociedade e da comunidade científica, para criar mecanismos de
proteção e de subsidiar ações emergenciais e preventivas no futuro.
Ibraim explica que a pesquisa é baseada em coletas
de água do rio Cuiabá realizadas em duas campanhas. 1ª coleta foi realizada
antes das primeiras chuvas. 2ª ocorrerá após o início das chuvas, quando o rio
Cuiabá começa a aumentar o volume de água pelo escoamento superficial da bacia.
Estão sendo amostrados 30 pontos de coleta, que foram marcados através de
imagens de satélite das áreas mais afetadas pelo fogo, compreendendo o trecho
de cerca de 300 km do rio Cuiabá entre Santo Antônio do Leverger e Porto Jofre.
RPPN SESC Pantanal.
Parte da pesquisa é realizada na maior Reserva
Particular do Patrimônio Natural do país, a RPPN SESC Pantanal.
Avaliar como os recentes incêndios, ocorridos em
2020, irão afetar as condições físicas, químicas e biológicas do ecossistema
pantaneiro é o objetivo da pesquisa realizada pela Universidade Federal de Mato
Grosso (UFMT), com o apoio do Polo Socioambiental SESC Pantanal, ao longo do
rio Cuiabá. Na semana em que se comemora o Dia Mundial das Áreas Úmidas (02/01),
instituições atuantes no Pantanal destacam a importância do estudo na maior
planície inundável do mundo para a proposição de ações de prevenção e manejo do
fogo.
O projeto de pesquisa realizado em um dos limites da
maior Reserva Particular do Patrimônio Natural do país, a RPPN SESC Pantanal, é
coordenado pelo Instituto de Biociências da UFMT. Conforme o pesquisador Ibraim
Fantin da Cruz, doutor em Recursos Hídricos da UFMT, serão avaliadas as
possíveis consequências dos incêndios sobre a estrutura e composição dos
micro-organismos aquáticos, base da cadeia alimentar dos peixes e, com isso,
contribuir para a gestão dos recursos hídricos e pesqueiros no Pantanal, bem
como para a proposição de ações de prevenção e manejo do fogo e para as
mudanças climáticas na região.
De acordo com Ibraim, a porção baixa da bacia do rio
Cuiabá, localizada no Pantanal, entre os municípios de Poconé e Barão de
Melgaço, foi uma das mais afetadas e é justamente onde vivem muitas comunidades
tradicionais que dependem da pesca para a sua sobrevivência, além de ser uma
região ecoturística.
Apesar da escassez de estudos, algumas pesquisas
científicas têm apontado que a presença das cinzas dos incêndios altera a
composição química do solo e, quando ocorre o escoamento superficial, após as
primeiras chuvas, substâncias presentes nelas atingem as águas dos rios,
contaminando-as.
Compostos nitrogenados e potássio, especialmente, ao
atingir a água em altas concentrações, se tornam tóxicos às espécies aquáticas
e aos organismos do solo e também afetam a qualidade da água, podendo causar mortandade
ou redução da população de peixes e, possivelmente, alterar a comunidade de
micro-organismos aquáticos, fundamentais para a alimentação dos peixes.
Também estão sendo investigados os impactos do fogo
sobre a fauna e flora terrestres, como forma de conhecer e quantificar os
prejuízos dos incêndios florestais ao Pantanal, bem como responder aos anseios
e demandas da sociedade e da comunidade científica, para criar mecanismos de
proteção e de subsidiar ações emergenciais e preventivas no futuro.
Ibraim explica que a pesquisa é baseada em coletas
de água do rio Cuiabá realizadas em duas campanhas. 1ª coleta foi realizada
antes das primeiras chuvas. 2ª ocorrerá após o início das chuvas, quando o rio
Cuiabá começa a aumentar o volume de água pelo escoamento superficial da bacia.
Estão sendo amostrados 30 pontos de coleta, que foram marcados através de
imagens de satélite das áreas mais afetadas pelo fogo, compreendendo o trecho
de cerca de 300 km do rio Cuiabá entre Santo Antônio do Leverger e Porto Jofre.
Benefícios das áreas úmidas
As áreas úmidas geram inúmeros benefícios aos seres
vivos, incluindo os seres humanos. São um dos maiores estoques terrestres de
carbono do planeta, atuam na redução de poluentes, amenizam processos erosivos,
produzem biodiversidade e variabilidade genética e dão suporte às atividades
culturais como o lazer, turismo, contemplação e como territórios de comunidades
rurais e urbanas. A condição sazonal do Pantanal implica em dois períodos
hidrológicos distintos, cheia e estiagem. Na época de estiagem, grande parte da
planície, antes inundada, passa a ser um ambiente terrestre, onde a escassez de
água pode inclusive afetar o abastecimento de comunidades que vivem na
planície.
Em “A Bacia do Rio Cuiabá, Uma abordagem
Socioambiental”, publicado por cientistas da UFMT e da Unemat, pesquisadores
como a bióloga Daniela Maimoni de Figueiredo afirmam que as mudanças naturais e
antrópicas do pulso de inundação têm efeitos grandes para a estrutura e
funcionamento dos ecossistemas e afetam os benefícios prestados à paisagem e às
populações humanas.
Daniela ressalta que o Pantanal depende
fundamentalmente das águas oriundas dos Cerrados do Brasil Central, das Matas Chiquitanas
da Bolívia e áreas do Chaco Paraguaio. É de grande diversidade de espécies,
possui elevadas densidades populacionais de diversas espécies ameaçadas tais
como a onça-pintada (Panthera onca) e a anta (Tapirus terrestris), além de uma
grande variedade de macro-habitats que desperta o interesse de cientistas e
turistas do mundo inteiro. É também o lugar de populações tradicionais
adaptadas ao ritmo das águas pantaneiras.
“Diante de toda a rica complexidade, importância e
beleza do Pantanal, esforços coletivos como estes têm buscado maneiras de
compreender melhor a região e contribuir para a sustentabilidade nos diferentes
usos da planície, para que se mantenha sua função essencial de garantir a
sobrevivência humana e de outras espécies”, destaca a superintendente do SESC
Pantanal, Christiane Caetano.
Áreas úmidas
As áreas úmidas são complexos ecossistemas que
englobam desde as áreas marinhas e costeiras até as continentais e as
artificiais. São classificados 42 diferentes tipos de zonas úmidas, entre eles
lagos, manguezais, pântanos, áreas irrigadas para agricultura e reservatórios
de hidrelétricas.
A definição do conceito de área úmida surgiu na
Convenção de Ramsar. O tratado intergovernamental celebrado no Irã, em 1971,
marcou o início das ações nacionais e internacionais para a conservação e o uso
sustentável das zonas úmidas e de seus recursos naturais. Atualmente, 150
países são signatários do tratado, incluindo o Brasil.
A convenção classificou as áreas úmidas de
importância mundial, os chamados Sítios Ramsar. Existem 1.556 sítios Ramsar
reconhecidos mundialmente por suas características, biodiversidade e
importância estratégica para as populações locais. No Brasil, são sete sítios
Ramsar.
Importância das áreas úmidas para o planeta
As áreas úmidas existem em todos os tipos de
ecossistemas e são importantes para a manutenção da biodiversidade. Situadas em
uma interface entre a água e o solo, as áreas úmidas são ecossistemas
complexos, pressionados não somente pela ação direta do homem, mas também pelos
impactos sobre ecossistemas terrestres, marinhos e de água doces adjacentes.
Áreas úmidas abrigam enorme variedade de espécies
endêmicas e também, periodicamente, espécies terrestres e de águas profundas e,
portanto, contribuem substancialmente para a biodiversidade ambiental. Além
disso, têm papel importante no ciclo hidrológico, ampliando a capacidade de
retenção de água da região onde se localiza, promovendo o múltiplo uso das
águas pelos seres humanos.

Amostras serão recolhidas periodicamente para
análise.
Amostras são coletadas para detectar impacto de
incêndios em rios do Pantanal.
Fase preliminar indicou que água do rio Paraguai e
afluentes ainda se apresentava preservada. (ecodebate)