domingo, 17 de maio de 2009

Alimento sem agrotóxico deve ser prioridade em saúde

Especialistas destacam valor de estudo que indica vegetais contaminados por defensivos. A preocupação com a segurança dos alimentos deve ser tão importante quanto às apreensões em relação à segurança pública. Essa é a mensagem que especialistas apontam após a pesquisa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que revelou concentrações irregulares de agrotóxicos em determinados vegetais, como pimentões e morangos. Pesquisadores defenderam a continuidade do trabalho e rebateram alegações de que bastaria lavar as frutas para eliminar riscos, além do argumento de que não haveria comprovação sobre a possibilidade de o produto contaminado causar mal à saúde. Segundo afirmam, também não seria verdade que não há problema em utilizar um agrotóxico aprovado para a banana, por exemplo, no pimentão. Essa foi uma das principais irregularidades encontradas pela pesquisa, mas representantes do agronegócio afirmaram que o uso das substâncias em culturas para as quais não estão aprovadas não traria riscos. Essa é uma luta que não para. Ao mesmo tempo em que temos de nos preocupar com a segurança (pública), por exemplo, temos de nos preocupar com o que iremos consumir. A continuidade desse programa é fundamental para o controle fitossanitário dos alimentos. É uma questão de segurança alimentar. A simples divulgação dos dados deve gerar queda do consumo dos piores produtos e estimular o agronegócio a corrigir o uso de agrotóxicos. São cobradas efetivas punição dos infratores. A presença dos agrotóxicos nos alimentos não é visível, o consumidor está indefeso. Mesmo lavar com água e sabão muitas vezes não é suficiente, pois o agrotóxico penetra em frutas e legumes. O professor da UnB, que trabalha diretamente com pesquisas sobre os efeitos de agrotóxicos no organismo, publicou neste ano na revista científica Chemosphere um trabalho que demonstra o risco dos agrotóxicos à saúde. Nós demonstramos em nosso laboratório que o endossulfan (tipo de defensivo) altera a reprodução em organismos aquáticos. Os estudos não podem ser feitos com humanos porque seria crime oferecer produtos sabidamente contaminados a pessoas para um teste. Há na lista da ANVISA, agrotóxicos que estão sofrendo restrições severas em todo o mundo. A ANVISA, no entanto, não conseguiu banir seu uso em razão de liminares obtidas por empresas. USO SEM REGISTRO Sobre o uso de agrotóxicos aprovados para uma cultura em outra produção, ambos são enfáticos: é ruim para a saúde. É desculpa de quem comete infrações às nossas leis, na certeza da impunidade, que enfatiza que o mercado de agrotóxicos do País é o segundo do mundo e tem recurso para fazer registros específicos. Os tempos de degradação dos produtos químicos por cultura são diferentes, daí a impossibilidade de achar que é seguro usar a mesma química em dois produtos. É como se uma pessoa usasse um remédio receitado para outra. O uso de defensivos em culturas para as quais não foram aprovados é "mais que uma questão burocrática ou econômica e representa risco à saúde". O chefe do Serviço de Resíduos e Contaminantes para a Área Vegetal do Ministério da Agricultura, Carlos Venâncio, admite que a prática possa representar risco à saúde, mas afirma que "na grande maioria das vezes isso não acontece. Especialistas dizem, porém, que o consumidor não deve se afastar dos produtos in natura, mas é preciso buscar alternativas, como frutas da época, que precisam de menos defensivos.

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