segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Somos 7 bilhões de consumistas

Somos 7 bilhões: Consumismo é maior ameaça à sustentabilidade
Sete bilhões é muito ou pouco
 Depende. Fisicamente, cabemos todos no perímetro da Grande São Paulo. Mas basta uma minoria de consumistas modernos -incluindo nós, leitores da Folha- para ameaçar o futuro da humanidade na Terra.
O crescimento demográfico importa, é óbvio! Mas os números absolutos em si dizem muito pouco, porque o tamanho da pegada ecológica varia enormemente entre sociedades e grupos sociais.
A população é diferenciada não somente por idade, sexo, tamanho, cor, residência e ocupação, mas também por níveis de renda e consumo.
Precisamos de uma demografia da sustentabilidade que trate de qualificar consumidores, e não de contar pessoas equivalentes ou intercambiáveis.
O que assusta mesmo é que o aumento de consumidores é muito mais rápido que o de pessoas. Movido pela cultura do consumo, o nosso modelo de desenvolvimento, eficaz e sedutor, incorpora milhões de novos consumidores anualmente.
Há décadas nossos valores são moldados cada vez mais pelas instituições que promovem essa cultura e esse modelo de desenvolvimento. Comprar coisas nos faz feliz e estimula a produção; pena que esse incremento do consumo implique a destruição de recursos e o acúmulo de dejetos, inclusive dos gases de estufa que trazem as mudanças climáticas.
Contempla-se alterar esse paradigma por meio da economia verde, dentro da qual seria reduzido o desperdício de recursos naturais e a produção de dejetos nocivos. Vai funcionar?
Na melhor das hipóteses, uma mudança radical e imediata nesse sentido poderia reduzir o perigo iminente, mas não se continuarmos definindo o consumo crescente como o caminho da felicidade.
Reduzir o crescimento populacional ajudaria? Pode ajudar, sem dúvida. Mas a solução fácil do “controlismo” engana, pois famílias menores tendem a consumir mais per capita. (EcoDebate)

Somos 7 bilhões com maior esperança de vida

Somos 7 bilhões: esperança de vida sobe junto com a população
Quando nasci, em agosto de 1953, fui o habitante de número 2.610.233.456. Quando minha filha veio ao mundo, em março de 1985, ela foi o habitante de número 4.710.843.383.
Em 58 anos, a população mundial aumentou em 4,4 bilhões de habitantes. Durante os 26 anos de vida de minha filha caçula, o aumento foi de 2,3 bilhões. Nos próximos 32 anos, teremos mais 2 bilhões de pessoas, e a população mundial deve chegar a 9 bilhões em 2043.
Existem duas boas noticias acompanhando esses números. A primeira é que a população mundial cresceu, aumentando conjuntamente a esperança de vida, que era de 48 anos no quinquênio 1950-55 e passou para 68 anos no período 2005-2010. A segunda é que o ritmo de crescimento demográfico está em declínio e existe grande probabilidade de a população mundial se estabilizar na segunda metade do século 21.
O número de nascimentos no mundo ficou estabilizado em torno de 136 milhões de crianças entre 1990 e 2010. Porém esse número já começou a cair.
Com a redução da base da pirâmide populacional, a razão de dependência demográfica vai ficar abaixo de 60% entre o ano 2000 e 2050. A mudança na estrutura etária, em geral, traz um bônus demográfico que pode ajudar na redução da pobreza no mundo.
Mas essa janela de oportunidade só será aproveitada se mudar o modelo de produção e consumo que tem provocado o aumento da pegada ecológica da humanidade. O nível atual de exploração do ambiente já ultrapassou em 50% a capacidade de regeneração do planeta. Estima-se em US$ 1,3 trilhão o custo anual da transição para uma economia verde, sustentável e de baixo carbono. É 30% menos que o gasto militar do mundo anualmente.
Vamos dar as boas vindas ao habitante de número 7 bilhões. Mas, principalmente, vamos nos esforçar para deixar uma herança positiva para que esse bebê de hoje não se torne um jovem frustrado. (EcoDebate)

População mundial chega a 7 bilhões

População mundial chega a 7 bilhões de pessoas, com crescentes desigualdades
A população mundial chega, nesta segunda-feira, a 7 bilhões de pessoas, segundo estimativas da ONU, em meio a necessidades urgentes de redistribuição da riqueza para o combate a crescentes desigualdades.
Cada país celebrará à própria moda este novo recorde de explosão demográfica: alguns vão até eleger um bebê como símbolo e outros vão organizar competições esportivas e festividades.
Em Zâmbia, será realizado um concurso musical, e no Vietnã, um show intitulado “7 Billion: Counting On Each Other” (7 bilhões de pessoas apoiando-se mutuamente). Na Rússia, as autoridades vão entregar presentes a alguns recém-nascidos.
No entanto, para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o dia que marca a existência de 7 bilhões de seres humanos não é motivo de alegria. “Os recém-nascidos chegam a um mundo contraditório, com muita comida para uns e com a falta de alimentos para um bilhão de pessoas que vão dormir com fome todas as noites”.
“Muitas pessoas gozam de luxuosos estilos de vida e muitos outros vivem na pobreza”, disse Ban em entrevista à revista americana Time.
O recorde demográfico deveria ser visto como “um chamado à ação”, insistiu.
A nova cifra demográfica representa un incremento de 1 bilhão de pessoas em relação ao número anunciado à meia-noite de 12 de outubro de 1999, quando a ONU nomeou um recém-nascido bósnio, Adnan Mevic, como o terráqueo de número 6 bilhões.
O então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, foi fotografado num hospital de Sarajevo, segurando Mevic em seus braços.
A família da criança vive, hoje, mergulhada na pobreza, o que explica, em parte, o fato de este ano não haver foto simbólica com o chefe da ONU para imortalizar o novo recorde demográfico.
“Não se trata de números. Trata-se de pessoas”, disse Ban numa escola de Nova York semana passada.
“Serão sete bilhões de pessoas que vão precisar de alimentos em quantidade suficiente, assim como de energia, além de boas oportunidades na vida de emprego e educação; direitos e a própria liberdade de criar seus próprios filhos em paz e segurança”, acrescentou.
Dirigindo-se aos estudantes, o chefe das Nações Unidas acrescentou: “Tudo o que quiserem para vocês mesmos deverá ser multiplicado por 7 bilhões”.
Ban levará esta mensagem ao G20, que reunirá as economias desenvolvidas e as emergentes mais importantes, na próxima semana no sul da França.
Segundo estimativas da ONU, cerca de dois bebês nascem a cada segundo, pelo que a cifra de 7 bilhões continuará aumentando na próxima década, até chegar a 10 bilhões em 2100.
As Nações Unidas preveem que a Índia se converta no país mais povoado do mundo em 2025, quando seus habitantes somarem 1,5 bilhão, superando a China.
Enquanto isto, um relatório do Fundo de População da ONU (UNFPA) destaca que o mundo enfrentará crescentes obstáculos para criar empregos para as novas gerações, especialmente nos países pobres, e que a mudança climática e a explosão demográfica vão agravar as crises de fome e de seca.
Ao mesmo tempo, o envelhecimento da população se tornará um problema para o Japão e os países europeus, com suas repercussões afetando as políticas de migração, saúde e emprego, adverte o documento. (EcoDebate)

E se a população mundial encolher

ONU estima que o número de habitantes da Terra se estabilize em 10,1 bilhões na metade do século; previsões não consideram risco de um grande cataclismo ou epidemia.
Em algum momento por volta do Halloween, hoje, a Organização das Nações Unidas celebrará o nascimento do 7.º bilionésimo bebê do mundo. Como disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a líderes mundiais em Nova York, no mês passado, o 7.º bilionésimo bebê provavelmente será pobre e habitará uma terra maltratada pelos estragos de aquecimento global, desertificação e escassez de alimentos.
Caramba! Com esse tipo de retórica apocalíptica, não surpreende que boa parte do foco da mídia tenha sido na tensão de um planeta superlotado onde mais de 79 milhões de pessoas são adicionadas a cada ano à família humana, sobrecarregando cidades já superlotadas, disputando um reservatório de recursos naturais em constante diminuição.
Mas e se a população mundial encolher? Embora a população global tenha triplicado desde a criação da ONU, em 1945, as taxas de fertilidade globais nos últimos cem anos declinaram consistentemente, de um pico de 6 filhos por família na aurora do século 20 a 5 em 1950 e 2,5 hoje.
A ONU calcula que uma taxa de reposição de 2,1 filhos por família será alcançada após 2100. A organização internacional produziu diversos cenários mostrando a população crescendo para quase 10 bilhões ao longo do próximo século - ou mesmo até quase 27 bilhões, se a taxa atual de crescimento populacional persistir (é dispensável dizer que muitos demógrafos consideram insustentável esse desfecho).
O mais provável, segundo estatísticos da ONU, é que a população aumente de forma gradual até 8 bilhões em 2025, 9 bilhões em 2043, atinja 10,1 bilhões na metade do século, e, daí, se estabilize. A chamada projeção de "variação média" supõe que países com taxas de fertilidade elevadas como Níger (7,37 bebês por mulher) e aqueles com taxas de fertilidade baixas, como a Coreia do Sul, onde as mulheres têm uma média de 1,2 filhos, acabarão convergindo.
Essa suposição, como a maioria das outras, é apenas uma suposição e não levam em conta eventos cataclísmicos potenciais, como um asteroide colidindo com a terra ou, talvez, um cenário mais plausível em que multidões de pessoas morram por doenças infecciosas. A epidemia de aids desacelerou temporariamente as taxas de crescimento populacional na África, impedindo que o continente africano superasse a população combinada da Europa e das Américas em 2025.
"Demografia não é destino. De certa maneira, o pressuposto mais implausível é a ideia de que o todo o mundo vai começar a ter 2,1 filhos. Não há nenhuma razão para acreditar que isso vai acontecer", disse Matthew Connelly, um professor de história da Universidade Columbia e autor de Fatal Misconception: The Struggle to Control World Population (Equívoco fatal: a luta para controlar a população mundial, em tradução livre do inglês). "Não me surpreenderia se tivermos mais surpresas à frente." Aliás, prever crescimento ou contração de população é, em geral, um jogo de perdedores.
Previsões erradas. Os demógrafos não previram algumas das mudanças demográficas mais importantes do último século, incluindo o primeiro declínio na taxa de fertilidade americana durante a Grande Depressão, o "baby boom" logo depois da 2.ª Guerra e a explosão da migração humana nos anos 1970.
Joel E. Cohen, um pesquisador da Universidade Rockefeller que estuda tendências populacionais, concordou que os demógrafos têm se mostrado fracos em previsões. "Eu vejo as projeções além de 2050 como cenários de 'E se...'. Não os vejo como declarações do que ocorrerá", disse ele. "Não previmos o 'baby boom' e não previmos o 'baby bust' (colapso) que se seguiu. Nossa capacidade de prever mesmo para as pessoas que estão vivas é limitada", disse.
Por exemplo, a queda vertiginosa da taxa de fertilidade do Irã, de 6,9 em 1960 para 1,6 hoje, pegou o mundo de surpresa - boa parte da diminuição ocorreu após a Revolução Islâmica. "Ninguém em 1980 poderia ter previsto que a taxa de fertilidade total do Irã estaria hoje muito abaixo da taxa de reposição." Cohen observou também que as previsões tenebrosas de que populações em declínio prejudicarão o crescimento econômico não comportam um confronto com a realidade econômica.
Muitos dos países mais ricos do mundo que têm experimentado declínios nas suas taxas de fertilidade prosperaram, enquanto muitos dos países mais pobres do mundo passam por dificuldades econômicas. "Tome o exemplo de Alemanha e Japão, dois dos países mais prósperos do mundo: eles têm uma população em declínio e, por enquanto, são dínamos econômicos. Não há uma relação necessária entre prosperidade e crescimento populacional." Mesmo no cenário mais provável da ONU, que prevê a população mundial na casa dos 10 bilhões até o fim do século, muitos países se contrairão, exercendo uma enorme pressão sobre seus governos para assegurar o progresso econômico e a estabilidade social - com força de trabalho e mercado em declínio e um suprimento cada vez menor de jovens para cuidar de uma população cada vez mais idosa.
Pelo menos 80 países já caíram abaixo do nível de reposição de 2,1 filhos, entre os quais Alemanha, Itália, Japão, Rússia, Coreia do Sul e Espanha, onde as taxas de fertilidade caíram para 1,5 filhos por mulher, ou menos.
Para refletir a incerteza, a ONU publica também variações sobre sua projeção para a taxa de fertilidade global futura. Dois modelos da entidade supõem que a população se aproximará ou de uma taxa de fertilidade de 2,5 ou de 1,5 - as variantes baixas e altas da ONU -, o que impelirá a população para cima até 15,8 bilhões ou para baixo até 6,2 bilhões, em 2100, a última representando um declínio de cerca de 800 milhões de pessoas em relação à população atual.
Uma população menor poderia aliviar a pressão sobre a natureza, assegurando uma exploração mais sustentável do meio ambiente. Mas o futuro desses Estados minguantes - definidos por uma combinação de uma grande quantidade de idosos aposentados e uma pequena quantidade de jovens trabalhando - poderia ser sombrio, particularmente se eles não conseguirem absorver migrantes jovens.
A Europa (incluindo a Rússia) que atingiu um pico de população de 731 milhões em 2005 está projetada para ver seu primeiro declínio populacional da história, caindo para 664 milhões na metade do século. Estimativas da ONU projetam que a população da Rússia, hoje em 143 milhões, poderia perder quase 35 milhões, segundo a projeção mais provável - se a taxa de declínio se mantiver. Essa queda incentivou alguns países europeus, incluindo França e Macedônia, a oferecer incentivos econômicos, como dinheiro ou atendimento subsidiado às crianças, para encorajar mães a ter mais filhos.
China e Índia, os dois países mais populosos do mundo, tentaram conter o crescimento demográfico nas últimas quatro décadas com uma série de medidas compulsórias não raramente draconianas - incluindo a política de um filho e programas de esterilização em larga escala na China. Mas o custo tem sido alto em termos humanos, particularmente na China, onde 20% dos meninos nascidos nos anos 90 possivelmente não conseguirão encontrar um par, segundo Connelly.
O descompasso na juventude chinesa provavelmente será seguido por uma população cada vez mais idosa, aumentando a tensão sobre a nova geração chinesa, que terá de amparar os numerosos avós. Em meados do século, 30% da população da China terá mais de 65 anos. E estará em piores condições de saúde que os habitantes do Ocidente, dada as taxas crescentes de tabagismo e o alto índice de envenenamento por chumbo - e outros males ambientais - entre os chineses.
Connelly suspeita que a população global deixará de crescer em torno da metade deste século. China e Índia podem servir de modelos de como países trabalharão no futuro para controlar o crescimento populacional. "Temo um retorno de medidas mais coercitivas", disse ele.
Os EUA evitaram em grande parte o destino de muitos outros países em desenvolvimento por causa de sua grande população de imigrantes. Apesar de seus benefícios demográficos, a imigração ficou sobre crescente ataque político nos EUA, que anunciaram ter deportado mais de 400 mil estrangeiros no ano passado, mais do que em qualquer outra época da história americana.
Mas será isso realmente algo para Washington alardear? "Não temos um modelo de país com população em declínio que esteja experimentando um crescimento econômico", disse Joseph Chamie, o ex-diretor da Divisão de População da ONU e atual diretor de pesquisa no Center for Migration Studies. Segundo ele, o crescimento econômico mundial dependeu de uma população em expansão desde a Revolução Industrial. Chamie contrastou o destino de duas cidades americanas: Detroit, que sofreu uma queda de população de 25% na última década, caiu de joelhos; Nova York, que teve um aumento de 400 mil pessoas no mesmo período, prosperou.
"Uma população em declínio traz benefícios como um desgaste ambiental menor e menos consumo, mas terá também menos trabalhadores para cada aposentado. Isso pode se tornar um fardo financeiro muito grande para os jovens", disse ele. "Não sabemos exatamente como proceder se a população começar a cair como vimos na Rússia, Japão e outros lugares. Navegamos hoje em águas desconhecidas." (OESP)

Algum dia a população mundial irá diminuir?

Algum dia a população mundial irá diminuir?
Por enquanto, não. A população do mundo só vai diminuir quando a equação de nascimentos e óbitos se inverter. Ou seja, precisa morrer mais gente do que nasce. "Não é impossível que isso aconteça, mas serão necessários muitos anos para vermos essa transformação", afirma o demógrafo Carlos Eugênio de Carvalho Ferreira, da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), de São Paulo. Hoje, o mundo tem cerca de 6,3 bilhões de pessoas, uma multidão que aumenta a uma taxa de 1,2% ao ano. Pelos cálculos da Organização das Nações Unidas, a ONU, o crescimento populacional vai desacelerar um pouco nas próximas décadas: por volta de 2050, o índice de crescimento deve estar por volta de 0,3% ao ano. Essa mudança se deve basicamente à diminuição do número de filhos por mulher, principalmente nos países desenvolvidos, e ao aumento da mortalidade nos países afetados pela epidemia de aids. Mesmo com a redução do crescimento, é bem mais difícil que a população encolha em números absolutos. "O que dá para observar é que o crescimento populacional negativo está relacionado à riqueza econômica do país e às altas taxas de escolaridade. Esse panorama, evidentemente, não existe em boa parte do mundo subdesenvolvido", diz o geógrafo Álvaro Luiz Heidrich, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Como o planeta pode esvaziar
Controle rígido de natalidade, epidemias e envelhecimento "ameaçam" a superlotação da Terra
Velhice crônica
Na Europa, a população idosa aumenta há 30 anos. Com bons serviços de saúde e saneamento, a mortalidade caiu e a expectativa de vida cresceu. Para completar, a taxa de nascimentos por lá anda em baixa. Com tudo isso, a população europeia deve encolher a uma taxa de -0,09% ao ano até 2015. É o único continente do mundo em que morre mais gente do que nasce.
Gravidez cara
Na China, o governo adotou uma política radical de planejamento familiar a partir de 1980. Em regiões superpovoadas, como na capital Pequim, os casais eram "incentivados" a ter apenas um único filho. Quem não obedecesse à regra teria prejuízo financeiro pagando impostos mais altos, por exemplo. A solução autoritária deu certo: hoje, o crescimento populacional do país é de apenas 0,6%, metade da média mundial.
Surto cruel
Na África, a epidemia de aids é responsável pelo aumento da mortalidade na chamada "África negra", o conjunto de nações que ocupam a porção centro-sul do continente. Os 38 países que sofrem com a doença terão uma redução de 10% na população até 2010. A situação é ainda mais grave em nações como Botsuana, Lesoto, África do Sul e Suazilândia, onde a aids atinge um quinto dos habitantes. (abril)

Pra onde vai esse trem?

Demógrafo da ONU prevê que a população deve se estabilizar por volta de 2050, mas haja solavanco até lá.
Fim do mês de outubro/11, a ONU fecha a conta do mundo em 7 bilhões de habitantes. E abre outra logo em seguida, estimando que vêm mais 8 bilhões por aí até 2100. Só depois seria possível passar a régua e dizer que a população se estabilizou.
Pendurados. Hoje os paquistaneses são 117,8 milhões.
O holandês Ralph Hakkert é demógrafo do Fundo de População das Nações Unidas. Pelo que tem observado de seus voos pelo planeta, é mais otimista: por volta de 2050 a coisa se acomoda em torno dos 9 bilhões. Não só porque as mulheres terão mais acesso aos métodos contraceptivos, mas porque a África passará por um processo muito acentuado de urbanização, o que deve desencorajar a fecundidade do continente mais animado a se multiplicar.
É da África que ele conversa com o Aliás. Hakkert estava em Nairóbi, capital do Quênia, para dar um workshop sobre métodos de estimativa demográfica. O país já foi considerado o de mais alta fecundidade no mundo, com uma média de 8,11 filhos por mulher. Hoje está na casa dos 4,62, um número ainda disparatado, especialmente quando se leva em conta que metade da população mora em países onde a fecundidade se encontra abaixo do nível de reprodução, com 1,8 filhos.
"O Brasil está nessa faixa, ou seja, as pessoas têm menos filhos do que precisariam para repor as gerações", explica. Mas pergunta: "Até que ponto o Estado pode interferir na vida privada da população para conseguir um ou outro comportamento reprodutivo?" Da sua, ele já sabe: quer unir de novo a família, separada pelo trabalho. Em Brasília moram sua mulher e o filho mais velho. Em Nova York, ele divide um apartamento com o mais novo. Em 2013 esse demógrafo de 59 anos que foi pesquisador do Núcleo de Estudos da População (Nepo), da Unicamp, e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) quer se aposentar. E morar no Brasil, que, segundo suas previsões, em duas décadas será um dos polos de atração do intenso processo migratório mundial.
Como tende a se comportar a população mundial até o final deste século?
Ainda serão acrescentados 1 ou 2 bilhões de pessoas ao número total. Mas já há sinais claros de que o comportamento da população está mudando e esse crescimento ficará mais lento. Em algum futuro previsível, vai parar. Haverá uma estabilização.
E será por volta de 2040?
Não, acredita-se que será mais tarde. Há uma agência na ONU chamada Divisão de População que, a cada dois anos, faz estimativas sobre como a população vai se desenvolver. Em 2008, ela projetou que o crescimento iria parar em 2040, 2045. Neste ano de 2011 fizeram uma revisão e agora são mais pessimistas. Acham que o crescimento vai continuar por mais tempo, só deve parar por volta de 2100.
O senhor concorda com a nova projeção?
Sou um pouco mais otimista. Aposto que a população vai se estabilizar por volta de 2050, mas é muito difícil fazer projeção de longo prazo sobre isso. Quando você tem uma hipótese um pouquinho diferente sobre o ritmo de redução da fecundidade, pode chegar a conclusões bem diversas. Essa é uma arte bastante sensível.
O que o leva a achar que a redução da fecundidade será mais rápida?
Primeiro, a urbanização. Segundo, o nível de acesso que as mulheres têm à saúde reprodutiva e aos métodos contraceptivos. Terceiro, as oportunidades que surgem para as mulheres no mercado de trabalho, o que as estimula a ter menos filhos.
Por que a fecundidade tende a diminuir com a urbanização?
Um famoso demógrafo australiano, John Caldwell, desenvolveu o seguinte argumento: nas sociedades tradicionais, principalmente as rurais, o fluxo de riqueza entre gerações é predominantemente dos filhos para os pais, ou seja, os pais precisam investir pouco nos filhos em termos de educação, capital humano, mas existe um fluxo de riqueza dos filhos porque eles começam a trabalhar desde cedo, contribuem para a renda da família e sustentam os pais na velhice. Então, numa sociedade tradicional rural, é bom negócio ter muitos filhos. Já a economia urbana se baseia muito na educação como instrumento de ascensão social. Também existe menos necessidade de se procriar para ter segurança na velhice na medida em que existe maior cobertura do sistema de aposentadorias. Na economia urbana moderna, portanto, o fluxo de riqueza é mais de pais para filhos.
Como se lida com barreiras culturais quanto ao planejamento familiar? Na África Subsaariana elas são muito fortes, não?
Sim, as pessoas na África Subsaariana querem muitos filhos porque isso é visto como fonte de riqueza. Mas isso tende a mudar. A África é o continente que terá o maior ritmo de urbanização nas próximas décadas. Isso impactará o crescimento das populações. Elas vão depender de mais atividades econômicas urbanas e as mulheres terão mais oportunidades de trabalho. Mas veja outros fatores, como a religião. Antigamente se dizia que ela favorecia a existência de famílias grandes. Contudo, os países de fecundidade mais baixa no mundo, Itália e Espanha, são predominantemente católicos. No Irã, apesar da força da cultura muçulmana, houve uma queda recente e rápida.
Quais são os países de maior fecundidade?
Os da África, como o Níger, onde as mulheres ainda têm seis filhos. Uganda, Burquina Faso e Máli não ficam atrás. Mencionaria também a Tanzânia, e o Afeganistão.
E a América Latina? Como o senhor avalia a taxa de fecundidade do continente?
A América Latina tem tido uma transformação muito forte nesse sentido também. Um dos casos principais é justamente o Brasil. No final dos anos 60, a taxa de fecundidade no País era da ordem de cinco, seis filhos por mulher. Hoje a taxa está abaixo de dois. Ou seja, as pessoas no Brasil nem têm o número de filhos que precisam para se reproduzir. O Chile também tem uma fecundidade muito baixa, assim como Cuba e Trinidad e Tobago. Os únicos que ainda mantêm uma fecundidade elevada são Guatemala, Honduras e Nicarágua, com uma média de três filhos por mulher.
As sociedades idosas podem se tornar um peso para a geração de filhos únicos?
Há alguns países em que o envelhecimento será um problema bastante sério no futuro, e não falo só dos mais desenvolvidos. Na China, a diminuição da fecundidade foi muito brusca. Lá a média é de 1,5 filhos por mulher. A sociedade chinesa não está organizada para o envelhecimento porque os chineses ainda esperam que os filhos cuidem dos pais. Isso será cada vez mais difícil, inclusive porque haverá um grande número de pessoas que ficarão velhas sem filhos. No Brasil, a seguridade social é relativamente ampla. Na China não existe isso.
Qual país tem a maior expectativa de vida?
O Japão. A média de vida deles é de mais de 80 anos. Mas veja que o que determina o envelhecimento de uma população não é tanto a expectativa de vida, mas a baixa fecundidade, de menos de dois filhos. A população vai envelhecer de qualquer forma, mesmo que a esperança de vida não seja tão alta, como na China.
No último relatório da ONU, a questão da fecundidade foi deslocada dos fatores econômicos e sociais para os direitos humanos. Como o senhor vê essa transposição?
Os direitos reprodutivos se encaixam no conceito de direitos humanos. As pessoas têm o direito de ter o número de filhos que desejam. Isso foi uma resolução que se tomou na Conferência Mundial do Cairo, em 1994, na qual se consagrou a ideia de que a decisão sobre a fecundidade pertence a cada mulher, a cada casal. A obrigação do Estado é dar às pessoas meios que lhes permitam exercer seu direito de opção sobre o número de filhos que desejam. Mas metade da população mundial já mora em países em que as pessoas têm menos filhos do que precisariam para repor as gerações. Acabo de voltar da Armênia, onde já se oferece bônus para os casais. A Mongólia também subsidiou o nascimento de crianças. Daí surge a discussão: até que ponto o Estado pode interferir na vida privada das pessoas para conseguir que tenham um ou outro comportamento reprodutivo?
A desigualdade econômica entre os países tende a aumentar? Os pobres serão ainda mais pobres? E os ricos serão em menor quantidade, mas ainda mais ricos?
É uma pergunta difícil. Você precisa perguntar isso a um economista. Se por um lado existe a tendência de uma maior desigualdade nos países mais desenvolvidos, por outro há o crescimento explosivo de países em desenvolvimento. Estou muito impressionado com o que está acontecendo com a China. Tive um estagiário chinês trabalhando comigo durante o verão e, ao ouvi-lo falar sobre as mudanças no ambiente familiar e dos amigos, fiquei com a nítida sensação de que a China vai explodir economicamente, o que vai mudar as relações no mundo. Ao mesmo tempo, não sabemos qual vai ser o resultado disso. Pra dizer a verdade, não acredito muito que a pobreza vá aumentar. Em nível mundial, em termos de porcentuais, ela vai diminuir, mas será um processo um pouco contraditório. Em alguns países pode haver pobreza, como nos EUA, onde moro e vivencio essa discussão o tempo todo. Fala-se que, daqui a 20, 30 anos, Brasil e EUA terão níveis de desigualdade parecidos.
O Ocupem Wall Street mostra que as pessoas já se deram conta disso?
Existe uma percepção de que o sistema econômico não é justo. A crise de 2008 foi vista como uma crise de credibilidade do sistema capitalista nos EUA, mas na Europa também. As pessoas estão se sentindo inseguras, percebem que não há igualdade de oportunidades. A geração atual de jovens americanos provavelmente será a primeira, desde a 2ª Guerra Mundial, a ter uma vida econômica mais difícil que a de seus pais. E essa insegurança se reflete na polarização política. Enquanto há gente ocupando Wall Street para dar vazão à insatisfação, há segmentos conservadores da classe média que acham que tudo se resolve se voltarem aos valores capitalistas de antes.
Muitos têm relacionado as ondas rebeldes no Oriente Médio aos mais jovens, que seriam mais instruídos. Os jovens são mesmo os protagonistas das mudanças?
Sim e não. Sim no sentido de que a Primavera Árabe reflete a crescente frustração dos jovens com as poucas oportunidades econômicas, sociais e políticas que seus países oferecem. Isso tem muito a ver com o rápido crescimento do nível de instrução nesses lugares. Egito, Irã e Síria têm investido muito na educação, o que não tem sido acompanhado de uma expansão das oportunidades. Agora, alguns dizem que os acontecimentos no Oriente Médio têm a ver com o grande contingente de jovens nesses países. O número de jovens nesses países, como porcentual da população com mais de 15 anos, não é excepcional neste momento. Essa proporção já foi até maior.
As pessoas mais ricas do mundo são as que mais emitem dióxido de carbono. O que ameaça mais o mundo - o número de pessoas ou o estilo de vida que levam?
A curto e médio prazo, é mais o estilo de vida. Se supusermos que o estilo de vida se manterá constante e observarmos onde o maior crescimento de população vai ocorrer, ou seja, nos países menos desenvolvidos, principalmente na África, o impacto que isso terá sobre a emissão de dióxido de carbono será relativamente pequeno. Por outro lado, sabemos que haverá certo crescimento da população nos EUA e no Canadá. O efeito disso sobre a emissão de dióxido de carbono será muito maior porque o nível de consumo per capita de dióxido de carbono é grande nesses países. Mas, a longo prazo, o crescimento populacional terá um impacto porque os países que apresentam um baixo nível de consumo e emissão de dióxido de carbono não ficarão eternamente nessa situação. Haverá um impacto enorme se todos os chineses tiverem um carro, como têm os americanos.
Na edição passada entrevistamos o ambientalista Lester Brown, que mencionou a subida drástica dos preços dos grãos e a dificuldade dos países importadores de se manter contando só com o mercado. Daí que China, Arábia Saudita e Coreia do Sul começaram a comprar ou arrendar terra em outros países, particularmente na África, para produzir alimentos para si próprios. O senhor está em Nairóbi. Essa discussão chegou até aí?
Existe um conceito, que provavelmente Lester Brown mencionou, que é a ideia de que alguns países na realidade possuem uma área de influência muito maior do que a área física que ocupam no globo. O país de que sempre se lembram nesse contexto é o meu, a Holanda. É uma nação pequena, tem 16 milhões de habitantes dentro de uma área que corresponde ao Estado da Paraíba. Mas, pelo fato de participar de intenso comércio internacional, a área do planeta que ocupa é muito maior. Então, quando as pessoas argumentam que toda a população mundial poderia se sustentar com a mesma densidade demográfica da Holanda, esquecem que na realidade a densidade da Holanda pode ser alta porque ela indiretamente se apropria de uma terra muito maior do que a que ocupa. O argumento de que existem países de alta densidade demográfica sem que isso signifique um problema não se sustenta. Não seria possível que todos os países do mundo tivessem uma densidade demográfica tão alta.
Como se comportarão os países diante dos processos migratórios? As sociedades serão mais xenófobas ou tolerantes?
A contradição vai se acentuar. Um exemplo? A situação da Espanha. Se existe ali um desemprego juvenil muito elevado, de 40%, ao mesmo tempo há uma afluência de jovens latino-americanos para pegar os empregos que os espanhóis não querem. Objetivamente, eles não estão roubando o espaço dos espanhóis, mas as coisas nem sempre são percebidas dessa forma. As pessoas veem que há cada vez mais estrangeiros trabalhando no país, então têm uma reação contrária às vezes irracional. Isso também se vê nos EUA com relação aos mexicanos. Certamente haverá uma barreira de xenofobia, mas qual dos lados vai ganhar não está tão claro assim.
Um dado divulgado pela ONU é que 214 milhões de pessoas estarão vivendo fora de seus países de origem. Parece que o lado dos estrangeiros tende a ganhar.
Esse número é real e ainda vai aumentar. Eu dizia que cheguei de uma reunião na Armênia onde havia pessoas estudando a região. Num país como o Tajiquistão, existem tantos cidadãos morando fora que mais ou menos 30% do PIB daquele país é dos migrantes que mandam dinheiro para familiares. E temos casos na América Latina que se aproximam disso. Uma parcela significativa do PIB da Nicarágua, 15%, 20%, corresponde a remessas de migrantes.
O Brasil vai se tornar cada vez mais um polo de atração nesse processo?
Apesar da migração de bolivianos, o Brasil ainda não é um polo de atração muito forte. Mas daqui a uma ou duas décadas tende a ser. A Costa Rica tem uma migração muito significativa de nicaraguenses, o México recebe gente da Guatemala, de Honduras. Claro que muitos desses migrantes passam pelo México para ir para os EUA, mas muitos ficam.
O senhor tem uma pesquisa sobre o movimento migratório brasileiro na última década, mostrando como nordestinos ainda jovens têm voltado para a cidade de origem. Há um movimento interno semelhante acontecendo em outros países?
Aquele movimento migratório que ia do Nordeste para o Sudeste realmente se reverteu, não porque hoje haja mais empregos no Nordeste, mas por causa de uma infraestrutura melhor que aquela de 20, 30 anos atrás. Se está acontecendo em outros países? Logo depois da queda do Muro de Berlim, em 1989, muita gente saiu da Polônia, da Romênia, da Bulgária, da Geórgia e da Armênia para ir para o oeste. Atualmente essa situação está um pouco diferente. Agora é uma migração entre países da mesma região. Por exemplo, muita gente está saindo de países como Tajiquistão, Turcomenistão ou países da Ásia Central em direção à Rússia.
Apesar do autoritarismo russo com relação às minorias?
Sim, assim como houve uma tendência de migração da Europa e da Ásia Central para a China. Lembro o fenômeno das garçonetes russas nos restaurantes chineses. Quando as pressões econômicas são suficientemente fortes, as pessoas se dispõem a sofrer certas privações do ponto de vista social e político se com isso percebem a possibilidade de melhorar seu status a longo prazo. Lidamos com isso muito mais facilmente, principalmente quando se trata de uma situação temporária. (OESP)

Juntinhos nessa onda

Somos 7 bilhões no planeta.
Número de tirar o sono não tanto pela magnitude quanto pelas discrepâncias que embute, avalia o demógrafo holandês Ralph Hakkert, do Fundo de População das Nações Unidas.
"O que mais nos ameaça não é o número de habitantes, mas o estilo de vida que levamos e a quantidade per capita de dióxido de carbono que passaremos a emitir."
E lança no ar a questão: com taxas declinantes de fertilidade e o envelhecimento geral da população, quem assistirá no futuro a grande massa de velhos sem filhos? (OESP)

Número recorde de jovens e idosos

Número recorde de jovens e idosos é desafio para países, diz ONU
Nos países em desenvolvimento, alta natalidade 'mina crescimento'; metade da população de 7 bilhões tem 24 anos ou menos.
O número recorde de jovens e idosos no mundo traz grandes desafios para governos de países ricos e pobres, diz um relatório da ONU sobre crescimento mundial divulgado em 26/10/11.
"Em alguns países pobres, as altas taxas de fertilidade minam o desenvolvimento e acentuam a pobreza, enquanto nas nações mais ricas, a preocupação é com a baixa fertilidade e o número reduzido de pessoas que entram no mercado de trabalho", afirma o relatório Situação da População Mundial 2011, divulgado dia 26, pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).
O estudo mostra que, tanto em nações ricas como pobres, o padrão de vida dos idosos está totalmente ligado às tendências observadas entre a população jovem.
Em países pobres, por exemplo, jovens desempregados migram das zonas rurais para as cidades ou para outros países onde as opções de emprego são melhores. E acabem deixando para trás familiares idosos que muitas vezes ficam sem o apoio que necessitam.
Já em nações mais ricas, o número baixo de jovens implica em incertezas sobre quem irá cuidar dos idosos no futuro e pagar benefícios como a aposentadoria.
A população mundial, segundo a ONU, está crescendo a uma velocidade jamais vista e vai chegar a 7 bilhões no dia 31 de outubro.
Jovens e crianças
Atualmente, as pessoas de 24 anos ou menos formam metade dos 7 bilhões de habitantes (sendo que 1,2 bilhão tem entre 10 e 19 anos) do mundo. Lidar com o alto índice de desemprego neste grupo é um dos grandes desafios apontados pelo relatório.
No auge da crise econômica, a taxa de desemprego global nessa faixa etária chegou aos níveis mais altos já registrados: de 11,9% para 13% entre 2007 e 2009. Em particular as mulheres jovens são as que encontram maior dificuldade em encontrar emprego.
Em algumas regiões, o desemprego entre jovens é tão alto que acaba tendo implicações sociais. Como exemplo, o relatório lembra que o alto índice de desemprego entre jovens árabes - que chegou a 23,4% - teria agido com uma espécie de fenômeno catalisador nas revoluções da chamada Primavera Árabe.
Altas taxas de gravidez entre adolescentes também preocupam pelo seu papel no crescimento desenfreado da população em determinadas regiões. O problema é mais grave na África Subsaariana e na América Latina e Caribe, de acordo com o relatório da ONU.
E ainda nos países pobres ou em desenvolvimento, deficiências no setor da educação, mediante o atual ritmo do crescimento populacional, podem criar sérias distorções sociais.
O relatório cita como exemplo a Índia: "Geógrafos e cientistas sociais estão céticos e questionam como tantos jovens vão estar prontos para terem vidas produtivas em uma economia cada vez mais sofisticada e complexa, quando mais de 48% das crianças indianas estão mal nutridas e apenas 66% completam o ensino primário".
Encolhimento
Em muitos países ricos, a grande preocupação vem no sentido oposto, no encolhimento da população, que pode trazer sérias consequência para a economia e para a sustentação da Previdência Social.
A Finlândia, assim como outras nações europeias, o Japão e a Coreia do Sul, exemplificam bem esse problema.
Lá, as mulheres ficam no mercado de trabalho por muito mais tempo, adiando o casamento e a gravidez - ou mesmo decidindo por não ter filhos.
Para lidar com essa situação - que, segundo o relatório, talvez seja o mais grave dos problemas sócio-econômico da Finlândia - o governo vem investindo fortemente em programas para incentivar o aumento da natalidade.
Envelhecimento
Segundo o documento da agência da ONU, atualmente há 893 milhões de pessoas com mais de 60 anos no mundo. Até a metade deste século, este número vai praticamente triplicar, chegando a 2,4 bilhões.
A expectativa de vida média atual é de 68 anos, quando era de apenas 48 anos em 1950. O envelhecimento populacional está ocorrendo inclusive em países onde a renda da população é considerada baixa ou média.
"Todos os países - ricos ou pobres, industrializados ou ainda em desenvolvimento - estão vendo suas populações envelhecer em um grau ou em outro", afirma o documento, acrescentando que o crescimento populacional entre idosos será mais rápido que em outros setores da população pelo menos até 2050. (OESP)

7 bilhões de habitantes traz desafios formidáveis

Para ONU, marca de 7 bilhões de habitantes traz ‘desafios formidáveis’
Órgão vê necessidade de ações no planejamento familiar, educação feminina, consumo, urbanização e meio ambiente
O crescimento da população mundial traz "desafios formidáveis", na avaliação do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês). Depois de atingir 7 bilhões em 31/10/11, o número de habitantes seguirá avançando. A ONU estima que o planeta terá 9,3 bilhões de pessoas em 2050 e mais de 10 bilhões no fim deste século. A maior parte desse aumento virá de países com alta taxa de fertilidade, sendo 39 africanos, nove asiáticos, quatro latino-americanos e seis da Oceania.
"A marca (de 7 bilhões) é uma chamada de despertar, é um lembrete de que precisamos agir agora", disse Babatunde Osotimehin, diretor-executivo da UNFPA, em entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira, 26, em Londres. A agência de cooperação internacional para o desenvolvimento da ONU é responsável por questões populacionais. "Não é uma questão de espaço, mas de distribuição social justa."
Osotimehin vê a necessidade de ações principalmente no campo do planejamento familiar, educação feminina, consumo, urbanização e meio ambiente. "A educação de meninas e mulheres permite que elas tenham menos filhos do que suas mães e avós tiveram e que escolham esse caminho quando e se puderem."
Embora as mulheres tenham hoje, em média, menos filhos do que na década de 1960, a população continua a crescer - a taxa de fertilidade passou de 6 para 2,5. Em países pobres, como alguns da África, muitas adolescentes não têm condições de determinar seu destino, daí a necessidade de iniciativas para que o sexo feminino tenha mais poder. "O homem não dará poder para a mulher voluntariamente, ela terá de lutar", disse, citando o Brasil como um dos países onde as mulheres avançam.
Ainda assim, o diretor-executivo acredita que também é preciso trabalhar a educação masculina sobre o assunto. "É importante que os homens se vejam como pais responsáveis, que tenham crianças que possam sustentar", afirmou. A queda da mortalidade infantil reduz a percepção de que é preciso ter diversos filhos porque nem todos irão sobreviver, avalia. E políticas de seguridade social também são relevantes para que as famílias sintam-se confortáveis sobre o futuro.
Os avanços tecnológicos, o desenvolvimento da medicina e as campanhas de imunização mudaram o panorama demográfico. A mortalidade infantil recuou de 133 em mil nascimentos nos anos 1950 para 46 em mil entre 2005 e 2010. A expectativa de vida subiu de 48 anos para 68 anos no período. "O tamanho recorde da nossa população pode ser visto como um sucesso para a humanidade, mas nem todos estão se beneficiando", conclui relatório divulgado hoje pela organização.
Em nações de renda média, a questão da urbanização pesa fortemente sobre a dinâmica da população. O ONU prevê que, até 2050, 70% dos habitantes do planeta viverão nas cidades. Daí a necessidade de fortalecer ações de preservação do meio ambiente, combate ao aquecimento global e busca de cidades mais sustentáveis.
Já em países ricos, principalmente na Europa e o Japão, prevalece a questão do envelhecimento da população. Os governos se veem diante do desafio da falta de mão de obra, o que potencialmente afeta a qualidade de vida da geração mais velha.
"Em qualquer país que você vá, tanto desenvolvido como em desenvolvimento, as questões de acesso justo aos recursos são aquelas com as quais sempre nos confrontamos, especialmente entre os jovens", disse Osotimehin. "Da Primavera Árabe aos acampamentos em Wall Street, as pessoas estão pedindo mudanças. Eles são jovens, parte da mais jovem geração que o mundo conheceu, e eles são determinados." (OESP)

Já chegamos a 7 bilhões de habitantes

Em outubro, mundo chegará a 7 bilhões de habitantes
No dia 31 de outubro de 2011, em algum lugar da Índia, um parto marcará um ponto crítico na história do planeta: com esse nascimento, o mundo passará a ter 7 bilhões de habitantes. A projeção foi feita pela ONU e, apesar de a data ser apenas uma estimativa e o país apenas uma probabilidade, a realidade é que o ano terminará com um novo marco em termos demográfico que promete aprofundar os desafios sociais e ambientais.
A explosão da população mundial calculada pela ONU está sendo publicada nesta semana pelo jornal Science, em um estudo que mostra que avanço médico, vacina mais eficientes, proliferação do uso de antibióticos e um relativo avanço no acesso à saúde permitiram uma elevação na expectativa de vida nos países em desenvolvimento.
Mas, ao mesmo tempo em que isso ocorre, a taxa de natalidade desses países ainda é elevada. O resultado não é outro senão a explosão demográfica dessas sociedades. (blogunimed)

Terra atinge 7 bilhões de habitantes

População mundial atingirá 7 bilhões em 31/10/11, diz ONU
Em 2050, número deve atingir 9,3 bilhões, dos quais 2,4 bilhões terão mais de 60 anos.
A população mundial cresce em uma velocidade jamais vista e chegará a 7 bilhões em 31 de outubro, segundo a ONU. Em 2050, esse número deve alcançar 9,3 bilhões. Alguns dos fatores que contribuem para o rápido aumento populacional são a alta taxa de natalidade em alguns países e a maior longevidade da população.
Em foto de 05/10/2010, bebê recém-nascido é pesado em hospital do governo em Mumbai, Índia.
Hoje, 893 milhões de pessoas têm mais de 60 anos. Até a metade deste século, segundo a ONU, esse número praticamente triplicará, chegando a 2,4 bilhões. A expectativa de vida média atual é de 68 anos, quando era de apenas 48 anos em 1950.
População envelhecida
Na Grã-Bretanha, o número de pessoas com mais de 85 anos mais do que dobrou entre 1985 e 2010, para 1,4 milhão, enquanto o percentual de pessoas com menos de 16 anos caiu de 21% para 19% no mesmo período, segundo estatísticas oficiais.
Aos 85 anos, Helen Moores representa essa faixa da população britânica que está crescendo. Ela vive sozinha em Londres e atribui a longevidade a uma vida ativa e de muito trabalho. "Alistei-me no Exército aos 17 anos e servi por 12 anos em diversos países: Cingapura, Hong Kong, Egito e Chipre, onde conheci meu marido, 42 anos atrás", conta.
Helen diz que hoje tem uma vida confortável, mas teme que seus netos não tenham tanta sorte. Com a população trabalhando cada vez mais antes de se aposentar, ela acha que há menos oportunidades para jovens saindo da universidade. "Preocupo-me com eles. Não sei se haverá empregos suficientes."
Baby boom
Já na Zâmbia, no sul da África, a grande questão para o governo é o altíssimo número de nascimentos. Com uma população de 13 milhões, as estimativas são de que esse número triplique até 2050 e chegue a 100 milhões até o fim do século, fazendo com que o país tenha uma das populações que mais crescem no planeta.
Enquanto a fertilidade global caiu de 5 para 2,5 crianças desde 1950, as mulheres de Zâmbia tem 6 filhos em média. Esse também era o número de crianças que Robert e Catherine Phiri, de Lusaka, queriam ter, mas, após o nascimento do terceiro bebê, não sabem se terão condições de criar mais filhos.
Robert trabalha como agricultor e ganha menos que o salário mínimo. "É difícil comprar roupas. Todo o dinheiro é usado em comida. Compramos coisas usadas quando podemos", diz Catherine.
Ainda assim, a família tem grandes expectativas para os filhos, incluindo uma menina recém-nascida, que ainda não tem nome. "Quando ela crescer, quero que vá para a escola e universidade para nos ajudar. Temos tão pouco dinheiro e nos preocupamos com o futuro", afirma Robert.
Segundo a ONU, que divulgou em 26/10/11 um relatório sobre o Estado da População Mundial, é preciso mais planejamento e investimento nas pessoas para lidar com a crescente população mundial e suas consequências - a necessidade por mais alimentos, água e energia e a maior produção de lixo e poluição.
"Permitindo que as pessoas melhores suas próprias vidas, podemos apoiar cidades sustentáveis, que sirvam como catalisadoras para o progresso, forças de trabalho produtivas que estimulem o crescimento econômico, populações jovens que contribuam para o bem-estar das economias e sociedades, e uma geração de idosos saudáveis, que estejam ativamente envolvidos nas questões sociais e econômicas de suas comunidades." (ultimosegundo)

População mundial chega a 7 bilhões

População mundial chega a 7 bilhões no fim do mês, diz ONU
A população mundial deve chegar a 7 bilhões no dia 31 de outubro como afirma a ONU em relatório divulgado nesta terça-feira. Segundo a organização, o número vem se elevando com uma velocidade nunca vista e, em 2050, deve chegar aos 9,3 bilhões.
Entre os principais fatores apontados na contribuição desse expressivo aumento populacional estão a alta taxa de natalidade de alguns países e a evolução no estilo de vida e medicamentos, que geraram maior longevidade. Hoje, cerca de 893 milhões de pessoas já passaram dos 60 anos.



A média da expectativa de vida atual é de 68 anos. A mesma classificação alcançava apenas 48 em 1950.
Segundo estatísticas oficiais, no Reino Unido, a quantidade de pessoas com mais de 85 anos subiu mais de 100% entre 1985 e 2010. Já as pessoas com menos de 16 anos caiu de 21% para 19% neste mesmo período.
Na Zâmbia, sul da África, o altíssimo número de nascimentos já assusta o governo. A população é de 13 milhões de pessoas, mas estima-se que este número triplique até 2050, chegando a 100 milhões até o fim do século. Esta marca daria ao país o posto de população mais crescente do planeta. Mesmo com a queda de mundial de fertilidade global (passando de cinco para uma média de 2,5 crianças por família), as mães de Zâmbia ainda têm média de seis crianças.
Segundo a ONU, é necessário um investimento maior e planejamento para lidar com a crescente população mundial e as consequências esperadas (como necessidade de alimentos, água e maior produção de lixo e poluição). (sidneyrezende)

Hoje seremos 7 bilhões de pessoas

Seremos 7 bilhões de pessoas no mundo a partir de 31/10/11
Até 2045, a estimativa é atingir 9 bilhões de humanos na Terra
Com as ruas lotadas de vendedores, pedestres e táxis, Ambassador, Calcutá, pulsa com cerca de 16 milhões de habitantes - e todos os dias chega mais gente vinda de vilarejos rurais.
A população mundial atingirá a marca de 7 bilhões em 31/10/11, segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). E o número tende a crescer de forma acelerada: os habitantes do planeta aumentam ao ritmo de cerca de 80 milhões de pessoas por ano. Demógrafos da ONU estimam que haja 9 bilhões de humanos na Terra até 2045.
Por um lado, o marco populacional indica melhora na expectativa de vida e significa que as pessoas têm adotado modo de viver mais saudável em relação às gerações anteriores. Ou seja, as pessoas estão vivendo mais e melhor. Mas, por outro lado, o número contrasta com os problemas estruturais que a Terra enfrenta. Lençóis freáticos cedem, solos erodem cada vez mais, geleiras derretem com o aquecimento global e os estoques de pesca estão prestes a se esgotar. Além disso, passam fome diariamente quase 1 bilhão de pessoas.
China e Índia são, atualmente, os países mais populosos do mundo. De acordo com as projeções da Divisão de População do Departamento de Economia e Assuntos Sociais das Nações Unidas, em 2025, a Índia terá superado, com 1,46 bilhão de pessoas, a China, com 1,39 bilhão. A partir deste ano, a nação chinesa teria declínio populacional para 1,3 bilhão em 2050. Já a Índia continuaria a crescer e atingiria, em 2060, 1,7 bilhão antes de começar a declinar.
No Brasil, sem incentivos governamentais, houve uma redução da taxa de natalidade nos últimos 50 anos. A edição de setembro da revista NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL divulgou um estudo exclusivo esse comportamento da mulher brasileira.
Segundo o Relatório sobre a Situação da População Mundial 2011, da UNFPA, divulgado em 26/10/11, pessoas com menos de 25 anos constituem 43% da população mundial. O documento aponta que “a solução para os problemas mais urgentes podem ser encontrados na juventude”.
A revista NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL tem tratado do assunto populacional com frequência. A edição de janeiro deste ano teve como capa “Já somos 7 bilhões”, a primeira de uma série de reportagens publicadas ao longo do ano sobre as questões associadas ao crescimento demográfico. “Acabou a fartura”, publicada em junho, trata da iminente crise de alimentos no mundo. (abril)

sábado, 29 de outubro de 2011

A terra e seus sete bilhões de habitantes

A Terra, seus sete bilhões de habitantes e os desafios de um mundo lotado
Em 31/10/11, em algum lugar da Índia, deve nascer um cidadão bastante simbólico. Provavelmente ele não saberá, e sua identidade dificilmente será conhecida, mas ele carregará o título de habitante número 7 bilhões da Terra. A marca, embora considerada por especialistas um motivo para comemoração, por representar um triunfo da espécie humana na ocupação do planeta, também é um sinal de que algo deve ser feito.
Em um mundo cada vez mais populoso, será preciso criar um padrão de desenvolvimento mais sustentável, garante o Relatório sobre a Situação da População Mundial 2011: pessoas e possibilidades em um mundo com 7 bilhões, lançado ontem pelo Fundo de Populações das Nações Unidas (Unfpa).
Sete bilhões de pessoas representam enormes possibilidades de crescimento, desenvolvimento criativo e aperfeiçoamento da humanidade, garantem os estudiosos da questão. “É maravilhoso a família humana ter ido tão longe e tão rápido. Temos o potencial para nos desenvolver de tantas formas que não podemos sequer imaginar”, opina John Sulston, diretor do grupo de trabalho sobre populações da Real Sociedade do Reino Unido. “No entanto, nossa comunidade está colocando uma carga insustentável sobre a Terra, criando problemas que não podemos ignorar”, ressalva o britânico.
A marca populacional de hoje pode sim ser vista como uma ampliação das possibilidades criativas e de desenvolvimento, mas também carrega um problema gigantesco. Com uma população tão grande, a quantidade de água, de energia e de alimentos pode não ser suficiente, se mudanças no padrão de consumo não forem tomadas.
“A marca de 7 bilhões se apresenta como um desafio duplo, já que apresenta inúmeras possibilidades de desenvolvimento, mas pode aprofundar as desigualdades atualmente existentes entre os países”, contou ao Correio o representante do Fundo de Populações das Nações Unidas (Unfpa) no Brasil, Harold Robinson.
De acordo com o relatório do órgão vinculado à ONU, outro problema da expansão populacional atual é o seu desequilíbrio. Algumas regiões crescem rapidamente, gerando uma carga populacional acima do que o ambiente pode suportar, enquanto em outras ocorre uma diminuição. Um exemplo desse descompasso são as diferentes taxas de fecundidade — ou seja, o número médio de filhos para cada mulher —, que é de 1,7 nos países ricos e pula para 4,8 nas nações mais pobres.
A matemática é negativa para os dois grupos. Do ponto de vista econômico, países com a população estável ou em diminuição, como ocorre em diversas regiões da Europa, podem sofrer com estagnação econômica, falta de mão de obra e desequilíbrio nos sistemas de previdência social. Da mesma forma, a alta natalidade, em especial, em regiões da Ásia e da África, é um entrave para a melhoria das condições socioeconômicas na região. Com mais crianças para sustentar, nem sempre os pais têm a possibilidade de prover condições adequadas para o desenvolvimento de seus filhos, gerando um ciclo de pobreza. “É preciso dar às pessoas o poder de decidir quando engravidar. Isso tem que passar a ser uma escolha consciente”, defende Harold Robinson.
Riscos
O cenário para o futuro pode ser aterrador para áreas já problemáticas atualmente, como o acesso à educação de qualidade, sistemas de saúde universalizados, e harmonia entre o homem e o meio ambiente. Segundo a ONU, o mundo ganha, anualmente, 80 milhões de habitantes — o equivalente à população da Alemanha — , e deve chegar a 2100 com 10 bilhões de pessoas. Isso se a natalidade nos países mais pobres continuar caindo de maneira acelerada.
Caso contrário, na virada para o próximo século a Terra será o lar de nada menos que 15 bilhões de seres humanos, mais do que o dobro da população atual. “Teremos que criar padrões de desenvolvimento mais sustentáveis, nos quais as pessoas tenham um consumo consciente e a tecnologia trabalhe em favor do equilíbrio ambiental”, completa Robinson. “O tamanho da população e o consumo de recursos são coisas inseparáveis. É nosso dever com as gerações futuras — e com o próprio planeta — encontrar uma maneira de equilibrar os dois equitativamente, para garantir um futuro em que possamos florescer, em vez de apenas sobreviver. Um futuro em que possamos fazer as coisas extraordinárias de que somos capazes”, emenda John Sulston, da Real Sociedade do Reino Unido.
Explosão em 50 anos
O crescimento populacional nem sempre foi tão acelerado. O ser humano surgiu há cerca de 200 mil anos, mas apenas dois séculos atrás, em 1804, a população mundial atingiu o primeiro bilhão de pessoas. Crises de fome e epidemias barraram o avanço populacional até a década de 1920, quando o segundo bilhão foi alcançado. Foi, no entanto, a partir dos anos 1960 que o grande surto populacional ocorreu: em média, a população mundial ganhou mais 1 bilhão de pessoas em pouco mais de uma década, crescimento que deve continuar nos próximos anos. Em 2025, os cidadãos do planeta devem somar 8 bilhões. Já os 9 bi devem ser atingidos em 2043. (EcoDebate)

Somos sete bilhões de pessoas

Somos 7 bilhões – é possível oferecer bem-estar a todos?
Cada habitante da Terra tem direito a uma vida digna, água, comida, educação, moradia e saúde. Se todos seguirem o estilo de vida dos países ricos, seriam necessários três planetas, dizem os especialistas.
Ela nasce por estes dias: a pessoa que, até o final de outubro, elevará a 7 bilhões o cálculo estatístico do crescimento populacional do planeta. O termo empregado pelos especialistas é “explosão demográfica”: nos últimos 200 anos ocorreu o mais veloz crescimento da população na história da humanidade.
Até 2050 deverão ser até mesmo 9,1 bilhões de habitantes. Cada um deles com direito a uma vida digna, água e alimento, educação, moradia e saúde. E quase todos sonham com um pouquinho de prosperidade, geralmente segundo os padrões ocidentais de qualidade de vida.
Mas o globo será capaz de comportar tudo isso? “Se todos seguirem o estilo de vida norte-americano ou ocidental, isso não será possível”, descarta o cientista Ernst Ulrich von Weizsäcker, especialista em meio ambiente e membro do Conselho para o Futuro do Mundo (WFC, em inglês), fundado em 2007, em Hamburgo. “Para tal, seriam necessários três planetas Terra.”
Modelo falido
Há 40 anos, a ideia do crescimento ilimitado já era posta em dúvida pelo Clube de Roma em seu famoso estudo Limits to growth (Limites do crescimento). “Diante da população crescente, contudo, o fim do crescimento é mera ficção”, afirma o político verde alemão Ralf Fücks.
Jean Ziegler, perito das Nações Unidas para o assunto, não vê problemas mesmo para alimentar 12 bilhões de pessoas no globo. Contudo somente se os alimentos forem melhor distribuídos e as regiões rurais e os pequenos agricultores no hemisfério sul receberem apoio de forma sustentável. Devido à carência de recursos em diversos setores, “continuar do jeito que está” só é possível por mais algum tempo.
Segundo os prognósticos da ONU, em breve a Índia tomará o lugar da China como o país mais populoso do mundo, enquanto mingua o número de habitantes das nações industrializadas ocidentais. Ao mesmo tempo, essas sociedades minguantes e os populosos emergentes são os maiores consumidores de recursos naturais: alimentos, água, terras e combustíveis fósseis, assim como metais nobres envolvidos na produção de tecnologia digital.
É a era fóssil que de fato chega aos seus limites, diagnostica Fücks. Segundo o político verde, nem o atual sistema de energia nem o sistema de transportes erguido sobre o petróleo barato são “globalizáveis”.
Multiplicar recursos
Há projeções de que, devido às mudanças climáticas globais já em curso, as temperaturas médias em todo o mundo possam se elevar em cerca de 4ºC no decorrer do século. Caso esses temores se tornem realidade, dentro em breve 330 milhões de pessoas serão forçadas por devastadoras inundações a abandonar seus locais de residência.
Somente em Bangladesh, a cifra dos atingidos chegaria a 70 milhões. Porém outros extremos climáticos também podem tornar inabitáveis certas regiões do mundo, elevando ainda mais a pressão sobre as reservas de água potável, os alimentos e as terras.
Não se pode mais tentar superar o problema da escassez de recursos seguindo o modelo progressista do “cada vez maior, mais alto e mais forte”. Tal noção é absurda, afirma Von Weizsäcker. Também a promessa de progresso através dos mercados globais e liberalizados perdeu a validade. Pelo contrário, critica o cientista: “A crença religiosa no poder criador dos mercados revelou-se avassaladoramente equivocada, o mais tardar desde a crise financeira de 2008. Os mercados podem causar danos inacreditáveis”.
É preciso “re-regulamentar”, paralelamente a reformas radicais em direção à eficiência no uso de recursos, exige Von Weizsäcker. “Em termos bem banais, isso significa retirar de um metro quadrado de terra, de um kilowatt/hora ou de um metro cúbico de água três, quatro, dez vezes mais bem-estar. E isso é tecnicamente possível.” Não se trata de nenhuma utopia, enfatiza, mas sim de uma nova meta real, na qual a Alemanha deveria ser pioneira.
Nova onda verde
Essa noção de uma era moderna ambiental é discutida na Alemanha – e não apenas pelo Partido Verde e no recém-inaugurado Fórum do Progresso, da Fundação Friedrich Ebert (ligada ao Partido Social Democrata). O tema também concerne uma recém-formada comissão do Parlamento alemão. Sob o título “Crescimento, bem-estar, qualidade de vida”, o grupo de trabalho transpartidário examinará possibilidades de desvincular o crescimento do consumo de recursos.
Empregos “verdes” para as gerações futuras de uma população em crescimento também estão entre as prioridades da Organização Mundial do Trabalho. Recentemente, seu secretário-geral, Juan Somavia, manifestou-se a favor de organizar uma economia pobre em emissões de CO2, em conexão com uma nova política ambiental e social.
No entanto, a atenção de políticos e parlamentos ainda está voltada para o atual modelo econômico e para a superação da crise econômica. Até que ponto a comunidade internacional já está comprometida com o bem-estar de uma população mundial em crescimento só ficará claro em dezembro próximo, quando se realiza na África do Sul a cúpula do clima da ONU. (EcoDebate)

População mundial chega a 7 bilhões

População mundial chega a 7 bilhões de pessoas
A população mundial vai atingir a marca de 7 bilhões de pessoas na próxima segunda-feira (31/10), de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), que usou estimativas de demografia e selecionou a data de forma simbólica para debater o tema e discutir ideias de crescimento e sustentabilidade.
O número será alcançado apenas 12 anos depois de um bebê nascido em Sarajevo ter sido nomeado pela ONU como o 6ª bilionésima pessoa a nascer, e 24 anos depois de o 5º bilionésimo ter nascido na Bósnia.
Segundo o Departamento do Censo dos Estados Unidos, entretanto, o dado das Nações Unidas é precoce, e a população mundial é de "apenas" 6,97 bilhões no final de outubro. A marca de 7 bilhões, segundo o dado dos demógrafos americanos, chegaria apenas em abril do próximo ano. (correiodoestado)

População mundial chega a 7 bilhões de pessoas

População mundial chega a 7 bilhões de pessoas, diz ONU
Censo dos EUA indica que marca só seria alcançada em 2012. Para pesquisador, data da ONU é simbólica e serve para debater tema.
A população mundial vai atingir a marca de 7 bilhões de pessoas na próxima segunda-feira (31), de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), que usou estimativas de demografia e selecionou a data de forma simbólica para debater o tema e discutir ideias de crescimento e sustentabilidade.
O número será alcançado apenas 12 anos depois de um bebê nascido em Sarajevo ter sido nomeado pela ONU como o 6º bilionésima pessoa a nascer, e 24 anos depois de o 5º bilionésimo ter nascido na Bósnia.
Segundo o Departamento do Censo dos Estados Unidos, entretanto, o dado das Nações Unidas é precoce, e a população mundial é de "apenas" 6,97 bilhões no final de outubro. A marca de 7 bilhões, segundo o dado dos demógrafos americanos, chegaria apenas em abril do próximo ano. (globo)

População do planeta chega a 7 bilhões

ONU afirma que desafios são imensos: reduzir a desigualdade, elevar o acesso à educação e saúde e garantir crescimento sustentável.
A poucos dias de atingir a marca de 7 bilhões de habitantes, segundo estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU), o mundo de forma geral e o Brasil em particular têm uma série de desafios para reduzir a desigualdade e aumentar o acesso à educação e saúde, além de garantir um crescimento sustentável. As condições de vida da população melhoraram, mas ainda há grandes disparidades entre regiões e países, além de discriminação étnica e de sexo.
É o que aponta o relatório Pessoas e Possibilidades em um Mundo de 7 bilhões, divulgado ontem pelo Fundo da População das Nações Unidas (UNFPA), simultaneamente em cem países. Segundo o relatório, a população mundial está aumentando em velocidade acelerada, mas, mantendo-se a atual tendência, deve reduzir o ritmo de crescimento. Há 2 mil anos, havia 300 milhões de pessoas no planeta, número que deve saltar para 10 bilhões em 2083.
O relatório mostra também que a população mundial nunca esteve, ao mesmo tempo, tão jovem e tão velha. Isso porque, dos 7 bilhões de pessoas, 43% (3,01 bilhões) têm menos de 25 anos. Enquanto isso, as pessoas que têm mais de 60 anos, que eram 384milhões em 1990, já somam 893 milhões de pessoas e devem chegar a 2,4 bilhões até 2050.
Isso, segundo o relatório, se deve ao aumento da expectativa média de vida, que passou de 48 anos em na década de 1950 para 69 anos atualmente. “Essa marca (7 bilhões) mostra o sucesso da humanidade. As pessoas estão tendo vidas mais longas e saudáveis, com menos mortalidade infantil. Mas o envelhecimento da população preocupa”, ressaltou o representante da UNFPA no Brasil, Harold Robinson.
Robinson observa que o envelhecimento vai exigir mais investimentos dos governos em políticas sociais, assim como maior inserção dos jovens no mercado de trabalho para manter o mesmo nível de produtividade.
Pobreza e sustentabilidade
Outros desafios apontados pelo relatório da UNFPA são a redução das desigualdades “entre e dentro” dos países, assim como a necessidade de se manter o crescimento e desenvolvimento sem “exaurir os recursos naturais”. Segundo a UNFPA, os 20% mais ricos da população mundial detêm 77% da renda - em 1960 eram 70% -, enquanto os 20% mais pobres reduziram sua participação de 2,3% para 1,5% no mesmo período.
A representante auxiliar do UNFPA no País, Taís Ferreira Santos, salientou ainda que, paralelamente, as 500 mil pessoas mais ricas do mundo, que representam 7% da população, são responsáveis por 50% das emissões de dióxido de carbono, enquanto a metade mais pobre da população é responsável por outros 7% de emissões. “O problema é o padrão de vida. Há um excesso de consumo”, diz.
“O número de pessoas não ameaça tanto a sustentabilidade quanto o estilo de vida. O mundo não precisa de uma política para a população. Precisa de política de desenvolvimento. É um direito das pessoas e dos países se desenvolver, mas o (atual) padrão de consumo não é sustentável”, afirma Robinson.
Brasil. O Brasil, segundo o UNFPA, segue um caminho inverso ao de diversos países em desenvolvimento. Apesar de a população brasileira ainda estar em crescimento, o órgão estima que há uma tendência à estabilização da população até 2025 e uma queda no número absoluto de habitantes a partir daí. O País, que hoje é o 5.º mais populoso, deve cair para 7.ª posição em 2050 e para a 10.ª até 2100.
Segundo o diretor de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Jorge Abrahão de Castro, essa tendência é comprovada por números e resultado de uma ampliação do acesso a informações - principalmente sobre saúde e planejamento familiar -, além da expansão de iniciativas como o Programa Saúde da Família (PSF). “Só o acesso à informação já faz as pessoas mudarem o planejamento. Principalmente as mulheres”, observou. (OESP)

Alto consumo ameaça o crescimento populacional

Consumo crescente é a principal ameaça do crescimento da população
É absolutamente crucial agora monitorar de perto o crescimento da população humana. De fato, estamos acelerando, com a estimativa de 9 bilhões em 2043, acima do que se esperava anteriormente a partir de análises de população feitas pelas Nações Unidas.
Dez bilhões é o limite a que deveríamos nos ater. Podemos fazer isso, e pelo menos as tendências apontam na direção certa, com quedas nos índices de natalidade em todos os continentes. Mas deveríamos nos esforçar mais para ao mesmo tempo nos afastarmos da opressão às mulheres e de gestações indesejadas.
Ainda mais importante que isso, deveríamos estar pensando de forma mais criativa sobre a questão do crescimento do consumo per capita no futuro em todo mundo.
Este aumento vai ser devastador e certamente será necessário tratar disso de forma a se alcançar sustentabilidade na alimentação e provisão de níveis decentes de moradia ao redor do globo. Isso não parece realmente estar na agenda mundial de forma a causar impacto nos países e nas pessoas mais atingidas pelo problema.
Estou particularmente preocupado com o que estamos fazendo com outras formas de vida. Estamos destruindo a diversidade biológica, que consiste de ecossistemas e das espécies que os habitam.
O perigo de sermos ‘mais ou menos verdes’
Parte do nosso problema é que ao se tornar “mais ou menos verde”, a população mundial tem se concentrado nas partes não vivas do meio ambiente, nos recursos naturais, na qualidade da água, na atmosfera, mudança climática e outros.
Até aí tudo bem, mas agora, deveríamos estar dando igual atenção à parte viva do meio ambiente – os ecossistemas que sobrevivem e a grande maioria das espécies, que têm milhões de anos e estão em pleno processo de erosão.
Gostaria que déssemos mais atenção à criação de reservas e parques naturais em todo mundo. Em alguns lugares isso vem acontecendo, aleatoriamente, mas não da forma necessária.
Realmente precisamos separar mais regiões em que a natureza, o resto dos seres vivos possam ser protegidos, enquanto resolvemos os problemas da nossa espécie e nos ajustamos antes de destruir toda a Terra.
Opções para o próximo século
Ou sairemos deste século e entraremos no século XXII com um planeta em condições muito ruins e com muito menos condições de abrigar vida ou sairemos dele com a maior parte das outras formas de vida preservada e com o potencial para reconstruir a natureza de forma a dar à Humanidade uma chance real de viver no paraíso, com níveis de vida decentes para todos.
Não podemos esperar que os países em desenvolvimento criem programas de produção e consumo sustentáveis enquanto os países desenvolvidos não larguem na frente e mostrem o caminho. No momento, os ricos têm padrões absurdos de consumo, e as diferenças entre os setores mais ricos e os mais pobres estão cada vez maiores mesmo nos países em desenvolvimento.
Essa é uma tendência muito perigosa. Precisamos dar o exemplo nos países desenvolvidos adotando, no mínimo, medidas de limitação do consumo e uma distribuição mais inteligente da riqueza. (EcoDebate)

Como estabilizar a população mundial?

De acordo com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), o habitante de número 7 bilhões chegará ao mundo no dia 31 de outubro de 2011. A espécie humana chegou a 3,5 bilhões em 1968, a 4 bilhões em 1974, a 5 bilhões em 1987 e a 6 bilhões em 1999. Ou seja, em 43 anos (entre 1968 e 2011), a população global dobrou de tamanho, tendo acrescentado 1 bilhão de pessoas apenas nos últimos 12 anos.
Sete bilhões de pessoas é muito, é pouco ou é suficiente?
Evidentemente, assim como quase tudo que se refere às ciências humanas, não existe uma resposta única. Sempre vão existir aqueles que acham que a Terra tem espaço suficiente, enquanto outros acham que a Terra está superpovoada.
Porém, hoje em dia, é crescente o número de pessoas que consideram que as atividades humanas estão destruindo o Planeta e colocando em risco o futuro da humanidade e das outras espécies vivas da Terra. Mas enquanto alguns pesquisadores responsabilizam o crescimento populacional pelo estresse ambiental, outros responsabilizam o crescimento do consumo.
Os primeiros dizem que o consumo é elevado porque existem muitas pessoas no mundo (overpopulation) e que a demanda por bens e serviços sempre tende a crescer porque as aspirações humanas são infinitas. Os segundos consideram que o alto consumo (overconsumption) ocorre devido à máquina de propaganda mobilizada pelo modelo capitalista de produção e acumulação de lucro.
De fato, a população e o consumo têm crescido de maneira exponencial nos últimos 200 anos. Mesmo países como a China e o Vietnã, que resistiram às ideologias dos países capitalistas ocidentais (inclusive são até hoje dirigidos por partidos comunistas), têm adotado medidas para controlar a população, enquanto promovem o consumo amplo e irrestrito. Cada vez existem mais países em desenvolvimento que querem copiar os “sucessos” da China contemporânea na produção de bens de consumo. Os países em desenvolvimento já são responsáveis pela metade da produção econômica mundial.
Com um número maior ou menor de pessoas, o fato inequívoco é que precisamos mudar o padrão de produção e consumo. Este é o grande desafio do século XXI. Principalmente, é preciso controlar, o consumo desregrado que reduz cada vez mais a capacidade de regeneração do meio ambiente. Inclusive ajuda muito quando as pessoas optam por viver de maneira ambientalmente sustentável e adotam a filosofia de vida baseada na simplicidade voluntária. Mas isto não é excludente com a autodeterminação reprodutiva e autonomia para ter o número de filhos desejados.
Sete bilhões de habitantes no mundo poderia não ser muito se houvesse a adoção de um nível de consumo compatível com a sustentabilidade ambiental. Porém, o consumo médio da população mundial já está acima da capacidade de regeneração do Planeta e a demanda agregada continua crescendo. Um crescimento do PIB de 3,5% ao ano significa dobrar a produção econômica em 20 anos. O crescimento populacional, em última instância, tem funcionado como força impulsora de mais crescimento econômico.
Porém, o Planeta tem os seus limites e os próprios autores da economia clássica já falavam que o crescimento econômico chegaria, algum dia, ao “Estado Estacionário”.
Assim, mais cedo ou mais tarde, a hipótese da estabilização populacional estará colocada no horizonte. Ao invés de uma população crescendo rumo ao infinito, uma estabilidade do número de habitantes poderá ajudar os investimentos em qualidade de vida e bem-estar das pessoas e não em aumentos puramente quantitativos. Ou seja, a estabilização da população mundial pode ser uma forma de valorização do ser humano e do meio ambiente ao mesmo tempo.
A estabilidade da população mundial não requer esforços extraordinários. Já existem países nos quais a população está decrescendo, como: Cuba, Rússia, Japão, Ucrânia, etc. Existem outros que vão ter suas populações caindo num futuro próximo, pois já possuem taxas de fecundidade abaixo do nível de reposição, tais como: Brasil, Chile, China, Coréia do Sul, Irã, Vietnã, etc. Também há um grande grupo de países que estão em processo de transição de altas para baixas taxas de fecundidade e devem atingir o nível de reposição em um espaço curto de tempo.
O Plano de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD), realizada no Cairo em 1994, diz em seu parágrafo 3.14: “Estão se fortalecendo mutuamente os esforços para diminuir o crescimento demográfico, para reduzir a pobreza, para alcançar o progresso econômico, melhorar a proteção ambiental e reduzir sistemas insustentáveis de consumo e de produção. Em muitos países, o crescimento mais lento da população exigiu mais tempo para se ajustar a futuros aumentos demográficos. Isso aumentou a capacidade desses países de atacar a pobreza, proteger e recuperar o meio ambiente e lançar a base de um futuro desenvolvimento sustentável. A simples diferença de uma única década na transição para níveis de estabilização da fecundidade pode ter considerável impacto positivo na qualidade de vida”.
Portanto, a estabilização das taxas de fecundidade pode melhorar o bem-estar do população. Contudo, existem atualmente cerca de 30 países que possuem taxas de fecundidade muito altas e cujos governos apresentam dificuldades para ajudar suas populações a atingir o tamanho de famílias que desejam. Nestes países – que geralmente são pobres e possuem altos índices de violência e insegurança – o fenômeno da gravidez indesejada é muito alto. A maior parte do crescimento populacional projetado até 2.100 está concentrada nestes poucos países (a grande maioria na África ao sul do Saara).
Desta forma, não é tarefa impossível evitar o crescimento populacional não planejado (e não desejado). As populações pobres, de modo geral, e os pobres dos países pobres, em particular, têm muitos filhos por falta de acesso aos métodos de regulação da fecundidade, falta de acesso aos direitos sexuais e reprodutivos e falta de acesso à educação, saúde e trabalho. Existem cerce de 215 milhões de mulheres no mundo sem acesso aos métodos contraceptivos.
Portanto, com inclusão social as famílias tendem a limitar seu tamanho pelos seus próprios meios. A cidadania é o melhor contraceptivo.
Além do mais, como colocado no parágrafo 3.14 da CIPD/1994 do Cairo, quando as taxas de fecundidade começam a cair se reduz, também, a razão de dependência demográfica e se cria uma janela de oportunidade para melhorias na educação, saúde, mercado de trabalho, etc. Em geral, a redução do ritmo de crescimento demográfico e a mudança da estrutura etária cria um círculo virtuoso que tende a contribuir para o bem-estar da população.
Da mesma forma como é impossível o consumo crescer ao infinito, também é impossível que a população cresça infinitamente. Por isto, algum dia, a população vai se estabilizar. Mas devido à estrutura etária jovem prevalencente em uma parcela ampla da população mundial, mesmo com uma queda rápida da fecundidade, o crescimento atual da população vai continuar devido à inércia demográfica. Depois dos 7 bilhões de habitantes de 2011 os 8 bilhões de habitantes já estão encomendados para algum ano entre 2025 e 2030. Entretanto, a população mundial pode parar de crescer antes de chegar aos 9 bilhões de habitantes.
Na verdade, o problema de alto crescimento demográfico é um problema localizado nos citados cerca de três dezenas de países e que pode ser solucionado com vontade política e uma fração dos recursos mundiais gastos com despesas militares. O processo de urbanização do mundo, que vai se aprofundar nas próximas décadas, tende a abrir novas oportunidades para a implementação dos direitos de cidadania.
Para estabilizar a população dos países com alto crescimento demográfico, ainda no século XXI, seria preciso trazer as taxas de fecundidade para o nível de reposição (2,1 filhos por mulher), por meio das seguintes medidas:
Universalizar o ensino fundamental para todas as crianças e jovens do mundo;
Garantir o pleno emprego e o trabalho decente;
Garantir direitos iguais para homens e mulheres (equidade de gênero);
Garantir habitação e serviços adequados de água, esgoto, lixo e luz para todos;
Reduzir a mortalidade infantil e garantir o acesso universal à saúde, à higiene, combatendo as principais causas de epidemias;
Garantir acesso universal à saúde sexual e reprodutiva (o que inclui disponibilidade e variedade de métodos de regulação da fecundidade);
Garantir liberdade de organização, manifestação e acesso à informação;
Garantir a governança nacional e o apoio e a coordenação internacional para implementar, de maneira universal e indivisível, a plenitude dos direitos humanos. (EcoDebate)