quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Desperdício de alimentos nas feiras livres do Rio

Desperdício de alimentos ainda é significativo nas feiras livres do Rio
O volume de alimentos comercializados nas feiras livres do Rio de Janeiro que vai para o lixo é inferior a 10%, disse à Agência Brasil o presidente do Sindicato dos Feirantes do município do Rio, Gilberto Neder Amendoeira. Na capital fluminense, são feitas 168 feiras por semana, reunindo entre 3,5 mil e 4 mil comerciantes. Desse total, entre 700 e 800 trabalhadores são sindicalizados, segundo Amendoeira. A filiação é voluntária.
O comércio varejista de feiras livres já teve um programa de distribuição de sobras de alimentos – frutas, legumes e verduras – para abrigos de idosos e de crianças. “Mas depois isso parou, porque eles pararam de pegar as aparas”, explicou. Ele não descartou, contudo, que o projeto volte a funcionar. “Toda vez que é feito esse tipo de serviço, o feirante colabora”.
Amendoeira informou que para reduzir o desperdício por feira, a tática adotada por muitos feirantes, “a partir de uma certa hora, é baixar os preços”, o que ajudar a vender mais produtos e não ter de voltar com ela. “Isso dá a ele um rendimento, no final do dia, razoável, mas sempre sobra alguma coisa”.
Na área do atacado, a Central de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro (Ceasa-RJ) desenvolve há alguns anos o programa Banco de Alimentos, cuja meta é arrecadar, processar e distribuir alimentos que não estão em condições ideais de comercialização, mas que ainda são próprios para consumo.
Os produtos são doados e, quando necessário, passam por um processo de seleção e processamento no Banco de Alimentos, antes de serem entregues às instituições. O responsável pelo banco, Rafael Vollu, informou à Agência Brasil que uma equipe formada por uma assistente social e nutricionistas faz visitas técnicas a instituições que desejam integrar o programa e têm uma estrutura de cozinha para poder preparar os alimentos.
Atualmente, o programa tem em torno de 80 instituições cadastradas, entre as quais as unidades de Polícia Pacificadora da Rocinha e do Turano. “Atingimos algo em torno de 13,5 mil pessoas beneficiadas pelo Banco de Alimentos da Ceasa-RJ”. Por mês, são doadas cerca de 60 toneladas de alimentos, com projeção de até o final de 2013 dobrar essa quantidade, calcula Vollu. Entre captadores e manipuladores de alimentos e motoristas para fazer a distribuição, o programa reúne 25 pessoas.
No futuro, a ideia é captar doações também de hipermercados e grandes lojas de varejo e atacadistas. “Pegamos o descarte do mercado (da Ceasa-RJ) que é imenso”. O lixo gerado no local atinge em torno de 100 toneladas por mês. Rafael Vollu admitiu que muita coisa em termos de alimentos próprios para consumo ainda vai para o lixo, devido à dinâmica do próprio mercado que obriga os comerciantes a jogar no lixo a mercadoria refugada de seu box diante da chegada de novo carregamento. A partir do momento em que dobrar o volume de alimento captado, o número de instituições atendidas poderá aumentar.
O Banco de Alimentos começou com um total de 10 toneladas doadas por mês, em 2011, e para este ano a meta é chegar a 60 toneladas. Em outro programa, o Ceasa nos Bairros, ônibus do órgão atuam nas comunidades carentes como feiras volantes, vendendo alimentos in natura com preço tabelado de R$ 1,99 o quilo. O alimento não comercializado nos ônibus vai para o Banco de Alimentos.
A Ceasa é uma empresa vinculada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca e tem seis unidades no Rio de Janeiro: Grande Rio, São Gonçalo, Região Serrana (Nova Friburgo), Região Noroeste Fluminense (Itaocara), Região Norte Fluminense (São José de Ubá) e Região Médio Paraíba (Paty do Alferes). (EcoDebate)

Reduzir o desperdício de alimentos em Sampa

Iniciativas buscam reduzir o desperdício de alimentos na capital paulista
A redução do desperdício de alimentos é uma preocupação cada vez maior dos empresários que produzem ou vendem comida, avalia Luciana Curvello uma das coordenadoras do Programa Mesa Brasil em São Paulo. Uma iniciativa do Serviço Social do Comércio (Sesc), o Mesa Brasil recolhe alimentos de 630 empresas doadoras e distribui para 650 instituições, beneficiando cerca de 120 mil pessoas no estado. “O Mesa funciona baseado em um conceito de segurança alimentar, que busca trabalhar com a questão do acesso ao alimento”, explica Luciana.
Segundo ela, no início do programa, em 1994, ainda havia resistência dos empresários em doar os alimentos que não tinham mais condições de ser comercializados. Atualmente a ideia está muito mais disseminada, na opinião de Luciana. “No começo era muito difícil convencer uma empresa a participar, porque não se tinha esse tipo de experiência no Brasil. Hoje, essa situação mudou”, explica.
Como atende a entidades pequenas, o Sesc usa a própria estrutura para entregar as doações. O procedimento é usado também como estratégia para aumentar a eficiência do programa. “Entregando na instituição é que a gente tem condições de conhecer melhor o nosso parceiro e adequar a entrega de alimento de acordo com a necessidade dela”, ressalta Luciana. “Não é uma simples distribuição, mas uma entrega de acordo com o perfil, com a faixa etária que se serve, com a estrutura que se tem. Então há a preocupação de não se levar um produto congelado para uma instituição que não tem freezer”, exemplifica.
Esse cuidado não é possível em outro programa semelhante, o Banco de Alimentos da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). Em 2012 o projeto distribuiu mais de 2 mil toneladas de alimentos recolhidos de 587 empresas colaboradoras. “São alimentos que não têm mais valor comercial, mas ainda há condições de serem consumidos. É uma fruta mais madura, uma verdura com a folhagem um pouco murcha, mas que ainda tem condições de aproveitamento para o consumo humano”, explica a nutricionista Alessandra Figueiredo a respeito do programa que começou a funcionar em 2003.
O Banco de Alimentos aproveita, entretanto, o contato com as entidades que vem retirar as doações para transmitir orientações. “Todas vezes que elas vem retirar as doações nós fornecemos um boletim mensal com temas de nutrição”, conta Alessandra que quer ampliar a atuação com a aquisição de equipamentos para processar os alimentos.
O projeto de expansão prevê a aquisição de uma máquina para retirar a polpa dos alimentos e uma desidratadora. “Seria um alimento que teria apenas um dia para ser consumido, mas quando você processa, aumenta o prazo de validade desse alimento”, destaca a nutricionista sobre o projeto que ainda precisa de uma fonte de recursos para ser posto em prática. (EcoDebate)

O desperdício de comida produzida

O desperdício de comida equivale a um terço da produção total
Em todo o mundo joga-se fora ou perde-se, por ano, 1,3 bilhão de toneladas de alimentos, o equivalente a um terço da produção total e a mais da metade da colheita de cereais. Num cenário em que a população do planeta deve saltar dos atuais 7 bilhões para 9 bilhões de habitantes até 2050, impõe-se a revisão urgente dos padrões de consumo e de produção alimentar. Assim, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) decidiram lançar uma campanha de conscientização para tentar reduzir o desperdício que se verifica, em maior ou menor grau, em todos os países.
Segundo a FAO, a perda total em nações ricas e em desenvolvimento é mais ou menos a mesma, variando de 630 milhões a 670 milhões de toneladas. Só o que é desperdiçado pelos consumidores dos países industrializados equivale à produção alimentar da África Subsaariana, algo em torno de 230 milhões de toneladas por ano.
A FAO faz uma distinção entre perda e desperdício de alimentos. A perda está ligada à fase da colheita e da produção, e se verifica muito mais em países em desenvolvimento, que enfrentam defasagem tecnológica e falta de investimento em infraestrutura, em transporte e em especialização de mão de obra. No Brasil, que está entre os dez países que mais perdem alimentos, 35% da produção agrícola fica pelo caminho. Já o desperdício é aquele observado tanto na comercialização quanto no consumo, quando o alimento ainda comestível é jogado no lixo. Trata-se, nesse caso, de um fenômeno mais comum nos países desenvolvidos. Dados da FAO mostram que os consumidores europeus e americanos se desfazem de algo entre 95 e 115 quilos per capita de comida por ano, enquanto no Sudeste Asiático, na África Subsaariana e na África Meridional esse volume não passa de 11 kg per capita.
A campanha da FAO e do Pnuma salienta que se dá importância excessiva à aparência dos alimentos, o que se traduz nas rigorosas normas aplicadas pelas grandes redes de supermercados, resultando no descarte de comida ainda própria para o consumo. Além disso, esse alimento descartado poderia ser entregue a organizações humanitárias ou entidades de caridade, e não simplesmente jogado no lixo.
No que diz respeito a questões de comportamento, a FAO mostra que o consumidor, nos países ricos e nos emergentes, muitas vezes compra mais alimentos do que realmente necessita, apenas para aproveitar promoções, ou então come mais do que precisa em restaurantes que oferecem comida à vontade a preço fixo. Além disso, o consumidor em geral não costuma fazer um cardápio semanal para conseguir planejar a compra dos alimentos, de modo que muitos produtos comprados por impulso acabam esquecidos na geladeira, perdem a validade e são jogados fora. No Brasil, as famílias desperdiçam, em média, 20% do que compram em uma semana.
A campanha aposta na reeducação, ao convidar o consumidor a planejar suas compras no supermercado, a não rejeitar frutas cuja aparência não seja perfeita, a entender que a data de validade dos alimentos industrializados é apenas uma sugestão do fabricante, a reaproveitar os alimentos e a pedir porções menores nos restaurantes, entre outras medidas. Além disso, a FAO pede que restaurantes e supermercados façam auditorias para verificar onde está o desperdício, que ofereçam descontos para produtos cujo prazo de validade esteja próximo de vencer, que reduzam a variedade do cardápio e que ofereçam porções menores.
É fato que não se mudam comportamentos arraigados somente pelo desejo bem-intencionado de algumas organizações internacionais. No entanto, há um argumento que pode ajudar a deslanchar esse processo: o prejuízo com o desperdício não se limita à questão alimentar. Ao se jogar comida fora, estão sendo perdidos também recursos naturais, força de trabalho e muito dinheiro investido para produzir esses alimentos. A FAO calcula que nada menos que US$ 1 trilhão por ano simplesmente vai para o lixo. (EcoDebate)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Avalanche causa pânico na via Imigrantes

Avalanche causa pânico na rodovia dos Imigrantes e atinge 23 carros e uma carreta
Uma mulher morreu e 23 veículos de passeio e uma carreta foram atingidos, mas não há feridos. A Polícia Militar Rodoviária do Estado de São Paulo identificou a vítima como Lílian Aparecida de Souza, 43
A Polícia Rodoviária Federal em Cubatão (SP) confirmou que uma pessoa morreu no deslizamento de terra que aconteceu no trecho de serra da rodovia dos Imigrantes, no começo da noite de 22/02/13. A pista da Imigrantes, no sentido capital, continuava interditada para o trânsito de veículos por volta das 23h.De acordo com a polícia, a vítima é uma mulher de aproximadamente 30 anos.
O corpo foi encontrado por volta das 22h30, embaixo do carro em que ela viajava com o marido. De acordo com o relato do homem –cuja identidade é desconhecida– à PMR, o veículo foi surpreendido pelo deslizamento de terra, pedras e madeira no momento em que chovia forte no local.
Segundo ele, a mulher deixou o carro –um Fiat Idea preto com placa de São Paulo –e acabou sendo arrastada pela enxurrada.
Até às 3h de 23/02 o corpo da vítima ainda não havia sido recolhido do local, pois as condições da estrada impedem o carro funerário da Prefeitura de São Vicente de chegar ao local.
Ainda segundo a Polícia Rodoviária, não se sabe se a vítima era motorista de algum veículo. A polícia não descarta a hipótese de a mulher ter saído do veículo assustada com o deslizamento.
De acordo com a Ecovias, concessionária que administra o Sistema Anchieta Imigrantes, a rodovia dos Imigrantes, no no sentido capital, segue totalmente interditada devido ao deslizamento de barreira no trecho de serra.
Ainda de acordo com a Ecovias, os motoristas que sobem a serra no sentido São Paulo têm como opção uma das faixas da via Anchieta.
A Ecovias informou que 23 veículos de passeio e uma carreta foram atingidos pelo material que deslizou da encosta.
Equipes da área de tráfego e engenharia foram para o local com 12 caminhões basculantes, quatro escavadeiras hidráulicas, uma pá carregadeira e uma escavadeira sobre esteira para retirar o material.
A Ecovias recomenda aos usuários que evitem acessar as rodovias do SAI. (folhadolitoralnorte)

Via Imigrantes: motoristas relatam terror

Medo da morte e desespero marcam os sobreviventes do desastre entre os tuneis 10 e 11 da pista norte.
O terror tomou conta das pessoas que atravessavam a rodovia dos Imigrantes quando a enxurrada ameaçou arrastar carros, caminhões e ônibus para fora da estrada na noite de sexta-feira, em um desfiladeiro na Serra do Mar.
Medo da morte, impotência e desespero marcaram os sobreviventes do desastre entre os túneis 10 e 11 da pista norte. Uma carreta, que virou em “L”, segurou a avalanche de veículos e evitou uma tragédia maior.
“Você vê um tronco passando e parece brincadeira. Mas daí, de repente, perde o controle de tudo. Estava chovendo mais do que o normal, mas nunca imaginaria que fosse acontecer aquilo”, afirmou o engenheiro João Hohendorff, de 36 anos.
“Fiquei entre um caminhão e um ônibus. Poderia ser pior? Poderia, mas Deus não permitiu.”
Segundo o taxista Leonardo Bressan Neto, de 58 anos, foi tudo muito rápido. “A lateral do túnel estava despejando muita água e cascalho. Aí, do nada, desceu o morro. Tronco, lama, pedra, tudo. Foi só o tempo de pular uma mureta para me proteger”, disse. “Ainda voltei depois para socorrer outras pessoas”, contou ele à reportagem.
A carreta de uma cervejaria serviu de barragem e evitou que mais carros fossem carregados.
“Foi acumulando, encobrindo e formou um dique de barro, pedra e lama na frente do caminhão. Depois, as pessoas começaram a correr, desesperadas”, disse o dono de transportadora Francisco Vitor Beltramini, de 51, que voltava de Santos para Araçatuba.
“Quando parou de descer a enxurrada, o pessoal tentou liberar a saída, tirando paus e pedras do caminho. Veio todo mundo descendo, por 4 km, debaixo de chuva pesada. De mãe carregando bebê de colo até pessoas mais velhas, todas a pé”, disse o supervisor de manutenção Marco Túlio Marcelino, de 42 anos, que retornava de Santos para São Paulo, onde mora.
Muita água
Segundo o carreteiro Irineu Anderson Leme Vieira, de 47 anos, o volume de água chegou à altura do para-brisa de seu caminhão.
“A carroceria pulava com as pedras que passavam debaixo dela. Ouvi um pessoal gritando ‘tem gente presa lá’. Acho que era a mulher que morreu.”
Com a mulher e a filha de 11 anos, o encarregado Benedito Emílio de Andrade, de 68, também viveu momentos de terror. “A enxurrada quebrou o vidro do meu carro. Minha mulher e minha filha ficaram desesperadas. Depois que elas conseguiram sair, me salvei passando por cima dos outros carros até chegar à boca do túnel. Daí, voltei para tentar ajudar quem precisava.”
Já o taxista Antonio de Melo, de 66 anos contou que a água só não entrou em seu carro porque ele ficou por cima dos outros.
“Sou caminhoneiro também, já rodei em tudo quanto é lugar e nunca vi uma coisa dessas. Só estou de pé por Deus. Era para já estar em outro mundo.”
Ainda não há prazo para reabrir rodovia
Até ontem não havia prazo para liberação da pista norte da Rodovia dos Imigrantes, sentido capital, fechada nesta sexta por um deslizamento de terra no km 52. O acidente matou Lilian Aparecida de Souza, uma moradora de São Paulo de 43 anos, arrastou 23 carros e uma carreta e levou pânico a motoristas. Segundo o governador Geraldo Alckmin (PSDB), a pista só será liberada após vistoria do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). “É preciso verificar se houve danos em estruturas, pontes e túneis”, disse, após visitar o local. “Será aberto o mais rápido possível, mas com segurança.”
O diretor-superintendente da Ecovias, José Carlos Cassaniga, informou que a concessionária trabalha para liberar a pista ainda no fim de semana e que todas as vítimas serão indenizadas. Disse que a Ecovias não tem plano de contingência para o tráfego em dias de chuva forte na Imigrantes, só de monitoramento. Mas a empresa estuda criar bloqueios. “Em casos extremos, pode ser viável fazer comboio ou coisa assim.”
De acordo com ele, a Ecovias já sabia que chovia muito na serra desde as 15h de sexta, duas horas antes do acidente, mas a pista não foi fechada. Em 12h, caíram 183,4 milímetros de chuva na Serra do Mar - a média diária no mês é de 30 mm. Outra solução estudada é fazer uma escada para escoamento da água sobre o Túnel TA 10/11, levando a enxurrada diretamente ao rio que corre sob a ponte na entrada do túnel. “Uma das conversas é essa”, disse o secretário de Transportes, Saulo Abreu, lembrando que a Ecovias pode ser multada, caso seja constatada irregularidade. (jcnet)

Avalanche de lama mata mulher na Imigrantes

Avalanche de lama mata uma mulher e provoca caos na Imigrantes
Em duas horas choveu de 100 a 150 milímetros no fim da tarde. A média para o mês é de 25 a 30 milímetros de chuva. Cada milímetro equivale a 1 litro d’ água por metro quadrado.
Uma mulher morreu após o deslizamento de terra na rodovia dos Imigrantes, na tarde de 22/02/13. O nome e a idade da vítima não foram divulgados. De acordo com a concessionária responsável pela via, 23 carros e uma carreta foram atingidos.
O acidente aconteceu no km 52, altura de Cubatão (a 56 km de São Paulo). A Ecovias informou que a barreira pode ter caído por causa da forte chuva que atingiu a região, segundo a concessionária, "em duas horas choveu de 100 a 150 milímetros no fim da tarde. A média para o mês é de 25 a 30 milímetros de chuva por dia." Cada mm equivale a 1 litro d'água por metro quadrado.
Às 06h05 da manhã, a pista continua completamente interditada no sentido da capital paulista, os veículos já foram todos retirados e a Ecovias está trabalhando na limpeza da via. Não há previsão para liberação da pista. No sentido litoral, o tráfego era ruim do km 38 ao km 65.
A via Anchieta está completamente congestionada no sentido litoral, desde a praça de pedágio até a chegada na Baixada Santista.
A avalanche de lama e galhos de árvores que desabou sobre a Imigrantes causou pânico e motoristas abandonaram os veículos           .
As vias funcionam em operação 5x2 e a subida sentido São Paulo está sendo feita somente pela Anchieta. A Ecovias, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Rodoviária Estadual não souberam dar mais detalhes sobre o acidente.
Outras duas faixas foram liberadas na via Anchieta --uma no sentido litoral e outra no sentido de São Paulo-- após a queda de quatro barreiras na região de serra, todas entre o km 40 e o km 55. O trecho chegou a ser completamente bloqueado mais cedo, no sentido São Paulo.
Na rodovia Padre Manoel da Nóbrega havia registro de filas do km 274 ao km 270, no sentido Cubatão. A via chegou a ser completamente interditada no km 273, no sentido de Praia Grande (litoral de SP), devido a um ponto de alagamento intransitável. A rodovia já tinha sido liberada às 23h20,
A Cônego Domênico Rangoni tinha problemas do km 255 ao km 270, no sentido Cubatão, e do km 270 ao km 263, sentido Guarujá. Por medida de segurança, a praça de pedágio sentido Cubatão no km 250 foi bloqueada totalmente.
Choveu forte em diversos pontos da região metropolitana de São Paulo na tarde de 22/02/13. A capital paulista chegou a ficar em estado de atenção e ainda havia, por volta das 20h10, alagamentos, quedas de árvores e semáforos com problemas no horário.
A rodovia dos Imigrantes foi completamente bloqueada no sentido de São Paulo após a queda de uma barreira; uma mulher morreu.
CLIMA
A avalanche de lama e galhos de árvores que desabou sobre a Imigrantes causou pânico na rodovia. Desesperados, motoristas tentaram voltar de marcha a ré. Mas acabaram abandonando os veículos e desceram a serra a pé.
Uma mulher, abalada, relatou o momento de crise à TV Globo. "O carro ficou lá, ficamos imprensados. Passamos o maior susto, começou a cair tudo. Não tinha jeito da gente voltar pra trás. Foi um horror, um horror", disse.
O motorista de um caminhão contou que teve que usar o veículo como anteparo. "De repente começou a descer tudo pra baixo", disse Valdecir de Moraes. "Eu segurei o caminhão pra eles não acabarem de descer. Aí foi amontoando tudo", afirmou.
O mar de lama chegou a atingir um metro de altura, segundo Eduardo Di Gregório, gerente da concessionária Ecovias. Carros foram arrastados e ficaram empilhados. (reportermt)

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre

Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre: Brasil desenvolve modelo de mudanças climáticas globais
Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre leva em conta questões climáticas particulares do Brasil e de outros países da América do Sul. Na foto, ciclone tropical na costa brasileira, em 2004 (NASA/GSFC)
No mundo hoje, há poucos países que lideram os avanços científicos em modelagem climática. A maioria deles – como os Estados Unidos, por exemplo – está no Hemisfério Norte. A Austrália era o único país no Hemisfério Sul que possuía essa capacidade. Após desenvolver por 30 anos modelos climáticos próprios, porém, o país abandonou seus esforços na área e optou por importar e ajudar a aprimorar um modelo do Hadley Centre for Climate Prediction and Research , da Grã-Bretanha.
Agora, o Brasil acaba de preencher essa lacuna deixada pela Austrália e se credenciou ao seleto grupo de países capazes de desenvolver um modelo, validar e simular as mudanças climáticas globais.
Pesquisadores de diversas instituições, integrantes do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), da Rede Brasileira de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Mudanças Climáticas (INCT-MC), concluíram a versão preliminar do Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre (BESM, na sigla em inglês).
Alguns dos primeiros resultados de simulações feitas com o novo modelo foram apresentados no Workshop sobre o BESM, realizado no dia 19 de fevereiro, na FAPESP.
“A opção do Brasil de enfrentar o desafio de desenvolver seu próprio modelo de sistema climático global, em vez de importar um modelo pronto e aplicá-lo, foi feita com o objetivo estratégico de construir uma rede de pesquisadores capazes de atuar em todas as dimensões da construção de um modelo desta natureza, como no desenvolvimento, validação e simulação”, disse Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) e um dos idealizadores do BESM.
“Como nós temos uma comunidade científica atuante no desenvolvimento e integração dos componentes de um modelo do sistema terrestre de boa qualidade, mas ainda incipiente numericamente, não poderíamos dar um passo como o da Austrália – que tem uma enorme competência em modelagem climática e uma grande comunidade de pesquisadores especializados em todos os aspectos relacionados ao clima – de aprimorar um modelo em parceria com outro país”, explicou Nobre.
Contribuição brasileira
De acordo com Nobre e outros pesquisadores presentes ao evento, uma das principais contribuições do novo Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre para os esforços internacionais de avanço das ciências climáticas, ambientais e atmosféricas será olhar para algumas questões particulares do Hemisfério Sul e representar alguns processos ambientais importantes para o Brasil e outros países da América do Sul que são considerados secundários nos modelos climáticos internacionais.
Entre essas questões, estão as queimadas, capazes de intensificar o efeito estufa e mudar as características de chuvas e nuvens de uma determinada região, por exemplo, e o desmatamento da Amazônia.
“Como é a própria comunidade científica brasileira na área de modelagem climática que desenvolve esse novo modelo do sistema terrestre, é mais lógico e até mais fácil, de certa forma, ela introduzir a modelagem desses fenômenos que são mais típicos da América do Sul”, avaliou Nobre.
A ideia do BESM, segundo Nobre, é ser uma plataforma aberta, em que várias hipóteses de processos que acontecem na América do Sul, no Oceano Atlântico e na Antártica, por exemplo, possam ser testadas pelos pesquisadores de áreas relacionadas às ciências climáticas e ambientais.
“O objetivo foi construir um modelo climático com competência brasileira que seja incorporado como uma contribuição do país para a construção de um sistema global de modelagem do sistema terrestre, como se pretende criar nos próximos anos”, disse Nobre.
“No futuro haverá um sistema global de modelagem do sistema terrestre por meio do qual será possível montar um modelo climático por módulos que interessem a um pesquisador para testar suas hipóteses”, estimou.
Previsões climáticas
O Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre também deverá ser utilizado para a definição de políticas públicas no Brasil de adequação do país aos impactos das mudanças climáticas globais.
De acordo com o Relatório Especial sobre Gestão dos Riscos de Eventos Climáticos e Desastres (SREX, na sigla em inglês) – divulgado recentemente pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) –, nas últimas décadas aumentou a frequência dos eventos climáticos extremos no mundo em função das mudanças climáticas.
No final de março de 2004, por exemplo, a região Sul do Brasil foi atingida pelo furacão Catarina – o primeiro de classe 1 (com ventos de 119 a 153 quilômetros por hora e elevação do nível do mar de 1,2 a 1,6 metro) registrado no país.
“O novo modelo também tem a finalidade de melhorar as condições de previsão de clima sazonal no Brasil”, disse Paulo Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um dos coordenadores do projeto.
Primeiros resultados
Segundo o pesquisador, o desenvolvimento do novo modelo possibilitou melhorar a previsão de precipitação (chuva) no Atlântico Sul e na América do Sul.
“É muito difícil melhorar a previsibilidade de precipitação no Atlântico Sul. Mas, como o novo modelo, houve um aumento generalizado da melhoria da previsão tanto de temperatura da superfície das águas do Atlântico Sul como da América do Sul”, afirmou.
Outro resultado da implementação do modelo foi a constatação de que o desmatamento da Amazônia aumenta a possibilidade de ocorrência de El Niño (fenômeno caracterizado por um aquecimento anormal das águas superficiais no oceano Pacífico Tropical, capaz de afetar o clima regional e global).
“Este foi um resultado antecipado que o modelo já pode verificar mesmo sendo uma versão preliminar, de baixa resolução”, disse Paulo Nobre. Segundo o pesquisador, o modelo também é capaz de prever a capacidade de formação de chuva da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) – uma região com uma extensa faixa e bandas de nuvens formadas desde a Amazônia, Brasil Central e Sudeste até o Oceano Atlântico – que os modelos existentes até então eram incapazes de prever.
O Brasil ainda passou a ter a capacidade de executar a previsão da extensão de gelo marinho do planeta.
“Pela primeira vez no país existe capacidade de prevermos o avanço e a retração do gelo marinho não só no Hemisfério Sul, onde existe uma grande dificuldade de realizar previsões de extensão de gelo, como em outras partes do planeta”, disse Paulo Nobre.
“O modelo tem previsto, por exemplo, os últimos recordes de diminuição da extensão do gelo do Ártico, o que nos dá sinais de que estamos no caminho certo”, avaliou.
Aprimoramentos
O novo modelo foi construído a partir da experiência em modelagem climática implementada no Brasil a partir da década de 1990 com a criação no INPE do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC).
A fim de desenvolver o projeto, os pesquisadores utilizaram um modelo climático acoplado (unido) de oceano e atmosfera desenvolvido pelo CPTEC há mais de uma década e introduziram nos últimos anos outros componentes, como vegetação dinâmica, hidrologia continental, ciclo de carbono dos oceanos e gelo marinho.
Para integrar esses diferentes componentes do modelo, os pesquisadores utilizam o supercomputador Tupã, instalado no final de 2010 no CPTEC, em Cachoeira Paulista (SP), com recursos da FAPESP e do MCTI.
As simulações brasileiras foram submetidas ao Projeto de Intercomparação de Modelos Acoplados, Fase 5 (CMIP5, na sigla em inglês), que deverá ser utilizado pelo IPCC para balizar seu quinto Relatório de Avaliação (AR 5, na sigla em inglês), previsto para ser publicado no final de 2014.
“O modelo deve inaugurar a participação brasileira nos cenários globais de mudanças climáticas do CMIP5 e do AR 5”, disse Paulo Nobre. (EcoDebate)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Rumo a 4 graus? Estão rindo de quê?

Neste post, quero chamar a atenção, dentre outros pontos, para um artigo de autoria de Richard Betts e colaboradores, recentemente publicado no Philosophical Transactions of the Royal Society, cujo título é “When could global warming reach 4°C?”
Apesar de, especialmente acima de 3 graus de aquecimento, as incertezas nos impactos crescerem, sabe-se que um planeta 4 graus acima da era pré-industrial (mais de 3 graus mais quente do que o presente) é virtualmente irreconhecível. O primeiro ponto diz respeito a tempestades mais intensas. Uma atmosfera mais quente permite a presença de uma maior quantidade de vapor d’água, o que tem o efeito, como discutimos em outro momento, de amplificar a intensidade de tempestades, furacões e outros fenômenos extremos. O segundo se remete às geleiras. Como se sabe as projeções de degelo tem sido profundamente conservadoras, subestimando o que de fato tem acontecido (como já mostramos, o recorde de degelo no Ártico em 2012 aconteceu com mais de duas décadas de antecipação em relação à projeção mais “pessimista” e cerca de 50 anos antes do que a média dos “modelos do IPCC” previu, quando do quarto relatório).
Comparação entre os cenários de emissão SRES (cenários adotados nos relatórios anteriores do IPCC, isto é, até o AR4) e as emissões observadas.
Na medida em que nos damos conta da realidade, porém, esse cenário assustador se torna, lamentavelmente, mais palpável. A pergunta do artigo, isto é, “quando o aquecimento global pode alcanças 4 graus?” é pertinente já ao olharmos a figura ao lado. Extraída de artigo de Betts et al., ela mostra as emissões observadas (quadradinhos) em comparação com cenários que foram usados para guiar as projeções dos relatórios anteriores do IPCC (do segundo – o SAR – ao quarto, o AR4, disponíveis no próprio site do IPCC). Esses cenários eram divididos em “famílias”, sendo que os cenários A tinham ênfase  na expansão econômica, ao invés da proteção ambiental e, evidentemente seriam aqueles para os quais as emissões de gases de efeito estufa em geral seriam maiores. Na figura, fica claro que estamos seguindo de perto os piores cenários (é particularmente marcante a similaridade entre a curva observada e as emissões previstas conforme o cenário A1FI*, uma variante do cenário “[fóssil] fuel intensive“, isto é, de uso intensivo de combustíveis fósseis). A lição é clara: a humanidade tem praticado o perigoso “business as usual“, ou seja, na prática tem ignorado todos os alertas emitidos com base nas descobertas da Ciência do Clima moderna.
Um conjunto de resultados anteriores de modelagem climática que Betts et al. destaca são os do chamado C4MIP (em que “C4″ corresponde a quatro C’s de “Coupled Climate–Carbon Cycle“, referindo-se ao acoplamento entre o clima e o ciclo do carbono). O eu eles tem de especial? Assim como em outros “mip’s” (projetos de intercomparação de modelos), diferentes modelos foram testados em cenários nos quais, ao invés de se informar aos modelos qual a concentração dos gases de efeito estufa, eram informadas as emissões antrópicas, e os modelos, através de cálculos do ciclo de carbono, tinham de prever as concentrações desses gases. Isto permite que mecanismos de retroalimentação apareçam, tanto positivos (por exemplo, o derretimento do solo congelado, o “permafrost” que permite que mais matéria orgânica se decomponha, com emissão de metano), tanto negativos (uma maior concentração de CO2 na atmosfera permite que certas espécies vegetais realizem fotossíntese de forma mais acelerada, processo conhecido como ”fertilização por CO2″ e, portanto, alguns biomas podem fazer um “sequestro de carbono” mais eficiente).
Projeções de temperatura global dos modelos do C4MIP: em preto, o conjunto de modelos alimentados pela concentração de gases de efeito estufa. Em vermelho, o conjunto de modelos alimentados pelas emissões.
O que esse esses modelos com que contém um “ciclo do carbono” nos diziam então? Duas coisas, ambas traduzidas na imagem ao lado. Primeiro, fica clara a que o papel do ciclo do carbono é uma incerteza importante, pois as linhas em vermelho estão mais espalhadas do que as linhas em preto. Segundo, é que, mesmo com esse espalhamento, há indícios de que, no ciclo do carbono terrestre, há mais feedbacks positivos do que nagativos. Isto significa que, ao se considerar o ciclo do carbono, os processos em que o aquecimento é amplificado (como a liberação de metano do derretimento do solo congelado) dominam, segundo a maior parte dos modelos, os processos que poderiam amortecê-lo, como a fertilização por CO2.
Projeções de temperatura média global, em comparação com a média de 1861-1890 de acordo com os vários membros do conjunto do modelo HadCM3-QUMP, sob o cenário A1FI.
Como as emissões observadas estão seguindo fortemente os cenários de emissões maiores, Betts e seus co-autores tomaram simulações diferentes com o modelo inglês (o HadCM3), em que a representação de processos físicos era diferia de um para o outro. Tais simulações foram feitas sob o cenário de emissões A1FI. O resultado (as projeções de temperatura de cada um deles) é mostrado no gráfico ao lado, em que os membros do conjunto que levam a um aquecimento de 4 graus ou mais até 2100 aparecem em laranja (uma ampla maioria, em comparação com os que, mostrados em azul, projetam aquecimento de menos de 4°C até o fim deste século). Um dos membros antecipa esse aquecimento desmedido para 2060 e a ampla maioria dos membros chega a esse valor antes de 2080.
As conclusões dos autores são bastante sérias, tanto para a comunidade científica quanto para tomadores de decisão, formuladores de política e público em geral.
Do lado dos tomadores de decisão e do público, a lição é que, em função dos feedbacks relacionados ao ciclo do carbono, há mais chances de as mudanças climáticas serem mais aceleradas do que imaginávamos do que de serem menos aceleradas, bastando comparar o conjunto de linhas vermelhas com o de linhas pretas na segunda figura deste artigo. Isso deve alertar ainda mais para a necessidade e urgência das medidas (sobre as quais tanto temos insistido) para conter as emissões, com ênfase na extinção dos combustíveis fósseis.
Do lado dos cientistas, deveria ficar a lição da necessidade de nos debruçarmos de maneira concentrada e responsável sobre as incertezas. Fica claro que quando introduzimos um “grau de liberdade” extra na representação do sistema climático pelos modelos (o ciclo do carbono), essas incertezas aumentam, seja no contexto dos vários “modelos do IPCC”, seja no contexto de um modelo com diferentes versões. É preciso portanto, entender melhor o papel do ciclo do carbono, se este é de amplificar (como, pelo conjunto dos modelo, parece ser o caso) ou atenuar o aquecimento global (o que também é possível, apesar de a maioria dos resultados preliminares, do C4MIP, indicar o contrário).
Amazônia: assim como antes, a possibilidade de “die-back” não podia ser encarada como uma catástrofe certa, os estudos que sugerem que o mesmo não ocorrerá não podem ser vistos com otimismo injustificado.
Em fevereiro/13 interagi com o próprio Richard Betts (via twitter), a respeito das publicações que têm anunciado “boas notícias” sobre a Amazônia (ver, por exemplo, o anúncio da Reuters, que diz “Floresta Amazônica mais resistente à mudança climática do que se temia – diz estudo” ou a publicação trazida pelo Portal Ecodebate) com base neste estudo de Peter Cox e colaboradores, recém-publicado na Revista Nature. Voltarei a este assunto logo que puder, mas meu questionamento foi no sentido de que, da mesma forma que fui crítico ao alvoroço em torno do die-back, isto é, da morte da floresta que era prevista até o fim do século por um modelo (coincidente e ironicamente, outro modelo do centro inglês), serei crítico do que considero um otimismo injustificado.
Tá rindo de quê?
Considero assim, porque, em primeiro lugar, mesmo que a floresta como um todo não desapareça num cenário de aquecimento global de 4 graus, a mesma não é homogênea. Há porções da floresta que são mais vulneráveis do que outras e, portanto, poderia haver avanços do cerrado e/ou da savana venezuelana sobre porções da floresta. As espécies também não são “resilientes” por igual e a extinção de certas espécies vegetais, ainda que não leve à perda integral da floresta certamente representam uma importante fonte de desequilíbrio no ecossistema. Mas para mim, o mais grave, como o próprio Richard Betts admitiu, é que há um grande número de processos que não são bem representados em nenhum modelo ainda (incluindo aquele utilizado no artigo de Peter Cox), e que podem ser cruciais: a mortandade de árvores em secas, cheias e tempestades, o aparecimento e crescimento de pragas e o risco de incêndios florestais. Em suma, meu ponto de vista é que sequer o “die-back” pode ser completamente descartado e que o otimismo de alguns textos recentes é desprovido de sentido, vindo bem ao encontro do que exposto em outro artigo. (EcoDebate)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Palavra de ordem: Reciclar

Face à escassez de recursos naturais e à quantidade de lixo existente nas nossas cidades, a reciclagem apresenta-se como uma das acções mais inteligentes e eficazes para ajudar a concretizar um futuro mais limpo e sustentável.
Sabia que:
. Cada ser humano produz, por ano, uma quantidade de lixo dez vezes superior ao peso do seu corpo?
. A decomposição natural de plástico demora cerca de 450 anos?
. Dezenas de milhares de mamíferos marinhos morrem por ano ao comer ou se emaranhar em detritos de plástico?
. Uma fralda descartável demora, no mínimo, três anos para se decompor naturalmente?
. Por cada tonelada de papel reciclado evita-se o abate de 15 a 20 árvores de médio porte?
. Papel produzido com fibra reciclada produz menos poluição atmosférica, gasta menos água e menos energia?
. O alumínio pode ser reciclado inúmeras vezes sem perda de qualidade?
. 84% do lixo doméstico pode ser reciclado?
Nos últimos anos a questão da gestão dos resíduos/desperdícios ganhou uma importância vital. Face à cada vez maior quantidade de lixo gerada pela actual sociedade de consumo (ou deveríamos dizer sociedade de desperdício?), à falta de locais para o colocar, às polémicas da incineração e da localização dos aterros sanitários, reiclar parece ser a chave para um futuro mais limpo e sustentável.
Reciclar implica reaproveitar, reutilizar. A produção de materiais reciclados implica uma menor extracção e delapidação dos recursos naturais da Terra, um menor consumo de energia, um menor volume e número de lixeiras e incineradoras e consequentemente uma redução da poluição. Para que a reciclagem ganhe uma maior importância é essencial que se faça uma recolha, separação e transformação dos resíduos eficientes, que a utilização dos resíduos enquanto matérias primas secundárias seja energética e economicamente vantajosa e que estes produtos tenham um público consumidor que os valorize.
Para que a reciclagem dos produtos seja eficaz é necessário que a qualidade dos resíduos seja a melhor possível. Resíduos impróprios ou sujos podem contaminar todo um lote, tornando o trabalho de recolha inútil. Assim, apresentamos uma lista de material que pode ou não ser reciclável. Outro factor importante para uma reciclagem eficaz é a colocação destes materiais nos recipientes adequados para o efeito.
Material Reciclável
Papel: Jornais, revistas, cadernos, formulários, caixas em geral, fotocópias, envelopes, papel de fax, cartazes, cartolinas, aparas de papel.
Metal: Latas de alumínio, panelas, utensílios de ferro, arames, pregos.
Vidro: Recipientes em geral, garrafas e copos.
Plástico: Embalagens de refrigerantes, de produtos de limpeza e de higiene, de margarina, de leite, canos e tubos, sacos plásticos em geral.
Material não reciclável
Papel: Etiquetas adesivas, papel carbono, papéis sanitários, metalizados, parafinados, plastificados ou sujos, guardanapos, tocos de cigarro, lenços, fotografias.
Metal: Clips, ganchos, canos, recipientes de produtos tóxicos ou de restos de produtos gordurosos.
Vidro: Espelhos, lâmpadas, cerâmica, porcelana, recipientes de produtos tóxicos ou de restos de produtos gordurosos, mistura de vidro de diferentes cores.
Plástico: Tomadas, misturas de papel, plásticos e metais, recipientes de produtos tóxicos ou de restos de produtos gordurosos. 
Outros produtos que podem ser reciclados são as pilhas, os tóners, os cartuchos das impressoras, os disquetes de computador, os pneus usados e o óleo do motor. Convém contactar as autoridades locais para esclarecimentos sobre o local onde colocar estes produtos.
Atenção às falsas rotulagens, muitos produtos rotulados como reciclados ou "amigos do ambiente" não o são na realidade. Informe-se junto das autoridades competentes. (naturlink)

Parceria para reciclagem de lixo eletrônico

Oi fecha parceria para reciclagem de lixo eletrônico
Serão investidos R$ 10 milhões na construção de cinco fábricas no país
A Oi fechou parceria estratégica com a Descarte Certo, do grupo Ambipar, para a construção de cinco fábricas de reciclagem de produtos eletrônicos no país. A operadora entra com o capital – R$ 10 milhões em seis anos – e a parceira, em contrapartida, prestará o serviço de coleta, manufatura reversa e destinação final dos resíduos produzidos pela própria empresa, seus fornecedores, clientes e colaboradores.
As unidades serão construídas nos estados do Rio Grande do Sul, Pernambuco, Amazonas, Goiás e Rio de Janeiro. A localização foi definida com base no mapa de consumo, com o objetivo de reduzir o custo ambiental e financeiro do processo.
– As fábricas estarão distribuídas pelas cinco regiões do país, facilitando as operações de logística, já que a Oi está presente em todo o território nacional – explica o presidente da Oi, Francisco Valim.
As cinco fábricas vão gerar cerca de 5 mil empregos diretos e indiretos e terão capacidade de processamento de 1.200 toneladas de resíduos por mês, praticamente dobrando a capacidade instalada para processamento de lixo eletrônico atual.
– Com a construção dessas fábricas, o Brasil passa a ter a capacidade instalada necessária para desindustrializar produtos pós-consumo adequadamente. Isso colocará o país nos mesmos padrões internacionais com emprego de tecnologia, inovação, capacitação de mão-de-obra e geração de empregos – diz o presidente da Descarte Certo, Lucio Di Domenico. (globo)

E- lixo, é oportunidade de mercado

Reciclagem do lixo eletrônico, o e- lixo, é oportunidade de mercado
50 milhões de toneladas de resíduos são jogadas fora ao ano no mundo.
No Brasil, empresas encontraram na reciclagem oportunidade de mercado.
O lixo eletrônico, também conhecido como e- lixo, é gerado pelas constantes mudanças tecnológicas dos computadores e celulares. Cerca de 50 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos são jogadas fora, todos os anos, pela população do mundo. No Brasil, algumas empresas encontraram na reciclagem de aparelhos descartados uma boa oportunidade de mercado.
Hoje existe mais de um celular por brasileiro. Toda hora surgem modelos novos, toda hora as pessoas estão trocando os aparelhos. Mas o que fazer com os velhos e ultrapassados? E não só celulares. TVs, sons, computadores que a gente não quer mais. A solução é o descarte correto e a reciclagem dos eletrônicos. Um lixo que vale dinheiro.
Computadores velhos, TVs e celulares descartados. Quando os aparelhos eletrônicos ficam obsoletos, o empresário Marcus Oliveira entra em cena, recolhe e trata o lixo eletrônico das empresas.
“Hoje, só no Brasil, a gente tem mais de um aparelho celular para cada habitante. E além dos computadores, eletrônicos, tudo isso mais, a cada dia vai sendo muito mais rápido descartado. E vai gerando um volume muito grande”, afirma o empresário.
O negócio ganhou impulso com uma lei do governo federal de 2010, que obriga as empresas a cuidar do lixo eletrônico, para não contaminar o meio ambiente. A lei estabelece que o consumidor deve devolver os produtos usados nos mesmos lugares da compra. E as lojas que comercializam os produtos são obrigadas a levá-los ao centro de triagem mais próximo.
“A lei é a Política Nacional dos Resíduos Sólidos que institui diretrizes de como se destinar corretamente todo tipo de resíduos sólidos no Brasil, entre eles, é citado na lei o resíduo eletroeletrônico. Ela traz oportunidades para o negócio porque imputa sobre fabricantes, importadores e grandes empresas, ou todo tipo de empresa, a responsabilidade de destinar corretamente os seus resíduos eletroeletrônicos”, explica Ronilson Rodrigues Freitas, da Associação Brasileira de Reciclagem.
A empresa de Oliveira cobra a partir de R$ 0,40 por quilo de material recolhido. Se for para rastrear e destruir arquivos, esse valor pode chegar a mais de R$ 2 por quilo.
Segundo o empresário, com R$ 50 mil dá para montar uma pequena empresa de recolhimento de lixo eletrônico. O valor é para a estrutura física do negócio e para obter a licença ambiental de funcionamento.
“Tem oportunidades para os novos pequenos empresários que podem investir num negócio de manufatura reversa de equipamentos eletrônicos e a gente pode inclusive, dar todo o apoio para essa empresa. De quer forma? Adquirindo deles placas eletrônicas, por exemplo, que são fonte de receita”, revela Oliveira.
Na empresa, o lixo eletrônico é desmontado a mão, peça por peça. Depois, separado por categoria. Metais, plásticos, baterias. Eles são entregues para empresas especializadas em reciclagem ou descarte.
Parte do lixo vale dinheiro. É o caso das placas eletrônicas de computadores. Elas contem 17 tipos de metais. Alguns dá para ver fácil. Tem o cobre, o alumínio, o ouro - uma camada bem fininha. Em uma caixa, por exemplo, há mais de 30 gramas de ouro.
Marcus vende as placas eletrônicas para empresas na Europa, que extraem os metais.
As carcaças plásticas dos eletrônicos são vendidas para uma empresa nacional de reciclagem, e viram mais um negócio. São 230 toneladas por mês de resíduos plásticos.
“Acredito que faça muita diferença para o meio ambiente, porque imagina só um resíduo industrial, indo para um aterro, os aterros todos superlotados, incineração também, muito difícil encontrar, custo muito caro, acredito que 230 toneladas que a empresa faça hoje têm um retorno bem significativo ao meio ambiente”, diz Eduardo Roberto Golçalves, da empresa de reciclagem.
Os clientes querem matéria-prima com qualidade de nova e preço de velha. Para isso, o essencial é não misturar plásticos variados. Entra em cena uma mão de obra diferente: um especialista em cheiros.
“Raspando, a gente sente o odor do material. Esse aqui é poliestireno. Esse é outro tipo de plástico é ABS. É usado na parte de eletrônicos”, explica Rafael Batista, classificador de plástico.
O plástico separado é moído e depois limpo de resíduos. Quanto mais puro, maior o valor. É uma caça às impurezas. Ela passa um imã pelo plástico triturado em busca aos corpos estranhos. “É muita coisa. 50 quilos por dia.”
O plástico segue para a próxima etapa, em um equipamento chamado estrusora. É conhecida como máquina de fazer macarrão. Ela é bem barulhenta. Derrete o plástico e solta em fios tipo espaguete, em temperatura de 300 graus. Depois, mergulha na água e corre por uma banheira comprida, onde o material esfria e endurece.
A secagem ocorre em vassouras improvisadas e vai para o granulador, de onde sai o macarrão, em forma de grãos. Depois é só embalar e vender. Depois do processo, o lixo de plástico vale R$ 4 o quilo e é muito disputado pelo mercado.
O granulado é vendido para outra empresa onde, finalmente, o lixo plástico volta a ser produto.
Ele é derretido e transformado em peças de comunicação visual: acabamento para banners e cabos de bandeira. Com a matéria-prima reciclada mais barata, os produtos custam até 50% menos que os feitos de material virgem.
“É para empresa que quer comprar mais barato. E beneficia nós também, os empresários, porque nós temos também um custo menor. Dá para ter uma margem sim, mas beneficia tanto um quanto o outro”, relata a empresária Vanda Guerra.
O mercado de reciclados é crescente. Por ano, o Brasil gera mais de três quilos de lixo eletrônico por habitante. Agora, a lei força a redução dessa quantidade e surgem as oportunidades de negocio.
“Nós não paramos de comprar eletroeletrônicos. Qualquer consumidor não para de comprar. Quantos mais compramos, mais esse mercado vai ter. A gente une os 2 mercados do futuro: informática e sustentabilidade, unidos num mercado só. Então esse mercado é crescente e duradouro”, diz Freitas, da associação de reciclagem. (g1)

Celular guarda tesouro em matéria-prima

Telefone celular guarda tesouro em matérias-primas cada vez mais escassas
Cada vez mais funcional, o telefone celular é hoje um verdadeiro faz-tudo, em todas as partes do mundo. E pouca gente tem ideia dos materiais preciosos guardados nesta pequena caixa.
Diferentes tipos de metais permitem que os celulares ofereçam suas inúmeras funções. Cada aparelho traz apenas uma pequena quantidade desses metais – juntando vários, porém, a soma de materiais preciosos usados nos telefones é enorme. As matérias-primas estão ficando cada vez mais escassas e, consequentemente, mais caras. Mas, por que isso está acontecendo? Quais materiais serão usados na tecnologia do futuro? Aqui estão algumas respostas.
“Confiava-se que a Terra sempre ofereceria o tanto de matéria-prima que fosse necessário”, resume Armin Reller, professor de Estratégia de Reservas da Universidade de Augsburg. Ele conta que durante muito tempo essa ideia perdurou entre cientistas e setores da economia. “Agora nós vemos um claro limite”. E limite de disponibilidade é também limite de crescimento, pois a indústria se estrutura na tecnologia proporcionada por esses materiais.
Sem o lítio, por exemplo, o carro elétrico não tem como rodar. Sem o elemento índio, não há células solares, e sem os metais de terras-raras, controlados pela China, torres de energia eólica não funcionam. Novas possibilidades de extração precisam aparecer – caso contrário a contenção acabará se tornando um dogma da moderna sociedade de consumo.
Mais efetivo do que mineração
Uma possibilidade de manter as reservas é a reciclagem. Em uma tonelada de celulares, por exemplo, encontram-se 300 gramas de ouro. Para se ter uma ideia do montante, mineradoras calculam que em uma tonelada de rocha é extraído apenas um grama do precioso metal. No entanto, a maioria dos celulares usados vai parar em países africanos ou latino-americanos, ou vai para o lixo ou fica esquecida em alguma gaveta.
Até mesmo a Alemanha, que se considera “país da reciclagem”, tem dificuldades em desenvolver um efetivo sistema de reaproveitamento do material de aparelhos celulares. Uma ideia que veio do setor político é fazer com que o cliente pague uma caução na hora da compra, a fim de forçá-lo a devolver o aparelho quando ele quiser trocá-lo.
A reciclagem de todos os metais usados na produção de um celular ainda é uma árdua tarefa para a ciência e a indústria. Dos quase 35 metais encontrados nos aparelhos, apenas uma pequena fração pode ser reciclada de maneira rentável. E isso vale não apenas para celulares, mas também para laptops, televisores e outros aparelhos eletrônicos – um imenso potencial em vista.
O sonho da reciclagem completa
De qualquer maneira, a ampliação da exploração de matérias-primas mundo afora não é a melhor solução. A questão moral ainda é muito forte, já que essa exploração é feita quase sempre às custas do homem e do meio ambiente. Pequenos garimpeiros trabalham muitas vezes sob condições miseráveis.
Nas montanhas do Congo, crianças retiram o tântalo, tão importante para a produção de microcapacitores, enquanto milícias financiam uma guerra com o comércio do material. Na China, o meio ambiente sofre com os resíduos químicos liberados com a exploração de metais de terras-raras.
Também por isso os centros de pesquisa estão em busca de uma revolução da reciclagem. Um deles está na Universidade de Hamburg-Harburg. A pesquisadora Kerstin Kuchta e sua equipe estudam um novo processamento do metal de terras-raras neodímio.
O sonho é alcançar uma sociedade que consiga viver para sempre apenas das matérias-primas que têm à disposição. “Ainda há muito a se fazer nesse sentido, pois não podemos continuar usando e depois jogar o resto fora”. Teoricamente, seria possível reutilizar até 80% do material de um aparelho celular. Mas a realidade é bem diferente – pelo menos, até agora. (EcoDebate)

Na luta pela mudança do padrão de produção

“O importante é saber de quem é a responsabilidade pelo rejeito que vai parar no lixão ou no aterro. Quem paga pelo rejeito ir até lá? Somos nós ou o fabricante tem a sua responsabilidade?”, questiona Elisabeth Grimberg
“Fala-se muito de que é preciso reduzir o consumo. Mas as pessoas não têm opção de adquirir produtos em recipientes retornáveis, como o vidro, que pode ser reutilizável e para a mesma finalidade”. A reflexão é da coordenadora executiva do Instituto Pólis, Elisabeth Grimberg. Em entrevista concedida por telefone à IHU On-Line ela fala também sobre o conceito de “obsoletização programada”, que é quando os produtos já são feitos para terem uma vida útil curta. “Isso tudo começou depois da crise de 1929, afinal era preciso produzir mais para gerar mais consumo, o que ajudaria a sair da crise. Por questões do sistema capitalista em que vivemos, para se ter lucro foi instituído um padrão de produção descartável, em os produtos tenham curta vida útil para aumentar a velocidade do consumo. Como os recursos do planeta são escassos, isso tem que ser redefinido, o que não pode ser dissociado de uma discussão muito mais profunda e ampla, envolvendo o próprio modelo de desenvolvimento que temos”, destaca.
Elisabeth Grimberg é coordenadora executiva do Instituto Pólis e da área de resíduos sólidos. Também compõe a coordenação do Fórum Lixo e Cidadania da Cidade da Cidade de São Paulo e a coordenação da Coalizão Nacional contra a Incineração de Lixo. É mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.
IHU On-Line – Qual sua opinião sobre a captação de biogás como uma das possibilidades de se lucrar com o lixo, que o mercado de carbono abre para as empresas do setor?
Elisabeth Grimberg – O uso do biodigestor para captar metano pode ser uma boa solução para o resíduo úmido, tendo como subproduto – ao aproveitar o processamento desse resíduo – a geração tanto de adubo quanto da captura do metano, gerando energia. Esse é o aspecto central. Trata-se de uma boa solução tecnológica para o resíduo úmido, sobras de alimentos, e tem esse subproduto, que é a captação do metano para a geração de energia. Será preciso, sim, implantar um sistema de coleta domiciliar diferenciada eficiente, em que não se misture resíduos secos (recicláveis), úmidos e rejeitos no momento do descarte.
IHU On-Line – De forma geral, qual sua avaliação sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS? Quais os principais avanços e limites?
Elisabeth Grimberg – O fato da PNRS ter sido aprovada e já regulamentada em 2010 por si só já é uma conquista em termos de construção compartilhada com atores da sociedade civil. Foram 19 anos de luta para que isso se efetivasse. Além disso, há avanços em termos de gestão e destinação de resíduos: a introdução de novos atores na questão da responsabilidade pela gestão dos resíduos. Aqui me refiro a responsabilização do fabricante, do importador, do distribuidor e do comerciante pelo custeio da coleta seletiva dos resíduos secos domiciliares, além dos seis resíduos especiais tais como pilhas, baterias, eletroeletrônicos, lâmpadas fluorescentes, pneus etc. Outro avanço é que os municípios que construírem políticas e formas de estruturar a rede de catadores terão acesso a recursos da União em função dessa integração dos catadores, outro ator central para a implantação de um novo padrão de destinação de resíduos sólidos, reconhecido pela nova lei como estratégico.
IHU On-Line – Como vê a possibilidade de adiar as metas da Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, anunciada recentemente pelo governo federal (http://bit.ly/UTd6yV)?
Elisabeth Grimberg – Essa possibilidade de adiamento das metas envolvendo a erradicação dos lixões até 2014 é bastante grave, porque eu considero um desestímulo à busca da capacitação e de todos os mecanismos que viabilizariam a implementação de um novo paradigma de gestão, que a política traz claramente indicado e instituído. Adiar as metas torna lento o processo, fazendo com que tanto o setor privado como o setor público não se apresse mais em implantar um modelo tecnológico voltado para a recuperação integral dos resíduos passíveis de reaproveitamento, que representa 90% do total gerado.
IHU On-Line – Menos de 10% das cidades entregaram seus Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos – PMGIRS e, por consequência, segundo a lei, não podem receber verbas federais. Qual é a alternativa?
Elisabeth Grimberg – O PMGIRS é realmente importante, pois traz uma série de elementos estruturantes de uma política que permitirá uma ação planejada, otimizando recursos e integrando o conjunto de atores envolvidos na cadeia – a administração municipal, o setor empresarial, os catadores e a própria população, o que deverá garantir resultados positivos. No entanto, o fato de apenas 10% dos municípios terem feito seus planos não pode ser uma razão suficiente para suspender a meta para o fechamento de lixões e para só serem destinados rejeitos nos aterros sanitários até 2014, porque os outros 90% de resíduos podem ser aproveitados na cadeia da compostagem, da biodigestão, da reciclagem, como dito acima. Não ter acesso aos recursos da União pode ser interessante para os municípios se agilizarem, se movimentarem e procurarem formas de fazer a “lição de casa” e, então, receber esses valores.
IHU On-Line – Quais os desafios que se colocam à adesão dos municípios à coleta seletiva dos resíduos úmidos domiciliares?
Elisabeth Grimberg – A coleta seletiva é a coleta dos resíduos separados em três categorias: úmido, seco e rejeito. Em média, 60% dos resíduos é úmido. É atribuição da prefeitura estabelecer como funcionará o sistema de coleta seletiva de todos os tipos de resíduos, mas não de operar a coleta de todos os resíduos. Sua responsabilidade é a coleta diferenciada do resíduo úmido. Já o custeio da coleta dos resíduos secos é atribuição dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, que poderão remunerar a prefeitura para tal, o que está previsto no parágrafo sétimo do Artigo 33 da lei. Dito isso, a dificuldade dos municípios está na necessidade de uma maior apropriação e conhecimento de modelos tecnológicos existentes, como a combinação da biodigestão e da compostagem. E o rejeito é uma fração dos resíduos que, se submetido a uma análise mais detalhada, pode perfeitamente identificar quem são os fabricantes destes produtos e, portanto, de quem é a responsabilidade pelo rejeito, permitindo também o rateio do custo de sua destinação para aterros sanitários. Quem deve pagar pelo rejeito ir até lá? O munícipe ou o fabricante tem a sua responsabilidade?
IHU On-Line – O que é preciso para as empresas e a sociedade repensarem o chamado “padrão de produção” tendo em conta o problema do lixo? O que está em jogo aqui?
Elisabeth Grimberg – Isso é bem importante. Fala-se muito de que é preciso reduzir o consumo. Mas as pessoas não têm opção de adquirir produtos em recipientes retornáveis, como o vidro, que pode ser reutilizável e para a mesma finalidade. Outra coisa envolvida aqui é a chamada obsoletização programada: os produtos já são feitos para terem uma vida útil curta. Isso tudo começou depois da crise de 1929, afinal era preciso produzir mais, para gerar mais consumo, o que ajudaria a sair da crise. Por questões do sistema capitalista em que vivemos, para se ter lucro, foi preciso mudar o padrão de produção para o padrão descartável a fim de se poder consumir com mais velocidade. Isso teria hoje que ser redefinido, o que não pode ser dissociado de uma discussão muito mais profunda e ampla, envolvendo o próprio modelo de desenvolvimento que temos.
IHU On-Line – O que deve mudar em relação à cultura política que rege a gestão de resíduos? O que é preciso para deixarmos de tratar resíduos reaproveitáveis como lixo?
Elisabeth Grimberg – Não podemos esquecer que a economia não anda separada das decisões políticas. O “padrão de produção” é formado por empresas envolvidas na produção, distribuição etc. que funcionam segundo normas definidas pelo Estado, que por sua vez pode exigir outras formas de atuação do mercado de maneira a garantir uma linha de produção ambientalmente sustentável. (EcoDebate)

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Rio recolhe mais de lixo nesse carnaval

Prefeitura do Rio recolhe 20% a mais de lixo nesse carnaval
Garis prontos para a limpeza ao fim de mais um bloco do carnaval carioca.
A Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro (Comlurb) recolheu 770 toneladas de lixo durante os cinco dias de carnaval na cidade. Segundo a empresa, a quantidade de resíduos coletados este ano é 20% maior que em 2012, quando foram recolhidas 643 toneladas. Os números divulgados pela prefeitura correspondem ao período que vai de 08 à 13/2/13.
A Comlurb contou com um esquema especial para o carnaval, com mais de mil trabalhadores por dia em toda a cidade. Desses, 600 atuaram no Sambódromo, 300 na limpeza das ruas após a passagem dos 400 blocos. Cento e vinte garis ficaram na região central da cidade, como a Lapa, Cinelândia e Avenida Rio Branco, onde também houve desfiles. Em Campinho, na zona norte, 50 garis cuidaram da limpeza da Estrada Intendente Magalhães.
As equipes da Comlurb trabalharam 24 horas coletando os resíduos. Os bairros do Leblon, de Ipanema, da Gávea e do Jardim Botânico, na zona sul da cidade, foram os que tiveram maior índice de geração de resíduos, com 75 toneladas coletadas. Em seguida está o centro da cidade, onde foram recolhidas 69 toneladas de lixo.
O tradicional Bloco Cordão da Bola Preta, que reuniu mais de 1 milhão de pessoas, foi o campeão de lixo com pouco mais de 22 toneladas, seguido da Banda de Ipanema, em que os foliões geraram 10 toneladas de resíduos. A Banda de Madureira ficou em terceiro, com 9 toneladas.
De acordo com Ricardo Rabelo, presidente do Folia Carioca, entidade que reúne blocos da cidade, houve uma falha operacional por parte da Comlurb no momento de fazer a limpeza das ruas. “O número de lixeiras não era suficiente para atender os cidadãos, é no mínimo insensatez culpar o folião por um erro operacional da prefeitura. Não havia diferença na limpeza de um dia para o outro”, reclamou.
Em nota, a Comlurb informou que as lixeiras são estrategicamente colocadas nos pontos com maior produção de lixo por parte dos foliões, e que a quantidade de lixeiras atende bem à demanda de pessoas nos blocos. A equipe de 600 garis retorna neste fim de semana ao Sambódromo para a limpeza após o desfile das escolas campeãs. (EcoDebate)

Sapucaí produziu mais lixo que carnaval de rua

Desfile na Sapucaí produziu mais lixo que carnaval de rua no Rio
A quantidade de lixo recolhida por garis da Companhia de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro (Comlurb) nos quatro dias de desfile na Avenida Marquês de Sapucaí superou a que foi retirada das ruas depois da passagem dos blocos de carnaval nos mesmos dias.
Enquanto o Sambódromo gerou 330 toneladas de lixo, o carnaval de rua totalizou 300 toneladas, informou ontem (12) a Comlurb, em balanço.
Somente na última noite de desfiles do Grupo Especial, a Marquês de Sapucaí gerou 110 toneladas de lixo, o equivalente a quase cinco vezes as 22,4 toneladas deixadas pelos foliões do Cordão da Bola Preta, que reuniu 1,8 milhão de pessoas no sábado.
Em 11/02/13, 60 toneladas de lixo foram geradas pelos blocos de carnaval, com destaque para o AfroReggae, com 8,3 toneladas.
A Comlurb estava preparada para uma demanda maior no Sambódromo do que nas ruas, já que separou 600 garis apenas para as noites de desfile, enquanto a metade disso cuidava dos blocos que desfilaram fora do centro da cidade. Mais 120 trabalhadores ficaram responsáveis pela Lapa, Cinelândia e Avenida Rio Branco, áreas centrais da cidade que também reúnem foliões.
A sujeira produzida pelos blocos, no entanto, supera a da Sapucaí se somado o pré-carnaval, que gerou 170 toneladas. Ainda não foi contabilizado o lixo recolhido nas ruas nesta Terça-Feira Gorda, e o número subirá ainda mais porque os blocos continuam a divertir os foliões até o próximo domingo.
A passagem das escolas de samba dos Grupos C, D e E pela Estrada Intendente Magalhães, na zona norte, gerou em três dias mais 19 toneladas, que foram recolhidas por 50 garis. (EcoDebate)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A população da Argentina em 2100

A população da Argentina era de 17,2 milhões de habitantes em 1950, cerca de um terço da população brasileira da época e passou para 40,4 milhões de habitantes em 2010, menos de um quarto da população brasileira. Portanto, a Argentina teve um crescimento demográfico mais lento do que o brasileiro. Para 2050, a estimativa é de 50,6 milhões na projeção média, devendo cair ligeiramente para 49,2 milhões de habitantes em 2100. No final do século XXI a população a argentina pode chegar a 80 milhões na hipótese alta ou 28,5 milhões na hipótese baixa.
A taxa de fecundidade total (TFT) da Argentina já era baixa, para os padrões latinos americanos, em 1950, sendo de 3,15 filhos por mulher em meados do século passado, passando para 2,25 filhos em 2010, acima da taxa brasileira que estava em 1,9 filhos por mulher. As estimativas médias indicam TFT de 1,85 filhos em 2050 e 1,94 em 2100. O número médio de nascimentos estava em 458 mil no quinquênio 1950-55 e chegaram a 691 mil nascimentos em 2005-10. A idade mediana era de 25,7 anos em 1950 e passou para 30,4 anos, mostrando que a Argentina tem uma estrutura etária mais envelhecida que a do Brasil.
A mortalidade infantil e a esperança de vida estavam em 1950-55, em 65,9 mortes para cada mil nascimentos e 62,5 anos, respectivamente. A mortalidade infantil caiu para 13,4 por mil e a esperança de vida subiu para 75,3 anos, no quinquênio 2005-10. Para 2100, estima-se uma mortalidade infantil de 3,3 por mil esperanças de vida de 85,6 anos. Os indicadores argentinos de saúde são melhores do que os indicadores brasileiros.
Em termos ambientais, a Argentina possui um grande superávit ambiental. Segundo o relatório Planeta Vivo, da WWF, a pegada ecológica per capita dos argentinos era de 2,71 hectares globais (gha), em 2008, mas possuía uma biocapacidade de 7,12 gha. A Argentina é um país que tem tudo para dar certo e para ser uma referência econômica, social e ambiental para o mundo. Mas ainda falta transformar o potencial em capacidade real. (EcoDebate)