domingo, 29 de novembro de 2015

Temperatura da Terra e as consequências catastróficas

Temperatura da Terra chega à metade do limite para consequências catastróficas
O ano de 2015 deverá ser o mais quente desde que há registos sistemáticos, com o termômetro global a ultrapassar um marco simbólico e preocupante. A temperatura média do planeta será 1ºC superior à da era pré-industrial, ou seja, metade do caminho até ao limite de 2ºC, acima do qual temem-se consequências catastróficas.
A alta nos termómetros é resultado do efeito dos gases com efeito de estufa, combinado com um fenómeno climático periódico – o El Niño – particularmente forte este ano.
Com bases nos dados de Janeiro a Outubro, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) diz que a temperatura média global este ano está já 0,73ºC acima da média de 1961-1990 e aproximadamente 1ºC acima dos valores de 1880-1899. Se a tendência se mantiver, será batido o recorde de 2014, que terminou com 0,69ºC acima da média de 1961-1990.
“São más notícias para o planeta”, afirma o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud, num comunicado divulgado no final de outubro/15.
A concentração atmosférica de CO2 – o principal gás que está aquecer o planeta – atingiu pela primeira vez uma valor regional de 400 partes por milhão (ppm) na Primavera passada, sobre o Hemisfério Norte. Este número simbólico já tinha sido atingido pontualmente nalgumas estações nos últimos anos, mas nunca se tinha mantido nesse nível durante alguns meses numa escala geográfica maior.
A isto, soma-se um forte El Niño – um fenómeno natural no qual o Pacífico aquece junto à costa Oeste da América do Sul, com efeitos diversos em várias partes do mundo – como secas, cheias e tempestades tropicais. Nos anos de El Niño, a temperatura média da Terra tende a subir. E prevê-se que o fenómeno de agora ainda se vá intensificar até ao final do ano, com consequências a serem sentidas até 2016.
O ano tem sido prolífico em eventos meteorológicos extremos. As temperaturas médias têm sido mais elevadas em várias partes do mundo. Na China, nunca houve um período de Janeiro a Outubro tão quente como agora.
A alta nos termômetros é resultado do efeito dos gases com efeito de estufa, combinado com o El Niño.
Muitos países enfrentaram ondas de calor. A OMM cita os casos da Índia, Paquistão e também da Europa, incluindo Portugal – que teve duas ondas de calor em Maio, numa das quais os termómetros chegaram aos 40ºC, um valor nunca antes atingido nesse mês no país.
Chuvas fortes e cheias afetaram o sul dos Estados Unidos, o México, a Bolívia e o sul do Brasil. O mesmo aconteceu no sul da Europa, no Malawi. Zimbabwe, Moçambique, Marrocos, Argélia e Tunísia.
Até agora, houve 84 ciclones tropicais – um valor que já está próximo da média mundial de 85 por ano.
Segundo a OMM, 2011-2015 foi o período de cinco anos mais quente desde que há registos.
O balanço da OMM surge a quatro dias do início de uma conferência decisiva da ONU, em Paris, onde deverá ser aprovado um novo tratado internacional para travar o aquecimento global. “As emissões de gases com efeito de estufa podem ser controladas. Temos o conhecimento e os instrumentos para agir. Temos uma escolha. As gerações futuras não”, refere Michel Jarraud.
Sobre a mesa das negociações estão compromissos assumidos por mais de uma centena e meia de países, mas que não serão suficientes para manter o aquecimento da Terra abaixo dos 2ºC até ao final do século.
Acima deste limite, temem-se consequências com as quais será muito mais difícil e oneroso lidar. Mas mesmo com 2ºC, algumas ilhas do Pacífico correm o risco de desaparecer do mapa. (ecodebate)

Outubro/15 bateu recordes de temperatura

Adivinhe só: o mês de outubro bateu recordes de temperatura
Você deve achar que o Observatório do Clima copia e cola esta notícia todo mês. Acredite: também não aguentamos mais repetir isto. Mas outubro de 2015 teve as temperaturas mais altas já registradas para o mês, desde 1880. A temperatura média do planeta foi 0,98°C maior que a média do século 20. Este valor supera o recorde registrado em outubro do ano passado em 0,2°C.
A NOAA (Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA) destaca temperaturas mais altas que o normal no norte e área central da América do Sul, na Austrália e nos Estados Unidos. No Japão e na Dinamarca, houve secas mais severas que o normal.
Outubro é o campeão entre os seis meses consecutivos de recorde mensal de temperatura global – 2015 teve oito desses meses. Este ano é, então, o mais quente já registrado. A média da temperatura global nos dez meses foi 0,86°C superior à média do século 20 – a maior para o período janeiro-outubro desde 1880. Nem tivemos tempo de nos recuperar do último recorde, que foi em 2014. A temperatura média este ano supera a registrada no mesmo período do ano passado em 0,12°C.
Outubro também registrou as mais altas médias de temperaturas oceânicas entre todos os 1.630 meses de registro. A extensão média do gelo do mar Ártico em outubro de 2015 também ficou 13,4% abaixo da média do período entre 1981 e 2010 – 643,7 quilômetros quadrados de gelo, a sexta menor medida para outubro desde que os registros começaram em 1979, de acordo com a análise do centro de dados norte-americano de neve e gelo, que utiliza dados da NOAA e da NASA. (observatoriodoclima)

2015 será o ano mais quente já registrado?

ONU alerta que 2015 pode ser o ano mais quente já registrado
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou em 25/11/15 que 2015 poderá ser o ano mais quente já registrado, com a temperatura média podendo passar do limite simbólico de aquecimento de 1ºC em relação à era pré-industrial (1880-1899).
“A tendência para 2015 indica que este ano será muito provavelmente o mais quente já registrado”, declarou a agência da ONU, sediada em Genebra, em relatório, adiantando que “a temperatura média na superfície do globo passará, sem dúvida, o limiar simbólico que constitui um aquecimento de 1ºC em relação à época pré-industrial”.
No documento, divulgado a uma semana da Conferência do Clima em Paris, a OMM indica que os anos de 2011 a 2015 representam o período de cinco anos mais quente da história, influenciado pelas alterações climáticas.
“O clima mundial em 2015 ficará como referência por uma série de razões”, declarou o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud.
Ele explicou que, além da questão da temperatura média à superfície, “as concentrações de gases de efeito de estufa atingiram novos picos: na primavera de 2015, pela primeira vez, o teor de gás carbônico na atmosfera ultrapassou 400 partes por milhão em uma média mundial”.
Jarraud afirmou que é possível limitar as emissões de gases de efeito estufa, que estão na origem das alterações climáticas. “Dispomos do conhecimento e dos instrumentos necessários para agir. Temos escolha, o que não será o caso das gerações futuras”, acrescentou. (ecodebate)

El Niño pode fortalecer raios

El Niño pode aumentar risco de acidentes com raios no verão
INPE desenvolveu nova cartilha de proteção contra raios após estudo sobre o impacto do fenômeno meteorológico no Brasil.
Vejam quais são!
O Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), desenvolveu uma cartilha detalhada de proteção contra raios, com base nas informações coletadas sobre as circunstâncias de morte por raio mais comuns. As recomendações devem ser seguidas durante as tempestades. Se possível, o melhor é sair da rua na hora de uma chuva forte com raios e trovoadas.
Elat divulgou uma pesquisa que mostra o impacto do El Niño sobre a ocorrência de tempestades no Sudeste durante o verão 2015/2016. Segundo a pesquisa, no próximo verão, a previsão é de um aumento na ocorrência de tempestades, em relação ao mesmo período do ano anterior.
“Ao cruzarmos esses percentuais de previsão com a densidade populacional, somos levados a pensar que o número de mortes por raios no próximo verão pode aumentar se não alertarmos adequadamente a população sobre os efeitos do El Niño”, disse o coordenador do Elat, Osmar Pinto Junior.
Os dados da Rede Brasileira de Detecção de Descargas Atmosféricas (BrasilDAT) do último trimestre (agosto, setembro e outubro), já sob o efeito do El Niño, confirmam essas tendências. De acordo com o coordenador do Elat, o aumento preocupa e parece indicar que não só a ocorrência de tempestades, como a intensidade delas, aumenta em decorrência do fenômeno climático.
Por essa razão, o Elat recomenda, durante as chuvas fortes com raios e trovoadas, dentro de casa, não se deve usar telefone com fio, evitar a proximidade de tomadas, canos, janelas e portas metálicas e não tocar equipamentos ligados à rede elétrica.
Se estiver na rua, deve procurar abrigo em carros não conversíveis, ônibus ou outros veículos metálicos não conversíveis; em moradias ou prédios, de preferência que possuam proteção contra raios ou em abrigos subterrâneos, tais como metros ou túneis.
Ao ar livre, evite segurar objetos metálicos longos (varas de pesca, tripés, tacos de golfe etc.), empinar pipas e aeromodelos com fio, andar a cavalo e ficar em contato com a água. Pequenas construções (tendas, barracos, celeiros), veículos sem cobertura e árvores oferecem risco e não protegem. Evite ficar no topo de morros, no alto de prédios, em áreas descampadas, em estacionamentos, próximo a cerca de arame ou embaixo de árvores isoladas.
Segundo o coordenador do Elat, Osmar Pinto Jr., os ciclones e furacões não tem relação com o El Niño no Brasil. (yahoo)

El Niño atinge alta recorde e riscos climáticos aumentam

Indicador do El Niño atinge alta recorde e riscos climáticos aumentam
Um importante indicador da força do El Niño alcançou uma máxima recorde, afirmou a agência meteorológica dos Estados Unidos, dando mais um sinal de que um padrão climático conhecido por causar secas extremas, tempestades e enchentes poderá se tornar um dos mais fortes já vistos.
O El Niño se desenvolve pelo aquecimento das águas na superfície do oceano Pacífico e sua força é medida ao comparar quão alta suas temperaturas são em relação a uma média de três meses.
Na semana encerrada em 16/11/15, as temperaturas na região central afetada do El Niño, que pega os dois lados do equador, estavam 3°C acima da média, afirmou a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, a NOAA, no seu último boletim.
Essa foi a maior leitura já feita em registro que vai até 1990, declarou o vice-diretor do Centro de Previsão do Clima da NOAA, Mike Halpert, por e-mail. A leitura mais alta até então era 2,8°C acima da média, feita em novembro de 1997.
No El Niño de 1997-98, chuvas fortes e enchentes resultaram em milhares de mortes, perdas de plantações e danos extensos à infraestrutura de Equador, Bolívia, Peru, Somália e Quênia. Na Indonésia, a seca relacionada ao fenômeno climático afetou plantações, e incêndios causaram danos ao meio ambiente.
As condições para que o El Niño ocorra normalmente alcançam o nível máximo entre outubro e janeiro, e então persistem por grande parte do primeiro trimestre.
Isso pode causar secas, ondas de calor e incêndios no sudeste da Ásia e Austrália, enquanto que no leste do Pacífico o fenômeno pode resultar em clima quente e chuvoso e enchentes.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) já disse que o El Niño deste ano é o maior em 15 anos e pode ganhar mais força.
Por causa das mudanças climáticas, ondas de calor podem ser ainda mais quentes e mais frequentes, e mais lugares podem ficar sob o risco de enchentes, disse o secretário-geral da organização, Michel Jarraud, em 16/11/15. (noticiasagricolas)

El Niño deve agravar a seca que atinge o semiárido

Força do El Niño deve agravar a seca que atinge o semiárido, diz Cemaden
Relatório divulgado em 18/11/15 aponta para cenário de poucas chuvas no Nordeste entre fevereiro e maio de 2016. Seca atinge 910 municípios e um milhão de propriedades da agricultura familiar.
Relatório divulgado em 18/11 pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden/MCTI) aponta para um cenário de poucas chuvas na região Nordeste entre fevereiro e maio de 2016, o que deve agravar os impactos da seca que atinge a região.
O Relatório da Situação Atual da Seca e Impactos no Semiárido do País também revela que choveu pouco nos últimos 90 dias, sobretudo, no Maranhão, sul da Bahia, e norte de Minas Gerais e Espírito Santo. Ainda que neste período sejam esperados índices pluviométricos mais baixos, nos últimos meses os acumulados foram abaixo da média. Segundo o Cemaden, a causa é o fenômeno El Niño, que está mais forte.
“A avaliação das condições climáticas de grande escala mostra que o fenômeno El Niño está presente, intenso e em franco desenvolvimento. Sob este condicionante, no trimestre novembro-dezembro de 2015 e janeiro de 2016, há chances mínimas de reverter o quadro crítico, apontado pelo indicador de risco agroclimático. Outra indicação decorrente deste cenário climático, altamente provável, é que já se pode inferir que a próxima estação chuvosa do norte do Nordeste (de fevereiro a maio de 2016) apresente condições de deficiência de precipitação”, diz o documento.
Cerca de um milhão de propriedades da agricultura familiar estão localizadas nas áreas afetadas pela seca, em 910 municípios. De acordo com o índice VSWI (sigla em inglês para Índice de Vegetação de Abastecimento de Água), indicador de seca agrícola, esses municípios apresentam pelo menos 50% de suas áreas agrícolas ou de pastagens em condições de déficit hídrico.
Monitoramento
De acordo com a Resolução Nº 13, de 22 de maio de 2014 do Ministério da Integração Nacional e, posteriormente, com o Decreto Presidencial Nº 8.472, de 22 de junho de 2015, o Cemaden/MCTI tem a responsabilidade de fornecer informações para as ações emergenciais adotadas pelo governo para mitigar os impactos da seca. Assim, além do monitoramento da seca, o Cemaden desenvolve um sistema de alerta de riscos de colapso de safras para a agricultura familiar do semiárido.
Monitoramento das condições hidrometeorologicas
Nos últimos 90 dias (10/ago a 08/nov) os acumulados de chuva foram inferiores a 30 mm em grande parte dos municípios localizados na área de atuação da SUDENE. Ainda que neste período sejam esperados índices pluviométricos mais baixos, nos últimos meses os acumulados foram abaixo da média.
Figura 1 - Avaliação das condições de seca para os últimos 90 dias (10 agosto a 08 de novembro de 2015)de acordo com o cálculo dos percentis dos dados de precipitação.
Regiões consideradas “Muito Secas” pela análise dos percentis de chuva se localizam na porção leste, nos Estados do Maranhão, sul da Bahia, norte dos Estados de Minas Gerais e Espirito Santo. Considerando o calendário de plantio para o Estado do Espírito Santo (out/nov) tais resultados já indicam risco de queda na produção agrícola da região. Destaca-se ainda que a região norte de Minas Gerais vem enfrentando déficit de precipitação há 4 anos consecutivos conforme descrito no relatório anterior (mês setembro).
Figura 2 - Risco agroclimático para o período de 07/11/2014 a 07/11/2015.
De acordo com a avaliação do risco agroclimático (balanço hídrico) para o período de 07/11/14 à 07/11/15 (avaliação anual), 115 municípios foram classificados com risco agroclimático MUITO ALTO e 190 como risco ALTO. A maior parte desses municípios está localizada nos Estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e norte da Bahia.
Figura 3 - Porcentagem do município impactado pela seca (Impacto em áreas de pastagens e agrícolas) nos meses outubro a novembro de 2015 de acordo com o índice VSWI.
De acordo com o índice VSWI, considerando os impactos da seca em áreas de atividades agrícolas e/ou pastagens, 910 municípios apresentaram pelo menos 50% de suas áreas impactadas pela seca. Tais áreas totalizam aproximadamente 50,5 milhões de hectares, onde estão incluídos cerca de 1 milhão de estabelecimentos de agricultura familiar.
Tabela 1. Avaliação da Extensão dos Impactos da seca
Previsão Climática Sazonal
Figura 4 – Previsão climática sazonal para NDJ/2015-16. Previsão expressa em termos de desvios das probabilidades climatológicas (33/33/33)
Os mais recentes indicadores atmosféricos e oceânicos mostram que o atual episódio de El Niño continua em franco desenvolvimento. O Indicador ONI (Oceanic Niño Index) do – Climate Prediction Center, da NOAA mostra que este episódio existe desde o trimestre FMA e vem se fortalecendo desde então.
A previsão por consenso do IRI-CPC (International Research Institute e Climate Prediction Center, ambos dos EUA) estima uma chance superior a 99% de que este episódio perdure até dezembro, e chance de 90% de duração até abril-maio. Portanto, as quadras chuvosas do semiárido serão influenciadas pelo fenômeno El Niño.
A previsão climática sazonal do MCTI para o trimestre NDJ/2015-16 prevê chuvas abaixo da média climatológica no extremo Norte e Nordeste do País. De acordo com a indicação das áreas (Fig. 7) todo o semiárido poderá potencialmente ser afetado.
Vale ressaltar que mesmo em anos de forte El Niño, como é o caso do presente episódio, podem ocorrer chuvas esporádicas e irregulares em sua distribuição espacial, porém, em geral os totais acumulados não superam a média climatológica.
Climatologicamente, o quadrimestre novembro a fevereiro, corresponde ao período chuvoso dos setores sul, central e noroeste da Bahia, além do extremo sul do Piauí. Dado que estes estados apresentam atualmente um quadro de déficit hídrico, o cenário climático atual implica que, nos próximos quatro meses, há chances mínimas de reverter o quadro crítico que o indicador de risco agroclimático mostra para alguns dos 120 municípios da Bahia, com mais de 50% de área impactada pelo déficit hídrico.
Tendências na escala de tempo subsazonal
Oscilações subsazonais
Nesta época do ano (novembro a janeiro) a Oscilação de Madden-Julian (OMJ) pode estar associada a eventos de precipitação no semiárido. Porém, após um período de grande atividade (final de junho e julho) a OMJ enfraqueceu, prevalecendo atualmente atividade de mais baixa frequência associada ao atual episódio de El Niño, i.e., chuva acima da média no Pacífico Central-Leste.
As previsões não indicam que a OMJ nas próximas 2 semanas. Dadas estas condições, a OMJ não deve ter um papel relevante em acentuar ou amenizar condições de chuva no NE do Brasil, especificamente a Bahia, que deve iniciar o seu período chuvoso (NDJF) nos próximos três meses (NDJ).
Previsão por conjuntos para os próximos 10 dias
A previsão por conjuntos do modelo Eta-CPTEC/INPE indica chances de chuvas que podem atingir até 100 mm nos próximos 10 dias, no semiárido de MG e ES, resultantes da atuação de sistema frontal.
Figura 5 - Previsão de precipitação acumulada (mm) nos próximos 10 dias emitida pelo do modelo numérico ETA/CPTEC/INPE. Esta previsão é resultado da média de um conjunto de 7 membros (7 previsões semelhantes em que a cada previsão é iniciada com o estado da atmosfera ligeiramente diferente).
Projeção para a segunda semana – 24 de novembro a 01 de dezembro
As previsões para a segunda semana indicam que, após a chuvas devidas aos sistema frontal atuando no semiárido de MG e ES, as condições atmosféricas favoráveis a ocorrência de precipitação tendem a se esvanecer. Desta forma caracteriza-se um período desfavorável para a ocorrência de chuvas no semiárido.
Figura 6 (Esq.) - Previsão de anomalia de precipitação no período 24 a 30 de novembro de 2015, pelo modelo de previsão por conjuntos do NCEP/NOAA. (Dir.) Previsão de anomalia de precipitação no período 25 de novembro a 01 de dezembro de 2015, pelo modelo de previsão por conjuntos do CPTEC/INPE. (ecodebate)

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Samarco na mira das prefeituras

Samarco não orienta prefeituras sobre perigos da lama
Moradores de cidades banhadas pelo rio manifestam preocupação com o fato de, passados 21 dias, não notaram melhorias.
Absurdo!
Prefeituras reclamam de falta de orientação da Samarco sobre lama de rejeitos.
Três semanas depois do rompimento da barragem de rejeitos de mineração da empresa Samarco, em Mariana (MG), ainda restam dúvidas sobre os riscos que as mais de 50 toneladas de lama representam para a saúde das populações atingidas e o meio ambiente ao longo de 850 quilômetros do Rio Doce, de Minas Gerais ao Espírito Santo.
Moradores de cidades banhadas pelo rio manifestam preocupação com o fato de, passados 21 dias, não conseguirem observar melhorias no cenário devastado. A lama continua descendo e a água permanece grossa e barrenta.
As três prefeituras mineiras procuradas pela Agência Brasil nesta semana, dos primeiros municípios atingidos pela onda de lama, informaram que até agora não receberam nenhuma informação formal da Samarco, empresa da Vale e da BHP responsável pela tragédia, sobre a composição dos rejeitos que mudaram a paisagem da região.
Uma dessas localidades é Belo Oriente, a cerca de 270 quilômetros (km) de Mariana. A cidade, de 10 mil habitantes, foi atingida pela lama em 8 de novembro, três dias após o rompimento da barragem. Desde então, a captação de água para abastecimento da população deixou de ser feita no Rio Doce. “Tivemos que interromper a captação no dia 8 e transferimos a captação para o Rio Santo Antônio”, contou Joel Souto, porta-voz da prefeitura.
Souto disse que há uma desconfiança muito grande da população em relação à água do Rio Doce, e que o prefeito da cidade também achou prudente esperar até “ter certeza” de que não há elementos tóxicos na água antes de retomar a captação.
“Não obstante a Copasa [Companhia de Saneamento de Minas Gerais], responsável pelo tratamento da água na região, e outros órgãos dizerem que não há metais pesados na água, há muita desconfiança. A Samarco não informou a ninguém quais os elementos químicos que estavam nos rejeitos. Queremos saber o que de fato estava lá. Ainda mais agora que sabemos que a Vale também estava enviando rejeitos para a barragem que se rompeu, fica essa incógnita no ar”.
A secretária de Administração da prefeitura de Tumiritinga - município com cerca de 6.600 habitantes a 370 km de Mariana -, Janine Vicente, disse que passa todos os dias pelo rio e que ainda não vê melhorias na aparência da água desde o dia em que a lama começou a chegar. Ela conta que a primeira água suja chegou à cidade no dia 8 por volta das 23h, a lama grossa começou a chegar no dia 9 à tarde e ainda continua descendo.
O que melhorou, segundo ela, foi o mau-cheiro que havia tomado conta da cidade com a enxurrada de lama. “O cheiro de podre era por causa dos peixes mortos”, relatou. “Antes de morrer, para tentar escapar da lama, os peixes nadavam para a margem do rio e morriam.” Segundo ela, milhares de peixes morreram. Muitos foram retirados pela própria comunidade.
Janine disse que outro transtorno causado pela lama foi a destruição do principal ponto turístico da cidade, uma praia de rio chamada Prainha do Jaó. “É nosso cartão de visita. É um ponto turístico na cidade, movimenta a economia, tem quiosques, pessoas da cidade e de fora frequentam a prainha nos fins de semana. Agora está cheia de lama”, lamenta.
De acordo com a secretária, a prefeitura ainda não tomou nenhuma medida para limpar a praia porque não está segura de quanto a lama é poluente e se precisa receber algum tratamento específico após ser retirada do local. “Falta informação, nenhum documento da Samarco foi enviado à prefeitura da cidade até o momento, dizendo como proceder.”
A primeira grande cidade atingida pela enxurrada de lama foi Governador Valadares. A lama de rejeitos chegou ao município de 280 mil habitantes no dia 9 de novembro, quatro dias após a catástrofe, causando transtorno à população que depende totalmente da água do rio para o abastecimento.
Para a secretária de Comunicação da prefeitura de Governador Valadares, Nagel Medeiros, a primeira semana após a chegada da lama foi caótica porque a cidade não estava preparada para lidar com o problema. “Não fomos avisados sobre como seria e nunca havíamos vivido uma situação parecida”. Segundo a assessora, a Samarco não apresentou um plano emergencial para a cidade. “Quem fez o plano emergencial de um dia para o outro fomos nós. Fomos atrás deles para implementar a solução, que no primeiro momento foi feita por meio de caminhões-pipa custeados pela mineradora.”
A secretária lembrou que o abastecimento foi precário na primeira semana. “A cidade é muito grande para ser atendida dessa forma. Foram dias muito difíceis”. Ela contou que alguns dias após a tragédia autoridades como a presidenta Dilma Rousseff e o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, foram à cidade e criaram um Comitê de Gerenciamento de Crise, envolvendo a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil das esferas municipais, estaduais e federal e o Exército, organizando a distribuição de água na cidade.
No dia 16 de novembro, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto, autarquia da prefeitura que faz o tratamento de recursos hídricos na cidade, voltou a captar água da Rio Doce. “Conseguimos um produto usado no Sul do país chamado “polímero de acácia negra”, que consegue separar a lama da água, fazendo a lama decantar com uma rapidez imensa. Foi por meio dessa tecnologia que voltamos a captar e tratar a água do Rio Doce”.
Nagel disse ainda que o sistema levou cinco dias para voltar a funcionar e agora o abastecimento está normal, mas garrafas de água mineral ainda estão sendo distribuída em diversos pontos da cidade.
Em 25/11/15 dois especialistas das Nações Unidas em direitos humanos - John Knox, relator especial na área de meio ambiente, e Baskut Tuncak, em substâncias e resíduos perigosos –, pediram ao governo brasileiro e às empresas envolvidas no rompimento da barragem em Mariana que tomem medidas imediatas para proteger o meio ambiente e as comunidades, que estariam em risco de exposição a substâncias que declaram ser “tóxicas”, apesar de os órgãos governamentais e a mineradora Samarco garantirem que o rejeito liberado é inerte.
Os relatores também sugeriram que as autoridades avaliem se as leis do Brasil para a mineração são consistentes com os padrões internacionais. “Incluindo o direito à informação”, destacou Baskut Tuncak.
Em 26/11/15 o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e a Agência Nacional de Águas divulgaram que nos testes com amostras de água e sedimentos, coletadas no Rio Doce entre os dias 14 e 18 de novembro, não há indicações de que a lama seja tóxica em relação a metais pesados.
De acordo com o CPRM, os resultados obtidos em mais de 40 coletas mostram alta turbidez, ou seja, grande quantidade de material em suspensão, muito acima dos valores observados na região na última medição, em 2010.
As análises do Serviço Geológico do Brasil também mostram redução significativa na quantidade de oxigênio dissolvido na água, o que pode explicar a morte de nove toneladas de peixes, retirados ao longo do Rio Doce, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).
Um dia após o rompimento da barragem, a Samarco disse, em nota, que a lama era composta “basicamente por sílica e água”. O presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, afirmou que os rejeitos liberados pela barragem não eram tóxicos e não teriam nenhuma consequência, além da destruição física causada pela onda de lama.
Procurada em 26/11/15 pela Agência Brasil, a mineradora informou que os resultados de análises feitas pela SGSGeosol Laboratórios a seu pedido também atestam que a lama não apresenta periculosidade às pessoas e ao meio ambiente e que não deixa contaminantes para a água, mesmo em condições de chuva.
Segundo a empresa, as amostras foram coletadas e 08/11/15 próximo ao local do acidente e analisadas conforme a norma brasileira.
A Samarco não respondeu à pergunta sobre qual é a composição exata da lama de rejeitos da Barragem de Fundão. A empresa informou que os testes mostraram que o rejeito coletado em Bento Rodrigues tem ferro e manganês “acima dos valores de referência da norma, mas abaixo dos valores considerados perigosos”, mas não disse a quantidade registrada desses elementos. (yahoo)

A demografia não é culpada pela atual crise brasileira

O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?
(Carlos Drummond de Andrade, 1902-1987)
A demografia não é culpada pela atual crise brasileira. Ao contrário, o Brasil vive o seu melhor decênio (2015-2024) demográfico da história… passada, presente e futura. Nunca nos 515 anos, desde a chegada do Cabral, a razão de dependência (RD) foi tão baixa. Porém, este período de bonança não vai durar para sempre. Após 2025 a RD subirá novamente, segundo as projeções do IBGE. Assim, a RD está no fundo do vale, pois os níveis eram mais elevados no passado e serão mais elevados no futuro.
A queda da razão de dependência ocorre devido à transição demográfica, que só acontece uma vez na história de cada país. Consequentemente, a baixa relação entre pessoas em idade de trabalhar e pessoas em “idade dependente” também só acontece uma vez na história, criando uma janela de oportunidade singular. Portanto, o bônus demográfico ocorre em função da mudança da estrutura etária da população. É um fenômeno único que acontece em função da passagem de uma estrutura etária jovem para uma estrutura etária envelhecida. Da mesma forma como uma pessoa passa somente uma vez de criança, para adolescente, para adulto e para idoso, a mudança da estrutura etária só acontece uma vez na história de cada país.
Ou seja, o Brasil está passando pelo melhor momento do seu bônus demográfico. O período exato depende da forma como se mede a razão de dependência (RD). Se adotarmos o período de idade produtiva como sendo de 15 a 59 anos e as idades dependentes como sendo de 0 a 14 anos e 60 anos e mais, então a RD estará em seu nível mais baixo (55,9%) entre 2015 e 2018 (lembrando que a pessoa idosa no Brasil é definida a partir dos 60 anos, conforme o Estatuto do Idoso). Se adotarmos a definição de população em idade ativa como sendo de 15 a 64 anos, então a RD estará em seu nível mais baixo (43,4%) entre os anos de 2021 e 2024.
Assim, o nível mais baixo da razão de dependência (RD) varia em função da definição de qual é a população em idade ativa e a população dependente. Mas qualquer que seja o critério adotado, a RD vai começar a subir inevitavelmente. Subirá ou em 2019 ou em 2025. Portanto, não dá para culpar o envelhecimento populacional pela crise econômica de 2015. Pode ser que o envelhecimento seja uma carga pesada no futuro (vai depender de como os idosos serão tratados e de como eles irão agir e reagir), mas por enquanto o Brasil ainda tem uma razão de dependência baixa e muito favorável.
Os noticiários mostram que o Brasil está no meio da maior crise econômica da sua história. Os institutos de pesquisa e os organismos internacionais (Cepal, FMI, OCDE, etc.) confirmam o péssimo desempenho do país. Mas isto nada tem a ver com a demografia e sim com os erros da política econômica, com o populismo social e cambial e com as condições políticas do presidencialismo de coalizão.
Os governos Lula e Dilma adotaram uma estratégia de crescimento baseado no aumento do consumo, sem se preocupar com o aumento da produtividade e pouco fazendo para aumentar as taxas agregadas de poupança e investimento. Para piorar a situação, estabeleceram uma taxa de câmbio sobrevalorizado enquanto os ciclos do boom das commodities permitiu. Até o ano de 2011 as exportações estavam crescendo e a competitividade do comércio internacional não preocupava tanto os gestores. O mercado de trabalho também estava avançando e aumentando as taxas de ocupação até 2012 (segundo a PME do IBGE). Os diferenciais de juros internos (spread) garantiam a entrada de capitais forâneos. O gasto público crescia muito, mas as receitas não estavam fazendo feio. A ampliação dos gastos sociais evitava uma rebelião entre a população mais pobre.
Todavia, este quadro relativamente tranquilo se transfigurou para uma situação crítica a partir de 2013. As manifestações de junho daquele ano já apontavam, consciente ou inconscientemente, para o descontentamento popular com o quadro macroeconômico do país. As taxas de atividade no mercado de trabalho começaram a declinar, embora o desemprego aberto não estivesse subindo. As contas públicas mostraram sinais de rápida deterioração. Os déficits em transações correntes subiram de forma alarmante. Para sustentar suas reservas cambiais, o governo passou a gastar fortunas com os swaps do Banco Central. A inflação escapou do centro da meta. O governo passou a gastar outros bilhões com as desonerações fiscais via BNDES (a chamada “Bolsa empresário”). O Eldorado do pré-sal virou “ouro de tolo”: primeiro quebrou o megalômico empresário Eike Batista, depois quebrou a Petrobras (a empresa mais endividada do mundo), vindo em seguida o desmonte de toda a cadeia produtiva e dependente dos combustíveis fósseis. O setor energético como um todo foi desorganizado e a manipulação das tarifas contribuiu para a inflação de 2015. Para piorar a conjuntura econômica, a operação Lava-Jato mostrou que o Brasil viveu nos últimos anos o maior escândalo de corrupção do mundo. Houve rebaixamento geral das expectativas de empresários, trabalhadores, investidores e do povo em geral.
Embora toda esta realidade tenha sido ocultada e fantasiada nas eleições do ano passado, a verdade crua e nua se impôs em 2015, com a deterioração completa das condições econômicas: aumento das dívidas interna e externa, aumento da inflação, diminuição do emprego, crescimento do desemprego, redução da renda das famílias, quebradeira generalizada, etc. O governo que prometia o paraíso passou a propor um duro ajuste fiscal. No começo de 2015 o ministro Joaquim Levy propunha um superávit primário de 1,2% do PIB, mas as estimativas de novembro são de um rombo no orçamento de mais de 1% do PIB, quando se incorpora as pedaladas fiscais de 2014. A crise política está inviabilizando soluções concretas. Ou seja, a situação está ruim, nada foi feito para remediar e vai piorar em 2016.
O Estado aumentou suas intervenções na economia, mas não melhorou a eficiência econômica e nem avançou consideravelmente com a infraestrutura, por exemplo, em estradas e portos. Foi proposto um programa de desburocratização, mas o Brasil continua um dos países mais complicados para a abertura de uma empresa (é mais fácil abrir uma igreja) e o sistema de impostos e taxas é complicado e caro. A carga tributária é uma das mais elevadas do mundo. A Copa do Mundo de 2014 serviu para construir “elefantes brancos” (como a arena Manaus) que tem pouca utilidade e geram custos elevados para manutenção. A transposição do rio São Francisco extrapolou todos os orçamentos e previsões, não foi concluída e o rio da “integração nacional” está secando por falta de políticas que cuidem de suas nascentes. Os rios da cidade do Rio de Janeiro e a Baia da Guanabara não foram despoluídos para as Olimpíadas de 2016. O rio Doce que já vinha sofrendo com décadas e séculos de degradação, desmatamento, poluição e esgoto, agora teve a sua sentença de morte declarada com o rompimento das barragens de rejeito da mineração da Samarco (subsidiária da VALE/BHP), no município de Mariana (MG). Toda a biodiversidade foi comprometida com a morte de milhões de peixes e outras espécies que não resistiram ao mar de lama.
O Brasil promoveu uma política keynesiana rastaquera e agora vive uma situação de déficit fiscal crônico. Setores do governo e do PT não conseguem fazer uma autocrítica e querem repetir os erros da “nova matriz macroeconômica”. As despesas públicas, inclusive com as altas taxas de juros, crescem muito mais rápido do que as receitas. O Brasil passou a fazer superávits crescentes na balança comercial, mas em função da grande queda das importações, devido à desvalorização do Real (que deixa toda a população mais pobre). É claro que a desaceleração da economia internacional e da China contribui para o péssimo desempenho das exportações brasileiras Investiu mais na indústria automobilística e no sonho do carro próprio do que no transporte coletivo. Mas a queda do desempenho brasileiro é maior do que a queda da maioria dos países e o Brasil perde participação relativa no comércio internacional. O Brasil privilegiou a construção de shoppings em vez de fábricas competitivas. O Brasil vem se desindustrializando rapidamente, com a reprimarização da economia. Houve endividamento das empresas nacionais em dólar e agora o Brasil está fragilizado diante de um possível aumento das taxas de juros americanas. O crescimento econômico foi endeusado como a grande solução para o país, mas tivemos “pibinhos” sucessivos e agora uma grande recessão. Melhor que tivesse tido um decrescimento próspero planejado (“Su recesión no es nuestro decrecimiento”).
A crise da previdência é real e o Brasil já gasta muito com o sistema de seguridade social. Mas isto não se deve ao aumento da razão de dependência demográfica. O problema deriva de um sistema muito generoso, sem o devido equilíbrio atuarial. A idade média de aposentadoria no Brasil é muito baixa e não existe uma idade mínima para evitar abusos. Além disto existem benefícios tais como aposentadorias vitalícias para determinados segmentos populacionais que não se justificam em um país com tantas desigualdades e exclusão social. Por exemplo, a União gastará R$ 3,8 bi com pagamento de pensões vitalícias a filhas de militares este ano. Governo e oposição evitam tratar do tema de uma reforma previdenciária séria e que mire o equilíbrio sustentável de longo prazo.
Houve ganhos recentes na redução da pobreza e na redução da desigualdade pessoal da renda. Mas não houve redução da desigualdade funcional da riqueza e a crise econômica está provocando uma mobilidade social descendente. O Brasil tem mais de 150 mil mortes por causas externas que poderiam ser evitadas, mas que provoca grandes transtornos para as famílias e a sociedade. Mas o Congresso Nacional busca flexibilizar o Estatuto do Desarmamento. O agronegócio avança com os bois sobre as florestas e os ecossistemas. A PEC 215 pretende transferir do Executivo para o Congresso o poder de demarcar terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação. Os parlamentares não querem aprimorar a Constituição, mas dar um golpe nela. Parlamentares tradicionalistas aprovaram em comissão especial da Câmara, o texto que define como família apenas o núcleo formado a partir da união entre um homem e uma mulher. A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 5.069/13, do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que modifica a Lei de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual (Lei 12.845/13), introduzindo a obrigatoriedade de registro de ocorrência e exame de corpo de delito para as vítimas de estupro. Assim a bancada BBB (Bala, Boi e Bíblia) quer fazer uma revolução regressiva e conservadora, além de serem contra os direitos sexuais e reprodutivos e a autonomia feminina. Em nome de combater o neomalthusianismo, a bancada BBB defende uma política pró-natalista antropocêntrica, conservadora e ecocida, que vai na contramão da história.
Neste triste quadro econômico e político, parece até piada quando alguém culpa a demografia, a queda da fecundidade e o envelhecimento populacional pela estagflação nacional atual. Na verdade os erros do gerenciamento da política macroeconômica dos últimos governos brasileiros estão provocando o fim precoce do bônus demográfico, com grande desperdício de pessoas não ocupadas e pessoas que estudaram mas não encontram uma colocação no mercado de trabalho. Há milhões de jovens que nem estudam e nem trabalham. O Brasil adotou uma “especialização regressiva” e fica cada vez mais dependente da exportação de recursos naturais (petróleo, minério, nióbio, etc, além de commodities do agronegócio). Nesta opção, os ecossistemas estão sendo destruídos, assim como os rios urbanos, o rio São Francisco, o rio Paraíba do Sul e nem se fala do rio Doce. Tudo isto está colocando em xeque as possibilidades de continuidade do desenvolvimento brasileiro. (ecodebate)

Impactos ambientais da lama da barragem no oceano

Pesquisadores avaliarão impactos ambientais da lama da barragem da Samarco no oceano
O navio de pesquisas Vital de Oliveira, comprado este ano pela Marinha, chegou em 24/11/15 à tarde em Vitória (ES) para reforçar as equipes que estão verificando os impactos da lama de rejeitos de mineração na fauna e na flora das áreas oceânicas atingidas em 22/11/15.
O pró-reitor de pesquisas da Ufes, Neyval Reis, diz que ainda é cedo para estimar os estragos ambientais, sociais e econômicos da lama que atingiu o oceano. 
A expectativa é que os equipamentos a bordo do navio, com previsão de atuar na foz do Rio Doce, no município de Linhares (ES), permitam a caracterização física, química, biológica e geológica da região nas próximas semanas.
Além dos pesquisadores da Marinha, o navio receberá técnicos do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo (IEAPM) e da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
O Vital vai se juntar amanhã a mais duas embarcações da Marinha que estão na região, a fragata Rademaker, que está a cerca de 18 quilômetros da costa da praia de Regência e aguarda os resultados de testes com coletas da água, e o rebocador de alto-mar Tridente, que chegou em 23/11/15.
O pró-reitor de pesquisas da Ufes, Neyval Reis, disse que ainda é cedo para estimar os estragos ambientais, sociais e econômicos da lama que atingiu o oceano. “Naquele primeiro momento após o acidente, emergencialmente, os nossos especialistas fizeram uma atividade de assessoria e apoio técnico aos órgãos que estão cuidando do problema. Agora estamos começando a ter algumas amostras coletadas pela própria universidade e vamos começar a fazer análises”, disse.
Reis informou que a Ufes oficializou hoje a criação de um grupo de 79 pesquisadores que vão atuar no caso. Eles foram divididos em três grupos. Um vai fazer o monitoramento ambiental e propor ações de remediação dos estragos e será composto por especialistas em engenharia ambiental, tratamento e qualidade da água, tratamento de resíduos, fauna e flora, oceanografia, entre outros.
O segundo grupo vai avaliar os impactos sociais do acidente e é composto por economistas, antropólogos, profissionais de saúde e especialistas em gestão pública. O terceiro grupo é de comunicação e gestão institucional e vai sistematizar as demandas e os resultados das pesquisas entre os órgãos e técnicos.
A mancha
A mineradora Samarco, que tem como acionistas a Vale do Rio Doce e a BHP Billiton, informou que prossegue usando 9 quilômetros de barreiras de contenção para proteger as áreas mais sensíveis do estuário localizado em Regência, distrito de Linhares (ES). A empresa disse, por meio de nota, que “a pluma de turbidez está a aproximadamente 12 km da boca do rio de Regência ao alto mar, cerca de 15 km da boca do rio ao Norte e 7 km para o Sul”.
Pesquisadores da Marinha atuarão em parceria com técnicos do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo e da Universidade Federal do Espírito Santo.
Ainda de acordo com a Samarco, no monitoramento da manhã de 24/11/15, a eficiência das barreiras instaladas nas áreas protegidas variou de 47% até 91%, se comparado a turbidez da água de dentro do estuário ao canal principal do rio.
Procurada pela Agência Brasil, a assessoria de imprensa da empresa disse que está cuidando do recolhimento das espécies mortas da fauna. A ação é uma demanda estabelecida pelo  Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) para evitar a geração de odor e a proliferação de vetores.
“Nos locais onde se identificou morte de peixes, uma empresa especializada, em conjunto com pescadores da região, está recolhendo as espécies, em atendimentos às determinações das autoridades competentes e armazenando-as em bombonas, para posterior destinação em local devidamente habilitado para recebê-los”, informaram, sem dizer quantos quilos de peixes já foram recolhidos.
A prefeitura de Linhares (ES) interditou as praias de Regência e Povoação após a chegada da lama do rompimento de barragem em Mariana (MG) no mar. A prefeitura espalhou placas ao longo das praias informando que a água está imprópria para o banho.
O rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG) em 05/11/15, liberou cerca de 62 milhões m3 de rejeitos de mineração no meio ambiente. (ecodebate)

Lama de MG pode destruir o mar

Lama vai causar morte de muitas espécies no mar
Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente, reconhece que lama vai causar morte de muitas espécies no mar.
Da lama ao caos.
Ministra reconhece que lama vai causar morte de muitas espécies no mar.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse em 23/11/15 que o esforço do governo é mitigar o impacto ambiental, mas reconheceu que muitas espécies de fauna vão morrer por causa da lama com rejeitos de minério que vazou do rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana (MG) em 05/11. A lama atingiu o mar em 22/11 e se espalhou por uma extensão de cerca de 10 quilômetros no litoral do Espírito Santo.
A ministra sobrevoou em 23/11 a área atingida pela lama na foz do Rio Doce e em parte do litoral capixaba e depois falou à imprensa:
“Amanhã chega aqui um barco de pesquisa da Marinha, em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo, exatamente para fazer os testes e avaliar. Mas, obviamente, teremos morte de fauna. Para isso, os biólogos estão monitorando e preparando os laudos”, disse Izabella Teixeira em Linhares (ES), após reunião com o governador Paulo Hartung, representantes de instituições da sociedade civil e demais instituições envolvidas.
Segundo a ministra, a lama não terminou de cruzar o Rio Doce e ainda não é possível estimar um prazo para o término desse processo: “Obviamente, tem as barreiras de contenção. Isso ajuda a minimizar o impacto na fauna, mas teremos impacto bastante expressivo. Tem ainda muita lama no leito do rio, a lama ainda está descendo. Eu determinei que o monitoramento seja de, no mínimo, entre 90 e 120 dias”.
Para Izabella, o cenário atual requer continuidade dos atendimentos emergenciais à população. A prefeitura de Linhares interditou as praias de Regência e Povoação após a chegada ao mar da lama. A população dessas localidades vive da pesca e do turismo e tem as atividades prejudicadas com a água barrenta que avança no mar.
“Conversamos com as autoridades sobre as medidas emergenciais para avisar as populações isoladas que vivem ao longo do Rio Doce ou os pescadores na foz do rio. Estamos notificando a empresa [Samarco] para que ela atenda essas populações de maneira articulada com o governo do estado e com o município”, afirmou a ministra. (yahoo)

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O Trilema da Sustentabilidade

“É impossível que esse modelo, tal como o conhecemos, mantenha de pé as três bases do tripé da sustentabilidade, que na verdade se transformou em um trilema” - (Martine e Alves, 2015)
Existe um mito que ronda o panorama internacional que é o conceito de desenvolvimento sustentável e o chamado tripé da sustentabilidade. Enquanto uma ideia um tanto quanto utópica, busca-se interpretar o desenvolvimento sustentável como sendo um processo de produção de bens e serviços “socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável”.
Mas na prática, o desenvolvimento sustentável não passa de um oxímoro e o tripé da sustentabilidade não é um tripé, mas um trilema. Trilema é um termo utilizado quando se tem uma proposição formada de três lemas contraditórios ou que reúnem uma escolha difícil entre três opções conflitantes.
O crescimento das atividades antrópicas está colocando cada vez mais pressão sobre o Planeta. Está ficando difícil conciliar crescimento econômico, bem-estar social e sustentabilidade ambiental. Aliás, está aumentando a ruptura entre os polos desse trilema. O pior é que quanto mais avança o modelo de produção e consumo hegemônico, maiores são os riscos globais de colapso, pois temos um “fluxo metabólico entrópico” que dissipa a energia e degrada o “capital natural” da Terra.
Ou seja, o “sistema de produção e consumo hegemônico” (capitalista de mercado ou capitalista de Estado) não consegue, ao mesmo tempo, ser socialmente justo e ambientalmente sustentável. Ou um ou outro. Por isto é impossível ao “modelo hegemônico”, tal como o conhecemos, manter de pé as três bases da sustentabilidade, que na verdade estão em constante conflito.
Até 2100 a população mundial deve atingir mais de 11 bilhões de habitantes. Se o “sistema econômico hegemônico” (modelo “Extrai-Produz-Descarta” com desigualdade social) conseguir incluir todas estas pessoas no padrão médio de consumo a demanda por recursos naturais será enorme e o impacto sobre a degradação do meio ambiente pode ser irreversível. Se a maioria destas pessoas ficarem de fora das “benesses” do capitalismo, haverá uma grande revolta social e uma grande disputa entre os povos do mundo, que vai fazer a crise migratória atual parecer um problema muito pequeno e quase insignificante.
O fato é que vivemos numa sociedade de risco que gera negatividades crescentes. É ilusão acreditar que a racionalidade e a tecnologia vão resolver todos os problemas. O sistema hegemônico só se sustenta em pé se atender os três pilares da sustentabilidade. Mas é praticamente impossível atender o tripé em um processo de continuo crescimento demoeconômico, em num Planeta finito. É preciso evitar a “orgia consumista”, nas palavras de Zygmunt Bauman, ou o “consumicídio” nas palavras de Josep Gali.
O desenvolvimento sustentável se tornou um oximoro e o tripé da sustentabilidade virou um trilema. A utopia dos ODS pode se transformar em distopia. Vejam os textos da REBEP que tratam deste assunto:
MARTINE, G. ALVES, JED. Economia, sociedade e meio ambiente no século 21: tripé ou trilema da sustentabilidade? R. bras. Est. Pop. Rebep, n. 32, v. 3, Rio de Janeiro, 2015 (em português e em inglês)
MARTINE, G. Reviving or interring global governance on sustainability? Sachs, the UN and the SDGs. R. bras. Est. Pop. Rebep, n. 32, v. 3, Rio de Janeiro, 2015 (ecodebate)

Sustentabilidade Ambiental - do uso na Internet ao conhecimento em classe

Sustentabilidade Ambiental – Do seu emprego na Internet ao conhecimento em sala de aula
Resumo
O tema sustentabilidade é frequente na mídia tradicional, principalmente no que refere à preservação ambiental e ao futuro da humanidade. Este trabalho objetivou avaliar o conhecimento do termo sustentabilidade ambiental por alunos do 3º ano do Ensino Médio em escolas pública e particulares além de discutir o conceito do termo e seu emprego na mídia internet aplicados questionários para duas turmas do 3º do Ensino Médio, sendo uma turma da escola pública e outra particular.
Durante o trabalho de revisão bibliográfica identificou-se os principais conceitos de desenvolvimento sustentável. O trabalho foi estruturado com base em pesquisa realizada no Google utilizando os termos sustentabilidade, Sustentabilidade social, sustentabilidade econômica e sustentabilidade ambiental. De maneira geral, observou em todos os termos pesquisados, que o conceito na maioria dos sites está relacionado ao marketing de empresas ou propagandas de cursos na área ambiental. Além disso, notou-se a falta de sites que possam ser usados como referências em trabalhos escolares. Sendo assim o Google não é indicado para pesquisa devendo optar pelo Google acadêmico e Scielo.
Palavras chave: Desenvolvimento sustentável. Google. Meio ambiente.
Introdução
A análise do conceito de sustentabilidade com o enfoque que conhecemos surgiu com a publicação do relatório de Brundtland (WCED,1987). No entanto, as primeiras discussões a cerca do tema, iniciou com o Clube de Roma em 1968 e sua proposta de crescimento zero (LIMA, 2006). De acordo com o relatório de Brundtland desenvolvimento sustentável é aquele que supre as necessidades das gerações atuais sem comprometer os recursos naturais das futuras gerações. Esse conceito enfatiza um dos princípios básicos da sustentabilidade, a visão em longo prazo. Desde a definição elaborada na Comissão de Brundtland vários conceitos surgiram, no entanto existem três dimensões comum em todas elas: econômica, ambiental e social (CLARO;CLARO DANNY; AMÂNCIO, 2008).
Este tema vem sendo cada vez mais abordado na mídia tradicional principalmente no que refere à preservação ambiental e ao futuro da humanidade. Jornais, TVs, rádios, blogs, sites, abrem espaço para discutir alternativas para alcançar o tão desejado desenvolvimento sustentável (VERISSIMO, 2011).
Neste sentido o presente trabalho tem o objetivo de discutir o conceito do termo sustentabilidade ambiental e como o mesmo está sendo empregada na mídia internet e por alunos do Ensino Médio, mais especificamente, do 3º ano.
Metodologia
Para verificar e obter dados sobre o conhecimento dos alunos sobre o termo sustentabilidade ambiental foi aplicado um questionário em duas escolas na cidade de Guanhães/MG, sendo uma pública e a outra particular a série escolhida foi o 3º ano do Ensino Médio por acreditar que nessa etapa os alunos estão mais maduros quanto ao termo, além de ser um tema frequente em provas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).
Para discutir sobre o emprego do termo “Sustentabilidade Ambiental” na internet, a pesquisa foi realizada de forma sistêmica, utilizando o maior site de busca da internet, o Google (NEVES, 2004).
Na primeira parte da pesquisa foi utilizada a palavra “sustentabilidade” com o intuito de coletar o número geral de sites relacionados. A partir daí a pesquisa foi refinada com palavras-chaves sugeridas pelo próprio site de busca, vistas abaixo:
a) sustentabilidade ambiental;
b) sustentabilidade social;
c) sustentabilidade econômica.
Foram analisadas as 5 primeiras páginas do Google, foram selecionados os 4 primeiros links, totalizando em 20 páginas acessadas para cada palavra-chave, totalizando 80 links.
Em cada link foi analisado se possuíam o conceito completo, uso social, marketing, e /ou uso escolar.
Os sites selecionados foram categorizados quanto à relação do conceito completo, quanto ao uso para marketing, quanto ao uso escolar e quanto ao uso social. Foi ainda feita uma análise qualitativa do conteúdo de cada site a fim de conferir se o mesmo pode ser usado como fonte para trabalhos acadêmicos.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
RESULTADOS DA PESQUISA NAS ESCOLAS
Figura 1 – Representação gráfica do resultado da pesquisa feita com alunos com alunos de escola pública e particular. Se já ouviu falar sobre o tema sustentabilidade ambiental?
Geralmente as escolas têm em seus currículos temas relacionados à sustentabilidade ambiental o que diferencia é a forma como este é abordado.
Os alunos que responderam sim na primeira pergunta deveriam indicar onde ouviram se, na escola, televisão ou internet, podendo marcar mais de uma opção.
Figura 2 – Representação gráfica do resultado da pesquisa com alunos de escola pública e particular sobre onde ouviram o termo sustentabilidade ambiental.
Para a pergunta sobre qual o principal site de pesquisa é utilizado pelos alunos, a resposta foi unânime, 100% responderam que pesquisam através do Google. Desta forma as demais ferramentas de busca (scielo, CAPES, Google acadêmico) não foram citadas.
Figura 3 – Representação gráfica do resultado da pesquisa com alunos de escola pública e particular sobre em que site pesquisar.
Quando pedido para descreverem de forma simples e resumida seu conceito do termo Sustentabilidade Ambiental, a maior parte dos alunos descreveu o conceito do termo sustentabilidade de forma errada, sendo 52,08% da pública e 45,45 % da particular 39,06% da pública e 27,27% da particular responderam de forma incompleta e 8,68% da pública e 27,27% da particular não descreveram (Figura 4).
Figura 4 – Representação gráfica do resultado da pesquisa com alunos de escola pública e particular sobre o conceito completo de sustentabilidade ambiental.
Na pesquisa obteve-se um número maior de alunos da escola pública do que da particular que responderam o conceito de forma errada, nota-se com a pesquisa que a maioria dos alunos da escola particular ouviram falar do tema sustentabilidade na escola enquanto os alunos da escola pública ouviram falar na mídia televisão, os conceitos quando divulgados nos meios de comunicação geralmente são voltados para marketing empresarial, conforme resultado de buscas abaixo, já os conceitos escolares são mais completos e corretos.
Resultado de buscas
Figura 5- Representação gráfica do resultado da pesquisa para o termo sustentabilidade.
Figura 6- Representação gráfica do resultado da pesquisa para o termo sustentabilidade social.
Figura 7- Representação gráfica do resultado da pesquisa para o termo sustentabilidade Econômica.
Figura 8- Representação gráfica do resultado da pesquisa para o termo sustentabilidade Ambiental.
De maneira geral, observou para todos os termos pesquisados, que na maioria dos sites, o conceito está relacionado ao marketing de empresas ou propagandas de cursos na área ambiental. Os sites atitudes sustentáveis e sua pesquisa foram os que mais apresentaram conceitos completos.
Veríssimo (2011) estudando o discurso da sustentabilidade nas redes sociais observou que, em oitenta das cento e doze comunidades pesquisadas, o termo estava relacionado com palavras como: verde, ambiental, pessoal, empresarial, conferência, reciclagem, planeta, natureza, eco, turismo, arquitetura, entre outros. E quarenta se basearam no Relatório de Brundltand, quinze comunidades defendiam uma mudança radical na relação homem natureza.
Considerações Finais
Pode-se concluir com este trabalho que sites de programas ambientais de empresas e propagandas de cursos na área ambiental são a maioria.
Ficou evidente a falta de sites que possam ser usados como referências em trabalhos escolares, ou seja, o Google não é indicado para este tipo de pesquisa devendo optar pelo Google Acadêmico ou Scielo.
Enfim, o termo sustentabilidade pode ser melhor trabalhado nas escolas, conscientizando os alunos da fundamental importância de conciliar desenvolvimento e qualidade de vida sem agredir o meio ambiente e comprometer o futuro da humanidade. (ecodebate)

Reutilização de sistemas de esgoto e o desenvolvimento sustentável

Reutilização de sistemas de esgoto contribui para desenvolvimento sustentável, diz relatório da ONU
Segundo relatório realizado em parceria com Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), água do esgoto pode irrigar a terra e servir como fertilizante; seu reaproveitamento pode fornecer energia elétrica por meio do biogás.
Falta de saneamento básico é um dos fatores para a propagação de doenças, como o cólera, no Haiti.
O Instituto Ambiental de Estocolmo e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) publicaram relatório destacando os benefícios da reutilização de recursos do esgoto, como geração de energia, fertilização de terras e irrigação.
Segundo a publicação, 330 km³ de esgoto produzidos mundialmente todo ano são suficientes para irrigar 40 milhões de hectares – ou 15% de toda terra irrigada no planeta. O reaproveitamento do esgoto também pode dar energia a 130 milhões de casas por meio do biogás.
O relatório enfatiza a importância de uma gestão de reaproveitamento do esgoto para o alcance mais rápido do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número seis, que pede a garantia de água e saneamento para todos até 2030.
O Banco Mundial calculou que o saneamento adequado na Índia, por exemplo, poderia economizar cerca de 54 bilhões de dólares anualmente por meio do corte de cuidados com a saúde e com o fornecimento de água. (ecodebate)

Cidades sustentáveis, agenda econômica, social e ambiental

Cidades sustentáveis precisam de agenda econômica, social e ambiental
Debatedores presentes em audiência pública interativa da Comissão Senado do Futuro ressaltaram que o conceito de cidade sustentável vai além do aspecto ambiental
O presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (CGEE), Mariano Francisco Laplane, afirmou que a agenda ambiental é extremamente importante na busca de uma cidade sustentável, mas deve estar atrelada com a sustentabilidade econômica e social.
— A qualidade de vida e moradia deve estar garantida, deve ser um espaço não de confronto, mas sim de reconciliação entre habitante urbano e natureza, ter distribuição equitativa entre serviços essenciais, impacto ecológico baixo e ser resistente a desastres naturais e econômicos — disse.
Segundo ele, uma cidade sustentável e inclusiva deve adequar a agenda de sustentabilidade nas três dimensões (ambiental, econômica e social) a realidades diferentes. Nas grandes metrópoles, a agenda deve procurar mitigar os desastres já produzidos e nas pequenas e médias cidades, a agenda deve buscar evitar que aconteçam.
— Há três dimensões quando pensamos em sustentabilidade e percorrer a escala da rede urbana brasileira tipificando seus problemas é o melhor ponto de partida que podemos ter para executar uma agenda de sustentabilidade na rede urbana — disse.
Mariano ainda destacou a importância de ser priorizada a participação social, já que, segundo ele, a verdadeira transformação das cidades deve partir de dentro para fora, dentro da própria sociedade.
O presidente da comissão, senador Wellington Fagundes (PR-MT), destacou a relevância do tema para o Brasil e para o mundo e afirmou que o assunto é continuo e dinâmico, não se esgotando em uma ou duas audiências. Para ele, não existe uma receita de bolo pronta para a cidade do futuro e as soluções devem vir adaptadas à realidade de cada cidade.
— Tornar uma cidade sustentável é torná-la mais humana, solidária justa e acolhedora. É integrá-la ao meio ambiente para que ela passe a fazer parte dele — disse.
Saneamento básico
Um novo modelo de gestão dos serviços de saneamento básico está entre as propostas de sustentabilidade apresentadas pelo professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília Oscar de Moraes Cordeiro Netto.
Oscar destacou a insustentabilidade das cidades brasileiras em relação ao tratamento de esgoto, ao uso da água é à gestão de resíduos sólidos urbanos. Segundo ele, apenas 12,5% dos lares brasileiros urbanos possuem um bom atendimento em esgotamento sanitário, 40% do que se coleta da água é desperdiçado e não é faturado pelos prestadores de serviço e existe uma ausência de informações e monitoramento sobre o que se produz de lixo.
— A gestão dos resíduos sólidos urbanos, na nossa região, já beira a insolvência. No Distrito Federal, temos o maior lixão da América Latina — lamentou.
Oscar de Moraes afirmou que o problema do saneamento não está nas leis ou regulamentos e sim na prática. Segundo ele, os governantes não dão prioridade para o tema, que é tratado de forma pulverizada.
O professor da UnB defendeu, entre outras propostas na busca de sustentabilidade, soluções descentralizadas para o tratamento de esgoto, incentivos maiores para reutilização de água, instrumentos fiscais para favorecer a reciclagem e reutilização dos resíduos sólidos a redução da perda de água e utilização de águas subterrâneas.
Cidades inteligentes
Tom Rebello, sócio da Cip/Intercon Consultoria Internacional disse que, a partir do século passado, as cidades importantes não são as mais populosas, mas sim as que começam a desenvolver a inteligência. Reballo explicou que a cidade inteligente não está nem um pouco ligada à questão de espaços conturbados, de pouca qualidade ambiental e dificuldade de mobilidade.
— Quando falamos das cidades inteligentes, não se trata apenas de tecnologia, mas qualidade do espaço, da mobilidade urbana e existência de locais onde as pessoas possam viver, trabalhar e se divertir se deslocando o mínimo possível — explicou.
Plano Plurianual
A gerente do Departamento de Zoneamento Territorial do Ministério do Meio Ambiente, Nazaré Lima Soares, afirmou que o Plano Plurianual 2016-2019 do ministério pretende explorar o zoneamento ambiental em escala municipal. Ele informou que está sendo feita uma agenda muito próxima com o Ministério das Cidades com o objetivo de identificar prioridades e aumentar o diálogo com a sociedade.
A gerente de Comunicação e Campanhas do Instituto Akatu, Gabriela Yamaguchi, ressaltou que o maior desafio em um debate como esse é a mudança de consciência dos consumidores voltada a novos estilos de vida. As mudanças radicais em políticas públicas e as mudanças tecnológicas visando novos paradigmas também foram medidas citadas por Gabriela como fundamentais na busca de uma cidade sustentável. (ecodebate)