sábado, 31 de março de 2012

Código Florestal aumentará produção de alimentos

Presidente da CNA defende novo Código Florestal para aumentar a produção sustentável de alimentos.
Em apresentação na Cúpula da Agricultura Sustentável do Financial Times, a senadora Kátia Abreu, abordou os avanços da agricultura sustentável no Brasil.
A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, destacou em 29/03/12, em Londres na Inglaterra, a importância do novo Código Florestal para o aumento da produção de alimentos de forma sustentável. Durante a Cúpula de Agricultura Sustentável, promovida pelo jornal Financial Times, a senadora afirmou que ”só o Brasil tem autoridade moral para dizer que é sustentável, porque se enquadra nos três pilares de sustentabilidade hoje defendidos pelos organismos internacionais: social, econômico e ambiental”.
“Somos a sexta economia do mundo, temos 56% da população na classe média e, do ponto de vista ambiental, temos 61% de preservação dos nossos biomas”, disse a senadora. “Isso mostra que o Brasil não descuida da questão social e tampouco da ambiental”, disse ela. Durante sua apresentação, a presidente da CNA ressaltou que o agronegócio no Brasil hoje representa 37% de todos os empregos no País, 22% do Produto Interno Bruto (PIB) e 37% de todas as exportações, sendo responsável pelo saldo positivo da balança comercial brasileira nos últimos 15 anos. Em seu discurso, ela também destacou a criação do programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), em que o Governo destinou quase US$ 2 bilhões em créditos com juros baixos para que os produtores recuperem as áreas degradadas.
A senadora Kátia Abreu ainda rebateu críticas de ONGs ambientais, que argumentam que o novo Código Florestal vai aumentar o desmatamento no Brasil e dar anistia a desmatadores. Ela salientou que a nova lei não contém nenhum artigo que preveja o aumento do desmatamento e, sobre a anistia, esclareceu que os produtores que quiserem ficar livres de suas multas serão obrigados a recuperar as áreas desmatadas. “Ou seja, não há perdão puro e simples. As multas serão convertidas em serviços de recuperação ambiental”, disse.
A presidente da CNA também salientou o amplo apoio dos parlamentares ao novo Código: ”A frente ambientalista possui 237 deputados, mas na votação da Câmara de Deputados, o Código Florestal foi aprovado com apenas 63 votos contrários e uma abstenção. Isso mostra que o projeto tem apoio até mesmo entre os ambientalistas”, disse. Segundo a senadora Kátia Abreu, a decisão pelo voto é exemplo da democracia que vive o Brasil e que o País quer continuar crescendo de forma sustentável. (noticiasagricolas)

Humanidade sustentável

Desenvolvimento sustentável significa atingir um crescimento econômico que seja amplamente compartilhado e que proteja os recursos vitais do planeta. Nossa economia mundial atual não é sustentável – mais de um bilhão de pessoas deixadas para trás pelo progresso econômico e o ambiente terrestre sofrendo danos resultantes da atividade humana. Um desenvolvimento sustentável exige a mobilização de novas tecnologias norteadas pelo compartilhamento de valores sociais.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou que o desenvolvimento sustentável está no topo da agenda mundial. Adentramos um período perigoso, em que uma população enorme e crescente, associada a com rápido crescimento econômico, agora ameaça produzir um impacto catastrófico no clima da Terra, na biodiversidade e no suprimento de água potável. Antropoceno é como os cientistas denominam esse novo período – em que os seres humanos tornaram-se os principais causadores de mutações físicas e biológicas na Terra.
O Painel de Sustentabilidade Mundial (PSM) do secretário-geral da ONU publicou um novo relatório que delineia um referencial para o desenvolvimento sustentável. O PSM corretamente observa que o desenvolvimento sustentável tem três vertentes: erradicar a pobreza extrema, garantir que a prosperidade seja compartilhada por todos, – mulheres, jovens e minorias -, e proteger o meio ambiente natural. Esses objetivos podem ser denominados pilares econômico, social e ambiental do desenvolvimento sustentável.
O PDM exortou os líderes mundiais a adotarem um novo conjunto de Metas de Desenvolvimento Sustentável (MDS) que ajudarão a moldar as políticas e ações mundiais após 2015, ano alvo das Metas de Desenvolvimento do Milénio (MDM). Considerando que o foco das Metas do Milênio é reduzir a pobreza extrema, as MDS deverão encontrar-se nos três pilares do desenvolvimento sustentável: erradicar a pobreza extrema, compartilhar os benefícios do desenvolvimento econômico entre toda a sociedade e proteger a Terra.
Uma coisa é definir as metas sustentáveis e outra alcançá-las. O problema pode ser percebido examinando um desafio crucial: as mudanças climáticas. Hoje, há sete bilhões de pessoas no planeta, e cada uma é responsável, em média, pela liberação um pouco superior a quatro toneladas de dióxido de carbono na atmosfera por ano. Esse CO2 é emitido quando queimamos carvão, petróleo e gás para produzir eletricidade, conduzir carros ou aquecer nossas casas. Ao todo, os seres humanos lançam cerca de 30 bilhões de toneladas de CO2 por ano na atmosfera, o suficiente para mudar acentuadamente o clima em poucas décadas.
Em 2050, provavelmente haverá mais de nove bilhões de pessoas na Terra. Se essas pessoas forem mais ricas do que as pessoas atualmente são (e, portanto, consumirem mais energia), o total mundial de emissões poderá dobrar ou mesmo triplicar. Esse é o grande dilema: precisamos emitir menos CO2, mas estamos, mundialmente, a caminho de poluir muito mais.
Precisamos nos preocupar com esse cenário porque a permanência em um caminho de crescentes emissões em escala mundial produzirá, certamente, estragos e sofrimento para bilhões de pessoas que serão atingidas por ondas de secas e calor, furacões e muito mais. Já experimentamos o início desse sofrimento nos últimos anos, com uma série de fomes devastadoras, inundações e outros desastres relacionados ao clima.
Então, como poderão as pessoas no mundo – especialmente os pobres – beneficiar-se de mais eletricidade e mais acesso a transportes modernos, mas de uma forma que salve o planeta em vez de destruí-lo? A verdade é que não poderão – a menos que melhoremos as tecnologias que usamos.
Precisamos usar energia com muito mais sabedoria, e ao mesmo tempo precisamos abandonar os combustíveis fósseis e adotar fontes de energia que emitem pouco carbono. Essas melhorias são possíveis e economicamente realistas.
Considere, por exemplo, a ineficiência energética de um automóvel. Nós atualmente movimentamos uma máquina que pesa entre 1 mil e 2 mil quilos para transportar uma ou duas pessoas, cada um pesando talvez 75 quilos. E fazemos isso usando um motor a combustão interna que aproveita apenas uma pequena parte da energia liberada pela queima da gasolina. A maior parte da energia é perdida na forma de calor.
Poderíamos, portanto, conseguir uma grande redução nas emissões de CO2 por meio da adoção de veículos pequenos e leves dotados de motores elétricos de alta eficiência alimentados por baterias carregadas a partir de uma fonte de energia de baixo carbono, como a energia solar. Ainda melhor: adotar veículos elétricos, em vez de continuar usando os atuais, nos permitiria aproveitar os mais avançados recursos de tecnologia da informação para tornar tais veículos inteligentes – suficientemente inteligentes para até mesmo possibilitar que se movimentem sozinhos usando sistemas avançados de processamento de dados e de posicionamento.
Os benefícios das tecnologias de informação e de comunicação podem ser observados em todas as áreas da atividade humana: melhor agricultura utilizando GPS e microdosagem de fertilizantes; fabricação de precisão; edifícios que sabem como consumir menos energia, e, claro, o poder transformador da internet. Recursos de banda larga móvel já estão conectando até mesmo as aldeias mais distantes na zona rural da África e da Índia, reduzindo assim significativamente a necessidade de viagens.
Movimentações bancárias são agora feitas por telefone, assim como uma diversidade crescente de diagnósticos médicos. Livros eletrônicos são transmitidos diretamente para dispositivos portáteis sem necessidade de livrarias, deslocamentos pessoais ou da celulose e do papel nos livros físicos. A educação também baseia-se cada vez mais na internet e em breve permitirá que alunos em toda parte recebam educação de primeira qualidade a um custo marginal quase zero para a inclusão de mais um aluno.
No entanto, para migrar de onde estamos até o desenvolvimento sustentável não dependerá apenas de tecnologia. Isso envolverá também incentivos de mercado, regras governamentais e apoio público à pesquisa e desenvolvimento. Mas ainda mais fundamental do que políticas de governança será o desafio dos valores. Precisamos compreender nosso destino comum e abraçar o desenvolvimento sustentável como um compromisso comum de decência para todos os seres humanos, hoje e no futuro. (EcoDebate)

Crítica ao modelo padrão de sustentabilidade

Crítica ao modelo padrão de sustentabilidade
Os documentos oficiais da ONU e também o atual rascunho para a Rio+20 encamparam o modelo padrão de desenvolvimento sustentável: deve ser economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente correto. É o famoso tripé chamado de Triple Botton Line (a linha das três pilastras), criado em 1990 pelo britânico John Elkington, fundador da ONG SustainAbility. Esse modelo não resiste a uma crítica séria.
Desenvolvimento economicamente viável: Na linguagem política dos governos e das empresas, desenvolvimento equivale ao Produto Interno Bruto (PIB). Ai da empresa e do país que não ostentem taxas positivas de crescimento anual! Entram em crise ou em recessão com consequente diminuição do consumo e geração de desemprego: no mundo dos negócios, o negócio é ganhar dinheiro, com o menor investimento possível, com a máxima rentabilidade possível, com a concorrência mais forte possível e no menor tempo possível.
Quando falamos aqui de desenvolvimento não é qualquer um, mas o realmente existente que é aquele industrialista/capitalista/consumista. Este é antropocêntrico, contraditório e equivocado. Explico-me.
É antropocêntrico pois está centrado somente no ser humano, como se não existisse a comunidade de vida (flora e fauna e outros organismos vivos) que também precisa da biosfera e demanda igualmente sustentabilidade. É contraditório, pois, desenvolvimento e sustentabilidade obedecem a lógicas que se contrapõem. O desenvolvimento realmente existente é linear, crescente, explora a natureza e privilegia a acumulação privada. É a economia política de viés capitalista. A categoria sustentabilidade, ao contrário, provém das ciências da vida e da ecologia, cuja lógica é circular e includente. Representa a tendência dos ecossisstemas ao equilíbrio dinâmico, à interdependência e à cooperação de todos com todos. Como se depreende: são lógicas que se auto-negam: uma privilegia o indivíduo, a outra o coletivo, uma enfatiza a competição, a outra a cooperação, uma a evolução do mais apto, a outra a co-evolução de todos interconectados.
É equivocado, porque alega que a pobreza é causa da degradação ecológica. Portanto: quanto menos pobreza, mais desenvolvimento sustentável haveria e menos degradação, o que é equivocado. Analisando, porém, criticamente, as causas reais da pobreza e da degradação da natureza, vê-se que resultam, não exclusiva, mas principalmente, do tipo de desenvolvimento praticado. É ele que produz degradação, pois delapida a natureza, paga baixos salários e gera assim pobreza.
A expressão desenvolvimento sustentável representa uma armadilha do sistema imperante: assume os termos da ecologia (sustentabilidade) para esvaziá-los. Assume o ideal da economia (crescimento) mascarando, a pobreza que ele mesmo produz.
Socialmente justo: se há uma coisa que o atual desenvolvimento industrial/capitalista não pode dizer de si mesmo é que seja socialmente justo. Se assim fosse não haveria 1,4 bilhões de famintos no mundo e a maioria das nações na pobreza. Fiquemos apenas com o caso do Brasil. O Atlas Social do Brasil de 2010 (IPEA) refere que cinco mil famílias controlam 46% do PIB. O governo repassa anualmente 125 bilhões de reais ao sistema financeiro para pagar com juros os empréstimos feitos e aplica apenas 40 bilhões para os programas sociais que beneficiam as grandes maiorias pobres Tudo isso denuncia a falsidade da retórica de um desenvolvimento socialmente justo, impossível dentro do atual paradigma econômico.
Ambientalmente correto: O atual tipo de desenvolvimento se faz movendo uma guerra irrefreável contra Gaia, arrancando dela tudo o que lhe for útil e objeto de lucro, especialmente, para aquelas minorias que controlam o processo. Em menos de quarenta anos, segundo o Índice Planeta Vivo da ONU (2010) a biodiversidade global sofreu uma queda de 30%. Apenas de 1998 para cá houve um salto de 35% nas emissões de gases de efeito estufa. Ao invés de falarmos nos limites do crescimento melhor faríamos falar nos limites da agressão à Terra.
Em conclusão, o modelo padrão de desenvolvimento que se quer sustentável, é retórico. Aqui e acolá se verificam avanços na produção de baixo carbono, na utilização de energias alternativas, no reflorestamento de regiões degradadas e na criação de melhores sumidouros de dejetos. Mas reparemos bem: tudo é realizado desde que não se afetem os lucros, nem se enfraqueça a competição. Aqui a utilização da expressão “desenvolvimento sustentável” possui uma significação política importante: representa uma maneira hábil de desviar a atenção para a mudança necessária de paradigma econômico se quisermos uma real sustentabilidade. Dentro do atual, a sustentabilidade é ou retórica ou localizada ou inexistente. (EcoDebate)

Soluções sustentáveis e as comunidades carentes

Projetos levam soluções sustentáveis a comunidades carentes
Instalação de lâmpada feita com garrafa PET (Projeto Santo Antônio – Embu)
Pelo segundo ano consecutivo, uma parceria entre o Laboratório de Sustentabilidade (LASSU) da Escola Politécnica (Poli) da USP, a Universidade Federal de São Carlos (USFCar) e o MIT D-Lab (Design Lab), do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), reuniu um grupo de estudantes na busca por soluções sustentáveis para problemas de comunidades carentes brasileiras. Em 2011, alunos dessas instituições já haviam realizado um trabalho semelhante.
Concentrando-se, em 2012, no estado de São Paulo, o time formado por aproximadamente 25 alunos de diversas áreas colocou a mão na massa, entre os dias 9 e 23 de janeiro, junto a moradores de periferias de Sorocaba e Embu das Artes, na tentativa de solucionar alguns de seus problemas mais urgentes. Divididos em três grupos em cada uma das cidades, eles tinham como objetivo desenvolver tecnologias apropriadas para o atendimento de necessidades das comunidades escolhidas, trabalhando junto aos moradores o sentido abrangente do princípio da sustentabilidade, um conceito sistêmico, relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais globais.
Orientados pela professora Tereza Cristina Carvalho, coordenadora do LASSU, os alunos e pesquisadores implementam essas ações utilizando materiais de baixo custo e recicláveis, facilmente encontrados na comunidade, como pneus velhos, plástico PVC, madeiras, baldes e canos.
Barreiras para contenção de enchentes (Projeto Novo Mundo, em Sorocaba)
Mãos à obra
Em Embu das Artes, os alunos se dividiram entre três ações. A primeira foi “entretenimento”. Após a análise inicial da área, o grupo identificou a necessidade de um centro cultural que reunisse crianças da região, acostumadas normalmente as brincadeiras de rua em regiões afastadas de onde moravam. Com um espaço cedido por uma ONG local, recursos vindos de uma cooperativa (Copermape), além da ajuda entidades religiosas e de um vereador da região, a equipe montou em apenas uma semana um espaço com biblioteca e brinquedoteca, abrindo também uma pequena sala para a prática de artesanato e para o recebimento futuro de computadores.
O segundo projeto foi ligado a “iluminação”. Sabendo que a comunidade que iriam ajudar não tinha acesso oficial a energia elétrica, o coletivo de estudantes encabeçado por Vinícius Romero, de engenharia industrial e Bruno Rossener, engenharia de produção, ambos da UFSCar, entendeu que deveria convencer a população de que utilizar o projeto pioneiro – implementado originalmente nas Filipinas – de garrafas plásticas usadas para captar a luz natural do sol era “um exemplo a ser seguido por essa e outras comunidades”, revela Romero. A ideia era simples: com materiais como placas de metal, misturas para vedação, garrafas pet, água e cloro seria possível iluminar ambientes sem a necessidade de eletricidade. Um furo deveria ser feito nas telhas para que a garrafa fosse encaixada e a luz do sol, refletida na mistura líquida seria suficiente para iluminar espaços pequenos com poucas janelas. Com a formulação de um panfleto sobre como a técnica poderia ser praticada pelos próprios moradores, os alunos solucionaram com criatividade parte do problema dos habitantes de Embu.
A terceira iniciativa foi em relação à drenagem. Com a intenção original de resolver a situação precária do piso das casas da região, os alunos André Mitsuoka, do curso de Ciência da Computação da UFSCar e Amelia Carver, estudante de graduação de Música e Composição no MIT, perceberam que nem sempre é possível atender às próprias expectativas durante o trabalho de campo. Com a ajuda dos colegas, a dupla formulou em sete dias um sistema de tubulações capaz de drenar a água dos pisos irreparáveis. “Era preciso pensar num jeito de jogar aquela água para fora das casas, num só lugar”, explica Amelia. Interconectado, o sistema de tubulações feito com a ajuda da comunidade e materiais disponíveis atenuou o problema das enchentes que assolavam os moradores dentro de suas próprias casas.
Final de semana da limpeza (Projeto Novo Mundo – Sorocaba)
Novo Mundo
Na periferia de Sorocaba, no bairro Novo Mundo, outros grupos utilizaram sua criatividade coletiva em três empreendimentos. A insegurança do caminho pelo qual alunos do ensino fundamental e médio tinham que transitar para chegar a escola foi encarada como prioritária. O aluno de Ciência da Computação na UFSCar, André Bonfatti, avaliou a necessidade de iluminação adequada e de limpeza da pequena passarela de terra que ficava intransitável em dias de chuva forte. Cavando um desvio calculado para água com a ajuda de crianças e adolescentes locais, o grupo conseguiu abrir caminho até a escola e garantir maior segurança para todos os que por ali passavam diariamente. Orientando os jovens voluntários sobre como fazer a manutenção da área, inclusive plantando grama nas margens do caminho para absorver o excesso de água, o grupo concluiu seu trabalho consciente de que havia muito a ser feito ainda.
O segundo projeto foi ligado a habitação. O crescente problema de enchentes não era apenas uma preocupação em Embu das Artes. Reduzir seus danos envolveria um trabalho conjunto dos alunos em duas frentes. A primeira envolvia diretamente habitação, pois exigia criar uma barreira física que impedisse córrego, que corria por entre as casas, de vazar e inundar as ruas. Com materiais do próprio entorno, os alunos de engenharia formularam uma maneira simples de elevar a terra ao redor do córrego. Com pedaços de bambu fincados na terra e pneus preenchidos com terra molhada, ergueu-se uma barreira que, atestadamente, foi capaz de proteger os moradores do avanço da água num dia de chuva forte.
A outra vertente foi o saneamento. Para que a barreira de pneus, bambu e terra funcionasse, seria necessário envolver a população num grande ato de limpeza das margens do córrego. A partir desse gesto, a comunidade pôde discutir a criação de uma associação de moradores para articular seus próprios interesses junto às instâncias políticas e econômicas de Novo Mundo. Entre o debate, a limpeza e a edificação da barreira, tanto os moradores quanto os estudantes puderam atribuir um novo significado à noção de engajamento que tinham antes da experiência.
Entre 9 e 23 de janeiro de 2012 cerca de 25 alunos do MIT/USA estiveram no país atuando em Sorocaba e Embu das Artes
Cientes de que o segredo da sustentabilidade de qualquer iniciativa está no envolvimento de seus participantes, os jovens creem no sucesso dessa e de outras iniciativas com objetivos similares no futuro. Com a esperança de continuar o projeto pelo terceiro ano em 2013, a professora Tereza acredita que o envolvimento de mais alunos de diversas universidades e da própria USP deve criar uma rede de parcerias cada vez mais sólida, para continuar disseminando práticas sustentáveis efetivas. (EcoDebate)

Empreendimentos ecologicamente sustentáveis

Brasil se destaca em empreendimentos ecologicamente sustentáveis
O Brasil é um dos países do mundo com o maior número de empreendimentos que podem receber o Selo Verde, uma certificação internacional de edifícios ecologicamente sustentáveis.
Foram avaliados 120 países, e o Brasil ficou em quarto lugar em número de prédios que podem receber a certificação, conhecida internacionalmente como Leed (Leadership in Energy and Environmental Design). A informação é da Agência Brasil.
Sustentabilidade ambiental
Apesar da colocação de destaque, apenas 1% do que é construído no País se encaixa no conceito de sustentabilidade ambiental. Segundo o gerente de relações institucionais e governamentais da Green Building Council Brasil, Felipe Farias, a demanda por construções sustentáveis no País não para de crescer, mas ainda existem desafios relacionados à falta de informação e preconceito.
Farias explica que existe uma forte crença de que as construções sustentáveis sejam muito mais custosas, o que, em muitos casos, não procede, sendo na realidade mais vantajosas. Investir em projetos verdes vale a pena, acredita Farias.
As indústrias de materiais de construção também estão fazendo parte desse desafio. Há bastante investimento desse setor para oferecer produtos de baixo impacto ambiental, ou seja, produtos como tintas com baixos compostos orgânicos voláteis, por exemplo.
Incentivos fiscais
No Rio de Janeiro o aumento de construções sustentáveis está ligado a incentivos fiscais e leis municipais. Segundo o presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro, Jorge Luiz Arraes, já foram aprovados 160 mil metros quadrados de projetos ambientalmente sustentáveis na região portuária, uma das regiões mais degradadas do centro da cidade.
A região passa por um processo de revitalização para a Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016, o chamado projeto Porto Maravilha. O projeto abrange 5 milhões de metros quadrados, além de diversas intervenções sociais e ambientais. (yahoo)

quinta-feira, 29 de março de 2012

Incentivo ao desperdício de água

COPASA: incentivo ao desperdício de água
Comemoramos no dia 22 de março o Dia Mundial da Água, criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1992 para promover discussões acerca da consciência do homem em relação a tal bem natural.
A preocupação surgiu através dos grandes índices de poluição ambiental do planeta, envolvendo a qualidade da água que consumimos. Na Declaração Universal dos Direitos da Água, criado pela ONU, dentre as principais abordagens destaca:
- Que devemos ser responsáveis com a economia de água, pois essa é condição essencial de vida;
- Que a água potável deve ser utilizada com economia, pois os recursos de tratamento são ainda lentos e escassos;
Com esse documento todas as pessoas são responsáveis pela qualidade da água, bem como pela sua manutenção, com exceção da concessionária de serviço público COPASA que atua na contramão dos fatos, contrariando a preocupação mundial atual, que busca pela crescente economia dos recursos hídricos.
A COPASA ao impor um consumo mínimo a todos os residentes de Minas Gerais, age como que autorizando o consumo mensal de 6 m³ por cada unidade. Em outras palavras, é como se a saneadora autorizasse o gasto mensal de 6.000 litros de água por cada economia. De fato, pode-se afirmar com segurança que todos os consumidores de Minas Gerais estão liberados a gastarem água, sem preocupação com contenções, até o limite de 6.000 litros mensais.
Imagine-se que uma sala comercial, consumindo cerca de 500 litros por mês, um consumidor poupador que logra êxito em alcançar a meta de 300 litros, um residente de favela que consome nada além de 200 litros, um abastado empresário que expende 5.000 litros mensais – todos estes cidadãos pagarão, por imposição despropositada, o mesmo volume mensal de 6.000 litros de água consumidos.
Isso quer dizer que o João pode lavar seu automóvel com maior frequência, que a Maria poder esquecer a torneira aberta do tanque sem se preocupar, que o Manoel está autorizado limpar a calçada do prédio com a mangueira diuturnamente, que o Eustáquio poderá trocar a água de sua piscina num menor espaço de tempo, enfim, há 6.000 litros à disposição de cada unidade consumidora, para serem utilizados livremente.
Essa praxe consumista viola alguns princípios constitucionais, como o da razoabilidade, da proporcionalidade e da isonomia, além de rechaçar a política das relações de consumo adotadas no país e afrontar as normas ambientais vigentes.
Indubitavelmente, essa política social às avessas penitencia a população de baixa renda. Com certeza, considerável será a reação das organizações ambientais quando atinarem para tamanho despautério! O Brasil decerto irá constar mais uma vez nos noticiários mundiais.
Pode-se enganar algumas pessoas todo o tempo; pode-se enganar todas as pessoas algum tempo; mas não se pode enganar todas as pessoas todo o tempo” (Abraham Lincoln). (EcoDebate)

1 quilo de carne = 15 mil litros de água

Para cada quilo de carne, são necessários 15 mil litros de água, diz FAO
São necessários 1.500 litros de água para gerar um quilo de grãos e dez vezes essa quantidade para produzir um quilo de carne, afirma a FAO, por ocasião das comemorações do Dia Mundial da Água.
“Este ano, o tema Água e segurança alimentar reforça a importância da água para a produção alimentar”. Segundo a FAO, para produzir alimentos suficientes para satisfazer as necessidades diárias de uma pessoa são necessários cerca de 3 mil litros de água. A população mundial, hoje em torno de 7 bilhões, deverá chegar a 9 bilhões até 2050.
“Se quisermos alimentar esta crescente população, é fundamental produzir mais alimentos utilizando menos água, reduzir perdas e desperdício e ter uma alimentação mais sustentável”, afirma Alan Bojanic, representante regional da FAO para América Latina e Caribe.
A agricultura utiliza 70% de toda a água disponível, comparado a 20% para a indústria e 10% para uso doméstico. “A água doce é um recurso renovável mas é finito. A população mundial cresce a cada ano e será cada vez mais difícil satisfazer as necessidades de todos se não melhorarmos a eficiência de sua utilização”, explica Bojanic.
Uma região rica em água
A América Latina é uma região rica em recursos hídricos: recebe quase 30% da precipitação mundial e possui uma quantidade de água por habitante muito acima da média do planeta: 28 mil metros cubicos por habitante ao ano.
A distribuição da água na região, no entanto, é muito desigual e sua disponibilidade está sujeita a grandes pressões.
Mudanças climáticas e escassez exigem uso inteligente
A crescente escassez de água em alguma regiões exige uma melhora da eficiência de seu uso para a produção de alimentos, por meio da implementação de técnicas para melhorar a irrigação e manter a umidade dos solos, a retenção e o armazenamento da água.
Com as mudanças climáticas, é necessária uma agricultura “de clima inteligente”, que incremente de modo sustentável a produtividade por meio da adoção de práticas de adaptação e uma melhor gestão dos riscos ambientais na produção de alimentos e na identificação e redução da vulnerabilidade a eventos extremos.
O número crescente de inundações e secas exigem maior atenção sobre a gestão das bacias hidrográficas, devido aos efeitos que os eventos climáticos podem ter sobre a segurança alimentar, levando a escassez de alimentos. (EcoDebate)

‘Sucesso contra a fome e a utilização da água’

‘Sucesso no combate à fome depende de melhor utilização da água’
Uma mulher caminha para o local de distribuição de água em Tora, norte de Darfur, 2009
O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou em 22/3 que a produção de alimentos suficientes para alimentar a crescente população mundial exigirá que comunidade internacional assegure o uso sustentável do “recurso finito mais importante” do mundo, a água.
“A menos que melhoremos a nossa capacidade de usar a água na agricultura, praticando-a com sensatez, não conseguiremos acabar com a fome e vamos abrir a porta a uma série de outros problemas, incluindo a seca, a fome e a instabilidade política”, alertou Ban em comunicado lido no início da cerimônia do Dia Mundial da Água 2012, na sede da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em Roma.
Em muitas partes do mundo, a escassez de água está aumentando e as taxas de crescimento na produção agrícola têm diminuído, observou. Ao mesmo tempo, as alterações climáticas agravam os riscos e imprevisibilidades para os agricultores, “especialmente para os agricultores pobres em países de baixo rendimento que são os mais vulneráveis e menos capazes de se adaptar”, afirmou Ban Ki-moon.
Garantir a segurança sustentável dos alimentos e da água para todos exigirá a transferência de tecnologias hídricas apropriadas, a capacitação de pequenos produtores alimentares e a conservação de serviços ambientais essenciais, afirmou o chefe da ONU. Também apelou para políticas que promovam os direitos de água para todos, uma capacidade regulamentar mais forte e a igualdade de gênero.
“A água vai desempenhar um papel central na criação do futuro que queremos”, observou Ban. “Na próxima reunião de Cúpula, a Rio +20, a comunidade internacional terá de fazer a conexão entre a segurança no acesso à água e a segurança alimentar e nutricional no contexto de uma economia verde”.
Todos os anos, no dia 22 de Março, 28 organizações das Nações Unidas celebram o Dia Mundial da Água, como forma de chamar a atenção do público para várias questões relacionadas à água e sobre a necessidade de gerir de forma sustentável os recursos de água doce.
A FAO é a principal agência da ONU para as comemorações do Dia da Água deste ano, que tem como tema “Água e segurança alimentar”. A agência da ONU para a Alimentação e a Agricultura está realizando uma série de palestras e debates de especialistas internacionais ao longo de todo o dia na sede da agência. (Assista ao evento em http://www.fao.org/webcast/).
Água par o futuro
Durante a sua intervenção, o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, afirmou: “Há vinte anos, a primeira reunião de cúpula no Rio destacou a importância vital de uma efetiva gestão da água na construção de um futuro sustentável e com segurança alimentar para o planeta. Apesar de muitos países terem feito grandes progressos na melhoria da sua gestão dos recursos hídricos, é necessário fazer muito mais.”
“Temos de responder às demandas agrícolas de uma maneira que economize a água e outros recursos naturais, o que implica uma intensificação sustentável da agricultura. Ela terá de ser capaz de produzir os alimentos de que o mundo precisa enquanto utiliza a água de forma mais inteligente, bem como uma mudança na nossa forma de comer, reduzindo as perdas, desperdícios e promovendo dietas saudáveis​​, acrescentou.
De acordo com Graziano da Silva, para isso, é necessário investir nas pessoas, em infraestrutura e na educação e sensibilização, além de incentivos para que os pequenos agricultores adotem melhores práticas – e reforçar a sua capacidade de melhorar a sua produtividade.
Aumentar a resiliência dos agricultores contra as alterações climáticas, melhorar a governança da água e criar instituições para melhorar a gestão das águas nacionais e regionais também são prioridades, afirmou.
“Também é necessário um consumo sustentável, que reduza as perdas, desperdícios e promova dietas sustentáveis”, acrescentou Graziano da Silva, citando estimativas da FAO de que 1,3 bilhões de toneladas de alimentos são desperdiçados todos os anos.
Uma redução de 50% nas perdas de alimentos e dos desperdícios em nível mundial pouparia 1.350 km3 de água por ano, segundo a FAO. A precipitação média anual na Espanha, por exemplo, é de 350 km3, a capacidade de armazenamento do lago Nasser no Egito e no Sudão é de cerca de 85 km3 e a água do rio Reno que passa na cidade de Bonn, no período de um ano, é de aproximadamente 60 km3.
Agricultura e segurança da água interligadas
Atualmente, cerca de 1,6 bilhão de pessoas vivem em países ou regiões com escassez absoluta de água e em 2025 dois terços da população mundial poderá viver em condições de ‘estresse’ hídrico.
Uma das principais razões para isso é a necessidade da utilização de água para produção de alimentos. Em média uma pessoa bebe de 2 a 4 litros de água por dia, mas são necessários de 2 mil a 5 mil litros de água para produzir a alimentação diária de uma pessoa. A agricultura é responsável por 70% da utilização de toda a água doce e subterrânea em todo o mundo.
O motivo é claro: regando, os agricultores podem produzir mais alimentos. A agricultura de irrigação é responsável por apenas 20% da área terrestre cultivada do planeta, mas produz 40% dos alimentos. (EcoDebate)

Água - elemento muito afetado pelo clima

Água é um dos elementos mais afetados pelas alterações climáticas, diz presidente da ANA
A água é o principal veículo afetado pelas alterações climáticas e o Pacto das Águas – documento firmado no 6º Fórum Mundial das Águas, na semana passada, em Marselha, na França – não tratou da questão devidamente. A declaração é do presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente de Andreu Guillo. Ele participou ontem (22), quando se comemora o Dia Mundial da Água, de audiência pública da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados.
“O principal veículo afetado pelas alterações climáticas é a água. O documento [Pacto das Águas] precisa tratar dessa questão. A construção de reservatórios, mesmo sendo tema polêmico, minimiza incidentes como alagamentos e garante a ‘reservação’ [da água, no sentido de formação de reservatórios] em períodos de seca. Nós estamos dependendo de que, nesse processo de reforma da organização das Nações Unidas, a água passe a ter também uma verticalidade e não apenas essa transversalidade”, disse.
O presidente da ANA disse que também é necessária a criação de fundos globais para o desenvolvimento de políticas mais igualitárias em todo o mundo. No caso brasileiro, além de questões pontuais, como a qualificação do saneamento dos municípios, ele aponta como fundamental o fortalecimento do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
A coordenadora da Rede das Águas, da organização não governamental SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, disse que o debate do capítulo 18 da Agenda 21, na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, tratou a água de forma cautelosa. “Se esse modelo proposto for colocado em prática, será o melhor modelo capaz de enfrentar as dificuldades da escassez. Sem sentarmos [à mesa, para discussão do tema] grandes usuários da água, como a agricultura, os municípios e os estados, será impossível fazer uma boa gestão da água”, ressaltou. (EcoDebate)

terça-feira, 27 de março de 2012

Dia da água: celebração ou preocupação?

Dia Mundial da água, 22 de Março – celebração ou preocupação?
Dia mundial em celebração à água. Instituído em 1992 pela ONU, teve o objetivo de chamar a atenção mundial ao consumo consciente deste bem vital a todos os organismos vivos deste planeta, porém, vem demonstrado que as mudanças necessárias foram bastante tímidas.
Há tempos, a ONU vem tentando enfrentar e alertar à população mundial a escassez da água. A Conferência das Nações Unidas para a Água em 1977, a Década Internacional de Abastecimento de Água Potável e Saneamento de 1981 a 1990, a Conferência Internacional sobre Água e Meio Ambiente e a Cúpula da Terra em 1992 e por ultimo, a instituição da Década Internacional de Ação, “Água para a Vida” de 2005 a 2015. Contudo, esta luta tem sido em vão.
Estima-se que um bilhão de pessoas, sendo 40% na África subsaariana, carece de acesso a um abastecimento de água suficiente, isto é, acesso a uma fonte que possa fornecer 20 litros/dia por pessoa a uma distância não superior a mil metros, tais como ligações domésticas, fontes públicas, fossos, poços e nascentes protegidos e a coleta de águas pluviais. Estes dados parecem superdimensionados se pensarmos que nosso planeta é composto de dois terços de água.
Ocorre que 97% desta água são de água salgada, imprópria para consumo ou aproveitamento agrícola e industrial. Dos 3% de água doce, 1,75% é gelo, 1,24% constituídos por rios ou aquíferos subterrâneos não disponíveis, sobrando míseros 0,007% para o consumo de aproximadamente 7 bilhões de pessoas. Pouco, não acham?
Estes 0,007% de água potável estão cada vez mais ameaçados pelo crescimento populacional – estima-se que em 2050 seremos 9 bilhões de habitantes – atividades agrícolas e industriais, bem como às alterações dos ciclos hidrológicos trazidas pela mudança climática. Destes que mencionei, creio que o mais grave é o superpovoamento, tendo em vista que, em regra, o ciclo hidrológico é fechado, fazendo com que permaneça a mesma quantidade de água disponível. Em 2030, vamos necessitar pelo menos 50% a mais de comida, 45% de energia e 30% de água.
O uso inadequado deste recurso também é fonte de grande preocupação, principalmente pela degradação da água pela poluição e a super exploração das reservas de águas subterrâneas. A cada dia, milhões de toneladas de esgoto tratado inadequadamente e resíduos agrícolas e industriais são despejados nas águas de todo o mundo, culminando com a morte de milhares de pessoas, mais do que de todas as formas de violência, incluindo a guerra. Precisa-se, por exemplo, entre 10 e 15 vezes mais água para produzir um quilo de carne do que um de trigo.
Segundo a UNESCO, nove países dividem cerca de 60% da água doce mundial. Em ordem por bilhões de metros cúbicos são: Brasil (6.220 bilhões), Rússia (4.059), Estados Unidos (3.760), Canadá (3.290), China (2.800), Indonésia (2.530), Índia (1.850), Colômbia (1.200), Peru (1.100). Por outro lado, existem países em situação muito precária como o Kuwait, Bahrain Malta, Gaza, Emirados Árabes, Líbia, Singapura, Jordânia, Israel e Chipre.
Já os grandes consumidores de água (somando todos seus usos) em km3 ao ano são: Índia (552), China (500), Estados Unidos (467), União Europeia (245), Paquistão (242) e Rússia (136). Outros usam menos de 10 litros de água por pessoa ao dia como Gâmbia (4.5), Mali (8), Somália (8.9) e Moçambique (9.3). Em contraste, o cidadão médio dos Estados Unidos usa 500 litros de água por dia, e a média britânica é de 200 litros.
Vejam que o Brasil, o maior detentor de água doce mundial, não figura nesta lista, enquanto o Paquistão que detém pouco recurso está na lista de grandes consumidores. Esta discrepância é a razão de conflitos internacionais como entre Israel e Jordânia, Turquia e Síria, China e Índia, Angola e Namíbia, Etiópia e Egito, Bangladesh e Índia, demonstrando a importância da disponibilidade deste bem fundamental.
O Brasil não fica longe deste cenário desolador. Apesar de ter a maior Bacia fluvial do mundo em razão do rio Amazonas, tem conflitos por escassez de água nas regiões Nordeste e Sudeste. O último Atlas Brasil - Abastecimento Urbano de Água, elaborado em 2011 pela Agência Nacional de Águas (ANA), reflete bem este cenário. Ele mostra que, somente na área urbana, dos 5.565 municípios brasileiros, 55% poderão ter déficit no abastecimento de água já em 2015 e que 84% das cidades necessitam de investimentos urgentes para adequação de seus sistemas produtores de água potável.
Certamente, como mencionado no meu ultimo artigo, este cenário se intensificará em razão da mudança do Código Florestal brasileiro, se aprovado, quando as áreas de preservação permanente de rios e regiões úmidas brasileiras serão deformadas.
Alegra-me, contudo, ter no Brasil uma legislação específica para seus recursos hídricos. A Lei 9433/97 criou a Política Nacional de Recursos Hídricos que reconhece a água como um bem de domínio público dotado de valor econômico e que priorizou o consumo humano e a dessedentação de animais em caso de escassez de água.
Objetivou a disponibilização sustentável deste recurso, a utilização racional e integrada dos recursos hídricos, incluindo o transporte aquaviário e a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos de origem natural ou decorrentes do uso inadequado dos recursos naturais. Possibilitou, ainda, a outorga dos direitos de uso de recursos hídricos, a cobrança pelo uso de recursos hídricos e a compensação a municípios pela sua utilização. Estes últimos são instrumentos fundamentais para racionalização deste recurso a serem supervisionados pela ANA e pelos conselhos das bacias hidrográficas brasileiras.
Percebe-se que há diversas ações direcionadas à preservação da água. Contudo, ainda não são suficientes. Estamos trilhando o caminho da escassez. Não há tempo mais para reflexão. Já passamos deste ponto. Urgem-se medidas para preservação e, principalmente, a conscientização mundial para o uso racional da água.
Ou mudamos ou morremos. (ambienteenergia)

Custo de uma barraginha

Custo de uma barraginha varia de R$ 80 a R$ 120
Com investimento mínimo, produtores do semiárido revertem situação de escassez de água em poucos anos.
O ciclo de chuvas no semiárido brasileiro dura cerca de três meses - a pluviosidade média é de 400 a 800 mm nesse período. A cada ciclo, uma barraginha vai encher de quatro a cinco vezes. A chuva, no semiárido, cai toda de uma vez.
Abundância de água viabiliza produção
Se você tem 600 mm de chuva em um ciclo, vão cair três pancadas fortes de 200mm. Isso provoca enchentes e a água é toda desperdiçada”, diz o Luciano Cordoval, da Embrapa. A ideia é não deixar uma gota se perder. Um produtor pode ter quantas barraginhas achar necessário.
Só no semiárido mineiro já existem 300 mil barraginhas, distribuídas em cerca de 500 municípios que abrangem 60% do Estado. O projeto também está disseminado em 30 municípios no Piauí e 50 no Ceará. Ao todo, já treinou mais de 100 mil produtores e 5 mil técnicos.
Desenvolvido em parceria com a Embrapa e a Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (Faped), o Barraginhas já teve patrocínio da Fundação Banco do Brasil (de 2004 a 2009). Desde 2008 é patrocinada pelo programa Desenvolvimento e Cidadania, da Petrobrás.
Custo baixo
O ponto alto do projeto é o baixo custo das barraginhas. Segundo Cordoval, uma barraginha custa entre R$ 80 e R$ 120 - que é o equivalente a uma hora de aluguel de uma máquina escavadeira.
Para a construção de 196 barraginhas que permitem a subsistência de 150 famílias da comunidade Fazendinha Pai José, na zona rural de Araçaí, na região central de Minas, foram gastos menos de R$ 24 mil.
A quantidade de barraginhas necessárias a cada área “depende do grau de erosão do terreno”, diz Cordoval.
Isso porque, segundo ele, áreas com maior incidência de enxurradas demandam mais represas, quantidade que vai sendo reduzida à medida que os terrenos ficam mais baixos. “Na parte baixa já se acumula a terra boa que desce com a enxurrada”, observou. Com isso, a necessidade de novas barraginhas é reduzida progressivamente, já que cada minirrepresa beneficia todo o terreno no entorno.
Além do gasto com a construção, as barraginhas consomem muito pouco, já que praticamente não precisam de manutenção. “Às vezes, depois de alguns anos, alguma pode assorear”, diz Cordoval.
Manutenção
Na Fazendinha Pai José, por exemplo, são três anos de trabalho. As 96 barraginhas construídas no primeiro ano, de acordo com o agrônomo, fizeram o nível das cisternas passar de 2 para 6 metros.
No segundo ano, mais 90 barraginhas e a água chegou a dez metros. Nesse período, poucas precisaram de manutenção. “Teve produtor que reclamou porque fazíamos cinco barraginhas em um lote e só duas no dele. Mas não sabia que as cinco também são dele. Porque a água vai melhorar o solo todo. Esse pessoal passou de uma situação de escassez para abundância de água”, afirmou Cordoval. (OESP)

Chuva que dura o ano inteiro

Projeto aproveita temporada de chuva forte no semiárido para criar mini barragens formadas pelas enxurradas, alimentando lençol freático e garantindo abundância de água no período de seca.
Em 1982, o agrônomo Luciano Cordoval teve um insight. Passava por uma área erodida em Janaúba, no semiárido mineiro, durante uma chuva forte, quando viu um fenômeno natural que lhe chamou atenção. “A chuva formou uma erosão que levou a terra e, quando isso aconteceu, formou-se uma mini barragem natural, com o assoreamento. Esse fenômeno barrou outra enxurrada que vinha na direção contrária, formando um laguinho.”
Fartura. Mini barragem em Araçaí, no semiárido de Minas Gerais
Ele explica que, no ato, relembrou o que tinha visto seis anos antes, em um treinamento sobre irrigação em Israel. “Veio tudo à tona. Na época, eu trabalhava na iniciativa privada. Fui lapidando a ideia e, dez anos depois, fui para a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa. Em 1993, o projeto estava maduro para ser colocado em prática no campo”, recorda.
O projeto se chama Barraginhas e já ganhou prêmios de norte a sul do País. A matéria-prima são as enxurradas e a premissa é muito simples: a chuva, no semiárido, é concentrada em determinados períodos. Quando cai sobre o solo muito seco, gera enxurradas, que escavam erosões. “O produtor nos mostra os locais, em sua propriedade, onde se formam esses redemoinhos”, explica Cordoval.
Nos pontos onde o fenômeno é mais violento, uma equipe treinada abre pequenas barragens, de 15 a 20 metros de diâmetro, com no máximo 2 metros de profundidade. A terra retirada vai para as laterais, formando um anel protetor que segura o lago.
“Quando chove forte, essas pequenas barragens vão reter a enxurrada. Em cinco a dez dias, a água vai infiltrar no solo. Dependendo do solo, demora até 15 dias. Essa água vai ser guardada no subsolo, no lençol freático”, explica Cordoval. “Dali a 10, 15 dias, vai chover de novo. Aí, a água da chuva anterior já infiltrou e abriu espaço.”
O processo eleva o nível do lençol freático, tanto que, depois de alguns anos, os produtores passam a ter outras possibilidades de geração de renda, como a construção de lagos impermeabilizados para criação de peixes.
Zezinho Brandão, morador do Vale do Jequitinhonha, conseguiu fazer lagos lonados para aproveitar a água farta e sustentar criatórios de peixes. Quando colheu a primeira safra de pescado, ele distribuiu para os vizinhos e até mandou para a filha, que mora em São Paulo.
“Mandei no isopor com gelo, de ônibus. Três dias depois, ela me ligou e disse: ‘Pai, comi peixes e ainda tem fresco na geladeira’. Já pensou, o Vale do Jequitinhonha, vale da miséria, mandando peixes para ‘Sum Paulo’?”
Abundância
História parecida conta o aposentado Geraldo Saldanha de Oliveira, de 60 anos, que há 15 comprou um lote de dois hectares de terra na comunidade Fazendinhas Pai José, na zona rural de Araçaí (MG).
Oliveira pouco sabia sobre o terreno e achou que realizaria o sonho de viver do que produzia na própria terra. Nascido em Conceição do Mato Dentro, na região central de Minas, estava acostumado à abundância de água por causa da profusão de nascentes e rios na área e nem imaginou que o terreno que acabava de comprar tinha o solo duro, seco e hostil à maioria das culturas que pretendia ter.
“Eu dei uma olhada no terreno, estranhei um pouco o solo (cheio de cascalho), mas não sabia que ia ser assim. Plantei cana e milho e buscava água em um córrego para jogar na lavoura. Mas, na mesma semana, já estava tudo seco de novo. Perdia tudo”, lembra.
Há cerca de três anos, ele começou a escavar barraginhas em seu terreno e em lotes próximos. Ele acaba de colher 350 quilos de feijão, outros tantos de milho, e mostra com orgulho o belo canavial. O feijão, além de encher a panela, reforça a aposentadoria. O milho, que também alimenta a família, é usado para engordar os porcos e vacas, enquanto a cana-de-açúcar é transformada em rapadura e vendida.
Além disso, ele ainda tem no terreno um pomar repleto de pés de banana, jabuticaba, abacate, manga e maracujá e uma horta onde colhe uma infinidade de verduras e legumes. A fartura é tanta que Oliveira vende parte da produção, toda feita sem agrotóxicos, para a prefeitura local, que faz merenda escolar com os alimentos. Do terreno seco e pedregoso, sobraram apenas alguns pés de pequi. “Era a única coisa que tinha na terra. E não gosto muito”, disse.
Hoje há tanta água na região que Oliveira, para “tirar o estresse”, como ele mesmo diz, vai para a beira do lago lonado que tem ao lado da casa e joga ração para um cardume de tilápias. “Fico calmo de novo.”
Particular
Enquanto as comunidades mais carentes se beneficiam do patrocínio das entidades que apoiam o projeto para escavar suas mini barragens, os produtores com mais recursos pagam por conta própria para tê-las em seus terrenos. O pecuarista André Valadares Cunha, de 39 anos, tem duas fazendas com cerca de 1 mil hectares e, nos últimos anos, construiu 300 barraginhas nas propriedades onde cria gado de corte. Sem as elas, o capim secava logo. Em parte do ano tinha de confinar 60% do gado para tratar no cocho (com ração).
Aumentava em até 80% o meu custo. Hoje, trato no máximo 20% do gado no cocho. O pasto dura mais e regenera mais rápido. E o gado precisa andar menos para beber, porque a água está ao lado, comemora.
O lençol freático ficou tão carregado que, quando o pecuarista tentou cavar novos reservatórios, eles se encheram na hora, mesmo em período de seca. “Agora, apareceu um olho d’água no meio do Cerrado. Vou fazer mais umas 20 (barraginhas) neste ano”, concluiu.
Escala
Embora o projeto se mostre muito indicado para pequenos e médios produtores, segundo especialistas, não é a solução mais indicada para os grandes fazendeiros.
“É claro que centenas de barraginhas podem melhorar a produtividade do agricultor, mas não dá para pensar nessa solução para grandes extensões de terra. Para os que trabalham com agricultura de subsistência, funciona”, opina o pesquisador da área de irrigação do Instituto Agronômico de Campinas, Emílio Sakai. (OESP)

Barraginha para captação de água de chuvas

Barraginhas para captação de água de chuvas, recuperação de áreas degradadas e regeneração de mananciais
A, B, C e D Fases da Mobilização
1) O desmatamento desorganizado no Brasil Central, acelerado a partir da década de 70 para produção de carvão vegetal e a conversão desses ecossistemas naturais em lavouras e pastagens, sem a utilização de tecnologias adequadas, resultou em danos irreparáveis ao meio ambiente, principalmente em relação à conservação da água e do solo, em particular na compactação do solo causada por patas de bois e por pneus de tratores. A consequência imediata foi a redução da taxa de infiltração da água no solo; iniciando o escorrimento superficial da água de chuvas, provocando erosão, principalmente do tipo laminar, que degrada e empobrece o solo, além de carrear assoreamento e poluentes aos rios, também provocando enchentes e diminuindo a sustentabilidade produtiva agrícola.
Visando reverter esse quadro, durante o ano de 1995, em Sete Lagoas-MG, com média pluviométrica de 1.350 mm, foi criada uma unidade demonstrativa numa propriedade de 70 ha na micro bacia do Ribeirão Paiol, onde foram construídas dispersamente 30 barraginhas contentoras de enxurradas, complementadas com curvas de nível, que contêm também fontes poluidoras veiculadas pelas águas, além de forçar a recarga das reservas subterrâneas pela elevação do lençol freático, armazenando água de boa qualidade na esponja porosa do solo através da infiltração, revitalizando mananciais e rios, e ainda, amenizando os efeitos das secas e veranicos em lavouras localizadas nas partes baixas das propriedades. Cada barraginha recarrega 80m3, de 10 a 15 vezes ao ano, transferindo um volume de 800 a 1200 m3 ao lençol freático, ao custo de R$0,03/m3 (três centavos cada m3 no primeiro ano), e R$0,01/m3 acumulados em 3 anos.
2) Em virtude do êxito dessa unidade, após veiculação na mídia, dias de campo, visitações etc, durante 2 anos, resultou num projeto piloto com a construção de 960 barraginhas (mini açudes) a baixo custo, durante o ano de 1998, em 50 pequenas propriedades, envolvendo toda a micro bacia do Ribeirão Paiol, na comunidade da Estiva, em Sete Lagoas-MG. Isso só foi possível graças à mobilização e conscientização dos produtores durante os eventos citados, resultando na aceitação desta tecnologia e gerando expectativas. Também foi importante a parceria entre a EMBRAPA, a Secretaria de Agricultura Municipal, a EMATER e a Secretaria Nacional de Recursos Hídricos e associação comunitária da Estiva.
Inicia-se uma demanda de visitações, ocorrendo 32 nos últimos 5.0 anos, “fase B de mobilização”, sempre após um primeiro contato que pode ser uma palestra ou reuniões, constituindo a “fase A”. Todas visitas (fase B), foram complementadas com treinamentos em suas comunidades, “fase C”, sendo possível cortar o cordão umbilical e a partir daí, caminharem com os próprios passos, dando início à “fase D”, é a da disseminação na própria comunidade e vizinhas, gerando filhotes. Nesta fase D, após 3 a 6 meses normalmente são realizados dias de campo comemorando a barraginha de numero 50, 100, 200 etc, sendo uma forma de manter contatos, mantendo viva a mobilização, ficando marcado um próximo evento daí há 6 meses para comemorar a 500, ou 1000, etc, normalmente em forma de seminários regionais. Neste estagio temos no ano de 2002 os municípios de Janaúba e Bocaiúva no semiárido Mineiro e Minas Novas no Jequitinhonha. Passaremos a abordar de agora em diante a mobilização de Minas Novas em suas fases A, B, C e D. Fase A, primeiros contatos, ocorreu em abril de 2001, a fase B, visita ao projeto Piloto em junho de 2001, a fase C, treinamento em novembro de 2001 e a fase D, que é a caminhada com os próprios passos, iniciou-se a partir de janeiro de 2002, fase esta que abordaremos com riqueza de detalhes.
3) Abordaremos os custos no município de Minas Novas no Vale do Jequitinhonha e o do programa em geral no Estado.
Em Minas Novas:
Coordenação: Secretário Municipal de Agricultura, com 20% de seu tempo, durante 10 meses = R$ 6.000,00
Técnico agrícola para diagnóstico, escolhas de locais para construção das barraginhas, com 100 % do tempo durante 10 meses = R$ 8.000,00
Veiculo de apoio durante os 10 meses, 9.600 km rodados = R$ 3.800,00
Operador de máquina por 10 meses = R$ 5.000,00
Depreciação de uma máquina de custo R$ 180.000,00, (recurso do orçamento participativo) em 10 anos = R$ 18.000,00.
Óleo diesel: 14.400 litros por ano - R$ 21.000,00/ ano (recurso do orçamento participativo).
Custo total = R$ 71.8000,00, correspondendo a R$ 287,20/ barraginha, ao ser rateado pelas 250 construídas em 2002.
No Estado, em geral:
Nas 34 atividades ocorridas em 2002, os custos aproximados são os seguintes:
34 viagens a custo médio de R$ 250,00/viagem, (hotéis, alimentação, combustíveis, diárias do motorista, material didático e outros, todos os custos cobertos pelas prefeituras locais= R$ 8.500,00).
Salários do autor e coordenador do projeto com 100% do tempo disponível = R$ 50.000.00/ano.
Outros apoios de colegas indiretamente: 5% de 4 pesquisadores = R$ 10.000,00/ano.
Da Embrapa, telefone, veículos, salas etc, = R$ 5.000,00.
Total aproximado de R$ 73.500,00/ano.
4) A estrutura física e de recursos humanos utilizados no projeto provêm das Secretarias de Agricultura dos municípios participantes e das agências da EMATER-MG, que acompanham o trabalho, bem como do centro de pesquisa da Embrapa em Sete Lagoas, que aloca técnicos especializados para elaborarem e orientarem a condução dos projetos.
Anexos ilustrativos:
5) Durante o ano de 2002 foram implantados no Estado de Minas Gerais 34 ações, sendo 12 palestras na fase A, em primeiros contatos, 8 visitas ao Piloto na fase B, e 8 treinamentos na fase C e 6 dias de campo na fase D; em todos as 34 ações houve palestras mobilizadoras.
Nos últimos 5 anos foram realizadas 120 palestras, iniciando-se a mobilização direta de mais de 6.000 reeditores na fase A, sendo 1.200 técnicos. Hoje, dispersamente o projeto soma acima de 25.000 barraginhas no Estado de Minas Gerais, destacando-se em torno de 10.000 na região pioneira de Sete Lagoas, 2.000 em Buritis, 500 em Janaúba, 250 em Minas Novas, 1.000 em Pitangui, dentre outras.
6) Ao assumir a prefeitura de Minas Novas em 2001, D. Telma, mulher e freira, contrata um assessor em planejamento para elaborar um programa baseado em orçamento participativo, após pesquisa nas principais comunidades, de um total de 120, onde 70% das pessoas ainda vivem na zona rural. Para surpresa, a prioridade número um foi a coleta de água das chuvas em açudes.
A fase A, primeiros contatos, efetivou-se em abril de 2001, com a vinda da D. Telma à Embrapa para conhecer o projeto piloto de “barraginhas”. A fase B ocorreu em junho e em novembro ocorreu o treinamento (fase C), onde foram construídas duas barraginhas demonstrativas, gerando expectativas e após o corte do cordão umbilical, a prefeita sentiu que seria uma grande frustração não partir logo para a prática, porque já chovia e queriam armazenar as enxurradas, mas não tinham máquina. Devido a coordenação ter portas abertas com a FIAT, conseguiu-se uma máquina por empréstimo por 3 meses, de junho a agosto de 2002, provocando a decolagem das barraginhas no município. Nesse período ocorreu a construção das primeiras 150 barraginhas mediante cobertura com recursos do orçamento participativo para custeio do óleo. Encerrado o empréstimo, D. Telma resolveu adquirir uma máquina com recursos próprios, devidos as proporções da mobilização e geração de expectativas, e esta construiu a barraginha de numero 151 no dia 26/08/2002, em um dia de campo festivo, na comunidade de São Bento.
Durante o ano de 2002 foram construídas 250 barraginhas, em média de 500 a 1.000 m3 de volume cada, atendendo as necessidades de água para animais, hortas e lavouras na parte inferior, aproveitando os merejos úmidos para sub-irrigá-las, e também para consumo humano. Além de proteger o solo, regenerando-o e enverdecendo-o e principalmente criando nessas pessoas confiança, ânimo e dignidade, para continuar a trabalhar o solo, esquecer a migração, criando nos filhos uma atmosfera sustentável, fortalecendo o apego e amor à terra e à convivência comunitária.
Cria-se também um clima de solidariedade, onde eles sentem que aos açudes das cabeceiras, de cima beneficiam os localizados no meio e os medianos beneficiarão os abaixo e, no final, todos ganham, criando uma teia, onde todos saem fortalecidos, principalmente pela revitalização dos mananciais.
7) Encerrada a fase C, de treinamento, as comunidades começam a caminhar por seu próprios passos, a construir suas barraginhas, a disseminar a ideia e plantar sementes e aí corta-se o cordão umbilical, mas os laços de comprometimentos são mantidos através de dias de campo festivos, onde as demonstrações da tecnologia exercitada serão apresentadas pelos técnicos ou líderes comunitários aos visitantes, para comemorar a barraginha 50, ou 100 etc., sendo uma forma de dar manutenção e realimentar a mobilização.
Em 1998 foi implantado o Projeto Piloto I, em Sete Lagoas, atualmente está sendo implantado o Projeto Piloto II em Janaúba, no Norte de Minas, com 500 barraginhas contentoras de enxurrada, em uma parceria entre a Embrapa/ANA/Prefeitura de Janaúba, e o Projeto Piloto III, para o Vale do Jequitinhonha, que nasceu naturalmente em Minas Novas, em 2002, e estima-se que sejam construídos acima de 1.000 reservatórios colheitadores de águas de chuvas no município nos próximos dois anos.
O projeto de Minas Novas tem dados imensuráveis como: ao furar uma cacimba na parte inferior do lago e coletar água de boa qualidade, estão sendo evitadas caminhadas de 3 a 5 km de mulheres e crianças, para trazer água de qualidade duvidosa, ao garantir também hortaliças e lavouras nos baixios, em que o binômio “água e alimentos” garante saúde e sustentabilidade, eliminando-se as filas nos hospitais, liberando médicos e leitos hospitalares.
O projeto nunca se encerra, pois o exercício sistemático da consciência ambiental, a simplicidade, a clareza, o baixo custo e o alto benefício incentivam sempre estar fazendo mais tanques, coletando a água onde ela cai, sem deixá-la escorrer, cicatrizando-se as erosões do solo, regenerando e enverdecendo. Este somatório cria ânimo e confiança e as pessoas se abrem para receber novos ensinamentos e tecnologias.
8) Os itens 6 a 8 são os pontos fortes deste projeto, por serem soluções simples, criativas, de fácil execução e de baixíssimo custo, também por terem efeitos rápidos, dois meses após iniciadas as chuvas já são notados os seus efeitos, contagiando técnicos, prefeitos e comunidades, integrando parceiros e consolidando comprometimento. Também cria empregos, toda família trabalha e tem ingressos, como também ocorrem reflexos positivos no abastecimento de água para a cidade, pois as
águas oriundas destes vales terão poucos gastos com tratamentos; por isso, este projeto deve ser olhado com bons olhos pela sociedade urbana, pois ela também é uma beneficiária indireta sendo até possível excluir a palavra apagão de seu vocabulário, se ela apoiar ações nesse sentido.
Retornando de Kyoto no dia 25 de março último, onde participamos do 3º Forum Mundial da Água, trazendo muitas ideias, mais ânimo, muitos contatos e portas abertas, destacamos algumas frases que vimos: “Tank is Bank” (Nova Zelândia), “Water, Romance e Tradition” (Índia), “Rain falls on our land, it is ours” (Austrália). Estas expressões têm o mesmo sentido da analogia do namoro à moda antiga, a qual praticamos em nossas palestras sobre as quatro fases da mobilização: Fase A: primeiros passos seria o “pegar na mão”;
Fase B: visitas aos pilotos, o ”primeiro beijo”;
Fase C: treinamento, o “noivado” e a
Fase D, comemoração em dias de campo, o “casamento”. A fase D, contínua com atividades periódicas, para manter acesa a chama da manutenção e comprometimento, tornando longa e atraente a lua de mel. Assim, temos hoje acima de 6.000 reeditores, sendo 1.200 técnicos, frutos de diversas ações e mais de 120 palestras nos últimos 5 anos. Isto não é sonho, estamos hoje presentes em 32 municípios, em várias fases, e durante o ano de 2002 treinamos os 225 técnicos da extensão rural (EMATER) do vale do São Francisco Mineiro, para nivelar e falar a mesma linguagem da captação da água de chuvas e do sistema barraginhas. (multiplycontent)

Barraginhas e lagos garantem água

Barraginhas e lagos garantem água em propriedades rurais
A integração de barraginhas e lagos de múltiplo uso permite aumentar a disponibilidade de água nas propriedades rurais. O uso complementar das duas tecnologias sociais propicia aos agricultores amenizar problemas causados por estiagens e ter reservatórios para irrigação, abastecimento ou criação de peixes. Este é o tema do programa Prosa Rural que tem a participação do engenheiro agrônomo da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas/MG), Luciano Cordoval.
O sistema de barraginhas consiste em construção de mini açudes em áreas de pastagens, lavouras e beiras de estradas. Essas covas de captação de água de chuva ficam distribuídas na propriedade de modo que retenham as enxurradas, evitando erosões e amenizando enchentes. O sistema ajuda a aproveitar, de forma eficiente, a água das chuvas irregulares e intensas. Ao barrar as enxurradas, as barraginhas darão tempo para que a água se infiltre no solo, recarregando o lençol freático. Por sua vez, a recarga do lençol freático abastece os mananciais, permitindo a revitalização de córregos; eleva o nível de cisternas e umedece o solo, podendo proporcionar o aparecimento de minadouros.
O aproveitamento da maior quantidade de água disponível na propriedade pode se dar com o abastecimento de pequenos lagos. O produtor pode construir, a baixo custo, lagos que são impermeabilizados com lona plástica e podem ser usados conforme as necessidades locais. Podem servir como reservatórios para abastecimento, irrigação ou ainda como criatórios de peixes.
A integração das barraginhas e lagos de múltiplo uso já tem tornado realidade o sonho de pequenos produtores na comunidade Fazendinha Pai José, município de Araçaí (região Central de Minas Gerais). Na localidade existem 111 chácaras de dois hectares cada. Os proprietários, em sua maioria aposentados de pequeno poder aquisitivo, alimentavam um antigo desejo: ter um pequeno lago e criar peixes.
"A limitação era a água, de difícil acesso", explica o engenheiro agrônomo da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG), Luciano Cordoval. Com a construção de 96 barraginhas para captação de enxurradas na comunidade, o nível de água das cisternas que era, em média, de quatro metros aumentou para mais de dez metros, como conta um dos moradores, Dimas Marques Sobrinho. "Dá para tirar uns seis mil litros por dia. Em todo canto onde fez barraginha, tem água demais agora".
A partir daí, os produtores construíram pequenos lagos lonados, que são abastecidos com água bombeada das cisternas e iniciaram a criação de peixes. A iniciativa tem trazido muita satisfação aos produtores, como Giovani Vicente. "O sonho que eu tinha quando comprei esse terreno era adquirir um poço", diz, satisfeito. A realização é uma terapia, conforme explica outro morador, Geraldo de Souza: "isso aqui é o 'tira-estresse'. Você está cansado, nervoso, preocupado, vem pra cá e fica jogando ração para os peixes. Volta pra casa e acabou o estresse". A água ainda é suficiente para irrigar horta e dar de beber aos animais.
Luciano Cordoval diz que a experiência da integração entre barraginhas e lagos abastecidos por cisternas pode ser replicada em toda região de latossolo vermelho e amarelo, que é poroso e predomina no Brasil Central. O modelo pode ser adotado com um pequeno investimento. "Na Fazendinha Pai José, foram feitos mini lagos de 14 metros de diâmetro, por 1,2 metros de profundidade, gastando quatro horas de máquina tipo pá carregadeira e mais 30 metros de lona de 8 metros de largura. O custo fica em torno de 500 reais por lago", conta o engenheiro agrônomo. (noticiasagricolas)

domingo, 25 de março de 2012

Monitorar os oceanos é urgente

José Henrique Muelbert é coordenador do painel para a implementação do Sistema Global de Observação dos Oceanos (Goos, na sigla em inglês), uma rede mundial de monitoramento de oceanos apoiada por vários organismos internacionais. Ele afirma que o mundo precisa urgentemente monitorar parâmetros como a temperatura e a quantidade de nutrientes e oxigênio dos mares, para dar respostas e prestar serviços à sociedade. "Monitorar a temperatura dos oceanos, por exemplo, ajuda na previsão de ciclones e eventos extremos. Não é diletantismo científico", brinca.
A acidificação parece ser a bola da vez na discussão sobre oceanos. Por quê?
A acidificação está ocorrendo em resposta ao aumento da pressão de gás carbônico na atmosfera. Ele acaba sendo incorporado aos oceanos e vai alterar o balanço dos carbonatos dentro do sistema aquático. Isso deixa o pH mais ácido e atua diretamente sobre os organismos que têm carbonato de cálcio em sua formação.
Temos estudos em série sobre isso? Temos ideia do tempo que esse fenômeno vai demorar para fazer efeito sobre estes organismos?
Existem estudos de laboratório mostrando o efeito da descalcificação nos organismos. Agora, projetar esses estudos para o ambiente é complicado, porque estudamos um organismo que já cresceu, que já viveu. Seria preciso acompanhar esse organismo no ciclo de vida dele. Isso significa observar uma ostra, por exemplo, por cinco, seis anos. Então, fazer esse tipo de projeção é muito complicado. Temos de conhecer bem os limites de tolerância das espécies. Há algumas que toleram maior amplitude de variação de pH, enquanto outras são mais sensíveis e afetados por pequenas modificações. Outra coisa que não conhecemos bem é a taxa com que essa modificação está ocorrendo. Há uma série medida no Havaí, por dez anos, que uma ideia, mas não sabemos se isso acontece em todos os oceanos, ou se é relativo apenas àquele ecossistema. Por isso, na Rio+20, uma das coisas que está sendo articulada é um sistema global de observação dos oceanos.
Esse sistema teria de ser do mesmo naipe do monitoramento atmosférico?
Precisamos urgentemente observar vários parâmetros. Saber, por exemplo, como os nutrientes estão mudando ao longo dos oceanos. Existem maior produção e transporte de nitrogenados, de fosfatados nas zonas costeiras, que estão afetando as águas, criando mais zonas mortas; precisamos monitorar o oxigênio relacionado com essas zonas mortas e a transmissão da luz dentro da colônia trófica, pois a luz é fundamental para o desenvolvimento do fitoplâncton - a pastagem dos oceanos. São variáveis simples que precisam ser monitoradas a longo prazo para começarmos a dar algumas respostas para a sociedade.
O que são as zonas mortas? Elas vêm aumentando?
Quando se constrói uma cidade na beira da praia, onde não havia população, você começa a produzir dejetos, muitas vezes jogados diretamente nas águas, in natura, sem tratamento. Eles vão acabar consumindo o oxigênio que está na água para decomposição da matéria orgânica. Isso cria áreas com pouco oxigênio, que chamamos de zonas mortas. Um estudo publicado há cerca de dois anos mostra que elas vêm aumentando porque os oceanos, principalmente as regiões costeiras, estão cada vez mais sujeitas às ações do homem. Um outro aspecto é que há um aumento cada vez maior de áreas de agricultura que utilizam fertilizantes inorgânicos. Eles são levados para os rios quando chove, e daí para os oceanos, onde há plantinhas que, ao crescer, vão consumir oxigênio, e ao morrer vão acumular matéria orgânica no fundo do mar. Essa matéria orgânica também vai utilizar oxigênio para ser degradada. Vai haver um aumento dessas zonas mortas, de condições de baixo oxigênio.
Nos últimos anos, houve evolução no monitoramento de alguns dos parâmetros oceânicos citados por você?
Sim, em regiões oceânicas abertas que se pode cobrir com satélite. Hoje em dia, a gente consegue monitorar por satélite a temperatura, a cor dos oceanos, e com isso ter uma ideia da produção biológica primária de plantas. A gente consegue monitorar a altura, a elevação da água, e com isso estimar correntes. E, ano passado, foi lançado um satélite que consegue indicar a salinidade, outro aspecto importante do sistema. Isso foi possível com o advento do sensoriamento remoto. Mas medição no local, de regiões costeiras, não temos. Não temos também uma cobertura muito grande para validar alguns desses dados de satélite e poder utilizar melhor essa informação.
Os pontos de monitoramento existentes (aqui e no Japão, por exemplo) usam a mesma linguagem e metodologia?
A ideia por trás do Goos é justamente essa: que sejam medidas as mesmas variáveis, da mesma maneira, com a mesma técnica e a mesma precisão, para que se possa comparar.
Existe um mapeamento dos pontos de monitoramento ideais ao redor do mundo?
Isso vem sendo discutido. No Brasil, ano passado, o governo federal financiou Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia no mar. Foram formados quatro desses. Apesar de eles terem a proposição de fazer pesquisa científica, um dos grandes avanços que acho que vão trazer é essa preocupação de instalar sistemas de monitoramento. Estamos agora no momento de chegar a um acordo sobre os locais mais importantes para monitoramento a curto prazo, as regiões costeiras mais suscetíveis.
Quais são as variáveis levadas em conta para instalar um ponto de monitoramento?
Estive envolvido no documento final do GOOS. Temos a nítida preocupação com variáveis que causam impacto no ambiente e também em monitorar variáveis que tenham benefício final para a sociedade. Por exemplo: algas nocivas. Existe um grupo de algas que sob determinadas condições florescem rapidamente e liberam toxinas nas águas. Elas vão entrar no peixe que a gente consome, em áreas de maricultura. (unisinos)