sábado, 29 de fevereiro de 2020

O degelo do Ártico e as emissões do permafrost

“A crise climática é a ameaça mais urgente do nosso tempo” - The Guardian
Não existem mais dúvidas sobre o aquecimento global provocado pela emissão de gases de efeito estufa. Os últimos 6 anos (2014-19) foram os mais quentes já registrados e a década 2011-20 é a mais quente da série histórica. A atmosfera do Planeta está ficando mais quente e isto tem um impacto devastador em diversos aspectos, pois vai deixar amplas áreas da Terra inóspitas ou inabitáveis.
As figuras abaixo (NSIDC da NASA) mostram a extensão do gelo do Ártico nos meses de março e setembro de 2019. Para o mês de março (auge do gelo do inverno no hemisfério setentrional), a média do período 1981-2010 foi de 15,4 milhões de km2 (quase o dobro da extensão do Brasil), mas caiu para 14,6 milhões de km2 em março de 2019. Para o mês de setembro (mínimo do gelo no verão), a média do período 1981-2010 foi de 6,4 milhões de km2, mas foi de 4,3 milhões de km2 em setembro de 2019.
Os gráficos abaixo mostram que a perda de gelo no inverno tem ocorrido no ritmo de -2,7% por década (gastaria cerca de 330 anos para desaparecer completamente), mas no verão a taxa de perda está em 12,9% por década (o que levaria à perda total de gelo no verão antes do fim do atual século). Já é possível navegar tranquilamente nos verões do polo norte, o que é bom para os interesses econômicos do comércio, mas é péssimo para o meio ambiente.
Em dezembro de 2019, a NOAA, a principal agência de ciência climática dos EUA, lançou seu Boletim Arctic Report Card, atualizando os dados sobre o polo norte. Os resultados foram sombrios: focas mortas, declínio da pesca, algas florescendo em uma área do tamanho da Califórnia e dificuldades para as comunidades indígenas que dependem de um ecossistema saudável para a sobrevivência. Com menos gelo para refletir a luz do sol, o clima do Ártico está esquentando duas vezes mais rápido que a média global. O colapso do Ártico não é novidade para ninguém familiarizado com a crise climática. Mas duas coisas mereceram destaque.
A primeira é que o Ártico pode ter cruzado um importante limiar climático, fazendo com que as vastas extensões de permafrost da região (basicamente solo congelado) comecem a derreter, liberando carbono orgânico que até agora estava armazenado no solo. O relatório conclui que o derretimento do permafrost está liberando entre 1,1 e 1,2 bilhão de toneladas de CO2 a cada ano, que é aproximadamente as emissões anuais combinadas da Rússia e do Japão. E se o aquecimento continuar, isso poderá acelerar, com consequências catastróficas (é o que se chama de “bomba permafrost”). Os cientistas estimam que aproximadamente 1.460 a 1.600 bilhões de toneladas métricas de carbono orgânico são armazenadas em solos árticos congelados, quase o dobro da quantidade de gases de efeito estufa contidos na atmosfera.
Tudo isto é agravado pelos incêndios florestais que são, normalmente, raros nos reinos congelados do Ártico. Contudo, o recuo da cobertura reflexiva do gelo do mar permitiu que o sol aquecesse o Oceano Ártico e áreas terrestres adjacentes. Isso seca a vegetação, tornando-a suscetível à ignição, e a atmosfera mais quente está provocando mais tempestades com relâmpagos na região. Como resultado, o CO2 e outras emissões dos incêndios no Ártico ficaram acima da média por várias semanas seguidas em 2019. A atual década começou com incêndios florestais sem precedentes na Sibéria, de julho a setembro, alimentados por uma onda de calor que os pesquisadores climáticos na época chamavam de evento do cisne negro, muito além das expectativas normais dos registros.
O Ártico é a região mais afetada pelo aquecimento global. Porém, o degelo do polo norte não deve provocar grandes aumentos do nível dos oceanos, pois o gelo está sobre o mar. Todavia, os sinais do Ártico mostram que toda a Criosfera será afetada pela crise climática. O degelo da Groenlândia e da Antártida (como veremos em outros artigos) terão um impacto enorme sobre todo o Planeta.
O artigo “Climate tipping points — too risky to bet against”, publicado na influente revista Nature (27/11/2019), mostra as crescentes evidências de que mudanças irreversíveis já estão ocorrendo nos sistemas ambientais da Terra gerando um “estado de emergência planetária”. Os autores deixam claro que mais da metade dos pontos críticos do clima identificados há uma década estão agora em um ponto de não retorno. Há evidências crescentes de que esses eventos são mais prováveis do que nunca e estão mais interconectados do que se pensava anteriormente, podendo levar a vetores de retroalimentação e a um ameaçador efeito dominó. Um dos pontos de inflexão é o degelo do Ártico. A situação é crítica e requer uma resposta de emergência.
A jovem ambientalista, Vanessa Nakate, de Uganda, constata que: “Na África estamos sofrendo a crise climática agora”. De fato, o que acontece no Ártico não está restrito àquela região, mas afeta todos os continentes. Se não forem tomadas medidas para aprofundar os cortes nas emissões de gases de efeito estufa o mundo pode caminhar para uma situação de “Terra Estufa”. Em síntese, ao ultrapassar os pontos de inflexão, a situação climática se agrava desenhando um grande desastre ambiental em um horizonte cada vez mais próximo. (ecodebate)

China quer acabar com uso de plástico descartável até 2025

O governo chinês anunciou nova medida para combater a poluição. O país quer que as maiores cidades fiquem sem sacos de plástico descartável até o fim deste ano. As embalagens desse material vão ser banidas nos próximos anos.
A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China e o Ministério da Ecologia e Meio Ambiente anunciaram que a produção e o uso de plástico em grande quantidade vão ser gradualmente eliminados em todo o país até 2025.
Os sacos de plástico vão ser proibidos nas principais cidades chinesas até o fim de 2020 e, até 2022, a medida vai se estender a todas as cidades e vilas.
Até o fim deste ano, o uso de canudinhos, utensílios de plástico usados em restaurantes take away (pegue e leve) e envelopes almofadados de envio de encomendas serão eliminados. Os mercados que vendem produtos frescos estão isentos dessa proibição até 2025.
Também até 2025, os hotéis terão de deixar de fornecer itens de plástico.
A China quer que, nesse mesmo período, as cidades e vilas reduzam em 30% a utilização de plástico descartável na restauração.
Algumas regiões e setores vão ter restrições maiores em relação à produção e venda de plástico. Contudo, ainda não é claro a que áreas se aplicam.
A medida, da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China e do Ministério da Ecologia e Meio Ambiente, inclui a proibição da produção e venda de sacos plásticos com espessura inferior a 0,025mm, bem como de películas com menos de 0,01mm de espessura.
A China é o maior fabricante de plástico do mundo, produzindo cerca de 29% dos produtos de plástico.
O governo chinês aumentou as taxas de reciclagem, com a construção de locais de “utilização abrangente de recursos”, de forma a garantir que alguns produtos possam ser reutilizados.
Até o fim deste ano, a China pretende atingir uma taxa de reciclagem de 35% em 46 cidades e realizar um sistema de reciclagem urbana em nível nacional até 2025.
Esta não é a primeira campanha contra o uso de plástico no país.
Em 2008, a China proibiu a distribuição de sacos plásticos de forma gratuita e a produção de sacos ultrafinos.
Em 2018, devido às preocupações ambientais, a China – que era um dos principais importadores de desperdício produzido por outros países – proibiu a importação de resíduos de plástico.
Entre 1992 e 2016, a China recebeu cerca de 106 milhões de toneladas de resíduos de plástico, o que representa metade das importações desse produto no mundo, segundo a BBC.
A China não é o único país asiático a tentar acabar com o uso de plástico descartável. A Tailândia declarou, no início deste ano, a proibição do uso de sacos plásticos nas principais lojas do país, anunciando uma proibição completa até 2021.
China decide eliminar plástico descartável até 2025.
A Indonésia implementou também medida em que proíbe o uso de sacos de plástico descartável em lojas, supermercados e mercados tradicionais até junho de 2020. (ecodebate)

Poluição por incêndios florestais agrava qualidade do ar

Poluição por incêndios florestais no Brasil agrava qualidade do ar em cidades distantes.
Incêndios florestais no Brasil produzem poluição aérea que piora a qualidade do ar em grandes cidades como São Paulo – cancelando os esforços para melhorar o ambiente urbano e colocando riscos à saúde para os cidadãos, de acordo com um novo estudo.
O planeta é frequentemente afetado pela fumaça de incêndios causados por seres humanos e processos naturais. Austrália, Califórnia e outras regiões são propensas a incêndios florestais sazonais e fumaça de incêndios florestais e queimaduras agrícolas piorando a qualidade do ar em lugares até 2.000 km de distância.
A maioria dos incêndios florestais no Brasil ocorre na estação seca entre julho e setembro nas áreas da Amazônia e cerrado – principalmente incêndios relacionados à agricultura – e os Pampas. Dependendo do clima, o transporte de fumaça de longo alcance afeta a qualidade do ar das pequenas e grandes cidades a favor do vento dos pontos de fogo, incluindo a ‘megacidade’ de São Paulo.
A queima de biomassa produz maior quantidade de ozônio de baixa altitude devido, em parte, ao sistema subtropical de alta pressão do Atlântico Sul. Transportado distâncias consideráveis do fogo, essa poluição contribui ainda mais para a má qualidade do ar e a poluição atmosférica em cidades como São Paulo.
Pesquisadores da Universidade de Birmingham, da Universidade Federal de Tecnologia, londrina, Brasil e da Universidade de Estocolmo publicaram suas descobertas no Journal of Environmental Management.
O professor Roy Harrison, da Universidade de Birmingham, comentou: “O estado de São Paulo liderou com medidas progressivas para conter a poluição do ar, como o controle de dióxido de enxofre de fontes industriais e a aplicação de normas para veículos e combustíveis mais limpos”.
“No entanto, os resultados atuais indicam que as políticas que visam a redução da queima de biomassa são de extrema importância para melhorar a qualidade do ar urbano, particularmente em áreas densamente povoadas, onde altas concentrações de poluentes são frequentemente observadas.”
Além de afetar a qualidade do ar e aumentar o risco de morte por causas respiratórias, o ozônio é um forcer climático de curta duração – um composto atmosférico com um efeito de aquecimento, mas com uma vida útil mais curta do que o dióxido de carbono. A redução dos níveis de ozono tem dois benefícios principais: reduzir o impacto na qualidade do ar e no clima.
Dados de emissão atmosférica sugerem que as emissões provenientes da queima de biomassa constituem uma parte substancial dos precursores para a formação de O3.
O Dr. Admir Créso Targino, da Universidade Federal de Tecnologia, comentou: “Precisamos de uma maior governança em nível regional, nacional e internacional para combater as práticas de queima de biomassa no Brasil e em seus países vizinhos”.
“Não só a saúde da população se beneficiaria de tal medida, mas também do clima regional, já que o ozônio e as partículas geradas pelos incêndios são forcers climáticos de curta duração. Tal abordagem estaria bem alinhada com o Acordo de Paris, que visa limitar o aquecimento global a menos de 2°C em comparação com o período pré-industrial – uma medida crítica na luta contra as alterações climáticas.”

Pesquisadores combinaram dados de ozônio in situ, medidos nos estados de São Paulo e Paraná de 2014 a 2017, com informações sobre uma série de co-poluentes como NOx, PM2.5 e PM10 para identificar fontes, transporte e padrões geográficos nos dados de poluição do ar.
Cientistas explicam como as queimadas afetam a população das cidades brasileiras. A fumaça das queimadas pode chegar até as cidades.

As concentrações de ozônio atingiram o pico em setembro e outubro – ligadas à queima de biomassa e à fotoquímica aprimorada. O transporte de fumaça de longo alcance contribuiu para entre 23 e 41% do ozônio total durante os eventos de poluição. (ecodebate)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Incêndios, ondas de calor marinhas e perda de biodiversidade

Emergência climática: incêndios, ondas de calor marinhas e perda de biodiversidade.
2020 é um ano decisivo para lideranças com poder de decisão sobre questões da biodiversidade e das mudanças climáticas, e também para a humanidade como um todo começar a prestar atenção no colapso dos nossos sistemas planetários. O ano sediará dois grandes eventos, conhecidos como “conferências das partes”, sobre a biodiversidade e o clima. Na conferência sobre biodiversidade, as partes chegarão a um acordo e apresentarão o novo conjunto de metas para a natureza na próxima década.
Uma série de relatórios científicos recentes, e principalmente o relatório da Plataforma Intergovernamental Político-Científica de Biodiversidade e Ecossistemas de 2019, estão dizendo que as espécies estão morrendo a taxas nunca antes vistas e que, apesar de todos os esforços, as temperaturas globais estão subindo. No início de 2020, grandes incêndios florestais, como os da Austrália, foram noticiados.
“Embora os incêndios florestais possam fazer parte de alguns ecossistemas, as mudanças climáticas induzidas pelos seres humanos os tornam mais frequentes, maiores e mais generalizados. O aumento dos incêndios florestais tem um duplo impacto na biodiversidade e no clima”, diz Pascal Peduzzi, diretor do Banco de Dados de Informações Globais do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), em Genebra e gerente de programa da Sala de Situação Mundial do Meio Ambiente do PNUMA.
Incêndio florestal no distrito de Almora, Uttaranchal, no Himalaia indiano, 2016.
Nos incêndios florestais no sudoeste da Austrália, em um verão de temperaturas recordes, secas e ventos fortes, mais de um bilhão de animais foram mortos, com muitos feridos e/ou com falta de comida e água segundo algumas estimativas.
Um relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas de 2018 na Australásia diz: “O clima regional está mudando. A região continua demonstrando tendências de longo prazo em direção a temperaturas mais altas do ar e da superfície do mar, mais temperaturas de calor extremo e menos de frio extremo e mudanças nos padrões de precipitação. Nos últimos 50 anos, o aumento das concentrações de gases de efeito estufa contribuiu para o aumento da temperatura média na Austrália e Nova Zelândia, e a diminuição das chuvas no sudoeste da Austrália”.
A crise climática já chegou e está piorando. O Relatório sobre a Lacuna de Emissões de 2019 do PNUMA alerta que, a menos que as emissões globais de gases de efeito estufa caiam 7,6% a cada ano entre 2020 e 2030, o mundo perderá a oportunidade de seguir o caminho da meta de temperatura de 1,5°C do Acordo de Paris.
A Austrália não é o único país a ter sofrido incêndios graves recentemente. Incêndios florestais generalizados ocorreram nos últimos anos em florestas na Indonésia, em Portugal, na Califórnia e até no Ártico.
“Prevê-se que os incêndios aumentem em muitas regiões do mundo sob um clima em mudança. Reduzir as emissões de gases de efeito estufa relacionados à floresta é essencial para mitigar as mudanças climática”, diz Johan Kieft, especialista em ecossistemas e incêndios florestais do PNUMA.
“O setor florestal oferece um potencial significativo para mitigação das emissões de gases de efeito estufa”, acrescenta ele.
Para aproveitar esse potencial, as partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima desenvolveram a abordagem de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+), fornecendo incentivos para reduzir as emissões do desmatamento e degradação, gerenciar florestas de forma sustentável, conservar e melhorar a  estocagem de carbono florestal.
“Os impactos das mudanças climáticas nos incêndios florestais foram amplamente negligenciados nas negociações para o REDD+”, diz Kieft. “Eles são o elo que falta nos planos dos países para conter o aquecimento global”. O que precisamos fazer, ele diz, é levar em conta o gerenciamento integrado de incêndios nesses planos, como nas contribuições nacionalmente determinadas, estabelecidas na Convenção.
A biodiversidade terrestre do mundo está concentrada nas florestas: elas abrigam mais de 80% de todas as espécies terrestres de animais, plantas e insetos. Assim, quando as florestas queimam, a biodiversidade, da qual os seres humanos dependem para sua sobrevivência a longo prazo, também desaparece no fogo. De incêndios e secas severas, como as que estão ocorrendo no Zimbábue, às ondas de calor marinhas que estão causando a destruição em massa de corais, com mais de um milhão de espécies atualmente em extinção, os eventos climáticos extremos tornaram-se um motivo de preocupação crescente para a sobrevivência das espécies.
Os corais são o lar de 25% das espécies marinhas. Foto da The Ocean Agency – XL Catlin Seaview Survey, 2016.
Eventos de branqueamento de recifes de coral em massa tornaram-se cinco vezes mais comuns em todo o mundo nos últimos 40 anos, segundo uma nova pesquisa, e as mudanças climáticas desempenham um papel significativo nesse aumento.
“Estima-se que 50% dos corais do mundo morreram nos últimos 30 anos, e isso deve subir para 90% com o aquecimento de 1,5°C e até 99% com o aquecimento de 2°C” diz Gabriel Grimsditch, Especialista em Corais do PNUMA.
“O aquecimento induzido pela atividade humana está desempenhando um papel nos incêndios florestais australianos. Como tal, são necessários cortes mais profundos nas emissões de gases de efeito estufa se quisermos conter ou evitar futuros incêndios florestais extremos”, afirma Max Gomera, Especialista em Biodiversidade do PNUMA.
“A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, realizada em novembro de 2020 em Glasgow, é literalmente uma oportunidade única na vida dos líderes mundiais para se posicionar sobre a crise climática e natural”, acrescentou.
A Década das Nações Unidas sobre Restauração de Ecossistemas 2021-2030, liderada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura e parceiros como a iniciativa Africa Restoration 100, o Fórum Global de Paisagens e a União Internacional para a Conservação da Natureza, abrange os ecossistemas terrestres, costeiros e marinhos.
Um apelo à ação global, reunirá apoio político, pesquisa científica e força financeira para ampliar massivamente a restauração. Ajude-nos a moldar a década. (ecodebate)

O ‘Piroceno’ chegou e agora?

Megaincêndios são aqueles que cobrem mais de 400 quilômetros quadrados, acelerados pela combinação de secas e temperaturas altas.
Os incêndios na Austrália são o alerta mais contundente do aquecimento global na atualidade
Nem nos longas-metragens mais dramáticos, poderíamos imaginar o roteiro da vida real de incêndios florestais que atingem com mais intensidade até agora especialmente a Austrália, desde setembro de 2019, com um efeito devastador nunca antes visto: mais de 11,8 milhões de hectares e 3 mil casas destruídos e mais de meio bilhão de exemplares de fauna mortos e 28 vítimas humanas fatais. Cenas dantescas chocam o mundo, mas será que têm o poder de mudar o rumo mais grave que teremos de enfrentar diante da inação ao combate às mudanças climáticas e ao aquecimento global?
Uma combinação de fatores torna a situação complexa: um governo negacionista quanto ao comprometimento das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEEs) por combustíveis fósseis, como o carvão; temperaturas que só aumentam; secas extremas; ventos fortes; dificuldades de acesso e origens do fogo naturais e criminosas. A intensidade e os comprometimentos são cada vez maiores e mais rápidos. O que estamos vendo é um dos exemplos mais catastróficos da Era do Fogo (florestal) ou Piroceno, termo criado pelo historiador norte-americano Stephen Pyne, professor emérito da Universidade Estadual do Arizona, que é um estudioso deste tema. Ele é o autor do recente título “Fire: a brief history” (Fogo: uma breve história).
O que Pyne observa é que de uma forma direta ou indireta o ser humano está por trás destes focos de incêndio, o que tem como premissa o chamado Antropoceno.
Os danos são incalculáveis e atingem ecossistemas, a saúde e a economia. A Agência Espacial Americana (Nasa) informa que a fumaça da Austrália dará, pelo menos, uma volta pelo mundo, na estratosfera. Por sinal, já passou pelo Chile, pela Argentina e pelo Brasil e completou metade desta trajetória. Por onde passa deixa rastros de fuligens e altera a qualidade do ar.
A vulnerabilidade exposta demonstra que o que acontece na Austrália é, sim, uma preocupação de ordem global. Nem todo o aparato com aviões, por terra, com mais de 4000 bombeiros, brigadistas e integrantes da Marinha e da Aeronáutica estão conseguindo dissipar o fogo. A população se vê em uma encruzilhada, tendo de evacuar as áreas atingidas, como em um front de guerra. Decisões governamentais polêmicas de exterminar por volta de 10 mil camelos entre outros animais também se somam neste caos instalado.
A Austrália tem uma predominância de fonte energética baseada no carvão e o seu sistema de precaução e mitigação praticamente inexistem. O governo foi extremamente criticado pela própria população, em manifestação que ocorreu na semana passada. O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, está sofrendo pressão de sair do governo por menosprezar os registros desde o início dos focos de incêndio e chegou a tirar férias no Havaí, enquanto o país estava em chamas. Agora, faz anúncios de liberação de cifras bilionárias de verbas para o combate ao incêndio que já se alastrou. Isso sem falar no que se perdeu de vidas e, de forma geral, no ecossistema, quando se fizer um rescaldo.
A Agência Federal de Ciência da Austrália chegou a emitir um relatório, no ano de 2007, que apontava para cenários mais intensos de incêndios no país em 2020. Um relatório de 2007 da Agência Federal de Ciência da Austrália previu que incêndios mais intensos ocorreriam partir de 2020, segundo Tim Curran, professor de ecologia da Lincoln University, na Nova Zelândia.
Neste cenário praticamente apocalíptico, cenas de salvamento e união são o que causam empatia. Mas a proporção da destruição é incalculável. Nestes respiros, saber que estão sendo salvas espécies raras pré-históricas, como as araucárias de Wollemi (Wollemia nobilis), as chamadas árvores dinossauros é algo positivo, mas ao mesmo tempo pensar em quantos animais sucumbiram sem chance de se salvar é algo desolador.
O exemplo da Austrália é um alerta real para todo o planeta de que a tendência é que estes eventos extremos se tornem cada vez mais intensos e devastadores por causa da falta de comprometimento de governantes com a complacência da sociedade com os modelos de desenvolvimento predatórios que comprometem os rumos da humanidade. O Piroceno chegou! (ecodebate)

Recorde de temperatura no sexênio 2014-2019

Recorde de temperatura no sexênio (2014-2019): prelúdio do colapso ecossocial.
A prosperidade da vida humana e das suas culturas é compatível com um substancial decrescimento da população” (1984)
Arne Næss and George Sessions em 8 Princípios da Ecologia Profunda
Enquanto a roda viva dos eventos sociais gira de maneira alucinante e as atividades antrópicas crescem continuamente, há um desastre ecológico ocorrendo em câmara lenta (para os olhos humanos), mas que segue um ritmo aceleradíssimo para a escala geológica. Aquilo que os cientistas chamavam de maneira cautelosa de “mudanças climáticas” se transformou em “crise climática” ou “caos climático”, passando a representar um perigo existencial à civilização e uma ameaça concreta à sobrevivência da vida humana e não humana. Como disse Greta Thunberg: “Nossa casa está pegando fogo”. A crise climática é a ameaça mais urgente do nosso tempo. E o tempo para reverter o aquecimento global está se esgotando.
Depois de 5 anos (2014-2018) das temperaturas mais altas já registradas desde o início da série histórica que começou em 1880, o ano de 2019 marcou a vice-liderança e, mesmo não sendo um ano de El Niño, ficou 0,95º C acima da média do século XX. A atual década tem sido marcada por um calor excepcional, indicando uma tendência preocupante. O cenário climático está ficando cada vez mais perturbador, mais ameaçador e se agravando com muita rapidez e profundidade e os incêndios e queimadas da Austrália são apenas uma “amostra grátis” do que vem por aí.
O gráfico abaixo, da NOAA, tendo como referência básica a temperatura média do período 1901-2000, mostra as temperaturas mensais entre 1880 e 2019 e a reta de tendência dos últimos 20 anos (1999-2019). Assim, em relação à média do século XX, a temperatura de 2019 foi 0,95ºC mais alta (sendo que no mês de dezembro apresentou um aumento de 1,05ºC). Mas em relação ao período pré-industrial a anomalia foi de cerca de 1,2ºC. Na primeira metade do século XX as temperaturas estavam abaixo da média do século e passaram a ficar bem acima da média na segunda metade do século. Já no século XXI o aumento é ainda mais significativo, pois das 19 maiores temperaturas, 18 ocorreram entre 2001 e 2019 e 8 dos anos mais quentes ocorreram na atual década.
Nota-se que, não somente o ano de 2019 apresentou um calor excessivo, como o ritmo do aquecimento da série histórica aumentou para 0,22º C por década. A tendência do aumento da temperatura entre 1880 e 2019 foi de 0,07º C por década. A tendência entre 1950 e 2019 foi de 0,14ºC por década e entre 1999 e 2019 foi de 0,22ºC por década. Mas o mais surpreendente é que a tendência 2009 a 2019 apresentou um aumento de 0,36ºC.
Desta forma, há, indubitavelmente, uma inquestionável aceleração do ritmo do aquecimento global. Isto quer dizer que o aquecimento pode atingir 1,5º C (o limite estabelecido no Acordo de Paris) até 2030 e pode atingir 2ºC antes de 2050, abrindo a possibilidade de se chegar a algo em torno de 4ºC no final do século. O mundo sairia da “emergência climática” para o “caos climático”.
Os seis anos mais quentes do Antropoceno aconteceram entre 2014 e 2019 e os dois gráficos abaixo mostram as variações mensais da temperatura. No primeiro gráfico são apresentadas as anomalias mensais e o valor de cada entre parênteses. No segundo gráfico são apresentas as variações mensais para todos os anos da série, sendo os anos mais frios em azul e os mais quentes em vermelho (2019 com os marcadores pretos).
Com os sucessivos recordes anuais, a atual década (2011-20) é a mais quente já registrada desde o início das medições em 1880. A temperatura média da atual década ficou 0,82º C acima da linha de base 1901-2000. Nota-se que a década de 1970 ficou 0,09ºC acima da média do século XX, a década de 1980 ficou 0,30ºC, a década de 1990 ficou 0,41ºC e a década de 2001-10 ficou 0,63ºC acima da média do século XX.
Todos os dados acima foram reforçados por estudo publicado dia 15 de janeiro de 2020 por James Hansen e colegas do Goddard Institute for Space Studies (GISS). Utilizando uma linha de base de 1880-1920 (início da série histórica), os autores mostram que a temperatura em 2019 ficou em 1,2ºC acima. O estudo mostra que a emissão de CO2, em função da queima de combustíveis fósseis é o principal vetor de aumento da temperatura.
De fato, a humanidade vive uma situação inusitada. Nunca, desde o surgimento dos primeiros hominídeos – há cerca de 3 milhões de anos – houve concentração tão alta de CO2 na atmosfera e nunca, desde o surgimento do Homo sapiens – há cerca de 200 mil anos – houve uma temperatura tão alta como a que se projeta para os próximos 30 anos. Na maior parte de sua história, o Homo Sapiens viveu em temperaturas menores do que as atuais. O clima atual é uma situação totalmente atípica e que a humanidade nunca conviveu desde que desceu das árvores e passou a derrubá-las.
Acontece que esta súbita mudança climática pode levar a civilização ao colapso. Não é a natureza que está ameaçando o ser humano. O ser humano é que está se autodestruindo ao aquecer a temperatura do Planeta. E o pior é que muitas espécies inocentes podem desaparecer no Antropoceno devido à irresponsabilidade e ganância de uma espécie egoísta e que só pensa em aumentar o seu padrão de vida às custas das riquezas naturais.
O Acordo de Paris, de 2015, propõe limitar o aquecimento global preferencialmente até 1,5ºC e, no máximo, em 2ºC. Porém, a meta mais baixa já está praticamente impossível de ser atingida e a meta superior pode ser ultrapassada até meados do atual século. O resultado deste processo de aquecimento deve ser calamitoso.
Artigo recente publicado na revista Geophysical Research Letters (Mark Zelinka, 03/01/2020) mostra que os modelos antigos subestimaram o ritmo do aquecimento global e novos estudos “representam as tendências climáticas atuais com mais precisão”. Segundo os autores, no ritmo atual o mundo caminha para uma temperatura de 5º C acima dos níveis pré-industriais, o que torna as metas do Acordo de Paris cada vez mais distantes.
O aquecimento global derrete o gelo dos polos, da Groenlândia e dos glaciares elevando o nível do mar e deixando bilhões de pessoas afetadas pela invasão da água salgada e escassez da água potável. A acidificação e a morte dos oceanos vai ter um impacto devastador para a humanidade. O aquecimento e a acidificação também vai afetar a agricultura e o preço dos alimentos deve subir, aumentando a insegurança alimentar e acendendo uma centelha capaz de incendiar grandes mobilizações de massa.
O jornalista David Wallace-Wells tem escrito sobre a possibilidade de uma catástrofe ambiental. Seu influente livro “The uninhabitable Earth: life after warming” (2019), começa com a frase: “É pior, muito pior do que você pensa”. Ele mostra que o aquecimento global vai ser abrangente, terá um impacto muito rápido e vai durar muito tempo. Isso quer dizer que os efeitos danosos das mudanças climáticas vão se agravar com o tempo e, embora todas as gerações já estejam sendo atingidas, são as crianças e jovens que nasceram e vão nascer no século XXI que vão sentir as maiores consequências do colapso ambiental. A degradação ambiental vai ocorrer em várias áreas, com a acidificação dos solos, águas e oceanos, a precarização dos ecossistemas e os desastres climáticos extremos (secas, chuvas, furacões e inundações de grandes proporções), tornando muitos lugares da Terra bastante inóspitos ou inabitáveis (Alves, 2019)
Para mudar este quadro, libertar-se dos combustíveis fósseis é essencial. Porém, está cada vez mais evidente que não basta mudar a matriz energética, descarbonizar a economia e promover uma maquiagem verde no processo de produção e consumo. É preciso, urgentemente, colocar na ordem do dia o debate sobre os meios de se promover o decrescimento das atividades antrópicas. A meta de redução da pobreza deve ser alcançada pelo decrescimento das desigualdades sociais e não pelo crescimento demoeconômico desenfreado.
A destruição do meio ambiente e os efeitos deletérios da globalização vão provocar um agravamento das condições sociais de amplas parcelas da população mundial, gerando levantes populares e rebeliões. Análise da consultoria Verisk Maplecroft (16/01/2020) mostra que 47 países ao redor do mundo conviveram com distúrbios civis no ano passado, tais como Hong Kong, Chile, Nigéria, Sudão, Haiti e Líbano. E este número pode subir para 75 países em 2020.
Até a elite econômica de Davos, na Suíça, reconhece a gravidade da situação ecológica. O novo relatório do Fórum Econômico Mundial, de janeiro de 2020, afirma que a crise climática é o maior risco global, pois se nos anos anteriores os problemas econômicos eram considerados as maiores ameaças, agora os temores de colapso climático ficaram no centro do palco. As percepções de risco se desviaram para condições climáticas extremas, desastres ambientais, perda de biodiversidade, catástrofes naturais e falha na mitigação das mudanças do clima. Uma das estrelas do evento será Greta Thunberg que reforçará a demanda pelo fim do uso dos combustíveis fósseis.
Estamos em um cenário de emergência climática.
Assim, não é possível mais negar a gravidade da situação. A 6ª extinção em massa das espécies e o agravamento do aquecimento global são apenas o prelúdio de um colapso ecossocial que se vislumbra no horizonte. Em 22/02/2020 se comemora os 50 anos do Dia da Terra e será uma boa oportunidade para as pessoas se manifestarem e se mobilizarem contra o caminho ecocida e suicida que a humanidade está seguindo. (ecodebate)

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Crescimento populacional e choque malthusiano no Iêmen

“A população mundial precisa ser estabilizada e, idealmente, reduzida gradualmente”.
Alerta dos cientistas mundiais sobre a emergência climática (05/11/2019).
O Iêmen foi o primeiro destino dos emigrantes que saíram da África, há cerca de 80 mil anos. A “diáspora” africana atravessou o Estreito de Bab-al-Mandeb, que separa o sul da Península Arábica, de Djibuti, no nordeste da África. Naquela época o Iêmen era uma área fértil e rica em serviços ecossistêmicos. Mas tudo mudou ao longo dos séculos.
A população do Iêmen era de 4,7 milhões de habitantes em 1950 e passou para 29,8 milhões em 2020. O número de habitantes do Iêmen mais do que sextuplicou em 70 anos, um dos maiores crescimentos demográficos do mundo. As projeções da ONU indicam que a população do Iêmen pode chegar a 48,1 milhões de habitantes em 2050, decuplicando em um século.
A densidade demográfica do Iêmen que estava em 8,3 habitantes por km2 em 1950, chegou a 57 hab/km2 em 2020 e deve atingir 91 hab/km2 em 2050 (lembrando que a maior parte do território atual do país é constituída por desertos). Para efeito de comparação, a densidade demográfica da Rússia era de 6,3 hab/km2 em 1950, 8,9 hab/km2 em 2020 e deve diminuir para 8,3 hab/km2 em 2050.
Em 2003, o demógrafo Paul Demeny publicou um artigo (ver figura acima), na prestigiosa revista Population and Development Review, mostrando os opostos da dinâmica demográfica do Iêmen (área 528 mil km²) e da Rússia (área de 17,1 milhões de km²). A Rússia, com a maior área territorial do mundo, terá uma população estabilizada entre 1950 e 2050, enquanto o Iêmen – um país pequeno e pobre – terá a população multiplicada por 10 em um século.
No referido artigo, Demeny aborda as diferenças entre a baixa taxa de fecundidade da Rússia (e dos países europeus) e a alta taxa de fecundidade do Iêmen e de outros países em desenvolvimento, principalmente no Oriente Médio e na África. Contudo, a redução do número médio dos filhos, mesmo com diferenciais significativos, se generalizou.
A taxa de fecundidade total (TFT) do Iêmen que estava acima de 8 filhos por mulher na segunda metade do século XX, caiu para 6 filhos na virada do milênio e chegou pouco abaixo de 4 filhos no quinquênio 2015-20. Portanto, o Iêmen está passando por uma transição tardia da fecundidade, mas que deve atingir uma TFT abaixo do nível de reposição na segunda metade do atual século.
Esta queda da fecundidade é fundamental para a estabilização do crescimento demográfico no Iêmen, pois se o ritmo de crescimento da população não for reduzido pela redução do tamanho das famílias, poderá ser reduzida pelo aumento das taxas de mortalidade, configurando aquilo que se chama de “choque malthusiano”.
Para Thomas Malthus (1766-1834), um crescimento ilimitado da população poderia ser revertido pelo “freio positivo”, caracterizado pela tríade: miséria, epidemias e guerras. Assim, a expressão “choque malthusiano” é utilizada para descrever a situação em que o crescimento populacional é interrompido, não pela queda da fecundidade, mas pelo aumento das taxas de mortalidade.
O alto crescimento populacional e a degradação ambiental do país contribuiu para a atual crise do Iêmen. Segundo dados do FMI, a renda per capita iemenita em 1990 era de US$ 3,3 mil (em poder de paridade de compra – ppp), subiu para US$ 4,3 mil em 2010 e iniciou uma tendência de queda na atual década, atingindo US$ 2,25 mil em 2020.
Ou seja, o Iêmen enfrenta a pior guerra de sua história, a maior queda da renda per capita e a maior crise de fome dos tempos modernos. O país importa mais de 85% de toda a sua necessidade alimentar e de remédios. A Secretaria geral de assuntos humanitários da ONU, alertou que a menos que voltem a abrir as fronteiras para os envios de ajuda, o Iêmen viverá a maior fome que o mundo já viu em muitas décadas, com milhões de vítimas.
O Iêmen sofre ao continuar sendo um joguete na disputa geoestratégica entre a Arábia Saudita e o Irã. São milhões de vidas que precisam de esperança em um futuro melhor e problemas demográficas, econômicos e sociais que precisam ser resolvidos.
O bombardeiro que matou o general iraniano Qasem Soleimani e o agravamento da situação política e militar entre os EUA e o Irã deve dificultar qualquer solução da questão iemenita. A Arábia Saudita deve buscar fortalecer suas trincheiras contra o Irã e a situação do Oriente Médio volta a ficar explosiva.
O fato é que as duas maiores teocracias do Oriente Médio vivem um momento de muitas críticas internas e externas. O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, perdeu legitimidade especialmente depois de ter ordenado o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, crítico do governo, no consulado do país em Istambul, na Turquia. No outro lado, manifestantes iranianos pediram a renúncia do líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, no dia 11 de janeiro, depois que o governo do Irã afirmou que suas Forças Armadas derrubaram por engano um avião ucraniano, matando todas as 176 pessoas a bordo. É muito significativo que os protestos tenham mirado o poder central da teocracia iraniana: “Comandante-em-chefe (Khamenei) renuncie, renuncie”.
Neste contexto regional, o Iêmen está passando por um choque de realidade e percebendo que é impossível manter um crescimento populacional ilimitado em um país com recursos naturais limitados e em uma região conflagrada por guerras regionais e por regimes autoritários que não estão preocupados com o meio ambiente.
A renda per capita está caindo e a qualidade de vida e de condições ecológicas estão se degradando. O Iêmen tinha, em 1961, uma pegada ecológica per capita de 0,95 hectares globais (gha) e uma biocapacidade per capita de 2,26 gha, tendo, portanto, superávit ambiental até o início da década de 1990. Porém, mesmo com a queda da pegada ecológica per capita para apenas 0,67 gha em 2016 (a média mundial é de 2,75 gha), a biocapacidade caiu para pífios 0,42 gha. O motivo desta tremenda queda da biocapacidade pode ser explicado pelo crescimento da população.
Portanto, o Iêmen precisa de ajuda internacional para enfrentar a crise de fome e de baixa qualidade de vida, mas também precisa de ajuda para acelerar a queda das taxas de fecundidade e reverter o crescimento demográfico para decrescimento.
Em novembro de 2019, mais de 11 mil cientistas de todo o mundo alertam a humanidade sobre a ameaça de uma iminente catástrofe ambiental e declararam que o Planeta está enfrentando uma emergência climática. O manifesto diz que os cientistas têm uma obrigação moral de alertar claramente a humanidade sobre uma possível ameaça catastrófica que pode provocar “sofrimento humano incalculável”.
O documento “World Scientists’ Warning of a Climate Emergency” (BioScience, 05/11/2019) afirma que: “O crescimento econômico e populacional está entre os mais importantes fatores do aumento das emissões de CO2 em decorrência da combustão de combustíveis fósseis”. Em consequência, diz o seguinte sobre a questão demográfica: “Ainda crescendo em torno de 80 milhões pessoas por ano, ou mais de 200.000 por dia, a população mundial precisa ser estabilizada – e, idealmente, reduzida gradualmente – dentro de uma estrutura que garante a integridade social”.
O caso do Iêmen só reforça o alerta dos 11 mil cientistas. Há diversos outros países, como a Síria, a República Democrática do Congo, a Venezuela, etc., que estão enfrentando situações parecidas de perda de qualidade de vida humana e ambiental.
Resolver o problema demográfico não é suficiente, mas cada vez se torna uma condição necessária para reverter o cenário de colapso. (ecodebate)

‘Megaincêndios’ florestais são o novo normal?

Emergência Climática: Os ‘megaincêndios’ florestais são o novo normal?
Os enormes incêndios florestais na Austrália, na Amazônia, na Califórnia, na bacia do Congo e na Indonésia chamaram a atenção do mundo para os riscos de longos períodos de clima excepcionalmente quente e seco — um dos efeitos das mudanças climáticas.
A temperatura média global está agora 1,1°C mais alta do que no início do século passado. Temperaturas mais altas criam, em algumas partes do mundo, condições mais secas, aumentando a probabilidade e a intensidade de incêndios florestais e megaincêndios.
Megaincêndios são aqueles que cobrem mais de 400 quilômetros quadrados, acelerados pela combinação de secas e temperaturas altas.
Os enormes incêndios florestais na Austrália, na Amazônia, na Califórnia, na bacia do Congo e na Indonésia chamaram a atenção do mundo para os riscos de longos períodos de clima excepcionalmente quente e seco — um dos efeitos das mudanças climáticas.
A temperatura média global está agora 1,1°C mais alta do que no início do século passado. Temperaturas mais altas criam, em algumas partes do mundo, condições mais secas, aumentando a probabilidade e a intensidade de incêndios florestais e megaincêndios.
Megaincêndios são tipicamente definidos como aqueles que cobrem mais de 40 mil hectares ou 400 km2, e são acelerados pela combinação de secas e temperaturas altas. Eles são extremamente difíceis de conter, geralmente limitados apenas pela quantidade de vegetação disponível.
Até o final de 2019, o Brasil, a República Democrática do Congo, a Rússia e os Estados Unidos registraram megaincêndios em escalas sem precedentes.
Em 2019, o Global Forest Watch contabilizou mais de 4,5 milhões de incêndios em todo o mundo que atingiram mais de 1 km2. São 400 mil incêndios a mais que 2018 e mais de duas vezes o número de incêndios de 2001. Quase todos — 96% dos 500 megaincêndios mais desastrosos da última década — ocorreram durante períodos de clima excepcionalmente quente e/ou seco.
Restam mais de dez semanas para o final da temporada de seca (dezembro a março) na Austrália, e esta temporada de incêndios florestais já está caminhando para ser uma das piores já registradas.
Relatórios do país mostram que mais de 10 milhões de hectares (100 mil km2, uma área do tamanho da Inglaterra) queimaram na segunda semana de janeiro, provocando mortes humanas e destruindo casas. É provável que 1 bilhão de animais tenha morrido direta ou indiretamente por conta dos incêndios, que provocaram prejuízos para a economia australiana e tiveram impactos nas indústrias da agricultura e do turismo, entre outras.
O aumento da temperatura global foi marcado por sucessivas ondas de calor no verão australiano. A temperatura máxima média em todo o continente ultrapassou 40°C em 11 dias do mês, superando o recorde anterior de sete dias, em 2018. Apenas quatro dias entre 1910 e 2017 tiveram uma média superior a 40°C — dois em 1972 e dois em 2013.
Os fenômenos climáticos de seca e de ondas de calor extremos apenas aumentam o risco de mais incêndios catastróficos na Austrália.
“Os megaincêndios podem muito bem tornar-se o novo normal à medida que as temperaturas globais continuarem subindo”, diz Niklas Hagelberg, Especialista em Mudanças Climáticas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
“Governos, empresas, indústria e a sociedade civil nos países do G20, responsáveis ​​por 78% das emissões de gases de efeito estufa, devem estabelecer metas e prazos para a descarbonização”, diz Hagelberg. “Precisamos abraçar o potencial e as oportunidades de um mundo alimentado por energia renovável, tecnologias de eficiência, sistemas alimentares inteligentes e transportes e edifícios com emissão zero”.
A realidade é que vivemos em um mundo com aquecimento de 1,1ºC. Essas temperaturas recordes, ondas de calor e secas não são anômalas, elas são o começo de uma nova norma.
Como serão as coisas daqui a algumas décadas quando atingirmos aquecimento de 1,5ºC? Nas comunidades já devastadas, as ameaças permanecem. À medida que a assistência internacional foi urgentemente convocada para a Austrália, um país acostumado a incêndios sazonais, a humanidade parece estar despreparada para enfrentar sua nova realidade.
Dois mil e vinte é o ano em que os governos se reunirão para fazer um balanço e aumentar a ambição de seus compromissos com a ação climática. É o ano em que as emissões globais devem cair 7,6% a cada ano até 2030, a fim de limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC.
Esses incêndios ilustram o estado das catástrofes humanitárias, ecológicas e econômicas de um clima em mudança. O aquecimento é um sombrio acerto de contas, não apenas para a Austrália, mas para o mundo inteiro que os assiste. (ecodebate)

Mudanças climáticas desenham o cenário de urgência em saúde

As mudanças climáticas desenham o cenário de urgência em saúde, na próxima década.
Inação diante da crise climática pode ter um preço muito alto, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A saúde pública é, em última análise, uma escolha política e a crise climática é uma crise de saúde. Esta afirmação ecoa um dos principais alertas em relatório divulgado neste mês de janeiro pela Organização Mundial da Saúde, sobre a situação da saúde no mundo na próxima década. A construção de cenários preocupantes exige ações mais efetivas dos governos, pois o recado nas entrelinhas é: corremos contra o tempo e quem quer pagar para ver?
A poluição do ar tem matado aproximadamente 7 milhões de pessoas todos os anos, enquanto as mudanças climáticas causam eventos climáticos cada vez mais extremos e têm como efeitos, a desnutrição e doenças infecciosas, como a malária. Para completar este quadro de desafios, as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEEs) são a causa de um quarto das mortes por ataque cardíaco, derrame, câncer de pulmão e doenças respiratórias crônicas.
Com todas estas constatações, a OMS recomenda que líderes nos setores público e privado trabalhem juntos para limpar nosso ar e mitigar os impactos das mudanças climáticas na saúde. A lentidão para medidas com efeitos duradouros preocupa os especialistas responsáveis pelo relatório.  Segundo o comunicado, por exemplo, apenas pouco mais de 80 cidades, em mais de 50 países, se comprometeu com as diretrizes de qualidade do ar da OMS, no ano passado.
Esta adesão é irrisória diante da proporção global e está alinhada com os principais acordos firmados nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas, com metas até 2030. Argumentos não faltam. De acordo com a OMS, entre os anos de 2030 e 2050, é estimado que as mudanças climáticas causem cerca de 250.000 mortes adicionais por ano, devido apenas à desnutrição, malária, diarreia e estresse térmico. Os custos financeiros também são significativos, na ordem entre US$ 2 e 4 bilhões até 2030.
Um ponto de destaque no relatório é relacionado a doenças transmitidas por vetores da dengue, malária, zika, chikungunya e febre amarela, cujos registros de casos têm aumentado, à medida que as populações de mosquitos se deslocam para novas áreas, afetadas pelas mudanças climáticas. A porta de entrada que acentua as crises climática e de saúde é a ausência ou comprometimentos graves do saneamento ambiental, que trocando em miúdos, têm como pontos essenciais água, esgoto e tratamento de resíduos. Essas deficiências abrem as janelas de oportunidade para todos os tipos de infecções.
Durante a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (COP-25), em dezembro de 2019, o relatório Panorama Global do Progresso nas Mudanças Climáticas e a Saúde, da OMS, que é resultado da pesquisa em 101 países, incluindo o Brasil, constatou que apenas metade tinha estratégia para enfrentar o problema, ou seja, hipertermia, ferimentos ou morte por temperaturas extremas e doenças como dengue, malária e cólera.
No ano de 2018, o relatório Lancet Countdown (Contagem regressiva para a saúde e mudanças climáticas), com 27 instituições acadêmicas participantes no mundo, também já trazia estes alertas. A vulnerabilidade a extremos de calor tem aumentado constantemente desde 1990 em todas as regiões. Estes elementos só reiteram a seguinte questão: quantas vidas serão perdidas ou sequeladas por causa da falta de empenho no combate às mudanças climáticas e ao aquecimento global? (ecodebate)

domingo, 23 de fevereiro de 2020

2019 foi o 2º ano mais quente de todos os tempos

Incêndio florestal na Austrália dia 31 de dezembro de 2019.
2019 foi o segundo ano mais quente de todos os tempos e haverá clima mais extremo à frente, diz OMM.
O ano passado foi o segundo mais quente desde o início dos registros, informou a Organização Meteorológica Mundial (OMM) em 15/01/20, alertando que o calor provavelmente levará a eventos climáticos mais extremos, como os incêndios florestais australianos em 2020 e além.
Os dados da OMM com sede em Genebra analisam vários conjuntos de dados, incluindo a NASA e o serviço nacional de meteorologia do Reino Unido. Ele mostrou que a temperatura global média em 2019 estava 1,1°C acima dos níveis pré-industriais.
Austrália em chamas!!!
"A Austrália teve o ano mais quente e seco já registrado em 2019, estabelecendo o cenário para os enormes incêndios florestais que foram tão devastadores para pessoas e propriedades, vida selvagem, ecossistemas e meio ambiente", disse o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.
"Infelizmente, esperamos ver muito clima extremo ao longo de 2020 e nas próximas décadas, alimentado por níveis recordes de gases de efeito estufa que retêm o calor na atmosfera".
2019 foi o segundo ano mais quente já registrado no planeta, diz estudo.
O ano mais quente já registrado foi em 2016, disse a OMM, devido ao impacto do aquecimento de um forte evento de El Niño. (noticiasagricolas)

Desmatamento na Amazônia cresce 85% em 2019

Segundo dados do INPE, o desmatamento na Amazônia cresce 85% em 2019.
Segundo dados do INPE, área desmatada chegou a 9.165,6 quilômetros quadrados no ano passado. Esse foi a maior devastação no bioma registrada nos últimos cinco anos.
O desmatamento na Amazônia cresceu 85,3% no ano passado em comparação com 2018, de acordo com dados divulgados em 14/01/20 pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Segundo o Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter), no ano passado, 9.165,6 Km2 de floresta foram devastados. Em 2018, foram registrados alertas de desmate numa área de 4.219,3 Km2.
A tendência de alta no desmatamento em 2019 apontada pelo Deter, que faz levantamento rápido de alertas de evidências de alteração da cobertura florestal na Amazônia, foi confirmada pela medição oficial, o Prodes, divulgada em novembro.
Esse foi o maior desmatamento na região registrado nos últimos cinco anos. Os meses que tiveram as maiores taxas de devastação do bioma foram maio, julho, agosto, setembro e novembro. Pará, Mato Grosso, Amazonas e Rondônia foram os estados mais impactados.
O desmatamento é um dos principais fatores que impulsionou os incêndios na Amazônia, que causaram comoção em todo o mundo no ano passado. Houve um aumento de 30% nas queimadas no bioma, passando dos 68.345 focos registrados em 2018 para 89.178 em 2019.
Após a repercussão internacional do aumento do desmatamento verificada a partir de julho, o presidente Jair Bolsonaro acusou, sem provas, o INPE de mentir sobre os dados e exonerou o então diretor do instituto, Ricardo Galvão, que havia rebatido as críticas do presidente. Por sua oposição ao governo e defesa da ciência, o pesquisador acabou eleito pela revista especializada Nature um dos dez cientistas que se destacaram em 2019.
O Brasil abriga 60% da Floresta Amazônica, que é um regulador chave para os sistemas vivos do planeta e também para o índice de chuvas no país. Suas árvores absorvem cerca de 2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano e liberam 20% do oxigênio do planeta.
Depois de ter sido considerado uma história de sucesso ambiental, o Brasil vem perdendo esse espaço, principalmente desde a eleição de Bolsonaro, que já declarou várias vezes a intenção de explorar a floresta e negou a existência das mudanças climáticas. Devido ao discurso do presidente e à agenda ambiental do governo, especialistas temem que o desmatamento atinja níveis alarmantes nos próximos anos. (ecodebate)

OMM confirma 2019 como o 2º ano mais quente já registrado

Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirma 2019 como o segundo ano mais quente já registrado.
O ano de 2019 foi o segundo ano mais quente já registrado após 2016, de acordo com a análise consolidada da Organização Meteorológica Mundial dos principais conjuntos de dados internacionais.
As temperaturas médias para os períodos de cinco anos (2015-2019) e de dez anos (2010-2019) foram as mais altas já registradas. Desde os anos 80, cada década é mais quente que a anterior. Espera-se que essa tendência continue devido aos níveis recordes de gases de efeito estufa que retêm o calor na atmosfera.
Média dos cinco conjuntos de dados usados na análise consolidada, a temperatura global anual em 2019 foi 1,1°C mais quente que a média de 1850-1900, usada para representar condições pré-industriais. 2016 continua sendo o ano mais quente já registrado por causa da combinação de um evento El Niño muito forte, com impacto de aquecimento e mudanças climáticas de longo prazo.
“A temperatura média global aumentou cerca de 1,1°C desde a era pré-industrial e o conteúdo de calor do oceano está em um nível recorde”, disse o secretário-geral da OMM Petteri Taalas. “No caminho atual das emissões de dióxido de carbono, estamos caminhando para um aumento de temperatura de 3 a 5°C até o final do século”.
As temperaturas são apenas parte da história. O ano e a década passados foram caracterizados pela retirada de gelo, níveis recordes do mar, aumento do calor e da acidificação dos oceanos e condições climáticas extremas. Eles combinaram-se para ter grandes impactos na saúde e no bem-estar dos seres humanos e do meio ambiente, conforme destacado pela  Declaração Provisória da OMM sobre o Estado do Clima Global em 2019 , apresentada na Conferência de Mudança Climática da ONU, COP25, em Madrid. A declaração completa será emitida em março de 2020.
“O ano de 2020 começou de onde parou 2019 – com clima de alto impacto e eventos relacionados ao clima. A Austrália teve o ano mais quente e seco já registrado em 2019, estabelecendo o cenário para os enormes incêndios florestais que foram tão devastadores para pessoas e propriedades, vida selvagem, ecossistemas e meio ambiente”, disse Taalas.
“Infelizmente, esperamos ver muito clima extremo ao longo de 2020 e nas próximas décadas, alimentado por níveis recordes de gases de efeito estufa na atmosfera”, disse Taalas.
Mais de 90% do excesso de calor é armazenado no oceano do mundo e, portanto, o conteúdo de calor do oceano é uma boa maneira de quantificar a taxa de aquecimento global. Um novo estudo publicado em 13/01/20 em Avanços em ciências atmosféricas, com dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica / Centro Nacional de Informações Ambientais e do Instituto de Física Atmosférica, mostrou que o conteúdo de calor do oceano atingiu um nível recorde em 2019. Os últimos cinco anos são os cinco anos mais quentes do oceano historicamente com instrumentos modernos, e os últimos dez anos também são os dez anos já registrados.
Os registros modernos de temperatura começaram em 1850. A OMM usa conjuntos de dados (com base em dados climatológicos mensais da Global Observing Systems) da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos, Goddard Institute for Space Studies da NASA e Met Office Hadley Centre do Reino Unido e Universidade de Unidade de Pesquisa Climática de East Anglia, no Reino Unido. 
Ele também usa conjuntos de dados de reanálise do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo e seu Serviço de Mudança Climática Copernicus e a Agência Meteorológica do Japão. Este método combina milhões de observações meteorológicas e marinhas, inclusive de satélites, com modelos para produzir uma análise completa da atmosfera. A combinação de observações com modelos torna possível estimar temperaturas a qualquer momento e em qualquer lugar do mundo, mesmo em áreas com poucos dados, como as regiões polares.
A dispersão entre os cinco conjuntos de dados foi de 0,15°C, sendo que o mais baixo (1,05°C) e o mais alto (1,2°C) foram mais de 1°C mais quentes que a linha de base pré-industrial. (ecodebate)