terça-feira, 31 de agosto de 2010

Queimadas aumentaram 100%

Dados do INPE registram que focos de queimadas aumentaram 100% em relação a 2.009.
O número de focos de incêndios acumulado entre os dias 1° de janeiro e 16 de agosto aumentou 100% em relação ao mesmo período de 2009. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), até 16/7, registrava 30.825 focos de incêndios em todo o Brasil, o dobro de 2009, quando foram registrados 15.228 focos. De acordo com o coordenador do Monitoramento de Queimadas do INPE, Alberto Setzer, 2010 está sendo um ano muito mais seco do que 2009, com temperaturas mais altas, umidade relativa do ar mais baixa e sem chuvas, o que facilita o uso e a propagação do fogo. “Em 2009, essa região do Brasil Central chegou a ter 10 milímetros de chuva em agosto. Este ano, até agora, não caiu uma gota d’água. Em partes de Minas Gerais e Goiás e no Tocantins não chove há mais de três meses”, comparou. Além da questão climática, Setzer disse que o aumento expressivo dos focos de queimadas de um ano para o outro também se deve á dinâmica do setor agropecuário e ao período eleitoral. Na avaliação do pesquisador, o momento econômico favorável à expansão dos rebanhos e das áreas agrícolas leva ao aumento do uso de fogo pelos produtores rurais, para abrir pastagem e limpar a terra para o cultivo. Com a estiagem e a vegetação seca, o risco de perder o controle da queimada é quase inevitável. Já o período eleitoral influencia na fiscalização. “Por ser ano eleitoral, a fiscalização não está tão intensa quanto poderia estar”, ponderou Setzer. A indefinição sobre o futuro da legislação ambiental brasileira – com a possibilidade de mudanças no Código Florestal – também pode estar estimulando, segundo ele, crimes ambientais, inclusive as queimadas. “Nenhuma dessas queimadas é natural. Sempre começam porque alguém fez o que não devia, agindo contra as leis florestais. Não são incêndios naturais, o clima seco ajuda a expandir, mas alguém começou o fogo”, explicou o pesquisador. As chamadas queimadas naturais, segundo Setzer, só acontecem no período de chuvas, porque são provocadas por raios. E não têm o mesmo efeito devastador que os incêndios provocados. “Esse fogo natural ocorre a cada cinco ou dez anos. As queimadas propositais às vezes são feitas mais de uma vez por ano. Não há ecossistema ou vegetação que suporte”. O aumento expressivo do número de focos de queimadas em 2010 ainda não deverá ter reflexos na taxa anual de desmatamento, calculada pelo INPE e com previsão de divulgação até novembro. Isso porque a taxa considera apenas o chamado corte raso, desmate total de uma área, o que o fogo não faz sozinho. “O fogo danifica muito a floresta, há uma degradação intensa, o que facilita o processo de desmate”, explica Setzer. “Todas as áreas afetadas pelo fogo em pouco tempo deixam de ser floresta e viram outra coisa”, acrescenta. Pelo menos para os próximos dias, a previsão é que as condições climáticas continuem favoráveis às queimadas, com a combinação de estiagem, altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar. Em 17/08/2010, em todo o Brasil, o INPE registrou 13,5 mil focos de incêndios. (EcoDebate)

INPE registra quase 12 mil focos de queimadas

Estado – Focos AC – 136 AM – 415 BA – 221 CE – 3 DF – 9 ES – 4 GO – 489 MA – 439 MG – 351 MS – 531 MT – 3.542 PA – 2.080 PE – 4 PI – 370 PR – 83 RJ – 29 RO – 970 RR – 2 RS – 95 SC – 74 SP – 306 TO – 1.009 Total - 11.162
Tabela dos Focos Acumulados por estados do Brasil – Todos satélites – 2010/08/23 (00:00 GMT) a 2010/8/24 (02:30 GMT)
Gráfico dos Focos Acumulados por estados do Brasil – Todos satélites – 2010/08/23 (00:00 GMT) a 2010/8/24 (02:30 GMT)
Mapa de Focos de Queima Acumulados – Todos satélites – 2010/08/23 (00:00 GMT) a 2010/8/24 (02:30 GMT)
Nota: O INPE possui um dos mais eficazes sistemas de monitoramento de queimadas em tempo real do planeta, pode ser visualizado no site http://www.dpi.inpe.br/proarco/bdqueimadas/erelat/rUC_20100822_233000.html No entanto, isto pouco ou nada significa se não existir uma capacidade de reação e combate às queimadas com eficácia equivalente. É inaceitável que, como ocorre há décadas, o país continua em chamas e os (ir)responsáveis impunes. (EcoDebate)

O Brasil queima

Nos últimos dias, o Rio Grande do Sul ficou envolto na fumaça das queimadas. No website do Inpe, é possível acompanhar o monitoramento do fogo no país, onde podemos constatar uma triste realidade: já são mais de 40 mil focos de incêndio em 2010, no Brasil. O fogo como método de “preparo” para a terra remonta a milhares de anos, praticado pelos indígenas que habitavam o território das Américas. Como muitas tribos viviam em meio às florestas, as queimadas para a agricultura já causavam a perda da biodiversidade, no entanto, a dimensão das áreas incineradas era ínfima, comparada ao que o colonizador branco devastou depois. Além do motivo agrícola, o método utilizado pelos indígenas para subsistência passou a ser praticado em larga escala pelos portugueses, na procura pelas minas de ouro e depois para desbravar o território, nas bandeiras. Áreas imensas da Mata Atlântica sucumbiram ao fogo para dar lugar às cidades e às plantações de café. No Rio Grande do Sul, também a mata de araucárias ardeu em chamas, com a desculpa de “limpar” áreas para o plantio. Um dos problemas é a visão que muitos brasileiros tiveram (e ainda têm) da floresta e da própria natureza. Na chegada dos primeiros colonizadores, houve o deslumbramento e até um certo receio. Depois, ela foi considerada um empecilho, um entrave no caminho do progresso. A floresta tinha que ser retirada para que o país pudesse expandir as fronteiras agrícolas, as cidades, e com isso, atingir o desenvolvimento. Entretanto, continuar com essa prática nefasta é inadmissível. É queimando o Cerrado e a Amazônia que o Brasil pretende cumprir as metas apresentadas em Copenhague, ano passado, de reduzir as emissões de gases do efeito estufa entre 36,1% e 38,9%, até 2020? Em meio à campanha eleitoral, cabe ainda mais uma pergunta: quais as propostas dos principais candidatos à Presidência da República para acabar com o descaso histórico do Brasil com seus recursos naturais? É preciso muito mais do que o discurso da sustentabilidade para resolver o problema das queimadas. Além da impunidade histórica, a presença de agentes do Estado não é suficiente para conter o fogo. Em pleno ano da biodiversidade, o país que possui as maiores reservas florestais do planeta as queima. O quadro é desanimador. Resta torcer para que Estado e sociedade se deem conta de que precisam da natureza para viver, antes que o fogo consuma a última árvore e seja tarde demais. (EcoDebate)

Aumenta os focos de incêndio no Brasil

INPE registra 12 mil focos de incêndio em todo o país.
Aves fogem dos incêndios que persistem em áreas próximas a Brasília. Os focos estão espalhados por 18 estados e no Distrito Federal. O Pará é o estado mais atingido, com mais de 5 mil focos. A situação é mais grave na Reserva Indígena Xikrin do Cateté, região sobrevoada pelos bombeiros desde sábado Pará registra mais de 5 mil focos de incêndio; no Tocantins, fogo atinge áreas urbanas – Pouco mais de 12 mil focos de incêndio foram registrados ontem (16) em todo o país, segundo relatório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os focos estão espalhados por 18 estados e pelo Distrito Federal. A maioria (5.046) concentra-se no Pará. Segundo o coordenador de Operações do Corpo de Bombeiros do Pará, coronel Mario Wanzeler, as queimadas já estão sob controle e monitoramento em todo o estado. O local onde a situação é mais grave é a Reserva Indígena Xikrin do Cateté, região que é sobrevoada pelos bombeiros. “É uma área de difícil acesso. Para se ter uma ideia, da sede da Funai [Fundação Nacional do Índio] para lá são quatro dias de caminhada. Por isso só soubemos do incêndio no dia 09/08/2010 e ainda não sabemos a extensão da área atingida”, disse o coronel Wanzeler. Ainda de acordo com ele, os demais focos de incêndio se concentram no sul do Pará em áreas de fazendas ou assentamentos e próximas a rodovias. “A pavimentação emana muito calor e a vegetação é sensível. Isso, somado à ação humana, cria os incêndios”, explicou. Segundo ele, até uma lata de plástico ou alumínio jogada por um motorista pode esquentar e dar início a um incêndio. No Tocantins, onde foram registrados 1.750 focos, a situação preocupa os bombeiros pois o fogo chegou às áreas urbanas e novos registros têm surgido todos os dias. Nas proximidades de Palmas, os bombeiros trabalham há uma semana na Serra do Carmo. Hoje um grupo foi enviado ao distrito de Taquaraçu, a 20 quilômetros da capital, para combater o fogo. Segundo o major Geraldo Primo, o trabalho na serra é complicado porque as condições são propícias para o fogo e surgem novos focos todos os dias. “Na parte alta, o capim tem mais de 1 metro de altura e com muito vento as labaredas podem chegar a 4 metros. Mesmo na parte baixa, o acesso é dificultado pela vegetação fechada. Em 12 horas por dia de trabalho, gastamos seis horas só com a locomoção da equipe”, contou.Apesar de atingir áreas urbanas da capital tocantinense, o fogo não fez nenhuma vítima na cidade. Uma chácara foi incendiada, mas não havia ninguém na propriedade. O major recomenda que nesta época de estiagem haja sempre alguém em casa para avisar os bombeiros no caso de o fogo se aproximar. Ele também faz um apelo à população: “É preciso denunciar quem está colocando fogo em entulhos e pastagens. Se a sociedade não ajudar, podemos colocar mil homens no combate que o fogo não vai ser contido”, afirmou. (EcoDebate)

Chega de queimadas

Alto Paraíso (GO). Incêndio destrói vegetação nativa na Chapada dos Veadeiros, às margens da Rodovia GO-239. O Brasil arde como nunca. Mais precisamente, 135% a mais do que no ano passado, segundo medição do NOAA-15, um dos nove satélites que o INPE usa para monitorar o problema. Não é sazonal. É o resultado de outros crimes e do descuido do governo em combatê-los: o desmatamento, o fogo na mata e no pasto, as serrarias ilegais, as carvoarias. A seca ajuda a propagar, mas não é a causa do fogo. O clima está seco, muito seco. A baixa umidade relativa do ar se espalha por grande parte do Brasil. O que já seria fonte de problemas brônquios é agravado pela fumaça que encobre grande parte do país provocada por milhares de focos de incêndio. Quantos, é difícil saber, porque se for usado só um satélite dá para ver o aumento percentual, mas a contabilidade pode ser parcial; se forem usados todos os satélites, haverá dupla contagem. Na página do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) está registrado que usando-se só o satélite de referência houve no país, de primeiro de janeiro a 26 de agosto, o incrível número de 41.636 focos de incêndio, e apenas do dia 26 para o dia 27 os focos foram 1.391. O campeão é Mato Grosso, com aumento de 183% em relação a 2009 e 11.529 incêndios. Claro que nada disso é aceitável. Mas a grande pergunta é por que o Brasil pega fogo desse jeito? Quando se conversa com técnicos do INPE, o que eles dizem com todas as letras é que deixada quieta a natureza não pega fogo sozinha. A secura cria as condições propícias para o problema se propagar. Mas a origem do fogo é humana. O pesquisador Paulo Barreto, do Imazon, explica as várias formas de queimadas que já viu em suas viagens pela Amazônia, onde vive: — A seca torna o país mais vulnerável, mas a ameaça do fogo é criada por gente. O fogo é usado para limpar o solo depois do desmatamento, ou então para reformar o pasto de uma forma rápida e barata. Quando se desmata para tirar a madeira, sem qualquer técnica, fica muita árvore morta na floresta, muita vegetação seca. Isso torna a área propícia à propagação do fogo, venha ele de alguma área desmatada próxima ou algum pasto sendo reformado nas proximidades. Os crimes vão assim se associando. Quando se desmata uma área, o proprietário — na maior parte das vezes, grileiro — tira as melhores madeiras e põe fogo no resto para limpar tudo e preparar para o plantio. Nos pastos, a forma mais preguiçosa de preparar é pôr fogo em tudo. Quando se invade uma área para tirar a madeira dessa forma predatória, cada árvore que cai derruba dezenas de outras que, mortas e ressecadas, tornam toda a área vulnerável a incêndio. Há outros focos que nascem das práticas desatualizadas da agricultura, mesmo quando ela é legal. As áreas de plantios e pastos são preparados frequentemente com o fogo. E ele se alastra. Muitas vezes causa conflito entre vizinhos que, ou se protegem com aceiros — uma espécie de cordão de isolamento feito com uma parte sem qualquer vegetação — ou têm suas áreas queimadas pelo fogo descontrolado. A indústria de cana-de-açúcar, mesmo nas áreas mais ricas do país, ainda usa em grande parte o fogo como técnica de produção. A queimada da cana produz uma fumaça muito prejudicial à saúde. Outra fonte de fogo são as serrarias, as carvoarias, em geral, ilegais. Essas serrarias deixam acumular em seus pátios montes de vários metros de resíduos de madeira — pó de serra. Para limpar a área, eles ateiam fogo e aquilo fica queimando dias, liberando uma fumaça altamente lesiva à saúde. Eu vi em Paragominas, quando estive lá, em madeireiras, esses montes impressionantes. Um deles tinha cinco metros de altura e vinte de comprimento. — Em Paragominas, já houve caso de morte de crianças que foram brincar em cima desse monte, quando ele estava já queimando de baixo para cima — diz Barreto. O pesquisador do Imazon conta outras formas de risco de propagação: — Na Amazônia, a gente vê vários problemas como, por exemplo, o que eles chamam de fogo de copa. Uma área de floresta enfrenta um fogo num ano que não destrói, mas fragiliza a mata. No ano seguinte, outro fogo vem e toma tudo até às copas das árvores. O fogo nasce também da desordem urbana, do descuido dos fumantes com suas guimbas, dos vários tipos de comportamento pirotécnico. Em alguns episódios, está claro que é fogo criminoso mirando a destruição de áreas de preservação, como está acontecendo na Serra da Canastra, no sul de Minas. O rastro do fogo revela outros crimes e a falha do governo em coibir a ilegalidade e forçar o respeito à lei. O que piora tudo é que a secura pode se agravar. — Num cenário de mudança climática, isso pode se repetir e a fragilidade aumenta. O fogo acaba provocando muito prejuízo para a saúde humana, para a aviação, além da destruição do meio ambiente — diz Paulo Barreto. As queimadas trazem prejuízos econômicos, como a interrupção de fornecimento de energia. O pesquisador Roberto Smeraldi, da ONG Amigos da Terra, diz que as linhas de transmissão de energia que cortam o Brasil ficam vulneráveis ao fogo. — Temos um sistema de transmissão interligado, com linhas extensas. As concessionárias frequentemente sofrem com interrupção. Outro problema é que as queimadas em plantações de cana deixam de utilizar o bagaço para a geração de bioenergia. Há desperdício — disse. Smeraldi cita outos impactos, como a interrupção do fluxo de barcos em hidrovias, por falta de visibilidade, e o risco para a aviação civil. Aeronaves não conseguem pousar por causa da fumaça: — Na Amazônia, mudar de aeroporto pode significar mais 2 horas de voo. As distâncias são muito grandes.O movimento que Smeraldi lançou pelo Twiter, o #chegadequeimadas, em dois dias reuniu 25 mil pessoas e já teve 130 mil retweets. O fim da queimada significa também o combate a vários crimes, com os quais não podemos mais conviver. (EcoDebate)

domingo, 29 de agosto de 2010

Amazônia perde 490 mil hectares de áreas

Imazon: Amazônia perde 490 mil hectares de áreas protegidas em um ano.
A Amazônia perdeu pelo menos 49 mil quilômetros quadrados (km²) de áreas protegidas por causa da extinção e redução de unidades de conservação (UCs) e terras indígenas entre 2008 e 2009. A área equivale aos estados de Alagoas e Sergipe juntos. Os números são de levantamento da organização não governamental (ONG) do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgado em 23/08/2010. Entre novembro de 2008 e novembro de 2009, a ONG identificou e avaliou 37 tentativas formais de alteração de 48 áreas protegidas na Amazônia. Entre as medidas, estavam projetos legislativos sugerindo redução ou extinção das reservas, ações judiciais, decretos, portarias e propostas de zoneamento econômico-ecológico. Até julho de 2010, segundo o Imazon, 93% das iniciativas que foram concluídas resultaram na perda de 49.506 km² de áreas protegidas. Na grande maioria dos casos, a supressão se deu em áreas estaduais. O relatório do Imazon cita, por exemplo, a redução de UCs para implantação de projetos de infraestrutura – estradas e pequenas centrais hidrelétricas – em Rondônia e Mato Grosso. A redução de unidades de conservação de responsabilidade federal também entrou na conta. Um dos casos é a Floresta Nacional de Roraima, reduzida por decreto legislativo. O outro é o da Floresta Nacional do Bom Futuro, em Rondônia, próxima às usinas do Rio Madeira. Após um impasse para liberação de uma licença estadual para a obra da Usina de Jirau, um acordo entre o Ministério do Meio Ambiente e o governo do estado resultou na cessão de parte da Floresta Nacional (Flona) para a regularização de um assentamento. Além dos quase 50 mil km² que perderam status de áreas protegidas, mais 86,5 mil km² correm o mesmo risco, segundo o Imazon. As áreas são alvos de 13 projetos legislativos e ações judiciais ainda em tramitação. Os pesquisadores sugerem o fortalecimento da fiscalização, a consolidação das áreas protegidas e mais rigor na análise das propostas de alteração de UCs como medidas para evitar novas supressões ou reduções de reservas. (EcoDebate)

Queimadas em 2010 superam as de 2007

Áreas das queimadas em 2010 podem superar as de 2007. O estrago provocado pelas queimadas este ano pode ser maior do que em 2007, quando foi registrado o maior número de incêndios dos últimos cinco anos. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a situação mais crítica ocorre no Tocantins, onde as queimadas já destruíram 216 mil hectares do Parque Nacional do Araguaia. O instituto também considera crítica a situação no sul do Pará e em Rondônia. “Esse ano, as condições climáticas estão atípicas. Em 2007, pudemos ter tido mais focos de incêndio, mas em 2010 a destruição pode ser bem maior e relevante, porque o fogo está se espalhando muito rápido”, afirmou o coordenador das Unidades de Conservação Nacional do ICMBio, Paulo Carneiro. As queimadas atingem, ainda no Tocantins, o Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba. Essa área, segundo o instituto, é a maior reserva de cerrado preservado no país. “Essa área tem atenção especial, temos equipes trabalhando para conter o fogo, que está aparecendo, mas alguns locais são de difícil acesso”, contou o coordenador. Segundo Paulo Carneiro, a maioria das queimadas são provocadas por ação criminosa do homem e estão sendo investigadas, para que os culpados sejam punidos. “Os incêndios são causados pela ação criminosa do homem, que coloca fogo para renovar a pastagem e fazer manejo de recurso natural. Estamos fiscalizando e fazendo perícia para que os responsáveis por isso sejam responsabilizados”, disse Paulo Carneiro. De janeiro a agosto de 2007 foram registrados 59.915 mil focos de incêndios no Brasil. Em 2010, até aqui, foram contabilizados 37.788 focos, sendo a maioria deles em Mato Grosso (3.953), no Pará (2.607) e Tocantins (1.133). (EcoDebate)

Desafios para controlar as queimadas no Brasil

Novos desafios para o controle das queimadas no Brasil.
As florestas, o uso e a mudança da terra contribuem com cerca de 1,6 bilhões de toneladas de carbono lançado na atmosfera a cada ano, que significa 17,4% das emissões globais de gases causadores do efeito estufa. A maioria dessas emissões é causada por desmatamento e degradação florestal. As causas são diversas: políticas setoriais divergentes das políticas ambientais; políticas de desenvolvimento regional descompromissadas com os princípios de desenvolvimento sustentável; a pobreza; mudanças econômicas introduzidas por surtos de exportação; subsídios agrícolas; demanda de produtos agrícolas e pecuários; distorções de mercado como as que são causadas pelas proibições de exportação de madeira; governabilidade precária de terras e florestas, entre outras. Nos últimos dias temos sido bombardeados por informações em várias mídias do aumento do número de queimadas em vários estados do Brasil e também em outros países (Rússia e Estados Unidos). O monitoramento e detecção das queimadas e desmatamento utilizados no Brasil são feitos pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE). Nos últimos anos dois anos foram detectados alterações no padrão de desmatamento, em particular na Amazônia brasileira. O desmatamento agora vem ocorrendo em pequenas propriedades e áreas rurais, principalmente na Amazônia Brasileira. Essas propriedades foram alvo nos últimos anos de políticas permissivas de usos da terra, sem um controle mais efetivo por parte do Estado, pondo em cheque as principais diretrizes e metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Mudanças Climáticas – PNMC, o Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia – PPCDAm e pelo Plano Amazônia Sustentável – PAS, que procuram atender as demandas e propostas do próprio governo junto aos fóruns internacionais de mudanças climáticas. Essa mudança enseja um novo olhar ou mudanças dos paradigmas vigentes pelos nossos legisladores e gestores. A principal meta estabelecida pelo Plano Nacional de Mudanças Climáticas é a redução em 80% o índice de desmatamento anual da Amazônia até 2020, sendo que a redução das taxas de desmatamento deverá ocorrer de forma sustentada, em sua média quinquenal, em todos os biomas brasileiros, até que se atinja o desmatamento ilegal zero. Dado o prolongamento da seca em várias regiões do mundo e do Brasil, bem como o acirramento das práticas das queimadas produtores rurais que não dispõem de tecnologia e recursos financeiros para a prática da agricultura, aliado a fatores culturais que utilizam o fogo como forma de preparo do solo, temos que nos perguntar se tais políticas, planos e programas de governo estão efetivamente atingindo suas metas, e mais do que isso, se estão atuando nas causas dos problemas observados. Muitas das ações e instrumentos utilizados pelos órgãos responsáveis tiveram o mérito de reduzir o desmatamento, que até então estava ligada ao grande capital, porém agora, num primeiro momento, para que essa redução continue teremos que atentar para os pequenos produtores e comunidades locais, sem termos medo de sermos politicamente incorretos. Essa nova abordagem irá requerer de nossos gestores e legisladores coragem e novas posturas, principalmente por se tratar de um público que teve durante muito tempo, e ainda o é, desassistida por várias políticas públicas. Fernando Paiva Scardua é atualmente pesquisador Associado do Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da Universidade de Brasília. Graduado em Engenharia Florestal pela Universidade de Brasília, tem mestrado em Ciências Florestais pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – ESALQ/USP – Piracicaba, doutorado em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília e Pós-Doutorado pelo Institut de Recherche pour le Développement, França. Tem experiência na área ambiental nos seguintes temas: licenciamento ambiental, Políticas Públicas, Descentralização, Gestão Ambiental, Unidades de Conservação, Política Ambiental, Recursos Hídricos, Biodiversidade e Recursos Florestais. (EcoDebate)

Ibama fiscaliza desmatamentos e queimadas

Ibama fiscaliza desmatamentos e queimadas ilegais na Caatinga Cearense.
A Superintendência do IBAMA no Ceará e seus escritórios, com o apoio da superintendência da Paraíba e da Divisão de Proteção Ambiental de Brasília, realizam a Operação São José que atua prioritariamente no Bioma Caatinga e tem como objetivo coibir desmatamentos e queimadas ilegais, fiscalizar Planos de Manejo e consumidores finais de lenha. A operação acontece num momento em que todos estão voltados para os problemas e desafios que enfrentam as regiões áridas e semiáridas do planeta, na Segunda Conferência Internacional sobre Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento Sustentável em Regiões Semiáridas – ICID 18, que ocorreu na cidade de Fortaleza.
A Operação São José é realizada em todo Nordeste, na região do semi-árido brasileiro onde há caatinga. Até o momento, foram fiscalizados alvos nos Municípios de Quixeramobim, Quixadá, Senador Pompeu e Mombaça, totalizando 11 autos de infração, mais de R$ 205 mil reais em multas, nove termos de apreensão, dois embargos e duas notificações. Um dos problemas recorrentes, encontrado pela equipe, é o comércio de Documento de Origem Florestal – DOF. Este documento é necessário para informar o local de extração da madeira e todo seu percurso até o destino final.
A operação se concentra nos grandes consumidores de madeira, como as cerâmicas, o Polo Gesseiro do Araripe, a secagem de grãos do agronegócio e as carvoarias, que também devem apresentar o DOF. É preciso ressaltar que toda esta madeira nativa da Caatinga é transformada em lenha, a maior matriz energética nesta região. (EcoDebate)

Queimadas: Ainda fazemos desertos

Historicamente, o Brasil queima. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), no monitoramento de queimadas disponível em seu website, registra cerca de quarenta mil focos de fogo em 2010, durante outro quente agosto de nossa história. O fogo como método de “preparo” para a terra remonta há milhares de anos, praticado pelos indígenas que habitavam o território das Américas. Como muitas tribos viviam em meio às florestas, a prática da agricultura já causava a perda da biodiversidade, através das queimadas. É claro que a dimensão das áreas incineradas era ínfima, comparado ao que o colonizador branco devastou depois. Assim como a prática do fogo, os discursos preocupados com as consequências para o homem e o meio também são antigos. Euclides da Cunha, há 108 anos já tratava, em seus escritos, o problema das queimadas. O assunto aparece na primeira parte de Os Sertões – A Terra – subcapítulo “Como se faz um deserto”, e no artigo “Fazedores de Desertos”, publicado em O Estado de S. Paulo em 22 de outubro de 1901. No clássico Os Sertões, depois de apresentar dados geográficos, geológicos e climáticos dos sertões do norte, o autor discorre sobre a ação de “um agente geológico notável – o homem” – sobre o meio, que, “de fato, não raro reage brutalmente sobre a terra e entre nós, assumiu, em todo o decorrer da história, o papel de um terrível fazedor de desertos”. Além do motivo agrícola, o hábito utilizado pelos indígenas para subsistência passou a ser praticado em larga escala pelos portugueses para desbravar o território, dilacerando a floresta “de chamas, para desafogar os horizontes e destacar bem perceptíveis, tufando nos descampados limpos, as montanhas que o norteavam, balizando a marcha das bandeiras”. Euclides chega a citar decretos de 1713, por meio dos quais o governo colonial tentava “por paradeiro” nas queimadas. E alerta: “Imaginem-se os resultados de semelhante processo aplicado, sem variantes, no decorrer dos séculos”. No artigo “Fazedores de desertos”, um trecho poderia ter sido escritos nesta semana, em virtude do aumento dos focos de incêndio que chegaram a provocar uma nuvem de fumaça cobrindo grande parte do Brasil. O volume de biomassa queimando gera tamanha emissão de carbono na atmosfera que “a temperatura altera-se, agravada nesse expandir-se de áreas de insolação cada vez maiores pelo poder absorvente dos nossos terrenos desnudados, cuja ardência se transmite por contato aos ares, e determina dois resultados inevitáveis: a pressão que diminui tendendo para um mínimo capaz de perturbar o curso regular dos ventos, desorientando-os pelos quatro rumos do quadrante, e a umidade relativa que decresce, tornando cada vez mais problemáticas as precipitações aquosas”. Ainda que Euclides se referisse ao sertão nordestino, suas considerações cabem aos outros biomas que ainda sofrem com as queimadas no Brasil. Para o autor, o deserto iniciado por razões naturais era intensificado pelo fogo. Entretanto, não se trata de criar desertos como o Saara, ou o Atacama, por exemplo, e sim o alerta de que o homem pode contribuir na transformação de um bioma de floresta em uma espécie de savana. Pesquisas recentes têm demonstrado que Euclides tinha razão. Geógrafos têm constatado que os fenômenos de desertificação e de savanização são acelerados quando o homem interfere. O que mais assombra na leitura desses textos de Euclides da Cunha não é tanto a preocupação ambiental, pois, como havia recebido uma sólida formação, Euclides dominava conceitos da geologia, geografia, biologia, e ecologia, correntes desde o século XIX nos meios científicos. Ideias conservacionistas também já eram manifestadas há tempos, por José Bonifácio (que também se manifestou contra as queimadas), entre outros autores. O que causa maior espanto é a perpetuação de um método tão rústico e agressivo após mais de um século de “Fazedores de desertos”. Como isso ainda é possível no país onde se encontram as maiores reservas florestais do planeta? É queimando o Cerrado e a Amazônia que o Brasil pretende cumprir as metas apresentadas em Copenhagen, ano passado, de reduzir as emissões de gases do efeito estufa entre 36,1% a 38,9%, até 2020? Em meio à campanha eleitoral, cabe ainda mais uma pergunta: quais as propostas dos principais candidatos à Presidência da República para acabar com o descaso histórico do Brasil com seus recursos naturais? As queimadas são praticadas impunemente onde não há presença suficiente de agentes para coibi-las. A Brigada Prevfogo, apesar de sua atuação heróica, não tem como dar conta de milhares de focos espalhados em áreas imensas das regiões Norte e Centro-Oeste. Diante de uma cortina de fumaça, que atinge cidades como Porto Alegre (onde provocou chuva ácida), há milhares de quilômetros de distância, assistimos atônitos a emissão de toneladas de gás carbônico na atmosfera, além da perda irremediável de biodiversidade. Para Euclides, o homem não conseguia conviver com a natureza: extinguia-a. Parece que continuamos com grande dificuldade de convivência, e com enorme relutância em entender o quanto é necessário esse convívio. Depois de tanto tempo, esses textos de Euclides ainda podem propiciar a reflexão sobre a relação do homem com a natureza, o que, hoje, mais do que nunca, é fundamental. (EcoDebate)

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Recuperar florestas captura mais CO2

Recuperar florestas captura mais CO2 do que plantações de uma única espécie. A absorção de CO2 é mais uma razão para recuperar e preservar as matas nativas. Segundo estudo realizado na Austrália, o reflorestamento é mais eficiente que o plantio de uma única espécie para reter o dióxido de carbono na atmosfera. A pesquisa foi publicada no periódico Ecological Management & Restoration. Essa descoberta confronta a visão tradicional sobre a eficiência da monocultura no plantio de árvores. Depois de testar três tipos de plantações no nordeste da Austrália – monocultura de coníferas nativas, plantações mistas e recuperar florestas tropicais originais com árvores diversas – os pesquisadores constataram algumas diferenças. Florestas recuperadas eram mais densas, tinham árvores maiores e capturavam 106 toneladas de CO2 por hectare, contra apenas 62 toneladas armazenadas em plantações não-nativas. A pesquisa é importante, pois aparece num momento em que nações e empresas estudam maneiras de compensar emissões de gases-estufa com ações de preservação e reflorestamento. Cientistas florestais alertam para o risco de haver disseminação de florestas de uma única espécie mundo afora. “Os investidores procuram a maneira mais barata de mitigar emissões” diz John Kanowski, ecologista da Australian Wildlife Conservancy e um dos autores do estudo. Plantações em monoculturas têm sido usadas para fins industriais e são fonte de recursos como madeira e borracha. No entanto, esse modelo é controverso, sendo chamado por alguns ecologistas de “deserto verde” por conta da perda da diversidade de espécies vegetais e animais. (EcoDebate)

Rússia enfrenta a questão climática

Após onda de calor e incêndios florestais, a Rússia enfrenta a questão climática.
Que consequências trarão para a Rússia a onda de calor e os incêndios que, em julho e em agosto, destruíram 200 mil hectares de florestas, aniquilaram um terço das colheitas de cereais e deixaram 2.000 pessoas sem teto? Se o custo econômico da catástrofe foi avaliado em US$ 14 bilhões (R$ 25 bilhões) – 1% do PIB -, seu custo político parece inexistente: a popularidade da dupla Putin (47% de opiniões favoráveis) – Medvedev (39%) é inabalável. Mas talvez a catástrofe esteja mudando a percepção que as autoridades têm sobre as questões ambientais. O fato de que a Rússia também pode ser atingida pela mudança climática agora parece estar sendo considerado mais seriamente pelo Kremlin. “Infelizmente, o que vem acontecendo hoje em nossas regiões centrais é a prova da mudança climática do planeta. Nunca na história de nosso país sofremos condições como essas”, reconheceu recentemente o presidente Dimitri Medvedev. Bem diferente do tom jocoso de seu antecessor Vladimir Putin que, em setembro de 2003, durante a conferência de Moscou sobre a mudança climática, foi rápido em afirmar que um “aquecimento de 2 a 3 graus não seria grave, e sim até mesmo benéfico: gastaria-se menos com casacos de pele e roupas quentes”. Onda de calor O ex-oficial da KGB, hoje primeiro-ministro, nunca realmente se sensibilizou com os argumentos ecológicos. Não foi ele que, após chegar ao Kremlin, em março de 2000, acabou com o ministério do Meio Ambiente? Deve-se lembrar que o movimento ambientalista na Rússia tem uma verdadeira dimensão política e popular, e por isso ele só poderia ser visto como um perigo para Vladimir Putin, que dirige o país como um quartel. Em meados de agosto, quando Moscou acabava de sair de uma semana de asfixias por uma espessa nuvem de monóxido de carbono vindo das turfeiras em chamas, Alexandre Berditski, conselheiro do Kremlin e presidente da Organização Meteorológica Mundial (OMM), reconheceu que “o calor anormal do verão de 2010 era o resultado da mudança climática”. Pior ainda, ele pode vir a se tornar “um fato corriqueiro”. Era preciso trazer as pessoas de volta à razão, uma vez que os analistas se puseram a atribuir responsabilidade sobre os acontecimentos aos Estados Unidos, suspeitos de terem lançado sobre a Rússia uma nova arma climática por meio de sua estação meteorológica no Alasca. Na realidade, a onda de calor (com temperaturas próximas dos 40 graus centígrados durante seis semanas, pela primeira vez em 130 anos) e os incêndios mostram a dificuldade da situação da Rússia, presa entre a dependência de matérias-primas e a vulnerabilidade aos efeitos do aquecimento climático. Quarto maior país emissor de carbono do mundo, a Rússia se comprometeu, em novembro de 2009, a reduzir suas emissões em 20% até 2020. Mas as promessas permanecem vagas. Por enquanto, as petroleiras russas continuam fiéis à prática da queima dos gases saídos dos poços de petróleo. Queimar o gás e depois lançá-lo na atmosfera é considerado uma solução relativamente eficaz para se livrar dos gases resultantes da produção petroleira. Se fossem soltos na atmosfera, os gases não queimados, cheios de metano, seriam bem mais nocivos que o CO2. A queima de gás aumenta as emissões de CO2, mas também representa uma perda considerável de energia. Segundo um relatório redigido pelo Tribunal de Contas em março, as nove maiores empresas russas queimaram em 2009 carca de 20 bilhões de metros cúbicos de gás, ou seja, o equivalente à quantidade de gás vendido pela Rússia à Itália a cada ano. Névoa tóxica Em janeiro de 2009, o governo russo deu às empresas prazo até 2012 para utilizarem 95% do gás saído dos poços de petróleo (que é a norma para as empresas ocidentais), prevendo multas para aquelas que não cumprirem a determinação. Entretanto, o jornal financeiro “Vedomosti” constatava há alguns meses que “até hoje, o governo russo não conseguiu obrigar as empresas petroleiras a realizar os investimentos necessários” para pôr um fim à queima de gás. Com os incêndios, as autoridades foram obrigadas a encarar um outro problema, ignorado durante anos, causado pelas antigas turfeiras. Concentradas nas regiões do centro e ao redor de Moscou, elas foram o principal foco de incêndio (como em 1972 e 2002). Foi por causa das turfeiras e de sua combustão lenta e profunda, impossível de controlar, que a capital russa se viu recoberta por uma névoa tóxica e densa. “Todas as janelas ficam abertas, e a fumaça é tão espessa nos corredores, nos quartos, nas salas de exames, nas salas de cirurgia quanto nas ruas. Somente as janelas da sala de recuperação ficam fechadas, mas ali domina um cheiro de queimado, bem como um fedor devido ao apodrecimento dos curativos, causado pelo calor ambiente: 40 graus centígrados”, escreveu anonimamente na internet um médico moscovita, no pior momento dos incêndios. As turfeiras secas, não exploradas desde a época soviética, representam uma reserva enorme de carbono pronta para se consumir com qualquer faísca, ainda mais que os canais de inundação não funcionam, uma vez que as bombas de água “foram todas roubadas”, contou Viktor Shurupov, chefe da Defesa Civil de Shatura (periferia de Moscou), à revista “New Time”. O governo agiu rápido, liberando 300 milhões de rublos (R$ 17 milhões) para inundar as turfeiras. Parece ser a solução menos custosa e mais eficaz para prevenir os futuros incêndios. Mas há quem seja contra, como o governador da região de Tver, Dimitri Zelenine, que declarou recentemente à “Vedomosti” que seria mais sensato cedê-las a empresas privadas para que estas as explorem e garantam sua manutenção. (EcoDebate)

Calor na Rússia X Mudanças climáticas

Para cientistas, onda de calor na Rússia pode ter relação com mudanças climáticas.
Bombeiros combatem incêndios florestais em Plotava, próximo de Moscou. As mudanças climáticas globais podem ser parcialmente responsáveis pelo clima quente e seco que vem causado incêndios na Rússia e feito com que a capital Moscou esteja há dias sob uma espessa camada de fumaça, afirmam cientistas ouvidos pela BBC. De acordo com Jeff Knight, cientista especializado em variações climáticas do UK Met Office, o centro nacional de meteorologia da Grã-Bretanha, a situação vivida por Moscou pode ser atribuída a diversos fatores, entre eles, a concentração de gases causadores do efeito estufa, que vem aumentando de forma constante. Segundo o pesquisador, o fenômeno El Niño, que consiste no aquecimento das águas do Oceano Pacífico e afeta o clima em várias partes do mundo, além de padrões climáticos locais, também podem estar contribuindo para as condições anormais registradas na Rússia neste verão. “A onda de calor na Rússia está relacionada a um padrão persistente de circulação de ar do sul e do leste”, diz. “Anomalias de circulação (de ar) tendem a criar anomalias de calor e frio. Enquanto está muito quente no oeste da Rússia, está mais frio que a média em partes da Sibéria”. “Isto faz com que recordes antigos de temperatura tenham sido quebrados, como, por exemplo, o de temperatura mais alta em Moscou. Nós esperamos mais temperaturas extremamente altas com as mudanças climáticas”, diz Knight. Calor Há cerca de três semanas, a Rússia vem sofrendo com uma onda de calor que tem causado uma série de incêndios florestais, que fazem com que a capital Moscou esteja há dias sofrendo com uma intensa neblina. Segundo autoridades médicas da cidade, as condições fizeram com que a taxa de mortalidade na capital dobrasse. Para cientistas ligados à ONG ambientalista WWF, o clima quente que vem causando os incêndios perto de Moscou também está relacionado às mudanças climáticas. De acordo com o chefe do programa de clima e energia da WWF Rússia, Alexei Kokorin, as altas temperaturas que chegam a 40º C aumentaram a probabilidade de incêndios nas redondezas da capital. Kokorin ainda afirma que, embora pessoas e animais já estejam sofrendo com as condições climáticas locais, é possível que as temperaturas aumentem ainda mais nos próximos anos. “Nós precisamos estar prontos para combater estes incêndios, porque há uma grande possibilidade de este verão se repetir. Esta tendência não vai parar nos próximos 40 anos, até que as emissões de gases causadores de efeito estufa sejam reduzidas”, afirmou. Segundo Kokorin, o aquecimento global cria outros problemas. “Se ficar mais quente no inverno, na primavera e no verão, a fauna irá mudar”. “Por exemplo, nunca tivemos tantas regiões na Rússia afetadas pela malária. Isto acontece porque os invernos estão se tornando mais quentes, e menos e menos desses organismos morrem durante os períodos de frio”. Há ainda informações sobre o aparecimento de águas-vivas, comuns em lagos e rios quentes da Europa, Ásia e América do Norte, no rio Moscou, cujas águas estão mais quentes que o normal. (EcoDebate)

Groenlândia dispara corrida pelo ‘ouro do Ártico’

Ajudado pelo aquecimento global, primeiro poço na Groenlândia dispara corrida pelo ‘ouro do Ártico’: petróleo e gás. As petroleiras se lançam pela segunda maior reserva de petróleo do mundo, ajudadas pelo aquecimento global. Os ecologistas alertam para o risco de vazamento em uma região muito vulnerável e onde é muito difícil limpar. O degelo pelo aquecimento permite o trânsito marítimo pela passagem do nordeste, na Sibéria. Ajudadas pelo aquecimento global, as companhias de petróleo já tocam com a ponta dos dedos as jazidas de gás e petróleo do Ártico, que acumulam 22% das reservas por descobrir. Uma firma escocesa, a Cairn Energy, anunciou na terça-feira que já implementou duas perfurações na costa oeste da Groenlândia e que encontrou gás. “Virão outras”, declarou por telefone a este jornal Jørn Skov Nielsen, diretor de Minérios e Petróleo da Groenlândia. A Cairn abriu em julho os dois primeiros poços de exploração na baía de Baffin, entre Groenlândia e Canadá. Dois navios quebra-gelo escoltam as plataformas diante da ameaça de icebergs. Ainda é cedo para saber se serão “comercialmente rentáveis”, adverte Nielsen. “Há muita exploração, mas é preciso ver se é viável extraí-lo por um bom preço.” Que há petróleo e gás é certo. Um estudo do Serviço Geológico dos EUA estimou que a Groenlândia tem a segunda maior reserva mundial de petróleo por descobrir, ficando atrás somente das de Zagros, no Irã. Seu litoral abriga cerca de 45 bilhões de barris de petróleo, o equivalente ao que o mundo consome em um ano e meio. Como explica Mariano Marzo, catedrático de recursos energéticos da Universidade de Barcelona, “não importa só o barril – que haja petróleo -, mas a torneira – que possa ser extraído”. Um aumento do preço do petróleo precipita a exploração. Marzo salienta “o paradoxo de que seja o aquecimento global que favorece a exploração do Ártico. Porque as petroleiras sim, acreditam na mudança climática”. A queima de combustíveis fósseis – petróleo, gás, carvão – emite dióxido de carbono. Esse CO2 se acumula na atmosfera, retém parte do calor que a Terra emite e aquece o planeta. A concentração atual é a maior em pelo menos 650 mil anos. E o Ártico é a região do planeta mais sensível ao aquecimento. Desde 1979, quando começaram as medições por satélite, o Ártico perde gelo. Em 16/08/2010, ocupava 5,95 milhões de quilômetros quadrados, 22% a menos que a média do período 1979-2000, segundo o Centro de Dados do Gelo e da Neve dos EUA (NSIDC, na sigla em inglês). Este ano é o segundo com menos superfície gelada desse período, ficando atrás somente de 2007. O gelo continuará se retraindo até setembro e depois voltará a aumentar. O responsável pelo governo da Groenlândia explica que a região vive uma corrida pelos recursos naturais. Há petróleo e gás, mas também minérios e diamantes, com acesso cada vez mais fácil. “Nos anos 70 houve cinco poços e em 2000 a Statoil [petroleira estatal norueguesa] abriu um. Nenhum acabou sendo viável”, explica. A Cairn, com seus 400 milhões de euros de investimento, leva vantagem. Em 24/08/2010 suas ações caíram 4,1%, ao ter descoberto gás e não petróleo, que teria sido mais rentável e fácil de manipular, mas no último ano seu valor quase duplicou na Bolsa de Londres. Outras multinacionais, como a Esso, também exploram esse litoral. Em 2007 a Groenlândia tornou-se independente da Dinamarca. Suas reservas de hidrocarbonetos foram determinantes. O primeiro-ministro Kuupik Kleist explicou ao “El País” em dezembro: “Somos os mais expostos à mudança climática, mas não deixaremos de reclamar nosso direito ao desenvolvimento. Se quisermos prescindir dos 40% do orçamento que a Dinamarca nos dá, precisamos desse petróleo.” A política da Groenlândia copia a da Noruega em busca de boa parte da torta. As empresas que operam têm de dar 12,5% de sua participação a uma empresa estatal. Isso, somado aos impostos, faz que “59% dos lucros” fiquem na ilha. Marzo explica que tentam fugir da “maldição dos recursos, a que faz que os países cuja principal receita é o petróleo vivam sem outra indústria, sacudidos por conflitos e corrupção. Só a Noruega escapa disso, graças a um fundo estatal que investe o obtido no mar do Norte. O fundo, um dos maiores do mundo, tem diversificados seus 354 bilhões de euros em cerca de 8.000 empresas. Em setembro, quando o gelo voltar a crescer, “os poços ficarão selados com cimento do final de setembro até o próximo verão”, explica o diretor das explorações no Executivo. Mas isso, depois do derramamento da BP no golfo do México, em condições muito mais favoráveis, fez disparar os alarmes. O navio Esperanza, do Greenpeace, chegou na segunda-feira à região para protestar contra a perfuração e foi freado por um barco da marinha dinamarquesa. “Ver aqui uma enorme plataforma de perfuração nesta bela e frágil paisagem é muito chocante. Os trágicos desastres do petróleo no golfo do México e na China este ano ilustram a necessidade de abandonar a dependência do petróleo. Essas operações são arriscadas demais e empresas como a Cairn deveriam abandonar o Ártico e trabalhar para desenvolver alternativas seguras e limpas”, declarou Leila Deen, responsável pela campanha do Greenpeace a bordo do navio. Na região há baleias azuis, ursos polares, focas e aves migratórias. Nielsen admite que o vazamento no golfo do México é uma preocupação a mais. “Tomamos as medidas de segurança mais elevadas para evitar efeitos desnecessários”, afirma. O problema é que um vazamento no Ártico teria um impacto muito maior. E o petróleo nessa região quase não evapora. Nada disso vai deter a corrida. Em 24/08/2010 a televisão russa anunciou que um petroleiro, o Baltika, havia cruzado a passagem do nordeste, a rota entre a Europa e a Ásia, passando pela Sibéria. Essa enorme extensão deveria estar fechada pelo gelo, mas neste verão, o segundo consecutivo, está transitável. O petroleiro saiu em 14 de agosto de 2010 do porto de Murmansk para a China, carregado com gás liquefeito e escoltado pelos quebra-gelos de propulsão nuclear Taimyr e Rossia – ninguém ainda se atreve a fazê-lo sem escolta. A empresa dona do navio, Sovcomflot, é a maior da Rússia e pretende com a viagem demonstrar a viabilidade e estudar a rentabilidade. A rota pela Sibéria para a China é de cerca de 7.000 milhas náuticas, muito mais curta que a tradicional pelo Canal de Suez. No ano passado, dois cargueiros com turbinas a gás realizaram a viagem em sentido inverso – de Seul a Roterdã -, mas não é a mesma coisa um cargueiro que um petroleiro diante de um hipotético acidente. A passagem do noroeste – pelo Canadá – não está totalmente aberta, mas como explica o NSIDC em seu site na web: “As condições atuais de gelo teriam deixado atônitos os exploradores do século 19 como McClure, Franklin y Amundsen”. Expedições inteiras foram engolidas pelo gelo em áreas que hoje são pastagens no verão. A Rússia presta especial atenção no Ártico porque lhe daria uma nova rota comercial. O primeiro-ministro Vladimir Putin visitou na segunda-feira o círculo polar ártico para, segundo declarou, ver os efeitos do aquecimento global. A Rússia está especialmente consciente este ano devido à onda de incêndios e o verão extremamente quente que teve. Os países da região, que durante anos desprezaram o norte, agora se dispõem a dividi-lo e explorá-lo. A Rússia e a Noruega encerraram sua disputa territorial sobre a jazida de gás de Shtokman, uma das maiores do mundo, e se dispõem a operá-la. Além disso, todos os países da região têm em andamento estudos geológicos do leito marinho para demonstrar diante da ONU que sua plataforma continental chega até o Polo Norte, o que lhes concederia assim a soberania. (EcoDebate)

Clima feroz destruidor

Clima feroz: ONU pede investigação sobre mudança climática e eventos extremos.
Rússia: Pontos de calor e emissão de CO2, pelos incêndios florestais, entre 1 e 8/8/2010, em foto da NASA Cientistas climáticos precisam analisar com urgência as mudanças nas correntes atmosféricas para avaliar sua ligação com as inundações devastadoras no Paquistão e os incêndios florestais na Rússia, alertou a ONU. Ghassem Asrar, diretor do Programa Mundial de Pesquisas sobre o Clima, disse à AFP que estas alterações, denominadas bloqueios atmosféricos, podem impedir a dispersão da umidade ou do calor. Segundo o cientista, com isto, chuvas fortes e ondas de calor se intensificam e ficam aprisionadas em uma área passível de sofrer eventos climáticos extremos que os cientistas afirmam que vão acontecer com maior frequência devido ao aquecimento global. Asrar afirmou que cientistas europeus fizeram um modelo relacionando o bloqueio em correntes atmosféricas e as condições climáticas que resultaram nas chuvas do Paquistão e na onda de calor na Rússia com algumas semanas de antecedência. Eles “claramente demarcaram esta formação e a rastrearam”, explicou Asrar, cujo programa é ligado, em parte, à Organização Meteorológica Mundial (OMM), da ONU. “Sabemos com certeza que os dois eventos no Paquistão e na Rússia estão relacionados”, acrescentou. Asrar e a OMM ressaltaram que as intensas monções no Paquistão e o calor na Rússia, bem como os deslizamentos de terra provocados por temporais na China e o desprendimento de um iceberg gigante na Groenlândia, nas últimas semanas, foram casos excepcionais para os padrões da ocorrência natural de eventos extremos. A OMM considerou os quatro fenômenos como “uma sequência sem precedentes de eventos” que “se comparam ou superam em intensidade, duração ou extensão geográfica, aos maiores eventos históricos previamente registrados”. “Isto traz uma questão urgente para a ciência climática: se a frequência e a duração dos bloqueios atmosféricos vão mudar ou não”, sentenciou a OMM em um comunicado. As evidências por trás do impacto e das mudanças em padrões dos bloqueios nas correntes atmosféricas, bem como a influência modificadora dos fenômenos El Niño e La Niña sobre o Oceano Pacífico, aumentam a necessidade de uma resposta urgente, argumentou Asrar. Os cientistas estão relutantes em vincular abertamente um evento isolado às mudanças climáticas, cujas medições necessitam de alterações em períodos mais longos, de anos ou décadas. Nas últimas seis semanas, Moscou tem sofrido com uma onda de calor sem precedentes, com temperaturas que já chegaram aos 40 graus Celsius e máximas diárias bem acima dos 30 graus, provocando uma crise nacional e destruindo um quarto das plantações do país. Asrar disse que as prioridades para a ciência climática e atmosférica estão “se modificando muito rapidamente”. Enquanto isso, especialistas preveem que o fenômeno La Niña durará pelo menos até o início de 2011. O fenômeno dura “normalmente por volta de 9 a 12 meses”, afirmou Rupa Kumar Kolli, pesquisador da OMM. “Por enquanto, nós não temos indícios realmente confiáveis sobre quanto tempo vai durar – pelo menos até o fim deste ano”, acrescentou. “Espera-se que as condições do La Niña se intensifiquem e durem até o inverno no Hemisfério Norte”, advertiu o Instituto Oceânico e Atmosférico Americano (NOAA) no começo deste mês. O La Niña é o efeito inverso ao El Niño, uma anomalia atmosférica que perdeu força no meio do ano, após ter sido responsabilizada por nevascas nos Estados Unidos, ondas de calor no Brasil, inundações mortais no México e seca na Argentina. O ciclo El Niño/La Niña é causado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico ocidental que se movem para o Pacífico oriental antes de se resfriarem. O La Niña está associado a monções mais intensas que o normal no Sul da Ásia, seca e estresse hídrico na América do Sul e um aumento da atividade ciclônica no Atlântico. O último fenômeno La Niña ocorreu em 2007-2008. (EcoDebate)

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Aquecimento Global: Um planeta febril

A série aparentemente interminável de loucuras climáticas no mundo reforça a tese de que o aquecimento global é para valer, e não uma construção equivocada de cientistas sensacionalistas “A Terra está pegando fogo. Então, precisamos agir rapidamente e pensar com cuidado sobre o que estamos fazendo.” O alerta é de Mickey Gjerris, professor da Universidade de Copenhague. Não se trata de uma frase de efeito. Medições meteorológicas realizadas nos mais remotos países mostram que não há um só lugar do planeta em que o clima não esteja mudando em um ritmo inesperado. Boletins, relatórios e informes refletem o que a população vê, todos os dias, nos noticiários: mortes, incêndios e prejuízos econômicos na Rússia por causa de ondas anormais de calor, tempestades e desabamentos com mais de mil vítimas fatais na China, enchentes devastadoras no Paquistão, surpresas climáticas das mais variadas no Brasil. Nem todos os fenômenos que ocorrem na natureza, como furacões, tsunamis, terremotos e mesmo estiagens e tempestades fora de época, estão relacionados à ação do homem. Desde que surgiu, há mais de 4 bilhões de anos, a Terra passa por transformações — já foi uma enorme caldeira, passou por um período de longo resfriamento e, aos poucos, assumiu o clima propício para o desenvolvimento e a manutenção das espécies que habitam o planeta. Mesmo fenômenos como o El Niño e sua “irmã” La Niña, que consistem na elevação periódica da temperatura das águas do Pacífico, podem não estar ligados ao aquecimento global. Muitos cientistas defendem que são ocorrências naturais, como as estações do ano. Ainda assim, especialistas ouvidos pelo Correio garantem que há um consenso de que as mudanças climáticas vêm acontecendo em um ritmo atípico. “Todos nós reconhecemos que o clima da Terra varia naturalmente, e já foi mais quente ou mais frio no passado. Mas também sabemos que as mudanças climáticas pelas quais passamos hoje são altamente resultantes das atividades humanas”, defende Don Wuebbles, professor de ciências atmosféricas da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos. No ano passado, ele contribuiu com o National Oceanic and Atmospheric Administration, órgão americano que monitora o clima, na elaboração de um relatório com indicadores climáticos globais. De acordo com o documento, que compila dados meteorológicos oficiais de todo o planeta, a temperatura global aumentou cerca de 0,6 ºC desde o início do século 20. Ao mesmo tempo, o nível do mar cresceu a uma taxa de 1,7mm por ano no último século, mas, desde 1993, o índice acelerou para 3,5mm por ano. Acúmulo de provas Há provas suficientes para concluir que o homem foi primordial para o recente aquecimento do planeta. “Essas provas têm sido acumuladas ao longo de muitas décadas, e provêm de centenas de estudos. A primeira linha de evidência é nosso conhecimento físico básico sobre como os gases de efeito estufa prendem o calor e como o sistema climático responde a isso”, diz o estudo. “A segunda linha de provas vem de estimativas indiretas de mudanças climáticas ao longo dos últimos mil anos. Elas podem ser obtidas de seres vivos e de seus restos, como anéis de árvores e corais, que funcionam como um arquivo natural das variações climáticas. Esses indicadores mostram que o recente aumento da temperatura é claramente incomum.” De acordo com Carlos Rittl, coordenador do Programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, serão necessários mais estudos para determinar se o aquecimento global é o responsável pelos efeitos recentes. Mas, segundo ele, não há dúvidas sobre a relação entre as atividades humanas e as mudanças climáticas. “No último século, aumentou a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, e aumentou a temperatura. O que a gente pode dizer é que o ‘paciente’, ou seja, o planeta, está doente. O que não se sabe é se a ‘febre’ está ligada ao aquecimento global”, diz. “Temos que transformar a maneira como a gente produz e consome. Não são transformações fáceis e não acontecem em um curto prazo.”Na avaliação de Rittl, um acordo deve ocorrer até 2012. Embora as expectativas em torno da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas de Copenhague, a COP-15, tenham sido frustradas, em dezembro passado, pela falta da assinatura de um documento com metas específicas, o coordenador do WWF acredita que na COP-16, daqui a três meses, os avanços podem ser significativos. “Principalmente em relação ao financiamento para as ações de mitigação”, acredita. Na reunião preparatória do evento, encerrada em 6 de setembro na Alemanha, a secretária-executiva da Convenção do Clima das Nações Unidas, Christina Figueres, afirmou que houve alguns progressos, mas reclamou das divergências que ainda impedem a construção de um texto realmente comprometido com a saúde do planeta: “É difícil preparar um prato sem uma panela. E, na verdade, parece que os governantes ainda estão construindo essa panela”. (EcoDebate)

Cientistas começam a apontam caos climático

Cientistas começam a abandonar a cautela e apontam no caos climático, evidências do aquecimento global.
Paquistão em agosto de 2.010, o país do Sudeste Asiático enfrenta as piores inundações dos últimos 80 anos. Pelos menos 1,4mil pessoas morreram e outras 20 milhões foram afetadas. No caos climático, evidências do aquecimento global, cientistas americanos começam a abandonar a cautela e a apontar o aumento da temperatura causado pelo homem como origem de desastres Inundações causaram danos em diferentes regiões dos Estados Unidos, no atual verão no Hemisfério Norte. Um dilúvio no Paquistão atingiu 20 milhões de pessoas. E ondas de calor cozinharam o leste dos EUA, partes da África, da Ásia Oriental e sobretudo a Rússia, onde milhões de hectares de trigo foram perdidos e milhares de pessoas morreram por causa da pior seca da história do país. Aparentemente sem relação, esses desastres indicam, segundo os cientistas, que o aquecimento global provoca essas mudanças extremas do clima. “Eventos extremos vêm ocorrendo com maior frequência e em muitos casos com maior intensidade”, diz Jay Lawrimore, chefe do departamento de análise climática do Centro Nacional de Dados Climáticos em Asheville, na Carolina do Norte. Em teoria, o mundo aquece por causa dos gases-estufa, o que provoca temporais no verão, nevascas no inverno, seca mais intensa em alguns lugares e ondas de calor em outros. Evidências estatísticas mostram que isso começou a ocorrer. Mas não ficou mais fácil ligar ocorrências climáticas específicas às mudanças climáticas. Muitos climatólogos relutam em ir tão longe, observando que o clima já se caracterizava por uma notável variabilidade muito antes de o homem começar a queimar combustíveis fósseis. “Se alguém me perguntar se, pessoalmente, acho que a intensa onda de calor na Rússia tem a ver com as mudanças climáticas, a resposta é sim”, diz Gavin Schmidt, pesquisador da Nasa. “Mas ao me perguntar se, como cientista, tenho provas disso, a resposta é não – pelo menos até agora”, completa. Na Rússia, essa cautela vem sendo adotada pelos estudiosos. O país sempre assume um papel relutante nas negociações globais para lidar com essas mudanças – talvez em parte porque espera tirar proveito econômico com o aquecimento do seu vasto território siberiano. Mas as ondas de calor, seguidas de seca e incêndios, numa região normalmente fria, parecem estar fazendo os russos mudarem de ideia. Se a Terra não estivesse aquecendo, as variações aleatórias do clima deveriam causar o mesmo número recorde de altas e baixas de temperatura durante um dado período. Mas os climatólogos há muito entendem que, teoricamente, num mundo que vem esquentando, o calor adicional causaria mais recordes de altas de temperatura e menos quedas. As estatísticas sugerem que está acontecendo exatamente isso. Hoje, nos EUA, temos uma queda recorde de temperatura em relação a dois recordes de alta, uma evidência reveladora de que, em meio a todas as variações aleatórias do clima, a tendência é no sentido de um clima mais quente. Tempo inusitado. De acordo com um estudo do governo americano publicado em 2008, “nas últimas décadas, excepcionalmente, grande parte da América do Norte observou mais dias e noites quentes, menos dias e noites frios e menos dias gelados”, o que também é inusitado. Mas as chuvas se tornaram mais frequentes e mais intensas. Pesquisas mostram que o aquecimento global vai agravar essas mudanças extremas em grande parte do planeta. Áreas úmidas ficarão ainda mais úmidas, dizem os cientistas, enquanto que as regiões secas se tornarão mais secas. Mas não são padrões uniformes: as mudanças na circulação dos ventos e dos oceanos podem ter efeitos inesperados, como algumas áreas ficando mais frias num mundo mais aquecido. E padrões climáticos estabelecidos há muito tempo, como as variações periódicas no Oceano Pacífico conhecidas como El Niño, devem contribuir para tais ocorrências excepcionais, como as fortes chuvas e temperaturas frias em partes normalmente áridas da Califórnia. Para os cientistas, vamos observar tempestades mais violentas no inverno e no verão, em grande parte por causa do princípio físico de que o ar mais quente contém mais vapor de água. Vamos esperar de um a dois anos até os climatólogos publicarem suas análises definitivas sobre as ondas de calor na Rússia e as inundações no Paquistão, que poderão esclarecer o papel da mudança climática nesses casos. Alguns estudiosos suspeitam de que esse calor e essa chuva foram causados ou agravados por uma mudança em uma corrente de ar que circula em altas altitudes. Alguns casos recentes foram tão severos que alguns cientistas estão abandonando sua tradicional posição de cautela e atribuindo ao clima a ocorrência de certos desastres. Kevin Trenberth, chefe do departamento de análises climáticas do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica em Boulder, Colorado, sugeriu em um estudo que o furacão Katrina trouxe mais chuvas para a Costa do Golfo porque a tempestade foi intensificada pelo aquecimento global. (EcoDebate)

Plantas crescem menos com aquecimento global

Ao contrário do que se estimava, elevação nas temperaturas reduz crescimento das plantas.
O aquecimento global não tem feito as plantas crescerem mais, como se estimava, mas sim menos. Segundo um estudo publicado na revista Science, a produtividade dos vegetais tem decaído em todo o mundo. Até então, achava-se que as temperaturas constantemente mais elevadas estariam estimulando o crescimento das plantas, mas a nova pesquisa, feita com dados de satélites da Nasa, a agência espacial norte-americana, aponta o contrário. O motivo são as secas regionais, indica o estudo feito por Maosheng Zhao e Steven Running, da Universidade de Montana, segundo o qual a tendência na produtividade já dura uma década. A produtividade é uma medida da taxa do processo de fotossíntese que as plantas verdes usam para converter energia solar, dióxido de carbono e água em açúcar, oxigênio e no próprio tecido vegetal. O declínio observado na última década foi de 1%. Parece pouco, mas, de acordo com os autores da pesquisa, é um sinal alarmante devido ao impacto potencial na produção de alimentos e de biocombustíveis e no ciclo global do carbono. “Os resultados do estudo são, além de surpreendentes, significativos no nível político, uma vez que interpretações anteriores indicaram que o aquecimento global estaria ajudando no crescimento das plantas mundialmente”, disse Running. Em 2003, outro artigo publicado na Science, de Ramakrishna Nemani, do Centro de Pesquisa Ames, da Nasa, e colegas, havia apontado um aumento de 6% na produtividade global de plantas terrestres entre 1982 e 1999. O aumento foi justificado por condições favoráveis na temperatura, radiação solar e disponibilidade de água, influenciados pelo aquecimento global, que seriam favoráveis ao crescimento vegetal. Zhao e Running decidiram fazer novo estudo, a partir de dados da última década reunidos pelo satélite Terra, lançado em 1999. Os cientistas esperavam pela continuidade da tendência anterior, mas verificaram que o impacto negativo das secas regionais superou a influência positiva de uma estação de crescimento mais longa, o que levou ao declínio na produtividade.Segundo o estudo, embora as temperaturas mais elevadas continuem a aumentar a produtividade em algumas áreas e latitudes mais altas, nas florestas tropicais, responsáveis por grande parte da matéria vegetal terrestre, a elevação nas temperaturas tem diminuido a produtividade, devido ao estresse hídrico e à respiração vegetal, que retorna carbono à atmosfera.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

10 - A Antártica está perdendo ou ganhando gelo?

Argumento cético "A quantidade de gelo ao redor da Antártica está no seu maior nível desde que os satélites começaram a monitorá-lo há quase 30 anos. É simplesmente frio demais para chover na Antártica e isso vai continuar assim por muito tempo. O fato é que há mais gelo do que nunca ao redor da Antártica." (Patrick Michaels) O que a ciência diz Enquanto o interior da Antártica Oriental está ganhando gelo continental, a Antártica como um todo está perdendo este gelo continental a uma razão cada vez mais rápida. O gelo oceânico antártico está aumentando apesar do Oceano Antártico estar se aquecendo intensamente. É importante distinguir entre o gelo continental e o gelo oceânico antártico, que são dois fenômenos separados. Notícias sobre o gelo antártico muitas vezes deixa de reconhecer esta diferença entre os dois. Para resumir a situação das tendências do gelo na Antártica: O gelo antártico continental está diminuindo cada vez mais rápido. O gelo antártico oceânico está aumentando apesar do aquecimento do Oceano Antártico. O gelo antártico continental está diminuindo Medir as mudanças no gelo continental antártico tem sido um processo difícil devido à enormidade e complexidade do manto de gelo. Porém, desde 2002 os satélites do Gravity Recovery and Climate Experiment (GRACE) têm sido capazes de cobrir todo o manto de gelo de maneira abrangente. Os satélites medem as mudanças na gravidade para determinar as variações de massa de toda o manto de gelo antártico. Observações iniciais encontraram que a maior parte da perda de massa de gelo nesse continente vem da Antártica Ocidental (Velicogna 2007). Enquanto isso, de 2002 a 2005, a Antártica Oriental esteve aproximadamente em equilíbrio. O gelo ganho no interior é compensado pela perda de gelo nas extremidades. Isso é ilustrado na Figura 1, que contrasta as mudanças de massa de gelo da Antártica Ocidental (vermelho) com a da Oriental (verde):
Figura 1: mudanças na massa de gelo (linhas contínuas com círculos) e a tendência linear (linhas tracejadas) para o manto de gelo da Antártica Ocidental (vermelho) e da Antártica Oriental (verde) para o período de abril de 2002 a agosto de 2005 (Velicogna 2007). Conforme mais dados do GRACE são disponibilizados, emerge uma compreensão mais clara do manto de gelo Antártico. A Figura 2 mostra a mudança na massa de gelo antártico para o período de abril de 2002 a Fevereiro de 2009 (Velicogna 2009). A linha azul com cruzes mostra os valores mensais, não-filtrados. As cruzes azuis estão com a variabilidade sazonal removida. A linha verde é a tendência linear.
Figura 2: Mudanças na massa de gelo para o manto de gelo antártico de abril de 2002 a fevereiro de 2009. As cruzes azuis são os dados não-filtrados. As cruzes vermelhas são os dados filtrados para excluir a dependência sazonal. A linha verde é a tendência quadrática (Velicogna 2009). Com uma série histórica mais longa, emerge agora uma tendência estatisticamente significativa. Não só a Antártica está perdendo gelo continental, mas essa perda está se acelerando a uma tasa de 26 Gigatoneladas/ano² (em outras palavras, a cada ano, a taxa de perda de gelo fica 26 Gton maior que o ano anterior). Ocorre que desde 2006, a Antártica Oriental não está mais em equilíbrio, mas na verdade está perdendo gelo (Chen 2009). Isso é um resultado surpreendente, pois a Antártica Oriental tem sido considerada estável devido à região ser tão fria. Isso indica que a Antártica Ocidental é mais dinâmica do que se pensava. Isso é significativo porque a Antártica Oriental tem muito mais gelo que a Antártica Ocidental. A Antártica Oriental contém gelo suficiente para elevar o nível dos oceanos em 50 ou 60 metros, enquanto a Antártica Ocidental contribuiria com cerca de 6 ou 7 metros. O manto de gelo Antártico desempenha um papel importante na contribuição total para o nível do mar. Esta contribuição está aumentando contínua e rapidamente. O gelo oceânico antártico está aumentando O gelo oceânico antártico tem mostrado um crescimento e longo prazo desde que os satélites começaram suas medições em 1979. Esta é uma observação que foi freqüentemente citada com prova contra o aquecimento global. Entretanto, raramente é feita a pergunta: por que o gelo oceânico antártico está aumentando? Implicitamente, toma-se como verdade que deve estar esfriando ao redor da Antártica. Definitivamente, não é este o caso. Na verdade, o Oceano Antártico tem se aquecido mais rápido que o resto dos oceanos do mundo. Globalmente, entre 1955 e 1995, os oceanos têm se aquecido em 0,1ºC por década. Em contraste, o Oceano Antártico tem se aquecido em 0,17ºC por década. Não apenas o Oceano Antártico está se aquecendo, mas isso está acontecendo mais rápido que a média global. Figura 3: Temperatura do ar na superfície sobre as áreas cobertas por gelo no Oceano Antártico (topo). Extensão do gelo oceânico, observado por satélite (em baixo). (Zhang 2007) Se o Oceano Antártico está se aquecendo, por que o gelo oceânico antártico está aumentando? Há vários fatores responsáveis. Um é a menor concentração de ozônio acima da Antártica. O buraco da camada de ozônio acima do Pólo Sul causou o resfriamento da estratosfera (Gillet 2003). Isso reforça os ventos ciclônicos que circundam o continente antártico (Thompson 2002). O vento espalha o gelo oceânico, criando áreas de mar aberto conhecidas como polínias. Mais polínias levam a mais produção de gelo oceânico (Turner 2009). Outro fator responsável é a mudança nas circulações oceânicas. O Oceano Antártico consiste de uma camada de água fria próxima da superfície e uma camada de água mais quente abaixo. Água da camada mais quente sobe à superfície, derretendo o gelo oceânico. Entretanto, conforme a temperatura do ar aumenta, o volume de chuva e neve também aumenta. Isso diminui a salinidade das águas da superfície, levando a uma camada de superfície menos densa que a água mais salgada da camada inferior. As camadas tornam-se mais estratificadas e misturam-se menos. Menos calor é transportado para cima desde a camada mais profunda e mais quente. E assim menos gelo oceânico derrete (Zhang 2007). Em resumo, o gelo oceânico antártico é um fenômeno complexo e único. A interpretação simplista que deve estar esfriando ao redor da Antártica não é o que se observa. O aquecimento está acontecendo - como ele afeta regiões específicas é algo complicado. (skepticalscience.com)

9 - Estamos nos aproximando de uma nova Era Glacial?

Argumento cético "Um dia você vai acordar enterrado embaixo de nove andares de neve. É tudo parte de um ciclo estável, previsível e natural que retorna como um relógio a cada 11.500 anos. E como a última Era Glacial terminou quase que exatamente há 11.500 anos..." (Ice Age Now) O que a ciência diz O efeito de aquecimento de mais CO2 se sobrepõe com folga à influência de mudanças na órbita da Terra ou atividade solar, mesmo que esta caísse para os níveis do Mínimo de Maunder. Há apenas alguns séculos, o planeta experimentou uma leve era glacial, que recebeu o nome pitoresco de Pequena Era do Gelo. Parte da Pequena Era do Gelo coincidiu com um período de baixa de atividade solar chamado Mínimo de Maunder (batizado em homenagem ao astrônomo Edward Maunder). Acredita-se que uma combinação de atividade solar mais baixa e maior atividade vulcânica constituíram na maior causa do fenômeno (Free 1999, Crowley 2001), com mudanças na circulação oceânica que também tiveram efeito nas temperaturas européias (Mann 2002).
Figura 1: Irradiância solar total (TSI, na sigla em inglês). TSI de 1880 até 1978 de Solanki. TSI de 1979 a 2009 do Physikalisches-Meteorologisches Observatorium Davos (PMOD). Será que estamos nos aproximando de outro mínimo de Maunder? A atividade solar está mostrando atualmente uma tendência de resfriamento de longo prazo. 2009 teve a irradiância solar mais baixa em mais de um século. Porém, predizer a atividade solar futura é problemático. A transição de um período de 'grand maxima' (a situação da segunda metado do século XX) para uma 'grand minima' (a condição do Mínimo de Maunder) é um processo caótico e difícil de prever (Usoskin 2007). Digamos, apenas a título de argumento, que o sol entrasse em outro Mínimo de Maunder no século XXI. Que efeito isso teria sobre o clima da Terra? Simulações da resposta climática nesta condição concluem que a diminuição de temperatura devido a isso seria mínima comparada com o aquecimento por gases estufa de origem humana (Feulner 2010). O resfriamento causado por essa hipotética menor atividade solar seria de cerca de 0,1ºC (com um valor máximo estimado de 0,3ºC), enquanto o aquecimento por gases estufa é de 3,7ºC a 4,5ºC, dependendo de quanto CO2 nós emitirmos ao longo do século XXI.
Figura 2: Anomalias médias globais de temperatura de 1900 a 2100 relativo ao período 1961-1990 para os cenários A1B (linhas vermelhas) e A2 (linhas rosa) e para três diferentes forçantes solares correspondendo a um ciclo de 11 anos típico (linha contínua) e para um novo 'grand minimum' com irradiância solar correspondendo a recentes reconstruções da irradiância do Mínimo de Maunder (linha tracejada) e uma irradiância ainda mais baixa (linha pontilhada), respectivamente. As temperaturas observadas pelo NASA GISS até 2009 também são mostradas (linha azul) (Feulner 2010). Entretanto, nosso clima experimentou mudanças muito mais dramáticas que a Pequena Era do Gelo. Ao longo dos últimos 400.000 anos, o planeta experimentou condições de Eras Glaciais, pontuadas por breves intervalos mais quentes a cada cerca de 100.000 anos. Nossa atual interglacial começou há cerca de 11.000 anos atrás. Poderíamos estar à beira do final desta nossa interglacial? Figura 3: Mudanças de temperatura em Vostok, Antártica (Petit 2000). Períodos interglaciais são marcados em verde. Como se iniciam as eras glaciais? As mudanças na órbita da Terra fazem com que menos luz do sol (insolação) atinjam o Hemisfério Norte durante o verão. A calota polar do norte derrete menos durante o verão e gradualmente vai crescendo ao longo de milhares de anos. Isso aumenta o albedo da Terra, o que amplifica o resfriamento, fazendo com que a calota polar aumente ainda mais. Este processo dura por cerca de 10 a 20 mil anos, trazendo o planeta a uma Era Glacial. Nem todas as interglaciais duram o mesmo tempo. Uma perfuração de gelo do Domo C, na Antártica, proporcionou uma visão das temperaturas até 720.000 anos atrás. As condições climáticas de 420.000 anos atrás eram similares às condições atuais. Naquela época, a interglacial durou 28.000 anos, sugerindo que nossa interglacial atual poderia durar por tempo semelhante sem a intervenção humana (Augustin 2004). As condições atuais similares às de 400.000 anos atrás se devem a configurações similares na órbita da Terra. Em ambos os períodos, a forçante das variações orbitais mostraram muito menos mudanças que em outras interglaciais. Simulações com a órbita atual mostram que mesmo sem emissões de CO2, espera-se que a interglacial atual dure pelo menos 15.000 anos (Berger 2002). Evidentemente, a questão de quanto tempo dura a interglacial sem intervenção humana é apenas hipotética. Nos estamos intervindo. Então, que efeito têm nossas emissões de CO2 em uma futura Era Glacial? Esta questão é examinada em um estudo a respeito do "gatilho" da glaciação - a diminuição necessária na insolação do verão do hemisfério norte para iniciar o processo de aumentar a calota polar (Archer 2005). Quanto mais CO2 houver na atmosfera, mais baixo precisa cair a insolação para disparar a glaciação. A Figura 4 examina a resposta do clima a vários cenários de emissões de CO2. O azul representa uma liberação humana de 300 gigatoneladas de carbono - nós já ultrapassamos esta marca. A liberação de 1000 gigatoneladas de carbono (linha laranja) impediria uma Era Glacial por 130.000 anos. Se as emissões de carbono fossem 5000 gigatoneladas ou mais, a glaciação seria evitada por meio milhão de anos. Como as coisas estão hoje, a combinação de uma forçante orbital relativamente fraca com um longo período de permanência atmosférica do CO2 provavelmente gerará uma interglacial mais longa do que a que foi vista nos últimos 2,6 milhões de anos. Figura 4: Efeito do CO2 de combustíveis fósseis na evolução futura da temperatura média global. O verde representa a evolução natural, o azul representa os resultados da liberação antrópica de 300 Gton C, laranja representa 1000 Gton C, e o vermelho 5000 Gton C (Archer 2005). Então podemos ficar seguros de que não há nenhuma Era Glacial à espreita. Para aqueles com dúvidas persistentes de que uma Era Glacial poderia ser iminente, voltem seus olhos para a calota polar do Ártico. Se elas estiverem crescendo, então sim, o processo de 10.000 anos de glaciação pode ter começado. Porém, o permafrost Ártico atual está se degradando, o gelo oceânico Ártico está derretendo e o manto de gelo da Groenlândia está perdendo gelo num ritmo acelerado. Dificilmente isso representaria boas notícias para a Era Glacial iminentes. (skepticalscience.com)

8 - Os cientistas previram uma Era Glacial iminente nos anos 70?

Argumento cético "A mídia tem espalhado alertas de um período de resfriamento desde os anos 50, mas estes alarmes se tornaram mais fortes nos anos 70. Em 1975, o resfriamento, que era 'um dos mais importantes problemas' evoluiu para um empate em primeiro lugar em importância com 'morte e miséria'. As alegações de catástrofe global eram notavelmente parecidas com o que a mídia divulga hoje sobre o aquecimento global" (Fire and Ice) O que a ciência diz As previsões de uma Era Glacial da década de 70 foram baseadas principalmente na mídia. A maioria das pesquisas daquele período, publicadas em periódicos científicos e revisadas por pares, já previam o aquecimento causado pelo aumento de CO2. Qual era o consenso científico nos anos 70 a respeito do clima futuro? O exemplo mais citado das previsões de resfriamento daquela época é um artigo da Newsweek de 1975 "The Cooling World" (O mundo que se resfria), que sugeria que este resfriamento "pode causar um drástico declínio na produção de alimentos": "Meteorologistas divergem sobre a causa e extensão da tendência de resfriamento. Mas eles são quase unânimes no aspecto de que esta tendência reduziria a produtividade agrícola pelo resto deste século." Um artigo similar da revista Time, "Another Ice Age?" (Outra Era do Gelo?) esboçava outro prospecto desolador: "Quando os meteorologistas tomam uma média das temperaturas ao redor do globo, eles percebem que a atmosfera tem se resfriado gradativamente nas últimas três décadas. A tendência não mostra sinais de se reverter. Profetas do apocalipse climatológico estão ficando cada vez mais apreensivos, pois as aberrações meteorológicas que estão estudando podem ser o prenúncio de outra Era Glacial." Entretanto, estes eram artigos da mídia, não estudos científicos. Um levantamento dos artigos científicos revisados por pares publicados de 1965 a 1979 mostra que poucos destes artigos previram um resfriamento global (7 no total). Muito mais artigos (42 no total) previram aquecimento global (Peterson 2008). A grande maioria das pesquisas científicas nos anos 70 previram que a Terra iria se aquecer como conseqüência do CO2. Ao invés dos cientistas da década de 70 prevendo resfriamento, nota-se que a realidade era o oposto.
Figura 1: Quantidade de artigos científicos classificados como prevendo resfriamento (azul) ou aquecimento global (vermelho). Em nenhum ano houve mais artigos de resfriamento que de aquecimento (Peterson 2008). Na década de 70, o estudo mais abrangente sobre mudanças climáticas (e a coisa mais parecida com um consenso científico na época) foi o Relatório da Academia Nacional de Ciências e do Conselho Nacional de Pesquisas dos Estados Unidos, em 1.975. Sua conclusão básica foi que "... nós não temos uma boa compreensão quantitativa do nosso sistema climático e o que determina seu curso. Sem esta compreensão fundamental, não parece possível prever o clima..." Isso contrasta bastante com a posição atual da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos: "... há agora forte evidência de que um aquecimento global significativo está ocorrendo... É provável que a maior parte do aquecimento nas décadas recentes possa ser atribuído a atividades humanas... A compreensão científica das mudanças climáticas é agora suficientemente claro para justificar pronta ação das nações." Esta é uma declaração conjunta com as Academias de Ciências do Brasil, França, Canadá, China, Alemanha, Índia, Itália, Japão, Rússia e o Reino Unido. Em contraste com os anos 70, há agora várias organizações científicas que divulgaram declarações afirmando o aquecimento global antrópico. Mais sobre o consenso científico: National Oceanic and Atmospheric Administration Environmental Protection Agency Goddard Institute of Space Studies (da Nasa) American Geophysical Union American Institute of Physics National Center for Atmopheric Research American Meteorological Society The Royal Society (Reino Unido) Canadian Meteorological and Oceanographic Society American Association for the Advancement of Science Portanto as predições de resfriamento dos anos 70 trataram-se de mídia náo-especializada e um punhado de estudos científicos. O pequeno número de artigos científicos predizendo o resfriamento foram sobrepujados por um número muito maior de artigos predizendo o aquecimento global devido ao efeito do aumento de CO2. Hoje, uma avalanche de estudos revisados por pares e um consenso científico avassalador endossam o aquecimento global antrópico. Comparar as previsões de resfriamento dos anos 70 com a situação atual é tanto inapropriado quanto enganoso. (skepticalscience.com)

7 - O aquecimento global parou em 1998?

Argumento cético Nos anos de 1998 a 2005, a temperatura não aumentou. Este período ocorreu ao mesmo tempo em que a sociedade continuou a despejar mais CO2 na atmosfera (Bob Carter) O que a ciência diz O planeta continuou a acumular calor desde 1998 - o aquecimento global ainda está acontecendo. No entanto, as temperaturas de superfície mostram muita variabilidade interna devido à troca de calor entre os oceanos e a atmosfera. 1998 foi um ano particularmente quente devido a um forte El Niño. Dizer que estamos vivendo um resfriamento global no presente é deixar de ver uma realidade física simples - a terra e a atmosfera são apenas uma pequena fração do clima da Terra (apesar de ser a parte em que habitamos). O aquecimento global é, por definição, global. O planeta como um todo está acumulando calor devido a um desequilíbrio energético. A atmosfera está se aquecendo. Os oceanos estão acumulando energia. A terra absorve energia e o gelo absorve calor para derreter. Para apreendermos todo o contexto do aquecimento global, você precisa observar todo o conteúdo de calor da Terra. Esta análise é feita em Um balanço energético empírico da Terra desde 1.950 (Murphy 2009), que soma o conteúdo de calor dos oceanos, atmosfera, continentes e gelo. Para calcular o conteúdo total de calor da Terra, os autores usaram dados do conteúdo de calor dos oceanos até 700 m de profundidade. Eles incluíram também o conteúdo de calor de águas mais profundas até 3000 m de profundidade. Computaram o conteúdo de calor da atmosfera usando os registros da temperatura de superfície e a capacidade de calor da troposfera. O conteúdo de calor dos continentes e do gelo (isto é, a energia necessária para derreter o gelo) também foi considerado.
Figura 1: O conteúdo total de calor da Terra desde 1950 (Murphy 2009). Os dados relativos ao oceano foram obtidos em Domingues et al. 2008. Um exame do conteúdo total de calor da Terra mostra claramente que o aquecimento global continuou além do ano de 1998. Então por que existem registros de temperatura que mostram 1998 como o ano mais quente da história? A Figura 1 mostra que a capacidade de calor dos continentes e da atmosfera (Land + Atmosphere, no gráfico) são pequenos comparados aos oceanos (esta pequena parcela marrom do gráfico também inclui o calor absorvido para se derreter gelo). Desta forma, trocas de calor relativamente pequenas entre os oceanos e a atmosfera podem causar mudanças significativas nas temperaturas de superfície. Em 1998, um El Niño com intensidade incomum causou transferência de calor do Oceano Pacífico para a atmosfera. Conseqüentemente, nós experimentamos temperaturas de superfície acima da média. Da mesma forma, os últimos poucos anos tiveram condições moderadas de La Niña, que tiveram um efeito de resfriamento nas temperaturas globais. E nos últimos poucos meses as condições voltaram ao El Niño, mais quente. Isso coincidiu com as temperaturas oceânicas de superfície no período de junho-agosto mais quentes da história. Essa variação interna em que o calor se transfere entre os vários meios em nosso clima é a razão pela qual a temperatura de superfície é um sinal com tanto ruído. Usando médias contínuas para distinguir a tendência de longo prazo Com tanta variabilidade interna, cientistas empregam métodos estatísticos para distinguir tendências de longo prazo na temperatura de superfície. A maneira mais fácil de se remover variações de curto prazo, revelando a tendência subjacente, é plotar uma média contínua, realizada no estudo Esperando pelo Resfriamento (Fawcett & Jones 2008). A Figura 2 mostra a média contínua de 11 anos - uma média calculada com cada ano mais os 5 anos posteriores e os 5 anteriores. Eles usaram três conjuntos diferentes de dados - NCDC, NASA GISS e o HadCRUT3 britânico. Em nenhum dos três a média contínua mostra sinais de ter revertido a tendência.
Figura 2: Anomalias de temperatura médias globais em graus centígrados, junto com médias contínuas de 11 anos (linhas contínuas). Os círculos azuis são do Hadley Center britânico. Losangos vermelhos do NASA GISS. Quadrados verdes do NOAA NCDC. NASA GISS e NOAA NCDC estão deslocados na vertical por incrementos de 0,5ºC para maior clareza visual. A tendência linear de 1998 a 2007 Em seguida, Fawcett e Jones procuram uma tendência de resfriamento nos 10 após 1998. Eles encontraram que a tendência linear nesse período é de aquecimento nos três conjuntos de dados. Perceba que o HadCRUT3 mostra menos aquecimento que o NASA GISS e NCDC. O mais provável é que isso seja devido ao HadCRUT não cobrir partes do Ártico, onde ocorreu um forte aquecimento nos últimos anos. Figura 3: Tendências lineares (linhas contínuas) nas três séries históricas de anomalias de temperaturas globais ao longo da década 1998-2007. Removendo o sinal do ENSO dos registros de temperaturaA razão de 1998 ter sido um ano tão anormalmente quente foi devido a um forte El Niño naquele ano. Fawcett e Jones removem o sinal do ENSO (El Niño Oscilação Sul) calculando uma regressão linear das temperaturas globais contra o Índice da Oscilação Sul. Uma descrição detalhada do processo é encontrada em Fawcett 2007. O resultado é mostrado na figura 4. Figura 4: Três séries históricas de anomalias de temperatura globais em graus centígrados (círculos), com versões ajustadas para descontar o ENSO (linhas) para o período 1910-2007. Todos os três conjuntos de dados demosntram que o 1998 anormalmente quente foi devido ao forte El Niño de 1997/98. Quando ajustado para descontar o ENSO, 1998 chama muito menos a atenção em comparação aos dados originais. Nos três conjuntos de dados com o ENSO descontado, 2006 é o ano mais quente da história e a tendência de 1998 a 2007 é, de novo, de aquecimento. 1998 é mesmo o ano mais quente da história? Nas três séries históricas de temperatura HadCRUT3, NASA GISS e NCDC, apenas o HadCRUT3 mostra 1998 como o mais quente da história. Para o NASA GISS e NCDC, o ano mais quente foi 2005. Uma nova análise independente dos registros do HadCRUT traz luz a esta discrepância. A análise é do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (sigla ECMWF, em inglês), que calculou a temperatura global utilizando uma variedade de fontes incluindo medidas de temperatura de superfície, satélites, radiossondas, navios e bóias. Eles encontraram que o aquecimento tem sido mais intenso do que o mostrado pelo HadCRUT. Isso é porque o HadCRUT toma sua amostragem de regiões que apresentaram menos mudanças, na média, do que todo o globo. A Figura 5 mostra as regiões em que o HadCRUT tomou sua amostragem comparado às regiões que o ECMWF incluiu em seu conjunto de dados. A análise do ECMWF mostra que em regiões de dados esparsos como a Rússia, África e Canadá, há um forte aquecimento continental que não foi incluído na amostragem do HadCRUT. Isso leva o ECMWF a inferir com muita segurança que os registros do HadCRUT estão no extremo inferior da margem de incerteza do aquecimento provável.
Figura 5: aumento de temperatura média próxima à superfície (ºC) de 1989-98 a 1999-2008. A figura do alto mostra as regiões da amostragem do HadCRUT, e a de baixo mostra a análise do ECMWF (ECMWF 2009). Este resultado era esperado. Para o NASA GISS, um grande contribuidor para o calor recorde de 2005 foi o aquecimento extremo do Ártico (Hansen 2006). Como havia poucas estações meteorológicas no Ártico, a NASA extrapolou as anomalias de temperatura das estações de medição mais próximas. Eles encontraram que o forte calor Ártico era consistente com medições de infravermelho por satélite e diminuição recorde da concentração de gelo oceânico.
Figura 6: Anomalias das temperaturas de superfície para a primeira meia década do século XXI (Hansen 2006). (skepticalscience.com)