quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Consumidores não reconhecem que produção de alimentos ameace o meio ambiente

A ameaça ao meio ambiente causada pelo processo de produção, consumo e desperdício de alimentos não é reconhecida por 91% dos consumidores.
A constatação é da organização ambiental WWF, em levantamento com 11 mil pessoas de dez países, entre eles o Brasil.
Brasnorte, MT, Brasil: Árvore em meio a plantação de soja.
A pesquisa divulgada em 16/10/18, considerado Dia Mundial da Alimentação, mostra que, apesar do sistema alimentar ser o maior consumidor de recursos naturais e também o maior emissor de gás de efeito estufa, a maioria dos entrevistados, principalmente jovens, não faz a conexão deste processo com a ameaça à natureza.
De acordo com o estudo, 40% dos jovens entre 18 e 24 anos acham que a ameaça ao planeta é menos que significante e apenas 9% deles acreditam que a forma de produção de alimentos é a maior ameaça. Nessa faixa etária, 11% respondeu que não vê nenhuma ameaça.
A consciência sobre o assunto é maior entre as pessoas com mais de 55 anos. Mais da metade dos entrevistados nessa idade, acreditam que a produção e consumo de alimentos representam ameaça significante à natureza.
Segundo a WWF, a cadeia de produção de alimentos usa 34% do solo e 69% da água disponível nos rios. É ainda a maior causa de desmatamento e perda de habitat. A organização aponta ainda que um terço de todos os alimentos produzidos nunca é consumido e o volume desperdiçado é responsável por um terço das emissões de gases de efeito estufa provocadas pelo sistema alimentar.
Na última semana, relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) destacou o prazo curto para conter os problemas que o sistema de alimentos acarreta para a questão das mudanças climáticas. De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas, se o mundo não evitar o aquecimento global acima de 1,5°, em relação ao nível pré-industrial, haverá resultados catastróficos e devastadores até o fim deste século para a humanidade.
Entre as consequências destacadas pelos cientistas, estão algumas consideradas duradouras ou até irreversíveis, como a perda de ecossistemas, da biodiversidade, de habitats naturais e espécies, aumento do nível do mar, além de impacto na saúde humana, na produção de alimentos (com redução dos campos de milho, arroz, trigo e outros grãos) e no acesso à água.
Na pesquisa da WWF, 80% dos entrevistados sentem que o problema pode ser resolvido. Para 66%, os governos devem agir mais e outros 60% querem que as empresas aumentem seus esforços para conter o problema.
A WWF diz que é possível fazer que o sistema alimentar funcione para as pessoas e para a natureza se a comida for produzida de forma mais sustentável, distribuída de forma mais justa e consumida de maneira mais responsável. “Precisamos aumentar a conscientização das pessoas sobre de onde a comida vem e mudar nossos comportamentos para garantir o funcionamento adequado de todo o sistema”, diz João Campari, líder da Prática de Alimentos do WWF.
A organização desenvolve o sistema chamado Food 2.0 para garantir segurança alimentar e conservação. A ação é promovida por 100 programas relacionadas a alimentos em todo o mundo e envolve governos, produtores de alimentos, empresas, organizações não governamentais que devem promover mudanças no setor focando em três eixos: Produção Sustentável, Dietas Sustentáveis e Perda de Alimentos e Resíduos. (ecodebate)

Significados de meio ambiente

A conceituação mais simples é que meio ambiente é tudo que nos cerca, seres animados e inanimados. Não deixa de estar certo. Só que estão muito simplificadas e muito simplórias as respostas.
A literatura técnica e a própria legislação brasileira através de suas leis e resoluções de órgãos como o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) tem definições mais amplas para esta concepção.
Meio ambiente é o conjunto de relações entre os meios físico, biológico e antrópico. Podemos dizer que meio ambiente é como a confiança ou o casamento. A confiança é uma relação de integridade entre 2 pessoas. E o casamento também. É intangível, não dá pra gente tocar e pegar. Existem por exemplo anéis de casamento, que são apenas objetos com a função de representação simbólica de relações.
O meio ambiente é assim. É intangível. Não dá pra gente tocar e pegar. Tocar numa pedra, na água ou no solo é tocar num elemento ambiental do meio físico. Tocar uma planta, um animal, é tocar num elemento do meio biológico. Tocar numa plantação, num produto industrializado ou num depósito de resíduos sólidos (lixo) é tocar num elemento do meio antrópico ou socioeconômico.
Os principais constituintes do meio físico são as rochas, solos, águas superficiais e subterrâneas, geomorfologia e climas. No meio biológico, os constituintes são a flora e a fauna. E no meio antrópico ou socioeconômico são todas as atividades do homem, nos setores primário, secundário, terciário e até quaternário, conforme os autores mais modernos.
Mas afinal o que são as relações? Quando alguém preserva um bioma, protegendo, evitando incêndios, impedindo caça e pesca que sejam predatórios está construindo um tipo de relação com o bioma. Quando alguém vai lá e incendeia um pedaço de cerrado está estabelecendo outra relação entre o homem e o bioma.
Biomas que são constituídos por elementos físicos e biológicos além do antrópico, que interagem entre si dentro de uma relação sistêmica hierarquizada por vários fatores.
Portanto meio ambiente não são apenas as flores e as borboletas que muito nos sensibilizam e das quais muito gostamos. Mas meio ambiente, são as relações. E meio ambiente é um conceito antropocêntrico. São as consequências de todas as relações entre os meios, que são produzidas pelo homem e que podem impactar a própria espécie humana. A tendência é que efemérides naturais tenham origens geológicas.
Não há sentido no conceito de meio ambiente que não inclua o homem como o centro das motivações, afinal, para que serviria um mundo preservado e em equilíbrio sem a presença do homem? Neste caso nem mesmo a expressão meio ambiente teria sido inventada.
Dentro de uma visão estritamente ecológica, meio ambiente é a paisagem de todos os elementos físicos e biológicos que propiciam a vida de determinado organismo. A própria definição de ecologia tem como objeto mais evidenciado, estudar as relações, conforme já se ressaltou, entre organismos e o contexto envolvente, chamado de ambiente.
Outra apropriação na linha biológica ou também ecológica expressa meio ambiente como um conjunto de unidades ecológicas que operam como sistemas naturais, compreendendo efemérides e fenômenos físicos e entes biológicos associados, da flora e fauna.
Para a Organização das Nações Unidas (ONU) e suas agências associadas, o meio ambiente é o conjunto de componentes físicos, químicos, biológicos e sociais, capazes de interagir em determinados prazos, com os seres vivos ou as atividades humanas. Se constata, a influência antropocêntrica na concepção.
No Brasil, desde o ano de criação da lei que estabeleceu a PNMA, que é a Política Nacional do Meio Ambiente, em 1.981, se define meio ambiente como sendo o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas.
Como se vê, existem pequenas variações conceituais, mas uma grande convergência entre as variadas concepções, mas a intangibilidade da conceituação para saltar de todas as definições quando se explicita expressões como interação ou até mesmo reger. Ou seja, é cada vez maior a influência de aspectos sociológicos ou até antropológicos em diretrizes ambientais.
Ao contrário do conceito de impacto ambiental, que é claramente antropocêntrico, pois determina que as alterações sejam antrópicas e se reflitam basicamente no homem ou nos seus ambientes contextuais, as definições ambientais são mais abrangentes e adequadamente muito influenciadas por parâmetros biológicos e ecossistêmicos.
Sustentabilidade é sempre precedida por fatores ambientais, cujo adequado tratamento dentro de visão holística, integradora e sistêmica, é condição essencial para que se estabeleçam ações de harmonização e compatibilização das ações antrópicas, tornando ecossistemas harmônicos, equilibrados e em plena homeostase.
Esta é a condição essencial para existência de qualidade ambiental, que propicie qualidade de vida e pleno e satisfatório exercício de vida para todas as populações planetárias.
Denomina-se meio ambiente ao entorno que rodeia os seres vivos. O termo se refere às circunstâncias naturais ou exclusivas da existência humana. Assim, o meio ambiente se refere à flora, fauna, geologia, clima ou situações socioeconômicas que afetam a existência das pessoas. Isto pode ser visto como um sistema que vincula estas variáveis de tal forma que repercute nas demais. (ecodebate)

Maior desastre ambiental da história dos EUA pode estar em andamento

Uma plataforma de petróleo destruída pelo furacão Ivan, em 2004, segue vazando em silêncio há 14 anos.
Imagem aérea de uma mancha de óleo no Golfo do México, tomada em 28/04/2018.
Uma explosão na sonda petrolífera Deepwater Horizon em 2010 deu início ao que ficou conhecido como o maior desastre ambiental dos EUA, com o vazamento de 4,9 milhões de barris de petróleo (quase 800 milhões de litros) nas águas do Golfo do México. A tragédia chamou a atenção de ambientalistas do mundo todo, que passaram a avaliar os danos para a região. No processo, viram que aquele não era o único vazamento, conforme revela o jornal Washington Post.
Descobriram que a 19 quilômetros da costa da Louisiana, outra plataforma estava vazando óleo constantemente. Algo entre 50 mil e 100 mil litros todos os dias desde 2004, quando o furacão Ivan afundou a plataforma de produção de petróleo da Taylor Energy.
Mas, ao contrário da Deepwater Horizon, quando o vazamento foi contido em alguns meses, a da Taylor nunca chamou tanta atenção e até hoje, 14 anos depois, contamina as águas do Golfo do México, levando muitos a acreditarem que esse sim é o maior desastre ambiental da história dos EUA.
De acordo com o jornal Washington Post, o vazamento da Taylor Energy é amplamente desconhecido fora da Louisiana por causa do esforço da empresa em mantê-lo secreto na esperança de proteger sua reputação. A empresa afirma não haver provas de que algum dos poços está vazando.
No mês passado, o Departamento de Justiça apresentou uma análise independente mostrando que o derramamento foi muito maior do que o de um a 55 barris por dia que o Centro Nacional de Resposta da Guarda Costeira dos EUA (NRC) alegou, usando dados fornecidos pela companhia petrolífera.
 O autor da análise, Oscar Garcia-Pineda, consultor de geociências especializado em sensoriamento remoto de vazamento de óleo, disse que houve vários casos em que o NRC relatou estimativas baixas nos mesmos dias em que encontrava camadas pesadas de petróleo no campo. "Há evidências abundantes que apoiam o fato de que esses relatórios do NRC estão incorretos", escreveu.
Mas não fica por aí. O Golfo é uma das regiões mais ricas e produtivas de petróleo e gás do mundo, que deve render mais de 600 milhões de barris somente este ano, quase 20% da produção total de petróleo dos EUA. Outros 40 bilhões de barris ficam no subsolo, esperando para serem recuperados, dizem analistas do governo.
Cerca de 2 mil plataformas estão nas águas da Louisiana. Quase 2 mil outras estão fora da costa de seus vizinhos, Texas e Mississippi. Além disso, são mais de 80 mil quilômetros de oleodutos ativos e inativos transportando petróleo e minerais para a costa.
Para cada mil poços, há uma média de 20 descargas descontroladas de petróleo a cada ano. Um incêndio ocorre a cada três dias, em média, e centenas de trabalhadores são feridos anualmente. Em média, 330.000 galões de petróleo bruto são despejados a cada ano na Louisiana a partir de plataformas marítimas e tanques de petróleo em terra, de acordo com uma agência estatal que os monitora.
Enquanto isso, O presidente Donald Trump está propondo a expansão de arrendamentos para a indústria de petróleo e gás, com o potencial de abrir quase toda a plataforma continental externa para perfuração offshore. Isso inclui a costa do Atlântico, onde a perfuração não acontece a mais de meio século e onde os furacões atingem com o dobro da regularidade que no Golfo.
A tendência é que a camada de óleo com as cores do arco-íris que se estende por quilômetros entre a floresta de plataformas chegue ainda mais longe. (globo)

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Envelhecimento e a diminuição populacional pode ter benefício socioeconômico e ambiental

O envelhecimento e a diminuição da população podem ter benefícios socioeconômicos e ambientais.
Cientistas ambientais argumentam que as sociedades devem apoiar o envelhecimento e a diminuição da população.
Os autores citam vários relatos dos benefícios socioeconômicos e ambientais do envelhecimento da população, diminuição relacionada à mortalidade e redução da força de trabalho devido à aposentadoria e sustentam que, contrariamente a algumas análises econômicas, os custos associados às sociedades envelhecidas são administráveis, enquanto populações menores contribuem para uma sociedade mais sustentável.
Figura 1 Taxa Anual de Crescimento Populacional e Idade Média da População são dois dos Parâmetros Correlacionados que Caracterizam a Transição Demográfica. Os 136 países representados compreendem 90% da população mundial. (A) a situação em 2015; (B) os mesmos países em 2050, com base nas projeções de população variante de média fertilidade 2017 da ONU. No cenário das Nações Unidas de 2050, 43 (32%) dos 136 países terão população em declínio, acima dos 14% em 2015. O modelo da ONU pressupõe que a fertilidade em todos os países convergirá para uma taxa próxima de substituição (dois filhos por mulher) até 2100 Tais projeções não devem ser tomadas como garantidas, pois dependem de melhorias contínuas no acesso à contracepção e aceitação de normas familiares menores nas sociedades patriarcais. Essas projeções também assumem níveis relativamente baixos de migração internacional; Historicamente, os níveis de migração se mostraram ainda mais difíceis de prever do que as mudanças na fertilidade.
“Em muitos países, populações estáveis e em declínio, devido ao envelhecimento demográfico, são frequentemente relatadas pela mídia como um problema ou crise”, diz Frank Götmark, co-autor sênior e biólogo da Universidade de Gotemburgo, na Suécia. “Mas a alternativa – crescimento populacional infinito – não é ecologicamente possível. A superpopulação leva a sérios problemas, incluindo consumo excessivo, conflitos mortais por recursos escassos e perda de habitat que leva à ameaça às espécies.”
O relatório da população das Nações Unidas de 2017 afirma que 14% dos países atualmente têm populações em declínio, incluindo o Japão, a Estônia e a República Tcheca. O relatório projeta que 32% dos países terão populações cada vez menores até 2050.
Mas o envelhecimento e a diminuição das populações podem ter benefícios sociais. Götmark e seus co-autores citam o economista japonês Akihiko Matsutani como evidência de que o encolhimento da mão-de-obra significa salários crescentes para trabalhadores individuais e, portanto, maior riqueza per capita. E populações menores também significam menos aglomeração, o que pode reduzir o tempo de deslocamento, reduzir o estresse, manter áreas verdes e melhorar a qualidade de vida, de acordo com o ambientalista israelense Alon Tal.
Em países com envelhecimento e declínio populacional, alguns temem os desafios sociais que acompanham o envelhecimento da população, mas os autores afirmam que esses temores são exagerados. Eles não encontraram nenhuma evidência para apoiar a crença popular de que o envelhecimento da população leva à escassez de trabalhadores. Eles reconhecem que os gastos com saúde aumentam no envelhecimento das populações, citando o trabalho do National Bureau of Economic Research. Mas os autores sugerem que esse aumento é gerenciável e argumentam que as sociedades devem investir mais em cuidados preventivos para reduzir futuros gastos com saúde relacionados à idade.
O aumento da população através de medidas políticas parece ter apenas um efeito pequeno e temporário sobre a proporção de pessoas com 65 anos ou mais. Em vez de lutar contra o envelhecimento, os autores dizem que as sociedades devem permitir que seus números populacionais reflitam naturalmente ou enfrentem consequências ambientais e sociais, como conflitos de recursos.
Sistema de Saúde não tem estrutura para número de idosos, diz representante de ministério.
“Se não invertermos a superpopulação, o que acontecerá em seguida será uma história triste”, diz Götmark. “Temos que reconhecer que o crescimento contínuo da população é uma ameaça global. As preocupações econômicas de curto prazo, embora válidas, não podem ser priorizadas em relação à saúde de longo prazo de nosso meio ambiente e de nossas sociedades”. (ecodebate)

A transição demográfica e os direitos reprodutivos

transição demográfica (TD) é o fenômeno social mais importante da história da humanidade. A redução das altas taxas de mortalidade e das altas taxas de natalidade representam uma conquista sem precedentes, pois as pessoas pararam de morrer precocemente e as famílias puderam diminuir o tamanho da prole, se libertando do determinismo das tarefas da reprodução para se dedicar à produção e à autorrealização.
O gráfico acima, retirado do site “Our World in Data”, resume as 5 fases da transição demográfica. Segundo Roser e Ortiz-Ospina (2018), os cinco estágios da TD podem ser descritos da seguinte forma:
Fase 1: No passado distante – antes do crescimento populacional moderno – as taxas de mortalidade e natalidade eram altas e o crescimento natural era baixo. A população – com estabilidade ou baixo crescimento – não sabia o que era crescimento exponencial. A fase 1 prevaleceu por milênios, desde o surgimento do Homo sapiens.
Em 2018, relatório global do UNFPA traz como tema a fecundidade, dinâmicas populacionais e o poder de escolha.
Fase 2: Na segunda fase, o avanço do desenvolvimento econômico (maior disponibilidade de alimentos, melhores condições de vida, etc.) e o avanço da saúde e da higiene (saneamento básico) ocasionam uma redução das taxas de mortalidade. Mas a manutenção dos costumes e da ideia da família numerosa faz com que as taxas de natalidade permaneçam elevadas. O resultado é uma aceleração do crescimento natural.
Fase 3: Na terceira fase, há uma rápida queda da taxa de natalidade, pois os país percebem que a queda da mortalidade infantil aumentou o número de filhos sobreviventes e uma prole menor é suficiente para atingir o número de filhos desejados. Mulheres com menos filhos ficam mais liberadas para aprofundar na educação e entrar no mercado de trabalho. Há uma mudança no fluxo intergeracional de riqueza e uma mudança nas relações de gênero. A criação de filhos fica mais cara e as mulheres mais empoderadas.
Fase 4: Na fase 4 a diferença entre as taxas de mortalidade e natalidade diminui rapidamente e o crescimento da população chega ao fim, quando as duas curvas se encontram.
Fase 5: Na quinta fase há uma novidade histórica, pois, com a inversão das taxas de mortalidade e natalidade, a população passa a decrescer. Quanto maior for a diferença entre as duas taxas, maior será o decrescimento demográfico.
Em alguns países da Ásia, desafio é conciliar vida familiar e carreira profissional.
Na parte de baixo do gráfico acima, aparece o formato da pirâmide populacional correspondente a cada fase da transição demográfica. Na primeira fase, a estrutura etária é muito rejuvenescida, com uma base muito ampla. Na segunda fase, a base da pirâmide começa a diminuir, mas ainda é relativamente ampla. Na terceira fase, a base da pirâmide começa a se reduzir e há uma ampliação das faixas etárias adultas e a geração de um bônus demográfico. Na quarta fase, a pirâmide fica mais parecida com um botijão de gás e a janela de oportunidade começa a se fechar. Na quinta fase, há uma pirâmide envelhecida e o fim do bônus demográfico.
A transição demográfica tem este padrão e ocorre nos diversos países. Mas o marco inicial, a rapidez da transição e a reversão das taxas vitais variam de país a país. Na atualidade, os diversos países estão em momentos diferentes da transição demográfica.
O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) – que é a agência da ONU que trabalha com as questões populacionais – todo ano publica um relatório sobre a Situação da População Mundial. Agora em 2018, o UNFPA publica um relatório sobre a situação da população global e outro sobre a população brasileira.
Neste ano, relatório traz a história de quatro mulheres brasileiras, com diferentes acessos a informação e métodos contraceptivos.
Estes relatórios estão no link abaixo e tratam da transição demográfica nos diferentes países e, no caso do Brasil, nas diferentes regiões. Vale a pena ler estas publicações para entender a dinâmica demográfica global e nacional. (ecodebate)

Inclusão de fatores ambientais é essencial para cidades inteligentes

Inclusão de fatores ambientais é essencial para cidades inteligentes, aponta estudo.
Cidades Inteligentes – IESE – Cidades em Movimento 2018 analisou nove dimensões de 165 cidades pelo mundo.
O uso da tecnologia é vital para uma cidade se tornar inteligente, uma vez que a automatização de processos, a ampliação de acessos e a geração de dados são importantes para melhorar a qualidade de vida da população. Entretanto, há muitos outros aspectos que devem ser levados em consideração quando se trata de democratizar o uso dos serviços públicos e prover uma gestão urbana eficiente.
É isso que o IESE – Cidades em Movimento 2018 considera no momento de analisar se uma cidade é inteligente ou não. O estudo realizado pela IESE – Business School da Universidade de Navarra (Espanha), que chega a sua 5ª edição, usa como base 83 indicadores divididos em nove dimensões para classificar o índice de inteligência de 165 cidades de todo o mundo.
Segundo o diretor técnico do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI), Fernando Matesco, esse é um dos mais completos estudos sobre a área porque considera o planejamento estratégico dos centros urbanos como um todo. Para Matesco, um dos destaques do material é a inclusão de fatores ambientais como primordiais para elevar a classificação de uma cidade como inteligente. Entre os itens da dimensão estão a emissão de CO2 e metano, o acesso à água, a quantidade de partículas no ar, o nível de poluição, a previsão de aumento de temperatura e até o volume de lixo gerado por pessoa.  “O desenvolvimento tem que ser sustentável. Não adianta apenas ter tecnologia. É importante que as cidades estejam preparadas para serem globais e inovadoras, mas respeitando seus limites e também os limites do meio ambiente”, destaca o diretor.
Os benefícios de manter e ampliar áreas verdes numa cidade avançam também para a área da saúde: em palestra ministrada no IX Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), a pesquisadora sueca Matilda Van den Bosch afirmou que a interação das pessoas com o meio ambiente melhora fatores como estresse, depressão e doenças mentais. Além disso, as mudanças climáticas apresentam riscos à saúde e a manutenção de áreas verdes nas cidades é essencial para reverter esse quadro negativo do aquecimento global. Ela alertou: “Podemos nos adaptar a um aumento de temperatura, mas sempre há um limite humano e algumas cidades sofrerão muito com isso futuramente”.
As nove dimensões analisadas na pesquisa da IESE incluem indicadores relacionados ao capital humano, aspectos sociais, economia, governança, meio ambiente, mobilidade e transporte, planejamento urbano, acesso a serviços internacionais e tecnologia. “Capital humano é a primeira dimensão tratada no estudo exatamente porque as pessoas são essenciais para tornarem uma cidade inteligente. A participação do cidadão é o que vai fazer a diferença para encontrar as soluções mais efetivas para problemas comuns. Também vale citar que a educação exerce um papel importante nesse cenário: um nível maior de escolaridade ajuda no entendimento da sociedade e nos direitos e deveres individuais e coletivos”, ressalta Matesco.
Na área de tecnologia, o estudo abrange indicadores como o índice de inovação da cidade (classificação realizada pelo Programa de Cidades Inovadoras), quantidade de casas com acesso à internet e até quantos habitantes estão inscritos em redes sociais como Twitter, LinkedIn e Facebook. Segundo o diretor técnico do ICI, essas inclusões podem gerar estranhamento em algumas pessoas, entretanto, elas são importantes para destacar a liberdade de expressão e acesso à informação. “As redes sociais são canais livres de comunicação. Qualquer um pode gerar conteúdo e divulgá-lo mundo afora. Essa inclusão é interessante porque ressalta exatamente como essas cidades permitem que as pessoas se comuniquem”, finaliza.
IESE - Cidades em Movimento 2018 analisou nove dimensões de 165 cidades pelo mundo.
Fatores ambientais
Para o biólogo Fabiano Melo, doutor em Ecologia pela Universidade Federal de Minas Gerais, pós-doutor pela University of Wisconsin (EUA) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, o meio ambiente é essencial para uma cidade ser considerada inteligente. “Há uma infinidade de benefícios e vantagens, em maior ou menor escala. Os diversos benefícios que isso pode trazer incluem o bem-estar humano; a qualidade de vida atrelada a uma rotina mais saudável; serviços ecossistêmicos prestados pela natureza, como a manutenção da qualidade do ar em bons níveis (minimamente toleráveis e adequados), a polinização de hortas e jardins (em especial de árvores frutíferas que mantemos em nossos quintais), entre outros”, explica.
Segundo o especialista, muitas cidades ainda não colocam o cuidado com o meio ambiente como um fator vital de desenvolvimento. A falta de reciclagem e otimização de recursos é um dos exemplos. A ampliação de áreas verdes e dos próprios espaços entre residências é outro. “Em países desenvolvidos, é comum ter jardins e bons espaços entre as residências de bairros de classe média/alta. Aqui no Brasil, mesmo os condomínios de classe alta, que estão sendo consolidados recentemente, apresentam imóveis pequenos, com espaços estreitos entre as casas e que acabam não permitindo uma arborização adequada. Sem falar em outros tipos de loteamentos que consomem áreas verdes; um completo absurdo e contrassenso”, analisa.
O biólogo ainda reforça a importância de pensar no meio ambiente para possibilitar mais qualidade de vida aos cidadãos. “Plantas, áreas verdes, florestas em geral e cursos d’água potável são sonhos de consumo aqui no Brasil e devem compor a demanda futura por cidades inteligentes. Se isso não ocorrer, não conseguiremos acompanhar essa nova demanda e adoeceremos com as próprias cidades, uma vez que não teremos condições de manter altos e bons níveis de saúde, seja pelo ar poluído, pelo estresse do trânsito caótico, pela combinação de infraestrutura e falta de escoamento de água da chuva (com enchentes e alagamentos), com a manutenção de velhos problemas de saúde, como transmissão de zoonoses bem conhecidas por nós”, conclui.
Ranking – IESE – Cidades em Movimento 2018
Cidades mais inteligentes (ranking geral)
Nova Iorque (Estados Unidos) – 100
Londres (Reino Unido) – 99.27
Paris (França) – 90.20
Cidades mais inteligentes (ranking Brasil)
São Paulo (SP) – 44.63
Rio de Janeiro (RJ) – 41.89
Curitiba (PR) – 37.09
Brasília (DF) – 36.05
Salvador (BA) – 31.65
Belo Horizonte (BH) – 30.21
Ranking por dimensão
Capital Humano 1. Londres (Reino Unido)
Aspectos Sociais 1. Helsínquia (Finlândia)
Economia 1. Nova Iorque (Estados Unidos)
Governança 1. Bern (Suíça)
Meio ambiente 1. Reiquiavique (Islândia)
Mobilidade e transporte 1. Paris (França)
Planejamento Urbano 1. Nova Iorque (Estados Unidos)
Acesso a Serviços Internacionais 1. Paris (França)
Tecnologia 1. Hong Kong (China) (ecodeabte)

sábado, 27 de outubro de 2018

O que você pode fazer para realmente reduzir a mudança climática

Não há dúvida de que se quisermos diminuir ou até mesmo parar a mudança climática, temos que fazer isso juntos. Mas a ação coletiva começa com escolhas individuais, e, para todos aqueles que tomam decisões com base em dados, o caminho para se seguir ficou um pouco mais claro. Um novo estudo na Environmental Research Letters determinou exatamente quais escolhas de vida reduzem mais o impacto do carbono.
Muitas pessoas preocupadas com o clima defendem políticas nacionais e internacionais para reduzir a emissão de carbono pelos humanos. Mas dois pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, sentiam que esse foco nas políticas de alto nível despreza uma oportunidade crítica para a redução de emissão dos gases do efeito estufa: indivíduos em países desenvolvidos. Então, os pesquisadores se encarregaram de classificar uma série de ações – desde ter menos filhos até adotar uma dieta vegetariana – que poderiam empoderar pessoas comuns e torná-las Capitães Planetas em suas narrativas pessoais.
“A ciência nos diz basicamente que o futuro de uma boa vida no planeta Terra depende da redução da poluição climática em cerca de 90% até 2050”, disse a professora de sustentabilidade e coautora do estudo Kimberly Nicholas ao Gizmodo. “Muitas pessoas reconhecem isso e estão prontas para agir, mas a maioria não sabe o que fazer.”
Para identificar os fatores de estilo de vida que mais afetam nossas emissões de carbono, os pesquisadores analisaram dezenas de artigos revisados por especialistas, calculadores de carbono e relatórios de governos, com foco em países desenvolvidos, onde as emissões do gás são maiores. Os pesquisadores tiveram uma abordagem de “ciclo de vida”, onde, por exemplo, o custo de carbono de uma propriedade de um carro inclui os gases de efeito estufa produzidos durante a fabricação do veículo. No final, eles identificaram uma dúzia de ações individuais que podem cortar a emissão de carbono, incluindo quatro recomendadas “que são de magnitude substancial no mundo desenvolvido”.
Essas ações são: ter uma dieta baseada em vegetais (economia média de 0,8 tonelada métrica de CO2 por ano), um voo transatlântico a menos (economia média de 1,6 tonelada métrica de CO2 por ano), viver sem carro (economia média de 2,4 toneladas métricas de CO2 por ano) e ter menos filhos (60 toneladas métricas de CO2 por ano). Duas ações adicionais que os pesquisadores pensaram em colocar na lista – não ter um cachorro e comprar energia renovável – foram consideradas de “mérito questionável”, na média de todos os países incluídos no estudo, embora em Canadá, Austrália e Estados Unidos comprar energia renovável resultou em pesadas economias de carbono.
Um estudo publicado em 2013 estima que, para limitar o aquecimento global a 2°C, a emissão média individual de carbono precisaria ser reduzida para 2,1 toneladas métricas de CO2 por ano até 2050. A emissão média de um cidadão americano atualmente está estimada em 16,4 toneladas métricas por ano. A do Brasil está em nove toneladas métricas por habitante por ano. O novo estudo descobriu que poderíamos estar fazendo muito mais para comunicar sobre escolhas de estilo de vida impactantes nesse sentido.
Analisando 216 ações individuais recomendadas nos livros didáticos das escolas canadenses, os pesquisadores descobriram que as melhores ações para reduzir a poluição de carbono eram, “em sua maioria, apresentadas de uma forma menos efetiva, ou nada efetiva”, enquanto escolhas de menor impacto, como reciclagem, estavam destacadas. Uma ênfase em escolhas de baixo impacto também foi encontrada nos guias governamentais de Estados Unidos, Austrália, Canadá e União Europeia.
“A surpresa foi que essas duas fontes de informação”, livros didáticos e recomendações governamentais, “focavam em ações de impacto baixo ou moderado”, disse Nicholas. “São coisas boas a se fazer, mas elas não atingem a escala suficiente do desafio.”
É óbvio que uma vida sem filhos, sem carros, sem viagens e sem carne não é para todos. Eu, por exemplo, amo comer uma costela de vez em quando. Mas achei bem fácil deixar de dirigir em uma grande cidade e, agora que eu sei exatamente o quão ruim é viajar de avião, vou me sentir uma pontada incômoda de culpa todas as vezes que comprar passagens. E se você estiver mais preocupado em pagar as contas do que salvar o planeta, está tudo bem. Mas Nicholas aponta que muitas das escolhas destacadas no artigo podem ter benefícios pessoais, também.
“Eu descobri por experiência própria que fazer essas mudanças para reduzir as emissões tem sido muito positivo”, disse ela, explicando como abriu mão de viagens de avião e passou a privilegiar os trens ao viajar dentro da Europa e acabou experimentando muitas aventuras inesperadas com isso. “Acho que nós, indivíduos com grandes emissões de carbono, realmente precisamos tentar parar a poluição”, adicionou. “Mas não precisamos deixar de ter qualidade de vida.” (uol)

Mudanças climáticas afetarão produção da cevada e deixarão a cerveja mais cara

Mudanças climáticas vão afetar produção da cevada e devem deixar sua cerveja mais cara.
O apocalipse climático quer tirar de nós tudo o que é sagrado neste mundo. Há preocupações sobre o chocolate (embora ele não esteja em extinção), o futuro do vinho e até a perda potencial do nosso querido molho Tabasco!
Um estudo publicado na Nature está lançando notícias mais deprimentes em cima de nós: a cerveja é a próxima. Sim, a cerveja. Sua melhor amiga das noites de sexta-feira. Seu motivo principal para gostar do calor.
O estudo prevê que a produção futura de cevada, ingrediente-chave da cerveja, caia entre 3% a 17% em todo o mundo devido a eventos de calor e seca extremos até 2099. Dependendo de onde você mora, os preços da cerveja podem aumentar nesses anos de 52% a mais de 600%. Isso significa que uma cerveja de R$ 4 pode custar algo como R$ 6 ou, em um mundo distópico, R$ 24.
Os autores do estudo, vindos da China, do México, do Reino Unido e da Califórnia, nos EUA, não levaram em consideração os efeitos do aumento gradual da temperatura causado pela mudança climática, presumindo, “talvez heroicamente”, como disse o coautor Steven Davis, que os agricultores de cevada consigam acompanhar as mudanças. Em vez disso, a equipe usou dados históricos dos anos de 1981 a 2010 para se concentrar em ondas de calor e secas globais extremas entre 2010 e 2099.
“Quanto mais aquecimento climático temos, mais frequentes são esses anos extremos”, disse Davis, professor associado da Universidade da Califórnia em Irvine, em entrevista ao Earther.
Ele e o resto de sua equipe concluíram isso depois de observar quatro modelos climáticos diferentes, incluindo um em que a humanidade evita o aquecimento de dois graus e um cenário pior, em que superamos essa previsão de longe e nosso futuro é dominado por calor extremo. A cevada sofreu em todos esses modelos em 34 regiões do mundo que produzem a colheita, incluindo Irlanda, Brasil e Rússia. A situação só piora à medida que os modelos veem mais aquecimento.
Cervejas para a Oktoberfest de Las Palmas, na Grande Canária.
“Mesmo em anos extremos, algumas partes do mundo terão uma produção normal ou acima da média de cevada, então não é em todos os lugares do mundo ou o tempo todo.”
Todos os país deverão sentir esses impactos diferentemente. Bélgica e Japão, que produzem muita cerveja, terão mais dificuldade de importar cevada. E a cerveja se tornará um luxo que nem todos poderão bancar. A Argentina, por exemplo, pode ver o consumo cair em 32% nos cenários mais drásticos.
Mas não vamos nos desesperar ainda. Lembre-se: estamos falando de cerveja, um produto supérfluo. Ninguém vai morrer de fome ou de sede sem cerveja (assim esperamos!). O estudo até aponta que consumir menos cerveja pode ter benefícios à saúde. Ao mesmo tempo, as pessoas amam cerveja, e ela desempenha um papel importante em situações sociais. É por isso que Davis e seus colegas buscaram essa pesquisa em primeiro lugar.
Também vale apontar que esse estudo observou as regiões em que a cevada atualmente é cultivada. É importante ter isso em mente porque a mudança climática pode alterar os locais em que a cevada cresce melhor. Enquanto partes do Brasil possam começar a produzir menos cevada, talvez ainda exista esperança para outros países. E, em algumas regiões, certas áreas mostram, sim, maiores rendimentos futuros de cevada nos modelos dos autores.
“Mesmo em anos extremos, algumas partes do mundo terão uma produção normal ou acima da média de cevada, então não é em todos os lugares do mundo ou o tempo todo”, disse Davis.
No pior dos cenários, o preço da cerveja deve dobrar, deixando milhões de pessoas sem acesso à bebida.
Mas também temos más notícias. Esse estudo não leva em consideração outros possíveis riscos para a cevada além de ondas de calor — coisas como pragas ou outros desastres naturais (como inundações). Portanto, as coisas podem ser diferentes do que esses modelos preveem. (uol)

⅓ do lixo de AL e Caribe acaba em lixões ou na natureza

do lixo da América Latina e Caribe acaba em lixões ou na natureza
Um terço do lixo da América Latina e Caribe acaba em lixões ou na natureza, diz relatório da ONU.
Todos os dias, 145 mil toneladas de lixo são descartadas de maneira incorreta — a quantidade equivale ao que é gerado por 27% da população latino-americana e caribenha ou 170 milhões de pessoas.
Os números são de pesquisa da ONU Meio Ambiente, dia 09/10/18 em Buenos Aires, durante um fórum regional de ministros.
ONU
Aterro sanitário em Jardim Gramacho, RJ.
Um terço de todos os resíduos urbanos gerados na América Latina e no Caribe ainda acaba em lixões ou no meio ambiente, uma prática que contamina o solo, a água e o ar da região e afeta a saúde de seus habitantes. O alerta é de um relatório da ONU Meio Ambiente, publicado dia 09/10/18 em Buenos Aires, durante o XXI Fórum regional de Ministros do Meio Ambiente. Evento teve início nesta terça-feira e segue até 12 de outubro na capital argentina.
Todos os dias, 145 mil toneladas de lixo são descartadas de maneira incorreta — a quantidade equivale ao que é gerado por 27% da população latino-americana e caribenha ou 170 milhões de pessoas. Os números foram divulgados na pesquisa Perspectiva sobre a Gestão de Resíduos na América Latina e no Caribe.
A análise da ONU Meio Ambiente estimula os países a fechar os lixões. Segundo a agência internacional, esses locais apresentam alto risco para a saúde das pessoas que moram no seu entorno, bem como para quem coleta materiais recicláveis descartados. As áreas também são uma fonte de emissão de gases do efeito estufa, afetam negativamente o turismo e a agricultura e ameaçam a biodiversidade.
As nações da América Latina e Caribe avançaram na coleta de resíduos, que já cobre cerca de 90% da população. Porém, diariamente, 35 mil toneladas de lixo não são coletadas, um problema que afeta especialmente as áreas pobres e comunidades rurais, com impactos na vida de mais de 40 milhões de pessoas.
A região enfrenta ainda o desafio de chegar a uma economia circular: apenas 10% dos resíduos são reaproveitados por meio da reciclagem ou de outras técnicas de recuperação de materiais, segundo o relatório.
“Os países da América Latina e do Caribe devem dar prioridade política máxima para a gestão adequada dos resíduos. Isso é uma forma de reforçar a ação climática e de proteger a saúde de seus habitantes”, afirmou o diretor regional da ONU Meio Ambiente, Leo Heileman.
Pessoas observam um caminhão despejar lixo nos arredores de Porto Príncipe, no Haiti.
A pesquisa do organismo mostra que a geração de resíduos na região cresce continuamente e irá aumentar em pelo menos 25% até 2050. Entre as causas desse fenômeno, estão tendências verificadas em outras partes do mundo — o crescimento populacional; a urbanização; o crescimento econômico; a saída de uma quantidade significativa de pessoas da pobreza para uma classe média emergente; e padrões claramente insustentáveis de produção e consumo. Atualmente, 80% dos habitantes da América Latina e Caribe vivem em cidades.
Segundo o documento da ONU Meio Ambiente, melhorar a gestão do lixo é uma medida fundamental para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), acordados pelos líderes mundiais em 2015.
“Uma verdadeira agenda de desenvolvimento sustentável deve incluir a gestão adequada de resíduos. Os benefícios ambientais, sociais e econômicos associados a este setor são substanciais e vão desde a redução de gases de efeito estufa e economia de matérias-primas até a melhoria da matriz energética dos países, criação de empregos e aumento do investimento”, acrescentou Heileman.
Ainda de acordo com o estudo, uma fonte de poluição que precisa de atenção especial e urgente é a de resíduos perigosos, que inclui dispositivos eletrônicos, resíduos hospitalares ou associados à construção. Frequentemente, esse tipo de lixo não é nem mesmo inventariado e caracterizado, embora alguns países tenham conquistado avanços legislativos na área.
Oportunidades de transição
A publicação detalha oportunidades de melhoria para a região, como a gestão especial de resíduos orgânicos ou a aplicação de princípios da economia circular.
Os resíduos orgânicos representam, em média, 50% do lixo gerado pelos países latino-americanos e caribenhos. A falta de tratamento específico para esses resíduos leva à liberação injustificada de gases do efeito estufa na atmosfera, como o metano, e à produção de chorume. O problema também diminui a qualidade de materiais recicláveis ​​que estão no lixo. O relatório das Nações Unidas recomenda promover a separação dos resíduos orgânicos na fonte e incentivar seu uso por meio de práticas sustentáveis, como a compostagem.
A pesquisa aponta ainda que cerca de 90% dos resíduos coletados são destinados a locais de descarte, sejam aterros ou lixões, ou seja, não são reaproveitados nem reciclados. A ONU Meio Ambiente pede que a região abandone esse esquema insustentável. O organismo defende que os resíduos sejam tratados como recursos valiosos — segundo a agência, com o design, é possível desenvolver produtos que permitem a reutilização do lixo após um primeiro uso do material descartado.
O lixo pode, assim, tornar-se matéria-prima secundária ou fonte alternativa de energia para substituir os combustíveis fósseis.
O relatório também alerta para a fragilidade institucional da gestão do lixo em nível regional. Isso se deve parcialmente à sobreposição de normas, que concedem competências concorrentes a diferentes áreas do mesmo governo. É importante que as leis e políticas estabeleçam estruturas comuns, promovam o investimento público e privado, a educação e a participação do cidadão, além de incluir indicadores de gestão.
Segundo o documento, países devem considerar como prioridade a formalização e profissionalização dos trabalhadores que lidam com a coleta e reciclagem de resíduos. Embora essa mão de obra tenha sido integrada em várias nações ao serviço público de saneamento urbano, a falta de reconhecimento formal é uma constante na maioria dos países da América Latina e do Caribe.
1/3 dos resíduos da América Latina não recebe a destinação correta.
Para orientar governos em suas políticas de gestão, a publicação lembra experiências bem-sucedidas na região, como um programa no México que promove a reciclagem de telefones celulares; a coleta seletiva no município de Alvarado, na Costa Rica; a proibição de sacolas plásticas em Antígua e Barbuda; e o sistema de troca de lixo reciclável por alimentos, desenvolvido em Curitiba, no Brasil, há mais de duas décadas. (ecodebate)

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Comunicando a mudança climática na era da negação

Comunicando a mudança climática na era da negação: uma coleção especial lançada no PLOS Biology.
As pessoas são programadas para responder a histórias, mas as narrativas de negação do clima podem ser tão convincentes quanto as que transmitem os fatos sobre o aquecimento global. 
Uma nova coleção, “Confronting Climate Change in the Age of Denial”, publicada em 9 de outubro na revista PLOS Biology , explora os desafios e as armadilhas de usar histórias para comunicar evidências científicas sobre a mudança climática, oferecendo ressalvas e possíveis soluções para contar histórias de mudanças climáticas baseadas em evidências que podem ressoar com o público.
Comunicadores de ciência e educadores lutaram por muito tempo com os desafios de comunicar evidências que contradizem as crenças pessoais, religiosas ou políticas das pessoas, particularmente em relação à evolução, segurança de vacinas e mudança climática.
Um estudo de caso perfeito da tendência das pessoas de criar suas próprias narrativas para explicar o aparentemente inexplicável é a recente resposta viral a uma foto de um urso polar faminto. Os fotógrafos esperavam que o urso faminto pudesse ajudar as pessoas a entender o que o futuro pode significar para os animais que não podem mais depender do gelo marinho para caçar e se abrigar, pois o aquecimento global continua a derreter os lençóis de gelo polar. Mas negadores da mudança climática contra-atacaram circulando fotos de ursos saudáveis ​​para afirmar que o aquecimento global é uma farsa.
U.S. National Parks Service – O aumento da emissão de gases de efeito estufa, principalmente o CO2, pode ter um impacto maciço no clima da Terra em apenas algumas centenas de anos. Estamos testemunhando que isso aconteça hoje.
A coleção apresenta dois artigos de cientistas sociais que oferecem diferentes perspectivas sobre o alistamento de narrativas para transmitir a ciência das mudanças climáticas e uma de especialistas em mamíferos marinhos que definiram o registro direto dos prováveis ​​impactos da mudança climática na vida selvagem do Ártico.
“Mamíferos marinhos são sentinelas do ecossistema, capazes de refletir a variabilidade oceânica através de mudanças em sua ecologia e condição corporal”, argumentam Sue Moore, oceanógrafa biológica, e Randall Reeves, biólogo de mamíferos marinhos, em “Tracking Arctic Marine Mammal Resilience in the Era of Alteração rápida do ecossistema”.
Eles propõem uma estrutura que adiciona indicadores ecológicos (por exemplo, alcance geográfico e comportamento) e fisiológicos à demografia tradicional para fornecer uma visão mais abrangente da saúde das populações. Os autores esperam que sua estrutura, que pode alimentar pesquisas de oceano globais existentes, ofereça “um caminho para a sustentabilidade por meio de melhores previsões, mais precauções e políticas mais sensatas nesta era de mudança ambiental global”.
Em “Comunicação climática para biólogos: quando uma imagem pode contar mil palavras”, os psicólogos Stephan Lewandowsky e Lorraine Whitmarsh examinam estratégias para usar as anedotas e imagens que satisfazem nossa necessidade de narrativa sem sacrificar a precisão científica.
Os especialistas em comunicação científica Michael Dahlstrom e Dietram Scheufele exploram outra dimensão do perigo e prometem usar histórias para comunicar a ciência em “(escapar do paradoxo da narrativa científica”). Em vez de contar histórias para simplesmente transmitir conhecimento – o que pode não ser bem-sucedido, dizem eles, já que o aumento da alfabetização científica não leva a uma maior aceitação da ciência – pode ser melhor contar histórias sobre como o conhecimento científico é produzido. “No final, usar a narração de histórias para construir principalmente apoio científico através de objetivos de conhecimento, atitude ou comportamento sem também envolver o raciocínio científico pode não ajudar a ciência em longo prazo.”
NOAA Centros Nacionais de Informação Ambiental, Panorama Climático: Global Time Series – A uma taxa média de aquecimento de 0,07ºC por década, enquanto os registros de temperatura existiram, a temperatura da Terra não só aumentou, mas continua a aumentar sem qualquer relevo à vista.
Ao publicar esta coleção, os editores da PLOS Biology esperam que todos que valorizam evidências científicas imparciais pensem em maneiras de aproveitar a narrativa para ajudar as pessoas a entender essa ameaça complexa, mas muito real, para o nosso planeta. Precisamos recuperar o enredo antes que seja tarde demais. (ecodebate)

Florestas ricas em espécies armazenam 2 vezes mais carbono

Florestas ricas em espécies armazenam duas vezes mais carbono que monoculturas.
O nível total de sequestro de carbono e a consequente mitigação do aquecimento global só poderão ser alcançados com uma combinação de espécies.
Em 2009, o projeto BEF-China iniciou um experimento de biodiversidade em uma floresta, com a colaboração de instituições da China, Alemanha e Suíça. O amplo projeto investigou quão importante é a diversidade de espécies de árvores para o bom funcionamento dos ecossistemas florestais. Foram plantados grupos de árvores com diferentes números de espécies, desde monoculturas até terrenos altamente diversificados, com 16 tipos diferentes de árvores em uma área de 670 metros quadrados.
Após oito anos, tais terrenos armazenavam uma média de 32 toneladas de carbono por hectare em biomassa acima do solo. Em contrapartida, as monoculturas acumularam menos da metade disso: uma média de apenas 12 toneladas de carbono por hectare. Durante a fotossíntese, as plantas absorvem dióxido de carbono da atmosfera e convertem o carbono em biomassa. Quando uma floresta armazena mais carbono, isso auxilia na redução dos gases de efeito estufa e ao mesmo tempo também indica uma alta produtividade florestal.
Florestas biodiversificadas são mais produtivas
O fato de a biodiversidade aumentar a produtividade já havia sido anteriormente demonstrado através de experimentos em prados na Europa e nos Estados Unidos. Mas como partiram do principio de que todas as espécies de árvores ocupam nichos ecológicos semelhantes, concluíram que a biodiversidade florestal traria um efeito mínimo. Evidentemente, no entanto, esta suposição estava errada. “No experimento de biodiversidade florestal, a biomassa aumentou tão rapidamente quanto nas pradarias. Consequentemente, mesmo após apenas quatro anos, se via claras diferenças entre as monoculturas e as florestas ricas em espécies,” explica o Professor Helge Bruelheide da Universidade Martinho Lutero de Halle-Wittenberg, codiretor do Centro Alemão para Pesquisa Integrativa em Biodiversidade (iDiv), o qual supervisionou os experimentos de campo junto com o Instituto de Botânica da Academia Chinesa de Ciências. Tais diferenças continuaram a se intensificar nos quatro anos seguintes.
Florestas com maior diversidade sequestram mais carbono.
“Estas descobertas têm grande relevância ecológica e econômica,” afirma o Professor Bernhard Schmid, da Universidade de Zurique, autor sênior na equipe de redação, composta de 60 pessoas, da presente publicação na Science. Um estudo anterior já havia encontrado uma correlação positiva entre a biodiversidade e o armazenamento de carbono. Contudo, ele foi baseado apenas na comparação entre a variação de diversidade de espécies em terrenos naturais. “Portanto, era impossível concluir se a maior biodiversidade era a causa da maior produtividade. Mas agora nós chegamos à mesma conclusão com um experimento sob condições controladas: uma floresta com um grande número de espécies de árvores é mais produtiva que uma monocultura,” acrescenta o Professor Dr. Keping Ma, da Academia Chinesa de Ciências e cogestão do projeto.
Maior produtividade, melhor proteção climática
Em todo o mundo, há planos para grandes programas de reflorestamento, com o objetivo de proteger o clima através do plantio de novas florestas. Somente na China, entre 2010 e 2015, foram plantadas anualmente 1.5 milhão de hectares de novas florestas, ainda que a maior parte constituída de monoculturas de rápido crescimento. “Nosso novo estudo mostra que as florestas não são todas iguais no quesito proteção climática: as monoculturas não fornecem nem metade dos serviços ambientais desejados. O nível total de sequestro de carbono e a consequente mitigação do aquecimento global só poderão ser alcançados com uma combinação de espécies.
Além disso, florestas ricas em espécies também contribuem para proteger a ameaçada biodiversidade do planeta,” explica Bernhard Schmid. “Infelizmente, o conceito errôneo de que produtividade e biodiversidade se excluem mutuamente ainda é muito difundido. Mas o oposto é verdadeiro.” As florestas ricas em espécies também são menos vulneráveis à doenças ou fenômenos meteorológicos extremos, que estão se tornando cada vez mais frequentes devido à mudança climática.
Reflorestamentos ricos em espécies arbóreas absorvem mais CO.
Se os efeitos observados no experimento forem extrapolados para as florestas existentes no mundo, pode-se concluir que uma redução de 10% das espécies de árvores levaria à perdas de produção mundiais no valor de 20 bilhões de dólares, por ano. Tal resultado mostra que, de acordo com os pesquisadores, o reflorestamento com uma combinação de diferentes espécies é economicamente vantajoso. (ecodebate)