terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Recuperação de mananciais e a falta de moradias nos centros urbanos

Recuperação de mananciais passa por soluções para a falta de moradias nos centros urbanos.
Com os crescentes riscos à segurança hídrica das metrópoles brasileiras, a preservação e recuperação dos mananciais se torna um tema cada vez mais importante. A discussão envolve outras questões de difícil solução, como a falta de moradias nos centros urbanos. “Não há solução que não passe pelo problema na habitação. Quando a gente fala disso, não é possível se resolver uma coisa sem resolver a outra. Há um déficit gigantesco de moradia, nas áreas metropolitanas principalmente. As pessoas acabam indo morar onde conseguem”, enfatiza o presidente do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos.
A preservação e a recuperação dos mananciais estão entre os pontos da agenda do 8º Fórum Mundial da Água, organizado pelo Conselho Mundial da Água, que será realizado em Brasília de 18 a 23 de março. Vários projetos desenvolvidos em municípios brasileiros serão apresentados durante o evento.
A prefeitura paulistana não tem dados específicos sobre ocupação de mananciais. No entanto, a Secretaria Municipal de Habitação contabiliza, com dados atualizados até o último mês de outubro, 1.705 favelas na capital paulista. Dessas comunidades, 58 estão em áreas que fazem divisa com outros municípios, onde se concentra a maior parte das nascentes ainda preservadas.
Os assentamentos irregulares têm duplo impacto das fontes de água potável, como explica o professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo José Carlos Mierzwa. “Na medida em que você ocupa, você diminui a capacidade de concentração de água para continuar alimentando os mananciais. Você tem, por um lado, a redução da recarga do manancial, a redução do volume que chega ao manancial. Por outro, o aumento da intensidade de poluição”, explica.
Moradias construídas às margens da Represa Billings, um dos principais reservatórios de água de São Paulo.
Essa situação, especialmente em relação à contaminação promovida pela falta de coleta e tratamento de esgoto, acaba por inviabilizar fontes de abastecimento. Édison Carlos aponta como exemplo desse tipo de situação a Represa Billings, na zona sul da capital paulista, que, mesmo com uma grande capacidade de armazenamento, não pode ser completamente utilizada para o fornecimento de água. “O Sistema Billings cheio é maior do que o Cantareira. A gente só fala do Cantareira. Por que não se fala da Billings? Porque está no grau de contaminação tal que não dá para considerar aquele reservatório gigantesco”, destaca.
Áreas irregulares e de risco
Para enfrentar o problema, a coordenadora da Rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, afirma que é preciso analisar as situações. “Separar o que é ocupação irregular nessas áreas de baixo valor econômico hoje, que são áreas de manancial, do que é área de risco”, diz Malu sobre as situações que podem ser regularizadas e os locais que não devem ser ocupados de forma alguma. Esses pontos críticos estão, de forma geral, muito próximo aos mananciais e sujeitos a inundações.

Por isso há a necessidade de que algumas comunidades sejam removidas, demandando investimentos habitacionais do Poder Público. Malu Ribeiro afirma que não se pode, quando a ocupação está em um local crítico, assumir que como a população está há muito tempo no local não pode ser retirada. “Isso não é verdade. Quando é para fazer um prolongamento de avenida, como foi a duplicação da Faria Lima, ou uma rodovia, desapropria-se tudo que está consolidado”, compara.
Grande parte dos córregos urbanos não tiveram suas margens preservadas e é destino para lançamento clandestino de efluentes domésticos e disposição de resíduos.

Despoluição e recuperação das matas
Como exemplo de processo desse tipo em que a realocação das pessoas foi feita com sucesso, a coordenadora cita o caso dos Bairros Cota, na região de Cubatão, próximo à Baixada Santista. “Eram áreas consolidadas, foram décadas dessas ocupações que estavam afetando tanto o Parque Estadual da Serra do Mar como a disponibilidade de água na Baixada Santista”, lembra.
A partir de um convênio com o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o governo do estado de São Paulo foi investido um montante de R$ 1 bilhão para desfazer as comunidades que estavam instaladas havia cerca de 60 anos na Serra do Mar, desde a década de 1950. O projeto prevê ainda o reflorestamento das áreas. Os antigos moradores dos Bairros Cotas foram deslocados para diversos conjuntos habitacionais construídos na região.
Como bom exemplo, Malu cita ainda a despoluição do Rio Jundiaí, promovida pelo consórcio das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). “Foi associada a recuperação das matas ciliares à criação de áreas protegidas e investimento em saneamento básico. O rio saiu, durante a crise hídrica, da classe 4, que é o pior uso da água no Brasil, totalmente poluído, para a classe 3. E passou a ser utilizado como água de manancial para abastecimento público das cidades de Indaiatuba e Salto”, detalhou sobre o processo iniciado em 1982 para colher frutos no ano passado, quando foi mudada a classificação do uso das águas.
Para o professor Carlos Mierzwa, se os municípios da Grande São Paulo agissem de forma combinada, seria possível reverter a situação de poluição extrema de outros mananciais. Assim, seria evitada a necessidade de a metrópole buscar novas fontes de água em regiões cada vez mais distantes. “Se você tivesse uma melhor infraestrutura de coleta e tratamento de esgoto, a qualidade do Rio Tietê ficaria melhor e essas cidades do interior e da região metropolitana poderiam utilizar a água, inclusive São Paulo. Isso diminuiria um pouco esse conflito pelo uso da água”. (ecodebate)

Uso da água e desigualdade na oferta

Usos da água e desigualdade na oferta precisam ser discutidos, diz especialista.
A barragem Sete Quedas faz parte do Sistema Cantareira de abastecimento de água para a capital. 
Especialista em recursos hídricos e sustentabilidade, a arquiteta e urbanista Marussia Whately coordena desde 2014 a articulação Aliança pelas Águas, iniciativa criada durante a crise de abastecimento de água em São Paulo. A rede reúne mais de 70 organizações da sociedade civil. A especialista participará, entre os dias 18 e 23/03/18 em Brasília, do 8º Fórum Mundial da Água, evento organizado pelo Conselho Mundial da Água.
Em entrevista à Agência Brasil, Marussia Whately destaca que uma combinação de fatores que envolvem a disponibilidade da água no país, a forma como vem sendo usada e as alterações climáticas não permitem que o tema da água seja tratado de “forma marginal”. A arquiteta é autora do livro Século da Escassez. Uma nova cultura de cuidado com a água: impasses e desafios, lançado em 2016.

Ela defende o debate e o aprimoramento das políticas de recursos hídricos para enfrentar tendências como o aumento dos conflitos por água no Brasil. “É fundamental trazer a questão de que muitos desses usos [de água] que são citados como conflitantes são autorizados, então já sendo autorizada por aqueles que são os que têm o domínio da água no Brasil, ou é o governo federal ou estadual. Como está sendo repartido esse grande benefício?”, questiona.
Praia no Litoral Sul da Bahia: água salgada representa 97,5% do total global.

Veja abaixo os principais trechos da entrevista:
Agência Brasil: O tema da água tem sido tratado como um problema crônico, como as crises de abastecimento vivenciadas em São Paulo, nos anos de 2014 e 2015, e atualmente pelo Distrito Federal, além da situação histórica como a do semiárido. Por que a água é encarada como um problema e o que a trouxe para este patamar que precisa de solução?
Marussia Whately: A água doce é um recurso essencial não só para a vida, mas para qualquer atividade econômica ou produtiva e, em diferentes regiões do planeta, nós temos um conjunto de fatores que acabam por comprometer a disponibilidade desse recurso de forma ampla. Tem desde regiões onde a disponibilidade natural já é menor, como o próprio semiárido brasileiro, mas a situação se agrava quando é somada à forma como se vem usando a água para diferentes fins, como abastecimento público, produção de bens, irrigação, abastecimento de animais, termelétricas, mineração. Todos esses usos são grandes usuários de água.

No caso do Brasil, a maior parte do país, a quantidade de água não é necessariamente o nosso principal problema, e sim, cada vez mais, a questão de repartição dos usos e da qualidade da água. Quando se menciona uma crise, fala-se, principalmente, do contexto de crises urbanas que é muito relacionada ao abastecimento público e ao planejamento que se faz, ou não, para garantir que esse recurso esteja disponível em diferentes situações. Por exemplo, em uma crise por conta de um evento climático extremo, como foi em São Paulo, que, na verdade, foram acúmulos de vários anos com menos chuvas e o resultado de dois anos com ainda menos chuva, não necessariamente a infraestrutura foi planejada, construída, para dar conta disso.
O Brasil é um país que possui muita água doce, porém há uma má distribuição territorial do recurso.

Agência Brasil: Quando se fala em segurança hídrica, costuma-se pensar em oferta de água. O que esse conceito significa e qual a situação do Brasil?
Marussia Whately: O conceito de segurança hídrica é relativamente novo, dos últimos dez anos. Você tem diferentes definições e abordagens em relação a esse conceito. Ainda não é um conceito institucionalizado, tanto do ponto de vista global, como nacional, não temos uma definição em lei sobre segurança hídrica, isso permite que se tenham as várias interpretações e aplicações.
No caso do Brasil, nós desenvolvemos uma pesquisa sobre a governança da água doce, que eu realizei junto com a professora Estela Neves, da UFRJ [Universidade Federal do Rio de Janeiro]. Ao analisar marcos federais de saneamento e saúde e a Constituição Federal, descobrimos que a questão da segurança hídrica aparece muito próxima da Defesa Civil, mas nós ainda não temos uma legislação que trate do tema. Vimos que a gente tem uma aproximação com o conceito que a ONU [Organização das Nações Unidas] tem usado desde 2013, que é garantir água em quantidade adequada, com qualidade adequada, com acesso tanto físico quanto financeiro, protegendo as pessoas em relação à poluição, aos desastres naturais, protegendo os ecossistemas e garantindo um clima de paz e resolução de conflito. Ou seja, é um conceito bem abrangente e que, no caso, ele teria uma aplicação no âmbito do município, uma vez que seria essa a instância que poderia integrar as diferentes frentes relacionadas ao saneamento, à saúde, ao meio ambiente e à defesa civil.
Agência Brasil: Ao discutir o problema da água, fala-se menos de temas que também impactam nessa questão, como saneamento. Por que isso ocorre e quais as consequências desta percepção?
Marussia Whately: Essa é uma leitura cada vez menos usual. A questão da água tem ganhado uma centralidade em diferentes agendas, principalmente porque esse tema está presente em diversas dimensões da nossa vida. A questão da água vai ganhando uma complexidade à medida que esse recurso vem ficando mais ameaçado, seja pela combinação dos fatores que mencionei antes, que envolve a disponibilidade natural versus a forma como a gente usa versus a forma como a gente polui, esses fatores combinados com o clima, que está mudando, e as alterações climáticas são sentidas, principalmente, pela falta de água ou pelo excesso de água, fica difícil tratar a água de uma forma marginal. A importância dela está cada vez mais central, onde não só temas como o saneamento, como o direito humano ao acesso à água e ao saneamento ou mesmo o entendimento sobre a questão de que diferentes usos necessitam de diferentes qualidades de água, é uma série de questões que estão mudando rapidamente, não só na percepção como a importância delas no dia a dia.
Agência Brasil: Durante a crise hídrica em São Paulo, por exemplo, um dos temas debatidos foi o uso excessivo da água pela indústria e pelo agronegócio. Como é possível enfrentar o problema da água olhando também para este consumo?
Marussia Whately: Um estudo anual produzido pela Agência Nacional de Águas (ANA), que chama Conjuntura Nacional de Recursos Hídricos, talvez seja o documento mais completo sobre água e recursos hídricos oficiais que temos no Brasil. Uma coisa que o estudo mostra é que considerando tudo que tem de uso hoje de autorização para a irrigação mais o que tem de uso para abastecimento animal, mais para o que tem de uso para abastecimento público, ele vai fazendo uma análise. Hoje, em torno de mais de 50% da água retirada dos corpos d’água do Brasil são para irrigação. A diferença é que com o uso como irrigação, retira-se uma quantidade de água e com uma taxa de retorno daquela água muito pequena, porque ele vai irrigar, vai fazer a planta crescer e aquela água não vai voltar para aquele lugar. É diferente, por exemplo, dessa metodologia da ANA, que fala que o abastecimento público tem uma taxa de retorno alta, porque vai utilizar água e vai devolver essa água em forma de esgoto.
Considerando essa metodologia, a irrigação e a produção animal para proteína, juntas seriam responsáveis hoje por quase 80% do consumo de água no Brasil. Em relação à retirada, as duas juntas dão em torno de 60%. Toda a água que é utilizada para o abastecimento público estaria em torno de 20% a 25% do uso da água no Brasil hoje.
A gente costuma ter um pouco essa leitura de que existem crises de água, então o problema é o excesso de consumo residencial naquele lugar, mas não necessariamente essa é uma leitura do que existe de disponibilidade de água no país como um todo. Uma vez que são dadas as outorgas de uso pelas diferentes instâncias, isso ocorre de forma muito fragmentada tendo em vista a desigualdade dessa distribuição e do quanto se tem uma discussão efetiva dessas prioridades de uso. Por exemplo, o setor de irrigação pode consumir menos água ou consumir de forma muito mais inteligente do que a gente tem hoje em diferentes lugares do Brasil, não necessariamente toda a irrigação no Brasil está errada do ponto de vista de consumo de água, mas a gente tem uma grande possibilidade de melhorar.
Agência Brasil: Um levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) indica o aumento dos conflitos por água no Brasil. Segundo a entidade, de 2011 a 2015, os casos passaram de 69 para 172, com destaque para os conflitos relacionados à apropriação particular da água e o uso e preservação. Um dos casos mais recentes ocorreu em Correntina, na Bahia, que tem tido protestos em defesa da água em contraposição à exploração feita por empresas do agronegócio ali instaladas. O que explica o aumento desses conflitos e como solucioná-los?
Marussia Whately: Esse mapeamento apresenta uma tendência, que infelizmente não é só uma tendência do Brasil, mas global. A gente já ouviu muito sobre conflitos entre países por conta de água, mas o que temos de tendências recentes é de conflito dentro de países, entre regiões. Aqui o que nós começamos a ver não são exatamente conflitos entre regiões, entre estados, mas conflitos entre diferentes usos da água no mesmo território e, normalmente, de grandes usuários impactando pequenos usuários.
Na verdade, é uma amostragem daquilo que pode acontecer de fato em diferentes regiões e acompanha uma preocupação de que nós temos no Brasil, teoricamente, legislações, ferramentas e instrumentos que deveriam promover a resolução desses conflitos.
Do ponto de vista dos instrumentos, da outorga, teoricamente, esses usos estão autorizados. Tem muitos usos irregulares, obviamente, mas uma mineradora, por exemplo, o mínimo que deve ter é uma outorga. Precisamos melhorar e aprimorar os instrumentos que já temos, inclusive trazendo aprendizados sobre o que eles podem ter de aprimoramento, mas é fundamental trazer a questão de que muitos desses usos que são citados como conflitantes são usos autorizados, então já sendo autorizada por aqueles que são os que tem o domínio da água no Brasil, então ou é o governo federal ou estadual. Como está sendo repartido esse grande benefício?
Agência Brasil: Como você avalia a evolução do debate da água no Brasil? Há avanços na compreensão da água como um bem coletivo?
Marussia Whately: Temos 20 anos de políticas de gestão de recursos hídricos com todo o esforço de implementação, mas que merece uma reflexão, inclusive, para aprimorar várias ferramentas e fortalecer novamente esse sistema no sentido que ele exerça um papel mais central da definição de políticas públicas de recursos hídricos.
Na parte de saneamento, infelizmente, a gente avançou muito menos do que seria o desejável, é uma área urgente para o Brasil, da maior importância, uma das nossas maiores deficiências em termos de serviços e que teve não só muitos avanços aquém do esperado do ponto de vista da infraestrutura, mas que tem tendências de sofrer grandes retrocessos do ponto de vista de gestão.
Agência Brasil: Qual papel deve cumprir o 8º Fórum Mundial da Água? Qual o significado de ele ser realizado no Brasil?
Marussia Whately: O Fórum Mundial da Água não é uma conferência global da água do ponto de vista da ONU, mas é um evento que reforça a importância de se ter essa discussão, esse tipo de espaço nas Nações Unidas por conta do envolvimento e da criação de compromissos vinculantes entre os países. Independentemente disso, ele é um evento superimportante da agenda da água, que ocorre a cada três anos em um país e agora este ano no Brasil. Acho que o evento vai trazer bastante visibilidade para o tema, vai criar bastante pauta, agenda e pode ser uma oportunidade para a gente avançar em algumas questões, por exemplo, discutir saneamento no Brasil.

Como contraponto existe o Fórum Alternativo Mundial da Água, uma grande articulação de várias organizações e movimentos que não reconhecem o Fórum Mundial da Água como espaço de representação desse ponto de vista. Eles veem como um espaço privado e de fato tem questões. Para participar do fórum, da parte de debates, tem que pagar inscrição. Além disso, o que o Fórum Mundial da Água gera de produto é uma declaração, mas não necessariamente gera compromisso, como geraria um acordo a partir da ONU, que os países signatários se comprometem a cumprir.
Distribuição dos recursos hídricos e densidade demográfica do Brasil. (ecodebate)

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Desmatamento amazônico atingirá limite irreversível

Desmatamento na Amazônia pode atingir limite irreversível, com mudanças para vegetação rala e esparsa e baixa biodiversidade.
Com mudanças climáticas e uso indiscriminado do fogo, se o nível de desflorestamento atingir entre 20% e 25% o ciclo hidrológico do bioma pode ser severamente degradado, alertam cientistas.


O desmatamento da Amazônia está prestes a atingir um determinado limite a partir do qual regiões da floresta tropical podem passar por mudanças irreversíveis, em que suas paisagens podem se tornar semelhantes às de cerrado, mas degradadas, com vegetação rala e esparsa e baixa biodiversidade.

O alerta foi feito em um editorial publicado em 21/02/2018 na revista Science Advances. O artigo é assinado por Thomas Lovejoy, professor da George Mason University, nos Estados Unidos, e Carlos Nobre, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas – um dos INCTs apoiados pela FAPESP no Estado de São Paulo em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – e pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
“O sistema amazônico está prestes a atingir um ponto de inflexão”, disse Lovejoy à Agência FAPESP. De acordo com os autores, desde a década de 1970, quando estudos realizados pelo professor Eneas Salati demonstraram que a Amazônia gera aproximadamente metade de suas próprias chuvas, levantou-se a questão de qual seria o nível de desmatamento a partir do qual o ciclo hidrológico amazônico se degradaria ao ponto de não poder apoiar mais a existência dos ecossistemas da floresta tropical.
Os primeiros modelos elaborados para responder a essa questão mostraram que esse ponto de inflexão seria atingido se o desmatamento da floresta amazônica atingisse 40%. Nesse cenário, as regiões Central, Sul e Leste da Amazônia passariam a registrar menos chuvas e ter estação seca mais longa. Além disso, a vegetação das regiões Sul e Leste poderiam se tornar semelhantes à de savanas.


Com mudanças climáticas e uso indiscriminado do fogo, se o nível de desflorestamento atingir entre 20% e 25% o ciclo hidrológico do bioma pode ser severamente degradado, alertam cientistas.

Nas últimas décadas, outros fatores além do desmatamento começaram a impactar o ciclo hidrológico amazônico, como as mudanças climáticas e o uso indiscriminado do fogo por agropecuaristas durante períodos secos – com o objetivo de eliminar árvores derrubadas e limpar áreas para transformá-las em lavouras ou pastagens.
A combinação desses três fatores indica que o novo ponto de inflexão a partir do qual ecossistemas na Amazônia oriental, Sul e Central podem deixar de ser floresta seria atingido se o desmatamento alcançar entre 20% e 25% da floresta original, ressaltam os pesquisadores.
O cálculo é derivado de um estudo realizado por Nobre e outros pesquisadores do INPE, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e da Universidade de Brasília (UnB), publicado em 2016 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
“Apesar de não sabermos o ponto de inflexão exato, estimamos que a Amazônia está muito próxima de atingir esse limite irreversível. A Amazônia já tem 20% de área desmatada, equivalente a 1 milhão de quilômetros quadrados, ainda que 15% dessa área [150 mil km2] esteja em recuperação”, ressaltou Nobre.
Margem de segurança
Segundo os pesquisadores, as megassecas registradas na Amazônia em 2005, 2010 e entre 2015 e 2016, podem ser os primeiros indícios de que esse ponto de inflexão está próximo de ser atingido.
Esses eventos, juntamente com as inundações severas na região em 2009, 2012 e 2014, sugerem que todo o sistema amazônico está oscilando. “A ação humana potencializa essas perturbações que temos observado no ciclo hidrológico da Amazônia”, disse Nobre.
“Se não tivesse atividade humana na Amazônia, uma megasseca causaria a perda de um determinado número de árvores, que voltariam a crescer em um ano que chove muito e, dessa forma, a floresta atingiria o equilíbrio. Mas quando se tem uma megasseca combinada com o uso generalizado do fogo, a capacidade de regeneração da floresta diminui”, explicou o pesquisador.
A fim de evitar que a Amazônia atinja um limite irreversível, os pesquisadores sugerem a necessidade de não apenar controlar o desmatamento da região, mas também construir uma margem de segurança ao reduzir a área desmatada para menos de 20%.
Para isso, na avaliação de Nobre, será preciso zerar o desmatamento na Amazônia e o Brasil cumprir o compromisso assumido no Acordo Climático de Paris, em 2015, de reflorestar 12 milhões de hectares de áreas desmatadas no país, das quais 50 mil km2 são da Amazônia.
“Se for zerado o desmatamento na Amazônia e o Brasil cumprir seu compromisso de reflorestamento, em 2030 as áreas totalmente desmatadas na Amazônia estariam em torno de 16% a 17%”, calculou Nobre.
“Dessa forma, estaríamos no limite, mas ainda seguro, para que o desmatamento, por si só, não faça com que o bioma atinja um ponto irreversível”, disse. (ecodebate).

População, guerra e fome no Iêmen

O Homo sapiens nasceu na África e começou a emigração para o resto do mundo, há cerca de 80 mil anos, exatamente pelo Estreito de Bab-al-Mandeb, que separa o Iêmen, no sul da Península Arábica, de Djibuti, no nordeste da África. Naquela época o Iêmen era uma área fértil e rica, tendo sido o primeiro local fora da África a receber o Homo Sapiens, que a partir dali se espalhou pelo resto do Planeta.
O Iêmen tem uma das mais antigas civilizações do mundo. A população do Iêmen era de 4,4 milhões de habitantes em 1950, chegou a 17,9 milhões no ano 2000 e a 28,3 milhões em 2017. Em 67 anos a população foi multiplicada por 6,4 vezes. As projeções da ONU indicam que a população do Iêmen pode chegar a 44,4 milhões de habitantes por volta de 2040. Portanto, poderá decuplicar em 90 anos.
A densidade demográfica que estava em 8,3 habitantes por km2 em 1950, chegou a 54 hab/km2 em 2017 e deve atingir 81 hab/km2 em 2040 (lembrando que a maior parte do território do país é constituída por desertos).
Contudo, este acelerado crescimento demográfico pode ser interrompido pela tríade: “fome, guerras e epidemias”, tal como caracterizado pelo que se costumou chamar de “choque malthusiano”. A situação atual do Iêmen é dramática, sendo que a pressão demográfica é agravada pela crise ambiental, econômica e política.
Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita fechou as fronteiras do Iêmen e suspendeu as entregas de ajuda humanitária em resposta a um ataque com mísseis dos rebeldes huthis que foi interceptado perto do aeroporto de Riad. Segundo a ONU o Iêmen vive a maior fome em massa do mundo, agravando a situação que já era catastrófica no país.
Cerca de 17 milhões de iemenitas têm uma necessidade desesperada de alimentos e sete milhões correm o risco de passar fome e contrair cólera. Carregamentos da Cruz Vermelha tem sido bloqueados. A coalizão militar árabe liderada pela Arábia Saudita interveio no Iêmen em março de 2015 para apoiar o presidente Abedrabbo Mansour Hadi depois que os huthis o obrigaram a se exiliar.
Em dezembro de 2017, o ex-presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, foi morto após ser alvo de ataque. Ele era aliado há três anos dos houthis, insurgentes que controlam a capital do país, mas teve a sua sentença de morte confirmada após anunciar a ruptura com o grupo. Saleh, que abandonou a presidência do país em 2012, ficou contra uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita e terminou sendo mais uma vítima da guerra civil iemenita, que sofre com a rivalidade entre os poderes sauditas e iranianos. Os gráficos abaixo mostram que o Iêmen estava avançando no processo da transição demográfica, com redução das taxas de mortalidade infantil, aumento da esperança de vida e queda das taxas de fecundidade.

A TFT que estava em 8,8 filhos por mulher na década de 1980 caiu para pouco menos de 4 filhos no quinquênio 2015-20. Porém, a guerra, a fome e as epidemias podem fazer voltar a subir a mortalidade ou até mesmo a fecundidade.

O gráfico abaixo mostra as projeções populacionais do Iêmen até 2100. Se olharmos pelo lado da fecundidade a população vai continuar crescendo. Contudo, o choque pode vir pelo lado da mortalidade, estabelecendo freios não desejados e não planejados. A tríade “miséria, epidemias e guerras” pode provocar um colapso social.
O Iêmen enfrenta a pior guerra de sua história e a maior crise de fome dos tempos modernos. O país importa mais de 85% de toda a sua necessidade alimentar e de remédios. A Secretaria geral de assuntos humanitários da ONU, alertou que a menos que voltem a abrir as fronteiras para os envios de ajuda, o Iêmen viverá a maior fome que o mundo já viu em muitas décadas, com milhões de vítimas. Pode ocorrer um “choque malthusiano” com aumento das taxas de mortalidade.
A comunidade internacional precisa ajudar o país a resolver seus problemas e garantir a continuidade da transição demográfica e a sobrevivência do seu povo. O Iêmen sofre ao continuar sendo um joguete na disputa geoestratégica entre a Arábia Saudita e o Irã. São milhões de vidas que precisam de esperança em um futuro melhor e problemas demográficas, econômicos e sociais que precisam ser resolvidos. (ecodebate)

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

A população mundial por grupos de países: 1950-2100

A Divisão de População da ONU divulgou em 21/06/2017, a atualização dos cenários das projeções populacionais para todos os países e regiões. Na revisão de 2010, a população mundial chegaria a 9,3 bilhões de habitantes em 2050 e de 10,1 bilhões de habitantes em 2100. Na revisão 2017, os números para a população total subiram mais ainda, para 9,8 bilhões em 2050 e 11,2 bilhões em 2100.
O motivo da diferença está na redução mais lenta das taxas de fecundidade nos países de renda média (menos desenvolvidos) e baixa (muito menos desenvolvidos). Na revisão de 2010 da UN/ESA, a projeção da população em 2100 dos países desenvolvidos era de 1,33 bilhão, dos países menos desenvolvidos de 6,1 bilhões e dos países muito menos desenvolvidos de 2,7 bilhões. Na revisão 2017, os números passaram para 1,28 bilhão, 3,2 bilhões e 6,7 bilhões, respectivamente, conforme mostra o gráfico acima.
Ou seja, a população dos países desenvolvidos, com 1,26 bilhão de habitantes em 2017, deve ficar praticamente estável até 2100 (mesmo recebendo imigrantes dos países mais pobres). Em compensação, as projeções para os países não desenvolvidos indicam um aumento maior do que o previsto anteriormente. Isto porque as taxas de fecundidade não estão caindo no ritmo projetado anteriormente.
A população mundial em 2017 foi estimada em 7,6 bilhões de habitantes e projetada para 8,6 bilhões em 2030. O mundo terá mais 1 bilhão de habitantes nos próximos 13 anos e praticamente a totalidade deste incremento vai ocorrer nos países menos desenvolvidos (renda média) ou muito menos desenvolvidos (renda baixa).
O gráfico abaixo mostra que a população dos países desenvolvidos representava 32,1% do total em 1950 e deve cair para 11,5% em 2100. O percentual dos países menos desenvolvidos (renda média) deve se manter praticamente estável em torno de 60%. O percentual dos países muito menos desenvolvidos (renda baixa) vai subir de 7,7% do total populacional de 1950 para 28,6% em 2100.
O maior crescimento demográfico do século XXI deve ocorrer no grupo dos países mais pobres. O mundo caminha para uma situação em que os países desenvolvidos vão ter que enfrentar os problemas decorrentes do envelhecimento populacional, enquanto os países pobres, especialmente da África Subsaariana, vão ter que enfrentar os problemas decorrentes da “bolha de jovens” com poucas oportunidades de educação e emprego. A migração poderia ser uma solução parcial, mas dificilmente o fluxo de pessoas conseguirá romper as barreiras da xenofobia e das dificuldades de integração de populações com características econômicas, sociais e culturais tão diversas. A crise migratória do Mediterrâneo deve se agravar ao longo do século.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) calcula que existam 225 milhões de mulheres sem acesso aos métodos de regulação da fecundidade. Isto quer dizer que é grande o número de gravidez indesejada, especialmente entre as pessoas mais pobres e mais necessitadas. Nem os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM) e nem os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) realizaram os devidos esforços para universalizar o acesso à saúde sexual e reprodutiva.
O mundo de hoje, com 7,6 bilhões de habitantes, já tem uma Pegada Ecológica 68% maior do que a biocapacidade da Terra e já ultrapassou 4 das 9 fronteiras planetárias, segundo metodologia do Stockholm Resilience Centre. O aquecimento global e a degradação dos ecossistemas agravam as perspectivas para as próximas décadas. Um acréscimo de quase 4 bilhões de habitantes nos próximos 83 anos vai colocar um grande desafio para a humanidade, que terá de garantir qualidade de vida para toda esta população, sem comprometer ainda mais as condições do meio ambiente e a garantia dos direitos da biodiversidade
Melhor seria se o mundo tivesse no caminho do decrescimento demoeconômico. Com menos pessoas e menor consumo a Pegada Ecológica poderia ficar em equilíbrio com a biocapacidade do Planeta e a humanidade poderia respeitar as fronteiras planetária e viver harmoniosamente dentro da comunidade biótica, evitando a 6ª extinção em massa das espécies. A Terra seria um lugar melhor com menos gente e mais biodiversidade. (ecodebate)

Veja como a Indústria brasileira esta mais sustentável

Cinco anos depois da Rio+20, a indústria brasileira já contabilizava avanços notáveis na agenda do desenvolvimento sustentável. Os resultados alcançados pelas empresas são relatados na série especial Indústria Sustentável, da Agência CNI de Notícias.
Indústria brasileira esta mais sustentável veja como.
Indústria brasileira investe cada vez mais no desenvolvimento sustentável
Iniciativas que incluem a promoção do emprego e da renda, da educação, inovação e conservação do meio ambiente reafirmam o compromisso das empresas com a agenda da sustentabilidade. Acompanhe a série de reportagens especiais da Agência CNI de Notícias
Cinco anos depois da Rio+20, a indústria brasileira já contabilizava avanços notáveis na agenda do desenvolvimento sustentável. Os resultados alcançados pelas empresas são relatados na série especial Indústria Sustentável, da Agência CNI de Notícias.
As iniciativas empresariais, detalhadas em 14 estudos setoriais que integram a série CNI Sustentabilidade, concluída em 2017, incluem ainda a promoção do emprego e da renda, da educação, da inovação e a conservação do meio ambiente. Entre as experiências que serão relatadas na série está a criação pela Associação Brasileira da Indústria de Eletroeletrônicos (Abinee) de um sistema de logística reversa para equipamentos eletroeletrônicos, que visa aumentar a eficiência e reduzir custos das empresas por meio do compartilhamento de infraestrutura de gerenciamento de resíduos eletroeletrônicos.
Outra ação é a plataforma educativa Educação para o Desenvolvimento Sustentável de Comunidades Litorâneas, da Repsol Sinopec Brasil, que oferece qualificação profissional a comunidades litorâneas do Rio de Janeiro e de São Paulo. Os cursos são ministrados em uma unidade móvel equipada com computadores e kits multimídia que atendem 25 alunos por turma. Há ainda o programa de reciclagem e reutilização de materiais do Sinditêxtil - SP, apoiado pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Intitulado Retalho Fashion, o projeto pretende organizar a coleta, a triagem e a venda de resíduos têxteis e busca criar condições socialmente justas de trabalho.
VÍDEO - Confira na animação abaixo alguns dados de sustentabilidade em diferentes setores industriais:
https://www.youtube.com/watch?v=9si-zU6A0hg – youtube. (portaldaindustria)

Você pode fazer pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Coisas que você pode fazer pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
Tome uma atitude: Coisas que você pode fazer pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Coisas que você pode fazer a partir do seu sofá
 
· Economize eletricidade conectando aparelhos em uma tira de força e desligando-o completamente quando não estiver em uso, incluindo o seu computador.
· Pare de extratos bancários em papel e pague suas contas online ou via celular. Sem papel, não há necessidade de destruição da floresta.
· Compartilhe, não goste. Se você vê uma publicação de mídia social interessante sobre os direitos das mulheres ou as mudanças climáticas, compartilhe-a para que pessoas da sua rede também vejam.
· Fala! Peça às suas autoridades locais e nacionais que se envolvam em iniciativas que não prejudiquem pessoas ou o planeta. Você também pode expressar seu apoio ao Acordo de Paris e pedir ao seu país para ratificá-lo ou assinar se ainda não.
· Não imprima. Veja algo online que você precisa lembrar? Anote-o em um caderno ou melhor ainda, uma nota de pós-it digital e poupe o papel.
· Apaga as luzes. Sua TV ou tela de computador oferece um brilho aconchegante, então desligue outras luzes se não precisar delas.
· Faça um pouco de pesquisa on-line e compre apenas de empresas que você conhece práticas sustentáveis ​​e não prejudicam o meio ambiente.
· Denuncie agressores online. Se você notar assédio em um quadro de mensagens ou em uma sala de bate-papo, marque essa pessoa.
· Mantenha-se informado. Acompanhe suas notícias locais e fique em contato com os Objetivos Globais on-line ou nas mídias sociais no @GlobalGoalsUN .
· Conte-nos sobre suas ações para alcançar os objetivos globais usando o hashtag #globalgoals em redes sociais.
· Além do acima, compensar as emissões de carbono restantes! Você pode calcular sua pegada de carbono e comprar créditos climáticos do Climate Neutral Now. Desta forma, você ajuda a reduzir as emissões globais mais rápidas!”
Coisas que você pode fazer em casa
 
· Ar seco. Deixe seu cabelo e roupa secar naturalmente em vez de correr uma máquina. Se você lavar a roupa, verifique se a carga está cheia.
· Tome duchas curtas. As banheiras requerem mais galões de água do que um chuveiro de 5-10 minutos.
· Coma menos carne, aves e peixe. Mais recursos são usados ​​para fornecer carne do que plantas.
· Congele produtos frescos e restos se você não tiver a chance de comê-los antes que eles se tornem ruins. Você também pode fazer isso com comida take-away ou entregue, se você sabe que não vai sentir vontade de comer no dia seguinte. Você vai economizar comida e dinheiro.
· Os resíduos de alimentos para compostagem e compostagem podem reduzir o impacto climático enquanto também reciclagem de nutrientes.
· Reciclagem de papel, plástico, vidro e alumínio evita que os aterros cresçam.
· Compre produtos minimamente embalados.
· Evite pré-aquecer o forno. A menos que você precise de uma temperatura de cozimento precisa, comece a aquecer sua comida diretamente quando liga o forno.
· Conecte vazamentos de ar em janelas e portas para aumentar a eficiência energética.
· Ajuste seu termostato, menor no inverno, mais alto no verão.
· Substitua aparelhos antigos por modelos eficientes de energia e lâmpadas.
· Se você tiver a opção, instale painéis solares em sua casa. Isso também reduzirá sua conta de eletricidade!
· Obter um tapete. Tapetes e tapetes mantêm sua casa quente e seu termóstato baixo.
· Não enxaguar. Se você usar uma máquina de lavar louça, pare de enxaguar suas placas antes de executar a máquina.
· Escolha uma melhor opção de fralda. Swaddle seu bebê em fraldas de pano ou uma nova marca descartável ambientalmente responsável.
· Pá neve manualmente. Evite o barulhento de neve barulhento e exaustor e faça algum exercício.
· Use correspondências de papelão. Eles não exigem nenhum petróleo, ao contrário de isqueiros plásticos de gás.
Coisas que você pode fazer fora de sua casa
 
· Compre local. O apoio às empresas do bairro mantém as pessoas empregadas e ajuda a evitar que os caminhões conduzam distâncias distantes.
· Compre refeições com planos inteligentes, use listas de compras e evite compras de impulso. Não sucumbir a truques de marketing que o levem a comprar mais alimentos do que você precisa, particularmente para itens perecíveis. Embora estes possam ser menos caros por onça, eles podem ser mais caros, se grande parte desse alimento for descartado.
· Compre Funny Fruit – muitas frutas e vegetais são jogados fora porque seu tamanho, forma ou cor não estão “corretos”. Comprar esta fruta engraçada perfeitamente boa, no mercado do fazendeiro ou em qualquer outro lugar, utiliza alimentos que, de outra forma, poderiam ser desperdiçados.
· Quando você vai a um restaurante e está pedindo frutos do mar sempre pergunte: “Você serve frutos do mar sustentáveis?” Deixe suas empresas favoritas saberem que os frutos do mar são amigáveis ​​na sua lista de compras.
· Compre apenas para frutos do mar sustentáveis. Existem agora muitos  aplicativos como este  que irão dizer o que é seguro consumir.
· Bicicleta, caminhe ou transporte público. Salve as viagens de carro para quando você tem um grande grupo.
· Use uma garrafa de água e uma xícara de café recarregáveis. Reduzir o desperdício e talvez até poupar dinheiro no café.
· Traga seu próprio saco quando comprar. Passe a bolsa de plástico e comece a carregar seus próprios estofados reutilizáveis.
· Pegue menos guardanapos. Você não precisa de um punhado de guardanapos para comer o seu takeout. Pegue apenas o que você precisa.
· Compre o vintage. Brand-new não é necessariamente o melhor. Veja o que você pode fazer de repouso de lojas de segunda mão.
· Mantenha seu carro. Um carro bem ajustado emitirá menos fumos tóxicos.
· Doe o que você não usa. As instituições de caridade locais darão uma vida nova a suas roupas, livros e móveis de uso suave.
· Vacine-se e seus filhos. Proteger sua família da doença também ajuda a saúde pública.
· Aproveite o seu direito de eleger os líderes do seu país e da comunidade local.
Coisas que você pode fazer no trabalho
 
· Se você tem uma fruta ou lanche que você não quer, não jogue fora. Dê isso a alguém que precisa e está pedindo ajuda.

· Todos no trabalho têm acesso a cuidados de saúde? Descubra quais são seus direitos para trabalhar. Combater a desigualdade.
· Mentor jovens. É uma maneira pensativa, inspiradora e poderosa de guiar alguém para um futuro melhor.
· As mulheres ganham 10 a 30% menos do que os homens pelo mesmo trabalho. A persistência da desigualdade persiste em todos os lugares. Digite seu apoio para pagamento igual por trabalho igual.
· 4 bilhões de pessoas não têm acesso a serviços básicos de saneamento. Preste sua voz para falar sobre a falta de sanitários em muitas comunidades ao redor do mundo!
· Certifique-se de que sua empresa usa tecnologia de aquecimento e refrigeração eficiente em energia, e ajuste o termostato, menor no inverno, mais alto no verão.
· Mantenha-se informado. Leia sobre os trabalhadores em outros países e as práticas comerciais. Fale com seus colegas sobre essas questões.
· A sua empresa investiu em infraestrutura limpa e resiliente? É a única maneira de manter os trabalhadores seguros e proteger o meio ambiente.
· Levante sua voz contra qualquer tipo de discriminação em seu escritório. Todos são iguais, independentemente do seu gênero, raça, orientação sexual, formação social e habilidades físicas.
· Bicicleta, caminhe ou transporte público para o trabalho. Salve as viagens de carro para quando você tem um grande grupo.
· Organize uma semana sem impacto no trabalho. Aprenda a viver de forma mais sustentável durante pelo menos uma semana: un.org/sustainabledevelopment/be-the-change.
· Fala! Peça à sua empresa e ao Governo que se envolvam em iniciativas que não prejudicam pessoas ou o planeta. Voe seu apoio para o Acordo de Paris!
· Grande parte do desperdício que produzimos em terra acaba nos oceanos.
· Examine e altere as decisões do dia-a-dia. Você pode reciclar no seu local de trabalho? A sua empresa está comprando de comerciantes envolvidos em práticas ecológicas nocivas?
· Conheça seus direitos no trabalho. Para acessar a justiça, saber o que você tem direito irá percorrer um longo caminho.
Responsabilidade social corporativa conta! Incentive sua empresa a trabalhar com a sociedade civil e encontrar formas de ajudar as comunidades locais a atingir os objetivos.

(ecodebate)

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Unicamp aponta alto risco de desertificação na Bahia

Pesquisa desenvolvida na Unicamp aponta alto risco de desertificação na Bahia.
Identificação de áreas vulneráveis em polos de produção agrícola serve de alerta para agricultores e representantes do poder público.
Pesquisa desenvolvida na Unicamp revela que o Estado da Bahia vem apresentando aumento no índice de aridez e diminuição de chuvas. Os estudos indicam que a tendência é que a situação se agrave nos próximos 30 anos, provocando um aumento das áreas com risco de desertificação na região. As conclusões são da tese de doutorado “Áreas de risco de desertificação: cenários atuais e futuros, frente às mudanças climáticas”, defendida por Camila da Silva Dourado na Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp.
A desertificação é a degradação de terras nas zonas áridas, semiáridas e subúmidas a secas, como resultado das variações climáticas e ações antrópicas, ou seja, as alterações causadas pelo ser humano no ambiente. Este fenômeno transforma terras férteis e agricultáveis em terras improdutivas, causa impactos ambientais como a destruição da biodiversidade, diminuição da disponibilidade de recursos hídricos e provoca a perda física e química dos solos. Neste caso, a pesquisa aponta que as mesorregiões que mais expandiram as áreas com risco de aridez são os maiores polos agrícolas baianos. “Ainda é necessária uma análise mais aprofundada sobre a desertificação nessas áreas, mas os dados mostram que esses polos agrícolas observados passaram a ser considerados como áreas de alto risco”, explica Camila.
O trabalho foi realizado sob orientação de Stanley Robson de Medeiros Oliveira, pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária e coorientação de Ana Maria Heuminski de Avila, pesquisadora do Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura). Os autores alertam para a necessidade de se adotar medidas preventivas agora para que as previsões não se consolidem.
Camila da Silva Dourado, autora da pesquisa: “Os cenários de aumento de áreas de risco para agricultura por causa da desertificação ameaçam diversos setores econômicos e sociais da região, principalmente o agropecuário”.
No cenário da produção agrícola nacional, a Bahia ocupa destaque no Nordeste brasileiro como grande produtora de grãos, além de ser responsável por 12,2% do valor da produção de frutas, ocupando o segundo lugar no ranking nacional. A cultura do algodão no estado representa 25,4% da produção nacional, ficando atrás apenas de Mato Grosso com 64,1% da produção, de acordo com dados da safra de 2016 divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os dois principais polos agrícolas baianos estão no oeste, em cidades como Luís Eduardo Magalhães e Barreiras, por exemplo, onde é forte a produção de algodão e grãos, principalmente a soja. Outro polo está no norte do Estado, maior produtor de frutas da Bahia, sendo destaques as cidades entre Juazeiro (BA) e Petrolina, em Pernambuco.
“Os cenários de aumento de áreas de risco para agricultura por causa da desertificação ameaçam diversos setores econômicos e sociais da região, principalmente o agropecuário”, explica Camila. Por isso, uma das alternativas recomendáveis é o desenvolvimento de ferramentas e sistemas inteligentes capazes de capturar, organizar e quantificar dados e informações, que auxiliem o planejamento da produção agrícola e o processo de tomada de decisão, com o objetivo de diminuir os impactos ambientais.
De acordo com os resultados obtidos por meio da análise de dados climáticos (chuva, temperatura e evapotranspiração), dados edáficos, declividade do terreno, fragilidade do solo à erosão e de vegetação (extraídos de imagens de satélite), entre os anos de 2000 e 2014, o território baiano já apresentou uma queda do nível de precipitações (chuvas), diminuição de áreas de cobertura vegetal nativa, e um aumento no índice de aridez e das áreas com risco de desertificação.
Para o futuro, ou seja, entre os anos de 2021 a 2050, a previsão é que o Estado enfrente um aumento de temperatura de aproximadamente 1 °C e diminuição das precipitações, em relação ao clima atual. As previsões também apontam um aumento nas áreas consideradas áridas e uma expansão de terras com risco “alto” e “muito alto” de desertificação. “Essa pesquisa exibe o cenário futuro; então, se quisermos minimizar esses riscos, temos que tomar decisões e atitudes agora ou será muito tarde para fazer as correções. Não podemos esperar até 2050”, alerta Stanley Oliveira.
Segundo o orientador da pesquisa, as técnicas de mineração de dados associadas às técnicas de sensoriamento remoto em imagens orbitais, tratam do desafio de captar padrões e processos, e proporcionam um diagnóstico espaço temporal da mudança na paisagem, permitindo também monitorar e diagnosticar o grau de degradação de terras. Essas técnicas facilitam a análise e a manipulação de dados em grandes áreas, com menos custo que os métodos convencionais, permitindo uma avaliação das alterações ocorridas no meio ambiente, no passado, presente e com simulações do futuro.
“A depender da prática agrícola que é adotada hoje, terras produtivas serão transformadas em improdutivas. Não adianta utilizar práticas inadequadas que não visem à sustentabilidade daquele solo e dos recursos naturais. É preciso alertar o grande e pequeno produtor sobre formas de produção que amenizem essa situação; é uma questão de sensibilização. São necessárias políticas públicas também para que haja incentivo às novas formas de produção e de utilização da terra e dos recursos naturais”, ressalta Camila.
O desafio de alimentar uma população em crescimento
Os resultados que a pesquisa aponta são importantes para a busca de soluções ao principal desafio da agricultura mundial: cumprir a meta de alimentar nove bilhões de pessoas até 2050, de acordo com previsão da FAO, a Organização das Nações Unidas (ONU) para a Alimentação e a Agricultura. Estudos da agência indicam que, para alimentar uma população extra projetada em mais 2,3 bilhões de pessoas, o mundo precisará produzir 70% a mais de alimentos. Entretanto, a expansão das terras agricultáveis terá de se dar em cerca de 120 milhões de hectares nos próximos 40 anos em países em desenvolvimento, principalmente na América Latina e na África Subsaariana.
Regiões áridas e terras desertificadas dificultam e impedem a produtividade de alimentos. Terras antes agricultáveis se tornam improdutivas em razão dos processos de semiaridez, aridez e desertificação. Estima-se que boa parte das terras inseridas em áreas de clima propícios à desertificação tenha seu processo de improdutibilidade acelerado. Por isso, os resultados são importantes para orientar o trabalho de gestores e apoiar a formulação de políticas públicas focadas na região.
O pesquisador Stanley Robson de Medeiros Oliveira, orientador da tese: “Se quisermos minimizar esses riscos, temos que tomar decisões e atitudes agora ou será muito tarde para fazer as correções”
Historicamente a região norte do território baiano integra o polígono da seca, uma área de mais de 1 milhão de km² entre os Estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, que enfrenta crises repetidas de estiagem. Dessa forma, a manutenção da fruticultura no norte é feita através de sistemas de irrigação. Porém, outro problema apontado pela pesquisa é que regiões antes consideradas com risco baixo de desertificação passam ao moderado e alto, como é o caso da região oeste. Essa situação mudaria todo o cenário de produção agrícola do estado.
Nos últimos anos os pesquisadores também vêm se preocupando com a influência das mudanças climáticas no avanço do processo de desertificação. “Com o aumento de temperatura estimado em 1ºC e a diminuição na precipitação, há a ocorrência de um outro indicador que utilizamos, a evapotranspiração, que é subsídio para um outro indicador, o índice de aridez. Juntando essas variáveis, e com as novas projeções do modelo de mudanças climáticas, confirma-se que há uma expansão muito grande das áreas de desertificação”, esclarece Camila.
“Se considerarmos os resultados, esse é um cenário muito drástico e assustador, mas o objetivo dessa pesquisa não é assustar e sim informar. É hora de criar políticas públicas para que as pessoas que vivem da terra consigam ter melhor qualidade de vida, possam permanecer e alimentar suas famílias, porque o grande risco é que elas migrem para outras regiões e se tornem marginalizadas. As pessoas precisam continuar produzindo alimento para subsistência e comércio”, afirma a coorientadora da pesquisa, Ana Avila.
Metodologia
Para avaliar as áreas com potencial de risco de desertificação no estado da Bahia, foram utilizados sete indicadores biofísicos de desertificação: índice de vegetação de diferença normalizada e índice de vegetação realçado (NDVI e EVI, respectivamente, na sigla em inglês) ambos gerados pelo sensor Modis; índice de aridez; dados de solo; precipitação; temperatura e evapotranspiração. No caso dos mapas climáticos foi aplicado o método geoestatístico Krigagem Bayesiana Empírica. Também foram elaborados mapas de modelo de elevação digitação, declividade e classificação do solo, com o intuito de gerar um mapa de fragilidade do solo, usado como indicador, com as características edáficas da região.
A pesquisadora Ana Maria Heuminski de Avila: “É hora de criar políticas públicas para que as pessoas que vivem da terra consigam ter melhor qualidade de vida, possam permanecer e alimentar suas famílias”.
A partir do empilhamento das imagens dos sete indicadores de desertificação foi aplicada a tarefa classificação, por meio do algoritmo Máquinas de Vetores Suporte (SVM, sigla em inglês) na imagem produto, definindo quatro níveis de risco de desertificação: muito alto, alto, moderado e baixo. A pesquisa usou imagens de alta resolução espacial do satélite RapidEye para validação da classificação fornecidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). As simulações dos impactos das mudanças climáticas para o cenário futuro, 2021 até 2050, utilizaram modelos climáticos Eta-MIROC5, que preveem diminuição da precipitação, aumento de temperatura e deslocamento das áreas com maiores taxas de evapotranspiração potencial.
Estado da Bahia vem apresentando aumento no índice de aridez e diminuição de chuvas.
Foram estudados dois cenários de períodos temporais distintos: o de clima presente, abrangendo os anos de 2000 a 2014, e o cenário de clima futuro, para o período de 2021 a 2050. Os resultados mostraram que em 2014 houve uma diminuição na precipitação e nas áreas de cobertura vegetal em relação ao ano 2000, além de um aumento no índice de aridez e nas áreas de risco de desertificação. No cenário futuro, houve um aumento de temperatura de aproximadamente 1°C e diminuição da precipitação em relação ao clima presente. O índice de aridez aponta um aumento nas áreas áridas para o clima futuro, e uma expansão nas áreas de risco de desertificação, principalmente nas áreas de risco muito alto e alto.
Na imagem acima, área do reservatório de Sobradinho, em Remanso, na região de Juazeiro (BA).
“Essa metodologia é inédita e rica por usar técnicas de sensoriamento remoto e de mineração de dados, incluindo um algoritmo inteligente (SVM – Support Vector Machine), que aprende interativamente com uma massa de dados, descobre e apresenta os padrões encontrados. Isso pode ser aplicado em outras regiões do Brasil, principalmente aquelas mais carentes; a contribuição não se restringe só ao estado da Bahia”, enfatiza Oliveira. (ecodebate)