quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Reservatório de sobradinho zerará em dezembro

Reservatório de sobradinho deve zerar em dezembro, aponta MME.
O reservatório de Sobradinho deve chegar a zero em dezembro, quando está se iniciando o período úmido. A informação foi dada pelo ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, e segundo ele, a situação não comprometerá o abastecimento de energia da região. "Chegando a zero, a gente tem muita água lá e dá para atender [a população]", afirmou. No entanto, o Operador Nacional do Sistema Elétrico está preocupado com a situação no final de 2017 e, por isso, segundo Coelho, pediu ao MME estudos para a redução da vazão do rio São Francisco de 800 m³/s para 700 m³/s.

"Segundo ONS, se chover [nesse próximo período úmido] a mesma quantidade que choveu o ano passado e mantivermos a vazão de 800 m³/s ao longo desse ano, possivelmente vamos chegar ao fim de 2017 com Sobradinho a -15%, -16% do volume e aí, de fato, dentro mesmo do volume morto", explicou o ministro que participou em 15/09/16 da reunião do Conselho de Energia da Firjan, no Rio de Janeiro.
No entanto, ele ponderou que para que isso aconteça, é preciso que algumas premissas se confirmem e a primeira delas é a quantidade de chuvas que vai acontecer no período úmido, que vai do fim de novembro a março. "Ao final de março que a gente tem que ver o volume que teremos na barragem", disse. A expectativa, continuou Coelho Filho, é que até lá essa discussão já tenha evoluído dentro do governo e também com o Ibama e com os estados, visto que a redução da vazão afeta a captação de água.
"O que o ONS fala é que se a gente reduzir a vazão para 700 m³/s, a gente vai chegar numa situação menos crítica no final do ano que vem", declarou. Ele disse ainda que caso a redução da vazão se concretize, é possível que tenham que ser feitas obras de captação em cidades abaixo de Sobradinho, nos estados de Pernambuco, Bahia, Sergipe e Alagoas. (udop)

Sobradinho está perto de entrar no volume morto


Reservatório de Sobradinho está perto de entrar no volume morto
Em novembro do ano passado, no fim do período seco, o reservatório chegou à sua situação mais crítica, com volume de água correspondente a apenas 1,11% de sua capacidade total, situação que só passou a melhorar em dezembro, com o início do período chuvoso.
O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, afirmou em 14/09/16 que o reservatório de Sobradinho, o segundo maior do país em quantidade de água, deverá atingir seu volume morto até dezembro, por causa da grave situação hídrica que atinge a região Nordeste. "Estamos com dificuldade muito grande nos reservatórios do Nordeste. Isso é fato. Sobradinho deve zerar de fato neste ano e vai para o volume morto em dezembro", disse.
Há três anos, Sobradinho, localizado nos municípios de Sobradinho e Casa Nova, na Bahia, sofre com escassez de água que afeta todo o Rio São Francisco. Em novembro do ano passado, no fim do período seco, o reservatório chegou à sua situação mais crítica, com volume de água correspondente a apenas 1,11% de sua capacidade total, situação que só passou a melhorar em dezembro, com o início do período chuvoso.
Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão responsável pela coordenação e controle da operação da geração e transmissão de energia no País, apontavam que o reservatório, principal caixa d’água do Nordeste, registrava 12% de sua capacidade plena. No início de setembro, o ONS informou avaliar a possibilidade de reduzir a vazão de Sobradinho, de 800 para 700 m3 por segundo.
Nos cálculos do órgão, se for mantida a vazão atual de 800 m3 - já muito abaixo e fora dos padrões de 1.100 m³ exigidos pelo IBAMA -, Sobradinho pode chegar a um resultado negativo de 15% de seu volume morto no fim do ano que vem. O assunto está em análise pelo IBAMA e pela Agência Nacional de Águas (ANA). "Usaram os reservatórios mais do que o recomendável, na expectativa de chover, em 2013 e 2014", comentou Coelho Filho.
Volume da represa foi mal utilizado, diz ministro
Obra
O ministro disse que está avaliando a possibilidade de contratar uma obra para retenção da água do mar que entra no Rio São Francisco, a partir de sua foz, na divisa de Sergipe com Alagoas, situação que tem se agravado por conta do baixo volume de água do rio.
A falta de água no Nordeste também está comprometendo as operações de usinas térmicas a carvão instaladas no porto de Pecém, no Ceará, porque são unidades que usam muita água para resfriar suas turbinas. Há estudos em andamento para que essas unidades passem a usar água do mar. O governo do Ceará já admitiu a necessidade de ter de cortar o abastecimento dessas unidades ou aumentar o preço da água fornecida para as termoelétricas.
Distribuidoras
O ministro de Minas e Energia também informou na quarta-feira que o rombo das seis distribuidoras de energia do grupo Eletrobrás - Cepisa (Piauí), Ceal (Alagoas), Eletroacre, Ceron (Rondônia), Boa Vista Energia (Roraima) e Amazonas Energia - chega a R$ 1,81 bilhão até junho, uma conta que cresce mensalmente.
De acordo com o ministro, foi aprovada nesta semana pela Agência Nacional de Energia Elétrico (Aneel) resolução que disciplina o acesso dessas empresas endividadas a fundos do setor elétrico, como a Reserva Geral de Reversão (RGR). O objetivo é usar o dinheiro para quitar as dívidas. Os repasses, no entanto, serão feitos como empréstimos, com regras para serem quitados nos anos seguintes. (correiobraziliense)


terça-feira, 27 de setembro de 2016

Brasileiros criam descarga que economiza em até 80% de água

Brasileiros criam descarga que economiza em até 80% o consumo de água
Com a crise hídrica que afeta boa parte do Brasil, economizar água e evitar o desperdício se tornou quase lei, entretanto, o banheiro é o cômodo que mais consome água nas casas e prédios. Pensando em resolver este problema, uma empresa criou o Piipee, um dispositivo que utiliza uma pequena porção de solução química biodegradável para desodorizar a urina e higienizar o vaso sanitário, sem utilizar uma gota de água da descarga.
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), cada pessoa necessita de cerca de 110 litros de água por dia para atender as necessidades de consumo e higiene, entretanto, esse consumo no Brasil pode chegar a mais de 200 litros por dia. Segundo essa estimativa, utilizar mais do que 110 litros já é considerado jogar dinheiro fora e desperdício dos recursos naturais.
As descargas de parede gastam 15 litros de água em cada acionamento, já com o vaso acoplado, esse consumo cai para seis litros. Com o Piipee, o consumo de água nas bacias sanitárias é reduzido em até 80%.
O dispositivo consiste em um suporte plástico, produzido com produtos recicláveis, que é instalado na borda do vaso sanitário. Além de ser ecologicamente correto, pois é biodegradável, o Piipee também é bactericida e antialérgico.
Quando o usuário urinar, ao invés de dar descarga convencional, ele deve acionar o Piipee e um spray será disparado em todo o interior do assento.
De acordo com os criadores, a solução bioquímica, que contém essência de eucalipto, pinho e óleos naturais, age nas características físico-químicas da urina, removendo o odor, alterando a coloração, odorizando e higienizando o banheiro. Além disso, o Piipee usa pouco mais de 1ml de solução por aplicação, o que garante uma boa vida útil para o refil. Vale lembrar que esse sistema não se aplica aos resíduos sólidos, apenas à urina.
Mas esse dispositivo é caro?
A estimativa é que o suporte custe entre R$ 25 e R$ 30 e o refil, com capacidade para 250 acionamentos, deve custar até R$ 5.
Mesmo com o protótipo pronto, o projeto está em busca de mais parcerias e financiamento, mas as vendas do Piipee devem começar em janeiro de 2015. Inclusive, dá pra fazer cadastro na lista de pré-vendas no site.
Formada por apenas três pessoas (Ezequiel Vedana, Ariane Tamara Pelicioli e Bruno Rafael de Souza), a empresa está sediada na cidade de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. A ideia do Piipee já esteve entre as melhores do Desafio Brasil edição 2013, que é uma rede colaborativa para a construção de ideias empreendedoras, e foi finalista da edição de 2014 do Inovativa Brasil, um programa para capacitação, aceleração, mentoria e conexão de negócios inovadores. (pensamentoverde)

Nova classificação de águas considera águas minerais como recursos hídricos

Tese propõe mudanças na classificação de águas, considerando as águas minerais como recursos hídricos.
A partir do Código de Minas, de 1934, e do Código de Águas Minerais, de 1945, as águas minerais, termais, gasosas e potáveis de mesa no Brasil passaram a ser consideradas como minério, não mais como recurso hídrico. O Código de Mineração de 1967 manteve essa classificação e, atualmente, o projeto de lei que prevê um novo código não trata das mudanças na institucionalidade das águas minerais, mantendo a classificação de minério.
Um estudo de doutorado do Instituto de Economia (IE), de autoria do economista Pedro dos Santos Portugal Júnior, analisou o arranjo institucional que rege o aproveitamento comercial das águas minerais no país e concluiu que ele provoca desarticulação normativa e conflitos que culminam com a exploração insustentável desses recursos. “Por isso é preciso mudar essa institucionalidade, considerando as águas minerais como recursos hídricos, e fortalecer os órgãos gestores e reguladores desse segmento”, afirmou.
Segundo o pesquisador, a sua tese faz uma proposta diferenciada de integração das águas minerais na gestão dos recursos hídricos dentro da Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH). “Nesse âmbito, deverá prevalecer uma boa estrutura técnica e liberdade de ação e fiscalização dos órgãos.”
Na literatura, Pedro buscou informações sobre a gestão da água mineral nos Estados Unidos, Portugal, Espanha, França, Alemanha, Argentina e Colômbia. Desses, informou ele, somente Portugal e Espanha consideram institucionalmente as águas minerais como minério. Todos os demais a consideram como recurso hídrico e alimento, inclusive a França, que possui uma das melhores legislações sobre gestão de águas no mundo.
Na Espanha, há um debate no momento, assim como no Brasil, para a mudança dessa institucionalidade e para que as águas minerais passem a integrar finalmente a gestão de recursos hídricos.
Proposta
Desde o mestrado, o pesquisador se interessou pelo tema das águas minerais e discutiu a gestão ambiental em empresas que exploram esse recurso. Viu o grave problema que há nesse segmento, pois, no Brasil, a água subterrânea pode ser classificada de duas formas pelas suas características. Se for tida como recurso hídrico, segue a Política Nacional de Recursos Hídricos, e seu domínio e gestão ficam a cargo dos Estados. Se classificada como água mineral, segue os códigos de mineração e águas minerais, e seu domínio e gestão ficam a cargo da União, especialmente do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).
Agora no doutorado, orientado pelo professor do IE Bastiaan Philip Reydon, o autor continuou a observar que muitos problemas na exploração e uso desse recurso ocorriam pela confusão institucional que existe e pela falta de articulação entre as leis que regem esse mesmo recurso: a água.
Foi por essa razão que resolveu propor uma mudança na institucionalidade das águas minerais no Brasil. A ideia foi integrá-la com a Política Nacional de Recursos Hídricos e com ampla participação social, via Comitês de Bacia Hidrográfica.
Para verificar a receptividade de sua proposta, Pedro fez uma pesquisa em 2015 com estudiosos e pessoas que trabalham com esse tema. Usou um método denominado painel de especialistas. A partir dessa consulta, ficou claro que a maioria deles era contrária à manutenção da atual institucionalidade que considera as águas como minério.
Essas pessoas indicaram alterações relevantes no documento, enfatizando a necessidade de um papel central das secretarias estaduais de recursos hídricos (que fazem a gestão das águas subterrâneas conforme a PNRH) e uma mais forte integração com os Comitês de Bacia Hidrográfica.
Ele sugeriu que as águas minerais, termais, gasosas e potáveis de mesa passem a ser reputadas como alimento no Brasil e que, no que se refere à sua classificação como recurso hídrico, ela siga a Política Nacional de Recursos Hídricos. Quanto à sua classificação como alimento, deverá seguir os parâmetros da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), como já acontece atualmente.
Outro ponto saliente na proposta é a imediata reclassificação das águas, determinando como minerais apenas aquelas que apresentem ação medicamentosa, e elas deverão ter um tratamento diferenciado na PNRH. Já as águas potáveis de mesa (comercializadas por meio de garrafas, garrafões e copos) deverão ser enquadradas como águas para consumo comum e seguir os padrões de gestão e fiscalização já instituídos pela Política Nacional de Recursos Hídricos.
Pedro propôs ainda políticas públicas como a instituição de instrumentos econômicos por meio da cobrança pelo uso da água, no lugar da Contribuição Financeira sobre a Exploração Mineral (CFEM). “Assim, as arrecadações por meio de cobrança pelo uso da água devem ser aplicadas na região da bacia hidrográfica onde se explorou o recurso, com vistas a melhorias e preservação do meio ambiente e das águas.”
O economista abordou a aplicação efetiva da gestão de resíduos sólidos nas empresas de águas minerais no Brasil, por conta da grande quantidade de embalagens plásticas usadas. Isso está em pauta no Grupo de Coalização Empresarial, Setor de Embalagens. “Mas agora precisa ser ampliado”, opinou o estudioso, que é mestre em desenvolvimento econômico e professor e pesquisador do Centro Universitário do Sul de Minas, em Varginha.
Produção
O país é o quarto maior produtor mundial de águas minerais, empatado com a Indonésia e atrás da China, Estados Unidos e México. O total produzido no Brasil em 2013 foi de 11 bilhões de litros. Isso incluiu água engarrafada, uso como insumo para produção de sucos prontos, cervejas, refrigerantes e chás prontos, e consumo direto em balneários e parques.
A produção de água engarrafada sozinha totalizou 7,1 bilhões de litros, ou seja, 65% da produção nacional. O crescimento da produção total no Brasil entre 2008 e 2013 foi de 93,74%, muito acima da média de crescimento mundial – que foi de 32,60% no mesmo período.
“Nesse sentido, os principais gargalos são o aumento vertiginoso do consumo de água mineral engarrafada e a superexploração desse recurso, que pode provocar sérios danos ambientais, como rebaixamento do terreno no entorno da fonte e falta de água para abastecimento urbano, caso a fonte de água subterrânea seja um tributário dos mananciais de abastecimento”, contextualizou o economista.
A poluição causada pela produção e pelas embalagens empregadas na comercialização também é outro gargalo, juntamente com o enfraquecimento do ecoturismo, a favor apenas da exploração industrial e comercial. Isso tudo ainda vem somado à confusão institucional, que provoca problemas e conflitos, e à falta de fiscalização, que faz com que muitas empresas explorem a água acima do máximo permitido.
Mas, de acordo com Pedro, os problemas não terminam por aí. Tem o aumento da exploração desse recurso por grandes empresas nacionais e multinacionais, o que pode levar a uma oligopolização desse mercado e ao domínio das fontes desse recurso nas mãos de poucas empresas, advertiu. “É necessário fazer melhorias na Política Nacional de Recursos Hídricos, que ainda possui alguns pontos passíveis de alteração, e o fortalecimento dos órgãos gestores e reguladores, diminuindo a ingerência política e primando pela liberdade de atuação.” (ecodebate)

domingo, 25 de setembro de 2016

Vaso sanitário que não utiliza água

Protótipo de vaso sanitário que não utiliza água.
Arquiteta desenvolve protótipo de vaso sanitário que não utiliza água.
Modelo criado pela arquiteta utiliza micro-ondas para desidratar e transformar os dejetos em pó estéril, com testes bem sucedidos.
Uma descarga despeja em média de 5 a 15 litros de água no vaso sanitário. Algo em torno de 40 litros por pessoa diariamente, e o equivalente a mais de mil litros por ano. Se pensarmos que se trata de água limpa e tratada, descendo esgoto abaixo, isso significa o desperdício de um bem natural que a cada dia se torna mais escasso e valioso. Em busca de solução, até o bilionário Bill Gates já instituiu um concurso internacional sobre o tema. Entre nós, alguns especialistas se empenham em estudar saídas para o problema. Entre eles, a arquiteta Marta Joffily de Alencar, que, com recursos do programa de Apoio ao Desenvolvimento de Modelos de Inovação Tecnológica e Social, da Faperj, está desenvolvendo o protótipo de um vaso sanitário que, no lugar de água, faz uso de micro-ondas para desidratar e transformar os dejetos em pó estéril. Os testes realizados até agora têm sido bem-sucedidos.
Como explica Marta, a ideia surgiu a partir de sua própria experiência como arquiteta, alguém que trabalhou muito tempo com planejamento urbano e habitação popular. “Habituados a procurar soluções para problemas de saneamento, chegamos ao vaso sanitário sem consumo de água, o Vassa, sigla pela qual o estamos chamando”, fala.
Mas como funcionaria um vaso assim? Marta responde com entusiasmo. “Feito com material de superfície refratária, a cada uso, os dejetos caem em um recipiente. Basta fechar a tampa do vaso e acionar o micro-ondas.” Por uma questão de segurança, o sistema elétrico só funciona quando o vaso estiver hermeticamente fechado. Só então, as micro-ondas atuam sobre os dejetos, que são desidratados e reduzidos a pó. “No volume das fezes, 80% são água. Na urina, a água corresponde a quase 100%. Uma vez desidratados, o que resta é uma pequenina quantidade de resíduo em pó. Que nada mais é do que adubo natural. No caso da urina, esse adubo contém altos teores de fósforo e nitrogênio, que o tornam ainda mais valorizado”, explica a pesquisadora. Para uma família de quatro pessoas, basta esvaziar o recipiente uma vez por semana. Para alguém que more sozinho, esse esvaziamento pode ser feito apenas uma vez por mês.
Analisando em laboratório esse pó, Marta pôde constatar que esse pó é estéril e, portanto, todos os possíveis patógenos que pudesse conter foram eliminados no processo. “Isso mostra a importância do emprego desse sistema em hospitais. Seria uma forma de se reduzir drasticamente o esgoto hospitalar”, diz.
Vapores e odores são contidos e filtrados no sistema. Para isso, filtros de carbono são usados para reter o mercaptano, gás responsável pelo odor, para que não haja nenhuma emissão para o ambiente. “O mercaptano é o responsável pelo cheiro ruim das fezes, uma mistura de gases que inclui o sulfídrico. Uma vez filtrados, os odores retidos nos filtros se condensam em vapores que depois voltam ao estado líquido. O sistema aquecido processa a limpeza”, explica. Para Marta, empenhada na construção do protótipo, com ele, não só se poderá aperfeiçoar o funcionamento do Vassa, mas também confirmar quais são os gases emitidos pelas fezes e retidos no sistema. Será também o primeiro passo para sua produção em escala. “Será fundamental para que possamos recolher, filtrar e analisar a presença de gases ainda não estudados”, acrescenta a pesquisadora.
O custo de um vaso como esse sai um pouco mais caro. Considerando que um vaso sanitário comum, sem as ligações, sai em torno de R$ 200, o Vassa custaria cerca de R$ 500. Em compensação, se pensarmos que o preço do encanamento e ligação à rede de esgoto sairia a um valor final de cerca de R$ 2 mil, constatamos que o Vassa sairia mais barato, já que continuaria custando R$ 500, uma vez que seu uso dispensa a ligação a uma rede de água e esgoto. “Sem contar que as redes de água e esgoto demandam um enorme custo operacional, uma vez que são impulsionadas por bombas, o que também significa um grande gasto de energia elétrica”, acrescenta a arquiteta. Ela explica ainda que, além disso, mais uma vez evita-se o enorme volume de água, usada para fazer com que os dejetos percorram, pela tubulação, a distância entre as residências e a unidade de tratamento de esgoto mais próxima.
Num momento em que tanto se fala em privatização da Companhia Estadual de Água e Esgoto do Rio de Janeiro (Cedae), pensar em saídas alternativas se torna ainda mais oportuno. “É difícil manter o alto investimento necessário para a expansão e implantação sempre crescente de redes de saneamento que a demanda de grandes cidades como o Rio de Janeiro exige. Como o Vassa pode ser instalado casa a casa, uma vez que prescinde de ligações hidráulicas, esse custo não existe”, argumenta Marta. Isso também o torna adequado a ser instalado em comunidades de baixa renda, como favelas, e em cidades que não contem com rede de esgoto. “É uma demanda que pode ser suprida pontualmente, caso a caso.”
Mesmo a energia elétrica necessária para fazer funcionar o sistema não chega a onerar o usuário. Uma família de quatro pessoas, por exemplo, teria cerca de R$ 27 de acréscimo em sua conta de luz. Mas, por outro lado, sua conta de água seria bem reduzida.
Na verdade, estamos falando de uma inovação disruptivas, ou seja, que inverte tudo o que conhecemos a respeito do assunto. “Mas trata-se também uma alternativa simples, de caráter social indiscutível e essencialmente ecológica, que muito pode contribuir para os grandes problemas de saneamento básico que enfrentamos, principalmente em regiões menos desenvolvidas”, conclui. (ecodebate)

Mulheres gastam 200 milhões de horas diárias coletando água

Mulheres e meninas do mundo gastam 200 milhões de horas por dia coletando água
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) advertiu que mulheres e meninas do mundo todo gastam 200 milhões de horas por dia coletando água. De acordo com o UNICEF, na África Subsaariana, uma caminhada para coletar água dura em média 33 minutos nas áreas rurais e 25 minutos nas áreas urbanas. Na Ásia, o tempo é de 21 minutos e 19 minutos, respectivamente.
Moradoras da vila Woukpokpoe, no Benin, buscam água potável.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) advertiu em 29/09/16 que mulheres e meninas em todo o mundo gastam 200 milhões de horas por dia coletando água.
O anúncio foi feito durante reunião realizada no mesmo dia na Semana Mundial da Água, em Estocolmo, na Suécia, onde centenas de especialistas debateram formas de melhorar o acesso global à água.
“Duzentas milhões de horas representam 8,3 milhões de dias ou mais de 22,8 mil anos no total”, disse o diretor global dos programas do UNICEF para água, saneamento e higiene, Sanjay Wijesekera.
“Quando a água não está disponível e precisa ser coletada, as mulheres são (frequentemente) encarregadas dessa função e sofrem com a perda de tempo”, acrescentou.
De acordo com o UNICEF, na África Subsaariana, uma caminhada para coletar água dura, em média, 33 minutos nas áreas rurais e 25 minutos nas áreas urbanas. Na Ásia, o tempo é de 21 minutos e 19 minutos, respectivamente.
No entanto, em determinados países, os números podem ser maiores. No Iêmen, na Mauritânia, na Somália e na Tunísia, uma única viagem pode levar mais de uma hora.
Um estudo feito em 24 países na África Subsaariana revelou que, quando o tempo de coleta de água é maior que 30 minutos, calcula-se que 3,3 milhões de crianças e 13,5 milhões de mulheres façam esse tipo de trabalho diariamente.
No Malawi, a ONU estima que a média de coleta da água por mulheres foi de 54 minutos, enquanto os homens gastaram apenas 6 minutos. Na Guiné e na Tanzânia, o tempo médio de coleta das mulheres foi de 20 minutos, o dobro que o dos homens.
Além das mulheres sofrerem com a coleta de água, essa atividade pode afetar a saúde de toda a família, principalmente das crianças. Mesmo quando a água é recolhida a partir de uma fonte segura, o fato de ela ser transportada e armazenada aumenta o risco de contaminação por coliformes fecais.
Com isso, aumenta também a ameaça de diarreia, que é a quarta principal causa de morte entre menores de 5 anos e uma das principais causas da desnutrição crônica ou nanismo, que afeta 159 milhões de crianças em todo o mundo.
Segundo o UNICEF, mais de 300 mil crianças menores de 5 anos morrem anualmente de doenças relacionadas à diarreia devido à falta de saneamento, à falta de higiene ou ao consumo de água não potável. Os dados representam um número de 800 óbitos por dia.
“Não importa onde você olha, o acesso a água potável faz a diferença na vida das pessoas”, disse Wijesekera. “As necessidades são claras; os objetivos são claros. Mulheres e crianças não podem gastar muito tempo com esse direito humano básico.”
O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 6 quer que o mundo forneça acesso universal e igualitário à água até 2030. (ecodebate)

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

NASA diz que seca amazônica será histórica em 2016

NASA adverte que seca na Amazônia pode ser histórica em 2016.
A seca na região amazônica pode bater recorde histórico neste ano. A conclusão é de pesquisadores da NASA, a Agência Espacial Norte-Americana.
A estiagem de 2016 deve ser ainda mais severa do que a seca registrada na Amazônia nos anos de 2005 e 2010.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento divulgou que o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou nos últimos dois anos, chuvas abaixo do normal em quase todos os estados brasileiros, em especial na região amazônica.
O agravamento da falta de chuva é provocado pelo El Niño, fenômeno climático que causa o aquecimento das águas da superfície do Oceano Pacífico.
Com isso, a Amazônia está com menos umidade e as árvores se tornam mais vulneráveis às queimadas. Na região amazônica as precipitações da estação chuvosa verificadas no último trimestre de 2005 diminuíram cerca de 50% comparadas a média normal.
Este cenário de redução da intensidade da chuva não era registrado desde 2002. (ecodebate)

Sistema perde 70% da área úmida na Bacia do Rio dos Sinos

Secas e enchentes: dois sintomas da perda de 70% das áreas úmidas na Bacia do Rio dos Sinos, RS.
Nos últimos 30 anos, a Bacia hidrográfica do Rio dos Sinos perdeu 70% dos seus banhados, e os impactos dessa redução de áreas úmidas são visíveis nos municípios da região, especialmente nos períodos de seca e enchentes, diz Rafael Gomes de Moura em  entrevista por telefone à IHU On-Line. “No verão passado, por exemplo, Novo Hamburgo e São Leopoldo tiveram dificuldades muito grandes no tratamento da água justamente por conta do baixo nível do rio e da falta de áreas úmidas na Bacia. Já nos períodos de cheias, como ocorreu neste ano e no ano passado, acontece o processo inverso, de inundação nas cidades”, relata.
A diminuição dos banhados também afeta a flora e a fauna no entorno da Bacia, especialmente a reprodução dos peixes. “As áreas de banhado servem como criadouros de peixes, além de serem um habitat que concentra uma biodiversidade biológica muito grande. (…) À medida que se reduzem essas áreas de alimentação, se reduz também o habitat de alimentação e reprodução dos peixes. Não vemos o impacto disso de modo mais visível porque na Bacia do Rio dos Sinos não existem tantos pescadores, mas quem pesquisa a área de peixes percebe que houve uma redução de peixes na Bacia”, afirma.
De acordo com ele, o processo de redução das áreas úmidas da Bacia está em curso desde a década de 80, quando houve a expansão das cidades na região, e os banhados que já “foram suprimidos não serão recuperados”. O que se pode fazer, frisa, é preservar os 30% de áreas úmidas existentes através dos Planos Diretores das Cidades.
Rafael Gomes de Moura é graduado em Biologia pela Unisinos, onde também cursou o doutorado na mesma área, com a tese intitulada Análise espacial da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos.

IHU On-Line – Como você chegou à conclusão de que 70% dos banhados da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos foram perdidos?
Rafael Gomes de Moura - Eu fiz doutorado em Biologia na Unisinos, com a orientação do professor Uwe Schulz. Minha pesquisa consistiu em fazer um mapeamento da distribuição dos peixes na Bacia do Rio dos Sinos, e para isso precisei investigar qual era a situação dos banhados e da mata ciliar dentro da Bacia. O mapeamento dos banhados foi feito através da análise de imagens históricas da Bacia, disponibilizadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas EspaciaisINPE.
Então, analisei imagens das décadas de 1970 e 1980, e consegui classificar os banhados da Bacia a partir da análise das imagens do ano de 1985. Posteriormente, para identificar quais foram os anos em que houve maior impacto nos banhados, fiz uma classificação em períodos de 10 em 10 anos, analisando, portanto, as imagens dos anos de 1995 e 2005. O resultado desse mapeamento nos surpreendeu bastante.
IHU On-Line – Quais são as implicações ambientais dessa conclusão para a Bacia do Rio dos Sinos?
Rafael Gomes de Moura - A perda das áreas de banhados acarreta outros impactos, alguns dos quais a Bacia já vem sofrendo atualmente. As áreas de banhado servem como criadouros de peixes, além de serem um habitat que concentra uma biodiversidade biológica muito grande. Nessas áreas se desenvolve uma cadeia alimentar que fornece nutrientes para todo o sistema biológico do rio ao longo da Bacia; além disso, os banhados servem como filtros de toxinas e contribuem com os ciclos biológicos dentro de um sistema aquático.
Assim, a perda dessas áreas, além de causar um impacto em toda a biodiversidade da Bacia, causa um impacto direto principalmente na qualidade da água, pois em rios sem banhados a qualidade da água é muito ruim. Entre os principais problemas que já se evidencia na Bacia do Rio dos Sinos, destaca-se a baixa reprodução dos peixes e problemas de oxigenação da água. Isso porque no verão a água esquenta muito e o nível de oxigênio diminui, provocando a mortandade dos peixes. Esse é um sintoma claro de um rio sem banhado.
As áreas de banhados fazem o papel de uma “esponja”, concentrando e acumulando água. Portanto, sem essas áreas, os rios ficam mais retilíneos. Hoje, a água produzida na Bacia do Rio dos Sinos é escoada diretamente para o Guaíba, ou seja, não se acumula mais água na Bacia, porque as áreas de infiltração, que são as áreas de várzea, viraram cidades. O problema disso é que nas épocas de seca não se tem água filtrada na Bacia e, portanto, quando a água do rio baixa, as regiões de agricultura sofrem com a falta de água e, com isso, a produção agrícola diminui. Além disso, a qualidade da água fica muito ruim. No verão passado, por exemplo, Novo Hamburgo e São Leopoldo tiveram dificuldades muito grandes no tratamento da água justamente por conta do baixo nível do rio e da falta de áreas úmidas na Bacia.
Já nos períodos de cheias, como ocorreu neste ano e no ano passado, se dá o processo inverso, de inundação das cidades. Isso acontece porque o excesso de água deixa de ir para as áreas de várzea – porque elas não existem mais – e passa a ir para as cidades. Antes, as áreas de banhados concentravam esse excesso de água.
IHU On-Line – Em que regiões da Bacia houve mais perda de banhados e, de outro lado, em que regiões os banhados ainda estão conservados?
Rafael Gomes de Moura - É possível verificar quais são essas áreas através da análise das imagens de satélite do Google, mas eu não fiz diretamente esse estudo. Mas em geral os municípios de Novo Hamburgo, São Leopoldo, Esteio e Sapucaia do Sul são os que mais cresceram nas regiões de várzea. Além desses, os municípios de Parobé e Igrejinha também carecem de áreas de banhados, porque cresceram muito.

IHU On-Line – De que modo a redução dos banhados tem impactado a reprodução dos peixes na Bacia do Rio dos Sinos?
Rafael Gomes de Moura - O impacto se dá principalmente na reprodução dos peixes. Essas áreas de banhado, além de servirem como área de reprodução, produzem macroinvertebrados — insetos aquáticos muito grandes —, os quais se reproduzem por conta da quantidade de plantas que servem de alimentos para eles. Então, à medida que se reduzem essas áreas de alimentação, se reduz também o habitat de alimentação e reprodução dos peixes. Não vemos o impacto disso de modo mais visível porque na Bacia do Rio dos Sinos não existem tantos pescadores, mas quem pesquisa a área de peixes percebe que houve uma redução de peixes na Bacia.
IHU On-Line – Diante desse diagnóstico, o que é possível fazer?
Rafael Gomes de Moura - Os banhados que foram suprimidos não serão recuperados porque, nas áreas onde havia esses banhados, hoje existem cidades. Houve um processo de aterro nessas áreas, o fluxo do rio já foi alterado e a dinâmica topográfica também. Portanto, o processo é irreversível. O que se pode fazer hoje — e é isso que o Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos – Comitesinos está fazendo — é conservar os aproximadamente 30% de áreas úmidas que ainda temos dentro da Bacia do Rio dos Sinos.
IHU On-Line – É possível conciliar a preservação dessas áreas com a contínua expansão das cidades?
Rafael Gomes de Moura  - Acredito que há uma forma de conservar essas áreas úmidas através dos Planos Diretores dos Municípios, os quais podem ser mais focados para garantir essa conservação. Se nos anos 80 tivéssemos Planos Diretores que informassem e delimitassem as regiões de banhado, teríamos tido condições de preservar essas áreas e certamente hoje teríamos uma gestão ambiental da Bacia completamente diferente.
Precisamos pensar daqui para frente, porque os banhados são fundamentais para preservar a água da Bacia. A Bacia do Rio dos Sinos é uma área completamente atípica em relação a outras bacias hidrográficas, pois ela ainda produz água nas suas nascentes, que estão na região da serra. (ecodebate)

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Rede de supermercado não venderá carne de fornecedor desmatador

2ª maior rede de supermercado brasileiro não venderá carne de fornecedor desmatador
Segunda maior rede de supermercados do Brasil deixará de vender carne de fornecedor que desmata.
Iniciativa do Grupo Carrefour reforça acordo firmado em 2009 entre MPF, produtores de gado e frigoríficos.
Desdobramento do projeto Carne Legal do Ministério Público Federal, a segunda maior rede de supermercados do Brasil, o Grupo Carrefour anunciou em 25/08/16 que não comprará mais carne bovina proveniente de desmatamento e violações socioambientais. A iniciativa reforça o acordo firmado em 2009 entre o Ministério Público Federal, produtores de gado da Amazônia e os três maiores frigoríficos do Brasil (JBS, Marfrig e Minerva) com o mesmo objetivo.
O anúncio foi feito durante o evento ‘Diálogos sobre Pecuária Sustentável’, promovido pela empresa em parceria com o governo do estado do Mato Grosso, com a participação do MPF, representantes de entidades e empresas do setor da pecuária bovina.
Com a entrada das três maiores redes de supermercados do Brasil no acordo, a estimativa do Greenpeace é que pelo menos 80% do volume de abate bovino na Amazônia passe a ser monitorado.
Presente no anúncio, o procurador da República Daniel Azeredo, idealizador do acordo assinado em 2009, destacou que o processo teve início com a atuação do MPF. “Mas entendemos que o melhor modelo é o da auto-regulamentação pelo setor privado. A união do varejo, frigoríficos e produtores pode ser capaz de aumentar os níveis de proteção em um curto período de tempo”, observou.
Segundo a nova política de compra de carne bovina do grupo, serão vetados fornecedores que vendam produtos provenientes de áreas de desmatamento, embargadas, unidades de conservação, terras indígenas e que utilizem trabalho escravo. Os critérios adotados pelo protocolo de controle da pecuária abrangem todos os biomas brasileiros. O controle será feito por um sistema de monitoramento dos processos produtivos que vai cruzar os dados das plantas produtivas de cada fornecedor do grupo para identificar possíveis irregularidades.
Participaram do evento o governador do estado de Mato Grosso, Pedro Taques, o diretor geral adjunto do Grupo Carrefour, Jérôme Bédier, e o CEO do Grupo Carrefour Brasil, Charles Desmartis.
TAC da Pecuária – Em 2009, o MPF assinou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para que os produtores parassem de comercializar a carne proveniente de áreas desmatadas e que os frigoríficos não comprassem carne de quem desrespeita normas ambientais e trabalhistas. O acordo foi assinado pelas três maiores empresas da área – JBS, Marfrig e Minerva. Estudo publicado na revista científica Conservation Letters, em 2015, atestou a eficácia dos acordos. (ecodebate)

Brasil registra 65% a mais de queimadas em 2016

Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) registrou mais de 53 mil focos de incêndio neste ano no território brasileiro.
Desde o início do ano até o dia 5 de agosto, foram registrados mais de 53 mil focos de queimadas e incêndios florestais no País. O número representa um aumento de 65% em relação ao mesmo período do ano passado. O registro foi feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).
Segundo o coordenador de Monitoramento de Queimadas e Incêndios Florestais do INPE, Alberto Setzer, o País está no início da temporada de queimadas, que atinge o pico em setembro. Ele alerta sobre a necessidade de intensificar a fiscalização para evitar que a população coloque fogo na vegetação nesta época do ano – a ação do homem, aliada ao tempo quente e seco, é uma das principais causas dos incêndios florestais.
O Acre apresenta uma das situações mais graves, com 844 focos – três vezes mais que 2015. No Amazonas, foram registrados até agora 3.022 registros de queimadas, um crescimento de 284% na comparação com o mesmo período do ano passado. Os números são do Programa de Monitoramento de Queimadas e Incêndios Florestais do INPE.
Focos de incêndio já triplicaram no Acre, onde a estiagem pode levar o rio ao nível mais baixo da história.
“Como estamos no início da temporada de queimadas, ainda não sabemos como será este ano. Tudo vai depender de como vai ser a fiscalização, porque, do ponto de vista do clima, a situação está muito difícil”, diz o pesquisador.
Segundo o Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal do MCTIC, a seca que atinge o sudoeste da Amazônia, especialmente o Acre, deve se agravar ainda mais nos próximos meses.
O rio Acre deve atingir o mais baixo nível histórico (entre 1,20 m e 1,30 m) e impactar a navegação e o abastecimento de comunidades ribeirinhas. O levantamento é válido para os meses de agosto, setembro e outubro deste ano.
Desde março, o volume de chuvas é pouco na região, em parte por conta do El Niño, que começou no outono do ano passado. O fenômeno está associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial, alterando os ventos em boa parte do planeta e o regime de chuvas. (ecodebate)

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Defaunação e deflorestação

Eduardo Antunes Dias aborda o fenômeno da defaunação e deflorestação de maneira bem fundamentada.
Segundo o relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) de 2010, entre os anos de 2000 e 2010, cerca de 13 milhões de hectares foram desflorestados anualmente.
Setenta por cento da área foi convertida para a agricultura, gerando uma inevitável perda da diversidade faunística.
Além do desmatamento, a caça e a invasão de espécies exóticas continuam contribuindo para o desaparecimento dos animais ou para a diminuição das populações.
Apenas na Amazônia, 60 milhões de animais são caçados anualmente. O ser humano já vem contribuindo para a defaunação desde a época do Pleistoceno, há doze mil anos atrás. Quando viviam mamutes, preguiças gigantes, tigres-dente-de-sabre e gliptodontes ou “tatus gigantes”.
Uma das teorias mais aceitas é que o ser humano contribui para a extinção desta megafauna devido à competição por alimentos e caça, em conjunto com as mudanças climáticas naturais que aconteceram naquela época.
Não por acaso estaria ocorrendo agora uma nova extinção em massa e pelos mesmos motivos, com a diferença de também sermos responsáveis pelas mudanças climáticas, justamente na era chamada Antropoceno.
Área com as maiores taxas de defaunação do planeta.
Nos últimos 500 anos, 322 espécies de vertebrados foram extintas e pelo menos 10 mil espécies continuam a desaparecer anualmente. Antes dos humanos a taxa de extinção era de uma espécie a cada 10 milhões de anos, agora é cem a mil por ano, um aumento de mil vezes.
Se esse ritmo persistir, em 100 anos metade do número de espécies conhecidas desaparecerá e isso mudará completamente a dinâmica dos ecossistemas.
O principal processo afetado é a dispersão de sementes realizada pelos animais, que faz com que a diversidade vegetal fique concentrada em poucas espécies, diminuindo a área verde.
Essa situação acaba causando a degradação dos solos e o assoreamento de rios, atingindo toda homeostase ambiental.
As florestas também agem nos ciclos das chuvas e o seu desaparecimento pode levar a períodos de estiagem, sem contar com toda a biomassa lançada na atmosfera na forma de carbono que acaba impactando diretamente no clima planetário, levando às mudanças climáticas.
As carências de recursos hídricos que atingiram e ainda afetam grandes áreas do país não deixam dúvidas sobre esta hipótese.
E ainda há os serviços ambientais, 75% da produção agrícola do mundo são polinizadas por insetos, morcegos e aves controlam pragas da agricultura.
Ainda predadores que controlam roedores com potencial de disseminação de doenças, vertebrados e invertebrados têm importante papel na ciclagem de nutrientes e também na decomposição. E finalmente os anfíbios controlam a população de algas e de detritos na água.
Os Estados Unidos calculam em 45 bilhões de dólares anuais os serviços ambientais prestados por predadores no combate de pragas da agricultura naquele país.
Mas da mesma maneira que se destrói, pode-se reconstruir. Existem vários casos de sucesso na reintrodução de espécies, como o do mico-leão-dourado, um importante dispersor de sementes da Mata Atlântica, ou do condor californiano, um importante decompositor.
Com o desenvolvimento de técnicas modernas de reprodução assistida pela medicina veterinária, ainda podemos conservar em nitrogênio líquido, o material genético, embriões e gametas de espécies ameaçadas para usarmos mais tarde para clonar espécies desaparecidas (“desextinção”) ou mesmo em inseminações artificiais.
Já a tecnologia de aparelhos celulares de biólogos ajuda na localização de populações ameaçadas e na sua preservação.
O mais indicado e menos custoso, é conservar os animais em seu próprio habitat, pois se não existissem áreas protegidas no planeta, o número de perdas estaria 20% maior.
O Brasil, líder mundial de biodiversidade, tem uma função preponderante nisso, pois sustentabilidade não se faz plantando pasto na Amazônia ou eucaliptos no Pampa. (ecodebate)

Já esgotamos os recursos naturais de 2016

Isso significa que cada grama de comida consumida, por exemplo, já está colaborando para o desequilíbrio ambiental.
Triste realidade.
Humanidade já esgotou sua cota de recursos naturais para 2016.
Chegamos num dia péssimo para a Terra. A data que marca o momento em que a humanidade excedeu o consumo de recursos naturais anuais chegou. E ainda não estamos nem em setembro.
Responsável por fazer esse tipo de mapeamento, a Global Footprint Network (GFN) afirmou que a “cota” da humanidade foi cumprida em 8 de agosto. Com isso, qualquer consumo de recurso natural está excedendo o planejado.
Com base em seus dados, a GFN calcula que, em 2016, a humanidade usará 160% da capacidade total de produção da Terra. Com isso, problemas ambientais tendem a ser agravados.
“Nós emitimos muito mais dióxido de carbono em nossa atmosfera do que nossos oceanos e florestas podem absorver. E nós esgotamos frutos de pesca e colheita muito mais rápido do que o tempo necessário para que eles se reproduzam e cresçam”, afirma comunicado da GFN.
A instituição ainda alerta que o “apetite” da humanidade por recursos naturais, hoje, só cresce. O “Dia D” chegou em 08/08/16, em 2015 essa data foi marcada em 09/08. Mais chocante ainda: 40 anos atrás, esse dia chegou apenas em 19/11. (yahoo)

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Meteorologistas divergem sobre intensidade de La Niña

La Niña: Meteorologistas ainda seguem divergindo sobre sua intensidade.
La Niña – Agosto 2016
Que o La Niña será um componente a mais da nova safra de verão do Brasil isso já é certo. Qual será a intensidade desse fenômeno, porém, ainda é uma questão de debate entre os especialistas, bem como seus impactos para a agricultura brasileira. Os percentuais de probabilidade divulgados nos últimos dias têm se mostrado diferentes entre agências climáticas dos EUA, Japão e Austrália, além dos meteorologistas brasileiros.
A Agência Meteorológica do Japão informou que o La Niña deverá continuar atuando durante todo o período do verão no hemisfério Sul (inverno no hemisfério Norte) e que tem 70% de chances de ocorrer efetivamente. O anúncio vem um dia depois do Climate Prediction Center (CPC) do Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA indicar uma queda em sua projeção para 40%, contra os 75% estimados em junho, de 55 a 60% em julho. "A superfície dos oceanos continua se resfriando, porém, em um ritmo mais lento", informou o centro norte-americano. Sua próxima atualização será feita em 13/10/16.
Para o Instituto de Meteorologia da Austrália, a possibilidade de um La Niña tardio e de fraca intensidade continua presente. De acordo com suas últimas informações sobre a condição atual, informadas em 30/08/16, o período é de neutralidade climática, porém, com partes do Pacífico Equatorial mais frias do que o comum para esta época do ano. As atualizações do órgão australiano saem em 13/09/16.
"Três modelos pesquisados indicam que o La Niña a se desenvolver deverá acontecer mais tarde e se manter durante a primavera do hemisfério Sul ou durante o verão. Um fenômeno mais tardio como este não seria usual, mas também não é sem precedentes. Se ele realmente acontecer, será bem menos intenso do que o registrado entre 2010 e 2012", informou o instituto australiano em seu último boletim.
Como explicou o meteorologista Alexandre Nascimento, da Climatempo, realmente este deverá ser um La Niña de fraca intensidade, mas conta com todas as características para que realmente aconteça. "Precisamos ter, pelo menos, três meses de anomalia de 0,5ºC negativo (nas águas de superfície dos oceanos), e já estamos há mais de dois abaixo disso", diz. "Portanto, o produtor rural brasileiro ainda tem que manter sua cautela", completa.
O meteorologista explica que, nesse quadro, o planejamento dos agricultores que neste momento estão se preparando para dar início ao plantio da nova safra de verão deve ser ainda mais detalhado, com um escalonamento maior dos trabalhos de campo, de forma a aproveitar de forma adequada os próximos momentos de chuva.
"Será um início de safra muito irregular", alerta Nascimento. “Na segunda quinzena de setembro, as precipitações já deverão a ficar mais escassas e pontuais e esse padrão pode se estender até a primeira metade de outubro, com uma condição melhor somente na segunda quinzena do próximo mês”, explica.
Dessa forma, o especialista faz ainda outro alerta: "o produtor não pode se impressionar com as primeiras chuvas". As atuais condições do solo em regiões onde a seca causada pelo El Niño são ainda muito ruins, registram déficit hídrico e demoram a se reestabelecer. No entanto, Nascimento acredita que as condições este ano, no geral, devem ser bem melhores do que as do ano passado para a agricultura nacional.
Impactos para a agricultura
Caso essa menor intensidade prevista pelo serviço norte-americano de clima se confirmar, deverá ser bem-vinda para o Brasil e para a Argentina, de acordo com especialistas internacionais. "Isso irá, certamente, favorecer a América do Sul, já que os produtores poderão ver condições mais úmidas por lá", diz o agrometeorologista sênior do instituto particular de meteorologia MDA Information Systems, Donald Keeney, em entrevista à agência de notícias Reuters Internacional.
Entretanto, caso as condições sejam de neutralidade climática, podem comprometer os produtores de algodão da Índia, que é o maior produtor mundial da fibra. Afinal, o La Niña tende a incentivar as chuvas de monções e, ao contrário disso, as precipitações deverão ficar menos intensas.
Países não só como a Índia, mas também a Indonésia e a Tailândia poderiam receber, no início efetivo do fenômeno, mais chuvas, as quais beneficiariam culturas como a palma e a cana de açúcar, que vêm sofrendo com precipitações abaixo da média já há dois anos por conta do La Niña.
No Brasil
Sul - Ainda com informações da Climatempo, as chuvas para o Sul do Brasil não deverão ser tão frequentes e a tendência é de que oscilem perto da normalidade. Para os produtores, isso deve ser bom, uma vez que o excesso de umidade no último ano causou alguns transtornos.
Sudeste e Centro-Oeste - Para o Sudeste e o Centro-Oeste as expectativas também são de que as chuvas voltem a se normalizar, porém, um pouco mais tarde. Em anos de La Niña, ainda de acordo com a Climatempo, s precipitações demoram um pouco mais para chegar e costumam se estender mais a partir do momento em que se estabelecem. É o deslocamento do período úmido. Setembro deverá se concluir mais seco, outubro com algumas chuvas da metade para o final e, em novembro, precipitações mais regulares são esperadas.
Nordeste - Em 2017, o Nordeste deverá contar com condições muito melhores do que as observadas nos últimos anos, em que as chuvas foram bastante raras. As ocorrências de precipitações deverão ser mais regulares, cenário que já não é observado desde 2012. (noticiasagricolas)

Agência americana vê La Niña como improvável em 2016/17

Agência de EUA agora vê La Niña como improvável em 2016/17
O órgão do governo dos Estados Unidos de previsão climática reduziu em 08/09/16 sua expectativa de condições para o desenvolvimento do fenômeno climático La Niña durante o outono e inverno no Hemisfério Norte (primavera e verão no Sul) na temporada 2016/17, dizendo que uma situação neutra é mais provável.
O Climate Prediction Center (CPC), do Serviço Nacional de Clima, afirmou em seu relatório mensal que há chances de 55 a 60% de condições neutras de El Niño-Sul (Enso, na sigla em inglês), indicando que a situação para La Niña ocorrer não está favorecida como antes.
No mês passado, o CPC havia projetado que as condições de La Niña estavam ligeiramente mais favoráveis, com 55 a 60% de chances de desenvolvimento em 2016/17.
La Niña, o fenômeno oposto ao El Niño, consiste no esfriamento do Pacífico do Equador e chuvas abaixo da média na Argentina, Paraguai, Uruguai e no Sul do Brasil, bem como fortes precipitações em outras partes do mundo. No Nordeste, há probabilidade maior de chuvas.
Especialistas disseram anteriormente à Reuters que um La Niña fraco reduziria o risco de perdas nas próximas safras de soja e milho no Brasil, com menos chances de seca no Sul. (noticiasagricolas)

domingo, 11 de setembro de 2016

Seca intensifica risco em 90 municípios do semiárido

Seca se intensifica com alto risco para cerca de 90 municípios do semiárido brasileiro.
A avaliação do Percentil para os últimos 90 dias (período entre os dias 03 de junho a 31 de agosto) indica áreas que apresentam a condição de “Muito Seco” principalmente na zona da mata. Ressalta-se que a quadra chuvosa desta região foi encerrada no mês de julho.
As chuvas de setembro a novembro devem se tornar mais escassas na Zona da Mata dos Estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Há poucas chances de reversão do quadro crítico dos municípios impactados pela seca, conforme o Relatório da Seca no Semiárido Brasileiro e Impactos divulgado, pelo Cemaden.
O período chuvoso, entre abril e julho, apresentou um déficit pluviométrico, agravado no mês de agosto, com o registro de acumulados de chuva inferiores a 60 mm nos municípios da maior parte da região Nordeste. Esses municípios, principalmente na zona da mata, foram caracterizados por condições de “Muito Seco”.
A avaliação do risco agroclimático (balanço hídrico) para o ano hidrológico 2015/2016 – referente ao período de outubro de 2015 a 31 de agosto de 2016- indicou que cerca de 90 municípios foram classificados como de risco “Alto”, aos que apresentaram entre 60 a 75 dias com déficit hídrico e de “Muito Alto”, para os municípios com mais de 75 dias com o déficit hídrico.
O trimestre agosto -setembro-outubro de 2016 pode marcar a transição para um episódio de La Niña, provavelmente com fraca intensidade. A evolução climatológica (histórica) das precipitações no trimestre Setembro-Outubro-Novembro/2016 indica que as chuvas devem se tornar mais escassas na Zona da Mata dos Estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Portanto, para os municípios impactados pela seca, nestes Estados, há poucas chances de reversão do quadro crítico.
“A intensidade dos impactos da seca atingem as atividades agrícolas e/ou pastagens. A situação de seca intensificou-se, principalmente, na parte leste da Região Semiárida, atingindo os municípios inseridos nos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.”, destaca o coordenador-geral do Cemaden, meteorologista Marcelo Seluchi. Ele explica que essa seca é o reflexo dos acumulados de chuva inferiores a média dos meses da estação chuvosa- entre os meses de abril a julho – conforme o sensoriamento remoto com base no índice de suprimento de água para a vegetação (VSWI).
Essa análise foi divulgada, ontem, no Boletim da Seca e Impactos no Semiárido Brasileiro de Agosto 2016, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.
No relatório, de acordo com o índice de suprimento de água para a vegetação (VSWI), 981 municípios apresentaram pelo menos 50% de suas áreas impactadas no mês de agosto de 2016. “A estação chuvosa foi encerrada no ultimo mês de julho e, em razão disso, o estresse vegetativo atual é esperado.”, explica Seluchi. Considerando as poucas regiões onde o calendário de plantio se estende até o mês de junho, o ciclo fenológico pode ainda estar em curso nos municípios inseridos no Estado de Alagoas, região leste da Bahia, Pernambuco e Sergipe. Nessa região, as áreas impactadas pela seca somam cerca de 9 milhões de hectares.
As previsões em escala de médio prazo (até 21 de agosto) indicam condições favoráveis para a ocorrência de precipitações no litoral da Bahia, ao sul de Salvador. A previsão climática sazonal de chuva (MCTIC) para setembro-outubro e novembro de 2016 mostra, para toda a região Nordeste do País, uma previsão na qual os três cenários (acima-dentro-abaixo da média) são igualmente prováveis, indicando a incerteza associada a esta previsão. (ecodebate)

As emissões de carbono e o aquecimento global

Quanto mais cresce a população e a economia, mais crescem as emissões de carbono, agravando o aquecimento global. Em 1960, as emissões de carbono estavam concentradas nos Estados Unidos (EUA), Europa, Rússia, China e Japão. Os EUA eram os grandes emissores. A Alemanha emita seis vezes mais que a Índia. O Japão emitia quase o dobro da Índia e cinco vezes mais do que o Brasil.
De 1960 a 2014 todos os países aumentaram as emissões, mas foram os países do chamado “Sul Global” que mais avançaram na poluição. A China passou a liderar as emissões com larga margem. Os EUA continuam em segundo lugar, mas emissões caem desde 2007. A Índia assumiu o terceiro lugar e ultrapassou a Rússia, a Alemanha e o Japão. A Indonésia ultrapassou o Brasil.
O fato é que os três países mais populosos do mundo e as três maiores economias (em ppp) são as três fontes principais de poluição do Planeta e são os principais responsáveis pelo aumento do efeito estufa e o aquecimento global da Terra. A soma das emissões de China e Índia já é maior do que as emissões dos EUA e União Europeias juntas. As emissões da Alemanha em 2014 são menores do que as de 1960. O Japão já vem diminuindo as emissões desde 1996.
Os países ricos e de economias avançadas foram os que mais poluíram no passado e possuem grande responsabilidade pela situação atual. Mas nos últimos anos as emissões de carbono crescem mais rápido nos países mais populosos do “Sul Global”. Brasil e Indonésia, por exemplo, aumentam suas emissões. Como a população e a economia devem crescer em ritmo mais acelerado nos países em desenvolvimento, o “Sul Global” não pode ficar de fora do esforço de descarbonizar a economia.
Se nada for feito, a temperatura do Planeta pode ultrapassar 5º C até o final do século XXI. Isto seria uma catástrofe, pois poderia elevar o nível dos oceanos em mais de 6 metros, inundando grandes áreas produtivas e grandes áreas urbanas onde morram bilhões de pessoas. A figura acima mostra que, mesmo cortes moderados das emissões, ainda levariam ao aumento da temperatura acima de 3º C. Para ficar dentro dos limites do Acordo de Paris, da COP-21, seria necessária uma rápida descarbonização da economia mundial.
O ano de 2015 foi o mais quente desde o início das medições em 1880. O ano de 2016 será ainda mais quente, sendo que os meses de fevereiro e março de 2016 bateram todos os recordes de temperatura e se aproximaram de 1,5º C em relação ao período pré-industrial. Ou seja, o mundo já está se aproximando da meta limite colocada no Acordo de Paris da COP-21.
Tem crescido os eventos extremos, como as enchentes causadas pelo grande volume de chuvas no Estado da Louisiana, no sul dos Estados Unidos, que já deixaram pelo menos 15 mortos e milhares de pessoas em abrigos de emergência nos últimos dias. A Cruz Vermelha americana declarou que o desastre natural é pior a acontecer nos país desde o Furacão Sandy, há 4 anos.
Exemplos como este e outros, mostram que a humanidade precisa reduzir sua pegada ecológica e respeitar as fronteiras planetárias. Só com decrescimento das atividades antrópicas será possível respeitar a capacidade de carga do Planeta. Neste sentido, a ajuda dos países ricos seria fundamental para contribuir na transição demográfica dos países pobres, viabilizando a oferta de métodos de regulação da fecundidade e reduzindo o número de gravidez indesejada. A ajuda também seria fundamental para a mudança da matriz energética e a mudança no modo de produção agrícola, abandonando uma agricultura petroficada para uma produção agrícola mais orgânica.
Por fim, é preciso reduzir os gastos militares, pois as forças armadas do mundo e os conflitos de guerra são parte importante das emissões de gases de efeito estufa. O mundo precisa de paz e de um movimento de desobediência civil contra o consumicídio, assumindo o estilo de vida da simplicidade voluntária. (ecodebate)