sábado, 31 de outubro de 2009

Nota do Movimento Cerrado Vivo: A farsa do setor noroeste

“O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos.” Martin Luther King Prezados amigos, um crime sócio-ambiental está ocorrendo bem debaixo de nossos olhos. A população só conhece a versão oficial da história, que vem sendo propagada pelos meios de comunicação chapa branca, enquanto isso, a última grande reserva do Cerrado dentro da área tombada de Brasília já está sendo destruída e a comunidade indígena que cuida daquele local está sendo expulsa. O governo arrecada uma fortuna com a chamada “Ecovila” Noroeste, que se diz ser o primeiro bairro ecológico do Brasil, mas na verdade trata-se de um tremendo engodo. As verdadeiras Ecovilas que se espalham por todo o mundo são criadas em cima de áreas já degradadas pelo homem, aonde os futuros moradores irão recuperar o local, respeitando e se adaptando aos ritmos da natureza. Na FALSA Ecovila do GDF, existe na verdade um projeto antiquado que será construído em cima de uma reserva ambiental e de um santuário indígena, projeto feito pelas construtoras da cidade e “doado” ao governo local, aonde se criou um bairro de luxo, aonde o desperdício e a ineficiência serão predominantes. Verdadeiras estufas de vidro e granito climatizadas com muito ar-condicionado. O projeto contraria todo e qualquer princípio de arquitetura ambiental, não se pensou em criar um zoneamento para preservar a reserva florestal, muito pelo contrário, a avenida principal passa justamente na área com a vegetação nativa mais preservada, e que vem sendo cuidada e mantida pelos índios que habitam a região. A farsa do projeto “sustentável” é na verdade uma repetição de clichês do chamado “marketing verde”, ou melhor, “maquiagem verde”, que serve única e exclusivamente para encarecer os apartamentos (captação de água da chuva e paineis solares para aquecimento de água já é lei em várias cidades do Brasil. É uma obrigação das construtoras e não um gesto em defesa da natureza.) A cara-de-pau do governo e principalmente da imprensa vendida é tão grande que usam justamente as riquezas naturais da reserva do Bananal e citam as suas árvores (copaíba, ingá, angico, baru, açoita-cavalo, barbatimão, pimenta de macaco, jequitibá) como itens para vender qualidade de vida para os futuros moradores. Eles só não dizem que as mesmas árvores estão sendo destruídas por seus tratores na calada da noite. Com esta farsa o GDF já engordou o seu cofre com 1 bilhão de reais, fora a fortuna que as construtoras irão ganhar (as mesmas que elegeram o atual governador, fora o fato de que o vice-governador é um dos maiores empresários da construção da região). E com essa fortuna circulando, está todo mundo de bico calado, os deputados distritais defendendo os seus patrocinadores de campanha, o IBRAM órgão que só sabe abençoar o que o governo manda, e os que permanecem em cima do muro, FUNAI e IBAMA que lavam suas mãos convenientemente. Enquanto isso o cacique Korubo, guardião do local que vinha sendo ameaçado de morte está DESAPARECIDO HÁ SEIS MESES, e uma residência indígena foi incendiada de maneira criminosa. Mas a atitude do governo e dos empresários já era esperada, estranho seria se eles se comportassem de maneira diferente. O que não é admissível é ver a passividade do cidadão brasiliense, que terá a sua qualidade de vida extremamente prejudicada por esse tsunami de concreto e asfalto despejados em cima da última grande reserva de Cerrado dentro da área tombada de Brasília. Especialistas em trânsito já falam do caos que virá em nossas ruas, igualando Brasília às demais capitais, com engarrafamentos intermináveis e poluição do ar. O governo fala que a cidade não tem para onde crescer, assim justificando as suas atrocidades, mas ignora que naquela região poderia ter sido feito um verdadeiro bairro ecológico. Primeiramente delimitando a reserva ambiental e o santuário indígena, depois criando verdadeiras ecovilas nas áreas degradadas do local, usando os princípios do urbanismo ecológico e da arquitetura bioclimática, aonde teria uma população de moradores condizente com a fragilidade do local. Mas o que está sendo feito é o extremo oposto, uma farra da especulação imobiliária que agride a inteligência da população mais esclarecida. Brasília vai fazer 50 anos, isso aqui não é mais terra de ninguém como pensam os políticos. O ministério público em março deste ano recomendou a suspensão de todas as licenças emitidas pelo IBAMA para a construção do setor noroeste por irregularidades no processo, e recomendou ainda o estudo para a demarcação da terra indígena do Bananal. PAREM OS TRATORES JÁ! Contamos com a participação de todos na divulgação deste email, mas o mais importante será a presença física no local, para que todos possam olhar com os próprios olhos a riqueza e a beleza da reserva do Bananal, e a destruição que os tratores da “ecovila” estão causando.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Será que este é o século da fome?

Crise reduz em 25% doação de alimentos às nações pobres. Com isso, sobra estoque nos países produtores, como o Brasil. Os países mais ricos, responsáveis pelos donativos às nações que enfrentam a fome, não pagaram a conta deste ano. Com a crise financeira global, as potências mundiais fizeram um estranho ajuste no orçamento. Decidiram cortar a verba mais básica de todas: os recursos destinados à compra de alimentos. Este ano, segundo cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI), a ajuda financeira aos 71 países mais pobres vai cair 25%. O resultado da medida está no último relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), que aponta para um crescimento de 100 milhões no número de homens, mulheres e crianças famintas em todo o mundo, o que eleva o contingente para mais de 1 bilhão de pessoas e faz com que os tempos atuais concorram ao título de século da fome. Países como o Brasil, grandes produtores de alimentos e que assumem a posição de supridores dos estoques mundiais de comida, enfrentam a desvalorização surpreendente no preço dos grãos e da carne bovina, um reflexo da demanda em queda e também dos cortes para aquisição mundial de alimentos. Enquanto a fome espreita os países mais pobres, sobram alimentos na produção. Este ano, o valor bruto da safra brasileira já despencou mais de 10%. Dados da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg) mostram que o abate de bovinos caiu 23% no país, maior exportador mundial de carne. Este ano, o milho já se desvalorizou 23%. Até a soja, que bateu recorde nas cotações de 2008, está 4% mais barata. “O problema da fome é de quem paga a conta. A ONU deveria demonstrar o prestígio que tem, angariando os fundos necessários para a compra de alimentos. Os países doadores fazem uma conta que o estômago não entende”, critica o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Gilman Viana. Segundo ele, há urgência em criar uma contribuição compulsória e o mais importante: “Com penalidades para quem descumprir a regra”. A crise financeira bateu com mais força nos mais fracos, já que a repercussão foi imediata na verba que garante a ração mínima. O severo corte feito pelos países doadores foi o maior já visto por organizações internacionais. O Programa Mundial de Alimentos (WFP, na sigla em inglês), uma das maiores organizações do mundo, foi surpreendido com o declínio do orçamento. A entidade havia se preparado para alimentar 108 milhões de pessoas em 74 países. No entanto, como expõe em nota oficial, o orçamento caiu para menos da metade. Até agora, a arrecadação esperada de US$ 6,7 bilhões não passa de US$ 2,9 bilhões. “Por muitas décadas, a WFP vem alimentando 10% dos famintos do mundo, mas este ano, pela primeira vez, a agência não será capaz de cumprir o seu objetivo”, alerta a nota. Distante da fome mundial, o agricultor Cássio Queiroz cultiva milho em Paracatu (noroeste de Minas), acompanha as cotações internacionais, vende sementes para multinacionais e este ano já percebeu que a demanda caiu drasticamente. Em relação ao ano passado, a saca de 50 quilos do milho caiu de R$ 21 para R$ 16 até agora. “A fome não está relacionada com a produção de alimentos nem ao aumento populacional, mas a questões políticas, econômicas e de logística”, aponta o professor de relações internacionais da PUC Minas Rodrigo Teixeira. No contexto mundial, o Brasil se posiciona como celeiro de alimentos, já que ocupa posição de destaque na produção de grãos e de carne. “Na discussão da fome mundial, o Brasil deve se posicionar como supridor”, completa o secretário Gilman Viana.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Plantio em encostas vai ser legalizado

O pacote ambiental que o governo pretende baixar, por meio de decreto e medida provisória, procura resolver um problema secular, que vinha tirando o sono de muitos pequenos e médios agricultores de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo e Mato Grosso, que plantam mate, maçã, uva, café e arroz nos morros, nas encostas e nas várzeas. Desde que essas áreas estejam consolidadas, o plantio poderá continuar a ser feito. O Código Florestal vigente proíbe o uso das áreas por considerá-las de proteção permanente (APP). Por isso, o código terá de ser modificado por uma medida provisória. "O mais importante é que estamos resolvendo questões relativas a 95% de todas as propriedades rurais do País. Não é pouca coisa", disse o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. "O plantio de culturas lenhosas nos morros e encostas, que vai ser regularizado, ajudará a conter erosões e deslizamentos", afirmou. "E as pequenas e médias propriedades poderão ainda usar as APPs para compor a sua reserva legal. Por exemplo: no Paraná e em Santa Catarina, uma propriedade de 150 hectares, que necessita de 30 hectares de reserva legal, poderá usar esses 30 hectares das margens de rios e encostas para compor a reserva", afirmou o ministro. "Com a autorização para que os proprietários que desmataram mais do que o permitido possam comprar cotas de quem desmatou menos do que o permitido, estaremos recompensando aquele que preservou", disse ainda Minc. "Portanto, quem não desmatou vai receber por isso." O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou que, ao propor o pacote ambiental para o setor rural, a decisão do governo foi a de preservar o meio ambiente, oferecendo soluções para problemas e situações que poderiam pôr cerca de 3 milhões de pequenas e médias propriedades na ilegalidade. Existem agricultores que há 50 anos tiveram autorização da lei para ampliar as áreas produtivas. Eles não desmataram ilegalmente. Quem desmatou ilegalmente, nós não vamos defender. Stephanes foi um dos que mais lutaram dentro do governo para que a legislação trate de forma diferenciada pequenos e médios agricultores que agiram dentro da lei. Stephanes também disse que o Código Florestal contempla todo o território nacional, mas não considera as diferentes realidades nem as regiões nas quais a agricultura se instalou há décadas. Por isso, defendeu as mudanças. "Se as normas forem cumpridas à risca, a metade das propriedades rurais do Centro-Sul do País, no qual a agropecuária está consolidada, está ou estará fora da lei", completou.

domingo, 25 de outubro de 2009

Pecuária associada à agroecologia

Projeto pioneiro poupa o desmatamento em propriedades pastoris de Rondônia. Modelo apoiado pelo MMA viabiliza atividade pecuária associada à agroecologia. Projeto pioneiro utilizando novas tecnologias para otimizar áreas de pastos já existentes promove o aumento da produtividade em pequenas e médias propriedades pastoris de Rondônia, poupando o desmatamento na Amazônia. A experiência vem sendo implementada em 22 propriedades do estado, como apoio e recursos do MMA, por meio do Subprograma Projetos Demonstrativos (PDA), vinculado ao Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais no Brasil (PPG-7), do Banco de Desenvolvimento Alemão( KFW) e Cooperação Técnica Alemã (GTZ). O sistema silvopastoril, como é chamado, foi uma iniciativa experimental, de caráter demonstrativo, iniciada em junho/06, com encerramento previsto para o final de 2009. O trabalho conduzido pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Rondônia (Fetagro/RO) demonstra que, mesmo quando o assunto é criação de gado, é viável implementar sistemas que promovam a pecuária associada à agroecologia e que gerem renda alternativa aos pequenos e médios produtores. Realizado em nove municípios próximos a Ji-Paraná, segunda maior cidade de Rondônia, o projeto demonstrativo “Agricultores Familiares promovendo o Equilíbrio Ambiental em Rondônia” desenvolveu uma pesquisa para testar e descobrir que tipos de essências florestais (espécies vegetais) poderiam ser inseridas em pastos (sistema silvopastoril), com o objetivo de melhorar o microclima, promover maior rendimento econômico e evitar novos desmatamentos na floresta. A proposta inclui ainda o reflorestamento de matas ciliares, nascentes e áreas degradadas com vegetação nativa e frutíferas, o que ajuda a recompor a cobertura vegetal original e adequar as propriedades às exigências da legislação ambiental. Entre as espécies que se adaptaram bem às pastagens com alto nível de degradação destacam-se o cajá, ipê, cedro, cerejeira, jenipapo, ingá, pata de vaca, cumaru, mogno, jamelão, sete copas, mutambo e peroba. Já os diferentes tipos de palmeira, a bandarra e a copaíba, por exemplo, não alcançaram o mesmo resultado porque demoraram a crescer. O presidente da Fetagro/RO, Lázaro Dobri, explica que o projeto é feito com a combinação de árvores, pastagem e criação de gado numa mesma área, ao mesmo tempo, com o manejo realizado de forma integrada. Outro objetivo é incrementar a produtividade por unidade de área com a preservação do meio ambiente. Atualmente, a estimativa é de que há 1,6 cabeças de gado por hectare, e o projeto pretende aumentar este índice para 5,2 animais na mesma área. Não há alternativa melhor no momento, uma vez que a pecuária está consolidada no estado. O sistema silvopastoril ameniza os problemas e os impactos da atividade, melhora a saúde do gado (que demora a ganhar peso e sofre estresse térmico devido ao calor excessivo da região, apresentando alterações fisiológicas graves), as condições de pastagem e promove uma recuperação parcial do meio ambiente. O método utilizado pela maioria dos agricultores rondonienses é de pastagem ostensiva, que apresenta alto nível de degradação. Dobri considera fundamental a mudança do modelo convencional para uma metodologia agroecológica. “O consórcio de pastagens é importante, mas o mais importante é a recuperação de matas ciliares”, acrescenta. De acordo com o analista ambiental do PDA/MMA Bruno Machado, a intenção do programa é promover iniciativas de experimentação que possam ser replicadas e servir de exemplos para outras áreas do País. “Buscamos a inovação destes projetos, que realmente têm um prazo estabelecido”, disse. O estado de Rondônia tem como principal atividade econômica a pecuária, além da agricultura. Ocupada especialmente a partir da década de 70 – quando o governo federal incentivou agricultores de todo o País a povoarem a Amazônia, com receio de perder território para outras nações que faziam fronteira com a floresta-, a região foi povoada sem planejamento por meio de desmatamento ostensivo, prática que até hoje persiste como modelo para abertura de novas fronteiras agrícolas. Um levantamento feito pelo IBGE demonstrou que, até 2004, 78% da cobertura vegetal original do estado estava desmatada. Cerca de 5 milhões de hectares estão ocupados por pastagens, e há uma forte tendência de haver aumento de desmatamento para ocupação de novas áreas para a pecuária. Captura de carbono A criação de animais associada ao plantio de árvores em bloco ao longo das pastagens pode reduzir a erosão e melhorar a conservação da água, reduz a necessidade de fertilizantes minerais e ajuda a capturar e fixar o carbono. Além disso, diversifica a produção, melhora o conforto dos animais e aumenta a biodiversidade e a geração de renda dos agricultores. O sistema Voisin, aplicado na pesquisa, é um método intensivo de manejo pastoril baseado no trinômio solo-capim-gado, e consiste no piqueteamento das áreas, que são divididas entre pastos e blocos reservados para o plantio de mudas. Estes são separados por cercas elétricas, que garantem a conservação das novas espécies plantadas. O gado só entra em um piquete quando o espaço completa um período mínimo de repouso suficiente para que o capim atinja um ponto ótimo de desenvolvimento, geralmente em torno de 21 dias. A permanência dos animais em cada piquete não deve ultrapassar três dias, sendo que o tempo ideal para uso do espaço é de um dia. Quanto maior for o número de divisões, mais liberdade de ação terá o condutor do manejo. A agricultora familiar Clotilde Crepaldi, 40, avalia que o resultado superou as expectativas, pois sua produção teve um aumento aproximad0 de 15%, em menos de dois anos. Antes de adotar o sistema, ela retirava cerca de 40 litros de leite por dia, e agora este número chega a 60 litros/dia. Além de realizar o pasto rotativo, ela planta nos piquetes outros tipos de cultura, como quiabo, banana, cacau, abóbora, feijão de corda e maxixe. Só na primeira colheita, ela retirou cerca de 200 quilos de banana e 300 quilos com as outras espécies plantadas. Para implementar o projeto nos municípios, os técnicos realizaram visitas para avaliar as condições das propriedades escolhidas, algumas delas degradadas há mais de 30 anos. Os agricultores beneficiados receberam sementes e todos os materiais necessários para a instalação dos piquetes e isolamento dos blocos de plantas. Houve ainda a produção de cerca de 60 mil mudas e a instalação de viveiros em algumas propriedades. A proposta incluía a realização de atividades com aulas teóricas e práticas, e os agricultores visitaram todas as propriedades inscritas no projeto. Desta forma, os participantes trocaram experiências e métodos utilizados entre si, e esse intercâmbio estimulou os produtores a promoverem melhorias de uma forma geral nas propriedades. Resultados A agricultora Clotilde Crepaldi concluiu que, diversificando as atividades, ela aumentou a renda familiar, já que antes o trabalho era focado apenas na criação de gado. A produção é entregue à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e também revendida nos mercados da cidade de Jaru. Depois do piqueteamento, as vacas passaram a produzir mais leite e os bezerros estão mais saudáveis, porque os carrapatos diminuíram. As rotatividades ajudaram a eliminar as populações de insetos e parasitas que atacavam os animais. Outra preocupação passou a fazer parte da rotina dos agricultores envolvidos: o reflorestamento de matas ciliares. A propriedade de Cirilo Cláudio Felício, 73, tem 38 hectares e está localizada no município de Presidente Médici. Ele realizou piqueteamento em 5 hectares e investiu na recomposição da mata ciliar do córrego, que hoje já tem jatobá, jenipapo, ipê amarelo, ingá e cedro. Depois do reflorestamento, o córrego tem água boa parte do ano, e as árvores nem cresceram tanto. Antes disso, ele insistiu na produção do café, que não se adaptou muito bem à sua propriedade. Com o piqueteamento, Felício alega que pôde ter mais qualidade na criação do gado, e que obtém maior produtividade com quase o mesmo número de animais no rebanho. Já o agricultor Celino Greco implantou o sistema em 2 hectares de suas terras. Ele percebeu que o plantio de matas ciliares melhorou a conservação da água na área, e que com o pasto rotacionado o gado se alimenta de um capim mais nutritivo. “Tudo isso ajudou a aumentar a produção do leite, e agora já aumentei a renda familiar com o resultado dos plantios nos piquetes”. Desenvolvimento de pesquisa O assessor ambiental André de Almeida Silva, um dos técnicos responsáveis pela iniciativa, explica que este é o primeiro projeto silvipastorial na Região Norte a adotar esse modelo. De acordo com ele, a Embrapa do Acre está interessada na pesquisa da Fetagro, além de outros sindicatos e associações que também pretendem implementar as técnicas utilizadas. A Embrapa/RO está acompanhando os resultados do projeto e já pesquisa outras plantas que se adaptam melhor às pastagens degradadas. Como a experiência é um processo novo na região, a definição das espécies adequadas é fundamental para o sucesso do sistema silvipastoril. Foi necessário buscar o maior número de características desejadas entre as essências florestais utilizadas: crescimento rápido, adaptação ao meio ambiente, tolerância a ataques de pragas e doenças e capacidade de fornecer sombra e abrigo. As falhas encontradas no início do processo contribuíram para o desenvolvimento de novas experiências. Apesar do caráter demonstrativo e experimental do projeto, o período de três anos previsto para a execução, é curto porque impossibilita uma melhor avaliação dos resultados, que começam a surtir efeito a partir de 5 anos, as essências florestais precisam de tempo para se desenvolverem, ressalta que o processo poderia ser melhor sucedido, para isso seria importante fazer primeiro uma avaliação do solo e recuperação da área degradada, além da eliminação da braqueárea (capim). Com curto tempo não foi possível implantar estas técnicas antes, e a maior parte dos produtores está começando a perceber os benefícios agora, no final do projeto. A engenheira Débora Massara, que também participa da ação, considera que a iniciativa é um sucesso devido à demanda de agricultores, prefeituras e instituições que querem promover a metodologia em outras áreas. “Acredito que esta causa deva ser abraçada pelo governo e servir de base para a criação de uma política pública para Rondônia, que promova o desenvolvimento de mais pesquisas e novas metodologias. Ainda estamos na fase de pesquisa, que é um processo demorado”. O presidente da Fetagro/RO ressalta que foi importante sensibilizar os agricultores para o replantio de matas ciliares e para a mudança de um sistema degradante para um modelo sustentável. Dobri revela que no estado há muitas propriedades pequenas que podem adotar o sistema silvipastoril, mas que é necessário o acompanhamento técnico dos produtores e mais investimentos em projetos de médio e longo prazo. A falta de continuidade impede o avanço da pesquisa e uma melhor avaliação de resultados. Assim, as famílias envolvidas podem perder o estímulo e a unidade gestora a capacidade de acompanhar os projetos.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Água contaminada

Mais de 10 mil pessoas ficaram doentes, entre 1999 e 2008, pelo consumo de água contaminada, no Brasil. Água: dados revelam maior contaminação dentro das casas: Os dados do Ministério da Saúde apontam, ainda, que na maioria dos casos, mais de 40%, a contração de doenças pelo consumo de água ocorre dentro das residências. Esses índices epidemiológicos revelam a necessidade de utilizar água tratada e ingredientes seguros no preparo de alimentos. “Muitas vezes, a população não toma cuidado com as condições de limpeza das caixas d’água, por exemplo, e isso se torna um fator de risco para a contaminação de alimentos”, diz Maria Cecília Brito, diretora da ANVISA. Outro ponto que preocupa é a forma como o brasileiro faz a compra de alimentos. É preciso verificar se o supermercado ou estabelecimento comercial apresenta condições adequadas de conservação dos alimentos oferecidos. “Para escolher esses estabelecimentos, não utilize apenas critérios como a proximidade do domicílio e o preço dos produtos, verifique também a limpeza e organização do ambiente”, orienta Maria Cecília. O consumidor também deve checar se refrigerador ou congelador do estabelecimento tem um termômetro para controle da temperatura. Os alimentos congelados e refrigerados devem estar armazenados sob temperatura recomendada pelo fabricante. “Siga a ordem correta de compra dos alimentos: primeiro, os produtos não-comestíveis, como utensílios e materiais de limpeza; segundo, os alimentos não-perecíveis e depois os perecíveis, como carnes e outros produtos conservados sob refrigeração”, complementa a diretora da ANVISA. O consumidor também deve se organizar para que o tempo entre a compra dos alimentos perecíveis e seu armazenamento no domicílio não ultrapasse duas horas. Como lavar a caixa d’água? 1 – Feche o registro e retire toda água de dentro da caixa d’água 2 – Feche a saída de água da caixa d’água 3 – Retire a sujeira 4 – Lave as paredes e o fundo da caixa d’água com água e sabão. Os utensílios como vassoura, escova, rodo e pano, devem ser de uso exclusivo 5 – Abra a saída de água e retire todo o sabão com água corrente 6 – Feche a saída de água 7 – Prepare a solução desinfetante, diluindo 1 litro de água sanitária em 5 litros de água. Esse volume é apropriado para uma caixa d’água de mil litros 8 – Espalhe a solução nas paredes e fundo da caixa d’água com uma broxa ou pano. Aguarde por 30 minutos 9 – Enxágüe a caixa d’água com água corrente, retirando todo resíduo de desinfetante 10 – Esgote toda a água acumulada 11 – Encha a caixa d’água

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Empresas verdes são possíveis?

A principal característica de uma empresa que se diz comprometida com o meio ambiente é “comprometer-se em tornar ecologicamente sustentáveis 100% de seus produtos num futuro próximo”, enfatiza Elisabeth Laville, professora da École des Hautes Études Commerciales, Paris. Se as empresas não tornam seus produtos ecologicamente sustentáveis, “não causam impactos reais sobre as questões ambientais que estão tentando resolver”. Para ilustrar, ela cita a produção automobilística mundial: “atualmente, apenas 12% do impacto sobre a mudança do clima em nível global causada pela indústria automobilística estão relacionados com as fábricas e 80% estão relacionados com os próprios carros”. Experiente na questão da responsabilidade socioambiental corporativa, Elisabeth esteve no Brasil lançando o livro A empresa verde (Ed. Õte, 2009), reeditado pela terceira vez na França, e concedeu a entrevista, a seguir, à IHU On-Line por e-mail. As empresas devem adotar uma abordagem de “sustentabilidade 2.0”, diz ela, o que significa não só assumir compromissos em relação a seus processos e sistemas internos, adotando uma abordagem de prevenção de riscos, mas ir além e tomar “a iniciativa de mudar seus produtos e serviços a fim de torná-los todos ecologicamente mais responsáveis”. Para isso, reitera, “teremos de nos concentrar em redesenhar os produtos, por exemplo, em fazer o ecodesign no upstream a fim de reduzir o impacto dos produtos ao longo de todo o seu ciclo de vida, mas também, em alguns casos, trabalhar na substituição do produto por um serviço que possa ser prestado sem consumir mais recursos naturais e gerar mais lixo”. Elisabeth Laville é uma das fundadoras da Graines de Changement, que aborda temas como consumo responsável e os impactos da alimentação humana sobre o ambiente. IHU On-Line – O que a senhora entende por empresa verde? Quais devem ser as características dessa empresa? Elisabeth Laville – Para mim, empresa verde é uma empresa verdadeiramente ecológica e comprometida em tornar suas atividades compatíveis com a proteção do meio ambiente. Essencialmente, isso significa não só ter atividades corporativas filantrópicas de caráter ecológico (por exemplo, apoiar financeiramente causas ecológicas através de uma fundação corporativa ou programas de doações específicas), não só tornar suas atividades industriais e sistemas de gestão ecologicamente sustentáveis (ex: comprometer-se com a certificação da ISO 14001 para plantas industriais, e talvez também na cadeia de fornecedores, cumprir a legislação ambiental já existente e a futura, nomear gerentes dedicados a questões ambientais, redigir políticas corporativas sobre o meio ambiente ou sobre uma cadeia de fornecedores “responsável”, subscrever códigos de conduta corporativos, como, por exemplo, o Pacto Global da ONU, e produzir relatórios ambientais), mas também, e, principalmente, comprometer-se em tornar ecologicamente sustentáveis 100% de seus produtos num futuro próximo. Isto é um fator-chave porque, em muitos mercados, se as empresas não tornam seus produtos ecologicamente sustentáveis, não causam impactos reais sobre as questões ambientais que estão tentando resolver. Por exemplo: atualmente, apenas 12% do impacto sobre a mudança do clima em nível global causada pela indústria automobilística estão relacionados com as fábricas e 80% estão relacionados com os próprios carros. Portanto, por que esse setor todo se concentrou durante anos na melhoria do desempenho ambiental de suas fábricas e muito poucos fabricantes trabalharam de fato no desenvolvimento de novas tecnologias para tornar os carros menos poluentes, como a Toyota vem fazendo com a tecnologia híbrida? Isto é o que chamo de abordagem de “sustentabilidade 2.0”, pela qual as empresas não só assumem compromissos em relação a seus processos e sistemas internos, adotando uma abordagem de prevenção de riscos, mas vão, além disso, e tomam a iniciativa de mudar seus produtos e serviços a fim de torná-los todos ecologicamente mais responsáveis. Por exemplo, a Philips anunciou, em 2007, que em 2012 os produtos ecológicos responderiam por 30% de seu faturamento e, desde que assumiu esse compromisso, quase todos os seus novos produtos de fato têm um valor agregado e posicionamento ecológico (lâmpadas de LED para decoração de interiores). Não estamos falando aqui de produtos para “nichos” pequenos, e isto está acontecendo rapidamente em muitos países diferentes. A Marks & Spencer, com seu Plano A, de cinco anos de duração, lançado em janeiro de 2007, escolheu cinco temas e 100 compromissos com a sustentabilidade do mainstream em suas práticas diárias e nos produtos que vende (100% de chá/café/algodão orgânico/de comércio justo em 2012, 100% de ovos de galinhas criadas em liberdade nas embalagens de ovos, mas também em todos os tipos de massas com ovos, 100% de tinturas ecológicas para roupas etc.). E, naturalmente, a Toyota, que desenvolveu a tecnologia híbrida antes de seus concorrentes, de modo que ela agora é proprietária de todas as patentes dessa tecnologia, e que também se comprometeu em desenvolver o mercado e provar que esse carro ecológico, menor e menos sexy do que qualquer carro tradicional pelo mesmo preço é, na verdade, mais inteligente, mais sofisticado, mais adaptado ao mundo de amanhã e até mais sexy desde que Leonardo di Caprio está dirigindo um carro desses! Essas empresas estão abrindo o caminho: elas provam que é possível integrar sua estratégia de sustentabilidade e sua estratégia de negócios, acreditam que uma empresa só tem os clientes que merece, que você tem de tornar seu mercado disposto ou pronto, em vez de esperar até que ele esteja disposto ou pronto. Elas provam que a sustentabilidade também tem a ver com oportunidades de mercado, e não só com mais regulamentações e barreiras. IHU On-Line – Quais serão, em sua opinião, os rumos e implicações do desenvolvimento sustentável, partindo do ponto de vida da gestão ambiental? Elisabeth Laville – No futuro, é claro que teremos de ser muito bons na melhoria do impacto ambiental dos processos industriais, mas, antes de mais nada, teremos de nos concentrar em redesenhar os produtos, por exemplo, em fazer o ecodesign no upstream a fim de reduzir o impacto dos produtos ao longo de todo o seu ciclo de vida, mas também, em alguns casos, trabalhar na substituição do produto por um serviço que possa ser prestado sem consumir mais recursos naturais e gerar mais lixo. Um bom exemplo disso é o compartilhamento de carros, que está se desenvolvendo no mundo todo e tem um impacto muito forte sobre o meio ambiente: em vez de ser dono de um carro, você apenas paga uma assinatura anual de um serviço e só ganha um carro quando precisa dele, mesmo que seja só por uma hora – e paga de acordo com o tempo que gasta com o carro. Afinal de contas, de acordo com pesquisas de mercado, cada veículo compartilhado tira 20 carros da estrada à medida que os membros vendem suas quotas de uso ou decidem não comprar novas. As pessoas que compartilham carros economizam em média $ 600 por mês, também afirmam que reduzem o número de quilômetros que rodam em 44%, e levantamentos feitos na Europa mostram que as emissões de CO2 estão sendo reduzidas em até 50% por usuário. Atualmente a TI é um mercado florescente, e não admira que players importantes, como a Hertz, estão entrando nele agora. IHU On-Line – Que práticas e hábitos desenvolvidos pelas empresas ainda precisam ser mudados para de fato construir uma sociedade sustentável? Elisabeth Laville – Acho que as quatro questões e focos mais importantes para as empresas nos próximos meses e anos deveriam ser: 1) como a sustentabilidade está embutida em sua área de pesquisa e desenvolvimento e em sua estratégia de inovações? 2) que mudanças precisam ser feitas em seu modelo de negócios a fim de torná-lo 100% compatível com o desenvolvimento sustentável? 3) o que é longo prazo para nós e quais são os cenários que construímos sobre a forma como a sustentabilidade irá afetar e mudar nosso mercado? e 4) como embutimos a sustentabilidade em nosso sistema de incentivos/avaliação, bem como em nosso scorecard corporativo (se é com isso que têm a ver os negócios, então isso tem de estar embutido nessas ferramentas-chave para orientar uma empresa). Como se pode depreender de meu exemplo do compartilhamento de carros, a sustentabilidade tem a ver com a mudança radical de muitos mercados, e as empresas que forem incapazes de prever essas tendências talvez sofram muito nos anos vindouros. E há muitas empresas, inclusive empresas grandes, que não tomam tempo para desenvolver uma visão de longo prazo de seus mercados e produtos ou que ainda acham que não importa que sua estratégia de sustentabilidade não esteja relacionada com sua estratégia de negócios, desde que tenham efetivamente uma estratégia de sustentabilidade que possa mostrar a jornalistas, agências classificadoras de sustentabilidade etc. Como você pode imaginar, não acredito que isso ainda seja relevante. IHU On-Line – As instituições de fato estão preocupadas com a questão ambiental? Elisabeth Laville – A melhor maneira de mostrar que elas estão verdadeiramente preocupadas seria fazer exatamente o que é necessário que as empresas façam, isto é, integrar a sustentabilidade em seu modelo de negócios (mesmo que não estejam ganhando nenhum dinheiro – estou me referindo a não ter uma estratégia de sustentabilidade à parte de sua estratégia de negócios, “séria”), em seus principais processos de tomada de decisões e na forma como avaliam seu impacto. Até agora elas – ao menos não todas elas – não estão tomando visivelmente esse caminho. Ainda assim, existe uma consciência crescente de que as restrições ambientais serão reforçadas ano após ano no futuro, e isto é um sinal de que as instituições estatais estão avançando rapidamente na direção certa. IHU On-Line – Em tempo de crise econômica, quais são as possibilidades e os limites de pensar uma economia que leve em conta a sustentabilidade? Elisabeth Laville – Creio que a crise irá fomentar a sustentabilidade. É interessante que ninguém parece realmente enfrentar a questão principal da atual recessão, que tem a ver com o fato de o mundo financeiro estar totalmente desconectado da economia real e, por conseguinte, também de regras éticas (daí os empréstimos sem garantia, em que os bancos emprestaram dinheiro para ajudar pessoas pobres a comprar sua casa, desconsiderando o fato de que essas pessoas poderiam acabar ficando numa situação financeira difícil,apenas porque achavam que poderiam ganhar até mais dinheiro tomando as casas e as revendendo!). Mas as tendências no consumo, por exemplo, estão fazendo pressão na direção certa: as pessoas têm menos dinheiro e querem gastá-lo de maneira mais sábia, preferindo, por isso, produtos duráveis ou até consertáveis, tendem a alugar produtos como um serviço em vez de comprá-los (as bicicletas do programa Vélib em toda a Paris podem ser usadas livremente mediante a aquisição de um cartão pelo qual se paga uma assinatura anual), querem comprar diretamente do produtor (especialmente comida; assim, sua comida fica mais barata, mas também local e sazonal, o que também é melhor para o planeta), compram bens de segunda mão (veja a tendência nas roupas clássicas), que é outra forma de aumentar a vida útil dos produtos etc. E na França, por exemplo, os mercados de “produtos responsáveis” (alimentos orgânicos, provenientes de comércio justo, carros mais ecológicos, painéis solares, detergentes ecológicos etc.) são os únicos que ainda estão crescendo a taxas muito boas. Assim, as empresas, em busca de novas alavancas de crescimento, estão entendendo o recado e se dispondo a mudar sua estratégia. IHU On-Line – É possível conciliar crescimento econômico e sustentabilidade? Qual é a sua proposta?Elisabeth Laville – Para mim, é 100% possível reconciliar o crescimento econômico e a sustentabilidade, desde que tiremos proveito do poder das empresas para atacar os difíceis desafios sociais e ambientais de nossa época. Há reais oportunidades de mercado na tentativa de resolver os principais problemas ambientais. Tomemos a construção sustentável como exemplo: a indústria da construção responde por cerca de 40% das emissões de CO2 no mundo inteiro, da geração global de lixo e do consumo global de recursos naturais. E muito pouco foi feito: agora sabemos que temos de mudar a forma como construímos e operamos os prédios, sejam eles moradias de caráter social, sedes de empresas ou escolas. E há muito dinheiro a ser economizado nesse caminho, muitas inovações a serem desenvolvidas e muitos benefícios humanos também: por exemplo, a maior produtividade humana (porque as pessoas trabalham melhor quando têm iluminação natural e não sofrem da “síndrome do edifício doente” por causa da poluição do ar dentro dele) é, de longe, a principal fonte de benefícios financeiros relacionados aos escritórios ecológicos, respondendo por 70% do total de benefícios (só 11% estão relacionados à economia de energia); e, do lado do emprego, na Alemanha já foram criados 60 mil novos empregos para a gestão alternativa da água em prédios e cidades (colher água da chuva para dar descarga nos vasos sanitários, irrigar os jardins etc.). É todo um mundo novo de oportunidades.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

EUA e Europa apostam em acordo climático

Países citam dificuldades nas negociações para Copenhague, mas demonstram otimismo. Os países ainda podem chegar, em dezembro, a um acordo climático para conter as emissões de gases de efeito de estufa e se prepararem para um mundo mais quente, afirmaram ontem os representantes dos Estados Unidos e do Reino Unido durante a reunião, em Londres, de nações que são grandes poluidoras. Uma espécie de negociação paralela para a conferência do clima, em Copenhague, tem sido feita pelo Fórum das Grandes Economias sobre energia e clima, que inclui 17 nações responsáveis por 80% das emissões globais de gás carbônico. Esta é a última reunião do grupo antes do principal evento ambiental do ano. Muitos acreditam que o prazo está apertado para conseguir consenso e fechar o acordo em Copenhague - faltam 48 dias para a reunião na Dinamarca. O ministro indiano do Meio Ambiente, Jairam Ramesh, disse na sexta-feira que um acordo poderá atrasar vários meses em relação a Copenhague. E Rajendra Pachauri, presidente do painel do clima da Organização das Nações Unidas (IPCC), afirmou que o mundo tinha a opção de se reunir novamente em meados de 2010. Mesmo assim, o enviado especial para clima dos Estados Unidos, Todd Stern, disse ontem que "um acordo é bem possível", mas existem dificuldades a serem enfrentadas. Seu tom já foi mais otimista ontem do que no dia anterior, quando afirmou a um canal de TV que "é certamente possível que não haverá um acordo em Copenhague" e que "esta é uma negociação difícil". Segundo ele, o progresso está lento. Entre as razões para ser otimista sobre um acordo os dois países citaram os anúncios de compromissos de nações industrializadas, como o Japão (que elevou sua meta de corte de emissões de gases-estufa), e também a disposição demonstrada por países em desenvolvimento, como China e Indonésia, em adotar ações de combate ao aquecimento global. Principalmente para os Estados Unidos, um acordo sem o comprometimento da China é impensável. As negociações, em geral, tornam-se embates entre os países desenvolvidos com os mais pobres. A Noruega, porém, animou as negociações preparatórias para Copenhague ao anunciar neste mês o objetivo de reduzir em 40% até 2020 a emissões de gases que provocam o aquecimento global, com base nas emissões de 1990. Até agora, esta é a maior meta anunciada. Ed Miliband, ministro de Energia e Mudanças Climáticas do Reino Unido, disse que há boas perspectivas para um acordo, mas entre os maiores obstáculos estão, além da falta de metas, definição sobre os recursos que os países ricos terão de destinar aos mais pobres para que eles consigam se adaptar à mudança climática. Ele também ressaltou que é necessário um "número" dos Estados Unidos, país que tem evitado colocar suas cartas na mesa enquanto o Senado analisa uma lei de clima e energia. Os Estados Unidos evitam números, pois temem cometer o mesmo erro do Protocolo de Kyoto, que chegou a ser assinado pelo governo, mas não foi ratificado por causa da oposição do Congresso.

sábado, 17 de outubro de 2009

Brasil não deve ter meta de emissão de CO2

Ala do governo defende que País se comprometa apenas com a redução do desmate em 80%. O Brasil não deve ter meta específica de redução da emissão de CO2 para apresentar na Conferência sobre Mudanças Climáticas em dezembro, em Copenhague. É o que defende a ala majoritária do governo. Para o grupo, o único compromisso que o País deve defender é a redução de 80% do desmatamento - o que automaticamente traz uma redução na emissão projetada para 2020 de 20%. O porcentual é bem mais acanhado do que os 40% defendidos pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). Mesmo assim, o grupo partidário dos 20% - integrado pela Casa Civil, Ministério da Ciência e Tecnologia e Itamaraty - recusa-se a classificar a meta como modesta. A ala prefere chamá-la de realista e livre de riscos de não ser alcançada. "Começa a haver uma tendência de achar que a meta de 80% do desmatamento - e a consequente redução no ritmo de emissão de CO2 de 20% - é pouca coisa. As pessoas se esquecem que até há muito pouco tempo não havia no governo nem mesmo consenso para redução do desmatamento", disse o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), Carlos Nobre. Ele avalia que a meta de redução de 80% no desmatamento não é fácil de ser atingida. Ele observa que, para que a queda seja mantida, é preciso muito mais do que medidas de controle e fiscalização. "Isso demanda uma política de incentivo para outras atividades." Mesmo com resistência de outras pastas, o MMA não desistiu de ofertar uma meta mais ambiciosa. Ontem, em reunião com técnicos de vários setores do governo na Casa Civil, representantes do MMA argumentavam que Copenhague seria uma oportunidade única para o Brasil negociar financiamentos para programas em áreas de produção de energia limpa, expansão de biocombustível, ampliação de uma política para resíduos. "Agora o Brasil possui até uma posição confortável: tem matriz de energia limpa, há uma gordura para queimar - representada pela redução do desmatamento", conta um dos participantes. Mas ele observa que, passada essa oportunidade, o Brasil terá de enfrentar o problema de emissões com medidas mais sofisticadas. Sem recursos, isso fica muito mais difícil de ser alcançado. Secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisas de Engenharia, Luiz Pinguelli Rosa avalia que, embora haja uma corrente majoritária dentro do governo, nada está decidido. "Não se trata de uma assembleia. Representantes do governo colhem elementos para apresentar ao presidente Lula. Ele é quem vai decidir", destaca. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou ontem no Rio que as metas de reduzir as emissões em 40% e o desmatamento em 80% serão mantidas ainda que o Brasil cresça de 5% a 6%, como prevê a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. O projeto de Minc trabalhava num cenário de 4% de crescimento econômico. Segundo o ministro, técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) contratados para desenhar a nova projeção já têm os novos valores de investimento necessários para manter a meta.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Al Gore acredita em acordo na reunião de Copenhague sobre o clima

Projeto em tramitação no Congresso dos EUA prevê redução de 4,5% da produção de gases de efeito-estufa. O ex- vice presidente dos Estados Unidos, Al Gore, ganhador do prêmio Nobel da Paz em 2007, disse em 13/10/09, acreditar que os países participantes da próxima reunião (dez/09) da Organização das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, em Copenhague (Dinamarca) chegarão a um acordo. Al Gore estima que as chances de um entendimento em Copenhague aumentariam se o presidente norte-americano, Barack Obama, fosse capaz de negociar um consenso para a aprovação de um projeto que tramita no Congresso dos EUA antes da reunião marcada para dezembro. Os Estados Unidos são, junto com a China, um dos maiores responsáveis pela emissão de carbono na atmosfera. O projeto em tramitação no Congresso norte-americano prevê uma redução de 4,5% da produção de gases de efeito estufa com base nos níveis de 1990. O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP), Paulo Skaf, questionou Gore sobre a timidez da meta prevista no projeto de lei. Al Gore disse que realmente a redução de 4,5% é pequena, mas pode ser um começo para que as discussões sobre o clima deslanchem. Antes da palestra do ex-vice-presidente dos EUA, a FIESP entregou ao político norte-americano um documento com a posição das indústrias paulistas em relação à redução das emissões de carbono. Pelo texto, a federação estabeleceu uma série de compromissos, como o incentivo ao desenvolvimento de tecnologias mais limpas e a ampliação do uso de energias renováveis. A FIESP não se comprometeu, no entanto, com nenhuma meta concreta de redução de emissões. Segundo Paulo Skaf, ainda é necessário realizar os inventários sobre o tamanho da poluição no Brasil antes de se estabelecer as metas. O presidente da FIESP defendeu que, como o Brasil responde com um percentual pequeno das emissões globais, o país não deveria se prender a compromissos precipitados. Para ele, quem deve se comprometer com as metas de emissões são os países mais ricos e industrializados, principais responsáveis pela maior parte da poluição global.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

China promove sua Revolução Verde

Céu poluído de Beijing - foto tirada em setembro de 2009 A maioria das pessoas imaginaria que daqui a 20 anos, quando os historiadores olharem para 2008 e 2009, eles concluirão que o mais importante que se passou nesse período foi a Grande Recessão. Se conseguirmos continuar saindo aos tropeções desta crise econômica, acredito que historiadores futuros poderão perfeitamente concluir que a coisa mais importante nos últimos 18 meses foi que a China Vermelha decidiu se tornar a China Verde. Os líderes chineses decidiram avançar para o verde por necessidade, porque muitos de seu povo não podem respirar, nadar, pescar, cultivar e beber em razão da poluição causada por seu motor de crescimento manufatureiro movido a carvão e petróleo. Portanto, a menos que a China impulsione seu desenvolvimento com sistemas de energia mais limpos e empresas mais apoiadas no conhecimento e sem chaminés, a China perecerá nas mãos de seu próprio desenvolvimento. O que sabemos sobre a necessidade? “É a mãe da invenção.” E, quando a China decide que precisa se tornar “verde” por necessidade, é bom ficar de olho. Não estaremos apenas comprando brinquedos da China. Estaremos comprando nossos próximos carros elétricos, painéis solares, baterias e softwares de eficiência energética da China. Acredita-se que a decisão chinesa de avançar ecologicamente é o equivalente no século 21 ao que foi o lançamento pela União Soviética, em 1957, do Sputnik, o primeiro satélite artificial do mundo. O lançamento nos deixou boquiabertos, convenceu o presidente Dwight Eisenhower de que os EUA estavam ficando atrasados em tecnologia de mísseis e impeliu os americanos a fazerem grandes investimentos em ciência, educação, tecnologia e interligação por redes, que teve como um de seus subprodutos a internet. O Sputnik acaba de subir novamente: a China vai apostar em energia limpa. A visão sobre a China no Congresso americano, a de que a China vai tentar pular carniça sobre nós poluindo mais é obsoleta. Pequim tentará nos ultrapassar poluindo menos. Neste momento, a China está concentrada na fabricação a baixo custo de equipamentos para energia solar, eólica, baterias e construindo o maior mercado mundial para esses produtos. Ela ainda está muito atrás dos EUA em inovação, mas a pesquisa acompanhará o mercado. A principal fabricante americana de equipamento solar, Applied Materials, está prestes a abrir a maior instalação mundial de pesquisa em energia solar com financiamento privado em Xian, na China. “Se eles investirem em tecnologias do século 21 e nós investirmos em tecnologias do século 20, eles vencerão”, diz David Sandalow, secretário adjunto de políticas para energia dos EUA. “Se ambos investirmos em tecnologias do século 21, nos desafiando mutuamente, todos venceremos.” ATRASO Infelizmente, ainda não estamos na corrida. É como se o Sputnik subisse e nós pensássemos que é apenas mais uma estrela cadente. Em vez de uma resposta estratégica, muitos de nossos políticos ainda estão encerrados em suas bolhas de burrice autocomplacente, onde somos sempre os melhores e onde a Câmara de Comércio americana, depois de vender nossa alma às velhas indústrias de carvão e petróleo, usa sua influência para impedir o Congresso de aprovar uma legislação que realmente incentive as energias renováveis. Tiremos o chapéu para o corajoso diretor da Pacific Gas and Electric, Peter Darbee, que na semana passada anunciou que sua enorme companhia de eletricidade da Califórnia estava saindo da Câmara de Comércio americana por conta de suas “táticas obstrucionistas”. Todos os acionistas dos EUA deviam perguntar aos presidentes de suas empresas por que eles permanecem nessa organização. Os líderes chineses, em sua maioria engenheiros, gastaram pouco tempo debatendo o aquecimento global. Eles sabem que as geleiras tibetanas que alimentam seus maiores rios estão derretendo. No entanto, eles sabem também que, mesmo que a mudança climática seja um trote, a demanda por energia limpa vai crescer à medida que incluirmos estimados 2,5 bilhões de pessoas no planeta até 2050, muitas das quais desejarão viver estilos de vida com alto consumo de energia. Nesse mundo, a TE - ou tecnologia da energia - será tão grande quanto a TI, e a China pretende ser uma grande operadora em TE. ENERGIA LIMPA Shi Zhengring, fundador da Suntech, que já é a maior fabricante de painéis solares do mundo. Shi se lembrou de como o Lago Tai, o terceiro maior lago de água doce da China, sufocou até morrer de poluição depois que sua empresa começou a operar em Wuxi, perto de Xangai. “Após esse desastre”, explicou Shi, “o secretário do partido da cidade de Wuxi me disse: “Quero ajudá-lo a desenvolver esse negócio solar para que possamos fechar as muitas companhias gastadoras de energia e poluidoras da região o quanto antes”". Segundo Shi, o líder local do partido faz parte de um grupo de jovens líderes inovadores e revolucionários nessa questão. “A China percebeu que não tem capacidade para absorver todo esse lixo.” A China continuará crescendo com carvão sujo e barato, prendendo ambientalistas ansiosos demais e despojando florestas africanas de madeiras e minerais. Não tenham dúvida sobre isso. Mas não tenham dúvidas também de que, em silêncio, a China está enveredando por um novo caminho paralelo de inovação e utilização de energia limpa. É o Sputnik do nosso tempo. Se o ignorarmos, o risco é nosso.

domingo, 11 de outubro de 2009

Procura-se meios de transporte mais verdes

Água de lastro, derramamento de óleo, emissão de gases nocivos à saúde e efluentes a bordo, são alguns dos poluentes mais comumente avaliados neste tipo de transporte. Os navios ao realizarem o comércio entre países captam água que serve como um contrapeso para a estabilidade do navio no seu regresso à origem. Esta água é conhecida como água de lastro. Os organismos presentes nesta água têm um habitat diferente do país de origem das cargas. Uma grande embarcação pode carregar até 130 mil toneladas dessas águas de um continente para outro. Uma das verdadeiras pragas nos portos brasileiros tem sido a ocorrência do mexilhão dourado. O mexilhão dourado é um bivalve da família Mytilidae de no máximo 4 cm de comprimento trazido por água de lastro. Possui uma forma larval, que é livre e, na fase adulta vive fixo a qualquer substrato duro, formando agregados e cobrindo extensas superfícies. O mexilhão é originário dos rios da China. Foi introduzido nos estuários da foz do rio da Prata na Argentina, em 1991, através da “água de lastro” dos navios que fazem o comércio entre países asiáticos e a Argentina. O mexilhão chegou ao Pantanal, onde foi observado em 1998, incrustado nos cascos das embarcações que trafegam no sistema Paraguai-Paraná, entre Argentina e Brasil. O mexilhão entra no sistema de refrigeração dos motores das embarcações impedindo que a água circule, causa aquecimento do motor e, pode levá-lo a fundir, caso já registrado no rio Paraguai. Isto tem causado desconforto entre as comunidades e empresários, principalmente os do setor elétrico. Temos no Brasil uma extensa rede hidrográfica e uma grande quantidade de reservatórios para a geração de energia. O prejuízo, tanto ambiental como econômico, será incalculável se medidas de controle da dispersão através de novas tecnologias não forem tomadas. O efeito das incrustações do mexilhão dourado tem sido observado em estações de captação e tratamento de água (tubulação e bombas), sistemas de resfriamento das hidrelétricas e entupimentos em tubulações em geral, aumentando o custo de manutenção na indústria e geradoras de energia elétrica. No ambiente, o mexilhão ocupa todo o espaço que lhe for disponível e pode alterar a composição de espécies de invertebrados do ambiente aquático. Com as alterações na cadeia alimentar, a captura de certas espécies de peixe pode ser prejudicada. Problemas semelhantes ocorrem nos Estados Unidos e no Canadá, países onde o mexilhão-zebra se disseminou. Métodos mais modernos sugerem o uso de filtros na operação de captação das águas de lastro. Outro problema comum é o ar que se respira na orla marítima. O ar não é tão puro como se pensa. Os poluentes emitidos por navios são responsáveis por em torno de 58 mil mortes ao ano, originando doenças como câncer e problemas no coração. Um estudo intitulado “Environmental Science and Technology”, publicado pela revista da Sociedade Norte- Americana de Química, mostra que os três portos mais vulneráveis por intenso comércio do mundo, Xangai, Cingapura e Hong-Kong, vão sofrer grande impacto com as emissões provindas dos navios, uma vez que os poluentes não ficam restritos às áreas marítimas e sim, também, às terrestres. Legislações ambientais adotadas em todo o mundo têm reprimido todo tipo de poluição da água, do ar e do solo. Exemplo disso é o contínuo emprego das normas ISO 9000 e ISO 14001. A Convenção Internacional MARPOL prevê que a água de estiva (estiva é a área do navio situada no fundo do casco, onde os efluentes líquidos e resíduos oleosos são recolhidos, juntamente com outros resíduos de sistemas e equipamentos em espaços de máquinas) deve ser tratada a fim de reduzir a concentração de óleo antes de ser lançada ao mar. Algumas companhias marítimas adotam o sistema de concentração de óleo antes de ser lançada ao mar somente se o teor de óleo for inferior a 15 ppm garantido por monitoramento contínua das empresas. Regulamentos da MARPOL estabelecem que o esgoto tratado (água de descarga de banheiros e águas residuais de pias médicas) só pode ser lançado ao mar a uma distância superior a 4 milhas da costa mais próxima, enquanto a distância para o esgoto não tratado deve superior a 12 milhas. Em algumas Companhias, a água dos navios é parcialmente fornecida por fontes externas; a maior parte é obtida diretamente a bordo, utilizando instalações de dessalinização para a produção de água potável. Um selo que distingue a conscientização ambiental consolidada é aquele conferido à companhia marítima que cumpre normas ambientais de prevenção de poluição do ambiente marinho, e é, na verdade, mais rigoroso do que as disposições vigentes da Convenção Internacional MARPOL. O selo conferido à empresa chama-se “Green Star”. O Green Planet Award é o selo de mais alto nível de aprovação ecológica no setor de turismo e viagens, pela gestão e pelo desempenho ecológico. O setor demonstra uma grande evolução em conceitos ambientais e novas tecnologias para reduzir as emissões de poluentes no oceano, terra e ar.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

UE define áreas de investimento em energia de baixo carbono

Painéis fotovoltáicos na Alemanha A Comissão Europeia (órgão Executivo da União Europeia) definiu em 07/10/2009, seis domínios para o desenvolvimento de tecnologias energéticas com baixas emissões de dióxido de carbono até 2020, em um trabalho conjunto com a indústria e pesquisadores na luta contra as mudanças climáticas. As energias eólicas e solares, redes de eletricidade, bioenergia, captura e armazenamento de carbono (CAC) e cisão nuclear sustentável são as áreas em que os agentes envolvidos se mostraram mais interessados e dispostos a trabalhar em conjunto. Quanto à energia eólica, a pesquisa deve ser dirigida a acelerar a redução de custos e a resolver problemas de integração nas redes energéticas. Neste domínio, o objetivo é que, até 2020, um total de 20% da eletricidade da UE seja produzido a partir do vento. Em relação à produção a partir de energia solar, esta precisará ser mais competitiva e conquistar mais mercado, cumprindo uma meta de gerar 15% da eletricidade do bloco europeu até 2020. Já no que diz respeito às redes de eletricidade, a Comissão Europeia quer criar um verdadeiro mercado interno. Sobre a bioenergia, a UE deve apostar na produção em larga escala de biocombustíveis, especificamente de segunda geração, sendo que, em 2020, ao menos 14% do “mix” energético devem ter como fonte a bioenergia sustentável. Também deve ser desenvolvida tecnologia que permita reduzir os custos e otimizar a captura e armazenamento de carbono. Em relação à energia nuclear, será preciso investir em uma geração de reatores mais seguros, que otimizem o uso de combustível e reduzam a produção de resíduos radioativos – os de quarta geração, que só deverão estar disponíveis no mercado em 2040. Também nesta quarta-feira o Executivo da UE decidiu investir mais 50 bilhões de euros, até 2020, no desenvolvimento das tecnologias energéticas de baixa emissão de carbono, baseadas em fontes renováveis, no âmbito da luta contra as mudanças climáticas.Um comunicado divulgado nesta quarta pelo Executivo da UE informa que o bloco europeu deverá aumentar de 3 bilhões para 8 bilhões de euros o investimento anual em pesquisa de tecnologias energéticas.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Perda dos predadores primários contribui para o colapso de ecossistemas

A perda de predadores primários está causando uma explosão dos predadores secundários (mesopredadores) ao redor do mundo. Nesta imagem, o extermínio de lobos pode permitir que as populações de coiotes aumentem que, por sua vez, pode suprimir populações de gatos selvagens, levando ao aumento de roedores, etc. Estes efeitos em cascata são mal compreendidos, mas estão causando perturbações em ecossistemas ao redor do mundo, dizem cientistas. No mundo todo, o declínio catastrófico de predadores primários, como lobos, pumas, leões ou tubarões, está desencadeando enorme aumento nas populações dos predadores secundários, os “mesopredadores”, causando grandes perturbações econômicas e ecológicas. É o que conclui um novo estudo, publicado na revista Bioscience, Oct 2009. O estudo constatou que, na América do Norte, todos os maiores predadores terrestres tiveram suas populações drasticamente reduzidas ao longo dos últimos 200 anos, enquanto os mesopredadores expandiram suas populações em 60%. O problema é global, crescente e grave, dizem os cientistas. Segundo os pesquisadores, em partes da África Sub-Sahariana, os leões e leopardos foram dizimados, permitindo um aumento das populações do mesopredator mais próximo da escala, os babuínos. Em alguns casos, as crianças estão sendo mantidas em casa, fora da escola para proteger as hortas familiares de invasões babuínos. A extinção dos grandes predadores, em muitos casos, foi visto como favorável aos seres humanos, com medo de ataques pessoais, perda de animais em rebanhos ou outras preocupações. No entanto, de acordo com os pesquisadores, os impactos nos ecossistemas e as perdas econômicas podem ultrapassar os problemas apresentados pelos predadores primários original. No caso da eliminação dos lobos, muitas vezes é estimulada por fazendeiros, que temem os ataques aos seus animais. No entanto, isso levou a um grande aumento no número de coiotes e chacais. Os ataques de coiotes, por exemplo, aos ovinos é mais comum e frequente do que com lobos e o controle de suas populações têm sido extremamente caro, custando centenas de milhões de dólares. Os problemas não se limitam aos ecossistemas terrestres. Os tubarões, estão em sério declínio devido à pesca excessiva. Em alguns lugares, que levou a uma explosão na população de raias, causando, redução na produção de vieiras e mariscos.Os danos econômicos são maiores porque os grandes predadores são carnívoros, mas os mesopredadores muitas vezes são onívoros, podendo podem causar danos significativos em diversas culturas agrícolas.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Especialistas estimam que a elevação do mar em 2 metros é inevitável

A maioria dos cientistas espera um aquecimento do planeta de pelo menos 2º C, provavelmente mais. Uma elevação de pelo menos dois metros no nível dos oceanos é praticamente inevitável, disseram especialistas numa conferência realizada na Universidade Oxford em setembro de 2009. “O ponto da questão do nível do mar é que ele começa muito devagar, mas uma vez que tenha ganhado impulso, é praticamente impossível de deter”, disse o especialista Stefan Rahmstorf, do Instituto Potsdam da Alemanha. Reportagem da Agência Reuters. “Não há um modo que eu consiga ver para parar essa elevação, mesmo se fôssemos à emissão zero”. Rahmstorf disse que o melhor resultado seria que, após a estabilização das temperaturas, os mares subissem a uma taxa contínua “pelos próximos séculos”, sem acelerar. A maioria dos cientistas espera um aquecimento de pelo menos 2º C, provavelmente mais, como resultado da mudança climática provocada por atividade humana. No último século, a temperatura média global subiu em torno de 0,7º C. Rahmstorf estimou que, mesmo se o aquecimento parasse em 1,5º C, a elevação de 2 metros no nível dos oceanos ainda ocorreria nos próximos séculos, levando alguns países insulares a desaparecer. Sua melhor estimativa é de uma elevação de 1 metro neste século, pressupondo um aquecimento de 3º C, e até 5 metros nos próximos 300 anos. “Não há nada que possamos fazer para parar isso, a menos que consigamos resfriar o planeta. Isso exigiria retirar o dióxido de carbono da atmosfera. Não há modo conhecido de se fazer isso na escala necessária, hoje”. Cientistas explicam que o derretimento das geleiras é um processo que acelera a si mesmo, porque com menos gelo na superfície da Terra, menos radiação do Sol é refletida de volta ao espaço, e o planeta se aquece mais, derretendo mais gelo.

sábado, 3 de outubro de 2009

Estudo estima que a Amazônia pode ficar 10ºC mais quente até 2060

Estudo britânico estima que temperatura da Terra pode subir 4ºC em apenas 50 anos. Um aquecimento global de 4ºC deve ter consequências dramáticas para a América Latina e pode subir as temperaturas na região amazônica entre 8ºC e 10ºC, o que levaria à destruição de grande parte da floresta, de acordo com um novo estudo do Departamento de Meteorologia britânico (Met Office). O cenário catastrófico pode se tornar realidade já em 2060 – quatro décadas antes do previsto pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC). “Nas nossas melhores estimativas, um aquecimento global de 4ºC aconteceria na década de 2070. Mas em uma situação extrema plausível isso poderia acontecer em 2060”, disse à BBC Brasil o pesquisador Richard Betts, do Hadley Centre, a unidade do Met Office que estuda mudanças climáticas. Novos modelos climáticos computadorizados do Hadley Centre foram divulgados durante uma conferência na Universidade de Oxford e simulam situações em que altas emissões de dióxido de carbono são amplificadas pelo efeito de retroalimentação (feedback) dos ciclos de carbono. Este é o nome dado por cientistas aos ciclos de absorção e liberação de carbono por florestas e oceanos. As simulações apresentadas em Oxford indicam que a Amazônia é uma das regiões que mais vai sofrer com o aquecimento global. No entanto, para o cientista José Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), um aquecimento global de 4ºC elevaria a temperatura na região amazônica em cerca de 5ºC. “Este tipo de acréscimo na temperatura já seria pior do que os cenários mais extremos do IPCC”, disse Marengo à BBC Brasil. Nordeste Outros modelos indicam que a probabilidade de um aquecimento de 3,3ºC até 2100 é maior que 50% em um cenário de altas emissões. José Marengo já aplicou uma versão do modelo climático desenvolvido pelo Hadley Centre sobre um cenário de altas emissões para investigar as conseqüências desse aquecimento global de 3,3ºC no Nordeste. O cientista do INPE descobriu que o acréscimo seria ainda mais dramático na “região mais vulnerável às mudanças climáticas no Brasil, uma das mais vulneráveis da América do Sul”. O estudo de Marengo indica que até 2100 as chuvas no Nordeste seriam reduzidas entre 40% e 60% em comparação com os níveis atuais. A duração média da temporada seca saltaria de 12 dias para 30 dias por ano, aumentando o risco de estiagens, e a área utilizável para plantações de grãos como arroz, feijão e soja também cairia significativamente. Hidrelétricas Marengo afirma estar particularmente preocupado com os impactos sobre a geração de energia hidrelétrica. Ele cita como exemplo disso a Bacia do Rio São Francisco, que deve registrar uma redução em torno de 25% no volume d’água, o que afetaria severamente a produção de eletricidade da região. Além disso, o pesquisador do INPE lembra que a densidade demográfica no Nordeste é muito maior do que na Amazônia. Os impactos das mudanças climáticas sobre pequenos produtores rurais levariam a movimentos migratórios. O novo estudo do Hadley Centre mostra fortes variações na subida de temperatura e no regime de chuvas nas várias regiões do planeta. Na América Central, as consequências do aquecimento global são menos disputadas. Deve ser registrada uma queda de pelo menos 20% no volume de chuvas lá, na hipótese de 4ºC. Mais ao sul do continente, na região da Argentina, por exemplo, a previsão é de um aumento nas chuvas. Caribe Na conferência de Oxford, outros cientistas apresentaram estudos que indicam consequências graves para as regiões mais baixas da América Latina e do Caribe, na hipótese de um aquecimento de 4ºC. O cientista Stefan Rahmstorf, do Instituto de Potsdam, na Alemanha, afirmou que um aquecimento neste nível elevaria o nível do mar entre um metro e 1,3 metros até 2100 em relação aos níveis de 1990. Os países mais ameaçados pela subida dos oceanos são Guiana, Suriname, Belize, Jamaica, Equador e o território da Guiana Francesa, além da Península de Yucatán, no México. O Met Office apresentou mapas na conferência que mostram que grande parte dessas áreas já está enfrentando a elevação do nível do mar. A comunidade científica concorda ser possível se preparar para enfrentar o problema porque a elevação acontece vagarosamente. No entanto, a combinação de ressacas, furacões de maior intensidade e a elevação do nível oceânico pode provocar problemas mais imediatos. Desde o fim da década de 90, as emissões de gases do efeito estufa vêm ficando próximas às previsões mais extremadas do IPCC. No seu relatório de 2007, o IPCC afirma que, na pior das hipóteses, a temperatura global subiria 4ºC até o fim do século, caso a emissão de gases do efeito estufa continuasse a crescer, embora um aquecimento maior não tenha sido descartado. No mesmo relatório, o painel de cientistas convocado pelas Nações Unidas recomenda limitar o aquecimento global a 2ºC para evitar conseqüências “potencialmente dramáticas” das mudanças climáticas.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Estudo britânico estima que temperatura da Terra pode subir 4ºC em apenas 50 anos

Ciclo do carbono reforça aquecimento e piora cenário de emissões. Um relatório do principal centro de pesquisas sobre mudanças climáticas da Grã-Bretanha alertou nesta segunda-feira para um aumento de 4º C na temperatura do planeta em apenas 50 anos caso as emissões de carbono não sejam reduzidas em breve. O estudo Four degrees and beyond do Centro Hadley, financiado pelo governo britânico, constitui o alerta mais grave já divulgado sobre o aquecimento global desde que o Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática (IPCC), órgão científico da ONU, estimou em 2007 que a temperatura do planeta pode subir entre 1,8ºC e 4ºC até o fim deste século. Utilizando novos dados a partir de análises sobre o ciclo do carbono e de observações atualizadas de emissões de países emergentes, como China e Índia, as conclusões não apenas reforçam a possibilidade do pior cenário do IPCC como reduzem pela metade o tempo disponível para ação. Segundo o Centro Hadley, em um cenário de altas emissões, o derretimento de neve e gelo no Ártico poderia elevar a absorção de raios solares e elevar a temperatura ártica em até 15,2ºC. Secas atingiriam severamente o oeste e sul da África, afetando a disponibilidade de água, segurança alimentar e saúde da população. O estudo diz que todos os modelos indicam reduções na precipitação de chuvas também na América Central, no Mediterrâneo e partes da costa australiana. Em outras áreas, o aumento da temperatura em 50 anos poderia ser de 7º C. Já o padrão das chuvas seria severamente afetado na Índia – onde o nível de precipitações poderia aumentar 20% ou até mais, piorando o risco de enchentes. Não bastasse o cenário consideravelmente pior do que os cientistas pensavam, o estudo alerta ainda que, em um cenário de emissões altas, a previsão de aumento de 4º C podem ser “adiantada em 10 anos, ou até 20 anos em casos extremos”. Entretanto, concedem os cientistas, ainda há tempo de evitar o pior cenário se as emissões de carbono começarem a baixar de nível dentro da próxima década. Ação O estudo está sendo apresentado em uma conferência sobre a mudança climática na cidade inglesa de Oxford, e sai a público no mesmo dia em que delegados de 190 países se reúnem em Bangcoc, na Tailândia, para uma nova rodada de negociações antes da reunião da ONU em Copenhague, na qual espera-se um novo acordo de emissões de carbono em substituição ao Protocolo de Kyoto, vigente até 2012. Líderes mundiais têm reiterado a necessidade de limitar a elevação da temperatura global nas próximas décadas em 2º C. O analista de ambiente da BBC Roger Harrabin, aponta a questão tem esbarrado nos recursos que serão necessários para limpar a matriz energética global. Um dos pontos fundamentais, diz o especialista, é que países em desenvolvimento querem ajuda para arcar com os custos de tal empreitada. O premiê britânico, Gordon Brown, tem falado em uma cifra de US$ 100 bilhões para conter o aquecimento global através do combate à pobreza. A União Europeia tem concordado. No entanto, o presidente americano, Barack Obama, que preside a nação que mais polui em termos per capita, tem encontrado dificuldades para aprovar leis de controle de emissões no Congresso americano, ainda que reafirme a “determinação” dos seu país para agir e assumir suas “responsabilidades” em relação ao aquecimento global. Na semana passada, a China anunciou que vai redobrar os investimentos em eficiência energética para reduzir as suas emissões de CO2 em uma “margem notável” – porém ainda não precisada – até 2020. Tanto a China como os EUA repondem por cerca de 20% das emissões de dióxido de carbono provenientes da queima de carvão, gás natural e petróleo. A União Europeia produz 14% do total, seguida por China e Rússia, cada qual com 5%.