sábado, 29 de junho de 2019

Volume d’água perdido no sistema de abastecimento equivale a 7 sistemas Cantareira

 Volume de água que é perdida no sistema de abastecimento no país equivale a quase sete sistemas Cantareira.
Em termos percentuais a água desperdiçada no país significa 38,3% da água tratada.
O volume de água que é perdida no sistema de abastecimento vem crescendo no Brasil e chega a mais de 6,5 bilhões de metros cúbicos (m³) por ano, segundo estudo divulgado ontem (5) pelo Instituto Trata Brasil e a consultoria GO Associados. A quantidade de água é equivalente a quase sete vezes o volume útil do Sistema Cantareira, principal manancial que abastece a Grande São Paulo. Em termos percentuais, significa que 38,3% da água tratada foi desperdiçada antes de chegar aos destinatários finais.
Em algumas partes do país, o problema é ainda mais crítico. O percentual de perdas na Região Norte chega a 55,14%. Em Roraima, a cada 100 litros fornecidos pelas companhias de abastecimento, apenas 25 litros chegam aos clientes. No Amazonas, o percentual de perdas é de 69% e no Amapá, de 66%. No Nordeste, 46,25% da água é desperdiçada. No Maranhão, o percentual chega a 60% e em Pernambuco, a 52%. Em São Paulo e no Paraná, é de 35%.
Para efeitos de comparação, o estudo destaca que na Dinamarca o índice de perdas é de 6,9%; nos Estados Unidos, de 10,3%, e na Coreia do Sul, de 16,3%. O Brasil apresenta resultados piores do que outros países latino-americanos, como o México, que desperdiça 24,1% da água tratada, o Equador, 31,1%, e o Peru, 35,6%.
Prejuízo crescente
As perdas de água também vêm tendo um ligeiro crescimento nos últimos anos. Os dados de 2015 apontavam para um índice de 36,7%, em 2016 ficou em 38,1% e em 2017, últimos números disponíveis e que embasam a pesquisa do Trata Brasil, chegou a 38,3%. Em valores, o total perdido pelas companhias distribuidoras fica em R$ 11,4 bilhões ao ano.
Alguns estados e regiões, no entanto, apresentam resultados muito melhores do que a média nacional. Em Goiás, as perdas ficam em 26%, e no Rio de Janeiro em 31%. Em Santos, no litoral paulista, o índice de perdas é de apenas 14,32%, em Limeira, no interior de São Paulo, de 18,62%, e em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, de 19,38%.
Falta de investimento
Para o sócio da GO Associados Pedro Scazfuca, o cenário demonstra um desinteresse em fazer investimentos que reduzam o desperdício nos sistemas de abastecimento. “Há uma falta de esforço para reduzir as perdas. Não tem sido feito o investimento necessário. A tendência natural de um sistema de abastecimento de água é aumentar as perdas, porque a estrutura vai ficando mais velha, sujeita a maior desperdício”, disse.
As cidades que conseguem os melhores resultados são aquelas que, segundo o especialista, focam não só na melhoria da estrutura de distribuição, como também no combate a fraudes e ligações clandestinas. “As perdas comerciais são muito representativas para as empresas do ponto de vista de receita. Reduzir as fraudes, melhorar a leitura dos hidrômetros, tudo isso contribui para a redução de perdas”.
Controle
O presidente da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), Hélio de Castro, avalia que uma melhoria no controle dos sistemas pode indicar que as perdas são ainda maiores. “A tendência é que os indicadores piorem”, ressaltou, ao lembrar que o Sistema Nacional de Informações de Saneamento, usado como base do estudo, é elaborado a partir de informações repassadas pelas pelas próprias empresas de distribuição de água.
O ex-presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) Gesner Oliveira, avalia que nos locais onde há grandes perdas, o retorno dos investimentos para reduzir o desperdício tende a recompensar as companhias. “Você cair de 68% para 48% é relativamente fácil e os retornos são elevados”, disse. Em sistemas onde as perdas são menores, o esforço das empresas, segundo ele, tem que ser maior. (ecodebate)

Lixões e queima irregular liberam 6 milhões de toneladas de gás estufa/ano

Lixões e queima irregular de resíduos liberam 6 milhões de toneladas de gás de efeito estufa ao ano.
A permanência de lixões para descarte de lixo no Brasil e a queima irregular de resíduos respondem por cerca de 6 milhões de toneladas de gás de efeito estufa ao ano (CO2eq), aponta levantamento do Departamento de Economia do Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (Selurb). O montante é o equivale ao gás gerado por 3 milhões de carros movidos a gasolina anualmente. O estudo foi divulgado por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 05/06/19, que tem como temática em 2019 – definida pela Organização das Nações Unidas (ONU) – a questão da “Poluição do Ar”.
“Os resultados expressivos revelam um descaso em relação a uma questão que, muitas vezes, é invisível, que é a destinação inadequada de resíduos, mas que apesar de ser aparentemente invisível, impacta de uma maneira profunda na sociedade, principalmente em termos ambientais”, disse o economista do Selurb, Jonas Okawara, responsável pelo estudo. Os dados estão baseados em um cruzamento de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) a partir de um cálculo sugerido pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, pela sigla em inglês), da ONU.
Segundo o levantamento, a emissão dos gases decorrentes da queima de lixo nos depósitos irregulares é equivalente ao movimento anual de uma frota superior a 130 mil carros. A pesquisa aponta que, de acordo com o IBGE, cerca de 7,9% do total de resíduos gerados são queimados na própria residência. “Considerando que cerca de 78,4 milhões de toneladas de resíduos foram geradas no país em 2017, significa dizer que aproximadamente 6 milhões de toneladas de resíduos foram incinerados ilegalmente”, diz o estudo. Partindo desses dados, chegou-se ao resultado de que a queima de lixo irregular é responsável pela geração anual de 256 mil toneladas de CO2.
A produção de gás metano (CH4) oriundo da decomposição dos resíduos levados para lixões, por sua vez, é próximo ao impacto da atividade do vulcão Etna, na Itália, para o aquecimento global. O Selurb aponta que, se essa quantidade fosse revertida em biogás para produção de energia elétrica em aterros sanitários apropriados, seria possível abastecer a área residencial de uma cidade com 600 mil habitantes. Okawara explicou que a produção de CH4 não acaba com a interrupção do despejo irregular de resíduos. O lixo destinado de maneira errada hoje pode deixar de emitir o gás definitivamente daqui a 30 anos.
Solução
Entre as medidas necessárias para mitigar os efeitos a decomposição dos resíduos sólidos, a Selurb destaca o fim dos “cerca de 3 mil lixões existentes no país e instalação de cerca de 500 aterros sanitários capazes de fazer toda a gestão dos resíduos”.
Dados do Selurb e da PwC (PricewaterhouseCoopers) apontam que 53% das cidades brasileiras ainda destinam o lixo incorretamente para vazadouros clandestinos; a cobertura dos serviços de limpeza urbana (coleta porta a porta) está longe da universalização (76%); 61,6% dos municípios ainda não estabeleceram fonte de arrecadação específica para custear a atividade; e o índice de reciclagem no Brasil não passa dos 3,6%.
Para Okawara, as soluções passam por um planejamento e atuação conjunta das esferas municipais, estaduais e federal. Ele avalia, no entanto, que são necessárias medidas punitivas mais severas para fazer avançar a Política Nacional de Resíduos Sólidos.
“Hoje não vai pra frente porque não tem punição mais severa em relação não só aos prefeitos, mas a sociedade em si. A sociedade não tem um engajamento necessário para fazer com que o tempo dos resíduos sólidos possa evoluir da maneira como o tema demanda”, disse. (ecodebate)

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Mundo com mais idosos e menos crianças a partir de 2019

O mundo com mais idosos do que crianças pequenas a partir de 2019.
O ano de 2019 é um marco no processo de envelhecimento da população global. Pela primeira vez na história, o número de idosos de 65 anos e mais de idade serão superiores ao número de crianças pequenas de 0 a 4 anos. Vale dizer, o mundo passa a ter mais “avós do que netos”.
A mudança nas curvas acontece no corrente ano, mas vai se acentuar ao longo do século XXI, pois a população de 0 a 4 anos de idade vai ficar aproximadamente estável, em torno de 650 a 700 milhões de crianças, enquanto a população de 65 anos e mais de idade vai passar de 700 milhões de idosos, em 2019, para cerca de 2 bilhões de pessoas em 2075 e para 2,5 bilhões em 2100, conforme mostra o gráfico abaixo, com base nos dados demográficos da Divisão de População da ONU.
Em 2075, o número de idosos vai ultrapassar o número de crianças e jovens de 0 a 14 anos, ou seja, o Índice de Envelhecimento (IE) será superior a 100, indicando que o mundo será efetivamente idoso a partir desta data. Esta mudança na relação intergeracional é inédita desde o surgimento do Homo sapiens, pois o mundo sempre teve uma estrutura etária rejuvenescida, mas está em processo acelerado de envelhecimento populacional e terá uma estrutura, inquestionavelmente, envelhecida a partir do último quartel do século XXI.
No caso brasileiro, o processo de envelhecimento populacional é ainda mais precoce e acelerado, conforme mostra o gráfico abaixo, também com base nos dados da Divisão de População da ONU. Nota-se que, no Brasil, o número de idosos de 65 anos e mais de idade ultrapassaram o número de crianças pequenas de 0 a 4 anos no ano de 2013 e vai superar o número de crianças e jovens de 0 a 14 anos em 2037. Portanto, o Brasil está mais adiantado no processo de envelhecimento do que a média mundial e será um país, efetivamente, idoso a partir de 2037.
O envelhecimento populacional é uma realidade que ninguém pode negar e que traz, como tudo na vida, oportunidades e desafios. Cabe às pessoas, às famílias, ao setor produtivo e às políticas públicas se adaptar à nova estrutura etária, caracterizada por uma base da pirâmide populacional estreita e um topo alargado, conforme mostram as figuras abaixo.
As transformações demográficas são significativas no mundo e, especialmente, no Brasil, afetando toda a sociedade. Assim, é necessário que os países se adaptem a essa nova realidade. Mas embora o Brasil e o mundo tenham cada vez mais “avós do que netos”, as políticas públicas não devem focar apenas no topo da pirâmide, pois somente com a solidariedade intergeracional é possível atender as demandas das crianças, dos jovens, adultos e idosos.
Apesar das gerações terem capacidades e necessidades diferentes, somente o relacionamento justo, mesmo que desigual e combinado, pode garantir o futuro de prosperidade comum para toda a população, independentemente do posicionamento de cada indivíduo na estrutura de sexo e idade que constitui o pilar da dinâmica social de cada nação. (ecodebate)

Como está o ar que respiramos?

Dados fornecidos pela ONU Meio Ambiente — a agência ambiental da Organização das Nações Unidas (ONU) — demonstram que 9 em cada 10 pessoas no mundo estão expostas a altos níveis de poluição do ar, excedendo os padrões considerados seguros pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Aproximadamente 7 milhões de pessoas morrem prematuramente ao ano acometidas de doenças ocasionadas pelo mesmo problema. Em grandes cidades, onde o parque industrial e concentração urbana são maiores, as emissões nocivas se mostram mais elevadas, comprometendo a saúde da população e ambiental.
A poluição do ar reflete também na poluição do solo por meio da emissão do gás ozônio. Até 2013, houve uma redução na produção de cultivos básicos em 26%, dados que nos fazem pensar em como podemos contribuir para minimizar esses problemas.
A comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho) é justamente para sensibilizar e conscientizar as pessoas sobre a utilização e preservação dos recursos naturais, garantindo a qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável. Essa data representativa foi criada em 5 de junho de 1972 pela ONU com a abertura da Conferência de Estocolmo, na qual vários países decidiram lutar juntos, a favor da preservação do ecossistema e pelas ações em prol do meio ambiente.
Assim, o uso do solo, da água e a qualidade do ar são temas atuais e polêmicos. A grande indagação que se faz é: até quando esses recursos naturais estarão disponíveis sem comprometer a vida no planeta? Vários são os casos de uso do solo irregular causando desmoronamento e erosão, assim como de corpos hídricos contaminados por substâncias tóxicas. Há necessidade urgente de repensarmos a forma da sua utilização para que não aconteçam desastres ambientais em que não só o ambiente sofre, mas também as pessoas.
A ONU propõe instigar governos, indústrias, comunidades e indivíduos a pensar em alternativas sobre a exploração de energia renovável e tecnologias verdes, conseguindo assim uma melhoria na qualidade do ar, começando pelas cidades e abrangendo o mundo.
Essa é uma chamada ousada, pois o planeta é muito diverso e possui necessidades diferentes, mas ao mesmo tempo similares no que diz respeito às consequências da poluição do ar. Ações antrópicas, aquelas realizadas pelo homem, se mostram mais influentes em relação à poluição do ar.
Que ações podem ser praticadas como forma de minimização desse problema? Algumas dessas ações podem ser viabilizadas, por exemplo, na educação ambiental nas escolas e comunidades sociais, na utilização de bicicletas e patinetes, na redução de geração de resíduos, no uso racional dos recursos naturais, na implantação de modalidades de transportes alternativos, em carros movidos a combustíveis mais limpos e elétricos, entre outras. Esses meios auxiliam na melhoria da mobilidade urbana, na saúde dos seres vivos e do próprio meio ambiente. Assim, haverá redução na queima de combustíveis fósseis e também menos riscos no comprometimento da qualidade do ar, do solo e corpos hídricos.
As ações implantadas por governantes, pelas indústrias e pela população em geral (mesmo que a princípio sejam consideradas ações de pouco impacto positivo) contribuirão de forma significativa para a qualidade de vida do planeta e dos seres vivos quando somadas e vistas em longo prazo. (ecodebate)

terça-feira, 25 de junho de 2019

2.000 anos de crescimento demoeconômico global

Dois mil anos de crescimento demoeconômico global.
Dois mil anos de crescimento demoeconômico global
O crescimento da população e da economia nos últimos dois mil anos foi algo impressionante. Do ano 1 da Era Cristã até o ano 2000, a população mundial passou de cerca de 225 milhões de habitantes para 6 bilhões de habitantes e a renda per capita global passou de $ 467 para $ 6.055 (dólares internacionais em poder de paridade de compra – ppp, na sigla em inglês). Isto quer dizer que o PIB global era de $ 106 bilhões no ano 1 e passou para $ 36,3 trilhões no ano 2000.
O crescimento da população foi de 26,5 vezes em dois mil anos, enquanto o crescimento da economia foi de 342,7 vezes. Isto quer dizer que a renda per capital mundial cresceu 13 vezes no período.
Mas o crescimento demoeconômico não foi uniforme ao longo dos dois milênios. Entre o ano 1 e o ano de 1500, a população passou de 226 milhões de habitantes para 438,4 milhões (um aumento de 1,93 vezes), enquanto a renda per capita passou de $ 467 para $ 566 (uma aumento de 1,2 vezes). Ou seja, a população cresceu menos de 2 vezes e a renda per capita cresceu apenas 20% em um milênio e meio.
Entre 1500 e cerca de 1800 a população mundial passou de 438,4 milhões de habitantes para 1 bilhão de habitantes (um crescimento de 2,28 vezes). No mesmo período a renda per capita global passou de $ 566 para $ 667 (um crescimento de 1,2 vezes). Portanto, houve uma aceleração da população neste período, mas a renda per capita continuou praticamente estagnada.
Todavia, tudo mudou com o desenvolvimento da Revolução Industrial e Energética que começou nas últimas décadas do século XVIII. Houve uma grande aceleração do ritmo do crescimento demoeconômico. Nos cerca de 200 anos, entre o início do século XIX e o final do século XX, a população mundial passou de 1 bilhão de habitantes para 6 bilhões (um crescimento de 6 vezes). Já a renda per capita passou de $ 667 por volta de 1800 para $ 6.055 no ano 2000 (um aumento de 9,1 vezes em dois séculos).
O que os dados do gráfico acima mostram é que a Revolução Industrial, que iniciou por meio de avanços tecnológico e o uso em larga escala de energia extrassomática (combustíveis fósseis), acelerou o ritmo de crescimento da população e da economia. A despeito das desigualdades sociais, o avanço no padrão de vida da humanidade foi muito significativo. A esperança de vida ao nascer da população mundial que estava em torno de 25 anos em 1800, ultrapassou os 70 anos no início dos anos 2000. Cerca de 94% da população mundial vivia abaixo da linha de extrema pobreza no início do século XIX e esta percentagem caiu para 10% em 2015.
O gráfico abaixo mostra, de forma esquemática, como se dá o processo de transição demográfica (TD). Primeiro caem as taxas de mortalidade e só depois de certo tempo cai a taxa de natalidade. Em decorrência, há uma aceleração do crescimento populacional e depois uma desaceleração. A TD provoca também uma mudança na estrutura etária.
Indubitavelmente, houve um aumento significativo do padrão de vida dos seres humanos nos últimos 200 anos. Mas todo o enriquecimento da humanidade ocorreu às custas do empobrecimento da natureza e do holocausto biológico dos demais seres vivos do Planeta.
O crescimento demoeconômico foi tão grande que o volume de atividades produzidos pela civilização ultrapassou os limites da resiliência do Planeta.
O caminho adotado desde a Revolução Industrial e Energética chegou numa encruzilhada, pois não dá mais para continuar a insana marcha forçada de crescimento e acumulação de capital, pois, ecologicamente, é insustentável manter o grau de exploração dos recursos naturais e muito menos manter elevado nível de descarte de resíduos sólidos, poluição em geral e aumento das emissões de gases de efeito estufa.
Não há muitas alternativas para o terceiro milênio. Ou a curva de crescimento demoeconômico sofre uma inflexão urgente, ou a humanidade terá que enfrentar um colapso ambiental de grandes proporções, só comparável com aquele momento em que a Terra foi atingida por um grande meteoro que provocou uma extinção em massa da vida no Planeta e o desaparecimento dos dinossauros.
O “meteoro” que está provocando uma grande extinção de espécies no Antropoceno e gerando mudanças climáticas catastróficas se chama ser humano, mas que ter o mesmo destino dos dinossauros.
A destruição da natureza continua em ritmo assustador no século XXI. A promessa do desenvolvimento sustentável e da economia verde se mostraram uma ilusão. A desmaterialização e a descarbonização da economia – promessa da 4ª Revolução Industrial, baseada na Internet, celulares, impressoras 3D, etc. – não aconteceu na prática. A extração global de recursos naturais foi elevada entre 1970 e 2010. Como mostra o “Paradoxo de Jevons”, a maior eficiência energética e a menor intensidade de uso de materiais não elimina o fato da demanda agregada aumentar o uso global dos recursos naturais. (ecodebate)

Crescimento da Pegada Ecológica no mundo e nos continentes

O grande crescimento da Pegada Ecológica no mundo e nos continentes.
“A civilização é a multiplicação ilimitada de necessidades desnecessárias” - Mark Twain.
O mundo tinha superávit ambiental em 1961. A pegada ecológica total era de 7 bilhões de hectares globais (gha) para 9,6 bilhões de gha de biocapacidade. A pegada ecológica per capita era de 2,29 gha e a biocapacidade per capita de 3,13 gha, para uma população em torno de 3 bilhões de habitantes, em 1961.
A figura acima, com dados sobre a pegada ecológica total para os continentes, mostra (gráfico pequeno) que, em 1961, o continente europeu tinha a maior pegada ecológica total, com 2,5 bilhões de gha. Em 2° lugar vinha a América do Norte com 1,7 bilhão de gha. Em 3°lugar a Ásia com 1,6 bilhão de gha. Em 4° lugar, a América Latina e Caribe (ALC) com 0,51 bilhão de gha. Em 5° lugar a África com 0,36 bilhão de gha. Em último lugar a Oceania com 0,09 bilhão de gha.
Os dois primeiros tinham déficit ambiental em 1961, a Ásia tinha equilíbrio entre a pegada ecológica e a biocapacidade e os outros 3 continentes tinham superávit ambiental. O déficit ambiental na Europa e na América do Norte era claramente em função do alto consumo per capita, se bem que a população europeia já apresentava uma alta densidade demográfica.
Mas o quadro ecológico se agravou muito nas décadas seguintes e o mundo passou a ter déficit ambiental em 2014, com a Ásia liderando a maior pegada ecológica e o maior déficit entre todos os continentes, conforme mostra a figura acima (gráfico grande).
Em 2014, a Ásia tomou a liderança da maior degradação ecológica com 10,5 bilhões de gha (tendo apenas 3,4 bilhões de gha de biocapacidade). Em 2° lugar a Europa tinha uma pegada ecológica total de 3,5 bilhões de gha (para uma biocapacidade de 2,2 bilhões de gha). Em 3° lugar a América do Norte com pegada ecológica total de 3 bilhões de gha (para uma biocapacidade de 1,7 bilhão de gha). Em 4° lugar a ALC com pegada ecológica total de 1,71 bilhão de gha, mas com biocapacidade de 3,1 bilhões de gha. Portanto, a ALC tem superávit ambiental. Em 5° lugar a África com pegada ecológica total de 1,69 bilhão de gha, mas com biocapacidade de 1,4 bilhão de gha. Portanto, a África que tinha superávit ambiental no século passado, passou a ter déficit ambiental a partir de 2009. Por último, a Oceania com pegada ecológica total de 0,18 bilhão de gha para uma biocapacidade de 0,32 bilhão de gha, em 2014.
Muitas pessoas consideram que o déficit ambiental é um problema derivado apenas do alto consumo. Porém, em 2014, a Ásia tinha uma pegada ecológica per capita de 2,39 gha, menor do que a pegada ecológica per capita mundial de 2,84 gha. O que provocou o grande déficit ambiental asiático foi o tamanho da população que era de 4,4 bilhões de habitantes.
A Europa que tinha pegada ecológica per capita de 4,7 gha, tinha uma população de 740 milhões de habitantes em 2014. A América do Norte que tinha pegada ecológica per capita de 8,3 gha (cerca de 3 vezes a pegada mundial), tinha uma população de 353 milhões de habitantes em 2014. Nestes dois continentes, com volumes populacionais relativamente pequenos, sem dúvida, o alto consumo per capita é a principal causa do déficit ambiental.
Na ALC, em 2014, a pegada ecológica per capita foi de 2,77 gha (para biocapacidade per capita de 5,27 gha) para uma população de 625,6 milhões de habitantes. O superávit ambiental da América Latina em relação à Europa que tinha déficit, se deve a um menor padrão de consumo (menor pegada) e menor população. A ALC tem o maior superávit ambiental global entre todos os continentes.
A Oceania também possui superávit ambiental, embora tenha uma pegada ecológica per capita elevada, de 6,78 gha. Qual é a diferença em relação à Europa que tem déficit ambiental? Certamente é o volume da população, que na Oceania é de apenas 39 milhões de habitantes. Ou seja, o alto consumo da Austrália não gera déficit ambiental porque tem uma população reduzida.
O menor consumo per capita, entre todos os continentes, ocorre na África, com pegada ecológica de somente 1,39 gha. Mesmo assim, o superávit ambiental se transformou em déficit, pois a população africana que era de 292 milhões de habitantes em 1961 passou para 1,16 bilhão de habitantes em 2014. Ou seja, não se pode pregar a redução do consumo para reduzir o déficit ambiental da África. Evidentemente, quanto mais crescer a população, maior será o déficit ambiental do continente.
Nos últimos 45 anos a Pegada Ecológica mundial ultrapassou a biocapacidade do Planeta. Desde o início dos anos 1970, o déficit ambiental vem subindo constantemente. Em 2014, o mundo tinha uma população 7,4 bilhões de pessoas, com uma pegada ecológica per capita de 2,84 hectares globais (gha) e uma biocapacidade per capita de 1,68 gha, como resultado houve um déficit total de 68%. Ou dito de outra maneira, o mundo estava consumindo o equivalente a 1,68 planetas. Portanto, a população mundial vive no vermelho e provoca um déficit ambiental que cresce a cada ano. A humanidade ultrapassou a capacidade de carga do Planeta.
A economia é um subsistema da ecologia. Desta forma, a Pegada Ecológica gerada pela economia não pode ser maior do que a biocapacidade fornecida pela ecologia. Para manter a sustentabilidade e garantir o adequado padrão de vida da população mundial, sem degradar as condições ambientais, a Pegada Ecológica, no longo prazo, não pode ser maior do que a biocapacidade. Ou se muda o atual modelo insustentável ou haverá um colapso ecológico que inviabilizará a vida sobre a Terra. (ecodebate)

domingo, 23 de junho de 2019

Trocar a água por CO2 capturado é mais eficaz e ecológico

Trocar a água por CO2 atmosférico capturado pode tornar o fracking mais ecológico e mais eficaz.
Cientistas da Academia Chinesa de Ciências e da Universidade de Petróleo da China (Beijing) demonstraram que o CO2 pode produzir um melhor fluido de fraturamento hidráulico (fracking) do que a água.
A pesquisa, publicada em 30 de maio na revista Joule , poderia ajudar a preparar o caminho para uma forma mais ecologicamente correta de fracking que seria um mecanismo para armazenar CO2 atmosférico capturado.
O fracking é uma técnica usada para extrair recursos de reservatórios não convencionais nos quais o fluido (geralmente água misturada com areia, agentes espumantes, biocidas e outros produtos químicos) é injetado na rocha, fraturando-a para liberar os recursos dentro dela. Dos cerca de 7 a 15 milhões de litros de fluido injetado, 30% a 50% permanecem na formação rochosa após o término da extração. O alto consumo de água, os riscos ambientais e os frequentes problemas de produção levaram a preocupações com o fracking entre especialistas do setor e defensores do meio ambiente.
“A fratura não aquosa pode ser uma solução potencial para contornar esses problemas”, diz Nannan Sun, pesquisador do Instituto de Pesquisa Avançada de Xangai da Academia Chinesa de Ciências. “Escolhemos o fraturamento de CO2 a partir de uma gama de opções, porque o processo inclui múltiplos benefícios. No entanto, ainda não tínhamos uma compreensão fundamental da tecnologia, o que é muito importante para seu desenvolvimento e implantação posteriores.”

Os benefícios da fraturação do CO2 incluem a eliminação da necessidade de um grande suprimento de água (o que tornaria o fraturamento viável em locais áridos), reduzindo o risco de danos aos reservatórios (como acontece frequentemente quando soluções aquosas criam bloqueios na formação rochosa) e repositório para CO2 capturado.
No entanto, o CO2 não é susceptível de se tornar comumente usado como fluido de fraturamento, a menos que seja mais eficaz do que a água na produção de recursos. Para investigar as diferenças entre o CO2 e a água como fluidos de fraturamento em um nível microscópico, Sun e sua equipe coletaram afloramentos de xisto de Chongqing, na China, e fraturaram-nos com ambos os fluidos. Eles descobriram que o CO2 superou a água, criando redes complexas de fraturas com volumes estimulados significativamente maiores.

“Nós demonstramos que o CO2 tem maior mobilidade do que a água e, portanto, a pressão de injeção pode ser melhor entregue na porosidade natural da formação”, diz Sun. “Isso muda o mecanismo pelo qual as fraturas são criadas, gerando redes de fraturas mais complexas que resultam em uma produção de gás de xisto mais eficiente”.
Embora os pesquisadores acreditem que esta tecnologia de fraturamento hidráulico será escalável, seu desenvolvimento em larga escala está atualmente limitado pela disponibilidade de CO2. O custo do CO2 capturado a partir de fontes de emissão ainda é proibitivamente caro para tornar o CO2 uma substituição de fluido de fracking em toda a indústria.

A equipe também observa que, uma vez que o CO2 tenha sido injetado na fratura, ela adquire uma baixa viscosidade que inibe o transporte efetivo de areia para as fraturas. Como a areia destina-se a abrir as fraturas enquanto o gás de xisto é colhido, é essencial que os cientistas aprendam a melhorar a viscosidade do fluido – mas a equipe ainda não sabe como fazê-lo, mantendo os custos baixos e minimizando a pegada ambiental.
Como próximos passos, os pesquisadores planejam estudar os limites da tecnologia de fraturamento de CO2 para entender melhor como ela pode ser usada. “Mais investigações são necessárias para identificar os efeitos do tipo de reservatório, as propriedades e condições geomecânicas, a sensibilidade à formação de CO2 e assim por diante”, diz Sun. “Além disso, a cooperação com indústrias será realizada para impulsionar a implementação prática da tecnologia.” (ecodebate)

Recifes de coral podem não sobreviver à acidificação dos oceanos

Acidificação dos oceanos ameaça corais.
O estudo foi conduzido por pesquisadores do Centro de Excelência ARC de Coral Reef Studies (Coral CoE). Seus resultados sugerem que alguns corais e algas coralinas – a “cola” que mantém os recifes juntos – não podem sobreviver aos esperados oceanos mais ácidos causados pela mudança climática.
“Os resultados validam pesquisas anteriores sobre ameaças de acidificação dos oceanos aos recifes de corais”, disse o principal autor do estudo, Dr. Steeve Comeau, que atualmente trabalha no Laboratório de Océantropia de Villefranche sur Mer da Sorbonne Université CNRS, na França.
Coautor Prof Malcolm McCulloch, de Coral CoE na Universidade da Austrália Ocidental, disse que os pesquisadores examinaram o líquido calcificante de quatro espécies de coral e dois tipos de algas coralinas, sob uma simulação de um ano de duração.
A acidificação do oceano, uma das consequências das mudanças climáticas, reduz o instinto de sobrevivência dos peixes e os expõe aos predadores.
“Os efeitos sobre o fluido calcificante foram rápidos e persistiram durante todo o ano”, disse o professor McCulloch.
O coautor Dr. Chris Cornwall, agora na Universidade Victoria de Wellington na Nova Zelândia, explicou que as algas coralinas cimentam os recifes, agindo como uma espécie de fundação e terreno fértil para muitas espécies desde os polos até os trópicos.
“Declínios em algas coralinas podem levar à perda de espécies marinhas importantes que usam as algas como viveiro”, explicou ele.
“Os resultados também confirmam que a acidificação dos oceanos pode ter repercussões na competição entre espécies. Isso pode afetar a função ecológica dos recifes”, acrescentou Comeau.
Ele disse que a equipe encontrou duas espécies de corais resistentes à acidificação dos oceanos. No entanto, estes são os corais que eram resistentes desde o início.
“Isso indica que eles já tinham um mecanismo embutido que os tornava resistentes”, explicou ele, “enquanto os corais sensíveis foram afetados desde o início e não foram capazes de se aclimatar”.
O estudo sugere que a composição e a função dos futuros recifes – se eles sobreviverem às mudanças climáticas – serão muito diferentes do que vemos hoje.
Algas coralinas Crustose entre algas marrons, ilha de Rottnest. (ecodebate)

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Expansão urbana desordenada faz faltar água na macrometrópole paulista

Expansão urbana desordenada aumenta risco de faltar água na macrometrópole paulista.

Território ocupado por população vivendo em condições precárias nos municípios da região tem se estendido em direção a áreas de mananciais e de preservação ambiental, apontam pesquisadores (Comunidade Cantinho do Céu, às margens da Represa Billings).
Estudo divulgado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) mostra que a expansão urbana desordenada da população de baixa renda na chamada macrometrópole paulista se estende para áreas de preservação ambiental, pondo em risco o abastecimento de água na região. Do total de 33 milhões de habitantes da macrometrópole paulista, 3,8 milhões vivem hoje em condições precárias.
Essa população está distribuída em 113 dos 174 municípios, que englobam as regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas, Baixada Santista, Sorocaba, Vale do Paraíba e Litoral Norte, além das aglomerações urbanas de Jundiaí, Piracicaba e Bragança Paulista.
A estimativa é que o território ocupado tenha 31,5 mil quilômetros e vem se expandindo em direção a áreas de mananciais e de preservação ambiental.
A ocupação urbana desordenada tem aumentado os riscos de escassez hídrica na região, que concentra 20% do patrimônio natural protegido do estado.
A avaliação foi feita por pesquisadores participantes do Fórum de Governança Ambiental da Macrometrópole Paulista, realizado em abril no Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP).
Construções às margens da Represa Billings, um dos principais reservatórios de água da região metropolitana de São Paulo.
“Ao analisar a distribuição populacional na região, é possível identificar um padrão de ocupação disperso e descontrolado associado à renda. Há uma concentração de residências de pessoas de alta e média renda próximas aos principais centros urbanos, onde há disponibilidade de empregos e atividades de comércio, serviços, polos de alta tecnologia e infraestrutura de transporte. Já as moradias da população de baixa renda situam-se em assentamentos precários localizados, de modo espraiado, em áreas de maior fragilidade e de preservação ambiental”, disse Angélica Benatti Alvim, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
De acordo com a pesquisadora, as principais regiões em que tem sido observado o avanço de aglomerados urbanos precários em áreas de preservação ambiental são as metropolitanas de São Paulo, Campinas e Baixada Santista.
A ocupação desordenada dos mananciais contribui para maior escassez da água nas regiões mais populosas, especialmente na Região Metropolitana de São Paulo, e coloca também em risco a sustentabilidade de regiões vizinhas à macrometrópole, como é o caso da região do Vale do Ribeira. Segundo estudos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), as áreas mais populosas dessas regiões provavelmente vão intensificar o empréstimo de água de outras regiões em um futuro próximo, informou Angélica.
“Também percebemos que áreas próximas à Serra do Japi, em Jundiaí, no Vale do Paraíba e no litoral norte de São Paulo têm sido pressionadas pela ocupação desordenada”, disse.
Para a professora, a ocupação desordenada impacta a qualidade da água que já é pouca para atender tanta gente. “Nós temos um problema de quantidade e se a gente tem um problema de ocupação desordenada nós afetamos a qualidade essa água e isso já está sendo cada vez mais problemático. A mudança climática tem a ver com a escassez hídrica, mas se a gente afeta a qualidade, pelo processo de ocupação desordenada, combinando esses dois conceitos nós vamos afetar a disponibilidade, e a perspectiva é de caos.”
Favelas interligadas
Um levantamento feito por pesquisadores do Centro de Estudos da Metrópole (CEM), centro de pesquisa apoiado pela Fapesp, há 1,1 milhão de pessoas a mais em situação de precariedade do que registraram os dados do último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Com isso, o total ajustado passou a ser de 3,8 milhões de pessoas.
“Essa disparidade nos dados censitários indicada pelo Centro de Estudos da Metrópole aponta para o surgimento de pequenos núcleos de favela na macrometrópole paulista”, afirmou da professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e coordenadora do Observatório das Metrópoles, Lúcia Maria Machado Bógus.
No município de São Paulo, por exemplo, o processo de favelização tinha revertido e, nos últimos anos, devido ao desemprego e à deterioração das condições de vida da população de baixa renda, tem se observado uma piora, disse a pesquisadora. “Isso também tem sido notado em outros municípios da macrometrópole paulista.”
De acordo com Bógus, outro fenômeno de ocupação urbana recentemente observado na região é a interligação das periferias de municípios vizinhos.
“Hoje já não é mais possível se referir à periferia de São José dos Campos, por exemplo, sem lembrar que se vincula à expansão periférica de municípios vizinhos. Outro caso que merece destaque é o da cidade de Jundiaí, onde o processo de expansão das periferias, ligando municípios limítrofes, também é bastante evidente”. (ecodebate)

A rápida transição da fecundidade na América Latina

A taxa de fecundidade total (TFT) da América Latina e Caribe (ALC) caiu de cerca de 6 filhos antes de 1965, para 2 filhos no quinquênio 2015-20. Ou seja, passou de uma das maiores taxas do mundo para uma fecundidade abaixo do nível de reposição, em pouco mais de 50 anos. No mesmo período, a transição da fecundidade no Brasil foi ainda mais rápida e profunda, pois passou de mais de 6 filhos antes de 1965 para 1,7 filho por mulher no quinquênio 2015-20.
As transições da fecundidade na ALC e na Ásia são bem próximas. No caso da Europa, América do Norte e Oceania a transição começou ainda no século XIX e ocorreu de maneira lenta. A Oceania mantém taxas de fecundidade acima do nível de reposição, enquanto a América do Norte e a Europa ficaram abaixo do nível de reposição na década de 1970. Já o continente africano, que sempre teve taxas de fecundidade mais altas, começou a transição mais tarde e segue um ritmo mais lento, estando no atual quinquênio com taxa acima de 4 filhos por mulher.
Para avaliar a situação da fecundidade na ALC, a demógrafa Suzana Cavenaghi, da ENCE/IBGE, apresentou o trabalho “Reproductive health and rights: looking for the means to realize fertility preferences” no seminário organizado pela Divisão de População da ONU, nos dias 01 e 02 de novembro de 2018, em Nova Iorque, como parte do processo de revisão e avaliação do Programa de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD) e sua contribuição para a continuação da Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável.
Segundo a autora, mesmo com a fecundidade abaixo do nível de reposição, em cada país um ou mais das seguintes situações se aplicam para grandes proporções de mulheres 1) ter mais filhos do que eles gostariam; 2) ter menos filhos do que gostariam; 3) ter filhos mais cedo do que gostariam e/ou 4) ter filhos mais tarde do que gostariam.
Estas situações ocorrem apesar dos acordos assinados há quase 25 anos pelos países na CIPD do Cairo, em 1994, visando conceder acesso universal à saúde e aos direitos reprodutivos. Os países concordaram em dar aos casais os meios para implementar as preferências reprodutivas.
O gráfico abaixo mostra que nos 7 países em destaque (e com disponibilidade de dados) o nível da fecundidade indesejada é alto em todos os países com destaque para o meio rural. El Salvador é uma exceção e mesmo apresentando um TFT mais alta do que os demais países, apresentou um nível de fecundidade indesejada mais baixo.
A apresentação aborda diversos outros aspectos da transição da fecundidade na ALC, e em sua conclusão destaca a necessidade de uma educação sexual efetiva e a oferta universal de métodos contraceptivos (e conceptivos) para que a população possa atingir suas preferências reprodutivas e evitar a gravidez indesejada (por falta ou por excesso).
O importante é que os direitos sexuais e reprodutivos, assim como o Programa de Ação da CIPD do Cairo, sejam respeitados em todos os níveis. (ecodebate)

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Sustentabilidade florestal permite conservação, garante combate às mudanças climáticas e à poluição do ar

Manejo sustentável das florestas permite sua conservação, garantindo o combate às mudanças climáticas e à poluição do ar.
Manejo sustentável de florestas é ferramenta fundamental no combate às mudanças climáticas
No manejo florestal tradicional, as árvores ainda são vistas principalmente como fonte de madeira. Todos os outros produtos derivados de terras arborizadas — como mel, cogumelos, líquen, pequenos frutos, plantas medicinais e aromáticas, bem como quaisquer outros produtos extraídos de florestas para uso humano — são considerados de importância secundária.
No entanto, os recursos florestais não madeireiros trazem amplos benefícios para milhões de famílias no mundo todo, tanto em termos de subsistência como de renda. Além disso, o manejo sustentável das florestas permite sua conservação, garantindo o combate às mudanças climáticas e à poluição do ar. Leia o relato completo da ONU Meio Ambiente.
Mata fechada na Amazônia peruana.
A colheita de cogumelos selvagens na Europa Oriental é mais do que uma tradição, é um evento social. Todos os anos, no fim do verão e início do outono, milhares de pessoas percorrem a floresta procurando as maiores e mais perfeitas espécimes.
Elas levam os filhos para indicar quais cogumelos são comestíveis e quais são venenosos, quais estão maduros e quais devem ser deixados por mais uma semana, transmitindo ensinamentos de gerações passadas e cuidando das florestas.
À noite, as famílias compartilham sua colheita ao redor de pratos com deliciosas iguarias fritas. Juntas, celebram seu amor pelas florestas, conversando sobre os melhores lugares e relembrando os animais ou pássaros que avistaram ao longo do caminho.
As florestas estão entre os tesouros mais valiosos do planeta: fornecem energia a partir da madeira, ajudam na regulação da água, na proteção do solo e na conservação da biodiversidade.
No entanto, no manejo florestal tradicional, as árvores ainda são vistas principalmente como fonte de madeira. Todos os outros produtos derivados de terras arborizadas — como mel, cogumelos, líquen, pequenos frutos, plantas medicinais e aromáticas, bem como quaisquer outros produtos extraídos de florestas para uso humano — são considerados de importância secundária.
Os recursos florestais não madeireiros, no entanto, trazem amplos benefícios para milhões de famílias, tanto em termos de subsistência como de renda. Esses subprodutos transformam-se em alimentos e itens de uso diário, como cosméticos ou remédios. A proteção do meio ambiente passa a ser considerada, portanto, uma necessidade vital.
A Bulgária, cujas florestas cobrem mais de um terço de sua área terrestre, é um dos pontos de maior biodiversidade da Europa. Ursos marrons, linces e lobos podem ser encontrados em suas florestas, que também abrigam centenas de espécies de aves, bem como uma grande variedade de tipos de árvores, incluindo faias, pinheiros, abetos e carvalhos.
O país tem uma longa tradição de práticas de manejo florestal. Programas de monitoramento em grande escala estão em vigor e as comunidades locais são conhecidas por manter um olhar atento sobre o ambiente natural. Juntos, esses fatores permitiram que as autoridades nacionais aproveitassem ao máximo sua biodiversidade.
Mais de 90% da colheita anual de ervas silvestres e cultivadas são vendidos como matéria-prima para Alemanha, Itália, França e Estados Unidos, tornando a Bulgária um dos principais fornecedores mundiais neste setor. Ao ganhar experiência na proteção e uso sustentável de produtos florestais não madeireiros, o país se tornou modelo para outras nações dos Bálcãs.
Nos últimos doze anos, a Bulgária recebeu 335,3 milhões de dólares em financiamento da União Europeia para projetos de conservação. Essas iniciativas foram implementadas pelo Ministério do Meio Ambiente e da Água, por parques nacionais e naturais, municípios e organizações sem fins lucrativos. Os recursos permitiram que o país ampliasse ainda mais seus programas ambientais e assegurasse que seus recursos florestais continuassem sendo utilizados de maneira sustentável.
No entanto, Miroslav Kalugerov, diretor do Serviço de Proteção da Natureza da Bulgária no Ministério do Meio Ambiente e da Água, sabe por experiência que receber dinheiro para proteção ambiental não leva necessariamente ao sucesso. Ele afirma que, embora o acesso a informações abrangentes seja vital para o bom gerenciamento de qualquer recurso natural, é apenas um primeiro passo em direção às soluções ambientais.
“Sem dados, a conservação da natureza é caótica, os objetivos podem não ser cumpridos e a conservação de produtos florestais não madeireiros é impossível”, diz Miroslav.
A Macedônia do Norte é um exemplo disso. Apesar de exibir características similares à Bulgária em termos de recursos naturais, o país ainda precisa aproveitar todo o potencial dos produtos e serviços que suas florestas têm a oferecer. A falta de legislação adequada e de capacidade para identificar e monitorar o status de espécies de importância econômica para o país são em grande parte a razão disso.
Comunidades indígenas conseguiram reverter histórico de perseguição e criaram modelo que explora floresta de forma sustentável.
Para remediar a situação, a ONU Meio Ambiente, o Ministério do Meio Ambiente e Planejamento Físico da Macedônia do Norte e a Fundação Connecting Natural Values ​​and People organizaram uma visita de estudo à Bulgária para compartilhar experiências sobre como preservar e administrar de maneira viável os produtos florestais não madeireiros. Essa iniciativa fazia parte de um projeto maior – Conseguindo a Conservação da Biodiversidade por meio da Criação e do Gerenciamento Efetivo de Áreas Protegidas e Integrando a Biodiversidade ao Planejamento do Uso da Terra – financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente.
“A união das forças de diferentes autoridades nacionais e locais, instituições, cidadãos e empresas através de diferentes atividades do projeto contribuirá para a proteção e uso sustentável dos produtos não madeireiros na Macedônia do Norte”, diz Iskra Stojanova, coordenador de projetos da ONU Meio Ambiente.
Cerca de 80% da população do mundo em desenvolvimento usa esses produtos para as necessidades de saúde e nutricionais, observa Anela Stavrevska-Panajotova, coordenadora do projeto na Fundação Connecting Natural Values ​​and People. As práticas e habilidades aprendidas com os especialistas búlgaros são cruciais para trabalhar na identificação de produtos florestais não madeireiros e testes-piloto na Macedônia do Norte.
Educar os executivos e o setor empresarial como um todo sobre o uso sustentável dos recursos florestais é uma solução econômica para lidar com as mudanças climáticas. O uso sustentável de recursos ajuda a melhorar o estado das florestas e habitats e, por extensão, assegura a segurança econômica e alimentar das comunidades locais.
Além disso, as florestas atuam como sumidouros de carbono e podem remover poluentes da atmosfera, o que as torna ferramenta altamente versátil para combater a poluição do ar e mitigar as mudanças climáticas. Todos os anos, elas absorvem um terço do dióxido de carbono liberado pela queima de combustíveis fósseis em todo o mundo.
Melhorar a qualidade do ar continua a ser uma das prioridades para os Bálcãs Ocidentais, nos quais as centrais elétricas emitem 45 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono por ano. Os custos diretos da poluição do ar para a saúde podem ser medidos em bilhões de dólares.
Juntamente com a necessidade de mudar para fontes de energia limpa, as florestas são aliadas efetivas e naturais na luta por um ar mais limpo — e essenciais para garantir um futuro sustentável para as comunidades que dependem delas. (ecodebate)

Desmatamento amazônico aumentou 20% entre agosto/2018 e abril/2019

Imazon: Desmatamento na Amazônia aumentou 20% entre agosto de 2018 e abril de 2019.
O Boletim do Desmatamento (SAD) detectou altos índices de desmatamento na Amazônia Legal. No período acumulado, que compreende agosto de 2018 a abril de 2019, foram perdidos 2.169 km² de floresta. Esse número representa um aumento de 20% da área desmatada em relação ao mesmo período no ano anterior. Pará (787 km²), Mato Grosso (502 km²) e Amazonas (353 km²) foram os estados que mais desmataram nestes nove primeiros meses do calendário de desmatamento 2019.
Desmatamento no Amazonas: estado foi o terceiro com maior índice de devastação da Amazônia entre agosto de 2018 e abril de 2019.
Em abril de 2019, o SAD detectou 195 km² de desmatamento na Amazônia Legal. Comparado a abril de 2018, quando o desmatamento totalizou 217 km², houve uma redução de 10%. O período prolongado de chuvas intensas neste ano pode ter contribuído com a queda do desmatamento, uma vez que as ações de desmatamento são mais difíceis de serem executadas nessas condições.
A degradação florestal, prática relacionada ao corte seletivo das árvores ou queimadas, somaram 102 km². Roraima lidera o ranking com 86% do total degradado, o equivalente a 88 km².
(ecodebate)

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Mudança climática tornará a tundra ártica uma paisagem seca

Mudança climática pode tornar a tundra ártica uma paisagem mais seca.
Com a mudança climática, a tundra do Ártico tende a se tornar mais seca. Os lagos podem diminuir de tamanho e lagos menores podem até desaparecer de acordo com um novo estudo.
No oeste da Groenlândia, Kangerlussuaq experimentou uma redução de 28% no número de lagos menores (aqueles com menos de 10.000 m2 quadrados) e uma diminuição de 20% na área total de 1969 a 2017. Muitos dos lagos que desapareceram em 1969 se tornaram vegetados.  Os resultados foram publicados no Journal of Geophysical Research: Biogeosciences.
Exemplo de séries temporais de imagens que demonstram grandes áreas de lago (linha superior) e lago pequeno (linha inferior) mudam em diferentes locais da região de estudo de Kangerlussuaq, Groenlândia, de 1969 a 2017. Contornos azuis indicam margens delineadas do corpo de água. A imagem é a Figura 3 do estudo. Figura preparada por Rebecca Finger Higgens. Imagery cortesia de Planet Labs, Inc.
“A secagem do lago pode ser uma das consequências mais importantes da mudança climática do Ártico, já que a maioria dos lagos do mundo está em altas latitudes”, explicou a autora Rebecca Finger Higgens, estudante de pós-graduação em Ecologia, Evolução, Ecossistemas e Sociedade. Dartmouth. “Grande parte da secagem de lagos em Kangerlussuaq vem ocorrendo de 1985 até agora, período durante o qual também vimos um aumento de 2,5°C na temperatura média anual. Nossos resultados demonstram que as temperaturas mais quentes no oeste da Groenlândia nos últimos 30 anos aceleraram o declínio dos lagos”, acrescentou.
Finger Higgens notou pela primeira vez que a paisagem do Árctico parecia estar a ficar mais seca em 2015 enquanto fazia trabalho de campo fora de Kangerlussuaq, na Gronelândia. De 2015 a 2017, ela trabalhou como bolsista de pós-graduação do Programa de Educação Científica Conjunta (JSEP) durante a qual ela passou mais de seis meses realizando pesquisas em Kangerlussuaq. Ela começou a compilar coleções de satélite e imagens aéreas de lagos na Groenlândia reunidos nos anos 1960 e 1980 e dados meteorológicos para acompanhar as mudanças ao longo do tempo.
Imagens de lagos em Kangerlussuaq foram provenientes de: imagens de satélite CORONA desclassificadas da Guerra Fria, que estão disponíveis através do US Geological Survey; uma pesquisa aérea pelo governo dinamarquês na Groenlândia, que está disponível através da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica; e imagens de satélite do verão de 2017 pela Planet Labs, Inc. Dados de temperatura e precipitação para Kangerlussuaq obtidos pelo Instituto Meteorológico Dinamarquês durante 1971 a 2017 também foram utilizados.
Ao analisar as imagens, a equipe queria determinar por que alguns lagos visíveis em 1969 não eram visíveis em 2017. Para um lago ser classificado como desaparecido, ele precisava ser seco (ser vegetado ou não vegetado) e ser menor que 100 metros quadrados. A equipe encontrou três razões possíveis para explicar porque alguns lagos não eram visíveis em 2017: a vegetação havia entrado e recolonizado a área; a água do lago ainda estava presente, mas pequena demais para ser detectada pelo limiar; ou o lago permaneceu, mas estava apenas seco e sem vegetação. A maioria dos lagos no estudo que havia desaparecido estava seca e com vegetação.
Enquanto os lagos menores em Kangerlussuaq pareciam ser especialmente suscetíveis ao declínio dos lagos, os lagos maiores também tiveram um declínio com uma diminuição de 21% na contagem de lagos e uma diminuição de 2% na área de superfície. O rápido descongelamento do permafrost pode contribuir para a drenagem de alguns lagos maiores no futuro. Os invernos mais quentes e os verões mais secos provavelmente acelerarão as perdas em lagos, já que os pesquisadores descobriram que as taxas de evapotranspiração eram mais altas em junho, julho e agosto. O estudo explica que essas taxas podem ser “exacerbadas por períodos mais longos de neve e gelo durante o verão”.
“À medida que lagos menores e zonas úmidas desaparecem no Ártico, é provável que o habitat de organismos aquáticos e outros animais fique comprometido”, disse Finger Higgens. “O Ártico é o lar de muitas espécies de aves que migram para o norte para se reproduzir, especialmente aves aquáticas. Com o declínio nas zonas úmidas, podemos ver algumas quedas nas populações de ganso nessa área”.
Mapa da tundra ártica.
Além disso, um Ártico mais árido também pode aumentar a vulnerabilidade à erosão do solo, aos focos de insetos, aos fogos de tundra e a outros fenômenos associados às condições de seca. (ecodebate)